883: Reacções adversas à vacina da Janssen em utentes de Mafra

SAÚDE/COVID-19/VACINAS JANSSEN/REACÇÕES ADVERSAS

Ainda não foram reportadas suspeitas de defeito de qualidade deste lote de vacinas noutros centros de vacinação em que o mesmo está a ser utilizado

© José Carmo / Global Imagens

Foram registadas reacções adversas à vacina contra a covid-19 no Centro de Vacinação de Mafra, informou o Infarmed.

No entanto, a Autoridade Nacional do Medicamento “informa que não foram reportadas, até à presente data, suspeitas de defeito de qualidade deste lote noutros centros de vacinação em que o mesmo está a ser utilizado”.

“O Infarmed decidiu dar início a um processo de investigação da qualidade das unidades remanescentes da vacina naquele local de vacinação, assim como, suspender este lote até as devidas averiguações estarem concluídas”, pode ler-se num comunicado enviado à nossa redacção.

Recentemente, os Estados Unidos alertaram para uma ligação entre a vacina contra a covid-19 da Janssen e a síndrome de Guillain-Barré.

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença rara do sistema imunitário que causa inflamação dos nervos e pode levar à dor, dormência, fraqueza muscular e dificuldade em andar.

O aviso, ainda não oficializado, será emitido pela Food and Drug Administration (FDA), a agência governamental responsável pela aprovação da utilização de novos medicamentos, vacinas e outros produtos relacionados com a saúde pública.

De acordo com o The New York Times, que cita fontes familiarizadas com o assunto, a FDA concluiu que as pessoas que receberam a vacina da Janssen, subsidiária da multinacional americana Johnson & Johnson, têm três a cinco vezes mais probabilidades de desenvolver a síndrome de Guillain-Baré.

Dos 12,8 milhões de pessoas que receberam a vacina da Janssen nos Estados Unidos, cerca de 100 podem ter desenvolvido sintomas, segundo o The Washington Post.

A maioria das pessoas afectadas começou a apresentar sintomas duas semanas após a imunização e, na maioria dos casos, o perfil corresponde a homens com mais de 50 anos.

Não há dados que evidenciem um padrão semelhante entre aqueles que receberam a vacina contra a covid-19 da Moderna ou Pfizer, que só nos Estados Unidos já administraram mais de 321 doses.

A vacina da Janssen, de dose única, já tinha sofrido um contratempo em Abril, quando as autoridades norte-americanas interromperam a sua distribuição, após seis casos de trombose cerebral terem sido detectados em mulheres com menos de 48 anos que tinham sido inoculadas, uma das quais morreu.

Diário de Notícias
DN
14 Julho 2021 — 23:31

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882: Mais 4.153 casos e nove mortes em 24 horas. Incidência volta a subir

SAÚDE/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Incidência volta a subir e o índice de transmissibilidade, denominado R(t), desce para 1,14 a nível nacional. Há agora 734 doentes covid-19 nos hospitais portugueses. Nas unidades de cuidados intensivos há mais 10 pessoas internadas. São, no total, 171, segundo os dados da DGS.

O coordenador da task force, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, durante a visita a um centro de vacinação em Carnaxide
© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) indica que Portugal registou, nas últimas 24 horas, 4.153 novos casos de covid-19 (mais 1.503 em relação a terça-feira) e nove mortes. O número diário de infecções pelo novo coronavírus não era tão alto desde 10 de Fevereiro, dia em que se confirmaram 4.387 diagnósticos da doença.

Do total de novos casos reportados pelo boletim epidemiológico da DGS desta quarta-feira (14 de Julho), quase dois mil verificam-se em Lisboa e Vale do Tejo (mais concretamente 1.928), o que corresponde a 46,4% do total nacional. Segue-se a região Norte que soma mais 1.305 infectados (31%).

Algarve é a terceira região com o número diário de novas infecções mais elevado (441). Foram confirmados mais 316 casos no Centro, 102 no Alentejo, 42 nos Açores e 19 na Madeira.

A autoridade nacional da saúde indica que das nove mortes registadas, sete ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo e duas na região Centro.

Incidência sobe para 336,3 casos por 100 mil habitantes a nível nacional

No que se refere à pressão nos hospitais portugueses, os dados indicam que há agora 734 pessoas internadas (menos oito face ao dia anterior), das quais 171 doentes estão em unidades de cuidados intensivos (mais 10).

© DGS

A taxa de incidência a 14 dias também foi actualizada e verifica-se neste indicador uma nova subida. A nível nacional passa de 315,6 para 336,3 infecções por 100.000 habitantes. Tendo em conta só o continente, a incidência passa de 325,2 para 346,5 casos de covid-19 por 100 mil habitantes.

Já ​​​​​​​o índice de transmissibilidade, o chamado R(t), desce para 1,14 a nível nacional e para 1,15 se não contemplarmos as regiões autónomas da Madeira e dos Açores (antes era de 1,16).

Há mais 2.235 pessoas recuperadas da covid-19

Dois indicadores que integram a matriz de risco definida pelo Governo e que tem servido de base na gestão da pandemia por parte do executivo liderado por António Costa. Portugal mantém-se na zona vermelha. A Ordem dos Médicos e especialistas do Instituto Superior Técnico apresentaram, entretanto, uma proposta ao Governo para uma nova matriz de risco.

DGS indica também que no espaço de 24 horas foram registados mais 2.235 casos de pessoas que recuperaram da doença, totalizando agora 852.269 o número de recuperados.

Perante estes dados, Portugal tem, actualmente, 47.108 casos activos da infecção por SARS-CoV-2 (mais 1.909 do que no dia anterior).

© DGS

No total, foram confirmados 916.559 diagnósticos de covid-19 desde o início da pandemia e 17.182 óbitos, sendo que há mais 1.322 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Dados actualizados da evolução da pandemia em Portugal, um dia após ser conhecido o mais recente relatório sobre o processo de vacinação, no qual é referido que 42% da população portuguesa (4 337 479 pessoas) tem a vacinação completa.

Já 60% da população (6.213.798 pessoas) tem pelo menos a vacinação iniciada, de acordo com o documento enviado às redacções pela DGS.

Um processo de inoculação que tem tido repercussões nos números de internamentos e de óbitos, que não acompanham na mesma dimensão o aumento diário de casos, como aconteceu nas fases mais críticas da pandemia no nosso país.

Apresentada proposta de uma nova matriz de risco

Por esta ser uma fase diferente da situação epidemiológica, especialistas apresentaram um novo indicador, que acrescenta uma avaliação da gravidade, para determinar o estado da pandemia de covid-19 e esperando agora que este seja adoptado pelas entidades competentes como futura matriz.

Na sessão de apresentação do indicador, na Ordem dos Médicos, em Lisboa, o matemático Henrique Oliveira, especialista em sistemas dinâmicos, explicou que os dois indicadores que compõem a actual matriz de risco “não chegam” e “começam a dar uma visão parcial do problema”.

A proposta apresentada esta quarta-feira, que resultou de um “trabalho de equipa” de especialistas do Instituto Superior Técnico e da Ordem dos Médicos, não deita fora os dois indicadores existentes – incidência e transmissibilidade (Rt) -, mas complementa-os com mais três: letalidade, internamentos em enfermaria e internamentos em unidades de cuidados intensivos.

A actual matriz “é lenta” e “são precisos indicadores mais rápidos”, sustenta Henrique Oliveira.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, adiantou que a ministra da Saúde já recebeu a proposta de novo indicador e que esta sabia que havia uma equipa a trabalhar o assunto há mais de um mês.

Bolsa de voluntários vai ajudar farmácias na realização de testes

“O Presidente da República já tem conhecimento [sobre o indicador], o Governo terá de decidir”, afirmou, sublinhando que a Ordem dos Médicos está disponível para prestar esclarecimentos sobre a nova ferramenta, que classifica como “democrática”, porque “pode ser feita em casa, por qualquer um”.

Também esta quarta-feira a Ordem dos Farmacêuticos fez saber que está a criar uma bolsa de voluntários com estudantes desta área para apoiar as farmácias que estão sobrecarregadas devido à crescente procura dos utentes para realizarem testes à covid-19.

Conscientes desta situação e tentando dar resposta a este desígnio nacional de aumento da capacidade testagem, a Ordem dos Farmacêuticos está a trabalhar com o INSA [Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge] e com o Infarmed [Autoridade Nacional do Medicamento] na criação de uma bolsa de voluntários com estudantes de Ciências Farmacêuticas”, avançou à Lusa o presidente da secção regional do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Enfermeiros, Luís Lourenço.

Registados mais 552.235 novos casos em todo o mundo

A nível global, os dados recentes mostram que o mundo registou, em 24 horas, mais 9.748 mortes e 552.235 novos casos, indica o balanço diário da AFP.

Com o registo destas vítimas mortais nas últimas 24 horas à escala mundial, a crise sanitária associada à doença covid-19 já provocou, até à data, pelo menos 4.053.041 mortes no mundo, de acordo com o mesmo balanço.

No total, e desde que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) foi identificado na China em Dezembro de 2019, mais de 187.779.210 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados em todo o mundo.

Diário de Notícias
DN
14 Julho 2021 — 14:55

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881: Especialistas apresentam novo indicador para a matriz de risco

SAÚDE/COVID-19/MATRIZ DE RISCO

A actual matriz “é lenta” e “são precisos indicadores mais rápidos”, sustenta o matemático Henrique Oliveira.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, na conferência de imprensa de apresentação do novo indicador de avaliação do estado da pandemia,
© António Pedro Santos/Lusa

Uma equipa de especialistas apresentou esta quarta-feira um novo indicador, que acrescenta uma avaliação da gravidade, para determinar o estado da pandemia de covid-19 e esperando agora que este seja adoptado pelas entidades competentes como futura matriz.

Na sessão de apresentação do indicador, na Ordem dos Médicos, em Lisboa, o matemático Henrique Oliveira, especialista em sistemas dinâmicos, explicou que os dois indicadores que compõem a actual matriz de risco “não chegam” e “começam a dar uma visão parcial do problema”.

A proposta apresentada esta quarta-feira, que resultou de um “trabalho de equipa” de especialistas do Instituto Superior Técnico e da Ordem dos Médicos, não deita fora os dois indicadores existentes – incidência e transmissibilidade (Rt) -, mas complementa-os com mais três: letalidade, internamentos em enfermaria e internamentos em unidades de cuidados intensivos.

O novo indicador pode ser usado em qualquer sítio e a qualquer escala, permitindo que se adoptem medidas adaptadas a regiões ou concelhos.

“É um indicador feito com conhecimento científico”, acrescentou Henrique Oliveira, considerando que a actual matriz “é lenta” e “são precisos indicadores mais rápidos”.

“É uma ferramenta interessante para achatar a curva”, resumiu o bastonário da Ordem dos Médicos, na mesma sessão.

O novo indicador assenta em dois pilares: mantém a actividade, com as dimensões já aplicadas da incidência e da transmissibilidade (Rt); e acrescenta a gravidade, com as dimensões da letalidade, dos internamentos em enfermaria e dos internamentos em UCI.

“Estamos sempre a correr atrás da pandemia”, lamentou Henrique Oliveira, considerando que as medidas em vigor para responder à pandemia estão “sempre com atraso”.

“O combate à pandemia exige reuniões de equipas especializadas em cima do acontecimento, não se pode esperar uma semana para reagir”, alerta.

Além disso, “a incidência acumulada a 14 dias é um indicador fraco”, que impede a rapidez na resposta. No entender do especialista, essa incidência devia ser “usada a sete dias, no mínimo”.

O que impede um pior cenário é a vacinação, “que não está a falhar”, concluiu.

Os especialistas foram unânimes em considerar a vacinação a chave do controlo da pandemia.

“Se, nesta altura, não houvesse vacinação, as circunstâncias seriam semelhantes às de Janeiro e Fevereiro”, sublinhou Henrique Oliveira,

Recordando que “as novas variantes serão sempre piores e mais transmissíveis”, o especialista salientou a “flexibilidade” do indicador proposto.

De acordo com o indicador, Portugal está, nesta altura, nos “92,3, um bocadinho abaixo da ebulição [que se dá aos 100]”, esclareceu Henrique Oliveira.

Convencido de que “a vacinação está a ter efeito e a puxar os indicadores para baixo”, o matemático explicou que, mesmo se a incidência subir aos quatro mil casos por dia (o que já não lhe parece “tão provável”), o indicador subirá “ao máximo de 94/95 e depois vai descer”.

Henrique Oliveira acredita que “a incidência vai descer dentro de 10 a 15 dias”.

Portugal sé esteve “em ebulição” entre Outubro e final de Fevereiro. “Sem vacina, estaríamos acima do nível crítico outra vez, nesta altura”, notou.

Miguel Guimarães adiantou na sessão que a ministra da Saúde já recebeu a proposta de novo indicador e que esta sabia que havia uma equipa a trabalhar o assunto há mais de um mês — a Ordem dos Médicos referiu-o pela primeira vez a 07 de Junho.

“O Presidente da República já tem conhecimento [sobre o indicador], o Governo terá de decidir”, afirmou, sublinhando que a Ordem dos Médicos está disponível para prestar esclarecimentos sobre a nova ferramenta, que classifica como “democrática”, porque “pode ser feita em casa, por qualquer um”.

Sublinhando que aos especialistas compete “apresentar soluções e fazer recomendações”, o bastonário frisou que “era importante que quem tem responsabilidade olhasse e levantasse questões”.

Este indicador “devia substituir a actual matriz de risco”, defende o bastonário. Porém, reconheceu, “há várias coisas” que a Ordem propôs e que “não foram adoptadas”, dando como exemplo o “apelo urgente” para que os médicos de família sejam libertados das “tarefas covid” e “se contrate médicos fora do Serviço Nacional de Saúde” para as realizar.

Aliás, “desde que tomou posse como ministra, [Marta Temido] fez zero reuniões com a Ordem dos Médicos”, lamentou, assinalando que “também as decisões políticas podem salvar vidas”.

Notícia actualizada às 13.55.

Diário de Notícias
Lusa
14 Julho 2021 — 13:21

– Apenas gostava de saber se o “bicho” não entra com o especialista (seta)… Só ele é que não tem máscara, porque será?

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“Resposta das UCI é gerível, mas se tiver de aumentar será à custa dos outros doentes”

SAÚDE/COVID-19/UCI’S

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, a ocupação de camas nos cuidados intensivos está nos 86%, já esteve nos 90% e já houve doentes que tiveram de ser transferidos para outras regiões. No norte, na semana passada, o aumento de casos fez duplicar em 50% os internamentos, sendo expectável que nesta semana aumente ainda mais. Quem está no terreno diz que a resposta é gerível, mas se casos continuarem a subir, esta terá de ser à custa dos doentes não covid.

Matosinhos, 25 / 03 / 2021 – Covid-19: Reportagem na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pedro Hispano para trabalho sobre o que mudou nos hospitais com a pandemia.
(Artur Machado / Global Imagens)

O número de casos de covid-19 em Portugal continua a surpreender. Só ontem foram registados quase tantos (2.650) como no dia 13 de Fevereiro (2.856), altura em que a terceira vaga começava a atenuar. Neste momento, a situação só não é tão preocupante porque quando se olha para os números de internamentos ou de óbitos a realidade é outra. Enquanto ontem havia 742 pessoas internadas, das quais 131 em unidades de cuidados intensivos (UCI), a 13 de Fevereiro havia 4.850, das quais 803 em UCI. E o mesmo acontece em relação aos óbitos: ontem registaram-se nove, a 13 de Fevereiro foram 149. Quem está no terreno reconhece que o impacto que a doença está a ter agora nada tem que ver com o das anteriores vagas, sobretudo no período de Janeiro e Fevereiro, mas se tal é assim “é graças à vacinação”, sublinha ao DN o coordenador da Unidade de Cuidados Cirúrgicos do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, António Pais Martins.

Para este médico, a resposta que está a ser dada pela medicina intensiva “ainda é gerível, mas não pode aumentar muito mais, senão terá de ser à custa da resposta que estamos a dar aos doentes não covid”, alertando mesmo para o facto de a ocupação de camas na região de Lisboa e Vale do Tejo, nas últimas semanas, “já ter chegado aos 90% e mais. Nestes dias está nos 86%, mas, nas semanas anteriores já tivemos necessidade de transferir doentes, por exemplo para unidades do Alentejo, para se acautelar uma resposta mais efectiva aos outros doentes”.

Pais Martins, que também é director da secção de medicina intensiva da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, relembra que desde o início da pandemia que a resposta a nível da medicina intensiva é feita em rede no Serviço Nacional de Saúde (SNS): Lisboa e Vale do Tejo tem três grandes centros de referência e várias outras unidades, “mas não podemos correr o risco de o sistema voltar a ficar saturado”. E para isso, sublinha o especialista, “é necessário que a população continue a cumprir as regras de protecção individual. Só assim será possível conter a transmissão e evitar mais hospitalizações”.

António Pais Martins reforça mesmo que a diferença desta vaga para as anteriores é o processo de vacinação. “A nossa sorte é que temos o grupo dos mais idosos quase todo vacinado, senão seria muito mais complicado”. Mesmo assim, e quando olha para o número de casos que estão a marcar o início desta semana e a subida nos internamentos, não deixa de desabafar: “Quem diria? Ninguém no país poderia imaginar que, mesmo com o desconfinamento, voltássemos a ter milhares de casos por dia, mas esta situação não está a acontecer só em Portugal.

É muito semelhante em outros países, veja o que se passa em Espanha, por exemplo em Barcelona, no Reino Unido ou na Bélgica, e tudo por causa da nova variante.” E se há alguma tranquilidade no terreno, argumenta, “é por causa da vacinação, e quanto mais se acelerar este processo mais será possível travar as hospitalizações, mas é necessário que a população, sobretudo a mais jovem, também a aceite”.

Até porque, e como refere, esta variante não veio trazer só um aumento na transmissão da doença, mudou também o perfil do doente que dá entrada nos cuidados intensivos. “Neste momento, tenho nove pessoas internadas na minha unidade, com idades entre os 35 e os 48 anos. E se no início havia uma característica nestes doentes, homens e a maioria com excesso de peso ou mesmo obesidade, agora, embora não haja números que indiquem ser um padrão, estamos a receber doentes saudáveis e sem comorbilidades. O que para nós é uma situação preocupante.”

Lisboa e Vale do Tejo é a região com maior pressão no aumento de casos desde o início de Maio – vindo sempre a registar 40% a 60% dos casos de todo o país. Só ontem tinha 1.141 casos, de um total nacional de 2.650. António Pais Martins refere ao DN que, se não houver uma redução de casos na região, o período de férias que aí vem para muitos dos profissionais de saúde e nomeadamente da medicina intensiva pode estar em risco.

Variante Delta mudou regras do jogo

A variante Delta, cuja origem está associada à Índia, está em força na comunidade. Aliás, segundo o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve 100% dos casos têm a sua marca. Para quem está no terreno foi a Delta que veio mudar de novo as regras do jogo. Entrou na Europa pelo Reino Unido e rapidamente se espalhou por mais 90 países incluindo Portugal.

José Artur Paiva, director do Serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário São João, no Porto, diz mesmo: “Esta variante veio introduzir o que chamo de game changer. É bastante mais transmissível do que as outras, mesmo em relação à variante Alpha, do Reino Unido, em cerca de mais 70%, e é também mais invasiva, tem mais facilidade de entrar nas células do hospedeiro, e isto fez que acelerasse a transmissão da doença. Isto é o lado negativo desta variante. O lado positivo é que a vacinação em relação à variante Delta mantém um grau bastante elevado de efectividade contra a doença grave”, diz, especificando: “Quando falo em game changer é no sentido em que a transmissão foi acelerada significativamente e talvez não tenhamos tido essa percepção, tal como se teve em relação à variante Alpha.” E o resultado está à vista: “Um aumento significativo de casos na comunidade que levou a um aumento de hospitalizações. Há um percentual dos casos positivos que corresponde a um percentual de hospitalização. Portanto, sabíamos que as hospitalizações iriam aumentar, mas a boa noticia é que este percentual agora é muito mais baixo do que foi nas vagas anteriores.”

No norte internamentos ainda vão subir mais

José Artur Paiva afirma que o aumento de internamentos “não é uma surpresa”, sublinhando que, nas últimas semanas, o aumento de entradas em medicina intensiva foi de 35%, embora com uma distribuição bastante heterogénea no país. “Em Lisboa e Vale do Tejo os números continuam a ser elevados, mas já num planalto, o aumento na última semana foi de 11%.

No Algarve, na semana que terminou, os internamentos subiram muito (60%), mas esta aceleração já parece ser agora menor. No norte, estamos a ter uma aceleração, na semana passada os internamentos em medicina intensiva aumentaram 50%. Só que a partir de números relativamente baixos”. Mas com o aumento de casos – ontem a região norte voltou a ser a segunda com maior número (939) – “é expectável que nas próximas semanas as admissões na medicina intensiva ainda aumentem mais”. “O lado positivo é que estamos ainda com alguma folga na resposta.

À excepção de Lisboa e Vale do Tejo, a taxa de ocupação nas outras regiões é de 50% a 60%. No norte, por exemplo, os internamentos em UCI estão a aumentar, mas ainda não tivemos necessidade de transferir doentes para outras regiões”, diz José Artur Paiva, sublinhando, no entanto, que “a resposta nacional à covid ainda é gerível”. “As linhas vermelhas não são fixas e o segredo está em adaptar-se a resposta à procura de doentes, promovendo, sempre que necessário, a transferência entre hospitais da mesma região ou entre regiões.”

No sul ou no norte, a mensagem é a mesma. Se por um lado há preocupação, porque os casos continuam a aumentar, por outro há tranquilidade, porque, “ainda há uma folga na resposta”, mas a população tem de cumprir as regras de protecção.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Julho 2021 — 00:13

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