932: Relatório indica que variante Delta é tão contagiosa quanto a varicela

SAÚDE/COVID-19/VARIANTE DELTA/VARICELA

Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA pedem acção imediata para a “ameaça muito séria” que é a variante detectada originalmente na Índia.

© EPA/JUSTIN LANE

Um relatório interno dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos descreveu a variante Delta da covid-19 como sendo tão contagiosa quanto a varicela, avança o jornal The New York Times, que teve acesso ao documento.

A variante originalmente descoberta na Índia também tem maior probabilidade de romper a protecção oferecida pelas vacinas, indica o relatório, que esteve na base da reversão nas directrizes anunciadas na terça-feira para utilização de máscara em norte-americanos totalmente vacinados.

Embora as vacinas possam perder algum poder perante a variante Delta, os números do CDC mostram que os imunizantes são altamente eficazes na prevenção de doenças graves, internamentos e mortes.

Uma nova investigação mostrou que as pessoas vacinadas infectadas com a variante Delta carregavam quantidades enormes do vírus no nariz e na garganta, disse a directora do CDC, Rochelle Walensky, ao The New York Times.

A variante Delta é mais transmissível do que os vírus que causam doenças MERS, SARS, ébola, constipação comum, gripe sazonal e varíola, refere o relatório, que também indica que esta mutação pode ter maior probabilidade de desenvolver doenças graves.

“O CDC está muito preocupado com os dados que chegam de que a variante Delta é uma ameaça muito séria que requer acção imediata”, afirmou Walensky.

Segundo o CDC, existem 35 mil infecções sintomáticas por semanas entre os 162 milhões de norte-americanos vacinados.

O próximo passo imediato para a agência norte-americana é “reconhecer que a guerra mudou”, lê-se ainda no relatório. Os dados da agência sugerem também que os norte-americanos terão de continuar a usar máscara em ambientes fechados e em ambientes públicos, em zonas em que existe alta incidência de transmissão do vírus.

Pessoas com o sistema imunológico fraco também devem usar máscaras mesmo em locais onde não haja alta transmissão do vírus e o mesmo também deve acontecer com os que estão em contacto com crianças pequenas, idosos ou pessoas vulneráveis.

O CDC deve publicar dados adicionais sobre a variante Delta ainda nesta sexta-feira.

Diário de Notícias
DN
30 Julho 2021 — 08:23



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“Resposta das UCI é gerível, mas se tiver de aumentar será à custa dos outros doentes”

SAÚDE/COVID-19/UCI’S

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, a ocupação de camas nos cuidados intensivos está nos 86%, já esteve nos 90% e já houve doentes que tiveram de ser transferidos para outras regiões. No norte, na semana passada, o aumento de casos fez duplicar em 50% os internamentos, sendo expectável que nesta semana aumente ainda mais. Quem está no terreno diz que a resposta é gerível, mas se casos continuarem a subir, esta terá de ser à custa dos doentes não covid.

Matosinhos, 25 / 03 / 2021 – Covid-19: Reportagem na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pedro Hispano para trabalho sobre o que mudou nos hospitais com a pandemia.
(Artur Machado / Global Imagens)

O número de casos de covid-19 em Portugal continua a surpreender. Só ontem foram registados quase tantos (2.650) como no dia 13 de Fevereiro (2.856), altura em que a terceira vaga começava a atenuar. Neste momento, a situação só não é tão preocupante porque quando se olha para os números de internamentos ou de óbitos a realidade é outra. Enquanto ontem havia 742 pessoas internadas, das quais 131 em unidades de cuidados intensivos (UCI), a 13 de Fevereiro havia 4.850, das quais 803 em UCI. E o mesmo acontece em relação aos óbitos: ontem registaram-se nove, a 13 de Fevereiro foram 149. Quem está no terreno reconhece que o impacto que a doença está a ter agora nada tem que ver com o das anteriores vagas, sobretudo no período de Janeiro e Fevereiro, mas se tal é assim “é graças à vacinação”, sublinha ao DN o coordenador da Unidade de Cuidados Cirúrgicos do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, António Pais Martins.

Para este médico, a resposta que está a ser dada pela medicina intensiva “ainda é gerível, mas não pode aumentar muito mais, senão terá de ser à custa da resposta que estamos a dar aos doentes não covid”, alertando mesmo para o facto de a ocupação de camas na região de Lisboa e Vale do Tejo, nas últimas semanas, “já ter chegado aos 90% e mais. Nestes dias está nos 86%, mas, nas semanas anteriores já tivemos necessidade de transferir doentes, por exemplo para unidades do Alentejo, para se acautelar uma resposta mais efectiva aos outros doentes”.

Pais Martins, que também é director da secção de medicina intensiva da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, relembra que desde o início da pandemia que a resposta a nível da medicina intensiva é feita em rede no Serviço Nacional de Saúde (SNS): Lisboa e Vale do Tejo tem três grandes centros de referência e várias outras unidades, “mas não podemos correr o risco de o sistema voltar a ficar saturado”. E para isso, sublinha o especialista, “é necessário que a população continue a cumprir as regras de protecção individual. Só assim será possível conter a transmissão e evitar mais hospitalizações”.

António Pais Martins reforça mesmo que a diferença desta vaga para as anteriores é o processo de vacinação. “A nossa sorte é que temos o grupo dos mais idosos quase todo vacinado, senão seria muito mais complicado”. Mesmo assim, e quando olha para o número de casos que estão a marcar o início desta semana e a subida nos internamentos, não deixa de desabafar: “Quem diria? Ninguém no país poderia imaginar que, mesmo com o desconfinamento, voltássemos a ter milhares de casos por dia, mas esta situação não está a acontecer só em Portugal.

É muito semelhante em outros países, veja o que se passa em Espanha, por exemplo em Barcelona, no Reino Unido ou na Bélgica, e tudo por causa da nova variante.” E se há alguma tranquilidade no terreno, argumenta, “é por causa da vacinação, e quanto mais se acelerar este processo mais será possível travar as hospitalizações, mas é necessário que a população, sobretudo a mais jovem, também a aceite”.

Até porque, e como refere, esta variante não veio trazer só um aumento na transmissão da doença, mudou também o perfil do doente que dá entrada nos cuidados intensivos. “Neste momento, tenho nove pessoas internadas na minha unidade, com idades entre os 35 e os 48 anos. E se no início havia uma característica nestes doentes, homens e a maioria com excesso de peso ou mesmo obesidade, agora, embora não haja números que indiquem ser um padrão, estamos a receber doentes saudáveis e sem comorbilidades. O que para nós é uma situação preocupante.”

Lisboa e Vale do Tejo é a região com maior pressão no aumento de casos desde o início de Maio – vindo sempre a registar 40% a 60% dos casos de todo o país. Só ontem tinha 1.141 casos, de um total nacional de 2.650. António Pais Martins refere ao DN que, se não houver uma redução de casos na região, o período de férias que aí vem para muitos dos profissionais de saúde e nomeadamente da medicina intensiva pode estar em risco.

Variante Delta mudou regras do jogo

A variante Delta, cuja origem está associada à Índia, está em força na comunidade. Aliás, segundo o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve 100% dos casos têm a sua marca. Para quem está no terreno foi a Delta que veio mudar de novo as regras do jogo. Entrou na Europa pelo Reino Unido e rapidamente se espalhou por mais 90 países incluindo Portugal.

José Artur Paiva, director do Serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário São João, no Porto, diz mesmo: “Esta variante veio introduzir o que chamo de game changer. É bastante mais transmissível do que as outras, mesmo em relação à variante Alpha, do Reino Unido, em cerca de mais 70%, e é também mais invasiva, tem mais facilidade de entrar nas células do hospedeiro, e isto fez que acelerasse a transmissão da doença. Isto é o lado negativo desta variante. O lado positivo é que a vacinação em relação à variante Delta mantém um grau bastante elevado de efectividade contra a doença grave”, diz, especificando: “Quando falo em game changer é no sentido em que a transmissão foi acelerada significativamente e talvez não tenhamos tido essa percepção, tal como se teve em relação à variante Alpha.” E o resultado está à vista: “Um aumento significativo de casos na comunidade que levou a um aumento de hospitalizações. Há um percentual dos casos positivos que corresponde a um percentual de hospitalização. Portanto, sabíamos que as hospitalizações iriam aumentar, mas a boa noticia é que este percentual agora é muito mais baixo do que foi nas vagas anteriores.”

No norte internamentos ainda vão subir mais

José Artur Paiva afirma que o aumento de internamentos “não é uma surpresa”, sublinhando que, nas últimas semanas, o aumento de entradas em medicina intensiva foi de 35%, embora com uma distribuição bastante heterogénea no país. “Em Lisboa e Vale do Tejo os números continuam a ser elevados, mas já num planalto, o aumento na última semana foi de 11%.

No Algarve, na semana que terminou, os internamentos subiram muito (60%), mas esta aceleração já parece ser agora menor. No norte, estamos a ter uma aceleração, na semana passada os internamentos em medicina intensiva aumentaram 50%. Só que a partir de números relativamente baixos”. Mas com o aumento de casos – ontem a região norte voltou a ser a segunda com maior número (939) – “é expectável que nas próximas semanas as admissões na medicina intensiva ainda aumentem mais”. “O lado positivo é que estamos ainda com alguma folga na resposta.

À excepção de Lisboa e Vale do Tejo, a taxa de ocupação nas outras regiões é de 50% a 60%. No norte, por exemplo, os internamentos em UCI estão a aumentar, mas ainda não tivemos necessidade de transferir doentes para outras regiões”, diz José Artur Paiva, sublinhando, no entanto, que “a resposta nacional à covid ainda é gerível”. “As linhas vermelhas não são fixas e o segredo está em adaptar-se a resposta à procura de doentes, promovendo, sempre que necessário, a transferência entre hospitais da mesma região ou entre regiões.”

No sul ou no norte, a mensagem é a mesma. Se por um lado há preocupação, porque os casos continuam a aumentar, por outro há tranquilidade, porque, “ainda há uma folga na resposta”, mas a população tem de cumprir as regras de protecção.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Julho 2021 — 00:13

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856: Variante Delta responsável por perto de 90% das infecções em Portugal

SAÚDE/COVID-19/VARIANTE DELTA

Portugal está, nos últimos dias, a acelerar o ritmo da vacinação contra a covid-19 para responder à rápida propagação da variante Delta, considerada 60% mais transmissível do que a Alpha, com a `task force´ que coordena a logística a apontar para a administração de cerca de 850 mil doses por semana.

A variante Delta do vírus SARS-CoV-2, associada à Índia e considerada mais transmissível, é responsável por perto de 90% dos casos de infecção em Portugal e registou um forte incremento no Norte, na Madeira e nos Açores.

Os dados constam do relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a diversidade genética do vírus que provoca a covid-19 hoje divulgado e que confirma que a Delta já era a variante prevalecente em Portugal na semana de 21 a 27 de Junho.

“Como esperado, a sua frequência tem aumentado em todas as regiões” no último mês, registando-se um “forte incremento” no Norte, onde já representa 71.1% das infecções, na Madeira (85.7%) e nos Açores (64.7%), avança o instituto.

Portugal está, nos últimos dias, a acelerar o ritmo da vacinação contra a covid-19 para responder à rápida propagação da variante Delta, considerada 60% mais transmissível do que a Alpha, com a `task force´ que coordena a logística a apontar para a administração de cerca de 850 mil doses por semana.

De acordo com o INSA, do total de sequências da variante Delta analisadas, 55 apresentam a mutação adicional K417N na proteína `spike´ (sub-linhagem AY.1), o que significa que, na amostragem nacional de Junho, não tem evidenciado uma tendência crescente.

Relativamente à variante Alpha, associada inicialmente ao Reino Unido e que chegou a ser a predominante em Portugal, o INSA adianta que “continua com forte decréscimo de frequência a nível nacional”, apresentando uma frequência relativa de 9.8%.

“A frequência relativa das variantes Beta e Gamma, associadas inicialmente à África do Sul e ao Brasil (Manaus), respectivamente, mantém-se baixa e sem tendência crescente nas últimas amostragens a nível nacional”, refere ainda o relatório.

Entre outras variantes de interesse já detectadas em Portugal, o instituto aponta a circulação da variante com a linhagem B.1.621, detectada inicialmente na Colômbia, a qual apresentou frequências relativas entre 1% e 0.4%, assim como a Lambda, com circulação vincada no Peru e do Chile, a qual foi detectada em apenas dois casos em Portugal, desde Abril deste ano.

O INSA já analisou 10.824 sequências do genoma do novo coronavírus, obtidas de amostras colhidas em mais de 100 laboratórios, hospitais e instituições, representando 288 concelhos de Portugal.

Em Junho, o instituto anunciou um reforço da vigilância das variantes do vírus que causa covid-19 em circulação em Portugal, através da sua monitorização em contínuo.

Esta nova estratégia permite uma melhor caracterização genética do SARS-CoV-2, uma vez que os dados serão analisados continuamente, deixando de existir intervalos de tempo entre análises, que eram dedicados, essencialmente, a estudos específicos de caracterização genética solicitados pela saúde pública.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em Março de 2020, morreram 17.118 pessoas e foram registados 892.741 casos de infecção, de acordo com a Direcção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, a Índia ou a África do Sul.

Diário de Notícias
DN/Lusa
06 Julho 2021 — 16:56

 

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844: 2.605. Há quase cinco meses que não havia tantos casos novos

SAÚDE/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

De acordo com o Boletim da Direcção-Geral da Saúde, há 543 pessoas internadas, das quais 122 em unidades de cuidados intensivos.

© EPA/ADI WEDA

Portugal contabiliza 2.605 novas infecções por covid-19 e 4 mortos nas últimas 24 horas, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado este sábado (3 de Julho) pela Direcção Geral da Saúde (DGS). É o número mais alto desde 13 de Fevereiro, quando se registaram 2856 casos.

Foram ainda registados mais 11 doentes internados, totalizando agora 543, dos quais estão 122 nos cuidados intensivos, mais quatro do que no dia anterior.

Refira-se que o boletim regista mais 1.718 casos dados como recuperados.

Com mais 1.362 casos, Lisboa e Vale do Tejo continua a representar mais de metade das novas transmissões do vírus, e três dos quatro óbitos. O Norte registou 557 casos e uma morte.

Apesar de ser a região do continente com menos casos no total, o Algarve continua a ser a terceira região com novas transmissões, agora com 299 (mais 86 do que na véspera).

Tendo em conta o aumento de casos registados em vários concelhos de Portugal, o Governo decretou na passada quinta-feira o dever de permanecer no domicílio e não circular na via pública entre as 23:00 e as 05:00 horas da manhã nos 45 municípios de risco elevado e muito elevado de contágio por covid-19.

Esta medida entrou em vigor na sexta-feira e abrange um total de 3,9 milhões de pessoas. Trata-se de uma regra cuja violação pode ser sancionada com prisão até um ano e quatro meses ou 160 dias de multa.

Variante Delta tem uma prevalência de 92,3% no Algarve

A variante Delta, associada à Índia, representa uma frequência relativa de 69,5% dos casos em Portugal, tendo em conta a sequenciação genética para a semana de 14 a 20 de Junho. É a variante dominante no nosso país, sendo que o Algarve é a região onde se regista a maior prevalência, 92,3%, para o mesmo período, indica relatório de monitorização das linhas vermelhas para a covid-19.

Já na região Centro, a prevalência desta variante é de 85,7%, em Lisboa e Vale do Tejo, o valor situa-se nos 84,7%, no Alentejo chega aos 70,8% e no Norte é de 49%. Nos Açores é de 4,4% e na Madeira de 22,7%, sendo que nas regiões autónomas os dados são referentes a duas semanas, a de 14 a 20 de Junho e a anterior.

“A frequência estimada para a semana 25 (21 a 27 de Junho), baseada na detecção do gene “S” por análise PCR, foi de 85% em Portugal continental. Apesar de menos exacto do que o valor obtido por sequenciação genética, este último valor indica também a manutenção da tendência crescente da frequência da variante Delta nos casos em Portugal.

Na análise por regiões da variante Delta (B.1.617.2), o relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), refere, no entanto, que “é de esperar a existência de algumas flutuações nas frequências apresentadas na medida em que ainda estão a ser apurados dados relativos a este período”.

Portugal pode atingir 240 casos por 100 mil habitantes dentro de seis dias

O relatório mostra o agravamento da pandemia, com uma incidência cumulativa a 14 dias a subir, situando-se nos 200 casos por 100.000 habitantes, à data de 30 de Junho. Um valor que deve atingir, a nível nacional, 240 casos nos próximos seis dias, caso a tendência crescente se mantenha.

“Este limiar já foi ultrapassado em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve”, ou seja, o dobro da linha vermelha que foi definida em 120 casos.

Diário de Notícias
DN
03 Julho 2021 — 14:04

 

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841: Variante Delta tem uma prevalência de 92,3% no Algarve

SAÚDE/COVID-19/VARIANTE DELTA/ALGARVE

O relatório de monitorização das “linhas vermelhas” para a covid-19 mostra o agravamento da pandemia em Portugal, com Lisboa e Vale do Tejo a ter 62% do total de internamentos em unidades de cuidados intensivos.

© PAULO SPRANGER/Global Imagens)

A variante Delta, associada à Índia, representa uma frequência relativa de 69,5% dos casos em Portugal, tendo em conta a sequenciação genética para a semana de 14 a 20 de Junho. É a variante dominante no nosso país, sendo que o Algarve é a região onde se regista a maior prevalência, 92,3%, para o mesmo período, indica relatório de monitorização das linhas vermelhas para a covid-19.

Já na região Centro, a prevalência desta variante é de 85,7%, em Lisboa e Vale do Tejo, o valor situa-se nos 84,7%, no Alentejo chega aos 70,8% e no Norte é de 49%. Nos Açores é de 4,4% e na Madeira de 22,7%, sendo que nas regiões autónomas os dados são referentes a duas semanas, a de 14 a 20 de Junho e a anterior.

“A frequência estimada para a semana 25 (21 a 27 de Junho), baseada na detecção do gene “S” por análise PCR, foi de 85% em Portugal continental. Apesar de menos exacto do que o valor obtido por sequenciação genética, este último valor indica também a manutenção da tendência crescente da frequência da variante Delta nos casos em Portugal.

Na análise por regiões da variante Delta (B.1.617.2), o relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), refere, no entanto, que “é de esperar a existência de algumas flutuações nas frequências apresentadas na medida em que ainda estão a ser apurados dados relativos a este período”.

Portugal pode atingir 240 casos por 100 mil habitantes dentro de seis dias

O relatório mostra o agravamento da pandemia, com uma incidência cumulativa a 14 dias a subir, situando-se nos 200 casos por 100.000 habitantes, à data de 30 de Junho. Um valor que deve atingir, a nível nacional, 240 casos nos próximos seis dias, caso a tendência crescente se mantenha.

“Este limiar já foi ultrapassado em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve”, ou seja, o dobro da linha vermelha que foi definida em 120 casos.

© DGS e INSA

O grupo etário com incidência cumulativa de infecções a 14 dias mais elevada correspondeu às pessoas entre 20 aos 29 anos, com 427 casos por 100 mil habitantes.

© DGS e INSA

Em relação ao índice de transmissibilidade, R(t), na semana de 23 a 27 de junho foi de 1,16 a nível nacional e de 1,17 no continente. “Observou-se um valor de R(t) superior a 1 em todas as regiões do continente, indicando uma tendência crescente da incidência de infecção por SARS-CoV-2 / COVID -19”, lê-se no documento.

Estes valores agravam-se no Algarve, que apresenta um R(t) de 1,28, e no Centro, com este indicador a situar-se em 1,24.

© DGS e INSA

Os dados do DGS e o INSA indicam que o “número diário de internados em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) no continente revelou uma tendência crescente, correspondendo a 47 %” do limite definido como crítico de 245 camas ocupadas. Uma situação que tem vindo a registar uma tendência crescente no último mês.

A 30 de Junho, estavam nos cuidados intensivos 113 doentes, a maioria na faixa etária entre os 40 e os 59 anos, adianta ainda o relatório, que considera que, no último mês, o aumento da actividade epidémica tem “condicionado um aumento gradual na pressão dos cuidados de saúde, em especial na ocupação dos cuidados intensivos”.

Lisboa e Vale do Tejo, “com 71 doentes internados” em situação grave, “representa 62% do total de casos em UCI, e corresponde a 86% do limite regional de 83 camas em UCI definido no relatório ‘Linhas vermelhas'”, refere a DGS e o INSA.

© DGS e INSA

Ao nível nacional, a proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 foi de 3,2%, quando na semana anterior tinha sido de 2,3%, valor que se mantém abaixo, mas agora mais próximo, do limiar definido de 4%.

O relatório refere também que se verificou um aumento do número de testes para detecção de SARS-CoV-2 realizados nos últimos sete dias, somando um total de 390 241 despistes do vírus.

Com Lusa

Diário de Notícias
DN
02 Julho 2021 — 22:34

 

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823: Portugal com o maior número de infecções diárias desde Fevereiro

SAÚDE/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Portugal registou nas últimas 24 horas 1.746 novos casos e seis mortes por covid-19. É o número mais alto de novas infecções desde Fevereiro (dia 19), aproximando-se da fasquia dos 2.000 casos diários.

© André Luís Alves / Global Imagens

De acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta terça-feira (29 de Junho), há agora 492 pessoas hospitalizadas (menos 10 do que no dia anterior). Deste total, 119 doentes estão internados em unidades de cuidados intensivos (mais quatro do que na segunda-feira), perto da barreira dos 120 assinalada pelos especialistas.

Lisboa e Vale do Tejo volta a ter mais de metade (55,3%) dos novos casos diários, com 965, tendo também registado cinco das seis mortes divulgadas esta terça-feira. O outro óbito foi registado na região Norte, onde se contabilizam novos 361 casos da doença.

No Algarve há 180 novas infecções notificadas e na região Centro 152. Seguem-se os Açores (57), o Alentejo (30) e a Madeira (11).

De acordo com os dados divulgados pela DGS, três das mortes foram registadas na faixa etária superior a 80 anos (duas mulheres e um homem), enquanto duas (uma mulher e um homem) dizem respeito à faixa entre os 70 e os 79 anos e uma outra foi de uma mulher entre os 60 e os 69.

O número de recuperados nas últimas 24 horas foi de 1.677, o que, feitas as contas, leva a que haja hoje um total de 32.134 casos activos (mais 63 do que na véspera).

O país contabiliza agora um total de 877.195 casos confirmados e 17.092 óbitos desde o início da pandemia.

Frequência da variante delta com subida galopante e chegou a 55,6% em Junho

A frequência da variante Delta do novo coronavírus aumentou de forma galopante num mês, passando de 4% em maio para 55,6% em Junho, segundo o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

De acordo com o mais recente relatório de situação sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal, divulgado pelo INSA, a variante Delta, associada inicialmente à Índia, teve “uma subida galopante” na frequência relativa a nível nacional, mas a sua distribuição “é ainda muito heterogénea entre regiões”.

Segundo o INSA, a distribuição da variante delta varia entre 3,2% (Açores) e 94,5% (Alentejo), mas, tendo em conta a tendência observada entre maio e Junho, “é expectável que esta variante se torne dominante em todo território nacional durante as próximas semanas”.

Do total de sequências da variante Delta analisadas até à data, 46 apresentam a mutação adicional K417N na proteína Spike, refere o instituto.

No entanto, sublinha, cerca de 50% destes casos restringem-se a apenas duas cadeias de transmissão de âmbito local, o que sugere que a sua circulação comunitária é ainda limitada, sendo a frequência relativa deste perfil (Delta+K417N) na amostragem nacional de Junho de 2,3%.

De acordo com o relatório, entre as novas sequências analisadas, a variante Alpha (B.1.1.7), associada inicialmente ao Reino Unido, foi detectada por sequenciação com uma frequência relativa de 40,2% na amostragem nacional de Junho, evidenciando uma forte redução de frequência a nível nacional (88,4% em maio).

Contudo, explica o INSA, “esta variante [Alpha] é ainda a mais prevalecente na região Norte (62,7%) e nas regiões autónomas dos Açores (96,8%) e Madeira (69,8%)”.

O relatório do Instituto Ricardo Jorge dá ainda conta de que a frequência relativa das variantes Beta (B.1.351) e Gamma (P.1) mantém-se baixa, sem tendência crescente nas últimas amostragens.

“Em particular, destaca-se que a variante Beta foi detectada a uma frequência de 0,1% e em apenas duas regiões (Lisboa e Vale do Tejo e Região Autónoma da Madeira)”, refere.

Especialista diz que imunidade de grupo com variante delta só se deve atingir aos 85%

O médico intensivista José Artur Paiva admitiu esta terça-feira que, com a variante delta, a imunidade de grupo só se deverá atingir perto dos 85% e disse que a redução da idade dos doentes internados prova a efectividade das vacinas.

Em declarações à agência Lusa, José Artur Paiva, que pertence à Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a COVID-19, sublinhou que o grande determinante do aumento de doentes em medicina intensiva é o aumento da transmissibilidade do vírus e que quanto mais transmissível for o vírus mais difícil é atingir a imunidade de grupo.

“Com esta variante [delta] o atingimento da imunidade grupo não se fará nos tais 70%, mas sim com valores muito perto dos 85% de imunização”, disse, sublinhando a importância de conter o Rt (índice de transmissibilidade).

O especialista em medicina intensiva considera que o processo vacinal em curso “está a ser capaz de ter uma efectividade grande, que se mantém com esta variante [delta], nomeadamente de evitar formas de gravidade moderada ou intensa da doença”.

José Artur Paiva recorda que a média de idade nos internamentos diminuiu “por ausência ou franca diminuição dos casos em pessoas mais idosas”, frisando: “A média de idade dos doentes em medicina intensiva é de cerca de 50 anos, francamente mais baixa do que foi nas ondas anteriores”.

Como temos uma maior cobertura vacinal para pessoas com mais de 60 anos e com mais de 50 com outras doenças, e como sabemos que há efectividade das vacinas, mesmo em relação a esta variante que se está a tornar predominante, de facto, temos uma diminuição marcada dos casos graves. É essa a grande protecção que a vacina dá”, afirmou, lembrando que a protecção é conferida com a vacinação completa.

No fundo, acrescentou, “temos uma diminuição marcada [dos internamentos em cuidados intensivos] nessas pessoas mais idosas e até não tão idosas, mas com comorbilidades, e a manutenção de casos com pessoas mais jovens, que sempre existiram”.

José Artur Paiva lembra que com variantes mais transmissíveis, “como um determinado percentual dos casos será sempre grave, o número de hospitalizações e de internados em medicina intensiva fatalmente aumenta”. Contudo, insistiu, “aumenta menos do que aumentaria se não tivéssemos um processo vacinal em curso relativamente avançado”.

Sobre o tempo médio de internamento destes doentes, o especialista diz que “ainda é cedo” para tirar conclusões: “Vai ser muito heterogénea. (…) Há casos que respondem rapidamente a formas não invasivas de ventilação e, com poucos dias de estadia, saem. Mas também temos casos que precisam de suportes mais invasivos, até ECMO, e podem ficar muito tempo”.

Recorda que o vírus que provoca a covid-19, como qualquer vírus, “vai sempre adaptar-se e criar maneira de fazer mutações para se tornar mais transmissível”.

“Eles precisam das células do hospedeiro e o interesse do vírus não é tornar-se mais agressivo e matar o hospedeiro, mas tornar-se mais transmissível”, acrescentou o especialista, que pertence à direcção do colégio da especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos.

Além do controlo do factor de transmissibilidade e do avanço do processo de vacinação, concluindo-a nas pessoas mais idosas, vulneráveis e com comorbilidades, e avançando depois para os mais jovens, o responsável aponta a necessidade de manter os comportamentos que evitam a transmissão, como o uso de máscara, o distanciamento físico, a desinfecção das mãos e o evitar de agrupamentos de pessoas. “Isto não quer dizer confinar novamente. Quer dizer saber viver, mas com estes cuidados”.

Diário de Notícias
DN
29 Junho 2021 — 14:24

 

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