905: Parkinson, Cancro e Diabetes Tipo 2 têm uma causa em comum

SAÚDE/CANCRO/DIABETES/PARKINSON

Torsten Wittmann / Universidade da California
As mitocôndrias geram energia nas células

O papel da proteína Parkin no processo da mitofagia pode ser a chave no tratamento do Parkinson, cancro e diabetes tipo 2.

Há um elemento em comum que causa cancro, Parkinson e diabetes tipo 2: uma enzima. Quando as células estão sob stress, aciona-se uma proteína chamada Parkin que protege a mitocôndria, a parte da célula que gera energia.

Um estudo publicado este ano na Science Advances descobriu uma ligação entre o sensor do stress das células e a Parkin que está também associada à diabetes tipo 2 e ao cancro, o que pode abrir um caminho para tratar estas doenças.

O papel da Parkin é facilitar o processo da mitofagia, ou seja, desobstruir as mitocôndrias que tenham sido danificadas pelo stress celular para que novas as possam substituir. Quando se sofre de Parkinson, a proteína não é capaz de concluir a mitofagia.

Apesar de já se saber há algum tempo que a Parkin detecta o stress das mitocôndrias, ninguém sabia exactamente como este processo começava. A Parkin dirigia-se para as mitocôndrias depois dos danos, mas não se sabia qual era o sinal que a proteína recebia depois de chegar lá.

“As nossas descobertas representam de longe o passo mais inicial na resposta da Parkin que alguém já conseguiu encontrar até agora. Todos os outros eventos bioquímicos acontecem numa hora, nós encontramos algo que acontece em cinco minutos“, explica Reuben Shaw, professor e director do Centro de Cancro do Instituto de Salk e autor do estudo, à Sci Tech Daily.

“Descodificar este passo importante na forma como as células descartam mitocôndrias danificadas tem implicações em várias doenças”, acrescenta o investigador.

O laboratório de Reuben Shaw, conhecido pelos trabalhos sobre metabolismo e cancro, descobriu há 10 anos uma enzima, AMPK, que é altamente sensível a vários tipos de stress celular e que controla a autofagia ao activar uma outra enzima chamada ULK1.

Depois dessa descoberta, Shaw juntou-se à estudante Portia Lombardo para procurar proteínas relacionadas com a autofagia e directamente activadas pela ULK1 e ficaram surpreendidos quando a Parkin surgiu no topo da lista. Os processos bioquímicos envolvem normalmente muitos participantes, no entanto, a mitofagia é iniciada apenas com três, a AMPK, a ULK1 e a Parkin.

O novo estudo começa agora a explicar este primeiro passo importante na activação da proteína, que começa com um sinal da AMPK até à ULK1 e que depois ordena a Parkin para ir verificar a mitocôndria depois dos primeiros danos e removê-la completamente.

A AMPK é activada por uma proteína LKB1 que está associada a vários tipos de cancro e também por um medicamento para a diabetes tipo 2 chamado metformina. Doentes diabéticos que tomam metformina também têm menos risco de desenvolver cancro e este medicamento está também a ser estudado como uma opção para tratar o envelhecimento neuro-degenerativo.

“A grande conclusão para mim é que o metabolismo e as mudanças na saúde das mitocôndrias são fundamentais no cancro, na diabetes e nas doenças neuro-degenerativas. Isto porque os mecanismos gerais que sustentam a saúde das nossas células estão muito mais integrados do que alguém poderia ter imaginado“, conclui Reuben Shaw.

AP, ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2021

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837: Diabéticos não medicados sofrem casos mais graves de covid-19, conclui novo estudo

SAÚDE/DIABETES/COVID-19

Manny Hernandez / Flickr

Um novo estudo refere que os diabéticos não medicados têm sintomas mais graves de covid-19. Além disso, mostra o impacto económico da pandemia na saúde destes indivíduos, sendo que muitos tiveram de escolher entre comprar comida ou medicamentos.

Doentes hospitalizados com diabetes que não tenham estado a controlar os níveis de açúcar com medicação sofrem casos mais severos de covid-19, de acordo com um novo estudo apresentado na reunião anual da Associação Americana de Diabetes.

“Os nossos resultados mostram a importância de monitorizar e controlar a glucose no sangue de doentes com covid-19 hospitalizados desde início”, afirmou Sudip Bajpeyi, um dos autores do artigo e professor de cinesiologia na Universidade do Texas em El Paso, citado pela WebMD.

Quase um em cada cinco americanos diabéticos afirmaram que a crise financeira causada pela pandemia os obrigou a escolher entre comprar comida ou comprar medicamentos e equipamentos para controlar a diabetes, segundo o estudo.

40% das vítimas mortais de covid-19 nos EUA sofria de diabetes e uma em cada dez pessoas com diabetes que foram hospitalizadas morreram no prazo de uma semana.

O estudo usou registos hospitalares de 369 pacientes com covid-19 que foram tratados no Centro Hospitalar Universitário de El Paso. Foram depois organizados com base nos níveis A1C, uma medida que controla a quantidade de açúcar no sangue, e separados entre pre-diabéticos e diabéticos.

O grupo diabético registou a medicação que fazia na altura do internamento, tendo-se concluído que os pacientes não medicados tinham um risco significativamente maior de ter um caso mais grave de covid-19, tendo em conta os dados sobre a falência de órgãos relacionada com a sepse e sobre a duração da hospitalização.

Já os doentes que tinham a medicação em dia, de acordo com o estudo, tiveram complicações menos graves e ficaram menos tempo internados no hospital.

A amostra estudada era 89% hispânica e concluiu-se que a comunidade latina tem uma probabilidade de morrer de covid-19 2.4 vezes superior à da população branca. Os latinos têm também uma probabilidade de ter diabetes 50% superior aos brancos.

AP, ZAP //

Por ZAP
1 Julho, 2021

 

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735: Vacina contra diabetes apresenta resultados iniciais promissores

 

SAÚDE/DIABETES/VACINA

Daniel Castellano / SMCS

Uma vacina para a diabetes tipo 1 ajudou a preservar a produção natural de insulina do corpo, pelo menos num subconjunto de pacientes recém-diagnosticados.

Em pessoas que sofrem de diabetes tipo 1, o sistema imunológico do corpo ataca as células beta do pâncreas que produzem insulina, uma hormona necessária para que as células absorvam a glicose da corrente sanguínea. Para se manterem vivos, estes pacientes precisam de levar injecções de insulina durante toda a vida.

Neste estudo, os cientistas queriam testar se uma vacina poderia ser capaz de parar ou retardar a destruição das células beta produtoras de insulina.

Investigadores da Universidade de Linköping, na Suécia, desenvolveram uma vacina feita de ácido glutâmico descarboxilase (GAD), uma proteína ancorada na superfície das células beta contra a qual muitas pessoas com diabetes tipo 1 formam anticorpos.

De acordo com o Live Science, pessoas com genes de antígeno leucocitário humano (HLA) têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 1. Vários tipos de HLA aumentam o risco de doença, mas uma variante genética, conhecida como “HLA-DR3-DQ2“, expõe uma forma da proteína GAD (GAD65) ao sistema imunológico na superfície das células beta.

Este fenómeno activa o sistema imunológico para produzir anticorpos contra a proteína e direccionar as células beta para destruição.

Para averiguar se uma vacina que expõe o corpo a mais GAD ajuda o sistema imunológico a tolerar melhor o GAD65 natural do corpo, os cientistas recrutaram 109 pacientes, com idades entre 12 e 24 anos, diagnosticados com diabetes tipo 1 nos últimos seis meses.

Cerca de metade dos pacientes eram portadores da variante do gene HLA-DR3-DQ2.

A equipa dividiu os voluntários em dois grupos: metade dos participantes, designados aleatoriamente, receberam três injecções da vacina com um mês de intervalo, e a outra metade recebeu um placebo.

A investigação permitiu concluir que o subconjunto de pacientes que tinham a variante HLA-DR3-DQ2 não perdeu a produção de insulina tão rapidamente quanto os outros pacientes.

O artigo científico foi publicado a 21 de Maio na Diabetes Care.

ZAP ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2021

 

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592: Insulina pode ser armazenada em ambientes quentes

 

SAÚDE/DIABETES/INSULINA

Um frasco de insulina pode ser armazenado durante quatro semanas após a abertura, com temperaturas até aos 37 graus Celsius, sem perder eficácia, segundo um estudo divulgado esta terça-feira pela Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça.

A insulina aguenta ser armazenada em temperaturas altas
© Global Imagens

Este trabalho da equipa composta por especialistas da UNIGE e dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) contraria o protocolo farmacêutico em vigor, que exige que se respeite a cadeia de frio desde a produção até à injecção, e pode beneficiar, sobretudo, os doentes com diabetes que não tenham acesso a frigoríficos, como acontece com frequência na África subsariana.

“A diabetes requer uma forma diária de tratamento extremamente precisa, tendo os pacientes de se injectar com várias doses de insulina todos os dias, em conformidade com a sua dieta e actividade física”, sublinhou em comunicado a UNIGE, realçando que, quem tem diabetes e não tem frigorífico, necessita de se deslocar aos hospitais numa base diária.

Face a este problema, os peritos testaram o armazenamento de insulina em condições reais, com temperaturas entre os 25 e os 37 graus Celsius durante quatro semanas, o tempo que leva uma pessoa diabética a consumir um frasco de insulina.

As conclusões, publicadas no boletim científico Plos One, demonstram que a estabilidade da insulina armazenada nestas condições é igual à da insulina armazenada no frio, sem impacto na sua eficácia.

“Isto permite que as pessoas com diabetes tratem da sua doença sem ter que visitar um hospital várias vezes ao dia”, assinalou a UNIGE.

A diabetes tipo 1 é caracterizada por níveis elevados de açúcar no sangue, que podem ter consequências extremamente graves (coma, cegueira, amputação ou até morte), e, apesar de actualmente ser possível tratar desta doença, são necessárias injecções diárias de insulina, que ajuda o açúcar a entrar nas células do corpo.

“O protocolo farmacêutico actual exige que os frascos de insulina sejam armazenados entre 2 e 8 graus Celsius até que sejam abertos, após o que a maioria da insulina humana pode ser armazenada a 25 graus Celsius por 4 semanas”, especificou Philippa Boulle, consultora de doenças não transmissíveis dos MSF.

A especialista exemplificou que “este é obviamente um problema em campos de refugiados com temperaturas mais altas do que esta, onde as famílias não têm frigoríficos”, revelando que os MSF recorreram à equipa liderada pelo professor Leonardo Scapozza, da UNIGE, para uma análise detalhada das condições de temperatura sob as quais a insulina pode ser guardada sem uma redução da sua eficácia.

Depois de ser medido que, no campo de refugiados Dagahaley, no Quénia, a temperatura dentro de casa flutua entre os 25 graus Celsius à noite e os 37 graus Celsius durante o dia, os cientistas reproduziram estas condições em laboratório, testando os efeitos sobre a insulina, isto, enquanto as comparavam com frascos mantidos no frio.

“O risco é que a insulina, uma proteína, precipite sob a influência do calor. Noutras palavras, ela começaria a formar ‘flocos’. Como já não estaria em solução, não poderia ser injectada”, frisou Leonardo Scapozza, professor na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNIGE.

Porém, os resultados demonstraram que não há diferença entre os dois métodos de armazenamento, já que a insulina guardada sob temperaturas elevadas registou uma perda potencial de cerca de 1% face à armazenada no frio durante as mesmas quatro semanas.

“A regulação sobre medicamentos farmacêuticos permite uma perda de até 5%, por isso, estamos bem abaixo desse nível”, vincou o professor Scapozza.

Por seu turno, Philippa Boule (MSF), considerou que “estes resultados servem de base para mudar as práticas de gestão da diabetes em cenários de baixos recursos, uma vez que os pacientes já não vão precisar de ir todos os dias ao hospital receber as suas injecções de insulina”, aumentado a qualidade de vida de milhares de pessoas em diferentes regiões do mundo.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Fevereiro 2021 — 20:32

 

 

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558: Pessoas com diabetes tipo 1 baixaram os níveis de glicose durante o confinamento

 

SAÚDE/DIABETES/CONFINAMENTO

v1ctor Casale / Flickr

De acordo com um novo estudo, de uma forma geral, os níveis de glicose no sangue melhoraram durante o confinamento, sobretudo em pessoas que vivem com diabetes tipo 1.

Louis Potier e a sua equipa conduziram uma pesquisa observacional a partir de um questionário auto-relatado sobre mudanças comportamentais e informações glicémicas da monitorização de glicose durante o confinamento. O estudo foi publicado no Diabetes Care em Novembro de 2020.

Segundo o Medical Xpress, a análise foi feita em 1378 indivíduos que vivem com diabetes tipo 1, e foi registada uma mudança no nível médio de glicose dois meses antes e um mês depois do confinamento, que se deveu à pandemia de de covid-19.

Os investigadores concluíram que os participantes apresentaram níveis de glicose mais baixos durante esse período.

A redução do consumo de álcool, o facto das pessoas praticarem algum exercício em casa, um aumento na frequência de exames e uma percepção mais fácil de controlo da diabetes foram factores associados a esta melhoria.

“O nosso estudo sugere que, embora o confinamento tenha sido um momento de grande ansiedade para muitas pessoas com diabetes tipo 1, também foi uma oportunidade de fazer mudanças comportamentais positivas“, escrevem os autores.

“A persistência das pessoas após o alívio do restrições também deve ser estudada”, sugere a equipa de pesquisa.

Por Ana Moura
6 Janeiro, 2021

 

 

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537: Terapia com testosterona pode reduzir o risco de diabetes em homens

 

CIÊNCIA/SAÚDE/DIABETES

Algumas pesquisas estabeleceram uma relação entre os baixos níveis de testosterona e o aumento da incidência de diabetes tipo 2. Uma equipa descobriu agora que injecções regulares da hormona masculina, podem reduzir o risco de desenvolver a doença.

À medida que os homens envelhecem também passam por um declínio natural e gradual da testosterona. Os baixos níveis de testosterona em homens, conhecidos como hipogonadismo masculino ou síndrome de deficiência de testosterona, podem levar a vários problemas para a saúde, como diminuição da função sexual, depressão e decréscimo da massa muscular e óssea.

Vários estudos, têm vindo a indicar que níveis mais altos de testosterona podem reduzir o risco de diabetes em homens.

Uma vez que cerca de um terço dos homens com diabetes tipo 2 sofre de hipogonadismo, os especialistas começaram a explorar de que forma uma terapia com testosterona poderia reduzir o risco.

Um novo estudo liderado pela University of Adelaide da Austrália, e publicado no jornal The Lancet, é considerado o maior já realizado sobre este assunto pois envolveu mais de 1000 homens entre 50 e 74 anos que estavam acima do peso.

Esses indivíduos foram divididos em dois grupos, um dos grupos recebeu injecções de testosterona a cada três meses, e ao outro foi administrado placebo. Ainda assim, todos tiveram acesso a um programa de estilo de vida, sendo que 30% dos homens de ambos os grupos participaram nas reuniões e 70% alcançou a quantidade recomendada de exercícios.

Durante o estudo de dois anos, os homens de ambos os grupos perderam uma média de cerca de 4 kg, enquanto o efeito colateral adverso mais comum da terapia com testosterona foi um aumento nos glóbulos vermelhos.

Ao fim de dois anos, 21% dos homens no grupo que recebeu placebo tinha diabetes tipo 2, enquanto apenas 12% dos homens no grupo que recebeu injecções de testosterona desenvolveram a doença. Este grupo também exibiu uma maior diminuição nos níveis de açúcar no sangue em jejum, pequenas melhorias na função sexual e um aumento na massa muscular.

As descobertas do estudo são importantes quando se trata de compreender o papel que a testosterona pode desempenhar no risco de desenvolver diabetes tipo 2, mas estão longe do que pode constituir uma solução mágica para a doença, destaca o New Atlas.

Gary Wittert, autor do estudo, alerta que a descoberta não significa que “já se pode ir a correr comer doces”. O especialista destaca que a melhor forma de combater ou prevenir a doença é optar por um estilo de vida saudável.

“Não sabemos a durabilidade do efeito ou a segurança a longo prazo da testosterona para prevenir o diabetes tipo 2”, diz o autor.

Wittert realça que “o tratamento com testosterona pode ser uma opção para alguns homens, mas todas as pessoas precisam de uma avaliação completa a nível de saúde física e mental”.

Por Ana Moura
19 Dezembro, 2020

 

 

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