664: Mais quatro mortes e 553 casos. R(t) e incidência descem

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Há mais 596 pessoas que recuperaram da covid-19, segundo os dados da DGS.

Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos
© Artur Machado / Global Imagens

Portugal registou 553 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, indica a Direcção-Geral da Saúde (DGS). O boletim epidemiológico desta sexta-feira (16 de Abril) refere também que morreram mais quatro pessoas devido à infecção pelo novo coronavírus.

O índice de transmissibilidade, denominado R(t), desde para 1,05 a nível nacional (antes estava a 1,06) e para 1,04 se só tivermos em conta o território continental (a última actualização era de 1,05).

Também desce a incidência da infecção pelo SARS-CoV-2. A nível nacional situa-se nos 71,6 casos por 100 mil habitantes (antes era de 72,4) e no continente é de 68,0 (antes era de 69,0).

© DGS

O boletim diário mostra que o número de internados subiu para 429 (mais seis doentes face ao dia anterior), dos quais 101 estão em unidades de cuidados intensivos (menos oito).

No total, desde o início da pandemia (em Março de 2020), Portugal confirmou 829.911 casos de infecção pelo novo coronavírus, 16.937 óbitos e 787.607 recuperados da doença, dos quais 596 foram reportados nas últimas 24 horas.

Desta forma, o número de casos activos da doença recuou para 25.367 (menos 47 do que ontem).

Das quatro mortes reportadas no relatório desta sexta-feira, duas ocorreram na região Norte, uma em Lisboa e Vale do Tejo e outra no Centro.

O Norte é hoje a região que regista o maior número de novas infecções, com 228 notificações em 24 horas. Verificam-se mais 182 casos em Lisboa e Vale do Tejo, 32 na região Centro, 25 no Alentejo e 23 no Algarve.

Nos Açores, a autoridade de saúde reporta mais 38 infecções enquanto na Madeira foram diagnosticados 25 novos casos de covid-19.

© DGS

A DGS anunciou hoje que “procedeu a uma rectificação da incidência cumulativa de covid-19 a 14 dias por 100 000 habitantes” em relação a Beja, para o período de 31 de Março a 13 de Abril de 2021. Com esta correcção, o concelho vai avançar para a terceira fase de desconfinamento, ao contrário do que foi indicado ontem pelo Governo.

A incidência cumulativa do município é, afinal, de “107 casos por 100 000 habitantes”, abaixo do limite dos 120 casos por 100 000 habitantes, informou a DGS.

Nas medidas anunciadas na quinta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, Beja estava incluída nos concelhos que não vão passar à fase seguinte do desconfinamento que se inicia na segunda-feira (19 de Abril), por terem “duas avaliações sucessivas em situação de risco”.

Com a saída de Beja do grupo, não prosseguem para a nova fase seis concelhos, mantendo as restrições actualmente em vigor. São eles Alandroal, Albufeira, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande e Penela.

Já os municípios de Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior vão regressar na segunda-feira às regras que vigoravam no continente português no início do processo de desconfinamento em curso, iniciado em 15 de Março.

Covid-19 responsável por 70,8% do excesso de mortalidade no primeiro ano de pandemia

Também nesta sexta-feira foram divulgados os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes à mortalidade.

Os números indicam que entre Março de 2020 e Fevereiro de 2021 morreram 134 278 pessoas em Portugal, mais 23 089 do que a média para o mesmo período entre 2015 e 2019.

Do total de mortes, 16 351 (12,2%) foram atribuídas à covid-19, o que representa 70,8% do excesso de mortalidade para o primeiro ano da pandemia que começou com o novo coronavírus detectado em 2019 na cidade chinesa de Wuhan.

Nos dados referentes à transição de Março para Abril deste ano, o INE nota que o número mortes continua a estar abaixo da média anual para o mesmo período calculada a partir dos números de 2015 a 2019.

Estudo estima 17% da população portuguesa com anticorpos em Março após infecção e vacinação

Foram também conhecidos hoje os resultados do estudo, designado Painel Serológico Longitudinal Covid-19, que analisou a presença de anticorpos para o SARS-CoV-2 em colheitas de sangue feitas entre 1 e 17 de março, em Portugal continental e ilhas, com uma amostra representativa da população portuguesa.

O estudo estima que 13% da população portuguesa teria em Março anticorpos contra o coronavírus da covid-19 após a infecção natural, uma percentagem que sobe para 17% quando incluídas as pessoas vacinadas.

Bruno Silva-Santos, investigador e vice-director do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, em Lisboa, disse à Lusa que os dados indicam que “a vacinação é a única via em tempo útil para se atingir a imunidade de grupo”, essencial para um regresso à normalidade.

A nível mundial, a infecção pelo SARS-CoV-2 é responsável por mais de 2,98 milhões de mortes, de acordo com o balanço desta sexta-feira da AFP, com base em fontes oficiais.

Mais de 139.008.120 casos de novas infecções foram oficialmente diagnosticados desde o início da pandemia, indica a agência de notícias.

Diário de Notícias
DN
16 Abril 2021 — 14:03

 

 

 

662: R(t) sobe para 1,06 e incidência para 72,4 infectados por 100 mil habitantes

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Boletim epidemiológico da DGS indica que Portugal registou nas últimas 24 horas 684 novos casos de covid-19 e oito mortes, havendo agora 447 doentes internados, dos quais 116 em unidades de cuidados intensivos.

Campanha de vacinação contra a covid-19 em Viana do Castelo
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

No dia em que o parlamento vota o 15º estado de emergência, em contexto de pandemia, Portugal registou, nas últimas 24 horas, 684 novos casos de covid-19. O boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (14 de Abril) refere também que morreram mais oito pessoas devido à infecção pelo novo coronavírus. Há agora 447 doentes internados, menos 12 do que no dia anterior, sendo este o número mais baixo desde meio de Setembro. Deste total, 116 ainda se encontram em unidades de cuidados intensivos menos dois que na terça-feira.

Nesta quarta-feira, o boletim da DGS destaca-se pela subida da incidência da doença a nível nacional, passando para 72,4 de infectados por 100 mil habitantes, e para 69,0 de infectados por 100 mil no Continente. Quanto ao R(t), e tal como foi referido ao DN na segunda-feira por Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está a crescer em média uma centésima por dia, e nesta quarta-feira já está em 1,06 a nível nacional, antes estava a 1.04, e 1,05 no Continente, antes estava a 1,03.

Recorde-se, e como explicou Carlos Antunes ao DN, os valores de incidência e de R(t) indicados pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo (INSA) e divulgados no boletim diário da DGS, têm um atraso de alguns dias. Por exemplo, o do R(t), como referiu o especialista que tem acompanhado a modelação da devolução da doença em Portugal, o R(t) já deve estar acima dos 1,11, devendo estar no dia 19 já em 1,18.

De acordo com o boletim da DGS, Portugal soma agora 828.857 casos de infecção desde o início da pandemia e 16.931 óbitos.

Nas últimas 24 horas, há ainda a registar mais 16 casos activos, totalizando agora 25.457 casos. Em vigilância, há apenas mais oito casos, num total e 18.404. A nível dos recuperados, há uma subida significativa, mais 660 casos nas últimas 24 horas, havendo agora 786.469 de infectados curados.

A região do Norte continua a ser a que regista maior número de casos, uma tendência que se mantém desde a semana passada, mais 265 casos e três óbitos. Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo com mais 188 casos e cinco óbitos, depois destaca-se a região do Algarve com mais 66 casos – na terça-feira tinha registado apenas 13 casos – mas sem qualquer óbito. A região do Centro registou também 66 novos casos e a do Alentejo mais 43, ambas sem óbitos.

Governo decide amanhã o que vai fazer

Amanhã, Portugal fica a saber se a próxima fase do plano de desconfinamento, que começa a 19 de Abril, vai manter-se, tendo em conta a actual situação epidemiológica. Isso mesmo disse a ministra da Saúde. Após a reunião de ontem no Infarmed, em Lisboa, Marta Temido remeteu a decisão de uma eventual alteração para a reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

Marta Temido deixou claro que o Governo “vai apreciar todos os números” da evolução da infecção em Portugal. “Estes dias que estamos a viver são decisivos para que se consolidem tendências num sentido ou noutro e para que possamos tomar decisões na quinta-feira para o período que vem a seguir ao dia 19, para o qual estava previsto um conjunto de decisões, mas a nossa estratégia gradual poderá ter paragens ou avanços”, observou.

“Seria prudente esperar antes de continuar a aliviar medidas”

Ao DN, a médica pneumologista Raquel Duarte, que integrou a equipa que elaborou a proposta de desconfinamento pedida pelo governo, diz que o momento é de alerta e que se deve dar “passos seguros”.

“Devemos dar passos mais pequenos, mas seguros, que não prejudiquem o que se conseguiu até agora”, defendeu, após ter ouvido os colegas especialistas na reunião de ontem no Infarmed. Raquel Duarte considera que é preciso “ser prudente e esperar algum tempo antes de continuar o aliviar das medidas restritivas e de se abrir mais sectores”

UE compra mais 50 milhões da vacina da Pfizer

Entretanto, esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia anunciou a compra de mais 50 milhões de doses da vacina da Pfizer, elevando para 250 milhões o total para entrega neste segundo trimestre, após problemas com o fármaco da Janssen.

De referir que o regulador de medicamentos norte-americano recomendou uma pausa na administração da vacina da farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, após a detecção de coágulos sanguíneos em seis mulheres vacinadas.

Ursula von der Leyen, presidente do executivo comunitário, anunciou que, “mais uma vez”, o Bruxelas “chegou a acordo com a BioNTech/Pfizer para acelerar a entrega de vacinas, num total de 50 milhões de doses adicionais que serão entregues no segundo trimestre, com início em Abril”.

De acordo com von der Leyen, “estas doses serão distribuídas proporcionalmente à população entre todos os Estados-membros, o que ajudará substancialmente a consolidar o desenvolvimento das campanhas de vacinação”.

Esta aquisição foi anunciada no dia em que o jornal La Stampa, que cita uma fonte do ministério da Saúde italiano, a dar conta de um “acordo” com a Comissão Europeia e “líderes de muitos países”, para que não haja renovação dos contratos com a AstraZeneca e a Johnson & Johnson, cujas respectivas vacinas se encontram em análise pelos reguladores da UE e dos EUA, por suspeitas de reacções adversas.

Contactada esta manhã pelo DN para reagir à notícia, o porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, escusou-se a “comentar questões contratuais”, mas não fechou a porta a qualquer das opções. Pelo contrário, afirma que todas as possibilidades “estão em aberto”.

Diário de Notícias
DN
14 Abril 2021 — 14:36

 

 

 

“Governo deve ponderar adiamento da próxima fase de desconfinamento”

 

 

SAÚDE/DESCONFINAMENTO/GOVERNO

O R(t) continua a subir. Não é o valor que é preocupante, mas o ritmo da evolução. Se não se tomarem medidas, a tendência é para piorar. E os dados actuais “ainda não refletem reabertura das esplanadas”, alerta Carlos Antunes. Governo e especialistas reúnem-se esta terça-feira no Infarmed.

Dados que vão ser apresentados hoje no Infarmed ainda não refletem o impacto da segunda fase de desconfinamento.

O R(t) – valor de transmissibilidade da covid-19 – continua a aumentar a um ritmo “significativo e preocupante”, defende ao DN Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências (FCL) da Universidade de Lisboa. “Não é o valor em si que é preocupante, mas o ritmo da sua evolução”, explicou, sustentando que “o R(t) está a subir desde meados de Fevereiro e sempre ao mesmo ritmo, uma centésima por dia, e nós estamos a potenciar ainda mais essa subida com o desconfinamento. Portanto, quem vai ter de decidir nos próximos dias, já deveria estar preocupado, embora não estejamos com 3 mil ou 6 mil casos, nem com 500 camas cheias nas unidades de cuidados intensivos”, argumenta o professor do Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da FCL, que desde o início da pandemia integra uma equipa que tem vindo a fazer a modelação da evolução da doença.

“As cautelas têm de ser tomadas agora e quem decide tem de pensar no que vai fazer, porque no dia 19, data para a terceira fase de desconfinamento, o R(t) já deve estar em 1.18”. Ou seja, se não forem tomadas medidas a tempo, num “ápice a multiplicação de casos que agora, de acordo com o nosso método, está a 21 dias passará para os 14 dias. E isto, sim, é preocupante”. Até porque não se perspectiva uma retracção na mobilidade da sociedade, e “a tendência é para piorar”.

O alerta é deixado aos políticos e aos especialistas que hoje voltam a reunir-se no Infarmed para analisar a evolução da doença no país, tendo por base os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

De acordo com o boletim diário da DGS desta segunda-feira, nas últimas 24 horas tinham sido registados 271 casos, dois óbitos e 25 mil casos activos. Há um mês, precisamente no dia 13 Março, dois dias antes de se iniciar o desconfinamento, havia 564 casos, 19 mortos e 40 788 casos activos. A maior diferença nos dados está nos internamentos. Ontem, havia 479 pessoas internadas, 119 das quais em cuidados intensivos e a 13 de Março o número total era de 980 internamentos, 253 em intensivos. Quanto à incidência da doença, estava em cerca de 60 casos por 100 mil habitantes e o R(t) abaixo de 1. Agora, está em 70,0 por 100 mil e o R(t) em 1,04.

Segundo refere ao DN Carlos Antunes, é a evolução da doença a este ritmo que deve fazer soar os alarmes. “O R(t) está a subir diariamente. O valor reportado ontem pela DGS já está desactualizado, é de 5 de Abril, portanto de há sete dias, já que a análise do INSA tem um atraso. Nesta segunda-feira já deve estar em 1,11, mas este valor só deve ser reportado pelo INSA no próximo relatório, no dia 17. Ou seja, e mais uma vez, quando chegarmos à próxima segunda-feira, dia 19, e se for tomada a decisão de se manter o calendário de desconfinamento, que prevê a reabertura dos ensinos secundário e universitário e dos restaurantes já teremos um R(t) muito superior (1.18)”.

E isto porque “o R(t) não irá parar de subir. Isso só acontecerá se houver uma alteração da matriz dos contactos e da nossa mobilidade, mas o que se observa agora é precisamente o aumento dessa mobilidade”.

Na opinião do especialista, a reabertura de todas as actividades previstas a 19 vai potenciar ainda mais o aumento do R(t), porque haverá aumento da mobilidade. Argumentando: “Quando digo que evolui a um ritmo preocupante é precisamente porque não há perspectivas de que possa começar a desacelerar. O valor de 1.04 ainda não é preocupante, só o é para quem tem de tomar decisões e tem de pensar para daqui a uma ou duas semanas. Quem tem de decidir tem de pensar como quer que a situação evolua: se no sentido de desanuviar ou no sentido de aumentar a pressão.”

Dados ainda não espelham impacto das esplanadas

Para Carlos Antunes, neste momento devem ser ponderados três cenários por quem tem o poder de decidir. “Se se suspende a terceira fase do desconfinamento por uma ou duas semanas, se se abre todas as actividades ou não e até se se deve regredir nalgumas áreas que abriram.” O professor adianta não saber o que vai ser decidido, nem que visão será levada pelos especialistas à reunião de hoje do Infarmed, mas de uma coisa tem a certeza: “Os dados que hoje vão ser apresentados anda não espelham o impacto da segunda fase do desconfinamento, o impacto da abertura das escolas dos 2.º e 3.º ciclos e das esplanadas. Este só vamos ficar a saber nesta semana e só serão confirmados pelos indicadores na próxima semana.”

Neste momento, os indicadores ainda nos dizem que estamos numa posição confortável e, por isso, pode haver hesitação em tomar medidas, mas isso só vai fazer que os contactos e os contágios aumentem.

Questionado pelo DN se poderemos voltar a ter uma vaga com a intensidade de Janeiro, Carlos Antunes diz que não: “Uma nova vaga sim, mas não com a intensidade do último pico da doença, só se houvesse uma inércia política para tomar decisões, mas acredito que serão tomadas.”

Terão de ser, porque, justifica, “foi referido que a multiplicação de casos pode acontecer daqui a dois meses, mas os dados que recebi nesta segunda-feira do INSA revelam que este valor já está desactualizado. Os valores a que tive acesso indicam, e seguindo o método de cálculo do próprio INSA, que a multiplicação já está a acontecer a 40 dias, porque de acordo com o nosso método de cálculo a multiplicação já está a acontecer a 21 dias, na próxima semana já pode estar a 14 dias. Se agora temos um valor médio de 600 casos dia, daqui a três semanas poderemos estar nos 1200, o que ultrapassa os 120 casos por 100 mil habitantes. E isto é preocupante”.

O país tem linhas vermelhas e estas não podem ser ultrapassadas. “Acredito que haverá uma acção mais precoce e que se calhar o desconfinamento tem de ser feito mais a conta-gotas – os ingleses estão a desconfinar de cinco em cinco semanas, nós em duas -, mas a evolução do vírus não é compatível com a definição de um calendário feito um mês e meio antes.”

anamafaldainacio@dn.pt

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
12 Abril 2021 — 23:14

 

 

 

657: Desconfinamento já se faz sentir nos internamentos. R(t) já está acima de 1

 

 

SAÚDE/COVID-19/DESCONFINAMENTO

(CC0/PD) Tobias Zils / unsplash

O número de casos está a aumentar e este efeito já se começa a sentir nos internamentos. Esta foi a segunda semana consecutiva com aumento de casos, com uma média de 495 novos casos diários.

De acordo com o jornal digital Observador, na última sexta-feira, a média referente aos novos casos reportados ao longo dos sete dias anteriores era de 452 novos casos de infecção. Verificaram-se ao longo dos últimos sete dias, em média, mais 43 casos diários de infecção, o que significa mais 301 casos durante essa semana.

O chamado R(t), índice médio de transmissibilidade do vírus, está agora a 1,02 em solo continental e em 1,02 na totalidade do país. O primeiro-ministro António Costa tinha apontado o valor de 1 para o R(t) como um limite que, caso fosse ultrapassado, poderia colocar em causa o ritmo de desconfinamento nacional.

Segundo o jornal Público, as previsões dão conta de que vão aumentar os internados com a doença em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), bem como nos outros serviços, nos próximos dias.

“Os dados já apontam para algum aumento de internamentos, mas mesmo assim, não está a capturar as alterações dos últimos dias. A situação tenderá a piorar”, alertou Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

O responsável disse esperar que o cenário mais positivo apresentado na mais recente previsão “não deverá ser cumprido”, uma vez que os números reflectidos já foram atingidos esta quinta-feira, mas o modelo matemático usado nas projecções tem de ser “respeitado”.

Segundo o modelo, o país deve necessitar de ter entre 484 (cenário mais positivo) e 520 (cenário negativo) camas para receber doentes internados com ​covid-19 na próxima semana. Destas, entre 107 e 112 serão para internamentos em UCI.

“Com o aumento do R(t), o número de casos vai aumentar. As medidas de contra balanço a este aumento esperado com o desconfinamento devem ser assimétricas, de acordo com a evolução regional. Os municípios com taxas mais elevadas têm de ter medidas mais duras, nomeadamente de restrição do processo de desconfinamento”, defendeu Alexandre Lourenço.

A previsão de mais internamentos faz com que volte a crescer também o número de profissionais necessários para lidar com a doença. Na próxima semana, deverão ser necessários entre 144 e 153 médicos, 982 e 1050 enfermeiros e entre 399 e 433 técnicos auxiliares de saúde. Já o número de profissionais de saúde público deverá situar-se entre os 477 e 535.

Desconfinamento está a levar o R(t) para perto do limite definido por Costa

Desde o início do desconfinamento, o R(t) aumentou de 0,84 para 0,93 a nível nacional. António Costa tinha definido que…

Ler mais

Duas escolas fecham em Faro

Um surto de covid-19 em duas escolas básicas do concelho de Faro obrigou esta sexta-feira ao encerramento dos estabelecimentos, que têm no total 300 alunos.

A escola foi hoje fechada. Ontem [quinta-feira] ainda houve aulas, mas as turmas onde foram identificados casos positivos não tiveram aulas e depois, ao fim da tarde, o delegado de saúde decidiu fechar as escolas”, contou João Geraldes, presidente da associação de pais de um dos estabelecimentos, à Lusa.

Segundo fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, “os inquéritos epidemiológicos estão em curso, mas tudo indica que a disseminação do vírus terá ocorrido em festas familiares e sociais, de aniversário, bem como na prática desportiva” num clube local.

Em declarações à Lusa, a mesma fonte referiu que existem “vários agregados familiares com todos os elementos positivos” e que “muitos dos casos positivos contactados, incluindo as crianças, estão sintomáticos”, embora com sintomas ligeiros, o que levou a que as primeiras pessoas diagnosticadas tivessem tido a iniciativa de fazer auto testes.

Os estabelecimentos em causa são a Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro e a Escola Básica do 1º. Ciclo do Montenegro, segundo a autoridade local de saúde “uma pequena escola com duas salas” do mesmo agrupamento.

A mesma fonte adiantou que está em curso um “processo de testagem massiva”, pelo facto de se tratarem “de vários casos, distribuídos por quase todas as salas dessas escolas, e com a perspectiva de aumento”.

Segundo o presidente da Associação de Pais da Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro, o número de infectados aponta para “cerca de 20 pessoas” pelo facto de algumas crianças terem infectado os pais e irmãos.

O contágio não terá sido na escola, estas coisas acontecem quase sempre fora da escola”, frisou João Geraldes, notando que a origem do surto “terá sido numa festa de aniversário onde estiveram meia dúzia de crianças, quase todas das mesmas turmas” e que têm também actividades num clube local.

O presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, considerou que, até agora, não há motivo para “grande preocupação”, mas manifestou-se apreensivo com o efeito que o surto poderá vir a ter nos próximos dias.

Por Maria Campos
10 Abril, 2021