879: Portugal é quarto país da União Europeia com mais novos casos diários de infecção

SAÚDE/COVID-19/PORTUGAL/INFECÇÕES

Portugal tem uma média de 268 novos casos diários por milhão de habitantes.

© PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

Portugal passou na última semana de segundo para quarto país da União Europeia (UE) com mais novos casos diários de infecção por SARS-CoV-2 por milhão de habitantes, apesar de ter subido neste indicador.

Nos dados do ‘site’ estatístico Our World in Data, Portugal tem uma média de 268 novos casos diários por milhão de habitantes, enquanto Chipre apresenta uma média de 1.012, Países Baixos de 386 e Espanha de 319.

Os países da UE com menos novos casos continuam mais a leste: Polónia com 2,1, Roménia com 2,2, Hungria (4,1) e Eslováquia (5,6).

Embora não esteja na União Europeia, o Reino Unido surge entre os países do continente europeu com os números mais elevados e uma média de novos casos a sete dias de 477 por milhão de habitantes.

Entre os países do resto do mundo com mais de um milhão de habitantes, Portugal subiu do 20.º para o 15.º lugar numa lista encabeçada por Chipre, Tunísia (661 novos casos), Mongólia (597,83), Namíbia (550,53), Reino Unido (477) e Cuba (474).

A média de novos casos nos últimos sete dias na União Europeia situa-se em 83, mais do dobro da média de 39 da semana passada e no mundo em 56,45, quando na semana passada era 49.

Quanto a média diária de mortes atribuídas à covid-19 por milhão de habitantes nos últimos sete dias, Portugal é o terceiro país da lista de países da União Europeia, com uma média de 0,66, superior às 0,39 registadas no início da semana passada.

Acima de Portugal estão Roménia, com uma média diária de novas mortes de 1,83, e Grécia, com uma média de 0,77.

No resto do mundo, Namíbia (20), Tunísia (12,23), Colômbia (10,86) e Paraguai (10,36) são os países com mais de um milhão de habitantes em pior situação.

Em termos de vacinação, em números actualizados no domingo no Our World in Data, Portugal tem 42 por cento da população completamente vacinada, um pouco acima da média de 39,6% da União Europeia.

A covid-19 é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, a Índia ou a África do Sul.

Diário de Notícias
Lusa
13 Julho 2021 — 13:55

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Vacina portuguesa termina ensaios não clínicos com “elevada segurança e eficácia”

SAÚDE/COVID-19/VACINA PORTUGUESA

Ensaios não clínicos confirmaram eficácia da vacina portuguesa em infecções letais por covid-19.

© EPA/MARTIN JOPPEN / SANOFI

A biotecnológica portuguesa Immunethep anunciou esta terça-feira que os ensaios não clínicos da sua vacina contra o coronavírus já terminaram e demonstraram “uma elevada segurança e eficácia” numa infecção letal por SARS-CoV-2.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a empresa sediada em Cantanhede, no distrito de Coimbra, refere que nos ensaios não clínicos foram usados como modelo animal os ratinhos transgénicos k18-hACE2 que, infectados com o coronavírus, desenvolvem uma doença semelhante aos humanos.

Citado no documento, o co-fundador e director científico da Immunethep afirma que, “através destes ensaios não clínicos e da taxa de sobrevivência de 100% observada, foi possível confirmar a eficácia da vacina em infecções letais por SARS-CoV-2”.

A biotecnológica portuguesa sediada em Cantanhede, Portugal, estava a realizar ensaios pré-clínicos da sua vacina SIlba (SARS-CoV-2 Inactivated for Lung B and T cell Activation), há vários meses.

“Após a infecção com um inoculo letal do vírus verificamos que, comparativamente com ratinhos controlo (que não sobreviveram), os animais vacinados tinham uma sobrevivência de 100% nos animais vacinados com a vacina SIlba, observável logo na primeira semana após a infecção, além disso, não demonstraram quaisquer efeitos adversos após a vacinação”, lê-se na nota.

Desde a sua fundação, em 2014, que a Immunethep se tem dedicado ao desenvolvimento de imunoterapias, principalmente contra infecções bacterianas multi-resistentes, contando actualmente com 10 colaboradores.

“A realização deste projecto em Portugal permite o desenvolvimento de competências únicas à escala global no desenvolvimento de vacinas e outros produtos biológicos”, conclui o co-fundador e director executivo da Immunethep, Bruno Santos.

Este responsável sublinha ainda que o rápido apoio por parte das entidades governamentais “é essencial para que possamos dar continuidade aos ensaios clínicos da vacina, a tempo de contribuir para a resolução da pandemia da covid-19”.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 4.044.816 mortos em todo o mundo, entre mais de 187,2 milhões de casos de infecção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente da agência France-Presse.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em Março de 2020, morreram 17.173 pessoas e foram registados 912.406 casos de infecção, de acordo com a Direcção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

Diário de Notícias
Lusa
13 Julho 2021 — 15:12

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877: Mais 2.650 casos e nove mortes registadas em 24 horas

SAÚDE/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Há agora 742 pessoas hospitalizadas (mais 13), das quais 161 estão em unidades de cuidados intensivos (menos duas), indicam os dados actualizados da DGS.

Centro de vacinação ‘drive-thru’, instalado no Queimódromo, junto ao Parque da Cidade, Porto
© JOSÉ COELHO/LUSA

Portugal registou, nas últimas 24 horas, 2.650 novos casos de covid-19 (mais 860 do que na segunda-feira), indicam os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O relatório desta terça-feira (13 de Julho) dá conta que morreram mais nove pessoas devido à infecção pelo novo coronavírus.

A tendência crescente no número de internamentos mantém-se, com mais 13 pessoas hospitalizadas, totalizando 742 doentes que necessitam de cuidados hospitalares. Já nas unidades de cuidados intensivos o número desce para 161 internados (menos dois face ao dia anterior).

Dos mais de 2.600 novos casos, 1.141 foram reportados em Lisboa e Vale do Tejo, região que continua a registar mais novas infecções por SARS-CoV-2 – corresponde a 43% do total nacional – e 939 no Norte.

Confirmaram-se mais 276 diagnósticos de covid-19 na região Centro, 220 no Algarve, 50 no Alentejo, 16 na Madeira e oito nos Açores.

Lisboa e Vale do Tejo é também a zona do país onde ocorreu o maior número de mortes em 24 horas, tendo sido reportados seis óbitos. Os restantes ocorreram no Alentejo (dois) e no Norte (um).

© DGS

Relatório da DGS indica que Portugal totaliza 912.406 casos de covid-19 confirmados, desde o início da pandemia, e regista 17.173 óbitos associados à infecção por SARS-CoV-2.

Entre ontem e hoje, os dados mostram que há o registo de mais pessoas que recuperaram da doença do que a notificação de novas infecções, pelo que o número de casos activos da doença desceu para 45 199 (menos 849 face ao dia anterior)

Num dia, foram registados 3490 recuperados da covid-19, o que eleva para 850 034 o número total de pessoas que recuperaram da doença, sendo que há mais 1461 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Variante Delta é responsável por 100% dos casos em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve

A variante Delta do vírus SARS-CoV-2 continua a ser a dominante em todas as regiões do país, sendo que já é responsável pela totalidade dos casos de infecções em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve, segundo o relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) divulgado esta terça-feira.

A variante, associada à Índia e considerada mais transmissível, apresenta uma prevalência de 86,6% em Portugal, enquanto a Alpha, identificada inicialmente no Reino Unido, apenas era responsável por 10,2% das infecções na semana de 28 de Junho a 4 de Julho.

O INSA avança ainda que a variante Delta apresenta já uma prevalência de 100% nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, de 88,2 no Norte, de 81,8 no Centro, de 95% no Alentejo, de 62,5% nos Açores e de 79,2% na Madeira.

Portugal é quarto país da UE com mais novos casos diários de infecção

Na última semana, Portugal passou de segundo para quarto país da União Europeia (UE) com mais novos casos diários de infecção por SARS-CoV-2 por milhão de habitantes, apesar de ter subido neste indicador.

Nos dados do ‘site’ estatístico Our World in Data, Portugal tem uma média de 268 novos casos diários por milhão de habitantes, enquanto Chipre apresenta uma média de 1.012, Países Baixos de 386 e Espanha de 319.

Os países da UE com menos novos casos continuam mais a leste: Polónia com 2,1, Roménia com 2,2, Hungria (4,1) e Eslováquia (5,6).

Embora não esteja na União Europeia, o Reino Unido surge entre os países do continente europeu com os números mais elevados e uma média de novos casos a sete dias de 477 por milhão de habitantes.

Quanto a média diária de mortes atribuídas à covid-19 por milhão de habitantes nos últimos sete dias, Portugal é o terceiro país da lista de países da União Europeia, com uma média de 0,66, superior às 0,39 registadas no início da semana passada.

Mais de metade da população adulta da UE já está totalmente vacinada

Também nesta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que mais de metade da população adulta da União Europeia está totalmente vacinada.

Numa mensagem publicada na rede social Twitter, Von der Leyen aproveitou para apelar à vacinação no combate às variantes do novo coronavírus e para “evitar uma nova onda de infecções”.

Diário de Notícias
DN
13 Julho 2021 — 14:49

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876: Doentes com cancro e infectados com SARS CoV-2 produzem anticorpos contra o vírus

SAÚDE/COVID-19/CANCRO

Médicos do Hospital de Santa Maria e cientistas do Instituto de Medicina Molecular estudaram 72 pacientes internados com covid e descobriram que os doentes oncológicos também criam anticorpos contra o vírus, independentemente da gravidade da doença base. O estudo já foi publicado na revista The Oncologist.

A equipa: os médicos internos,Miguel Esperança Martins (à dir.) e Pedro Gaspar (à esq.),Catarina Mota e Marc Veldhoen (atrás), no Serviço de Medicina Interna, onde tudo começou.
© Gerardo Santos Global Imagens

O SARS-CoV-2 invadiu o mundo no final de 2019 a partir da província de Wuhan, na China. E a 11 de Março a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciava o que mais se temia: uma pandemia. Nessa altura, Portugal começava a registar os primeiros casos de infecção e os hospitais organizavam-se para abrir portas e tratar uma infecção sobre a qual muito pouco se sabia.

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o Serviço de Medicina Interna, mais especificamente a enfermaria 2-A, organizou-se e preparou-se para receber só este tipo de doentes. Um ano depois, continua a fazê-lo, mas a equipa médica soube, assim que chegaram os primeiros casos, que além de os tratar haveria algo mais a fazer. “Era nossa obrigação contribuir com investigação clínica e dar o nosso contributo científico no âmbito da infecção SARS-CoV-2”, afirma Catarina Mota, a especialista em Medicina Interna que ajudou a montar o projecto levado a cabo por uma equipa de médicos do Hospital de Santa de Maria e de cientistas do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM). Um trabalho que já deu resultados – foi publicado recentemente na revista científica The Oncologist – e que teve como missão avaliar a reacção de doentes oncológicos à infecção por SARS-CoV-2.

O objectivo era obter resultados que pudessem sustentar as decisões clínicas dos oncologistas. O que conseguiram, também graças à parceria com a ciência, a qual também só é possível por “a nossa instituição estar integrada no Centro Académico de Medicina de Lisboa, que estimula a formação clínica e a investigação. Portanto, quando começámos a ver estes doentes, a tratá-los e a acompanhá-los, sentimos que havia algo a fazer e numa colaboração mais estreita com a investigação científica, pois sabemos que é esta relação entre prática clínica e ciência que nos permitirá, no futuro, prestar melhores cuidados de saúde”, refere Catarina Mota.

A partir daqui, e talvez porque a especialidade de medicina interna tem como característica “uma grande abrangência de conhecimentos e uma visão mais global, multidisciplinar e integrada do doente”, como a define Catarina Mota, muito havia a fazer, quer no combate ao vírus, na forma de lidar com ele, quer no impacto que este estava a ter nos infectados, fossem eles doentes saudáveis, crónicos ou oncológicos.

O envolvimento dos internistas na abordagem e tratamento à infecção por SARS-CoV-2 era já grande deste ponto de vista e desde o início da pandemia, mas faltava o envolvimento científico para se saber mais. Foi então que surgiu este projecto, que, na verdade, partiu da iniciativa de um dos internos de oncologia médica, a fazer estágio no Serviço de Medicina Interna, Miguel Esperança Martins. Aliás, e como salienta a professora Catarina Mota, “este trabalho deve-se muito a todos os internos, quer de medicina interna quer de oncologia médica”, sublinhando também que, desde o início, o projecto teve o apoio do “director do serviço, António Paz Lacerda, e da coordenadora da unidade, Sandra Brás, que estimularam o empenhamento”. E foi então que começaram os contactos com a equipa de Marc Veldhoen, investigador principal do Laboratório de Regulação do Sistema Imunitário do iMM.

Do biobanco à descoberta

A proposta inicial apontou para a criação de um biobanco, com colheitas de amostras biológicas de doentes com SARS-CoV-2 internados na enfermaria 2-A, e numa altura em que “nem sequer tínhamos um projecto objectivo definido, mas sempre a pensar que futuramente iríamos poder beneficiar das amostras que fossem recolhidas para fazer uma série de estudos importantes que nos permitissem perceber melhor o comportamento da infecção”.

O passo seguinte foi o da intensa revisão da literatura sobre a infecção, o qual, sublinha mais uma vez Catarina Mota, “foi um trabalho para o qual contribuíram, e muito, os internos de medicina interna e de oncologia médica”, tendo sido nesta fase que se identificou haver um grupo de doentes sobre os quais havia muito poucos estudos e literatura que sustentasse a decisão médica: o grupo de doentes com neoplasias. O objectivo da investigação estava traçado.

Depois, foi desenhar o trabalho já em equipa com o iMM, abordar os doentes, para que dessem o seu consentimento, recolher amostras, analisá-las em laboratório e fazer o tratamento de dados. Um ano depois, o resultado está à vista: os doentes oncológicos conseguem produzir anticorpos e defender-se do vírus, independentemente da gravidade da sua doença base. Uma descoberta que todos esperam que já esteja a apoiar a prática clínica em relação a estes doentes, sobretudo quando há que tomar a decisão de iniciar, suspender ou manter as terapêuticas antineoplásicas.

“Foi um desafio enorme. Exigiu um investimento muito grande de tempo, físico, emocional e psicológico, no acompanhamento dos doentes, mas não nos demitimos da nossa obrigação de contribuir para a investigação científica e de tratar melhor os doentes.”

Para a médica internista, “foi um desafio enorme”. “Estávamos perante uma situação inédita, na altura ainda sabíamos menos do que agora do ponto de vista clínico e científico, e a exigência era a de que investigássemos em tempo real. Isto exigiu um investimento muito grande de tempo, físico, emocional e psicológico no tratamento e no acompanhamento destes doentes, mas não nos demitimos da nossa obrigação de dar também o nosso contributo à investigação científica e do nosso objectivo de tratar melhor os doentes.”

E, segundo explicam, esta parceria teve, desde logo, uma vantagem: a criação do biobanco com amostras de doentes com covid-19. “O biobanco existente no iMM tinha apenas amostras de 2013 a 2018 e a recolha de amostras de doentes infectados com SARS-CoV-2 acabou por ser uma das grandes vantagens da parceria entre hospital e iMM, porque estas poderão agora ser utilizadas na resposta a novas questões.”

Equipas de Santa Maria e do iMM estudaram 72 doentes, 19 dos quais com cancro. A maioria era do sexo feminino e com uma idade média de 58 anos.
© Gerardo Santos Global Imagens

Recolha de amostras foi feita desde a admissão até aos cuidados intensivos

É à volta de uma mesa no segundo piso do hospital, no gabinete da coordenadora da unidade para o internamento covid, que a nossa conversa com médicos e cientistas se desenrola. Afinal, foi ali que tudo começou, com a chegada dos doentes. Ao lado de Catarina Mota, os médicos internos de oncologia e de medicina interna Miguel Esperança Martins e Pedro Gaspar, e Marc Veldhoen, o investigador holandês radicado em Portugal, que assumiu a coordenação da investigação científica.

O primeiro, e talvez porque apanhou a pandemia em pleno estágio no Serviço de Medicina Interna, assumiu a coordenação clínica do estudo, desenvolvendo um papel importante no desenho das quatro questões para as quais se procuravam respostas. O segundo, teve igualmente um papel importante, mas na abordagem do doente e na recolha de amostras, já que estava, juntamente com Catarina Mota, na linha da frente no tratamento aos doentes. Mas para um e para outro, este trabalho foi uma experiência fundamental para quem vive a medicina, até porque esta, e nas palavras de Miguel Esperança Martins, “é uma ciência de vasos comunicantes com uma interligação cada vez mais definida entre os investigadores e os clínicos, que são também eles investigadores”.

Foi então que se passou à abordagem do doente, para obter o seu consentimento e à recolha de amostras, de acordo com os critérios de selecção também previamente definidos. “Começámos por seleccionar doentes positivos ao SARS-CoV-2, internados no serviço, mas com alguma heterogeneidade em termos de gravidade clínica”, explica Catarina Mota.

Ou seja, “doentes com sintomas ligeiros e com sintomas mais graves para fazermos a recolha de amostras em dois momentos diferentes, na altura da admissão e ao fim de sete dias, o que nos permitiu ter amostras biológicas de doentes numa fase ligeira da doença e já numa fase gravíssima, porque alguns evoluíram para cuidados intensivos”.

A busca de respostas para quatro questões

Em cima da mesa estavam quatro questões que surgiram pelo “interesse de se estudar mais profundamente a resposta imunológica dos doentes oncológicos ao longo do tempo”, explica Miguel Esperança Martins, primeiro autor do trabalho agora publicado. Em primeiro lugar, “tínhamos que perceber qual era a resposta imune, capacidade de produção de anticorpos, por parte dos doentes oncológicos infectados por SARS-CoV-2.

Em segundo, que correlações poderia haver entre esta resposta ou ausência dela e o tipo de neoplasia e estádio e o cumprimento das terapêuticas, como quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia”, especifica o jovem médico, continuando: “A terceira questão passou por compreender se esta resposta serológica estava relacionada ou não com uma melhor ou pior evolução do doente do ponto de vista clínico”. E, por fim, “a quarta questão assentava na comparação directa entre os níveis de anticorpos dos doentes oncológicos e dos doentes não oncológicos. Havia que perceber se existiam diferenças ou não. E os resultados que obtivemos foram extraordinariamente interessantes”, remata o mesmo.

O estudo envolveu 72 doentes, todos infectados com SARS CoV-2, dos quais 19 eram doentes oncológicos. A colheita de amostras para o Biobanco começou logo a 15 de Março e estendeu-se até 17 de Junho.

Ao fim deste tempo, começou a análise em laboratório pela equipa de Marc Veldhoen de todo o material recolhido pela equipa médica. A conclusão chegou meses depois: “Uma proporção plenamente significativa de doentes oncológicos conseguiram criar uma resposta a nível de produção de anticorpos considerada adequada”, sublinha Miguel Esperança Silva.

“A criação de um biobanco foi uma das grandes vantagens desta parceria, já que o biobanco existente no iMM tinha apenas amostras de 2013 a 2018. A recolha de amostras a doentes com SARS-CoV-2 vai permitir dar resposta a novas questões.”

Ou seja, “cerca de 58% dos doentes oncológicos conseguiram criar anticorpos e defender-se do vírus, independentemente da sua doença oncológica, do tipo de neoplasia e do estádio de gravidade”. No estudo participaram doentes oncológicos com doença precoce, estádio 1 a 2, ou em fase avançada, estádio 3 e 4, e, no que diz respeito à produção de anticorpos, o que se verificou foi que a redução de anticorpos de um doente em fase precoce ou avançada da doença “não foi estatisticamente significativo”. Além disto, “todos os doentes, que foram tratados da mesma forma para o SARS-CoV-2, reagiram bem aos tratamentos”.

Miguel Esperança Martins explica que “o único factor que influenciou a produção de anticorpos foi o cumprimento da quimioterapia nos 14 dias antes da identificação da positividade à infecção”, mas “outro resultado importante em relação à positividade foi o de que, independentemente da capacidade de produção de anticorpos e dos níveis de anticorpos destes doentes, não existiram diferenças na sua evolução clínica, o que é um resultado muito interessante, mas que deve ser interpretada com cautela, atendendo ao facto de termos uma amostra relativamente pequena”.

Em relação aos doentes saudáveis infectados com SARS-CoV-2, que participaram no estudo, verificou-se que “os níveis de anticorpos produzidos por estes doentes eram superiores aos níveis produzidos pelos doentes oncológicos”.

Estas são as quatro conclusões principais deste estudo e à pergunta sobre as implicações que vai ter na prática clínica, Miguel Esperança Martins responde: “O nosso objectivo era dotar os clínicos e os oncologistas de mais uma ferramenta para tomarem decisões a iniciar, suspender ou manter terapêuticas antineoplásicas, especificamente a quimioterapia, em doentes infectados com SARS CoV-2, e a partir deste estudo já o podem fazer de forma sustentada”, diz, reforçando, no entanto, que o facto de “termos encontrado uma correlação entre a quimioterapia nos 14 dias previamente à documentação da positividade da infecção, não significa que desaconselhemos o início ou a manutenção da quimioterapia nestes doentes, pura e simplesmente estamos a adicionar algum corpo de conhecimento ou a sustentar melhor a decisão que os oncologistas têm de tomar neste contexto”.

A equipa de Marc Veldhoen, investigador principal do iMM, analisou as amostras recolhidas pelos médicos e chegou a resultados.
© Gerardo Santos Global Imagens

O doente oncológico é um doente muito frágil, com especificidades muito peculiares e que à fragilidade de base associa-se a da infecção por SARS CoV-2. Portanto, a decisão de iniciar ou de manter a quimioterapia, como a radioterapia ou a imunoterapia, é uma decisão individualizada e de doente para doente”, salienta.

Até este estudo, a decisão de iniciar, suspender ou de manter a quimioterapia era norteada pelo estado clínico do doente, pelos seus estados de fragilidade, pelo risco e benefício de iniciar ou de manter estas terapêuticas. Agora, já há um estudo em tempo real que pode sustentar essa decisão.

Da reacção dos doentes aos cientistas

Uma parte muito importante do estudo foi o envolvimento dos doentes – que estes médicos caracterizam por serem grupos muito homogéneos, quer o dos doentes oncológicos quer o dos não oncológicos, já que a maioria, cerca de 60%, é do sexo feminino e com uma idade média de 58 anos.

“Houve um espírito de colaboração e de altruísmo enorme. As pessoas estavam preocupadas com a sua evolução clínica, mas com um grande espírito de combate a esta pandemia. Por isso, sempre que solicitados para participarem em estudos clínicos e científicos mostraram-se muito disponíveis, o que foi fantástico de ver, até porque houve uma relação muito próxima com estes doentes permitindo que fosse fácil abordar a questão do estudo com eles “, sublinha Catarina Mota.

O médico Pedro Gaspar diz mesmo: “Não houve um único doente que se tivesse recusado a participar no estudo, alguns estavam cansados e não faziam muitas perguntas, mas pediam “façam-me tudo para ficar bom” ou “investiguem-nos para melhorarmos”. Na altura, não tínhamos muitas respostas e foi por isso mesmo que se avançou com o estudo, mas tudo lhes foi explicado.”

Este estudo já deu resultados. Neste momento, já há aprovação da comissão de ética do Centro Académico para expandir a investigação e estudar o efeito da vacinação em combinação com o cancro e o tipo de terapia do doente”.

Do lado dos cientistas, Marc Veldhoen recorda que foi logo em Março de 2020, com o primeiro confinamento e o fecho do iMM, que “começámos a trabalhar na resposta e a perceber a ajuda que, enquanto cientistas, poderíamos prestar ao país e aos nossos colegas, que estavam do outro lado do parque de estacionamento (o parque que separa os dois edifícios, o do Hospital de Santa Maria e o edifício da Faculdade de Medicina, onde se situa o iMM)”. “Enquanto que alguns dos meus colegas começaram a parte do diagnóstico molecular à covid-19, o meu grupo de imunologia, em conjunto com outros cientistas de institutos aqui na região de Lisboa, começou por implementar um protocolo para a realização de testes de serologia. Mas quando o Miguel Esperança Martins nos contactou para este projecto, tínhamos todas as ferramentas para analisar as amostras dos pacientes”, afirma, sublinhado que, no contexto da pandemia, era importante saber se os pacientes com certos tipos de cancro e em tratamento responderiam bem a esta infecção viral e se produziriam anticorpos. “Ao mesmo tempo, era também importante perceber em que condições de tratamento e em que tumores essa resposta era mais fraca”, frisa.

Para o investigador holandês, radicado em Portugal, o impacto dos resultados agora alcançados é o mote para os próximos passos. “Estarmos neste campus, onde temos um hospital universitário, uma faculdade de medicina e um instituto de investigação possibilita este tipo de estudos de forma muito orgânica, já que é raro encontrar-se a possibilidade de estabelecer estas sinergias, permitindo que a investigação mais clínica e a investigação mais fundamental trabalhem lado a lado”.

Este primeiro estudo já deu resultados, mas há há mais questões que estão a ser colocadas e que podem ter um impacto importantíssimo na forma como entendemos esta infecção e a podemos tratar. Neste momento, já exista “a aprovação da comissão de ética do Centro Académico para expandir o estudo e estudar o efeito da vacinação em combinação com o cancro e o tipo de terapia do doente”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
13 Julho 2021 — 00:30

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875: EUA associam vacina da Janssen e a síndrome de Guillain-Barré

SAÚDE/COVID-19/VACINA JANSSEN

Dos 12,8 milhões de pessoas que receberam a vacina da Janssen nos Estados Unidos, cerca de 100 podem ter desenvolvido sintomas, segundo o jornal The Washington Post.

© Frederic J. BROWN / AFP

Os Estados Unidos preparam-se para alertar para uma ligação entre a vacina contra a covid-19 da Janssen e a síndrome de Guillain-Barré, informou hoje a imprensa norte-americana.

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença rara do sistema imunitário que causa inflamação dos nervos e pode levar à dor, dormência, fraqueza muscular e dificuldade em andar.

O aviso, ainda não oficializado, será emitido pela Food and Drug Administration (FDA), a agência governamental responsável pela aprovação da utilização de novos medicamentos, vacinas e outros produtos relacionados com a saúde pública.

De acordo com o The New York Times, que cita fontes familiarizadas com o assunto, a FDA concluiu que as pessoas que receberam a vacina da Janssen, subsidiária da multinacional americana Johnson & Johnson, têm três a cinco vezes mais probabilidades de desenvolver a síndrome de Guillain-Baré.

Dos 12,8 milhões de pessoas que receberam a vacina da Janssen nos Estados Unidos, cerca de 100 podem ter desenvolvido sintomas, segundo o The Washington Post.

A maioria das pessoas afectadas começou a apresentar sintomas duas semanas após a imunização e, na maioria dos casos, o perfil corresponde a homens com mais de 50 anos.

Não há dados que evidenciem um padrão semelhante entre aqueles que receberam a vacina contra a covid-19 da Moderna ou Pfizer, que só nos Estados Unidos já administraram mais de 321 doses.

O alerta da FDA deverá acontecer na terça-feira

A vacina da Janssen, de dose única, já tinha sofrido um contratempo em Abril, quando as autoridades norte-americanas interromperam a sua distribuição, após seis casos de trombose cerebral terem sido detectados em mulheres com menos de 48 anos que tinham sido inoculadas, uma das quais morreu.

O anúncio oficial da FDA pode ser feito na terça-feira, de acordo com o The New York Times.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 4.028.446 mortos em todo o mundo, resultantes de mais de 186,3 milhões de casos de infecção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente feito pela agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, uma cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Julho 2021 — 08:17

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