681: Investigação de português aponta possível caminho do SARS-CoV-2 para o cérebro

 

SAÚDE/COVID-19/INVESTIGAÇÃO

Ricardo Costa, cientista português nos Estados Unidos, vai apresentar conclusões do estudo que apontam para que o vírus utilize as células que protegem e nutrem os neurónios.

© Igor Martins / Global Imagens

Células que normalmente protegem e nutrem os neurónios podem ser o veículo usado pelo coronavírus SARS-CoV-2 para infectar o cérebro, de acordo com uma investigação em que participa um cientista português nos Estados Unidos.

“Os astrócitos são células que normalmente protegem os neurónios, são uma espécie de sistema imunitário do cérebro e fornecem nutrientes e mecanismos de sinalização para os neurónios funcionarem normalmente”, disse à agência Lusa o investigador Ricardo Costa, a fazer um pós-doutoramento na Universidade Estadual do Louisiana.

Ricardo Costa é o primeiro autor de um estudo que será apresentado no encontro deste ano da Sociedade Fisiológica norte-americana cujas conclusões apontam para os astrócitos como o caminho do SARS-CoV-2 para o cérebro em algumas formas da doença da covid-19.

Usando métodos moleculares, os investigadores descobriram que “os astrócitos têm potencial para serem infectados pelo vírus porque expressam uma proteína, a ACE2” a que o novo coronavírus se “agarra”.

Apesar de os astrócitos parecerem ser mais resistentes à infecção do que os neurónios, é entre as principais células do cérebro que o vírus se espalha mais facilmente, referiu, porque basta o vírus ultrapassar a barreira dos astrócitos, cuja função é transportar nutrientes da corrente sanguínea e manter partículas nocivas à distância da complexa rede de neurónios.

Uma das hipóteses que colocam, decorrente do trabalho de investigação, é que a susceptibilidade de alguns pacientes a danos cerebrais provocados pela covid-19 tenha a ver com a sua carga viral, mas parte da equação é “uma questão de probabilidade”.

“Alguns pacientes têm sintomas neurológicos muito graves e nem sequer tiveram muitos sintomas respiratórios, o que é bastante interessante”, notou Ricardo Costa.

Ricardo Costa salientou que o projecto está ainda numa fase muito inicial, depois de ter começado em Novembro passado, e que o caminho da investigação será “determinar em mais detalhe os mecanismos” da infecção, o que poderá no futuro permitir “mecanismos terapêuticos, por exemplo, uma nova proteína que esteja envolvida”.

Diário de Notícias

DN/Lusa

 

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]

 

Please follow and like us: