524: Empresa americana vende viagens de balão para o espaço a 104 mil euros

TURISMO ESPACIAL/SPACE PERSPECTIVE

O projecto já está em andamento e teve o primeiro teste não tripulado na sexta-feira. Será uma viagem de seis horas e 39 minutos num balão de ar quente de alta tecnologia.

Foto PriestmanGoode

Foto PriestmanGoode

Foto PriestmanGoode

Foto PriestmanGoode

Foto PriestmanGoode

Uma empresa da Florida, nos Estados Unidos, está a montar um negócio que promete revolucionar o conceito de férias. Em cima da mesa está a possibilidade de levar pessoas para o espaço num balão de ar quente de alta tecnologia, com uma cápsula pressurizada suspensa por um dirigível de grandes dimensões, com capacidade para um piloto e oito passageiros.

O projecto está de tal forma adiantado que a empresa – a Space Perspective – já está a aceitar reservas para o início de 2024 na sua Nave Espacial Neptune. Quem estiver interessado tem apenas de pagar qualquer coisa como 104,6 mil euros, que é o custo por pessoa.

O primeiro voo teste não tripulado foi realizado na passada sexta-feira (18 de Junho) e saiu do Space Coast Spaceoport, em Titusville, na Florida. Teve a duração de seis horas e 39 minutos, tendo as câmaras a bordo capturado uma imagem fantástica do nascer do sol na Terra.

A Space Perspective já anunciou que este teste foi crucial para o objectivo de levar turistas para o espaço, que terão oportunidade de usufruir de bebidas durante o passeio, tendo ainda a possibilidade de ter acesso às redes sociais.

“Estamos focados em mudar a maneira como as pessoas têm acesso ao espaço, tanto para realizar investigações necessárias para melhorar a vida na Terra, como para influenciar a forma como olhamos e nos conectamos com nosso planeta”, disse Jane Poynter, fundador e co-CEO da Space Perspective, há cerca de um ano.

Contudo, esta empresa americana já tem um plano expansionista para esta nova vertente do turismo, uma vez que já está a planear ter vários locais de partida para o espaço em vários pontos do planeta e não apenas a partir da Florida.

Refira-se que a viagem de seis horas contempla uma subida suave até 100 mil pés de altitude, até alcançar o limite de 99% da atmosfera da Terra. Seguem-se mais duas horas para que os passageiros desfrutem da paisagem numa cabine de 360 graus, para depois, durante duas horas, fazer o trajecto descendente até mergulhar em segurança no oceano, onde os passageiros serão recolhidos por um navio, que os transportarão até à costa.

A nave espacial foi projecta em colaboração com o estúdio de design PriestmanGoode, do Reino Unido, cujo responsável e co-fundador, Nigel Goode, explicou que na execução do projecto esteve a ideia de “tornar esta experiência memorável, mas também bastante confortável”.

“Queríamos ter certeza de que os passageiros seriam capazes de obter um campo de visão de 360 ​​graus e, por isso, criamos um espaço que permite que se movimentem durante a viagem”, frisou, referindo que a cápsula tem cinco metros de diâmetro, enquanto o balão de polietileno tem um diâmetro de 100 metros quando totalmente insuflado, sendo aproximadamente do comprimento de um campo de futebol.

Diário de Notícias
DN
23 Junho 2021 — 17:03

 

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522: Superfície de Vénus tem um manto gelatinoso com pedaços sólidos a flutuar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VÉNUS

Imagens de radar de 2004 mostram aos investigadores que Vénus pode ainda estar geologicamente activo e fornecer pistas importantes sobre a origem da Terra e de outros planetas

Uma equipa internacional de cientistas recorreu às observações de 2004 da missão Magellan da NASA e verificou que a superfície de Vénus tem um manto gelatinoso com pedaços sólidos de crosta a flutuar e a movimentarem-se como blocos de gelo. Os investigadores acreditam que a actividade geológica que os faz mover-se ainda se verifique nos dias de hoje, fornecendo possíveis indicações sobre a origem da Terra e de outros planetas e contrariando a teoria de que o planeta seria um bloco sólido como a Lua.

A existência de placas tectónicas faz parte do ciclo de carbono de um planeta e é uma importante peça no sistema que permite a existência de vida. Na Terra, por exemplo, a configuração deste ciclo alterou-se com o passar do tempo e a temperatura à superfície arrefeceu ao longo de milhões de anos. Os investigadores esperam agora conseguir analisar a actividade tectónica em Vénus e obter pistas sobre como será o ambiente em planetas mais ‘jovens’.

Naquele planeta, os cientistas teorizam sobre a existência de um manto flutuante: “as placas tectónicas na Terra são conduzidas por convecção do manto. O manto é quente ou frio em diferentes locais, move-se, e algum desse movimento transfere-se para superfície sob a forma de movimentos das placas”, explica Paul Byrne, professor na Universidade da Carolina do Norte que liderou este estudo.

“O fluxo de calor da Terra jovem era até três vezes superior ao de hoje, pelo que a sua litosfera pode ter sido semelhante ao que vemos em Vénus: não espesso o suficiente para remover as placas, mas espesso o suficiente para ter blocos fragmentados que se movimentam e balançam”, continua Byrne.

Estão previstas agora três novas missões da NASA e da ESA que preveem observações inéditas de Vénus e que potencialmente irão trazer nova luz sobre o entendimento actual do planeta.

Exame Informática
22.06.2021 às 09h46

 

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521: Asteróide tem nome de astrofísico português Nuno Peixinho

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Detlev van Ravenswaay

O astrofísico português Nuno Peixinho dá nome a um asteróide, descoberto em 1998 e que tem pouco mais de 10 quilómetros de diâmetro, anunciou esta segunda-feira o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), onde é investigador.

Anteriormente designado (40210) 1998 SL56, o asteróide passa a chamar-se (40210) Peixinho, por decisão do Grupo de Trabalho para a Nomenclatura de Pequenos Corpos da União Astronómica Internacional (UAI).

Descoberto a 16 de Setembro de 1998, numa campanha de observações do Observatório de Lowell, nos Estados Unidos, tem cerca de dez quilómetros de diâmetro e está na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter, a uma distância do Sol cerca de três vezes superior à da Terra, completando uma órbita em cerca de 5,3 anos.

O seu novo nome foi escolhido em homenagem a Nuno Peixinho, astrofísico da Universidade de Coimbra, que é o único português de uma extensa lista de nomes de cientistas que foram atribuídos em Junho a pequenos corpos celestes pela UAI, dirigida pela astrónoma portuguesa Teresa Lago.

O asteróide Peixinho “é o tipo de asteróide que, se viesse em direcção à Terra, poderia causar um evento de extinção em massa”, assinala em comunicado o IA. Mas o astrofísico português tranquiliza, dizendo que não representa perigo para a Terra.

“Saber que há agora aí pelo espaço um asteroide com o mesmo tamanho daquele que, presumivelmente, ao colidir com a Terra há 66 milhões de anos levou à extinção em massa do Cretáceo-Paleogeno, onde se incluem os famosos dinossauros… deixa-me sem palavras”, comentou, citado no comunicado, Nuno Peixinho, especialista na caracterização física e química de pequenos corpos do Sistema Solar.

Segundo o IA, existem pouco mais de um milhão de pequenos corpos do Sistema Solar catalogados, cerca de meio milhão já têm designação permanente, mas só 22.505 têm nome.

Pequenos corpos do Sistema Solar “é a designação genérica para asteróides, corpos gelados (como cometas e objectos transneptunianos) e satélites destes”.

Inicialmente, um destes corpos “recebe uma designação provisória de acordo com uma fórmula bem definida que envolve o ano da descoberta, duas letras e, se necessário, outros algarismos”.

Depois, “quando a sua órbita se encontra suficientemente bem determinada, o corpo recebe uma designação permanente, que consiste em acrescentar um número à designação provisória”.

No fim, sob proposta dos autores da descoberta do pequeno corpo celeste, o Grupo de Trabalho para a Nomenclatura de Pequenos Corpos da UAI atribui um nome.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Junho, 2021

 

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519: ALMA observa profundamente um berçário planetário caótico

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vários rastreadores moleculares ajudaram os cientistas a melhor compreender os gases presentes no disco que rodeia Elias 2-27. Visível nesta animação, os dados do contínuo de poeira a 0,87mm (azul), a emissão de C18O (amarelo), e a emissão de 13CO (vermelho), cada camada vista individualmente e em composição.
Crédito: T. Paneque-Carreño, NRAO/AUI/NSF, B. Saxton

A formação planetária ainda é um mistério. Os astrónomos estudam discos protoplanetários há décadas, tentando resolver os detalhes da génese planetária. Graças ao ALMA, uma equipa de cientistas, pela primeira vez, “escavou” fundo nas estruturas espirais do enorme disco protoplanetário de Elias 2-27, uma estrela jovem a 378 anos-luz de distância na direcção da constelação de Ofiúco. A equipa de investigação pensa que as instabilidades gravitacionais são a origem das espirais, e não a interacção com um planeta ou estrela companheira. Os resultados deste estudo foram publicados na revista The Astrophysical Journal.

Discos de gás e poeira rodeiam estrelas jovens recém-formadas. São chamados de discos protoplanetários, e os astrónomos esperam que os planetas se desenvolvam aí nos primeiros 10 milhões de anos de vida das estrelas.

“Exactamente como é que os planetas se formam é uma das principais questões no nosso campo. No entanto, existem alguns mecanismos-chave que pensamos impulsionar o processo,” explica Teresa Paneque Carreño, ex-estudante de Astronomia na Universidade do Chile que agora está a fazer o seu doutoramento no ESO em Garching, Alemanha, investigadora principal deste estudo. “Um destes mecanismos são as instabilidades gravitacionais, um processo que ocorre quando o disco é massivo o suficiente para que a sua gravidade se torne relevante na forma como as partículas interagem entre elas.” As instabilidades gravitacionais podem fazer com que o disco se fragmente em pequenos aglomerados, que podem tornar-se em planetas gigantes muito rapidamente.

As características únicas de Elias 2-27 tornaram-na popular entre os cientistas do ALMA por mais de meia década. Uma equipa liderada por Laura Perez da Universidade do Chile e co-autora desta nova investigação descobriu, também usando o ALMA, as espirais no disco de Elias 2-27 em 2016. Mas não foram capazes de determinar o que gerou as instabilidades gravitacionais. Foram necessárias outras observações em várias bandas do ALMA e rastreadores de gás para explorar a estrutura das espirais tanto em gás como em poeira.

“Descobrimos em 2016 que o disco de Elias 2-27 tinha uma estrutura diferente de outros sistemas já estudados. Algo não observado num disco protoplanetário antes: dois braços espirais de grande escala. A origem destas estruturas permaneceu um mistério, por isso precisávamos de mais observações,” explica Perez. “E assim, em conjunto com colaboradores, propusemos ao ALMA a exploração simultânea tanto da emissão de gás como da emissão da poeira neste sistema. Este novo estudo tornou-se o foco da tese de mestrado de Teresa na Universidade do Chile.”

Cassandra Hall, professora assistente de Astrofísica Computacional na Universidade de Georgia e co-autora da investigadora, acrescentou que a confirmação da assimetria vertical e das perturbações de velocidade – as primeiras perturbações em grande escala ligadas à estrutura espiral num disco protoplanetário – podiam ter implicações significativas para a teoria da formação planetária. “Isto podia ser uma ‘arma fumegante’ da instabilidade gravitacional, que pode acelerar alguns dos primeiros estágios da formação planetária. Previmos esta assinatura pela primeira vez em 2020 e, do ponto de vista da astrofísica computacional, é excitante estamos certos.”

Paneque-Carreño acrescentou que, embora a nova investigação tenha confirmado algumas teorias, também levantou mais questões. “Embora as instabilidades gravitacionais possam agora ser confirmadas para explicar as estruturas espirais no contínuo de poeira em torno da estrela, há também uma divisão interna, ou material ausente no disco, para o qual não temos uma explicação clara.”

“As imagens de alta resolução angular obtidas com o ALMA em vários comprimentos de onda foram fundamentais para estudar a morfologia do disco e as propriedades da poeira,” explica John Carpenter, cientista do Observatório ALMA e co-autor desta investigação. “A localização espacial das partículas de diferentes tamanhos permite-nos entender os processos de crescimento da poeira e inferir a origem da morfologia espiral.”

Além disso, a alta sensibilidade do ALMA permitiu à equipa estudar as perturbações cinemáticas e os processos dinâmicos rastreados pela emissão molecular. Usando duas moléculas como rastreadores (13CO e C18O), descobriram que o disco estava altamente perturbado e rodeado por emissões de gás em grande escala produzidas por material além da extensão do disco principal de poeira e gás.

“Ficámos surpresos ao encontrar perturbações verticais no gás do disco. Isto não tinha sido observado antes neste tipo de fonte,” diz Paneque Carreño. “As perturbações são grandes demais para serem explicadas por uma companheira. A estrutura vertical assimétrica do disco está provavelmente relacionada com a queda contínua de material, mostrando como os locais de formação planetária são caóticos.”

Uma das barreiras para entender a formação planetária era a falta de medições directas da massa dos discos formadores de planetas, um problema abordado na nova investigação. A alta sensibilidade do ALMA permitiu à equipa estudar mais de perto os processos dinâmicos, a densidade e até mesmo a massa do disco. “As anteriores medições da massa de discos protoplanetários eram indiretas, baseadas apenas na poeira e ou em isotopólogos raros. Com este novo estudo, somos agora sensíveis a toda a massa do disco,” disse Benedetta Veronesi – estudante da Universidade de Milão e investigadora pós-doutorada na ENS (École Normale Supérieure) de Lyon, autora principal de um segundo artigo. “Este achado é a base para o desenvolvimento de um método para medir a massa do disco que nos permitirá quebrar uma das maiores e mais insistentes barreiras no campo da formação planetária. O conhecimento da massa presente nos discos de formação de planetas permite-nos determinar a quantidade de material disponível para a formação dos sistemas planetários e melhor entender o processo pelo qual se formam.”

Embora a equipa tenha respondido a muitas perguntas críticas sobre o papel da instabilidade gravitacional e da massa do disco na formação planetária, o trabalho ainda não terminou. “O estudo de como os planetas se formam é difícil porque demoram milhões de anos a formar-se. Esta é uma escala de tempo muito curta para estrelas, que vivem milhares de milhões de anos, mas um longo processo para nós,” disse Paneque-Carreño. “O que podemos fazer é observar estrelas jovens, com discos de gás e poeira ao seu redor, e tentar explicar porque é que os discos de material têm o aspecto que têm. É como olhar para a cena de um crime e tentar adivinhar o que aconteceu. A nossa análise observacional, emparelhada com futuras análises aprofundadas de Elias 2-27, permitirá caracterizar exactamente como as instabilidades gravitacionais actuam nos discos formadores de planetas e obter mais informações sobre como os planetas são formados.”

Astronomia On-line
22 de Junho de 2021

 

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518: Dados do Hubble confirmam galáxias com matéria escura em falta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

DF2. A galáxia continua a intrigar os astrónomos porque lhe falta matéria escura, uma forma invisível de matéria que fornece a “cola” gravitacional que mantém as galáxias unidas. Estabelecer com precisão a distância da galáxia é um passo em frente para resolver o mistério.
A ampliação à direita revelar as muitas estrelas gigantes vermelhas velhas nos limites da galáxia, usadas como marcadores intergalácticos de distância. Os investigadores calcularam uma distância mais precisa de DF2 usando o Hubble para observar cerca de 5400 gigantes vermelhas. Estas estrelas mais velhas alcançam todas o mesmo pico de brilho, de modo que são “réguas” confiáveis para medir distâncias a galáxias.
A equipa de investigação estima que DF2 esteja a 72 milhões de anos-luz da Terra. Dizem que a medição de distância solidifica a afirmação que DF2 tem matéria escura em falta. A galáxia contém no máximo 1/400 da quantidade de matéria escura que os astrónomos esperavam, com base na teoria e em observações de muitas outras galáxias.
Chamada uma galáxia ultra-difusa, esta galáxia estranha tem quase o diâmetro da Via Láctea mas contém apenas 1/200 do seu número de estrelas. A galáxia fantasmagórica não parece ter uma região central perceptível, braços espirais ou um disco.
As observações foram feitas entre Dezembro de 2020 e Março de 2021 com o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble.
Crédito: NASA, ESA, STScI, Zili Shen (Yale), Pieter van Dokkum (Yale), Shany Danieli (IAS), Alyssa Pagan (STScI)

A medição de distância mais precisa, até à data, da galáxia ultra-difusa (UDG) NGC1052-DF2 (DF2) confirma, sem sombra de dúvida, que lhe falta matéria escura. A distância recentemente medida de 22,1 +/-1,2 megaparsecs foi obtida por uma equipa internacional de investigadores liderados por Zili Shen e Pieter van Dokkum da Universidade de Yale e Shany Danieli, ligada ao Hubble no IAS (Institute for Advanced Study).

“Determinar uma distância precisa para DF2 foi fundamental para apoiar os nossos resultados anteriores”, disse Danieli. “A nova medição relatada neste estudo tem implicações cruciais para estimar as propriedades físicas da galáxia, confirmando assim a sua falta de matéria escura.”

Os resultados, publicados dia 9 de Junho de 2021 na revista The Astrophysical Journal Letters, são baseados em 40 órbitas do Telescópio Espacial Hubble da NASA, com imagens pelo instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) e uma análise TRGB (“tip of the red giant branch”), o padrão de ouro para estas medições refinadas. Em 2019, a equipa publicou resultados medindo a distância à vizinha UDG NGC1052-DF4 (DF4) com base em 12 órbitas do Hubble e numa análise TRGB, que forneceu evidências convincentes da ausência de matéria escura. Este método preferido expande os estudos da equipa de 2018 que se baseavam em “flutuações de brilho da superfície” para medir a distância. Ambas as galáxias foram descobertas com o Dragonfly Telephoto Array no observatório New Mexico Skies.

“Decidimos arriscar com as nossas observações iniciais do Hubble desta galáxia em 2018,” disse van Dokkum. “Acho que as pessoas estavam corretas em questioná-lo, pois é que um resultado tão invulgar. Seria bom se houvesse uma explicação simples, como uma distância errada. Mas eu penso que é mais divertido e mais interessante se realmente for uma galáxia estranha.”

Além de confirmar as descobertas de distância anteriores, os resultados do Hubble indicaram que as galáxias estavam localizadas um pouco mais longe do que se pensava anteriormente, reforçando o caso de que contêm pouca ou nenhuma matéria escura. Se DF2 estivesse mais perto da Terra, como afirmam alguns astrónomos, seria intrinsecamente mais fraca e menos massiva, e a galáxia precisaria de matéria escura para explicar os efeitos observados da massa total.

A matéria escura é amplamente considerada um ingrediente essencial das galáxias, mas este estudo fornece mais evidências de que a sua presença pode não ser inevitável. Embora a matéria escura ainda não tenha sido observada directamente, a sua influência gravitacional é como uma cola que mantém as galáxias unidas e governa o movimento da matéria visível. No caso de DF2 e DF4, os investigadores foram capazes de explicar o movimento das estrelas com base apenas na massa estelar, sugerindo uma falta ou ausência de matéria escura. Ironicamente, a detecção de galáxias deficientes em matéria escura provavelmente ajudará a revelar a sua natureza intrigante e fornecerá novas informações sobre a evolução galáctica.

Apesar de DF2 e DF4 serem ambas comparáveis em tamanho à nossa Galáxia, a Via Láctea, as suas massas totais são apenas cerca de um por cento da massa da Via Láctea. Também se descobriu que estas galáxias ultra-difusas têm uma grande população de enxames globulares especialmente luminosos.

Esta investigação gerou um grande interesse académico, bem como um debate energético entre os proponentes de teorias alternativas para a matéria escura, como a teoria MOND (Modified Newtonian dynamics). No entanto, com as descobertas mais recentes da equipa, incluindo as distâncias relativas das duas UDGs a NGC1052 – tais teorias alternativas parecem menos prováveis. Além disso, agora há pouca incerteza nas medições de distância da equipa, dada a utilização do método TRGB. Com base na física fundamental, este método depende da observação de estrelas gigantes vermelhas que emitem um flash depois de queimar o seu reservatório de hélio que sempre ocorre com o mesmo brilho.

“Há um ditado que afirma que alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias, e a nova medição de distância apoia fortemente a nossa descoberta anterior de que DF2 tem matéria escura em falta,” disse Shen. “Agora é hora de ir além do debate e de nos focarmos no modo como estas galáxias surgiram.”

Seguindo em frente, os investigadores vão continuar a caçar mais destas galáxias estranhas, enquanto consideram uma série de questões como: como é que as UDGs são formadas? O que nos dizem sobre os modelos cosmológicos padrão? Quão comuns são estas galáxias, e que outras propriedades únicas têm? Será necessário descobrir muitas mais galáxias sem matéria escura para resolver estes mistérios e a questão final sobre o que realmente é a matéria escura.

Astronomia On-line
22 de Junho de 2021

 

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517: A origem de um buraco negro super-massivo no Universo jovem

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O buraco negro no centro da galáxia M87.
Crédito: Colaboração EHT

Os buracos negros super-massivos têm entre vários milhões e milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol. A Via Láctea hospeda um buraco negro super-massivo com alguns milhões de massas solares. Surpreendentemente, observações astrofísicas mostram que os buracos negros super-massivos já existiam quando o Universo era muito jovem. Por exemplo, encontramos buracos negros com mil milhões de vezes a massa do Sol quando o Universo tinha apenas 6% da sua idade actual, 13,7 mil milhões de anos. Como é que estes buracos negros super-massivos no início do Universo foram formados?

Uma equipa liderada por um físico teórico da Universidade da Califórnia, em Riverside, apresentou uma explicação: um enorme buraco negro “semente” que o colapso de um halo de matéria escura poderia produzir.

O halo de matéria escura é o halo de matéria invisível que rodeia uma galáxia ou um enxame de galáxias. Embora a matéria escura nunca tenha sido detectada em laboratórios, os físicos continuam confiantes de que esta matéria misteriosa que constitui 85% da matéria do Universo existe. Se a matéria visível de uma galáxia não estivesse embebida num halo de matéria escura, esta matéria dispersar-se-ia.

“Os físicos estão intrigados com a razão porque os buracos negros super-massivos no início do Universo, que estão localizados nas regiões centrais de halos de matéria escura, crescem tão massivamente num curto período de tempo,” disse Hai-Bo Yu, professor associado de física e astronomia na Universidade da Califórnia, em Riverside, que liderou o estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. “É como uma criança de cinco anos que pesa, digamos, 100 quilos. Esta criança surpreender-nos-ia a todos nós, porque sabemos o típico peso de um bebé recém-nascido e quão rápido este bebé pode crescer. No que diz respeito aos buracos negros, os físicos têm expectativas gerais sobre a massa de um buraco negro “semente” e do seu ritmo de crescimento. A presença de buracos negros super-massivos sugere que estas expectativas gerais foram violadas, exigindo novos conhecimentos. E isto é empolgante.”

Um buraco negro “semente” é um buraco negro no seu estágio inicial – semelhante ao estágio de bebé na vida de um ser humano.

“Podemos pensar em duas razões,” acrescentou Yu. “A ‘semente’ – ou ‘bebé’ – ou é muito mais massiva ou cresce mais depressa do que pensávamos, ou ambos. A questão que então surge é quais são os mecanismos físicos para produzir um buraco negro ‘semente’ massivo o suficiente ou para atingir um ritmo de crescimento suficientemente rápido?”

“Os buracos negros levam tempo para crescerem através da acreção de matéria em redor,” disse o co-autor Yi-Ming Zhong, investigador pós-doutorado no Instituto Kavli para Física Cosmológica da Universidade de Chicago. “O nosso artigo científico mostra que, se a matéria escura tem auto-interacções, então o colapso gravo-térmico de um halo pode levar a um buraco negro ‘semente’ massivo o suficiente. A sua taxa de crescimento seria mais consistente com as expectativas gerais.”

Na astrofísica, um mecanismo popular usado para explicar os buracos negros super-massivos é o colapso de gás pristino em proto-galáxias no início do Universo.

“Este mecanismo, no entanto, não consegue produzir um buraco negro ‘semente’ massivo o suficiente para acomodar os buracos negros super-massivos observados recentemente – a menos que o buraco negro ‘semente’ tenha tido um ritmo de crescimento extremamente elevado,” disse Yu. “O nosso trabalho fornece uma explicação alternativa: um halo de matéria escura auto-interactiva que sofre instabilidade gravo-térmica e a sua região central colapsa num buraco negro ‘semente’.”

A explicação que Yu e seus colegas propõem funciona da seguinte maneira:

As partículas de matéria escura primeiro aglomeram-se sob a influência da gravidade e formam um halo de matéria escura. Durante a evolução do halo, operam duas forças concorrentes – a gravidade e a pressão. Enquanto a gravidade puxa as partículas de matéria escura para dentro, a pressão empurra-as para fora. Se as partículas de matéria escura não interagem umas com as outras, então à medida que a gravidade as puxa em direcção ao halo central, tornam-se mais quentes, isto é, movem-se mais depressa, a pressão aumenta efectivamente e depois “ressaltam”. No entanto, no caso da matéria escura auto-interactiva, estas interacções entre as partículas podem transportar o calor daquelas partículas “mais quentes” para as próximas mais frias. Isto dificulta o “ressalto” das partículas de matéria escura.

Yu explicou que o halo central, que entraria em colapso num buraco negro, tem momento angular, ou seja, gira. As auto-interacções podem induzir viscosidade, ou “fricção”, que dissipa o momento angular. Durante o processo de colapso, o halo central, que tem uma massa fixa, encolhe em raio e diminui em rotação devido à viscosidade. À medida que evolui, o halo central eventualmente colapsa num estado singular: um buraco negro “semente”. Esta “semente” pode tornar-se mais massiva acretando matéria bariónica – ou visível – circundante, como gás e estrelas.

“A vantagem do nosso cenário é que a massa do buraco negro ‘semente’ pode ser alta, pois é produzida pelo colapso de um halo de matéria escura,” disse Yu. “Portanto, pode transformar-se num buraco negro super-massivo ao longo de uma escala de tempo relativamente curta.”

Este trabalho é novo, no sentido de que os investigadores identificam a importância dos bariões – partículas atómicas e moleculares comuns – para que esta ideia funcione.

“Primeiro, mostramos que a presença de bariões, como gás e estrelas, podem acelerar significativamente o início do colapso gravo-térmico de um halo e um buraco negro ‘semente’ pode ser criado a tempo,” disse Wei-Xiang Feng, estudante de Yu e co-autor do artigo. “Em segundo lugar, mostramos que as auto-interacções podem induzir viscosidade que dissipa o momento angular remanescente do halo central. E terceiro, desenvolvemos um método para examinar a condição que desencadeia a instabilidade relativista geral do halo colapsado, o que garante que um buraco negro ‘semente’ possa formar-se caso a condição seja satisfeita.”

Durante a última década, Yu explorou novas previsões de auto-interacções da matéria escura e as suas consequências observacionais. O seu trabalho mostrou que a matéria escura auto-interactiva pode fornecer uma boa explicação para o movimento observado de estrelas e do gás nas galáxias.

“Em muitas galáxias, as estrelas e o gás dominam as suas regiões centrais,” disse. “Assim, é natural perguntar como a presença desta matéria bariónica afecta o processo de colapso. Nós mostramos que vai acelerar o início do colapso. Esta característica é exactamente o que precisamos para explicar a origem dos buracos negros super-massivos no início do Universo. As interacções entre partículas de matéria escura também levam à viscosidade que pode dissipar o momento angular do halo central e ajudar ainda mais no processo de colapso.”

Astronomia On-line
22 de Junho de 2021

 

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516: Primeiros turistas espaciais da SpaceX mostram fatos de astronauta

TURISMO ESPACIAL/SPACE X

A missão terá lugar em Setembro.

© Twitter / @rookisaacman

A primeira missão da SpaceX com turistas espaciais está marcada para Setembro e os participantes já estão a treinar para a ocasião. Entre eles está o CEO da Shift4 Payments, Jared Isaacman, que aproveitou uma publicação no Twitter para mostrar algumas fotografias.

“Terminada mais uma semana de treino na SpaceX com a tripulação da Inspiration4”, pode ler-se na publicação. Isaacman refere ainda que os quatro tripulantes tiveram de passar por várias simulações e doações de sangue “no interesse da ciência”.

As fotografias também permitem ver com maior detalhe os fatos que estes astronautas usarão na missão da SpaceX.

Além de Isaacman também participarão na missão Hayley Arceneaux (assistente de enfermagem), Sian Proctor (piloto) e Christopher Sembroski (veterano da Força Aérea dos EUA).

TechAoMinuto
por Miguel Patinha Dias 
22/06/21 08:47

 

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515: As fotografias da Terra captadas pela sonda de Júpiter

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ESPAÇO

Em 2013 que a Juno precisou de um pequeno ‘empurrão’ da força gravitacional do nosso planeta.


As fotografias da Terra captadas pela sonda de Júpiter – terra, espaço, juno, sonda
© Juno / Kevin Gill

© Juno / Kevin Gill

© Juno / Kevin Gill

© Juno / Kevin Gill

Desde 2016 que a sonda Juno se encontra nas imediações de Júpiter, a captar imagens e a reunir dados sobre o maior planeta do nosso Sistema Solar. Porém, o editor de imagem Kevin Gill decidiu recordar o momento em que a Juno fez uma aproximação à Terra para a impulsionar para o Espaço, captando imagens de grande beleza do nosso planeta.

As imagens que pode ver acima foram captadas em Outubro de 2013 e foram devidamente editadas por Gill para captar toda a beleza da Terra. Diz o Science Alert que foi graças a esta aproximação à Terra que a sonda Juno conseguiu aumentar a velocidade de deslocação para mais de 3,9km/s.

Entretanto, vale a pena recordar na galeria acima o belo momento em que a Juno conseguiu captar imagens da Terra.

Tech Espaço
por Miguel Patinha Dias
22/06/2021

 

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514: NASA ainda não conseguiu solucionar problema com Telescópio Hubble

CIÊNCIA/HUBBLE/ESPAÇO

O telescópio foi lançado para o Espaço em 1990.

© Shutterstock

O computador principal do Telescópio Espacial Hubble deixou de funcionar a 13 de Junho e, desde então, a NASA ainda não conseguiu resolver o problema.

O computador em questão é responsável por controlar os diversos instrumentos científicos a bordo do telescópio e, apesar de a NASA estar activamente a tentar encontrar a origem do problema e de o ter tentado solucionar já por três vezes, ainda não parece haver solução à vista.

“A NASA continua a trabalhar para resolver a questão com o computador do Telescópio Espacial Hubble, que parou no dia 13 de Junho”, pode ler-se na mensagem da NASA na página de Twitter do Hubble.

Serve recordar que o Hubble foi lançado em 1990 e tem a bordo equipamento desenvolvido ao longo dos anos 1980.

Tech Espaço
por Miguel Patinha Dias
22/06/2021

 

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513: Confronto de Titãs. Hubble identifica colisão cósmica cataclísmica

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESA / Hubble & NASA, R. Chandar
Imagem do Telescópio Espacial Hubble do par de galáxias em interação IC 1623

Com a ajuda do Telescópio Espacial Hubble, uma equipa de astrónomos capturou uma nova fotografia do sistema de galáxias em interacção IC 1623.

Também conhecido como Arp 236, ESO 541-23 e IRAS 01053-1746, o par de galáxias foi descoberto no dia 19 de Novembro de 1897 pelo astrónomo americano Lewis Swift.

IC 1623 está localizado a cerca de 274 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Cetus, e é “uma visão familiar” para os astrónomos do Hubble.

“Este par de galáxias a interagir é uma visão familiar”, disseram, citados pelo Sci-News. “O Hubble capturou o IC 1623 em 2008 usando dois filtros em comprimentos de onda ópticos e infravermelhos com a ajuda da Câmara Avançada para Pesquisas (ACS).”

A nova imagem traz novidades, uma vez que incorpora novos dados da Wide Field Camera 3 (WFC3) e combina observações feitas em oito filtros que abrangem comprimentos de onda infravermelho a ultravioleta “para revelar os detalhes mais subtis do IC 1623”.

O portal explica que uma das duas galáxias do sistema tem uma quantidade substancial de gás quente e denso. Esse gás também é encontrado na região de sobreposição que interliga os dois núcleos.

A dupla aproxima-se do final da sua fusão, altura em que um violento influxo central de gás irá desencadear uma intensa actividade estelar que pode aumentar a luminosidade infravermelha acima do limite ultra-luminoso.

“As duas galáxias estão nos estágios finais de fusão e esperamos que um poderoso influxo de gás accione uma explosão frenética de formação de estrelas na galáxia compacta”, disseram os astrónomos, avisando que as próximas observações do par de galáxias com o Telescópio Espacial James Webb “lançarão mais detalhes sobre os processos de formação de estrelas extremas em ambientes como o IC 1623”.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2021

 

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