Para Eric Clapton, as garantias de que a vacina da AstraZeneca é segura são “propaganda”

 

SAÚDE/VACINAS/ASTRA-ZENECA

Eric Clapton, lenda do blues e do rock, já gravara com o irlandês Van Morrison uma canção contra o confinamento e o “medo” da pandemia. Agora, questiona a eficiência da vacina da AstraZeneca.

Eric Clapton, uma das grandes figuras da história da música popular britânica e do rock and roll, considera que as garantias científicas de que a vacina da AstraZeneca é segura não passaram de “propaganda”. A opinião foi dada pelo guitarrista, cantor e compositor numa carta enviada a um amigo chamado Robin Monotti, um arquitecto e produtor de filmes que tem vindo a desvalorizar o impacto e a gravidade da Covid-19 e a criticar medidas de contenção da pandemia adoptadas pelos Estados — como os confinamentos e o distanciamento social.

A carta, em que Eric Clapton detalha os efeitos secundários que sentiu após lhe terem sido administradas duas doses da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19, foi tornada pública por Robin Monotti na app de mensagens Telegram. De acordo com a revista Rolling Stone, a publicação terá sido feita com o consentimento do músico. A revista diz ainda ter “confirmado a autenticidade” da carta.

Na carta, Eric Clapton escreveu: “Tomei a primeira dose da AZ [AstraZeneca] e tive logo reacções severas que duraram dez dias. Acabei por recuperar e foi-me dito que receberia a segunda dose doze semanas depois da primeira. Cerca de seis semanas depois foi-me dada e administrada a segunda dose da AZ mas já tinha um pouco mais conhecimentos sobre os perigos”.

Nem preciso de dizer que as reacções foram desastrosas, as minhas mãos e os meus pés ou estavam congelados, adormecidos ou a arder, e fiquei bastante inútil durante duas semanas. Temi nunca mais poder tocar novamente [guitarra]. (Sofro de neuropatia periférica e nunca me deveria ter aproximado da agulha). Mas a propaganda dizia que a vacina era segura para todos…”, escreveu ainda Eric Clapton.

De acordo com a revista Rolling Stone, o músico descreve ainda na carta que nos últimos meses ficou a conhecer “heróis” como Desmond Swayne, um político britânico que se opôs terminantemente aos confinamentos para travar a propagação da pandemia, bem como “canais de Youtube” em que se questionava o consenso científico em torno da Covid-19.

Eric Clapton já tinha lançado um tema inspirado na pandemia intitulado “Stand and Deliver”, em conjunto com o guitarrista, cantor e compositor Van Morrison, outra grande figura da música mundial e da história da música popular britânica, que recebeu mesmo o título de sir e que foi autor de alguns dos grandes discos do blues-jazz e do folk-jazz.

No tema, Eric Clapton e Van Morrison opunham-se ao confinamento e alertavam para a importância de não adoptar esta medida de contenção do novo coronavírus para que a indústria da música e os seus profissionais pudessem ser salvos. A letra sugeria que as autoridades fomentavam o medo e não diziam a verdade às pessoas e questionava se o Reino Unido era ainda “uma nação soberana ou um Estado policial”.

No Reino Unido já morreram mais de 120 mil pessoas infectadas com o novo coronavírus e que tiveram um teste de diagnóstico positivo à infecção durante um período de 28 dias antecedentes à morte. O número de casos e mortes tem vindo a cair abruptamente desde que se intensificou o programa de vacinação, que está mais adiantado na Grã-Bretanha do que nos países da União Europeia.

Observador

Gonçalo Correia

19 Mai 2021, 00:37

 

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