835: Investigador Carlos Antunes alerta que testagem está a perder eficácia

SAÚDE/COVID-19/TESTAGEM

Em finais de Abril, por cada 100 mil testes, foram detectados cerca de 700 casos. Hoje os mesmos 100 mil testes detectam três mil casos, disse Carlos Antunes em audição no parlamento. Afirmou que a taxa média de incidência dos últimos cinco dias é de 202 casos por 100 mil habitantes, com tendência para aumentar

© Estela Silva / LUSA

O investigador Carlos Antunes advertiu esta quinta-feira que a testagem à covid-19 está a “perder a sua eficácia”, o que se está a reflectir na taxa de positividade, que está actualmente acima dos 3%.

“Actualmente estamos numa tentativa de reacção de aumentar a testagem, mas a testagem está a perder a sua eficácia e não está a ter capacidade de poder controlar o aumento da incidência. Isso vê-se na positividade. Estamos já acima dos 3% de positividade já com dados de hoje”, afirmou o investigador numa audição no parlamento.

O investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) explicou que esta positividade pode ser vista de forma diferente em termos de número de casos detectados por cada 100 mil testes realizados.

Em finais de Abril, por cada 100 mil testes, foram detectados cerca de 700 casos. Hoje os mesmos 100 mil testes detectam três mil casos, disse Carlos Antunes na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à covid-19, onde foi ouvido com outros especialistas sobre a evolução da pandemia, a pedido do PSD.

“Daqui a 12 dias poderemos estar nos 4000 casos” diários

Analisando a situação epidemiológica, Carlos Antunes afirmou que a taxa média de incidência dos últimos cinco dias é de 202 casos por 100 mil habitantes, com tendência para aumentar, com uma taxa diária de aumento da incidência de 5,1% ao dia, o que corresponde a uma duplicação de casos a cada 12 dias.

“Estamos a chegar aos 2000 casos diários e, portanto, a duplicação de 12 dias significa que há um potencial de que daqui a 12 dias poderemos estar nos 4.000 casos”.

O grupo etário dos 20 aos 29 tem uma taxa de crescimento de 4,7%, como acontece com quase todos os outros grupos até aos 50 anos.

“Depois é seguido pelos grupos etários dos 10 aos 19 e dos 30 aos 39, mas no grupo todo dos 0 aos 49 temos crescimentos na ordem dos 5%“, salientou.

Salientou ainda que o risco é elevado a nível nacional e “muito elevado” em Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, mas com o aumento da cobertura vacinal tornam-se “cada vez mais improváveis” os níveis de risco elevado ou muito elevado.

Relativamente às hospitalizações, o matemático afirmou que, em termos de unidade de cuidados intensivos, a ocupação mantém-se, não quebrando “os mínimos que foram alcançados em períodos anteriores aos da vacinação”.

No seu entender, esses mínimos são necessários “serem quebrados” para confirmar a tendência também decrescente da perigosidade relativamente aos internamentos de situações mais gravosas.

O aumento dos internamentos verificou-se nas enfermarias a partir de 20 de maio e nos cuidados intensivos apenas no início de Junho.

Cuidados intensivos no “limiar da linha vermelha”

Nos últimos dias, verificou-se na região de Lisboa e Vale uma estabilização dos cuidados intensivos entre 71 e 75 camas, mas mantendo-se próximo do “limiar da linha vermelha” nos cuidados intensivos que é de 80, 84 camas, que estão com uma ocupação de 24%, referiu.

O Algarve tem 33% dessa ocupação, enquanto a região Norte e Centro tem apenas uma ocupação de 5% a 6% com doentes covid-19, disse Carlos Antunes, observando que 60% desta ocupação é abaixo dos 60 anos e 42% abaixo dos 50.

Analisando o desconfinamento, Carlos Antunes considerou que foi demasiado rápido: “Podia ter sido iniciado mais cedo, mas tinha que ser mais lento”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Julho 2021 — 22:58

 

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes