861: Pessoas infectadas com covid-19 devem manter-se longe dos seus animais de estimação

SAÚDE/COVID-19/ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

TatyanaGl / Canva

Um novo estudo mostra que os animais de estimação podem actuar como “reservatórios” de covid-19, reintroduzindo o vírus na cadeia humana.

De acordo com cientistas dos Países Baixos, a covid-19 é comum em cães e gatos de estimação, quando os seus donos estão infectados. O que significa que o contacto entre os humanos e os seus amigos de quatro patas deve ser evitado durante a fase de transmissão da doença.

Embora os casos sejam considerados de risco diminuto para a saúde pública, os especialistas defendem que existe um risco potencial de que os animais domésticos possam actuar como um “reservatório” para o coronavírus e reintroduzi-lo nos seres humanos.

“Se tiver covid-19, deve evitar o contacto com o seu gato ou cão, tal como faria com outras pessoas”, alertou Els Broens, da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos.

“A principal preocupação, contudo, não é a saúde dos animais — que não têm sintomas de covid-19 ou têm sintomas ligeiros. É o risco potencial de os animais de estimação poderem actuar como um reservatório do vírus e reintroduzi-lo na população humana”, explicou.

Apesar disso, como não existem casos conhecidos de transmissão de animais domésticos para humanos, “parece improvável que os animais de estimação desempenhem um papel na pandemia”.

A investigação, liderada por Broens, foi apresentada no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ECCMID, na sigla em inglês) e ainda não se encontra publicada, escreve o jornal britânico The Guardian.

Para o estudo, foram analisados os resultados dos testes PCR de 156 cães e 154 gatos de 196 famílias: seis gatos e sete cães (4,2%) tiveram testes PCR positivos e 31 gatos e 23 cães (17,4%) tiveram testes positivos para anticorpos.

Oito gatos e cães que viviam com animais de estimação que testaram positivo foram também testados pela segunda vez para verificar a transmissão de vírus entre animais e nenhum deu positivo — o que sugere que o vírus não se transmitiu entre animais de estimação que viviam em estreito contacto entre si.

Mas os investigadores defendem que as suas descobertas mostram que a covid-19 é altamente prevalecente em animais de estimação de pessoas que tiveram a doença.

Entretanto, investigações separadas, também apresentadas na reunião da ECCMID, sugerem que os gatos que dormem na cama do seu dono correm um risco mais elevado de contrair covid-19.

Dorothee Bienzle, uma professora de patologia veterinária da Universidade de Guelph, no Canadá, considera que, “se alguém tiver covid-19, há uma hipótese surpreendentemente alta de a transmitir ao seu animal de estimação”.

“Os gatos, especialmente aqueles que dormem na cama do seu dono, parecem ser particularmente vulneráveis. Portanto, se tiver covid-19, aconselho-o a manter distância do seu animal de estimação – e a mantê-lo fora do seu quarto”, alertou.

“Embora a evidência de que os animais de estimação podem transmitir o vírus a outros animais de estimação” ou pessoas seja “limitada”, não pode ser excluída e, por isso, é recomendado manter os animais de estimação infectados longe de outras pessoas e animais.

Ambos os estudos apresentados no ECCMID são consistentes com “um número crescente de estudos que sugerem que uma proporção substancial de cães e gatos de estimação pode apanhar o vírus Sars-CoV-2 (que causa a covid-19) dos seus donos”, apoia James Wood, chefe do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Cambridge.

Gatos e cães podem ser comummente infectados com o vírus, mas a maioria dos relatos são de que esta infecção parece ser assintomática. Também parece que o vírus não se transmite normalmente de cães e gatos para outros animais ou para os seus donos”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
8 Julho, 2021

 

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551: Médico que descobriu o ébola alerta para o surgimento de novos vírus letais

 

SAÚDE/VÍRUS/CONTÁGIOS

Vírus com origem nos animais, que depois são transmitidos aos seres humanos, são “uma ameaça à humanidade”. Mais vão surgir, diz o cientista.

O cientista Jean-Jacques Muyembe Tamfum, professor e uma das pessoas que descobriu o ébola, diz à CNN que a humanidade enfrenta um número novo e potencialmente fatal de vírus saídos da floresta tropical de África. Chama-lhes “uma ameaça para a humanidade” e avisa que mais doenças que passam de animais para humanos vão aparecer

Não são casos raros. A febre amarela, gripe, raiva, brucelose ou a doença de Lyme (febre da carraça) são exemplos de doenças que passam de animais para humanos. Outro caso, é o vírus do HIV, que começou nos chimpanzés, sofreu uma mutação e se espalhou pelo mundo. O vírus aloja-se num animal e é esse animal que o transmite aos humanos. No caso do SARS-Cov-2 acredita-se que tudo terá começado com morcegos, na China.

O cenário traçado por Jean-Jacques Muyembe Tamfum é pessimista. Acredita que outras pandemias podem acontecer num futuro próximo. “Sim, sim, acredito que sim”, diz à CNN.

Novos vírus estão a ser descobertos – três ou quatro por ano, a maioria oriundos de animais. Os números crescentes devem-se sobretudo à destruição dos ecossistemas e ao comércio de animais selvagens.

Os habitats são destruídos, os animais de maior porte desaparecem enquanto ratos, morcegos e insectos crescem e se multiplicam. Convivem com seres humanos e transportam doenças.

Foi, acredita-se, o que aconteceu com o ébola.

Uma história com 44 anos

O ébola foi descoberto em 1976. O professor Jean-Jacques Muyembe Tamfum recolheu as amostras de sangue daqueles doentes que contraíam um vírus que matava 88% dos doentes e 80% dos profissionais de saúde que cuidavam deles. As descobertas resultaram da cooperação entre o que se detectava no hospital do então Zaire e era levado para laboratórios na Bélgica e EUA.

Ainda que não se saiba exactamente como é que o ébola foi transmitido aos seres humanos, os cientistas acreditam que foi a forte intrusão na floresta tropical que levou à disseminação do ébola. Os locais onde eclodiram surtos da doença coincidem com locais alvo de desflorestação um par de anos antes.

Na República Democrática do Congo, Jean-Jacques Muyembe Tamfum continua o seu trabalho no laboratório que abriu as portas em Fevereiro e onde dezenas de amostras de sangue são analisadas, financiados por fundos japoneses, norte-americanos da Organização Mundial de Saúde (OMS). Procuram doenças ainda desconhecidas.

“Se um vírus for detectado cedo haverá oportunidade para se desenvolverem novas estratégias para combater estes patogénicos”, explica o cientista.

É no processo em que os animais são vendidos para serem comidos que os cientistas acreditam que se dá a passagem destes vírus. Essa carne é considerada iguaria e muito apreciada entre os mais ricos. -macacos, crocodilos e outros animais selvagens. No Congo, provêm da floresta tropical e, apesar de ser meio de subsistência de muitos agricultores de pequena e média escala, a solução, dizem os cientistas, é proteger os ecossistemas.

Diário de Notícias
22 Dezembro 2020 — 12:41

 

 

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