538: Novo medicamento pode ser eficaz contra a covid-19. Temido já foi avisada, mas para já o fármaco não é usado

 

SAÚDE/COVID-19/MEDICAMENTOS

Massimo Percossi / EPA

Depois da polémica com a eficácia do remdesivir, um novo medicamento está a ser apontado como fulcral para o tratamento de doentes com covid-19. Chama-se ivermectina, e é um anti parasitário produzido, entre outros, pela farmacêutica portuguesa Hovione.

A recomendação do uso deste medicamento já foi feita em Portugal, mas também em outros países do mundo.

Há cerca de uma semana, um grupo de médicos norte-americanos fez um apelo ao Senado para que se começasse a dar uso a este fármaco no combate à pandemia. Em Portugal, um pedido semelhante também chegou às autoridades de saúde, mas para já o medicamento ainda não está a ser usado no tratamento de pacientes com o novo coronavírus.

Contudo, o fármaco deu provas da sua eficácia. Em Abril, a substância foi utilizada in vitro por investigadores australianos e em 48 horas conseguiu eliminar a presença do novo coronavírus.

O ex-presidente do conselho de administração do Hospital de São João, António Ferreira, que integra um grupo de profissionais de saúde de vários países, é um dos especialistas que defendem a utilização da ivermectina.

Há cerca de um mês, o médico enviou à ministra Marta Temido, ao secretário de Estado-adjunto e à directora-geral da Saúde, Graça Freitas, cartas a pedir a disponibilização do fármaco em regime de profilaxia e de tratamento precoce da covid-19.

Segundo o Expresso, as cartas escritas pelo especialista sustentam que a ivermectina tem “perfis de risco-benefício e de custo-eficácia adequados”, além de estar amplamente disponível no mercado.

O apelo de António Ferreira foi também enviado à presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Maria Antónia Almeida Santos, que já admitiu a possibilidade de levar o tema a discussão.

Depois de o medicamento ter dado provas da sua eficácia na Austrália, um estudo mais recente realizado no Bangladesh mostrou o recuo da infecção entre doentes medicados com estes fármaco após os primeiros sintomas, e sem efeitos adversos.

O professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Kamal Mansinho, diz que “o estudo é cientificamente válido, mas apenas exploratório porque o número de participantes não permite estabelecer relações causais”. No entanto, defende que “os pequenos sinais que vão surgindo levam a que se investigue o valor terapêutico, até pelo seu baixo custo”.

Contactado pelo Expresso, o Infarmed revela que “as indicações terapêuticas são avaliadas na sequência de submissão, pelo promotor, dos estudos científicos que as sustentem e no caso da ivermectina não foi submetido nenhum pedido de alargamento de indicações terapêuticas”.

Roberto Roncon, médico intensivista do Hospital de S. João, olha para estes fármacos com algum cepticismo. “Já assistimos a vários fracassos quanto à terapêutica e profilaxia farmacológica. Sobre a ivermectina, e apesar da sua eficácia in vitro, não foram publicados ainda resultados de ensaios que permitam ter segurança na sua utilização”, destaca.

De recordar que, anteriormente, o remdesivir foi apontado como benéfico para o tratamento de pacientes com covid-19, mas ao contrário das expectativas iniciais geradas pelo medicamento, parece afinal não ser capaz de reduzir as mortes entre os pacientes com covid-19.

Por Ana Moura
21 Dezembro, 2020

 

 

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