657: Desconfinamento já se faz sentir nos internamentos. R(t) já está acima de 1

 

 

SAÚDE/COVID-19/DESCONFINAMENTO

(CC0/PD) Tobias Zils / unsplash

O número de casos está a aumentar e este efeito já se começa a sentir nos internamentos. Esta foi a segunda semana consecutiva com aumento de casos, com uma média de 495 novos casos diários.

De acordo com o jornal digital Observador, na última sexta-feira, a média referente aos novos casos reportados ao longo dos sete dias anteriores era de 452 novos casos de infecção. Verificaram-se ao longo dos últimos sete dias, em média, mais 43 casos diários de infecção, o que significa mais 301 casos durante essa semana.

O chamado R(t), índice médio de transmissibilidade do vírus, está agora a 1,02 em solo continental e em 1,02 na totalidade do país. O primeiro-ministro António Costa tinha apontado o valor de 1 para o R(t) como um limite que, caso fosse ultrapassado, poderia colocar em causa o ritmo de desconfinamento nacional.

Segundo o jornal Público, as previsões dão conta de que vão aumentar os internados com a doença em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), bem como nos outros serviços, nos próximos dias.

“Os dados já apontam para algum aumento de internamentos, mas mesmo assim, não está a capturar as alterações dos últimos dias. A situação tenderá a piorar”, alertou Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

O responsável disse esperar que o cenário mais positivo apresentado na mais recente previsão “não deverá ser cumprido”, uma vez que os números reflectidos já foram atingidos esta quinta-feira, mas o modelo matemático usado nas projecções tem de ser “respeitado”.

Segundo o modelo, o país deve necessitar de ter entre 484 (cenário mais positivo) e 520 (cenário negativo) camas para receber doentes internados com ​covid-19 na próxima semana. Destas, entre 107 e 112 serão para internamentos em UCI.

“Com o aumento do R(t), o número de casos vai aumentar. As medidas de contra balanço a este aumento esperado com o desconfinamento devem ser assimétricas, de acordo com a evolução regional. Os municípios com taxas mais elevadas têm de ter medidas mais duras, nomeadamente de restrição do processo de desconfinamento”, defendeu Alexandre Lourenço.

A previsão de mais internamentos faz com que volte a crescer também o número de profissionais necessários para lidar com a doença. Na próxima semana, deverão ser necessários entre 144 e 153 médicos, 982 e 1050 enfermeiros e entre 399 e 433 técnicos auxiliares de saúde. Já o número de profissionais de saúde público deverá situar-se entre os 477 e 535.

Desconfinamento está a levar o R(t) para perto do limite definido por Costa

Desde o início do desconfinamento, o R(t) aumentou de 0,84 para 0,93 a nível nacional. António Costa tinha definido que…

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Duas escolas fecham em Faro

Um surto de covid-19 em duas escolas básicas do concelho de Faro obrigou esta sexta-feira ao encerramento dos estabelecimentos, que têm no total 300 alunos.

A escola foi hoje fechada. Ontem [quinta-feira] ainda houve aulas, mas as turmas onde foram identificados casos positivos não tiveram aulas e depois, ao fim da tarde, o delegado de saúde decidiu fechar as escolas”, contou João Geraldes, presidente da associação de pais de um dos estabelecimentos, à Lusa.

Segundo fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, “os inquéritos epidemiológicos estão em curso, mas tudo indica que a disseminação do vírus terá ocorrido em festas familiares e sociais, de aniversário, bem como na prática desportiva” num clube local.

Em declarações à Lusa, a mesma fonte referiu que existem “vários agregados familiares com todos os elementos positivos” e que “muitos dos casos positivos contactados, incluindo as crianças, estão sintomáticos”, embora com sintomas ligeiros, o que levou a que as primeiras pessoas diagnosticadas tivessem tido a iniciativa de fazer auto testes.

Os estabelecimentos em causa são a Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro e a Escola Básica do 1º. Ciclo do Montenegro, segundo a autoridade local de saúde “uma pequena escola com duas salas” do mesmo agrupamento.

A mesma fonte adiantou que está em curso um “processo de testagem massiva”, pelo facto de se tratarem “de vários casos, distribuídos por quase todas as salas dessas escolas, e com a perspectiva de aumento”.

Segundo o presidente da Associação de Pais da Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro, o número de infectados aponta para “cerca de 20 pessoas” pelo facto de algumas crianças terem infectado os pais e irmãos.

O contágio não terá sido na escola, estas coisas acontecem quase sempre fora da escola”, frisou João Geraldes, notando que a origem do surto “terá sido numa festa de aniversário onde estiveram meia dúzia de crianças, quase todas das mesmas turmas” e que têm também actividades num clube local.

O presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, considerou que, até agora, não há motivo para “grande preocupação”, mas manifestou-se apreensivo com o efeito que o surto poderá vir a ter nos próximos dias.

Por Maria Campos
10 Abril, 2021

 

 

 

572: Há 15 dias que aumenta o número de internados: já são quase 5.000

 

 

SAÚDE/COVID-19

Registaram-se 152 óbitos nas últimas 24 horas e há mais 10.385 infectados em Portugal com o novo coronavírus. Estão internadas 4.889 pessoas, mais 236 que ontem.

© AFP

O boletim epidemiológico da Direcção Geral da Saúde (DGS) deste domingo regista mais 152 óbitos por covid-10 e 10 385 novos infectados. Ontem o país bateu o recorde de mortes (166) e de novos casos.

É o 10º dia seguido com mais de 100 mortes diárias. O total de óbitos pelo novo coronavírus em Portugal é agora de 8 861.

Portugal totaliza até agora 549 801 casos de infectados desde o início da pandemia (Março de 2020).

Os internamentos sobem há quase 15 dias consecutivos. De acordo com o boletim deste domingo, há agora quase 5000 pessoas (4 889 pessoas) internadas em enfermaria com covid-19, mais 236 do que na véspera.

Portugal passou assim a barreira dos 4 500 internados e nunca houve tantas pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos. Portugal tem este domingo 647 doentes em UCI, mais 9 do que o dia anterior.

A maior parte dos novos casos de infeção está na faixa etária dos 40 aos 49 anos, sendo que as três faixas etárias mais jovens concentram um terço das novas infecções.

Há mais mulheres infectadas (302 185 contra 247 437) , mas a mortalidade é superior nos homens (4 608 contra 4253). A esmagadora maior das mortes regista-se nas faixas etárias acima os 80 anos.

Continua a ser a Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLSVT) com o maior número de aumento de mortes (mais 59 nas últimas 24 horas), seguida da Região Norte, com mais 33, em relação a sábado.

No entanto, é a Região Norte a ter, desde início da pandemia, a ter o número mais elevado de infectados (256 208 contra 184 063 na RLVT) e de mortos (3 718, contra 3 174 na RLVT).

Na região Centro já morreram 1 402 pessoas com o novo coronavírus, no Alentejo 400 e no Algarve 119.

Nas últimas 24 horas recuperaram desta doença mais 4 387 pessoas, com um total de 406 929 desde o início da pandemia.

Neste domingo, está sob vigilância um total de 161 120 pessoas, mais 5 719.

Os dados recolhidos entre 2 e 6 de Janeiro dizem que o valor médio do R(t) em Portugal se fixou nos 1,22, o que significa que cada doente covid-19 estava a infectar em média mais do que uma pessoa. Porém, quando esse valor for actualizado deve ser bem superior uma vez que os casos diários têm subido vertiginosamente, passando a barreira das 10 mil infecções diárias.

Médicos alertam para situação “insustentável”

“É absolutamente insustentável o que se está a passar na prestação de cuidados, é uma situação dramática. Acho que é essa a descrição possível”, afirmou o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, lembrando que, “infelizmente os alertas dos hospitais e de todos os envolvidos não são de agora, [já vêm] até [de] antes do Natal”.

Neste sábado, o Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, apresentava um total de 169 doentes com covid-19 internados, dos quais 18 em cuidados intensivos, com a unidade hospitalar a admitir um “cenário de pré-catástrofe”, caso a situação se mantenha.

O director do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), Daniel Ferro, disse que o hospital de Santa Maria está em “sobre esforço” e que a adaptação aos picos de atendimento “tem limites”, estando a trabalhar além da capacidade instalada.

Para o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, “não é surpreendente que haja de facto pressão”.

“O que acontece é que estamos a atingir um nível insustentável e isso tem muito que ver com aquilo que foi acontecendo”, afirmou.

Embora o país esteja no início de um novo confinamento, “a realidade é que na prática, olhando para a rua e vendo o que se vai passando, há de facto uma grande mobilização das pessoas na rua, etc.” e “acaba por ser difícil combater a pandemia com esta situação”, considerou.

2ª dose da vacina para profissionais de saúde

Entretanto, o Ministério da Saúde anunciou que começam este domingo a ser administradas as segundas doses das vacinas contra a covid-19 aos quase 30 mil profissionais de saúde de contextos prioritários de hospitais e cuidados de saúde primários.

A 27 de Dezembro iniciou-se a primeira fase da vacinação contra o vírus SARS-CoV-2, abrangendo os profissionais dos centros hospitalares universitários do Porto, Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central, que receberam a vacina desenvolvida pela Pfizer-BioNTech.

Desde então e até sexta-feira, cerca de 106 mil pessoas já foram vacinadas em Portugal continental, incluindo também utentes e funcionários de lares de idosos.

A primeira fase do plano, até final de Março, abrange também profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos. Nesta fase, serão igualmente vacinadas, a partir de Fevereiro, pessoas de idade igual ou superior a 50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigeno-terapia de longa duração.

A segunda fase arranca a partir de Abril e inclui pessoas de idade igual ou superior a 65 anos e pessoas entre os 50 e os 64 anos, inclusive, com pelo menos uma das seguintes patologias: diabetes, neoplasia maligna activa, doença renal crónica, insuficiência hepática, hipertensão arterial, obesidade e outras doenças com menor prevalência que poderão ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico.

Na terceira fase, será vacinada a restante população, em data a determinar. As pessoas a vacinar ao longo do ano serão contactadas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Diário de Notícias
DN
17 Janeiro 2021 — 14:17