595: Combinação de dois medicamentos mata células ósseas cancerígenas à fome

 

 

SAÚDE/CANCRO/MEDICINA

National Cancer Institute / Wikimedia

Uma combinação de dois medicamentos que retira às células cancerígenas a energia, da qual precisam para crescer, pode oferecer uma melhor alternativa a um medicamento usado actualmente na quimioterapia.

O metotrexato é comummente administrado em altas doses para tratar o osteossarcoma, um cancro ósseo. Esse tratamento inclui cirurgia, radiação e um cocktail de medicamentos de quimioterapia que pode causar danos no fígado e nos rins, escreve o Futurity.

“Estamos interessados em desenvolver terapias que matem as células cancerígenas sem prejudicar as células saudáveis, potencialmente evitando os efeitos colaterais, às vezes graves, da quimioterapia tradicional”, disse o autor principal Brian Van Tine, professor de Medicina da Universidade de Washington.

“Em grandes doses, o metotrexato pode levar à insuficiência hepática e à necessidade de diálise renal. Gostaríamos de nos livrar do metotrexato neste regime e substituí-lo por uma terapia metabólica direccionada que encurtaria o tratamento, reduziria os efeitos colaterais e potencialmente eliminaria a necessidade de múltiplas hospitalizações”, acrescentou.

Os investigadores estudaram um medicamento chamado NCT-503, que impede que as células cancerígenas produzam o aminoácido serina, uma fonte de energia que alimenta o crescimento do cancro. Os resultados do estudo foram publicados, em Janeiro, na revista científica Cell Reports.

Quando tratadas com este medicamento, as células cancerígenas rapidamente procuram outra fonte de energia. Como tal, os cientistas adicionaram outro medicamento à equação, perhexilina, que bloqueia esta habilidade das células cancerígenas.

Com a mistura destes dois medicamentos, administrados em ratos, os autores repararam que as células morriam à fome.

Nos ratos com osteossarcoma que receberam apenas um dos medicamentos, os tumores cresceram quase 800% em menos de um mês. Por outro lado, ratos administrados com os dois medicamentos viram os seus tumores crescerem apenas 75% num mês.

“Ainda estamos a trabalhar para optimizar estes tratamentos com medicamentos, mas esperamos poder levar estas descobertas para um ensaio clínico“, disse o co-autor Brian Van Tine. “O objectivo final é transformar o tratamento, perseguindo as propriedades metabólicas inerentes ao osteossarcoma e afastando-nos dos medicamentos clássicos que danificam todo o corpo”.

Cientistas diagnosticam pela primeira vez um cancro ósseo num dinossauro

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Daniel Costa Daniel Costa, ZAP //

Por Daniel Costa
6 Fevereiro, 2021

 

 

 

589: Molécula extraída do açafrão-bastardo pode ser eficaz contra a covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/MEDICINA

Anunciado como “o único medicamento oral eficaz” para o tratamento de pacientes com covid-19 que não estão hospitalizados, a colquicina surge como uma nova esperança que poderia ser determinante para aliviar a pressão sobre os hospitais. E o melhor é que é uma droga barata que é extraída da flor do açafrão-bastardo.

Este “grande avanço científico para tratar a covid-19″ foi anunciado pelo Instituto de Cardiologia de Montreal (MHI na sigla original em Inglês), no Canadá, que liderou uma investigação que testou a eficácia da colquicina em doentes com a infecção que não se encontravam hospitalizados.

Esta molécula que é extraída das plantas Colchicum autumnale, conhecidas por açafrão-do-prado, açafrão de Outono ou açafrão-bastardo, “reduziu em 21% os riscos de morte ou de hospitalização em pacientes com covid-19 em comparação com o placebo” usado nos testes clínicos, segundo avança o MHI em comunicado.

A “colquicina é o único medicamento oral eficaz para o tratamento de pacientes não hospitalizados”, conclui o Instituto de Cardiologia canadiano que fala de uma “importante descoberta científica”.

Contudo, o estudo já publicado, ainda não foi alvo de revisão científica.

Colquicina é um potente veneno

A colquicina é extraída do chamado açafrão-bastardo, assim denominado por ser altamente tóxico. Nos Antigos Egipto e Grécia era usado como um potente veneno, embora também tivesse aplicações medicinais.

De resto, o gado, por instinto natural de sobrevivência, nem sequer toca nas plantas do açafrão-bastardo. Portanto, não deve ser usado como condimento, nem ingerido directamente como medicamento, pois é altamente venenoso.

Na Península Ibérica, existe a espécie açafrão-bravo ou pé-de-burro (Crocus serotinus) que pode ser usada como aromatizante e corante de alimentos. Já a especiaria que conhecemos como açafrão provém da espécie Crocus sativus.

O que diferencia as espécies é o número de estames em cada flor – o açafrão-bastardo tem seis, enquanto o açafrão-bravo tem apenas três, por exemplo.

Desde a Antiguidade, o açafrão-bastardo tem sido usado para tratar certas maleitas devido às suas propriedades anti-inflamatórias. É utilizado desde 1980 no tratamento da gota e também tem sido usado como tratamento acessório em alguns casos de doenças cardíacas.

Nos últimos anos, têm sido feitos estudos científicos para avaliar a sua eficácia em casos de cancro.

“Primeiro medicamento oral em todo o mundo que poderia prevenir complicações da covid-19”

Na investigação agora realizada com pacientes de covid-19, estudou-se uma população de 4488 doentes de Canadá, EUA, Espanha, Grécia, Brasil e África do Sul. Os pacientes não estavam hospitalizados e tinham, pelo menos, um dos factores de risco para complicações por causa da infecção provocada pelo coronavírus.

Os resultados revelam que “o uso da colquicina foi associado com reduções estatisticamente significativas nos riscos de morte ou de hospitalização” em comparação com o placebo utilizado, afiança o MHI.

De acordo com os dados, a molécula do açafrão-bastardo “reduziu as hospitalizações em 25%, a necessidade de ventilação mecânica em 50% e as mortes em 44%”.

O Instituto de Cardiologia conclui, assim, que a “colquicina é o único medicamento oral eficaz para o tratamento de pacientes [com covid-19] não hospitalizados”.

“A nossa pesquisa mostra a eficácia do tratamento com colquicina na prevenção do fenómeno da “tempestade de citocinas” e reduzindo as complicações associadas com a covid-19″, aponta o investigador que liderou o estudo, Jean-Claude Tardif, director do Centro de Pesquisa do MHI e professor de Medicina.

Além disso, é “o primeiro medicamento oral em todo o mundo cujo uso poderia ter um impacto significativo na saúde pública e potencialmente prevenir as complicações de covid-19 em milhões de pacientes”, salienta.

O facto de poder evitar o desenvolvimento de formas graves da doença poderia “aliviar os problemas de congestão dos hospitais e reduzir os custos de saúde” em todo o mundo, afiançam ainda os investigadores.

O estudo coordenado pelo instituto canadiano contou com fundos de programas governamentais do Canadá e dos EUA e também da Fundação Bill & Melinda Gates, sendo, até agora, “o maior estudo do mundo a testar um medicamento administrado por via oral em pacientes não hospitalizados com covid-19”, afiança ainda o MHI.

Contudo, estas conclusões estão a ser encaradas com alguma cautela. Aguardam-se as conclusões da revisão científica e a divulgação de mais dados dos testes, uma vez que a informação disponibilizada no site dedicado à investigação é ainda muito reduzida.

Entretanto, um artigo científico publicado em Dezembro passado no jornal científico Plos One, também assinado por investigadores do MHI incluindo Jean-Claude Tardif, concluiu que “a colquicina é um medicamento de baixo custo, amplamente disponível, e eficiente no tratamento de condições inflamatórias“.

O uso da substância em ratos com lesão pulmonar aguda reduziu a área da lesão em 61%, além de reduzir o edema pulmonar e de melhorar “notadamente” a oxigenação sanguínea, constatam os autores desta investigação.

Por Susana Valente
29 Janeiro, 2021

 

 

 

578: Medicamento contra o cancro pode combater covid-19? Resultados são promissores

 

 

SAÚDE/CANCRO/COVID-19/MEDICAMENTO

Estudo internacional sugere que um medicamento usado contra o cancro é 100 vezes mais eficaz contra a covid-19 do que os atuais tratamentos, como o remdesivir. O fármaco, dizem os cientistas, bloqueia a multiplicação de coronavírus em células humanas e em ratos, embora os dados completos da investigação não tenham sido ainda publicados.

Arquivo
© EPA/ALEX PLAVEVSKI

Chama-se plitidepsina e é um composto químico baseado numa substância produzida por uma espécie de ascídias do Mediterrâneo, animais invertebrados e hermafroditas, que vivem nas rochas. E pode ser o tratamento antiviral mais eficaz contra a covid-19. É, pelo menos, o que indicam os primeiros dados de um estudo levado a cabo por uma equipa internacional. Apesar dos resultados preliminares promissores, especialistas independentes alertam que há ainda um longo caminho a percorrer.

Os cientistas, liderados pelo virologista espanhol Adolfo García-Sastre, do Hospital Monte Sinai, em Nova Iorque, referem que este medicamento é cerca de 100 vezes mais eficaz contra a covid-19 do que os tratamentos actuais, como o remedesivir, noticia o El País.

Os primeiros dados científicos desta investigação foram publicados na segunda-feira na revista especializada Science e sugerem a eficácia deste medicamento usado contra o cancro.

A empresa espanhola PharmaMar desenvolveu o fármaco, com o nome comercial de Aplidin, para tratar de um tipo de cancro do sangue, o mieloma múltiplo, tendo sido apenas autorizado na Austrália.

Embora ainda não tenham sido publicados dados científicos devidamente revistos e analisados de modo a comprovar os resultados, a empresa fez saber que usou o medicamento em ensaios clínicos, que indicam que este composto químico reduziu a carga viral em doentes hospitalizados com covid-19.

De acordo com o jornal San Francisco Chronicle​, durante o estudo liderado pelo especialista espanhol e por Nevan Krogan, da Universidade da Califórnia, o fármaco foi testado em algumas dezenas de doentes infectados pelo SARS-CoV-2 em Espanha. ​​​​​​

“Acreditamos que nossos dados e os resultados positivos iniciais do ensaio clínico da PharmaMar sugerem que a plitidepsina deve ser fortemente considerada para ensaios clínicos alargados para o tratamento de covid-19”, concluem os autores do estudo.

Na investigação, a equipa internacional de cientistas comparou os efeitos deste composto químico com os do remedesivir em ratos infectados com SARS-CoV-2. Os resultados mostraram que plitidepsina reduziu a multiplicação do vírus cerca de 100 vezes mais, além de que combate também a inflamação nas vias respiratórias.

Foram feitas duas experiências com animais diferentes em que havia infecção com o vírus responsável pela covid-19, tendo sido alcançada uma redução de 99% das cargas virais nos pulmões tratados com plitidepsina.

Explica o San Francisco Chronicle​ que Aplidin foi administrada em 45 doentes com covid-19, em Espanha, durante os testes da fase 2. A PharmaMar divulgou os dados sobre os primeiros 27 pacientes, nos quais é referido que o medicamento reduziu o tempo de internamento. Os resultados preliminares indicam que 81% dos doentes voltaram para casa no prazo de 15 dias, contra a taxa habitual de 47%, de acordo com a empresa.

Os especialistas explicam que com este composto químico o vírus não é directamente atacado. Detalham que plitidepsina bloqueia uma proteína específica dentro das células humanas, denominada de eEF1A, e sem ela o vírus não consegue multiplicar-se.

O mecanismo molecular contra o qual este fármaco é dirigido também é importante para a replicação de muitos outros vírus, incluindo o da gripe e o vírus sincicial respiratório”, explicou García-Sastre em comunicado, citado pelo El País. Quer isto dizer que este tratamento tem potencial para criar antivirais genéricos contra muitos outros patógenos, refere ainda o especialista. O facto de atuar no organismo dos doentes e não no vírus poderá ser uma ajuda preciosa, tendo em conta as mutações do SARS-CoV-2.

Estudo “promissor”, mas especialistas alertam que há ainda um longo caminho a percorrer

Perante os dados científicos já obtidos, a empresa PharmaMar está a preparar-se para pedir autorização para avançar com o ensaio clínico de fase 3, a ultima antes de passar pela aprovação dos reguladores de medicamentos, e na qual será analisada a eficácia do medicamento em doentes com covid-19 internados.

“Este trabalho confirma tanto a poderosa actividade como o alto índice terapêutico da plitidepsina e que, pelo seu especial mecanismo de acção, inibe o SARS-CoV-2, independentemente de qual for sua mutação na sua proteína S, como as das variantes britânicas, sul-africanas, brasileira ou as novas variantes que surgiram recentemente na Dinamarca”, explica José María Fernández, presidente da PharmaMar, citado pelo jornal espanhol. “Estamos a trabalhar com as agências do medicamento para iniciar o teste de fase 3 que será realizado em vários países”, revelou.

Apesar dos resultados promissores deste estudo, especialistas independentes ouvidos pelo El País optam pela prudência e alertam que há ainda um longo caminho a percorrer.

“Estamos perante um estudo pré-clínico muito bom realizado por um grupo de investigadores muito confiável”, comentou Marcos López, presidente da Sociedade Espanhola de Imunologia. “Ainda há pela frente a parte dos ensaios clínicos em pacientes e esclarecer em que momento da infecção este medicamento poderá ser mais eficaz”, considerou.

Já a investigadora Elena Muñez, do hospital Puerta de Hierro, de Madrid, alerta que os resultados “são muito preliminares”. “Este tipo de dados pré-clínicos baseia-se em experiências com ratos totalmente controlados, situação muito diferente da realidade que vemos com doentes num hospital”, sublinha.

A virologista Isabel Sola, do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha, destaca o facto de se tratar de um “estudo muito promissor porque nos fornece um possível novo tratamento contra a infecção”.

Diário de Notícias
DN
26 Janeiro 2021 — 09:56

 

 

 

538: Novo medicamento pode ser eficaz contra a covid-19. Temido já foi avisada, mas para já o fármaco não é usado

 

 

SAÚDE/COVID-19/MEDICAMENTOS

Massimo Percossi / EPA

Depois da polémica com a eficácia do remdesivir, um novo medicamento está a ser apontado como fulcral para o tratamento de doentes com covid-19. Chama-se ivermectina, e é um anti parasitário produzido, entre outros, pela farmacêutica portuguesa Hovione.

A recomendação do uso deste medicamento já foi feita em Portugal, mas também em outros países do mundo.

Há cerca de uma semana, um grupo de médicos norte-americanos fez um apelo ao Senado para que se começasse a dar uso a este fármaco no combate à pandemia. Em Portugal, um pedido semelhante também chegou às autoridades de saúde, mas para já o medicamento ainda não está a ser usado no tratamento de pacientes com o novo coronavírus.

Contudo, o fármaco deu provas da sua eficácia. Em Abril, a substância foi utilizada in vitro por investigadores australianos e em 48 horas conseguiu eliminar a presença do novo coronavírus.

O ex-presidente do conselho de administração do Hospital de São João, António Ferreira, que integra um grupo de profissionais de saúde de vários países, é um dos especialistas que defendem a utilização da ivermectina.

Há cerca de um mês, o médico enviou à ministra Marta Temido, ao secretário de Estado-adjunto e à directora-geral da Saúde, Graça Freitas, cartas a pedir a disponibilização do fármaco em regime de profilaxia e de tratamento precoce da covid-19.

Segundo o Expresso, as cartas escritas pelo especialista sustentam que a ivermectina tem “perfis de risco-benefício e de custo-eficácia adequados”, além de estar amplamente disponível no mercado.

O apelo de António Ferreira foi também enviado à presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Maria Antónia Almeida Santos, que já admitiu a possibilidade de levar o tema a discussão.

Depois de o medicamento ter dado provas da sua eficácia na Austrália, um estudo mais recente realizado no Bangladesh mostrou o recuo da infecção entre doentes medicados com estes fármaco após os primeiros sintomas, e sem efeitos adversos.

O professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Kamal Mansinho, diz que “o estudo é cientificamente válido, mas apenas exploratório porque o número de participantes não permite estabelecer relações causais”. No entanto, defende que “os pequenos sinais que vão surgindo levam a que se investigue o valor terapêutico, até pelo seu baixo custo”.

Contactado pelo Expresso, o Infarmed revela que “as indicações terapêuticas são avaliadas na sequência de submissão, pelo promotor, dos estudos científicos que as sustentem e no caso da ivermectina não foi submetido nenhum pedido de alargamento de indicações terapêuticas”.

Roberto Roncon, médico intensivista do Hospital de S. João, olha para estes fármacos com algum cepticismo. “Já assistimos a vários fracassos quanto à terapêutica e profilaxia farmacológica. Sobre a ivermectina, e apesar da sua eficácia in vitro, não foram publicados ainda resultados de ensaios que permitam ter segurança na sua utilização”, destaca.

De recordar que, anteriormente, o remdesivir foi apontado como benéfico para o tratamento de pacientes com covid-19, mas ao contrário das expectativas iniciais geradas pelo medicamento, parece afinal não ser capaz de reduzir as mortes entre os pacientes com covid-19.

Por Ana Moura
21 Dezembro, 2020

 

 

483: Aspirina pode tratar a forma mais severa de covid-19

 

SAÚDE/ASPIRINA/COVID-19

vfutscher / Flickr

A aspirina pode ser eficaz no tratamento da covid-19 com a sintomatologia mais severa. A coagulação do sangue tem sido associada cada vez mais à doença.

No verão, autópsias a pessoas que morreram de covid-19 revelaram que frequentemente a sua vasculatura e órgãos estavam cheios de coágulos e sangue coagulado.

“O que vimos nas unidades de cuidados intensivos é que muitos pacientes começariam a desenvolver muita coagulação, e essa carga elevada levaria à falência de múltiplos órgãos e, eventualmente, à morte”, contou Jonathan Chow, professor de anestesiologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

Assim, os coágulos estão associados à sintomatologia severa da covid-19. Como tal, Jonathan Chow e Michael Mazzeffi decidiram investigar se a aspirina poderia ajudar em alguma coisa. A aspirina é um medicamento que pode travar a formação de coágulos.

Os investigadores determinaram que o risco de morte ou entrada nos cuidados intensivos foi reduzido quase a metade entre as pessoas que receberam aspirina em comparação com aquelas que não tomaram esta medicação. Os resultados do estudo foram publicados, em Outubro, na revista científica Anesthesia and Analgesia.

“Eu acho que isto mostra que uma parte importante do processo da doença é a coagulação dos órgãos e que a intervenção nessas vias é algo em que nos devemos concentrar”, admitiu Mazzeffi, citado pelo portal Elemental.

Esta descoberta mostra que o novo coronavírus causa algo mais do que uma doença respiratória. “Afecta os rins, o cérebro, os vasos sanguíneos e o coração. Portanto, não é apenas um vírus respiratório”, salientou Girish Nadkarni, médico de medicina interna no Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, Estados Unidos.

Uma equipa de investigadores liderada por Nadkarni descobriu que os anticoagulantes reduziram significativamente o risco de morte entre certos grupos de pessoas com covid-19. O estudo foi publicado em Julho na revista científica Journal of the American College of Cardiology.

Tanto o estudo de Nadkarni como o estudo da aspirina apoiam a ideia de que, ao contrário das primeiras suposições, a covid-19 pode ser mais bem caracterizada como uma doença dos vasos sanguíneos. Todavia, são necessários mais estudos para confirmar esta ideia.

ZAP //

Por ZAP
9 Novembro, 2020

Há anos que tomo CARTIA (100 mg de ácido acetilsalicílico/comprimido), receitado por um médico cardiologista precisamente para diluir o sangue e não provocar tromboses. O CARTIA pertence ao grupo terapêutico dos antiagregantes plaquetários, como prevenção primária enfarte do miocárdio, da isquémia cerebral, doença vascular periférica, etc.. Consulte o seu médico sobre este medicamento.


468: Novo estudo diz que Remdesivir não tem “impacto significativo” nos doentes com covid-19

 

 

SAÚDE/REMDESIVIR/COVID-19

Jernej Furman / Flickr

Ao contrário do que se pensava, o medicamento antiviral remdesivir não reduz as mortes entre os pacientes com covid-19, sobretudo quando comparado com o tratamento padrão, de acordo com os resultados de um estudo internacional.

Em Maio, a Food and Drug Administration autorizou o uso do remdesivir para o tratamento de covid-19, após um estudo sugerir que o medicamento reduzia o tempo de internamento hospitalar de infectados com o vírus.

Desde de Agosto que nos EUA o medicamento tem então sido usado em todos os pacientes hospitalizados com covid-19, e não apenas para os que se encontram dependentes de ventiladores para respirar. Milhares de infectados norte-americanos receberam o tratamento, incluindo o presidente Donald Trump.

Contudo, um novo estudo, no qual a Organização Mundial da Saúde contribuiu, sugere que o remdesivir não reduz o risco dos infectados com o novo coronavírus morrerem.

O estudo publicado a 15 de Outubro no medRxiv, ainda não foi revisado por pares, mas incluiu mais de 11.200 pessoas de 30 países diferentes.

De acordo com o LiveScience, do grupo de pacientes que participaram no estudo, cerca de 4100 serviram como grupo de comparação e não receberam nenhum tratamento com medicamentos. Os medicamentos administrados aos pacientes do outro grupo incluíam remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir e uma molécula chamada Interferon-β1a.

Numa última análise, os resultados do estudo sugerem que nenhum medicamento reduziu significativamente as mortes entre os pacientes, em comparação com o grupo que não os tomou. Para além disso, os medicamentos não reduziram a possibilidade de os pacientes recorrerem a um ventilador para respirar.

“As descobertas gerais pouco promissoras dos medicamentos testados são suficientes para refutar as esperanças iniciais de que os medicamentos reduziriam a mortalidade entre os pacientes com covid-19″, escreveram os autores do estudo. Estudos anteriores já adiantavam que a hidroxicloroquina e o lopinavir não reduziam a mortalidade nos doentes infectados.

O novo estudo indica que “remdesivir não produz nenhum impacto significativo na sobrevivência”, refere Martin Landray, professor de medicina e epidemiologia da Universidade de Oxford.

No entanto, Peter Chin-Hong, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia, em San Francisco, disse ao jornal norte-americano The New York Times que os resultados do teste podem ser um pouco duvidosos.

Os participantes do estudo foram tratados em 405 hospitais diferentes, sendo que cada um tem os seus próprios protocolos de tratamento. Para além disso, o remdesivir ainda pode oferecer benefícios aos pacientes se administrado no início da doença, mas isso não foi abordado especificamente neste novo estudo, sublinhou Maricar Malinis, médico de doenças infecciosas da Universidade de Yale, ao Times.

Landray lembra que mesmo que o remdesivir ajude alguns pacientes com covid-19, ainda é caro e difícil de administrar. “Este é um medicamento que deve ser administrado por infusão intravenosa durante 5 a 10 dias”, acrescentando que custa cerca de 2550 de dólares (perto de 2155 euros) por tratamento.

“A covid-19 afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Precisamos de tratamentos acessíveis e equitativos”, defende Landray.

ZAP //

Por ZAP
20 Outubro, 2020