637: Cientistas alertam: A difteria pode tornar-se uma “ameaça global à saúde” novamente

 

 

SAÚDE/DIFTERIA

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Uma equipa internacional de investigadores do Reino Unido e da Índia alertou que a difteria – uma infecção de prevenção relativamente fácil – está a evoluir para se tornar resistente a uma série de classes de antibióticos e, no futuro, pode conseguir escapar à vacina.

A equipa de cientistas, liderada por investigadores da Universidade de Cambridge, defende que o impacto da covid-19 nos esquemas de vacinação contra a difteria, juntamente com um aumento no número de infecções, está a colocar a doença em risco de se tornar novamente uma grande ameaça global.

A difteria é uma infecção altamente contagiosa que pode afectar o nariz e a garganta e, às vezes, a pele. Se não for tratada, pode ser fatal.

Causada principalmente pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, é transmitida principalmente por tosse e espirros ou pelo contacto próximo com alguém infectado.

Na maioria dos casos, a bactéria causa infecções agudas, impulsionadas pela toxina da difteria – o principal alvo da vacina. No entanto, a C. diphtheria não toxigénica também pode causar doenças, geralmente na forma de infecções sistémicas.

Os sintomas começam a manifestar-se de forma gradual, começando com inflamação da garganta e febre. Em casos graves, desenvolve-se na garganta uma membrana característica branca ou cinzenta, que está na origem da tosse e que pode impedir a passagem de ar. O pescoço também pode ficar inchado devido ao aumento de volume dos gânglios linfáticos.

No Reino Unido e noutros países com altos rendimentos, os bebés são vacinados contra a infecção. No entanto, em países mais pobres, a doença ainda pode causar infecções esporádicas ou surtos em comunidades não vacinadas ou parcialmente vacinadas.

O número de casos de difteria notificados globalmente tem aumentado gradualmente. Em 2018, havia 16.651 casos notificados, mais do dobro da média anual para 1996-2017 (8.105 casos).

A equipa internacional de cientistas usou o genoma para mapear infecções, incluindo um subconjunto da Índia, onde ocorreram mais da metade dos casos relatados em 2018.

Ao analisar os genomas de 61 bactérias isoladas de pacientes e ao combiná-los com 441 genomas disponíveis publicamente, os investigadores construiram uma árvore filo-genética – uma “árvore genealógica” genética – para ver como as infecções estão relacionadas e entender como se espalham.

Além disso, usaram as informações para avaliar a presença de genes de resistência anti-microbiana (AMR) e avaliar a variação da toxina. 

Os cientistas encontraram, então, aglomerados de bactérias geneticamente semelhantes isoladas de vários continentes, geralmente na Ásia e na Europa. Isso indica que C. diphtheriae foi estabelecido na população humana durante, pelo menos, mais de um século, espalhando-se por todo o mundo à medida que as populações migraram.

O principal componente causador de doenças de C. diphtheriae é a toxina da difteria, que é codificada pelo gene TOX. É esse componente o alvo das vacinas. No total, os investigadores encontraram 18 variantes diferentes do gene TOX, das quais várias tinham o potencial de alterar a estrutura da toxina.

Microrao
Corynebacterium diphtheriae

“A vacina contra a difteria é projectada para neutralizar a toxina, portanto, quaisquer variantes genéticas que alterem a estrutura da toxina podem ter um impacto sobre a eficácia da vacina. Embora os nossos dados não sugiram que a vacina usada actualmente será ineficaz, o facto de estarmos a ver uma diversidade cada vez maior de variantes de toxidade sugere que a vacina e os tratamentos que visam a toxina precisam de ser avaliados regularmente”, alertou Gordon Dougan, do Instituto de Imunologia Terapêutica e Doenças Infecciosas de Cambridge (CITIID), em comunicado.

As infecções por difteria podem ser tratadas com várias classes de antibióticos, embora já tenha sido relatada C. diphtheriae resistente a antibióticos. A extensão dessa resistência permanece amplamente desconhecida.

Quando a equipa procurou genes que pudessem conferir algum grau de resistência aos antibióticos, descobriu que o número médio de genes AMR (resistência antibiótica) por genoma aumentava a cada década.

Os genomas de bactérias isoladas de infecções na década mais recente (2010-19) mostraram o maior número médio de genes AMR por genoma, quase quatro vezes mais em média do que na década anterior (1990).

“O genoma de C. diphtheriae é complexo e incrivelmente diverso. Está a adquirir resistência a antibióticos que nem são usados ​​clinicamente no tratamento da difteria. Deve haver outros factores em jogo, como infecção assintomática e exposição a uma infinidade de antibióticos destinados ao tratamento de outras doenças”, explicou Robert Will, estudante de doutoramento no CITIID.

Eritromicina e penicilina são os antibióticos tradicionalmente recomendados para o tratamento de casos confirmados de difteria em estágio inicial, embora existam várias classes diferentes de antibióticos disponíveis para tratar a infecção.

A equipa identificou variantes resistentes a seis dessas classes na década de 2010, maior do que em qualquer outra década.

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Os cientistas consideram que a covid-19 teve um impacto negativo nos calendários de vacinação infantil em todo o mundo e chegou num momento em que o número de casos relatados está a aumentar, sendo 2018 o ano que apresentou a maior incidência nos últimos 22 anos.

“É mais importante do que nunca que entendamos como a difteria está a evoluir e a espalhar-se. O sequenciamento do genoma dá-nos uma ferramenta poderosa para observar isto em tempo real, permitindo que as agências de saúde pública ajam antes que seja tarde demais”, disse Ankur Mutreja, do CITIID.

“Corremos o risco de [a difteria] se tornar uma grande ameaça global novamente, potencialmente numa forma modificada e melhor adaptada”, acrescentou.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Nature Communications.

Por Maria Campos
16 Março, 2021

 

 

 

541: Covid-19: 109 concelhos de Portugal continental no nível de risco extremo e muito elevado de contágio

 

 

SAÚDE/COVID-19/CONTÁGIOS

Lisboa, 23 dez 2020 (Lusa) – Cento e nove concelhos de Portugal continental estão nos níveis de risco muito elevado e extremo de contágio pelo novo coronavírus, menos seis do que no início do mês.

109 concelhos de Portugal continental no nível de risco extremo e muito elevado de contágio

A nova lista que divide os municípios entre os níveis moderado, elevado, muito elevado e extremo de contágio foi divulgada pelo Governo na semana passada, mas apenas produzirá efeito a partir das 00:00 de quinta-feira, quando entrar em vigor o novo estado de emergência, que se prolonga até às 23:59 de 07 de Janeiro.

Ou seja, as restrições aplicadas devido à pandemia de covid-19 em cada um dos concelhos, mesmo que tenham subido ou descido de nível, apenas começam a ser aplicadas na quinta-feira.

Segundo a nova lista de níveis de risco, existem agora 30 concelhos em risco extremo de contágio, menos cinco do que em 02 de Dezembro, e 79 em risco muito elevado, mais um do que no início do mês.

O número de concelhos considerados de risco elevado permanece inalterado, 92, enquanto os municípios de risco moderado são agora 77, mais quatro do que no princípio do mês.

A Área Metropolitana de Lisboa, composta por 18 municípios, tem cinco concelhos no nível muito elevado: Almada, Barreiro, Lisboa, Moita e Montijo.

No início do mês, Almada, Barreiro e Lisboa já estavam neste nível, mas a Moita e o Montijo subiram de risco elevado para muito elevado.

No nível elevado estão 13 concelhos, tendo Loures descido do nível muito elevado. São eles Alcochete, Amadora, Cascais, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

Na Área Metropolitana do Porto, pela primeira vez desde o início da divisão por níveis de risco, um concelho saiu dos níveis de maior risco: Vale de Cambra, que era considerado concelho de risco muito elevado de contágio, passou para o nível de risco elevado.

No nível de risco extremo estão quatro concelhos, metade dos que estavam no dia 02 de Dezembro. Oliveira de Azeméis subiu de risco muito elevado para extremo e Póvoa de Varzim, Trofa e Vila do Conde permanecem no mesmo nível.

Os restantes 12 concelhos da Área Metropolitana do Porto estão no nível de risco muito elevado: Arouca, Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Paredes, Porto, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, São João da Madeira, Valongo e Vila Nova de Gaia.

Espinho, Paredes, Santa Maria de Feira, Santo Tirso e São João da Madeira foram os concelhos que desceram de risco extremo para muito elevado nas últimas duas semanas.

Em Novembro, o executivo dividiu os 278 municípios do continente em quatro grupos, consoante o nível de risco de transmissão – moderado, elevado (entre 240 e 480 casos por 100 mil habitantes), muito elevado (entre 480 e 960) e extremamente elevado (mais de 960). As listas podem ser consultadas em www.covid19estamoson.gov.pt.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.718.209 mortos resultantes de mais de 77,9 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 6.343 pessoas dos 383.258 casos de infecção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direcção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Diário de Notícias
Lusa
23 Dezembro 2020 — 17:54

 

 

 

515: Há duas razões que podem explicar como algumas pessoas transmitem covid-19 mais facilmente

 

 

SAÚDE/COVID-19/CONTAMINAÇÃO

Os “super-espalhadores” são um dos grandes problemas da expansão da pandemia de covid-19. Vários estudos mostraram que a maioria das pessoas com o vírus não transmite a infecção a muitas pessoas, mas em casos extremos, um único infectado pode espalhar o vírus por dezenas de pessoas.

Num novo estudo, investigadores da University of Central Florida identificaram algumas características que parecem tornar as pessoas mais propensas a ser um “super-espalhador” de infecções virais, como é o caso da covid-19.

Conforme é relatado no estudo publicado em Novembro na revista Physics of Fluids, a equipa usou um processo de modelagem 3D e simulações de computador para mostrar que os espirros de pessoas que têm o nariz obstruído e uma dentição completa viajam cerca de 60% para mais longe do que aqueles que não têm.

(a) passagem nasal aberta com dentes, (b) passagem nasal aberta sem dentes, (c) passagem nasal bloqueada sem dentes e (d) passagem nasal bloqueada com dentes

Os especialistas explicam que esta hipótese sugere que algumas pessoas parecem transmitir infecções respiratórias mais rapidamente do que outras.

“O corpo humano tem influenciadores, como um sistema associado ao fluxo nasal que interrompe o jacto da boca e impede que este se espalhe por longas distâncias”, explica em comunicado, Michael Kinzel, co-autor do estudo.

Segundo o cientista, também “os dentes criam um efeito de estreitamento no jacto o que o torna mais forte e turbulento. Os dentes parecem conduzir a transmissão, por isso se estivermos perante alguém sem dentes, podemos esperar um jacto mais fraco do espirro deles”.

De acordo com o novo estudo, estes dois factores parece ser cruciais no momento de espalhar o vírus em reuniões onde estão presentes várias pessoas.

Contudo, avança o ISL Science, outras pesquisas – algumas realizadas antes do surgimento da covid-19 – reflectiram sobre o que torna certas pessoas mais infecciosas do que outras.

No início de 2019, um estudo publicado na Scientific Reports sugeriu que falar alto pode ser um factor. As experiências da pesquisa mostraram que quanto mais alto uma pessoa fala, mais saliva, muco e aerossóis são expelidos da boca. No entanto, os estudos também descobriram que algumas pessoas produzem mais aerossóis do que outras, mesmo quando falam no mesmo volume.

Uma outra pesquisa indica que algumas pessoas infectadas podem ter uma carga viral mais alta nos seus corpos e por isso libertam mais o vírus. Isto significa que a saliva e os aerossóis provavelmente contêm uma concentração maior de partículas virais, tornando essa pessoa mais infecciosa.

O ambiente circundante também é um factor importante na criação de um momento que o vírus é espalhado por várias pessoas. O estudo indica que uma sala abafada e mal ventilada é um local mais perigoso do que um lugar ao ar livre onde todos mantêm uma distância de pelo menos 2 metros e usam máscara facial.

Ambientes com luz ultravioleta mais forte, temperaturas mais elevadas e níveis mais altos de humidade também são conhecidos por reduzir a taxa de sobrevivência do vírus covid-19 no ar e nas superfícies, reduzindo o risco de disseminação da infecção.

ZAP //

Por ZAP
28 Novembro, 2020

 

 

446: Conjuntivite pode ser um dos primeiros sinais de covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/CONJUNTIVITE

De acordo com os cientistas, um em cada dez doentes internados pode desenvolver conjuntivite relacionada com o novo coronavírus durante alguns dos estádios da infecção.

© EPA/Peter Komka

A conjuntivite pode ser o primeiro sintoma da infecção pelo novo coronavírus, segundo aponta um estudo realizado por oftalmologistas do Hospital Clínico San Carlos de Madrid, que avaliaram a prevalência e as características clínicas da doença.

O estudo foi elaborado a partir dos sintomas de 301 pacientes internados na clínica, com uma média de idade de 72 anos e é o primeiro do país a descrever a conjuntivite como um dos primeiros sinais da doença num grupo significativo de doentes, afirma a instituição em comunicado citado pelo jornal ABC.

O estudo indica uma prevalência de conjuntivite em 11,6% dos doentes hospitalizados com covid-19.

De acordo com os cientistas, um em cada dez doentes internados pode desenvolver conjuntivite relacionada com o novo coronavírus durante alguns dos estádios da infecção.

Os resultados podem ajudar outros médicos a fazer um diagnóstico precoce da doença, de acordo com os autores do estudo, que explicam que a conjuntivite associada ao covid-19 pode ocorrer em um ou ambos os olhos.

Os sintomas são olhos vermelhos acompanhados de lacrimejar ou leve secreção.

A conjuntivite cura-se espontaneamente em dois ou quatro dias e, até ao momento, não foram identificadas sequelas visuais ou complicações graves associadas.

Os autores do estudo consideram que a actual prevalência de conjuntivite entre os doentes infectados com covid-19 pode estar subestimada, fato que pode ser explicado por serem casos leves ou muito leves, porque os doentes não terem conhecimento que sofrem da doença e também pelo desconhecimento do que poderia significar esta sintomatologia, especialmente no início da pandemia.

Diário de Notícias
DN
01 Outubro 2020 — 19:37

 

 

419: Covid-19. Mais 884 casos e oito mortes

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Nas últimas 24 horas Portugal registou mais 884 casos de pessoas infectadas pela covid-19.

© Paulo Spranger/Global Imagens

Portugal registou, nas últimas 24 horas, mais 884 novos casos de covid-19 e mais 8 mortes, segundo os dados do boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), divulgado este sábado (26 de Setembro). Desde que a pandemia começou no país, em Março, foram confirmados 72 939 casos positivos da doença e 1944 óbitos.

O número de internamentos registou nas últimas 24 horas uma diminuição. São agora 615 os doentes hospitalizados (menos nove do que ontem), dos quais 85 estão em unidades de cuidados intensivos (menos um).

Segundo o relatório da Direcção-Geral de Saúde 377 pessoas recuperaram nas últimas 24 horas, o que eleva para 47 380 o número de doentes que recuperaram.

Os óbitos registaram-se nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (6), Norte (1) e Centro (1).

Lisboa e Vale do Tejo foi a zona com mais novos casos (472, num total de 37 376), seguindo-se o Norte (292, 26 161), Centro (62, 5947), Algarve (mais 30 casos, 1543) e o Alentejo tem agora mais 20 casos (1432 no total acumulado desde Março).

Os Açores reportaram mais cinco casos e a Madeira três.

Diário de Notícias
DN
26 Setembro 2020 — 14:27

 

 

411: Detectado factor climático determinante para a propagação do coronavírus

 

 

SAÚDE/COVID-19/CLIMA

Rovena Rosa / ABr

Altas temperaturas combinadas com baixa humidade propiciam que as gotículas contaminadas com o novo coronavírus evaporem mais rapidamente, reduzindo a sua capacidade de infectar pessoas.

De acordo com os cientistas, citados pelo canal estatal russo RT, a velocidade a que as gotículas de saliva se evaporam, determinada pela temperatura e humidade relativa da atmosfera, é um factor chave no ritmo de proliferação da covid-19.

Através de um modelo informático, a equipa descobriu que “as altas temperaturas e a baixa humidade provocam altas taxas de evaporação das gotículas de saliva contaminadas, o que reduz significativamente a viabilidade do vírus”, afirma Talib Dbouk, um dos autores do estudo publicado, esta terça-feira, na revista científica Physics of Fluids.

Além disso, os investigadores examinaram a influência da velocidade do vento na propagação do vírus, tendo descoberto que a nuvem de gotículas contaminadas mantém a sua forma esférica tanto com ventos de 10 metros por segundo como de 15 metros por segundo. Portanto, o distanciamento social deve ser respeitado não só na direcção do vento, mas também na direcção perpendicular a ele, acrescentam os cientistas.

“Estas descobertas devem ser tidas em conta devido à possibilidade de uma segunda vaga no outono e no inverno, quando as baixas temperaturas e as altas velocidades do vento aumentarão a sobrevivência e a transmissão do vírus no ar”, afirma a equipa.

A pandemia do novo coronavírus já infectou mais de 31 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo mais de cinco milhões na Europa, segundo um recente balanço da agência AFP.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2020