578: Medicamento contra o cancro pode combater covid-19? Resultados são promissores

 

SAÚDE/CANCRO/COVID-19/MEDICAMENTO

Estudo internacional sugere que um medicamento usado contra o cancro é 100 vezes mais eficaz contra a covid-19 do que os atuais tratamentos, como o remdesivir. O fármaco, dizem os cientistas, bloqueia a multiplicação de coronavírus em células humanas e em ratos, embora os dados completos da investigação não tenham sido ainda publicados.

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© EPA/ALEX PLAVEVSKI

Chama-se plitidepsina e é um composto químico baseado numa substância produzida por uma espécie de ascídias do Mediterrâneo, animais invertebrados e hermafroditas, que vivem nas rochas. E pode ser o tratamento antiviral mais eficaz contra a covid-19. É, pelo menos, o que indicam os primeiros dados de um estudo levado a cabo por uma equipa internacional. Apesar dos resultados preliminares promissores, especialistas independentes alertam que há ainda um longo caminho a percorrer.

Os cientistas, liderados pelo virologista espanhol Adolfo García-Sastre, do Hospital Monte Sinai, em Nova Iorque, referem que este medicamento é cerca de 100 vezes mais eficaz contra a covid-19 do que os tratamentos actuais, como o remedesivir, noticia o El País.

Os primeiros dados científicos desta investigação foram publicados na segunda-feira na revista especializada Science e sugerem a eficácia deste medicamento usado contra o cancro.

A empresa espanhola PharmaMar desenvolveu o fármaco, com o nome comercial de Aplidin, para tratar de um tipo de cancro do sangue, o mieloma múltiplo, tendo sido apenas autorizado na Austrália.

Embora ainda não tenham sido publicados dados científicos devidamente revistos e analisados de modo a comprovar os resultados, a empresa fez saber que usou o medicamento em ensaios clínicos, que indicam que este composto químico reduziu a carga viral em doentes hospitalizados com covid-19.

De acordo com o jornal San Francisco Chronicle​, durante o estudo liderado pelo especialista espanhol e por Nevan Krogan, da Universidade da Califórnia, o fármaco foi testado em algumas dezenas de doentes infectados pelo SARS-CoV-2 em Espanha. ​​​​​​

“Acreditamos que nossos dados e os resultados positivos iniciais do ensaio clínico da PharmaMar sugerem que a plitidepsina deve ser fortemente considerada para ensaios clínicos alargados para o tratamento de covid-19”, concluem os autores do estudo.

Na investigação, a equipa internacional de cientistas comparou os efeitos deste composto químico com os do remedesivir em ratos infectados com SARS-CoV-2. Os resultados mostraram que plitidepsina reduziu a multiplicação do vírus cerca de 100 vezes mais, além de que combate também a inflamação nas vias respiratórias.

Foram feitas duas experiências com animais diferentes em que havia infecção com o vírus responsável pela covid-19, tendo sido alcançada uma redução de 99% das cargas virais nos pulmões tratados com plitidepsina.

Explica o San Francisco Chronicle​ que Aplidin foi administrada em 45 doentes com covid-19, em Espanha, durante os testes da fase 2. A PharmaMar divulgou os dados sobre os primeiros 27 pacientes, nos quais é referido que o medicamento reduziu o tempo de internamento. Os resultados preliminares indicam que 81% dos doentes voltaram para casa no prazo de 15 dias, contra a taxa habitual de 47%, de acordo com a empresa.

Os especialistas explicam que com este composto químico o vírus não é directamente atacado. Detalham que plitidepsina bloqueia uma proteína específica dentro das células humanas, denominada de eEF1A, e sem ela o vírus não consegue multiplicar-se.

O mecanismo molecular contra o qual este fármaco é dirigido também é importante para a replicação de muitos outros vírus, incluindo o da gripe e o vírus sincicial respiratório”, explicou García-Sastre em comunicado, citado pelo El País. Quer isto dizer que este tratamento tem potencial para criar antivirais genéricos contra muitos outros patógenos, refere ainda o especialista. O facto de atuar no organismo dos doentes e não no vírus poderá ser uma ajuda preciosa, tendo em conta as mutações do SARS-CoV-2.

Estudo “promissor”, mas especialistas alertam que há ainda um longo caminho a percorrer

Perante os dados científicos já obtidos, a empresa PharmaMar está a preparar-se para pedir autorização para avançar com o ensaio clínico de fase 3, a ultima antes de passar pela aprovação dos reguladores de medicamentos, e na qual será analisada a eficácia do medicamento em doentes com covid-19 internados.

“Este trabalho confirma tanto a poderosa actividade como o alto índice terapêutico da plitidepsina e que, pelo seu especial mecanismo de acção, inibe o SARS-CoV-2, independentemente de qual for sua mutação na sua proteína S, como as das variantes britânicas, sul-africanas, brasileira ou as novas variantes que surgiram recentemente na Dinamarca”, explica José María Fernández, presidente da PharmaMar, citado pelo jornal espanhol. “Estamos a trabalhar com as agências do medicamento para iniciar o teste de fase 3 que será realizado em vários países”, revelou.

Apesar dos resultados promissores deste estudo, especialistas independentes ouvidos pelo El País optam pela prudência e alertam que há ainda um longo caminho a percorrer.

“Estamos perante um estudo pré-clínico muito bom realizado por um grupo de investigadores muito confiável”, comentou Marcos López, presidente da Sociedade Espanhola de Imunologia. “Ainda há pela frente a parte dos ensaios clínicos em pacientes e esclarecer em que momento da infecção este medicamento poderá ser mais eficaz”, considerou.

Já a investigadora Elena Muñez, do hospital Puerta de Hierro, de Madrid, alerta que os resultados “são muito preliminares”. “Este tipo de dados pré-clínicos baseia-se em experiências com ratos totalmente controlados, situação muito diferente da realidade que vemos com doentes num hospital”, sublinha.

A virologista Isabel Sola, do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha, destaca o facto de se tratar de um “estudo muito promissor porque nos fornece um possível novo tratamento contra a infecção”.

Diário de Notícias
DN
26 Janeiro 2021 — 09:56

 

 

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366: Estudo: Extracto de algas é eficaz para combater o novo coronavírus

SAÚDE/CORONAVÍRUS

Investigadores norte-americanos procuraram criar um antivírus que sirva de isco para enganar e neutralizar o covid-19. E mostrou resultados melhores que o medicamento Remdesivir.

Um extracto de algas comestíveis demonstrou ser mais eficaz a inibir a infecção por SARS-CoV-2 em células de mamíferos do que o medicamento Remdesivir.

O antiviral habitualmente utilizado para combater a covid-19 e que a Comissão Europeia anunciou, esta quarta-feira, um investimento de 63 milhões de euro no Remdevisir para garantir o tratamento de cerca de 30 mil pacientes da União Euroeia que apresentam sintomas graves de covid-19.

O artigo, publicado pela Cell Discovery e citado pelo jornal espanhol ABC, analisou a actividade antiviral de três variantes da heparina anticoagulante e dois fucoidanos (RPI-27 e RPI-28) extraídos de algas marinhas. Os investigadores compararam a eficácia desses compostos em testes de laboratório com a do Remdesivir.

Esta investigação faz parte da estratégia do Centro de Biotecnologia e Estudos Interdisciplinares (CBIS) do Instituto Politécnico Rensselear, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, que estão a desenvolver um antivírus para combater a covid-19.

Sabe-se que a proteína spike na superfície do SARS-CoV-2 se liga ao receptor ACE-2, uma molécula na superfície das células humanas. Uma vez ancorado, o vírus insere o seu próprio material genético na célula para produzir réplicas do vírus.

Investigações anteriores mostraram que esta técnica funciona para capturar outros vírus, incluindo dengue, zika e gripe A.

“Estamos a aprender a travar a infecção viral; este é o conhecimento de que necessitamos se quisermos enfrentar rapidamente outras pandemias”, diz o investigador principal, Jonathan Dordick. “A verdade é que não temos grandes antivirais. Para nos protegermos contra futuras pandemias, precisaremos de um arsenal que possamos adaptar rapidamente aos vírus emergentes”, admitiu.

Os investigadores realizaram um estudo de resposta à dose conhecida como EC50, abreviatura da concentração efectiva do composto que inibe 50% da infecciosidade viral, com cada um dos cinco compostos nas células. Os resultados de um EC50, dados numa concentração molar, são um valor mais baixo que indica um composto mais potente.

De todos os compostos, o extracto de algas RPI-27 foi o mais potente: produziu um valor de EC50 de cerca de 83 nanomolar, enquanto o remdesivir, num trabalho anterior, produziu um EC50 de 770 nanomolar.

“O que nos interessa é encontrar uma nova maneira de travar a infecção”, explica Robert Linhardt. “Actualmente, acredita-se que a infecção por covid-19 começa no nariz e acreditamos que qualquer uma dessas substâncias possa ser a base de um spray nasal. Dessa forma, o tratamento precoce da infecção, ou mesmo antes da infecção, travaria o vírus antes de ele entrar no organismo”.

Diário de Notícias

DN