838: 2.436 casos, sete mortes e mais 23 internados em Portugal

SAÚDE/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES/INTERNADOS

De acordo com o boletim da Direcção-Geral da Saúde, há um total de 532 pessoas internadas, dos quais 118 em UCI. Incidência volta a subir para os 194,2 casos por 100 mil habitantes no continente.

Portugal registou nas últimas 24 horas mais 2.436 novos casos e mais sete mortes por covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira (2 de Julho).

Refira-se que desde 14 de Abril que não se registavam tantos mortos por covid-19 em Portugal. Nesse dia, foram declarados oito óbitos.

A maioria dos casos foi registada na região de Lisboa e Vale do Tejo, num total de 1.371 novas infecções, sendo que foram ainda declarados cinco óbitos. A região Norte voltou a superar os 500 casos diários, totalizando 553, além de um morto.

O Algarve contabilizou 213 novas infecções, no Centro houve 178 casos e o Alentejo contabilizou 92 e um morto. Nas regiões autónomas, foram contabilizadas 16 novos casos nos Açores e 13 na Madeira.

H​​​​​á agora 532 pessoas hospitalizadas (mais 23 do que no dia anterior) em Portugal. Deste total, 118 doentes estão internados em unidades de cuidados intensivos (mais cinco que na quinta-feira).

A matriz de risco volta a mostrar um aumento significativo na incidência, que é agora de 194,2 casos por 100 mil habitantes no continente, quando na anterior actualização era de 176,9. Em todo nacional é agora de 189,4 casos por 100 mil habitantes (era de 172,8).

No que diz respeito ao R(t) é agora de 1,17 no continente (era de 1,15 na anterior actualização), e de 1,16 em todo o território português (era de 1,14).

Lacerda Sales aponta a 80% de primeiras doses e 60% de vacinação completa em Setembro

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde justificou esta sexta-feira o isolamento de António Costa, que esteve em contacto com o primeiro-ministro do Luxemburgo, que entretanto testou positivo, apesar de estar já com a vacinação completa há mais de quinze dias.”Independentemente da vacinação e da testagem, há sempre uma avaliação do risco de contacto próximo. Primeiro-ministro é um cidadão exemplar e seguiu indicações das autoridades de saúde”, afirmou.

Sobre a possibilidade dos profissionais de saúde ficarem novamente impossibilitados de gozar férias no verão, o governante remeteu essa análise para os directores, mas elogiou a “grande consciência profissional” dos profissionais de saúde.

Acerca da vacinação, António Lacerda Sales disse que “temos condições para termos 70% de primeiras inoculações e 50% do esquema vacinal completo em Agosto e 80% de primeiras inoculações e 60% de vacinação completa um mês depois”.

O Secretário de Estado não quis ainda fazer um balanço da pandemia. “É precipitado fazer um balanço da pandemia. Os balanços fazem-se no final. Relatório diz que 62% dos portugueses acreditam que foi feita uma boa gestão da pandemia”, argumentou.

ECDC sugere duas doses da vacina para pessoas de risco mesmo previamente infectadas

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) recomenda a administração de duas doses de vacina contra a covid-19 a pessoas de risco, mesmo que tenham estado anteriormente infectadas com o coronavírus SARS-CoV-2.

“Na ausência de provas sobre a eficácia de uma dose de vacina em indivíduos previamente infectados contra o previsto domínio da variante de preocupação Delta, […] o ECDC aconselha a administração de um curso completo de vacinação a todos os indivíduos com risco acrescido de covid-19 grave, independentemente da infecção anterior”, indica o organismo em resposta escrita esta sexta-feira enviada à agência Lusa.

A posição surge numa altura em que países como Portugal, Áustria, Croácia, Estónia, França, Alemanha, Irlanda, Holanda, Eslovénia e Espanha administram apenas uma dose de vacina a pessoas anteriormente infectadas, e em que a variante Delta do SARS-CoV-2, inicialmente detectada na Índia e mais transmissível que qualquer outra, se propaga rapidamente na União Europeia (UE).

Diário de Notícias
DN
02 Julho 2021 — 14:0

 

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837: Diabéticos não medicados sofrem casos mais graves de covid-19, conclui novo estudo

SAÚDE/DIABETES/COVID-19

Manny Hernandez / Flickr

Um novo estudo refere que os diabéticos não medicados têm sintomas mais graves de covid-19. Além disso, mostra o impacto económico da pandemia na saúde destes indivíduos, sendo que muitos tiveram de escolher entre comprar comida ou medicamentos.

Doentes hospitalizados com diabetes que não tenham estado a controlar os níveis de açúcar com medicação sofrem casos mais severos de covid-19, de acordo com um novo estudo apresentado na reunião anual da Associação Americana de Diabetes.

“Os nossos resultados mostram a importância de monitorizar e controlar a glucose no sangue de doentes com covid-19 hospitalizados desde início”, afirmou Sudip Bajpeyi, um dos autores do artigo e professor de cinesiologia na Universidade do Texas em El Paso, citado pela WebMD.

Quase um em cada cinco americanos diabéticos afirmaram que a crise financeira causada pela pandemia os obrigou a escolher entre comprar comida ou comprar medicamentos e equipamentos para controlar a diabetes, segundo o estudo.

40% das vítimas mortais de covid-19 nos EUA sofria de diabetes e uma em cada dez pessoas com diabetes que foram hospitalizadas morreram no prazo de uma semana.

O estudo usou registos hospitalares de 369 pacientes com covid-19 que foram tratados no Centro Hospitalar Universitário de El Paso. Foram depois organizados com base nos níveis A1C, uma medida que controla a quantidade de açúcar no sangue, e separados entre pre-diabéticos e diabéticos.

O grupo diabético registou a medicação que fazia na altura do internamento, tendo-se concluído que os pacientes não medicados tinham um risco significativamente maior de ter um caso mais grave de covid-19, tendo em conta os dados sobre a falência de órgãos relacionada com a sepse e sobre a duração da hospitalização.

Já os doentes que tinham a medicação em dia, de acordo com o estudo, tiveram complicações menos graves e ficaram menos tempo internados no hospital.

A amostra estudada era 89% hispânica e concluiu-se que a comunidade latina tem uma probabilidade de morrer de covid-19 2.4 vezes superior à da população branca. Os latinos têm também uma probabilidade de ter diabetes 50% superior aos brancos.

AP, ZAP //

Por ZAP
1 Julho, 2021

 

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Médicos de família e de saúde pública dizem ao governo: “É impossível fazer tudo o que pedem”

SAÚDE/COVID-19/PANDEMIA/MÉDICOS DE FAMÍLIA

Na semana em que o país ultrapassou os 2 mil casos diários de covid-19, o governo ouviu especialistas para apurar da sensibilidade para novo confinamento, mas os profissionais dos cuidados primários e da saúde pública dizem que a questão volta a ser a mesma: falta de recursos. Há milhares de inquéritos em atraso e cada vez mais tarefas para as unidades.

Vacinação continua a ser quase exclusivamente assegurada por profissionais dos cuidados primários.
© Rita Chantre Global Imagens

A Organização Mundial da Saúde na Europa lançou ontem um novo alerta: vai haver uma nova vaga. E apelou à disciplina dos cidadãos e das autoridades. Em Portugal, o mesmo tem sido pedido por muitos especialistas, médicos, epidemiologistas, pneumologistas e intensivistas que começam a ver encher enfermarias e unidades de cuidados intensivos. Por agora, ainda há resposta hospitalar, como garantiram os médicos ouvidos nesta semana pelo governo sobre a hipótese de um novo confinamento, mas quem está na primeira linha do combate à covid-19, como os profissionais da saúde pública e da medicina geral e familiar, continua a queixar-se da falta de reforços, voltando a lançar um alerta: “É impossível fazer tudo o que nos pedem.”

Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), assumiu ao DN que as unidades de cuidados primários estão “com muita dificuldade em lidar com tudo. Temos vindo a alertar consecutivamente ao longo dos últimos meses, mas parece que ninguém nos ouve ou que não nos quer ouvir”, reforçando: “É impossível os médicos de família fazerem tudo o que têm para fazer e tudo o que nos pedem. Estamos sempre a trabalhar no limite e sempre que há o alívio de uma qualquer tarefa é logo encontrada outra para substituir essa e sobrecarregar-nos ainda mais.”

O presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Saúde Pública (APMSP), Ricardo Mexia, argumenta por sua vez que a realidade que se vive é a mesma de sempre, quando se inicia uma nova vaga: falta de profissionais para fazer rastreios e inquéritos epidemiológicos, “havendo já centenas, para não dizer milhares, em atraso”.

Cuidados primários: das vacinas a testes de rastreio

Do lado dos cuidados primários, o médico Nuno Jacinto sublinha que, “a cada dia que passa temos mais uma tarefa. Veja isto, e para dar um exemplo concreto, foi alterado o prazo para a vacinação da segunda dose da AstraZeneca, de 12 para oito semanas. É preciso remarcar milhares de pessoas para a vacinação. Centralmente foi decidido que não havia capacidade para aqueles serviços fazerem esta tarefa. Portanto, quem tem de o fazer? Os profissionais dos centros de saúde, precisamente quem está no terreno e quem já tem múltiplas tarefas. Fazemos isso quando? Não faz sentido nenhum.”

O médico relembra que, desde o início da pandemia, o governo fala do reforço de profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas nos cuidados primários, salvo raras excepções, “continuamos a ser os mesmos nas unidades. E agora temos mais casos de doentes infectados para acompanhar, mais contactos para vigiar, continuamos com o trace covid (método de identificação dos casos de covid), com a vacinação e com as áreas destinadas ao apoio respiratório (ADR). Em nenhuma destas tarefas tivemos reforço. A vacinação continua a ser feita quase exclusivamente pelos nossos enfermeiros, médicos e assistentes técnicos. E, para além disto, continuam a pedir-nos que retomemos a actividade programada, que vigiemos grupos de risco, que façamos rastreios e, agora, ainda nos pedem que façamos testes rápidos aos utentes que assim o desejarem”, desabafa Nuno Jacinto.

“Não conseguimos dar a resposta que nos é pedida e muito menos aquela que os doentes merecem, não só os doentes covid como os não covid.”

“É claro que fazemos testes de rastreio se o utente quiser, mas, em primeiro lugar, é preciso que as unidades tenham testes para fazer, porque nem todas têm. Depois, há que assumir que se estou a fazer um teste, não estou em consulta ou a ver grupos de risco, como os diabéticos, ou outros doentes. Enquanto não olharem para nós como um recurso que, para além de ser humano, tem um limite e precisa de ter o trabalho minimamente estruturado, nada irá mudar.”

O representante dos médicos de família fala pela classe mas também por todos os profissionais que integram estas unidades,, sublinhando que “as tarefas continuam a ser atiradas umas para cima das outras e a pensarem que quem está nas unidades consegue resolver tudo, mas isso é impossível. Chega uma altura que há tarefas que vão ficando cada vez mais para trás. E já nem falamos de horas extraordinárias, porque a questão é que já não há tempo para fazer tudo”.

Cuidados primários estão pior agora do que há um ano

Questionado pelo DN sobre se os cuidados primários estão agora pior do que há um ano no combate à pandemia, o presidente da APMGF diz: “Provavelmente estamos piores que há um ano, porque a juntar a tudo o que tínhamos para fazer há, de novo, um aumento do número de casos, temos a vacinação, que é uma tarefa hercúlea, e ainda nos pedem para retomar a actividade assistencial. Não é possível, mesmo com portarias para incentivos. Não é possível fazer omeletas sem ovos. Chega um momento em que a corda parte”, assume este dirigente.

Mas recorde-se que o governo, pela voz do secretário de Estado adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, no dia 29 de Maio, anunciou ter reforçado o SNS, desde o início da pandemia, com cerca de 3 mil profissionais, 125 médicos e 900 enfermeiros, 205 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e mais de 1350 assistentes operacionais, garantindo que agora “estamos mais preparados, mais capacitados, com maior resposta no SNS, quer para actividade covid quer para actividade não covid”. Para o processo de vacinação também foi feita uma estimativa: seriam precisos cerca de mais 1.700 profissionais que seriam contratados.

Vêm aí as férias e nada se sabe sobre o que irá acontecer

Nos cuidados primários, Nuno Jacinto gostaria de saber onde estão estes reforços, porque “estamos todos cada vez mais cansados e, aparentemente, isso também não é tido em conta. Vem aí um novo período de férias e ninguém sabe o que vai acontecer”. O médico lembrou que, neste ano, “houve muitos colegas que se reformaram e que ainda nada se sabe sobre os concursos para novos especialistas, que estavam anunciados para Junho ou Julho, com o objectivo de os substituir” – mas, ontem mesmo, o governo anunciou que estes concursos vão avançar.

No entanto, há algo que os médicos de família sabem – “é que não conseguimos dar a resposta que nos é pedida e muito menos aquela que os doentes merecem, não só os doentes covid como os não covid”.

Sobre o que têm a propor, o presidente da APMGF diz que é o mesmo que têm vindo a fazer há muito. Ou seja, que “os centros de vacinação tenham outros profissionais e não só os dos cuidados primários, que outros profissionais assumam o trace covid, bem como as áreas dedicadas aos doentes respiratórios”. Mais. “Todas as tarefas burocráticas que estão em cima dos cuidados primários, como a alteração de convocatórias para as vacinas, podem ser feitas centralmente. Acredito que seja mais fácil reforçar uma equipa que tenha esta tarefa centralmente do que substituir médicos e enfermeiros, que são pessoal altamente diferenciado e necessário para outros cuidados.”

Milhares de inquéritos em atraso e reforços tardam

Do lado da saúde pública, o presidente da APMSP, Ricardo Mexia, diz que fica até surpreendido quando ainda se coloca a questão sobre o que se pode ou deve fazer numa fase como a que estamos a viver agora, porque “já vivemos isto várias vezes. Não percebo as dúvidas que possam existir. Estamos a assistir a um aumento de casos há mais de cinco semanas na região de Lisboa e agora no Porto, mas o reforço de meios para o rastreio e para a realização de inquéritos epidemiológicos tarda em chegar. Falámos nisto em Março do ano passado, em Outubro, em Janeiro deste ano e agora voltamos à mesma questão. Todos sabemos que quando há um aumento de casos que se tem de reforçar os rastreadores para que se quebrem as cadeias de transmissão, o que ainda não foi feito”.

E o resultado está à vista. “Há já centenas de inquéritos em atraso para não dizer milhares, mas esse número concreto quem tem de o divulgar é a tutela. E se os inquéritos ficam para trás, isso significa que há pessoas que continuam a infectar outras e a propagar a doença.”

“Quando os casos começaram a subir, devia ter-se mobilizado logo mais rastreadores. É das medidas que deviam ter sido repostas, sob pena de continuarmos a ter cadeias de transmissão não controladas e um aumento substancial do número de casos.”

No relatório de 19 de Junho sobre as Linhas Vermelhas, a Direcção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge assumiam que havia, pelo menos, mil inquéritos epidemiológicos em atraso. O DN solicitou à DGS um novo balanço, mas não obteve resposta.

O problema, segundo Ricardo Mexia, é que “até os meios que foram mobilizados em Janeiro e Fevereiro para esta tarefa foram rapidamente desmobilizados e já não estão nos locais”.

Na altura, recorde-se, foram mobilizados militares dos três ramos das Forças Armadas, para apoiar a realização dos inquéritos epidemiológicos, em pouco mais de um mês, estes tinham contabilizado cerca de 300 mil inquéritos, segundo dados oficiais divulgados em Fevereiro, mas, como diz o presidente da APMSP, “já não estão lá. E, se calhar, não tinham de estar, porque os números não o justificavam em Março e em Abril, mas quando os casos começaram a subir era das medidas que rapidamente deviam ter sido repostas, sob pena de continuarmos a ter cadeias de transmissão não controladas e um aumento substancial do número de casos”, reforçando: “Já devíamos ter aprendido com os erros do passado.”

O presidente da APMSP assume ao DN que as regiões com maior dificuldade em resolver este problema são a de Lisboa e Vale do Tejo e a do Algarve, mas considera que a solução agora já “nem é sequer novo confinamento. São os meios. Esta é e sempre foi a questão central. E se não estamos a assistir a um agravamento nos internamentos e na mortalidade é porque a população mais vulnerável já está protegida com a vacina, senão teríamos desfechos mais negativos”.

Ricardo Mexia, tal como o têm feito outros especialistas, lança também um apelo à população. “A percepção das pessoas é a de que a pandemia acabou. Os números provam que não. Ou seja, podemos não ir para confinamento e manter algumas actividades abertas, mas desde que as pessoas cumpram as regras de protecção, usem máscara, mantenham distanciamento e higienizem as mãos. Se não, nunca mais acabamos com isto.” Por fim, o médico epidemiologista diz também que, nesta altura, “não é preciso ser-se inovador para inventar a roda. Já vivemos estas fases várias vezes. É só preciso accionar os meios necessários”.

Nesta altura, Portugal volta a registar milhares de casos diários. Há epidemiologistas que dizem estarmos já na quarta vaga. A OMS Europa faz alerta aos países e pede disciplina, mas por cá os médicos dos cuidados primários e de saúde pública queixam-se de que ainda não são ouvidos e de que falta reforçar as suas equipas.

Diário de Notícias

 

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835: Investigador Carlos Antunes alerta que testagem está a perder eficácia

SAÚDE/COVID-19/TESTAGEM

Em finais de Abril, por cada 100 mil testes, foram detectados cerca de 700 casos. Hoje os mesmos 100 mil testes detectam três mil casos, disse Carlos Antunes em audição no parlamento. Afirmou que a taxa média de incidência dos últimos cinco dias é de 202 casos por 100 mil habitantes, com tendência para aumentar

© Estela Silva / LUSA

O investigador Carlos Antunes advertiu esta quinta-feira que a testagem à covid-19 está a “perder a sua eficácia”, o que se está a reflectir na taxa de positividade, que está actualmente acima dos 3%.

“Actualmente estamos numa tentativa de reacção de aumentar a testagem, mas a testagem está a perder a sua eficácia e não está a ter capacidade de poder controlar o aumento da incidência. Isso vê-se na positividade. Estamos já acima dos 3% de positividade já com dados de hoje”, afirmou o investigador numa audição no parlamento.

O investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) explicou que esta positividade pode ser vista de forma diferente em termos de número de casos detectados por cada 100 mil testes realizados.

Em finais de Abril, por cada 100 mil testes, foram detectados cerca de 700 casos. Hoje os mesmos 100 mil testes detectam três mil casos, disse Carlos Antunes na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à covid-19, onde foi ouvido com outros especialistas sobre a evolução da pandemia, a pedido do PSD.

“Daqui a 12 dias poderemos estar nos 4000 casos” diários

Analisando a situação epidemiológica, Carlos Antunes afirmou que a taxa média de incidência dos últimos cinco dias é de 202 casos por 100 mil habitantes, com tendência para aumentar, com uma taxa diária de aumento da incidência de 5,1% ao dia, o que corresponde a uma duplicação de casos a cada 12 dias.

“Estamos a chegar aos 2000 casos diários e, portanto, a duplicação de 12 dias significa que há um potencial de que daqui a 12 dias poderemos estar nos 4.000 casos”.

O grupo etário dos 20 aos 29 tem uma taxa de crescimento de 4,7%, como acontece com quase todos os outros grupos até aos 50 anos.

“Depois é seguido pelos grupos etários dos 10 aos 19 e dos 30 aos 39, mas no grupo todo dos 0 aos 49 temos crescimentos na ordem dos 5%“, salientou.

Salientou ainda que o risco é elevado a nível nacional e “muito elevado” em Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, mas com o aumento da cobertura vacinal tornam-se “cada vez mais improváveis” os níveis de risco elevado ou muito elevado.

Relativamente às hospitalizações, o matemático afirmou que, em termos de unidade de cuidados intensivos, a ocupação mantém-se, não quebrando “os mínimos que foram alcançados em períodos anteriores aos da vacinação”.

No seu entender, esses mínimos são necessários “serem quebrados” para confirmar a tendência também decrescente da perigosidade relativamente aos internamentos de situações mais gravosas.

O aumento dos internamentos verificou-se nas enfermarias a partir de 20 de maio e nos cuidados intensivos apenas no início de Junho.

Cuidados intensivos no “limiar da linha vermelha”

Nos últimos dias, verificou-se na região de Lisboa e Vale uma estabilização dos cuidados intensivos entre 71 e 75 camas, mas mantendo-se próximo do “limiar da linha vermelha” nos cuidados intensivos que é de 80, 84 camas, que estão com uma ocupação de 24%, referiu.

O Algarve tem 33% dessa ocupação, enquanto a região Norte e Centro tem apenas uma ocupação de 5% a 6% com doentes covid-19, disse Carlos Antunes, observando que 60% desta ocupação é abaixo dos 60 anos e 42% abaixo dos 50.

Analisando o desconfinamento, Carlos Antunes considerou que foi demasiado rápido: “Podia ter sido iniciado mais cedo, mas tinha que ser mais lento”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Julho 2021 — 22:58

 

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Matriz de risco está obsoleta e é “completamente inútil e enganadora”, defendem investigadores

SAÚDE/COVID-19/MATRIZ DE RISCO

O matemático Jorge Buescu​​ afirmou que o país enfrenta “um crescimento exponencial” da epidemia e, nesse sentido, “não interessa saber o que se passou há 14 dias, interessa o que se está a passar agora”.

© Paulo Spranger/Global Imagens

Investigadores defenderam esta quinta-feira mudanças na matriz de risco para permitir decisões mais rápidas no combate à pandemia de covid-19, considerando que está “obsoleta” e é “enganadora” porque os indicadores utilizados são “muito lentos”.

A actual matriz de risco está completamente obsoleta e é completamente inútil e enganadora nesta fase, porque os indicadores que utiliza são muito lentos, têm até 14 dias de atraso”, afirmou o matemático Jorge Buescu na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à covid-19, onde foi ouvido com outros especialistas sobre a evolução da pandemia, a pedido do PSD.

Para o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e vice-presidente da European Mathematical Society, a utilização da incidência cumulativa a 14 dias por cada 100 mil habitantes nesta fase em que há um “crescimento exponencial” da epidemia “é perigoso”, defendendo que, “no mínimo”, os indicadores deviam ser “completamente reformulados”.

“Neste momento que temos um crescimento exponencial não nos interessa saber o que se passou há 14 dias, interessa o que se está a passar agora”, defendeu.

“Temos que rapidamente mudar a matriz de risco porque na realidade ela é que vai dizer quais são as decisões a tomar”

Esta posição é partilhada por Henrique Silveira, professor e membro do grupo de trabalho oficial do Instituto Superior Técnico para análise da pandemia, que defende que não se pode continuar a insistir numa matriz de risco “cuja fiabilidade nesta conjuntura é praticamente nula devido aos atrasos que têm”.

“Temos que rapidamente mudar a matriz de risco porque na realidade ela é que vai dizer quais são as decisões a tomar”, que têm de ser “mais rápida” disse Henrique Silveira, frisando que não se podem esperar semanas para tomar decisões como já aconteceu.

O investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Carlos Antunes tem uma opinião contrária, considerando que a matriz de risco deve ser utilizada conforme está, mas defende que deve ser utilizada de “uma forma muito rápida e de uma forma proactiva”.

Para Carlos Antunes, o problema não é propriamente a matriz de risco como um instrumento de apoio à decisão, mas tempo que se leva a tomar decisões, nomeadamente em termos concelhios”, salientou Carlos Antunes.

R(t) e a incidência deviam ser publicados diariamente, defende especialista

“Temos que agir de forma antecipada e não podem ser medidas gradualistas, temos de actuar com medidas disruptivas por forma a interrompemos de forma rápida o aumento da incidência, porque mesmo que a letalidade seja baixa o impacto da incidência de 3.000, 4.000 mil casos tem repercussões no curto, no médio e no longo prazo que nós não sabemos como vai impactar em termos económicos e sociais”, salientou.

Defendeu ainda que os indicadores da matriz – o índice de transmissibilidade (Rt) e a incidência – deviam ser publicados diariamente e não semanalmente e a decisão ser tomada em função da transição imediata dos indicadores.

Na audição, e em reposta a questões levantadas pelos deputados, Carlos Antunes alertou também para a questão dos recursos de rastreio e do reforço do Serviço Nacional de Saúde.

“Muito pessoal de saúde está distribuído por rastreadores, por vacinação e por testagem e, portanto, eu não sei se o país tem capacidade de recursos numa situação de uma incidência extremamente elevada”, advertiu.

Nesse sentido, disse, tem de se tentar evitar que a incidência se eleve a patamares para os quais não há recursos nem no SNS nem nos sistemas hospitalares.

A letalidade é mais baixa, os internamentos em enfermarias essencialmente também já são mais baixos, mas nos cuidados intensivos ainda não”, vincou.

Henrique Silveira observou, por seu turno, que os cuidados intensivos têm “um número desproporcionado” de pessoas face ao número de mortes que acontecem actualmente.

A covid-19 já matou em Portugal 17.101 pessoas e foram confirmados 882.006 casos de infecção, segundo a Direcção-Geral da Saúde.

Diário de Notícias
DN/Lusa
02 Julho 2021 — 00:42

 

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833: Circulação limitada para 4 milhões de portugueses

SAÚDE/COVIOD-19/CIRCULAÇÃO LIMITADA

Conselho de Ministros manteve restrição de entrada e saída da Área Metropolitana de Lisboa entre as 15h00 desta sexta-feira e 06h00 de segunda-feira. Decidiu também recomendar que as pessoas não andem na rua após as 23h00.

A PSP tem-se confrontado com vários ajuntamentos de jovens, nomeadamente no Bairro Alto, em Lisboa.
© André Luís Alves / Global Imagens

Num momento em que o número de novos casos de covid-19 continua a subir no país, e sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa (AML), o Conselho de Ministros adoptou uma nova medida para tentar conter a pandemia. O governo decidiu que “os cidadãos se devem abster de circular em espaços e vias públicas e permanecer no respectivo domicílio no período compreendido entre as 23h00 e as 05h00”.

O que se trata de uma espécie de recolher obrigatório, sem que nunca seja mencionada esta figura jurídica que só existe ao abrigo do estado de emergência. A presidência do Conselho de Ministros não esclareceu ao DN se existe alguma penalização à violação destas novas medidas. Que deixam os 3,9 milhões de pessoas que vivem nesses concelhos com restrições de circulação.

Num comentário a estas decisões do Conselho de Ministros o Presidente da República esclareceu que uma vez que as medidas não se aplicam a todo o país podem ser admissíveis. “Eu penso que estas soluções encontradas pelo governo procuram exactamente um caminho diferente, um caminho alternativo, não é estar a adoptar um caminho que se adoptou numa situação muitíssimo mais grave, com 6 mil, 7 mil, chegou a 16 mil casos por dia, com 2 mil, 3 mil, 4 mil internados, chegou a 6 mil internados, 900 nos cuidados intensivos, 300 mortos, não é disso que se trata”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa.

A ministra de Estado e da Presidência, após reunião do Conselho de Ministros, apontou a sua entrada em vigor já para esta sexta-feira. Mariana Vieira da Silva garantiu que está enquadrada legalmente, depois de questionada se as limitações de circulação não teriam de ser feitas ao abrigo de um novo estado de emergência. A governante esclareceu que a medida de limitação de circulação não tem excepções. Mesmo para quem apresente testes à covid-19 negativos ou para pessoas vacinadas. “Esta é uma medida de redução de ajuntamentos”, argumentou a ministra da Presidência justificando com o aumento de casos de infecção nas camadas mais jovens da população. Ao invés do que acontece nas “idades já vacinadas”. O que, concluiu, “significa que a vacina resulta”.

Mariana Vieira da Silva fez ainda um apelo para que a população continue a cumprir as regras estipuladas pela Direcção-Geral da Saúde para controlar a doença. “Ainda não estamos em condição de controlar a pandemia”, disse.

O governo manteve também a proibição de saída e entrada na AML das 15h30 desta sexta-feira até às 06h00 da manhã de segunda-feira.

Há neste momento 19 concelhos, a maioria na AML, que se encontram em risco muito elevado de infecção, ou seja que já atingiram por duas vezes os 240 casos de infecção por covid-19 por 100 mil habitantes (ou 480 nos territórios de baixa densidade). Da AML são os municípios de Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Odivelas, Oeiras, Seixal, Sesimbra, Sintra e Sobral de Monte Agraço. Nesta situação estão ainda Albufeira, Constância, Loulé, Mira e Olhão. Na semana passada apenas estavam na zona vermelha Lisboa, Albufeira e Sesimbra.

Porto recua

Há ainda a somar 26 outros concelhos que atingiram o risco elevado de infecção, ou seja que ultrapassaram duas vezes os 120 casos por 100 mil habitantes (ou 240 nos territórios de baixa densidade). Um destes é o Porto onde também passam a existir novos horários, por exemplo, para a restauração que tem de encerrar até às 22h30.

No briefing do Conselho de Ministros, a ministra Mariana Vieira da Silva garantiu que o país tem “capacidade de vacinar rapidamente” e que os maiores de 60 anos que estavam à espera da segunda dose da vacina da AstraZeneca poderão estar “todos vacinados no dia 11 de Julho”.

Mariana Vieira da Silva alertou para a importância da vacinação, ao insistir que a incidência nos vacinados é muito menor do que nos não vacinados.

Também presente no briefing a ministra do Trabalho anunciou que foi prorrogado o apoio às empresas, o “apoio extraordinário à retoma progressiva”, com quedas de facturação superior a 25%, que estava em vigor para os meses de Julho e Agosto.

Ana Mendes Godinho disse que este apoio também é extensível aos trabalhadores do sector da cultura e do turismo para os mesmos meses, tal como para os sócios gerentes dos mesmos sectores. Também foi prorrogado o mecanismo extraordinário de pagamento do subsídio de doença covid-19 a 100% até Setembro.

“Até ao momento entre apoios por isolamento e doença” foram abrangidas 810 mil pessoas, disse a ministra.

“Cerco” a Lisboa

O governo tinha decidido no Conselho de Ministros da semana passada retroceder o confinamento no concelho de Lisboa, devido à elevada incidência pandémica, que aliás, aparentemente, ainda continua em fase de crescimento. Lisboa recuou assim para os níveis de confinamento que vigoraram a partir de 19 de Abril (e até 3 de Maio). Foram adoptadas as regras que então vigoravam nos concelhos de Sesimbra e Albufeira. Com Paulo Ribeiro Pinto

Concelhos em alerta
– Albergaria-a-Velha, Aveiro, Azambuja, Cartaxo, Bombarral, Idanha-a-Nova, Ílhavo, Lourinhã, Matosinhos, Mourão, Nazaré, Óbidos, Salvaterra de Magos, Santo Tirso, Trancoso, Trofa, Vagos, Viana do Alentejo, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Viseu

Concelhos em risco elevado
Alcochete, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Avis, Braga, Castelo de Vide, Faro, Grândola, Lagoa, Lagos, Montijo, Odemira, Palmela, Paredes de Coura, Portimão, Porto, Rio Maior, Santarém, São Brás de Alportel, Sardoal, Setúbal, Silves, Sines, Sousel, Torres Vedras, Vila Franca de Xira

Concelhos em risco muito elevado
– Albufeira, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Constância, Lisboa, Loulé, Loures, Mafra, Mira, Moita, Odivelas, Oeiras, Olhão, Seixal, Sesimbra, Sintra, Sobral de Monte Agraço

Diário de Notícias

 

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