871: Vacinas da Pfizer e da Moderna podem estar associadas a inflamações cardíacas

SAÚDE/COVID-19/VACINAS/PFIZER/MODERNA

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) denunciou hoje que as vacinas da Pfizer e da Moderna poderão estar associadas a ocorrências raras de inflamações no coração, após analisar 321 casos já vacinados contra o SARS-CoV-2.

As vacinas da Moderna e da Pfizer podem ter efeitos secundários
© Artur Machado/Global Imagens

A miocardite e pericardite são doenças inflamatórias do coração, apresentando sintomas como a falta de ar, palpitações e dores no peito.

O Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC) estudou 145 casos de miocardite e 138 casos de pericardite, após serem inoculados com a vacina da Pfizer, tendo analisado apenas 19 casos de cada inflamação, dos vacinados com a Moderna.

Até ao final de maio, cerca de 177 milhões de doses da vacina da Pfizer e 20 milhões doses da Moderna haviam sido administradas Espaço Económico Europeu (EEE).

O PRAC aconselhou actualizar as informações das vacinas, no sentido de incluir o efeito colaterais e aumentar a consciencialização entre as equipas de saúde e os utentes.

O comité recomendou ainda a restrição da comercialização da vacina da Johnson&Johnson para as pessoas com histórico de síndrome de derrame capilar, doença de Clarkson.

De acordo com o PRAC, é aconselhável adicionar uma advertência para doença de Clarkson, em que o fluido vaza pequenos vasos sanguíneos provocando inchaço, pressão arterial baixa, espessamento do sangue e níveis baixos de albumina no sangue.

O PRAC acrescentou que as informações do produto usado na AstraZeneca incluem um aviso para consciencializar sobre os casos de síndrome de Guillain-Barré (SBG), que podem ter sido relatados após a vacinação.

A síndrome provoca inflamação nos nervos e pode resultar em dor, dormência, fraqueza muscular e dificuldade em andar.

Em Junho, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos anunciou que a ocorrência de inflamações no coração em adolescentes e jovens adultos poderá estar associada às vacinas da Pfizer e da Moderna contra o SARS-CoV-2.

De acordo com a informação divulgada por este organismo, há registo de inflamações no coração, ainda que raras, em adolescentes e jovens adultos que receberam os fármacos desenvolvidos pela Pfizer (em parceria com a BioNTech) e pela Moderna, duas vacinas centralizadas no método RNA (Ácido Ribonucleico).

Investigadores convocados pelo CDC revisitaram estas ocorrências de miocardite e pericardite, ou seja, inflamações do músculo cardíaco ou da membrana do coração.

Diário de Notícias
Lusa
10 Julho 2021 — 09:25

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737: Internamentos e incidência a subir em dia com duas mortes

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Portugal contabiliza nas últimas 24 horas mais 388 novos casos confirmados, a maioria dos quais (206) registados na região de Lisboa e Vale do Tejo. Há mais sete doentes em UCI, num total de 59.

© LUÍS FORRA/LUSA

Portugal registou nas últimas 24 horas mais 388 casos e dois óbitos por covid-19, segundo os dados do boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira, 7 de Junho.

Nesta altura estão 291 pessoas hospitalizadas, ou seja mais 26 do que no domingo. Há 59 doentes em cuidados intensivos, mais sete que ontem.

O país tem agora mais 109 casos activos, num universo de 23.824, com mais 277 recuperados da doença. Sendo que os contactos em vigilância também aumentaram bastante, pois há mais 953.

A região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se verificou uma das mortes pela infecção de covid-19, contabilizou mais 206 novos casos, ou seja, mais do que no resto do país. No Norte houve 96 casos, sendo que também tem um morto contabilizado. Já na região Centro apenas há 18 novos casos, na do Alentejo 13 e na do Algarve 32.

Na Madeira não se registaram novas infecções, enquanto nos Açores foram mais 26 casos reportados.

O R(t) desceu de 1,08 para 1,07 em todo o território e no continente registou-se um decréscimo de 0,02 para os 1,08.

Já a incidência continua a aumentar, sendo agora de 72,2 casos de infecção por 100 mil habitantes em todo o território, quando antes era de 69,8 casos pelo mesmo número de habitantes. Se contabilizarmos apenas o continente, subiu de 67,5 para os 70,6 casos por 100 mil habitantes.

Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas à vacina registadas em Portugal

Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas às vacinas contra a covid-19 foram registadas em Portugal e houve 44 casos de morte comunicados em idosos com várias doenças, mas não está demonstrada a relação causa-efeito, segundo o Infarmed.

De acordo com o último relatório a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, até final de maio foram notificadas 6.995 reacções adversas, a maior parte (68,3%) referentes à vacina da Pfizer/BioNtech, com 4.782 casos, seguindo-se a da AstraZeneca (Vaxzevria), com 1.509, a da Moderna, com 387, e a da Janssen, com 17 casos.

O Infarmed sublinha, contudo, que “a notificação no âmbito do Sistema Nacional de Farmacovigilância não pressupõe necessariamente a existência de uma relação causal com a vacina administrada” e que a vacinação contra a covid-19 “é a intervenção de saúde pública mais efectiva para reduzir o número de casos de doença grave e morte originados por esta pandemia”.

Os dados do Infarmed indicam que por cada 1.000 doses administradas foram comunicadas 1,21 reacções no caso da Pfizer (Comirnaty), 1,24 no caso da AstraZeneca (Vaxzevria), 0,74 referentes à Moderna e 0,16 à vacina da Janssen.

No total de 5.790.080 doses administradas, o Infarmed registou 44 notificações de casos de morte em idosos com outras comorbilidades e em que não está demonstrada a relação causal com a vacina administrada.

“Os casos de morte ocorreram em pessoas com uma mediana de idades de 81 anos e não pressupõem necessariamente a existência de uma relação causal com a vacina administrada, uma vez que podem também decorrer dos padrões normais de morbilidade e mortalidade da população portuguesa”, refere a Autoridade Nacional do Medicamento.

Das reacções registadas, 3.957 referem-se a casos não graves (59,1%) e 2.738 a casos graves (40,9%), refere o Infarmed, sublinhando que a maior parte (90%) das reacções adversas a medicamentos classificadas como graves se referem a “casos de incapacidade, maioritariamente temporária”.

A maioria das reacções notificadas ao Infarmed foram registadas em mulheres (4,712) e, por faixas etárias, aquela que mais notificações tem é a dos 30 aos 49 anos.

As 10 reacções mais notificadas referem-se a casos de reacção no local de injecção (3.250), dores musculares ou nas articulações (3.007), dores de cabeça (1.964), febre (1.800), astenia, fraqueza ou fadiga (1.123), náuseas (773), tremores (687), alterações/aumento dos gânglios (569), eritema/eczema ou erupção (481) e parestesias (400), ou seja, sensação de formigueiro ou picadas.

No relatório, o Infarmed lembra ainda que a maioria das reacções adversas a medicamento mais notificadas se enquadram “no perfil reatogénico comum de qualquer vacina” e que grande parte destas reacções se resolve “em poucas horas ou dias, sem necessidade de intervenção médica, e não deixando sequelas”.

Ordem dos Médicos quer critérios de gravidade e cobertura vacinal na matriz de risco

A Ordem dos Médicos manifestou-se esta segunda-feira apreensiva com as mudanças na matriz de risco que fundamenta as novas fases de desconfinamento por causa da pandemia e defende a inclusão de critérios de gravidade e da cobertura vacinal.

Num comunicado emitido na sequência da divulgação das novas fases de desconfinamento (a partir de dia 14) e da evolução epidemiológica recente, o bastonário e o Gabinete de Crise para a covid-19 da Ordem dos Médicos (OM) defendem que deve voltar a ser incluído o indicador da transmissibilidade e que devem ser considerados igualmente a taxa de positividade dos testes e critérios de gravidade, como os internamentos em enfermaria e cuidado intensivos, a evolução temporal e os óbitos.

Sugerem também a introdução da cobertura vacinal (taxa por grupo etário, 1.ª toma e esquema completo) e do impacto da circulação das novas variantes do vírus.

O controlo rigoroso (testagem e quarentena) à entrada do país de todos os viajantes com estadia em locais de risco para as novas variantes, o alargamento da vacinação a toda a população adulta e a programação da vacinação da população pediátrica (<18 anos) para antes do início da próxima época escolar, observando as recomendações da Organização Mundial da saúde, são outras das sugestões apresentadas.

A OM manifesta ainda incompreensão “pela utilização exclusiva de valores de incidência de novos casos por 100.000 habitantes, nos últimos 14 dias, para fundamentar as medidas de desconfinamento”, como os horários de funcionamento da restauração e a lotação de espaços públicos.

Considera igualmente que a definição de concelhos de baixa densidade utilizada na matriz que fundamenta as novas fases de desconfinamento se baseia “em critérios de coesão territorial insuficientemente caracterizados e sem implicações de saúde pública”.

No comunicado, a OM sugere igualmente que seja incentivada a testagem, em particular, a todos os sintomáticos, incluindo jovens e crianças.

O bastonário e o Gabinete de Crise para a covid-19 da OM defendem a “realização periódica, massiva e alargada de rastreios populacionais, centrados nos não vacinados” e dizem Portugal deve “aproveitar a presidência europeia para definir critérios uniformes de desconfinamento na União Europeia, nomeadamente a implementação com a maior celeridade do passaporte vacinal a aplicar, igualmente, aos residentes em território nacional”.

Apelam ainda a que toda a população mantenha o cumprimento e a adesão às medidas de prevenção e controlo da infecção, nomeadamente o uso da máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social.

Diário de Notícias
DN
07 Junho 2021 — 14:05

 

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736: Revelação do Infarmed. Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas à vacina registadas em Portugal

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS/REACÇÕES ADVERSAS

07 jun 08:26
Por Nuno Fernandes

Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas à vacina registadas em Portugal

Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas às vacinas contra a covid-19 foram registadas em Portugal e houve 44 casos de morte comunicados em idosos com várias doenças, mas não está demonstrada a relação causa-efeito, segundo o Infarmed.

De acordo com o último relatório a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, até final de maio foram notificadas 6.995 reacções adversas, a maior parte (68,3%) referentes à vacina da Pfizer/BioNtech, com 4.782 casos, seguindo-se a da AstraZeneca (Vaxzevria), com 1.509, a da Moderna, com 387, e a da Janssen, com 17 casos.

O Infarmed sublinha, contudo, que “a notificação no âmbito do Sistema Nacional de Farmacovigilância não pressupõe necessariamente a existência de uma relação causal com a vacina administrada” e que a vacinação contra a covid-19 “é a intervenção de saúde pública mais efetiva para reduzir o número de casos de doença grave e morte originados por esta pandemia”.

Os dados do Infarmed indicam que por cada 1.000 doses administradas foram comunicadas 1,21 reações no caso da Pfizer (Comirnaty), 1,24 no caso da AstraZeneca (Vaxzevria), 0,74 referentes à Moderna e 0,16 à vacina da Janssen.

No total de 5.790.080 doses administradas, o Infarmed registou 44 notificações de casos de morte em idosos com outras comorbilidades e em que não está demonstrada a relação causal com a vacina administrada.

“Os casos de morte ocorreram em pessoas com uma mediana de idades de 81 anos e não pressupõem necessariamente a existência de uma relação causal com a vacina administrada, uma vez que podem também decorrer dos padrões normais de morbilidade e mortalidade da população portuguesa”, refere a Autoridade Nacional do Medicamento.

Das reacções registadas, 3.957 referem-se a casos não graves (59,1%) e 2.738 a casos graves (40,9%), refere o Infarmed, sublinhando que a maior parte (90%) das reacções adversas a medicamentos classificadas como graves se referem a “casos de incapacidade, maioritariamente temporária”.

A maioria das reacções notificadas ao Infarmed foram registadas em mulheres (4,712) e, por faixas etárias, aquela que mais notificações tem é a dos 30 aos 49 anos.

As 10 reacções mais notificadas referem-se a casos de reacção no local de injecção (3.250), dores musculares ou nas articulações (3.007), dores de cabeça (1.964), febre (1.800), astenia, fraqueza ou fadiga (1.123), náuseas (773), tremores (687), alterações/aumento dos gânglios (569), eritema/eczema ou erupção (481) e parestesias (400), ou seja, sensação de formigueiro ou picadas.

Lusa

Diário de Notícias


07 Junho 2021 — 07:01

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423: Transportes públicos são “ponto nevrálgico” da transmissão da covid-19

 

SAÚDE/COVID-19/TRANSPORTES PÚBLICOS

Mário Cruz / Lusa

O infecciologista Jaime Nina defendeu hoje que é necessário quadruplicar a oferta dos transportes públicos para permitir a distância necessária entre os passageiros, considerando que são um “pontos nevrálgico” da transmissão da covid-19.

“Os transportes públicos é um dos pontos nevrálgicos da transmissão”, afirmou, defendendo que “para manter o distanciamento, os autocarros, os comboios e o Metro deviam ter fila sim, fila não, com passageiros”.

Mas para isso era preciso “ter quatro vezes mais carruagens, autocarros, e quatro vezes mais motoristas e maquinistas”, disse o infecciologista do Hospital Egas Moniz em entrevista à agência Lusa, a propósito do agravamento da situação epidemiológica da covid-19.

Se esta solução tivesse começado a ser pensada em Maio, tinha havido tempo para reforçar a frota e ter “maquinistas e motoristas suficientes”. “É caro? É, mas ter a economia fechada não é mais caro”, questionou, argumentando que “só uma semana de economia fechada para tentar evitar [a propagação do vírus] pagava isto tudo e ainda sobrava muito dinheiro”.

O especialista lamentou que não haja “uma abordagem global” e que se esteja a ver “sector a sector”, prevendo “um problema com o inverno”.

“Enquanto que no verão as pessoas evitam os transportes públicos, têm as janelas abertas, se estiver uma chuva desgraçada não estou a ver ninguém a andar de carro com as janelas abertas, nem a andar muito na rua quando pode andar de autocarro”, disse o professor na Universidade Nova de Lisboa, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical e da Faculdade de Ciências Médicas.

Sobre a evolução da epidemia, Jaime Nina disse que já está na segunda “onda”: “o Agosto foi um bocado molhado, houve chuva, e isso teve logo uma repercussão em toda a Europa, não só em Portugal”.

Mas, nesta fase, está a atingir mais os jovens, uma situação que disse estar relacionada com o aumento de testes: “estão a apanhar pessoas infectadas que há três meses não eram apanhadas porque tinham uma doença mais ligeira, e como tal, a letalidade está a baixar porque há mais casos ligeiros”.

O infecciologista saudou o aumento da testagem, mas considerou que tem sido “muito lentamente” e “muito longe daquilo que deveria ser feito”.

A este propósito, fez uma analogia futebolística: “a táctica que Portugal e a Europa está a usar é como se chamasse os 10 jogadores de campo tudo em frente da baliza de olhos fechados a tentar apalpar a bola e não a deixar passar”.

“Era muito mais preferível andar a correr pelo campo todo atrás da bola” e tentar apanhá-la e controlá-la.

Exemplificou com o que países como Singapura, Taiwan, Hong Kong e Coreia do Sul estão a fazer ao nível de testes para apanhar os casos ligeiros e cortar as cadeias de transmissão.

“Portugal fez cerca de dois milhões de testes, Singapura vai quase em 100 milhões para uma população um bocadinho mais pequena que a nossa”, disse, observando que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, Portugal tem mais de 1.900 mortes e Singapura tem 27, com um número de casos sensivelmente igual.

No seu entender, “há muita coisa que está a falhar no rastreio e no encaminhamento de casos” porque “o Ministério da Saúde está a utilizar quase exclusivamente os recursos próprios”.

“Depois não tem médicos e técnicos de saúde pública, não tem laboratórios de biologia molecular quando há um manancial enorme de pessoas disponíveis”, salientou.

Em Abril e Maio, contou, “quando toda a gente estava aflita porque não havia capacidade de fazer os testes todos”, os laboratórios de biologia molecular da Universidade Nova estavam fechados com as pessoas em teletrabalho, apesar da faculdade os ter colocado ao dispor.

Por outro lado, podiam chamar os estudantes de medicina: “Era bom para eles porque estavam a fazer um trabalho útil e relevante para o seu curso e, obviamente, era bom para o Ministério da Saúde porque triplicava ou quadruplicava a mão de obra necessária para fazer rastreio de casos”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Setembro, 2020

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420: Doentes hospitalizados com covid-19 podem vir a sofrer de stress pós-traumático

 

SAÚDE/COVID-19/STRESS

O medo da morte e do desconhecido são levados ao limite. Ansiedade, insónias e delírios são alguns dos sintomas a que os doentes devem estar atentos após o evento traumático de um internamento com covid-19.

Doente com covid-19 num hospital em El Salvador
© MARVIN RECINOS / AFP

“Era como estar no inferno. Vi pessoas a morrer e todos os funcionários tinham máscaras e só se viam os seus olhos – foi tão solitário e assustador.” A experiência de Tracy, uma doente com covid-19, relatada pela BBC, é semelhante à de todos os outros doentes hospitalizados devido ao coronavírus. Tracy foi internada no Hospital Whittington, no norte de Londres, em Março e passou mais de três semanas lá – uma das quais nos cuidados intensivos. Desde que recebeu alta em Abril, esta mulher de 59 anos está com dificuldade em dormir, tem constantemente medo de morrer e sofre de flahsbacks que a levam de novo para a cama do hospital.

“Tem sido muito difícil. Fisicamente, estou tão cansado. Estou a começar a recuperar, mas o lado mental é muito difícil”, diz. Tracy está agora a receber apoio psicológico. “Eu tenho uma boa rede de apoio de familiares e amigos e sou uma pessoa positiva – e estou a lutar. Acho que haverá muitas pessoas numa situação semelhante, se não pior.”

Tracy é apenas uma das muitas pessoas que ficaram com cicatrizes psicológicas da sua experiência com o coronavírus. As pessoas que estiveram gravemente doentes internadas no hospital com coronavírus têm grandes probabilidade de sofrer de stress pós-traumático (SPT), dizem os médicos.

No Reino Unido, o Grupo de Trabalho de Resposta ao Trauma Covid considera que os doentes que passaram pelo cuidados intensivos são aqueles que correm um risco maior e que devem ser acompanhados durante pelo menos durante um ano após o internamento. Esta conclusão baseia-se num estudo da University College London que mostra que 30% dos pacientes que sofreram doenças graves em surtos de doenças infecciosas no passado desenvolveram SPT, além de também serem comuns os problemas de depressão e ansiedade.

Hospital no México
© ALFREDO ESTRELLA / AFP

Para chegar a estas conclusões, os investigadores analisaram estudos anteriores realizados em pacientes com outros coronavírus, como o SARS e o MERS. Num período de acompanhamento de quase três anos após a doença, quase um em cada três pacientes recuperados desenvolveu sintomas de stress pós-traumático. Além disso, 15% dos pacientes com SARS ou MERS relataram sintomas de depressão aproximadamente um ano após a recuperação e mais de 15% tiveram vários outros problemas (fadiga constante, mudanças de humor, distúrbios do sono, problemas de memória). Portanto, os autores afirmam que existe um risco de os mesmos problemas surgirem em pacientes com covid-19.

Muitos pacientes com SARS e MERS hospitalizados também apresentaram sintomas de delírio (confusão, agitação, consciência alterada) durante o combate à doença. Os primeiros dados da covid-19 sugerem que o delírio também é comum entre os pacientes actuais.

“A probabilidade de os doentes hospitalizados com covid-19 virem a sofrer de stress pós-traumático é alta”, confirma ao DN a psicóloga Ana Marques. Se para todos nós esta já é uma situação complicada porque estamos perante uma doença grave e desconhecida, que obviamente desperta a ansiedade, os doentes com covid-19 estão ainda mais vulneráveis. Além de terem a saúde debilitada pelo vírus, “as pessoas internadas estiveram isoladas durante bastante tempo, privadas da sua família e das suas rotinas, sem saberem quando era dia ou noite, e ainda por cima rodeadas por toda aquela parafernália. E, além disso, estavam cheias de medo.”

Segundo esta psicóloga, existem dois medos principais que todas as pessoas sentem ao longo da sua vida: o medo do abandono e o medo da morte. Ora, os doentes hospitalizados com covid-19 sentiram estes medos “levados ao limites”, diz, lembrando por exemplo o caso das pessoas mais velhas ou com demência que não conseguem perceber exactamente o que lhes está a acontecer e porque é que, de repente, os seus familiares não as visitam, sentindo-se abandonadas.

Também a psicóloga Cécile Domingues, da Clinica da Mente, concorda que a pandemia acarreta riscos que vão muito para além da doença física. “Toda a gente tem medo porque é uma doença desconhecida. E as imagens que nos chegam dos hospitais são muito assustadoras, muito perturbadoras até para quem está de fora quanto mais para quem está no hospital”. O internamento com covid-19 será, seguramente, “algo traumático”. “O medo da morte é muito real, as pessoas sabem que podem morrer”, diz.

Doente com covid-19 à chegada ao hospital na China
© AFP

Por isso, consideram estas duas especialistas, é normal que após o internamento, algumas pessoas continuem a sofrer de ansiedade, pesadelos ou insónias – ou nos casos mais graves sofram delírios ou possam vir a ter depressões.

Os sintomas são muito diversos e por isso é preciso ficar atento. As crises de ansiedade podem ser provocadas por uma simples ida ao médico ou por um cheiro que seja idêntico ao do hospital. Há pessoas que ficam com tanto medo de infectar os outros que passam a ter comportamentos obsessivos de limpeza. Pode haver uma agressividade latente que, em determinadas situações, dá origem a episódios violentos.

“É importante que estas pessoas sejam acompanhadas durante quatro semanas. Se esses sintomas persistirem podemos dizer que se trata de stress pós-traumático”, explica Cécile Domingues.

Diário de Notícias

Maria João Caetano
29 Junho 2020 — 18:04

 

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410: Hospital de Lisboa deixou entrar pessoas sem máscara

 

SAÚDE/COVID-19

Caroline Blumberg / EPA

O Hospital da Luz, em Lisboa, permitiu a entrar e circulação de pessoas sem máscara dentro das instalações. O hospital garante que foi um “erro humano” e que não voltará a acontecer.

A Rádio Renascença escreve, esta quinta-feira, que o Hospital da Luz, em Lisboa, autorizou a circulação de pessoas sem máscara. Ouvido pela rádio, João Carreiro esteve no hospital e foi testemunha do que aconteceu.

“Comecei a ver várias pessoas a entrar sem máscara. E, às sete e pouco da manhã, dirigi-me ao segurança e disse-lhe que a situação me deixava desconfortável. Que não queria arranjar problemas a ninguém, mas que lhe pedia se ele podia ter mais atenção”, explicou.

“[O segurança] disse que estava a cumprir ordens, que quem tinha entrado eram funcionários do hospital, que não eram controlados e entravam como queriam. E que os utentes que fossem para as urgências, se não tivessem máscaras, eles não tinham máscaras para dar até às sete e meia da manhã”, acrescentou o utente.

As pessoas perguntavam ao segurança se também podiam entrar sem máscara, ao que o trabalhador permitia. Este comportamento, notou João Carreiro, ia claramente contra as indicações da Direcção-Geral de Saúde. A justificação dada era que a aplicação do plano de segurança da covid-19 era feita apenas em algumas horas do dia.

“A urgência está aberta 24 horas e as regras funcionarem só num período do dia não faz qualquer sentido. São as pessoas em quem confio que têm mais cuidado [os funcionários] e vi que entram ali sem qualquer atenção”, disse à Renascença.

Face a esta situação, o utente preencheu uma queixa no livro de reclamações e chamou a PSP.

O hospital não nega que isto tenha acontecido, embora garante que não tenha passado de um mal-entendido, que provocou um “erro humano”.

Pedro Libano Monteiro, administrador executivo do Hospital da Luz, garante que não voltará a repetir-se. Numa situação como esta, explica, as pessoas normalmente são alertadas para a importância do cumprimento das regras.

“Todas as pessoas, utentes e colaboradores devem sempre usar sempre a máscara e é obrigatório o seu uso dentro das instalações”, garante Pedro Libano Monteiro.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2020

 

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