594: Bactérias foram apanhadas a mudar de forma para evitar antibióticos

 

SAÚDE/BIOFÍSICA

(dr) Shiladitya Banerjee
A forma da bactéria Caulobacter crescentus antes (acima) e depois (abaixo) da exposição ao antibiótico

Cientistas notaram que as bactérias têm uma estratégia extremamente simples (e preocupante) para evitar os antibióticos no corpo humano: mudar de forma.

De acordo com o site Science Alert, em 2019, um grupo de cientistas já tinha chegado a uma conclusão semelhante, notando que as bactérias estavam a perder toda a sua parede celular para se contorcer e escapar aos medicamentos.

Nesta pesquisa mais recente, investigadores da Universidade Carnegie Mellon, da Universidade College London e da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos e em Inglaterra, descobriram que a parede celular permaneceu intacta, mas se esticou dramaticamente para formar uma nova forma de C.

Mas como é que chegaram a esta conclusão? Os investigadores pegaram na bactéria Caulobacter crescentus, geralmente encontrada em lagos de água doce e em riachos, e adicionaram-lhe uma pequena quantidade do antibiótico cloranfenicol para ver a sua reacção.

A quantidade de antibiótico não foi suficiente para matar a maioria das bactérias, mas fez diminuir a sua taxa de crescimento. Porém, após cerca de dez gerações de baixa exposição a antibióticos, a C. crescentus começou a mudar fisicamente: expandindo-se e curvando-se em forma de C. E isto foi suficiente para que a taxa de crescimento bacteriano aumentasse para níveis quase pré-cloranfenicol.

“Demonstrámos que as mudanças na forma das células agem como uma estratégia de feedback para tornar as bactérias mais adaptáveis aos antibióticos. Estas mudanças de forma permitem-lhes superar o stress dos antibióticos e retomar um rápido crescimento”, disse Shiladitya Banerjee, biofísico da Universidade Carnegie Mellon e o autor principal do estudo publicado, a 4 de Janeiro, na revista científica Nature Physics.

Quando o antibiótico foi removido, a bactéria regressou à sua forma original depois de várias gerações. A equipa acredita que o aumento da largura da célula (e, portanto, do seu volume) ajuda a diluir a quantidade de antibióticos dentro da bactéria, enquanto a curva e a largura da célula podem diminuir a relação entre superfície e volume, permitindo que uma menor quantidade de antibiótico atravesse a superfície da célula.

ZAP ZAP //

Por ZAP
5 Fevereiro, 2021

 

 

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504: Mais três casos de legionella. Desligadas torres de refrigeração de duas empresas, uma delas é a LongaVida

 

SAÚDE/LEGIONELLA/SURTO

“Cumprindo as indicações da autoridade de saúde e na sua presença, a título preventivo, a LongaVida desligou de imediato as suas torres de refrigeração”, avançou a empresa situada em Matosinhos. Há já 85 pessoas que contraíram a doença.

Matosinhos, 18/11/2020- Fábrica da Longa Vida em Perafita, Matosinhos.
(Pedro Correia/Global Imagens)

A empresa de produtos lácteos LongaVida, em Matosinhos, adiantou esta quarta-feira (18) ter desligado as suas torres de refrigeração “a título preventivo” devido ao surto de legionella na região do Grande Porto que já afectou 85 pessoas.

“Cumprindo as indicações da autoridade de saúde e na sua presença, a título preventivo, a LongaVida desligou de imediato as suas torres de refrigeração”, avançou, em comunicado.

O surto de ‘legionella’ que está a afectar a região do Grande Porto registou esta quarta-feira mais três casos, que deram entrada no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, confirmou fonte da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte).

Com estes novos casos, sobe para 85 o número de pessoas que contraíram a doença, desde 29 de Outubro, nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, sendo que nove morreram com complicações associadas e 20 continuam internadas em três hospitais do distrito do Porto.

A empresa LongaVida efectua todos os controles exigidos por lei às suas torres de refrigeração, estando a acompanhar de perto o surto em colaboração com as autoridades que se encontram a realizar inspecções nesta área geográfica.

Referindo que “quaisquer informações” sobre este tema deverão ser prestadas pelas autoridades competentes, a empresa espera que a situação possa ser “rapidamente” esclarecida.

“Para a LongaVida a segurança das suas pessoas e das suas operações é uma prioridade não negociável”, vincou.

A origem do surto ainda não foi descoberta, mas a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte divulgou, na terça-feira, que, “como medida cautelar, a Autoridade de Saúde de Matosinhos procedeu à suspensão do funcionamento das torres de refrigeração de duas indústrias, localizadas no concelho de Matosinhos“, embora sem especificar quais.

Sem uma explicação concreta para a dispersão geográfica do surto, a ARS-Norte avançou que a mesma “é compatível com uma eventual fonte ambiental sujeita aos efeitos das alterações climáticas da depressão Bárbara”.

Câmara de Matosinhos acompanha com “preocupação o desenvolvimento do surto”

Hoje, a Câmara Municipal de Matosinhos, numa reacção à suspensão das torres de refrigeração de duas fábricas do concelho, disse estar a “acompanhar de perto e com preocupação o desenvolvimento do surto”.

Independentemente do concelho onde se situem estas instalações, o importante é que o foco tenha sido identificado e que esta situação possa, em breve, ser ultrapassada. A autarquia tem disponíveis todos os meios necessários para actuar, caso estes sejam solicitados pelas entidades de saúde responsáveis pela gestão do caso”, garantiu a Câmara de Matosinhos, em comunicado.

Na semana passada, o Ministério Público anunciou a abertura de um inquérito para investigar as causas do surto.

A doença do legionário, provocada pela bactéria ‘Legionella pneumophila’, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Novembro 2020 — 19:31

 

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362: A Salmonella encontrou uma forma de evitar ser lavada das nossas saladas

SAÚDE/MICROBIOLOGIA

Marcia Coimbra / Flickr

Algumas estirpes de bactérias Salmonella encontraram uma forma de fugir às defesas das plantas e de se infiltrar nas suas folhas: uma estratégia que é eficaz o suficiente para protegê-las quando estas são lavadas para consumo.

De acordo com o site Science Alert, esta estratégia acontece através dos estômatos, pequenos orifícios nas folhas das plantas que abrem e fecham naturalmente para permitir que estas arrefeçam e respirem.

A equipa de cientistas responsável pelo estudo, publicado na revista científica Frontiers in Microbiology, passou por um processo minuciosamente detalhado para estudar como os estômatos dos espinafres e da alface respondiam aos patógenos da Salmonella, Listeria e Escherichia coli, os quais podem infectar as plantas sem deixar vestígios.

Foi assim que o método de ataque da Salmonella foi descoberto, e isso tem implicações em como a nossa comida pode ser protegida no futuro – tanto no cultivo como no processamento para venda e alimentação.

“A novidade é como as bactérias não hospedeiras estão a evoluir para contornar a resposta imunitária das plantas. São realmente oportunistas. Quando vemos estas interacções incomuns, é aí que começa a ficar complexo”, declarou o biólogo Harsh Bais, da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos.

“Agora, temos um patógeno humano a tentar fazer o que os patógenos vegetais fazem. E isso é assustador“, acrescenta.

A lavagem e até tratamentos químicos não conseguem limpar as bactérias que já chegaram às folhas de uma planta. Quando se trata de agricultura vertical, as infecções podem espalhar-se facilmente pelos sistemas de água e pelo toque humano.

Porém, há esperança – e se entendermos melhor as ameaças, podemos protegê-las melhor. Controles biológicos e rígidos controles de segurança para sistemas de irrigação e limpeza podem ser adaptados para manter os nossos alimentos em segurança, destaca a equipa.

ZAP //

Por ZAP
22 Julho, 2020

 


 

351: Uso frequente de desinfectante de mãos pode aumentar a resistência antimicrobiana

 

SAÚDE/CORONAVÍRUS

agenciasenado / Flickr

Melhores práticas de higiene pessoal são fundamentais para evitar a disseminação do novo coronavírus. No entanto, o uso excessivo de desinfectante para as mãos pode trazer consequências.

Desde o início da pandemia de coronavírus, cientistas e governos têm aconselhado as pessoas sobre as melhores práticas de higiene para se protegerem. Esse conselho levou a um aumento significativo na venda e no uso de produtos de limpeza e desinfectantes para as mãos. Infelizmente, estas instruções raramente vêm com conselhos sobre como usá-los com responsabilidade ou sobre as consequências do uso indevido.

Mas, tal como no uso indevido de antibióticos, o uso excessivo de produtos de limpeza e desinfectantes para as mãos pode levar à resistência anti-microbiana das bactérias.

Há uma preocupação de que o uso repentino e excessivo destes produtos durante a pandemia possa levar a um aumento no número de espécies bacterianas resistentes que encontramos. Isto colocaria uma pressão maior nos nossos sistemas de saúde já em dificuldades, potencialmente levando a mais mortes. Além disso, o problema pode continuar muito depois de a pandemia actual terminar.

Anti-microbianos são importantes para a nossa saúde, já que nos ajudam a combater infecções. No entanto, alguns organismos podem mudar ou sofrer mutações após serem expostos a um anti-microbiano. Isto torna-os capazes de suportar os medicamentos projectados para matá-los.

Os processos que levam à resistência anti-microbiana são muitos e variados. Uma via é através da mutação. Algumas mutações ocorrem após o ADN da bactéria ter sido danificado. Isto pode acontecer naturalmente durante a replicação celular ou após a exposição a produtos químicos tóxicos, que danificam o ADN da célula. Outra via é se a bactéria adquire genes resistentes de outra bactéria.

Geralmente (e correctamente) associamos a resistência anti-microbiana ao uso indevido de medicamentos, como antibióticos. Isto pode aumentar a probabilidade das cepas de bactérias mais resistentes numa população sobreviverem e multiplicarem-se.

Mas as bactérias também podem adquirir resistência após o uso inadequado ou excessivo de certos produtos químicos, incluindo agentes de limpeza. Diluir agentes desinfectantes ou usá-los de forma intermitente e ineficiente pode oferecer uma vantagem de sobrevivência para as cepas mais resistentes. Em última análise, isto leva a uma maior resistência.

Os “especialistas” da Internet e das redes sociais oferecem conselhos sobre como fazer desinfectantes caseiros para as mãos que, segundo eles, podem matar o vírus. Para a maioria destes produtos, não há evidências de que sejam eficazes. Também não há consideração sobre possíveis efeitos adversos do seu uso.

Por ZAP
21 Abril, 2020

 

 

305: Ressuscitada a bactéria da cólera que matou um soldado da I Guerra Mundial

State Library of South Australia / Flickr

As bactérias que provocaram um quadro grave de diarreia num soldado do Império Britânico na I Guerra Mundial acabam de voltar à vida.

Um grupo de cientistas britânicos ressuscitou-as e cultivou-as. O sequenciamento do seu genoma mostra que as bactérias que fizeram o militar ficar doente é diferente daquelas que causaram as últimas pandemias de cólera. Já tinha resistência aos antibióticos e sofreu uma mutação em todo este tempo em que esteve guardada.

O soldado, de quem não há registos do nome e posição, adoeceu em 1916, estando na frente oriental. Durante a convalescença num hospital militar em Alexandria, no Egipto, recolheram amostras das suas fezes, isolando as bactérias da espécie Vibrio cholerae, a causa da cólera.

Preservadas liofilizadas – desidratados por congelamento -, desde 1920, fazem parte da Colecção Nacional de Culturas de Tipo, um repositório público britânico com 5.100 variedades de bactérias. Esta é uma das mais antigas do género Vibrio.

Agora, conta o El País, microbiólogos do Instituto Wellcome Sanger e da saúde pública britânica recuperaram, descongelaram e cultivaram uma parte das amostras. Os investigadores analisaram, sequenciaram o seu genoma e compararam-no com o de outras 200 linhagens, uma comparação que provocou mais de uma surpresa.

Os resultados, publicados na revista Proceedings of the Royal Society B, mostram que esta antiga cepa, ainda um V. cholerae, está muito longe das duas variedades (sorotipos) que causaram todas as pandemias de cólera desde 1800, incluindo a sexta pandemia, que durante o I Guerra Mundial matou dezenas de milhares de soldados, especialmente as potências centrais.

Embora não possua os genes que codificam a toxina da cólera, possui elementos patogénico isolados, o que poderia ter causado o processo diarreico do soldado.

“Mesmo que esta amostra não cause um surto, é importante estudar tanto aqueles que causam doenças como aqueles que não o fazem”, disse o microbiólogo molecular Nicholas Thomson. “Portanto, esta amostra isolada do meio ambiente representa uma parte importante da história da cólera, uma doença que permanece tão importante hoje como nos séculos anteriores”, acrescenta.

Os autores acreditam que é a amostra viva da bactéria mais antiga da qual há evidências. Chamado NCTC 30, por ocupar essa posição na ordem do arquivo, é a única tirada dos 2.500 soldados britânicos que ficaram doentes com cólera durante toda a guerra, um número menor do que aqueles que afectaram os soldados austríacos, alemães e otomanos.

Além disso, o NCTC 30 é uma raridade. Desenvolve-se sem o flagelo bacteriano característico, um único apêndice que dá a sua motilidade às bactérias. De facto, quando vistas sob o microscópio, as bactérias não se movem.

“Descobrimos uma mutação num gene que é crítico para o desenvolvimento do flagelo, o que poderia explicá-lo”, referiu o investigador Matthew Dorman. As bactérias do soldado tinham o flagelo, por isso deve ter-se perdido desde então.

O NCTC 30 ainda tem uma última surpresa. Obtida em 1916, entre os seus genes existem alguns que codificam para defender-se contra a ampicilina, um antibiótico. Mais de uma década antes de Alexander Fleming encontrar a penicilina, a cepa já tinha desenvolvido resistência aos antibióticos. Esse achado confirma que as bactérias levam a vida inteira defendendo-se de outros microrganismos.

ZAP //

Por ZAP
14 Abril, 2019

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287: Descoberto antibiótico que pode combater as bactérias super-resistentes

massdistraction / Flickr

Um grupo de cientistas chineses sintetizou um complexo antibiótico que é eficaz contra as bactérias resistentes aos medicamentos actuais e é baseado num grupo de compostos descobertos na União Soviética na década de 40.

De acordo com a revista Chemical & Engineering News, este antibiótico é utilizado com sucesso em tratamentos experimentais contra infecções em humanos.

Os especialistas explicaram que se focaram nas moléculas de albomicina a partir da bactéria Streptomyces griseus, que se encontra no solo e se alimenta de restos de vegetais em decomposição, relata o estudo publicado esta semana na Nature Communications.

As albomicinas penetram no sistema de defesa das bactérias e atravessam a sua dupla membrana fosfolipídica de forma a torná-las inactivas.

Em 1955, o biólogo russo Georgy Gause desenvolveu um sistema também baseado nas albomicinas, que se mostrou eficaz em casos de pneumonia infantil e complicações derivadas da disenteria e sarampo, relata a British Medical Journal.

A sua natureza completamente atóxica foi confirmada quando o antibiótico foi utilizado em humanos durante práticas clínicas.

A nova pesquisa, liderada por Yun He, da Universidade de Chongqing, China, conseguiu sintetizar três albomicinas e uma delas – denominada delta-2 – tem-se mostrado altamente eficaz contra diferentes variedades da bactéria Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus, três das quais eram resistentes à meticilina.

Além disso, a albomicina delta demonstrou ser muito mais potente do que alguns dos antibióticos utilizados frequentemente, como, por exemplo, a penicilina.

Este composto ainda não está disponível para venda, mas proporciona um grande avanço em relação ao combate das bactérias multi-resistentes a antibióticos.

Por SN
9 Setembro, 2018

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