922: Oito semanas é o intervalo “ideal” para aumentar eficácia da vacina da Pfizer

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Jean-Francois Monier / AFP

Estudo desenvolvido pelo Department of Health and Social Care (DHSC) comparou os resultados obtidos com um intervalo de 4 semanas (como é feito em Portugal) e um intervalo de 10 semanas. Os resultados sugerem que adiar a segunda dose poderá resultar numa maior produção de anticorpos e de células T.

Contrariando as normas aplicadas pelas autoridades de saúde portuguesas, o intervalo ideal entre a primeira e a segunda dose da vacina da Pfizer deve ser de oito semanas, uma fracção temporal que permitirá aos sistemas imunitários desenvolver uma resposta mais robusta contra a variante Delta.

A constatação é uma das conclusões presentes num estudo realizado por investigadores do Department of Health and Social Care (DHSC) e da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, que comparou os resultados obtidos com um intervalo de 4 semanas (como é feito em Portugal) e um intervalo de 10 semanas.

O artigo, apresentado esta sexta-feira numa nota da Universidade de Newcastle, permitiu aos investigadores perceber que na segunda opção a produção de anticorpos é maior, assim como a proporção de células T, responsáveis pelo combate de infecções.

Para desenvolver o estudo que pretendia medir a eficácia da vacina da Pfizer contra a variante Delta, os investigadores contaram com a participação de 503 trabalhadores do sector da saúde, dos quais 44% (223) já tinham estado infectados com Covid-19.

Os resultados indicaram que as duas opções (intervalo de quatro ou dez semanas) resultaram numa resposta imunitária forte, ainda assim, foi possível atestar que quanto mais longo fosse o interregno mais elevado seriam os níveis de anticorpos e a proporção de células T, o que, segundo os especialistas, ajuda a memória imunitária.

Os cientistas descobriram que após a segunda dose, um intervalo mais longo também resultaria em valores mais elevados de anticorpos neutralizados contra a variante Delta e todas as restantes variantes que estão a preocupar as autoridades de saúde pública.

Ainda assim, nestas circunstâncias observou-se uma diminuição dos níveis de anticorpos entre a administração da primeira e da segunda doses, o que poderia deixar os indivíduos mais vulneráveis aos efeitos do novo coronavírus, aponta o The Guardian.

Rebecca Payne, investigadora da Universidade de Newcastle e uma das autoras do estudo, revelou, contudo, que a resposta celular resultante das células T mantêm-se consistente independentemente dos intervalos que separam a administração das doses, o que reforça o seu papel na protecção contra a Covid-19.

“Depois da segunda dose no calendário de administração mais longo, os níveis de anticorpos ultrapassavam os registados após a primeira dose, num intervalo de medição semelhante”, revelou Payne. A investigadora defende que apesar de os “valores das células T serem mais baixos, o perfil destas sugere mais apoio da memória imunitária e a criação de anticorpos”.

Os investigadores consideram ainda a hipótese de, em algumas situações excepcionais, o melhor intervalo poder ser mesmo de quatro semanas em vez das sugeridas oito — nomeadamente, pessoas em tratamento com influência no sistema imunitário, como é o caso de doentes oncológicos ou transplantados.

Por ZAP
26 Julho, 2021

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921: Misturar doses da AstraZeneca e da Pfizer aumenta até seis vezes as defesas contra covid-19

SAÚDE/COVID-19/VACINAS

ZAP / Rawpixel

Um novo estudo realizado na Coreia do Sul concluiu que o número de anticorpos contra a covid-19 aumentou seis vezes em quem misturou as doses da AstraZeneca e da Pfizer em relação a quem tomou as duas doses da AstraZeneca.

Tomar uma primeira dose da vacina da AstraZeneca e uma segunda dose da Pfizer origina uma resposta imunitária mais forte do que tomar as duas da AstraZeneca. São estas as conclusões de um novo estudo promovido pela KDCA, a Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças, na Coreia do Sul, citado pela agência sul-coreana Yonhap.

Foram estudados 499 profissionais de saúde – 100 receberam doses mistas, 200 receberam duas doses da Pfizer e os restantes 199 receberam duas injecções da AstraZeneca. Todos mostraram anticorpos, mas quem misturou as duas vacinas criou seis vezes mais defesas contra a covid-19 do que quem tomou as duas doses da AstraZeneca.

A mistura das vacinas teve resultados semelhantes a quem recebeu as duas doses da Pfizer. O estudo analisou a actividade neutralizante contra as principais variantes da covid-19. Nenhum dos grupos teve actividade reduzida contra a variante Alpha, mas a neutralização já baixou 2,5 a 6 vezes contra as mutações Beta, Gama e Delta.

A administração de doses de vacinas diferentes já é há algum tempo uma hipótese em cima da mesa em certos países europeus, tendo a própria chanceler alemã, Angela Merkel, tomado uma primeira dose da AstraZeneca e uma segunda da Moderna.

Um outro estudo da Universidade de Oxford, publicado em Junho, já tinha chegado a conclusões semelhantes. Foram analisados os efeitos de dar a primeira dose da AstraZeneca e uma segunda da Pfizer em 830 voluntários acima dos 50 anos. Os investigadores concluíram que esta mistura criou mais anticorpos e respostas melhores das células T do que trocar a ordem das doses.

Esse estudo de Oxford mostrou também que a vacina da Pfizer criou dez vezes mais anticorpos do que a da AstraZeneca e que quem recebeu primeiro uma dose da AstraZeneca e depois uma da Pfizer teve uma resposta tão forte como quem tomou as duas da Pfizer.

Os únicos efeitos secundários registados entre quem tomou doses de vacinas diferentes foram mais dores de cabeça e musculares e uma maior probabilidade de febre, em comparação com as pessoas vacinadas com duas doses da mesma vacina. No entanto, o estudo realçou que os efeitos foram apenas temporários e que passaram rapidamente.

Recorde-se que em Portugal foi implementada a prática de misturar doses diferentes depois da vacina da AstraZeneca ter deixado de ser recomendada a menores de 60 anos. Quem foi vacinado com uma dose de AstraZeneca pode escolher tomar uma segunda dose da Pfizer ou da Moderna.

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AP, ZAP //

Por ZAP
27 Julho, 2021

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871: Vacinas da Pfizer e da Moderna podem estar associadas a inflamações cardíacas

SAÚDE/COVID-19/VACINAS/PFIZER/MODERNA

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) denunciou hoje que as vacinas da Pfizer e da Moderna poderão estar associadas a ocorrências raras de inflamações no coração, após analisar 321 casos já vacinados contra o SARS-CoV-2.

As vacinas da Moderna e da Pfizer podem ter efeitos secundários
© Artur Machado/Global Imagens

A miocardite e pericardite são doenças inflamatórias do coração, apresentando sintomas como a falta de ar, palpitações e dores no peito.

O Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC) estudou 145 casos de miocardite e 138 casos de pericardite, após serem inoculados com a vacina da Pfizer, tendo analisado apenas 19 casos de cada inflamação, dos vacinados com a Moderna.

Até ao final de maio, cerca de 177 milhões de doses da vacina da Pfizer e 20 milhões doses da Moderna haviam sido administradas Espaço Económico Europeu (EEE).

O PRAC aconselhou actualizar as informações das vacinas, no sentido de incluir o efeito colaterais e aumentar a consciencialização entre as equipas de saúde e os utentes.

O comité recomendou ainda a restrição da comercialização da vacina da Johnson&Johnson para as pessoas com histórico de síndrome de derrame capilar, doença de Clarkson.

De acordo com o PRAC, é aconselhável adicionar uma advertência para doença de Clarkson, em que o fluido vaza pequenos vasos sanguíneos provocando inchaço, pressão arterial baixa, espessamento do sangue e níveis baixos de albumina no sangue.

O PRAC acrescentou que as informações do produto usado na AstraZeneca incluem um aviso para consciencializar sobre os casos de síndrome de Guillain-Barré (SBG), que podem ter sido relatados após a vacinação.

A síndrome provoca inflamação nos nervos e pode resultar em dor, dormência, fraqueza muscular e dificuldade em andar.

Em Junho, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos anunciou que a ocorrência de inflamações no coração em adolescentes e jovens adultos poderá estar associada às vacinas da Pfizer e da Moderna contra o SARS-CoV-2.

De acordo com a informação divulgada por este organismo, há registo de inflamações no coração, ainda que raras, em adolescentes e jovens adultos que receberam os fármacos desenvolvidos pela Pfizer (em parceria com a BioNTech) e pela Moderna, duas vacinas centralizadas no método RNA (Ácido Ribonucleico).

Investigadores convocados pelo CDC revisitaram estas ocorrências de miocardite e pericardite, ou seja, inflamações do músculo cardíaco ou da membrana do coração.

Diário de Notícias
Lusa
10 Julho 2021 — 09:25

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499: Pfizer divulga resultados finais da vacina: tem 95% de eficácia e abrange idosos

 

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ZAP / Rawpixel

A empresa farmacêutica Pfizer anunciou hoje que a sua vacina contra covid-19 tem uma eficácia de 95% a partir de 28 dias após a primeira dose, elevando a eficácia da vacina com base em resultados em testes já realizados.

“A eficácia foi constante segundo a idade, sexo, raça e etnia”, garante a Pfizer em comunicado, destacando que “a eficácia observada em adultos com mais de 65 anos foi superior a 94%”.

Na mesma nota, citada pela agência noticiosa EFE, a Pfizer refere que, nesta última fase três de avaliação, foram identificados 170 casos confirmados de covid-19, dos quais 162 foram detectados no grupo placebo, em comparação com oito a quem foram administrados a vacina. No total, mais de 41.000 pessoas participaram neste ensaio em todo o mundo.

Havendo luz verde da parte das autoridades de saúde para o uso de emergência, a vacina poderá começar a ser distribuída até final do ano.

Não foram encontrados efeitos secundários graves, com a vacina a ser bem tolerada pelos voluntários. Apenas 3,8% dos voluntários relataram fadiga e outros 2% tiveram dores de cabeça.

“Os resultados do estudo marcam um passo importante nesta histórica jornada de oito meses para conseguir uma vacina capaz de acabar com esta pandemia devastadora”, declarou Albert Bourla, o director executivo da Pfizer, em comunicado.

A vacina demonstrou-se eficaz de forma consistente em vários parâmetros, incluindo idade e etnia.

ZAP // Lusa

Por ZAP
18 Novembro, 2020

 

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Como uma “forte ressaca”. Voluntários da vacina Pfizer descrevem efeitos secundários

SAÚDE/VACINAS/COVID-19

A maioria diz que sentiu febre, dores de cabeça e musculares. A farmacêutica anunciou na segunda-feira que os testes revelaram uma eficácia de mais de 90% no combate à covid-19.

© AFP

Vários voluntários que participaram nos ensaios clínicos da vacina Pfizer revelaram que sofreram efeitos secundários comparáveis aos da vacina da gripe tradicional (dores de cabeça e nos músculos), com um deles a descrever que se sentiu como se estivesse com uma “forte ressaca”. Todos os voluntários, porém, mostraram-se orgulhosos por terem feito parte do ensaio e terem contribuído para algo de grande relevância para a humanidade.

Glenn Deshields, 44 anos, natural de Austin, nos Texas, EUA, revelou à agência de notícias AP, que sentiu sintomas semelhantes a uma “forte ressaca”, mas que desapareceram rapidamente. Glenn reconheceu ainda que depois de receber as duas injecções, realizou um teste que provou que foi capaz de desenvolver anticorpos contra o coronavírus.

Outro voluntário, Carrie, 45 anos, que reside no Missouri, revelou que após tomar a primeira vacina (em Setembro) sentiu febre, dores de cabeça e ligeiras dores musculares. Por isso comparou os efeitos secundários semelhantes aos da vacina da gripe tradicional. Carrie confessou que estes mesmos efeitos aumentaram significativamente quando tomou a segunda vacina, em Outubro.

“Participar neste ensaio foi uma espécie de dever cívico e acredito que o fim deste vírus estará para breve. Senti-me muito orgulhosa quando na segunda-feira ouvi as boas notícias sobre a eficácia desta vacina”, referiu Carrie.

Bryan, um norte-americano de 42 anos, acredita que recebeu o placebo e não a vacina. Por isso não ficou imune e apanhou covid-19 no mês passado, embora praticamente não tenha sentido sintomas. “Nos últimos dias os EUA receberam boas notícias. A eficácia da vacina da Pfizer e a eleição de Joe Biden. Acho que a partir de agora ninguém vai ignorar este vírus e os conselhos dos cientistas. Nunca mais vamos desvalorizar este vírus nem gozar com as pessoas que usam máscaras”, referiu.

Ensaios da vacina revelaram 90% de eficácia

Na segunda-feira, a Pfizer revelou as primeiras conclusões da fase 3 de testes, que ainda decorre, e que envolve mais de 40 mil participantes, considerando que a vacina mostrou-se mais de 90% eficaz na prevenção das infecções de covid-19 na fase 3 de ensaios clínicos, que ainda está a decorrer.

“A protecção nos doentes foi alcançada sete dias após a segunda de duas doses e 28 dias após a primeira, segundo os dados preliminares”, indicaram.

Entre os 43 538 participantes nesta fase de testes (nem todos receberam a vacina, uns receberam um placebo), a Pfizer identificou 94 casos de covid-19 positivos, numa percentagem de eficácia superior a 90%.

“Os primeiros resultados da Fase 3 de testes da vacina da covid-19 mostram a prova inicial da capacidade da nossa vacina de prevenir a covid-19”, disse o presidente da Pfizer, Albert Bourla.

“Estamos a chegar a este marco crítico no nosso programa de desenvolvimento de uma vacina numa altura em que o mundo mais precisa, com as taxas de infecção a atingir novos recordes, os hospitais no pico da capacidade e as economias a lutar por reabrir. Com as notícias de hoje, estamos um passo significativo mais perto de fornecer às pessoas em todo o mundo com uma inovação necessária para ajudar a pôr fim a esta crise de saúde global”, acrescentou Bourla, citado no comunicado da empresa.

A terceira fase do ensaio clínico da vacina BNT162b2 começou a 27 de Julho e envolveu 43 538 participantes até agora, 38 955 dos quais receberam uma segunda dose da vacina até dia 8 de Novembro. Cerca de 42% dos participantes a nível global e 30% dos participantes nos EUA vinham de grupos raciais e étnicos diversos. Os testes continuam e devem continuar até serem detectados 164 casos de infecção por covid-19 (já foram detectados 94). A terceira fase é a última antes da homologação.

Na segunda-feira, em declarações ao DN, Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular (IMM), considerou que o anúncio de que a vacina da Pfizer tem provado uma eficácia de 90% na prevenção das infecções de covid-19 é uma boa notícia – e que até pode ir mais além do combate ao Sars-CoV-2 -, mas disse que é preciso esperar pelos resultados finais dos testes para tirar conclusões. “A prova dos nove ainda vai a meio”, advertiu, sublinhando que estamos perante resultados preliminares, que ainda não foram publicados e escrutinados.

Diário de Notícias
Nuno Fernandes
12 Novembro 2020 — 11:05

 

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485: Vacina da Pfizer tem mais de 90% de eficácia (e pode ir além do combate à covid-19)

SAÚDE/VACINAS/COVID-19

ZAP / Rawpixel

Ao contrário das vacinas tradicionais, a vacina da Pfizer é baseada em material genético mRNA e faz com que o corpo produza anticorpos que protegem contra a infecção. Caso os resultados preliminares se verifiquem, “será a primeira vacina a ser bem sucedida com este princípio”.

A Pfizer e a BioNTech anunciaram esta segunda-feira que a sua vacina é mais de 90% eficaz na prevenção de infecção por covid-19, sete dias após a toma da segunda de duas doses. Como estas são espaçadas por três semanas, a equipa responsável explica que a protecção será alcançada 28 dias após o início da vacinação.

Além disso, segundo avança o The Guardian, não foram encontradas preocupações com a segurança e a protecção contra a infecção foi testada em pacientes de uma ampla variedade de origens étnicas – uma consideração importante, dado que grupos de minorias étnicas e negras parecem estar em maior risco de contrair o vírus.

Notícia é animadora, mas deve ter-se cautela

Num momento em que os casos do novo coronavírus não param de crescer, a maioria dos especialistas concorda que os resultados do estudo Pfizer/BioNTech são uma notícia animadora e excelente, mas o optimismo deve vir com uma nota de cautela: os resultados são preliminares e os testes ainda não foram concluídos.

Até agora, entre os 43 538 participantes na terceira fase de testes foram identificados 94 casos de covid-19 positivos, uma percentagem de eficácia superior a 90%.

Ainda há, no entanto, muitas dúvidas. Não se sabe por quanto tempo irá durar a protecção, se irá funcionar em quem já esteve infectado e se impedirá as pessoas de apanhar o vírus e de o transmitir ou se apenas reduzirá a gravidade dos sintomas.

Por outro lado, existem desafios logísticos, visto que a vacina precisa de ser armazenada a -80ºC, o que significa que mesmo em países desenvolvidos pode haver dificuldades na sua distribuição.

“Esperamos ansiosos por partilhar dados adicionais acerca da eficácia e segurança gerados por milhares de participantes nas próximas semanas”, disse Bourla.

“Os dados até agora apontam para uma eficácia de 90%. É um bom número, de facto, sobretudo porque outras vacinas, alternativas, apontam para níveis de eficácia bastante mais baixos, da ordem dos 60%. Mas estamos a falar de um anúncio baseado em dados não finais”, disse Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, ao Diário de Notícias.

Mas afinal como funciona a vacina?

Tradicionalmente, as vacinas usam o vírus enfraquecido ou inactivado para desencadear uma reacção imunitária (uma opção que também está a ser seguida, por exemplo, no caso da vacina chinesa).

Já no caso da vacina desenvolvida pela farmacêutica norte-americana o princípio de acção é diferente – esta é baseada em material genético mRNA, que é introduzido no corpo humano, fazendo com que as células produzam a proteína e, consequentemente, com que o corpo produza anticorpos que protegem contra a infecção.

“Aquilo que se utiliza é uma parte do genoma do vírus, uma parte do código genético do vírus, que está codificado em RNA (e não como está nas células, em DNA). Essa molécula de RNA vai levar a que algumas células do nosso organismo produzam uma proteína que é típica do vírus e que vai ser reconhecida pelo sistema imunitário como sendo uma proteína estranha”, explica Miguel Castanho.

“Essa presença da proteína acaba por educar o sistema imunitário para reconhecê-la como algo de estranho, que deve ser eliminado. Se o sistema imunitário voltar a entrar em contacto com a proteína, desta vez porque ela está agarrada ao vírus, é desencadeada uma resposta imunitária”, conclui.

A tentativa de desenvolver vacinas deste tipo já aconteceu antes, mas se se confirmarem os resultados preliminares agora avançados, esta será a “primeira vacina a ser bem sucedida com este princípio”.

Além disso, há “outras a ser desenvolvidas que utilizam o mesmo modo de acção, portanto é legítimo esperar que outras que usam o mesmo modo de acção também o serão“, disse Miguel Castanho, referindo-se à possibilidade de outras vacinas terem também a possibilidade de ser bem-sucedidas.

“O primeiro conjunto de resultados dos testes realizados na fase 3 fornece evidência inicial acerca da capacidade da nossa vacina a prevenir a covid-19“, disse o presidente e CEO da Pfizer, Albert Bourla, em comunicado.

“Estamos um passo significativo mais perto de fornecer às pessoas em todo o mundo um avanço muito necessário para ajudar a pôr fim a esta crise de saúde global”, acrescentou.

O investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, por outro lado, considera que “há bons indícios, mas ainda não há provas” – a eficácia da vacina da Pfizer é uma boa notícia (e até pode ir mais além do combate ao Sars-CoV-2), mas é preciso esperar pelos resultados finais dos testes para tirar conclusões.

“A prova dos nove ainda vai a meio”, adverte. “Primeiro, porque não são resultados finais, segundo porque a vacinação vai demorar um tempo considerável a atingir uma dimensão que consiga ter impacto concreto sobre a pandemia”.

“Estamos a falar de 700 milhões de pessoas na Europa, 300 milhões nos Estados Unidos, sete mil milhões de pessoas em todo o mundo. A tarefa de dar duas doses da vacina vai demorar muito tempo“, explica Miguel Castanho.

A Pfizer e a BioNTech fecharam um contrato com a União Europeia em Setembro que prevê a venda de 200 milhões de doses da vacina, ampliável em mais 100 milhões de doses, a distribuir proporcionalmente entre os vários países da UE. Considerando o número total de 300 milhões, caberá a Portugal uma percentagem de 2,3% – 6,9 milhões de vacinas.

Além da Pfizer a União Europeia também já fechou acordos com a AstraZeneca/Oxford (também para 300 milhões de doses), o consórcio Sanofi/GSK (igualmente 300 milhões) ou a alemã Curevac (225 milhões, sendo que esta é uma vacina que assenta no mesmo princípio de acção da da Pfizer), além de outras três vacinas actualmente em testes.

No total, a União Europeia firmou contratos para 1200 milhões de doses de vacinas (acordos que estão dependentes do êxito das vacinas).

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2020

 

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