577: Comer menos carne leva a uma vida mais longa. O culpado é um gás tóxico fedorento

 

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

Shutterbug75 / Pixabay

Reduzir o consumo de carne força os tecidos a produzir sulfeto de hidrogénio, um gás que promove a saúde do nosso corpo e nos permite viver uma vida mais longa.

As dietas ricas em proteínas estão em alta. No entanto, há evidências de que restringir as proteínas que você ingere – particularmente cortar na carne – pode ser importante para um envelhecimento saudável. O motivo surpreendente: força os tecidos a produzirem sulfeto de hidrogénio (H2S), um gás que é venenoso se inalado e tem um cheiro fedorento, mas que promove a saúde do nosso corpo.

Este é um gás que ninguém quer. Cheira mal, é um componente da flatulência e a sua toxicidade foi associada a pelo menos uma extinção em massa.

Ainda assim, o corpo produz naturalmente pequenas quantidades dele como uma molécula de sinalização para agir como um mensageiro químico. Agora, cientistas começam a entender a associação entre dieta e produção de H2S.

Menos pode ser mais quando se trata de comida. Quando os cientistas colocam os organismos em dietas cuidadosamente equilibradas, mas restritas, esses organismos aumentam substancialmente o tempo de vida saudável.

Isto verifica-se em leveduras, moscas da fruta, vermes e macacos. Em ratos, essas dietas reduzem o risco de cancro, fortalecem o sistema imunitário e melhoram a função cognitiva.

Mas como o envelhecimento e a longevidade são processos complexos, é difícil para os investigadores identificar os mecanismos em funcionamento. Estudos recentes sugerem que é evidente que o H2S desempenha um papel crucial.

Estudos realizados desde a década de 1990 mostraram que a redução da ingestão de certos aminoácidos contendo enxofre, os blocos de construção das proteínas, pode aumentar a longevidade em ratos em cerca de 30%.

Mais recentemente, uma equipa de investigadores liderada por cientistas de Harvard realizou uma série de estudos em animais nos quais restringiram a ingestão de dois aminoácidos sulfurados – cisteína e metionina – para estudar quais os efeitos disso.

Isto fez com que os animais aumentassem a produção de H2S nos seus tecidos, o que desencadeou uma cascata de efeitos benéficos. Estes incluíam o aumento da geração de novos vasos sanguíneos, que promove a saúde cardiovascular, e melhor resistência ao stresse oxidativo no fígado, que está relacionado com a doença hepática.

No entanto, ainda não se sabe se efeitos semelhantes ocorreriam em humanos. No início deste ano, um estudo norte-americano, com dados de 11.576 adultos, apresentou evidências de que sim. Os cientistas descobriram que a redução da ingestão desses aminoácidos sulfurados está associada a factores de risco cardio-metabólico mais baixos, incluindo níveis mais baixos de colesterol e glicose no sangue. Os factores de risco cardio-metabólico são aqueles ligados a doenças cardíacas, AVC e diabetes.

Comer menos carne = vida mais longa?

O resultado deste estudo é que há boas evidências de que limitar a ingestão de alimentos contendo altos níveis de aminoácidos de enxofre pode reduzir o risco de doenças crónicas, como diabetes e doenças cardíacas, e promover o envelhecimento saudável.

Como estes aminoácidos sulfurados são abundantes em carnes, lacticínios e ovos, que ocupam um lugar de destaque nos nossos carrinhos de compras, comemos em média 2,5 vezes o que precisamos diariamente.

A carne vermelha é particularmente rica em aminoácidos de enxofre, mas carne branca e peixe também contêm muito. Mudar para proteínas vegetais ajudaria a reduzir esse consumo.

Feijões, lentilhas e leguminosas são boas fontes de proteína, que também são pobres em aminoácidos de enxofre. Mas cuidado: a proteína de soja, que é a base de alimentos como o tofu, é surpreendentemente rica em aminoácidos de enxofre. Enquanto isso, vegetais como os brócolos contêm muito enxofre, mas não na forma de aminoácidos.

Um aviso importante é que os aminoácidos sulfurados desempenham papéis vitais no crescimento, por isso, as crianças não devem adoptar dietas com baixo teor de enxofre.

Por ZAP
26 Janeiro, 2021

 

 

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236: Deco desaconselha compra de hambúrgueres já picados

A associação de defesa dos consumidores encontrou carne com “milhões de bactérias por grama”, demasiada gordura e sulfitos usados ilegalmente como conservantes.

Foto: Orlando Almeida/Global Imagens

A Deco Proteste apelou aos consumidores para que não comprem hambúrgueres já picados nos talhos, onde encontrou bactérias nocivas e aditivos alergénicos usados para fingir que a carne é fresca.

Num estudo publicado esta segunda-feira, a associação de defesa dos consumidores diz que identificou carne guardada a temperaturas demasiado altas, “milhões de bactérias por grama”, entre as quais a ‘salmonella’ e outras de origem fecal, demasiada gordura e sulfitos usados ilegalmente como conservantes.

“Desaconselhamos de todo a compra de carne previamente picada e de hambúrgueres frescos já preparados nos talhos”, disse à Agência Lusa o técnico Nuno Lima Dias, que defende que o Governo deve proibir a venda deste formato.

Para o estudo, a Deco foi a 25 talhos de Lisboa e Porto e pediu hambúrgueres de carne de vaca que não contivesse cereais ou vegetais, para que estivesse livre de sulfitos, mas mesmo assim encontrou este tipo de conservantes de forma “escondida e ilegal” em 80% das amostras, por vezes em “quantidades enormes”.

Os sulfitos podem provocar alergias, náuseas, dores de cabeça, problemas de pele, digestivos e respiratórios, alertou, acrescentando que a reacção alérgica pode, embora em casos muito raros, ser potencialmente mortal.

Os talhos estão fora da lei também por armazenarem a carne a temperaturas “muito superiores ao que a lei permite”, apontou, referindo que se recomenda que não excedam os dois graus centígrados, mas a média ronda os oito graus, chegando em alguns casos aos 14.

Nuno Lima Dias afirmou que “os consumidores estão desprotegidos” quando compram os hambúrgueres já picados, uma vez que não há maneira de detetar, olhando para a carne, se esta é de qualidade inferior, sobretudo quando se usam sulfitos, que evitam o escurecimento da carne.

Foram encontradas ainda bactérias como a ‘salmonella’ e E Coli, de origem fecal, que podem provocar infecções alimentares.

A Deco defende que se deve escolher a peça de carne no talho e pedir para a picar na hora, ou comprar e picar em casa.

Na preparação da carne, deve cozinhar-se bem o alimento e evitar que entre em contacto com outros que são consumidos crus.

“Nada passou do razoável, a grande maioria dos estabelecimentos chumbou”, disse Nuno Lima Dias.

TSF
Lusa
23 de JANEIRO de 2017 – 08:16

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