717: Alemães acreditam ter encontrado causa dos efeitos secundários das vacinas da AstraZeneca e Janssen

 

SAÚDE(COVID-19/VACINAS/EFEITOS SECUNDÁRIOS

Vacinas produzidas pela AstraZeneca e Johnson & Johnson têm causado raros mas graves casos de coágulos sanguíneos

© EPA/Gustavo Amador

Investigadores alemães acreditam, com base em investigações laboratoriais, ter encontrado a causa dos raros mas graves casos de coágulos no sangue entre algumas pessoas que receberam as vacinas contra a covid-19 produzidas pela AstraZeneca e Johnson & Johnson.

Num estudo que ainda não foi revisto por especialistas, os investigadores referem que as vacinas usam vectores de adenovírus que enviam parte da sua carga viral para o núcleo das células, onde algumas das instruções para produzir proteínas de coronavírus podem ser mal interpretadas. As proteínas resultantes podem desencadear distúrbios de coagulação do sangue num pequeno número de receptores, sugerem os especialistas, citados pela Reuters.

Rolf Marschalek, um professor da Goethe University, de Frankfurt, acredita que as vacinas podem ser reformuladas para contornar o problema e que a Johnson & Jonhson está já em contacto com ele. A companhia “está a tentar optimizar a vacina”, afirmou. “Com os dados que temos nas nossas mãos, podemos dizer às companhias como fazer a mutação dessas sequências, codificando a proteína spike de forma a prevenir reacções indesejadas”, acrescentou.

Por outro lado, os investigadores alemães ainda não foram contactados pela AstraZeneca. “Se eles o fizerem, posso dizer-lhes o que têm de fazer para aperfeiçoar a vacina”, frisou ao Financial Times.

Cientistas e entidades reguladoras de medicamentos na Europa e nos Estados Unidos têm procurado explicação para a causa dos raros mas fatais casos de coágulos sanguíneos que levaram alguns países a suspender ou a limitar o uso das vacinas da AstraZeneca e da Johnson & Johnson.

A 23 de Abril, a EMA defendeu a administração da segunda dose da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, mesmo com os riscos associados à possibilidade de ocorrência de coágulos sanguíneos raros após a vacinação. De acordo com a agência europeia, os benefícios da vacinação continuavam a superar os riscos.

A Dinamarca decidiu em meados de Abril abandonar a AstraZeneca, o primeiro país da Europa a desistir, seguida em maio pela Noruega. A maioria dos países europeus que continuam a usar a vacina limitaram a sua administração com condicionantes relacionados à idade. Em Portugal, a administração da vacina da AstraZeneca é recomendada para as pessoas com mais de 60 anos.

A Bélgica anunciou esta quarta-feira que suspendeu a utilização da vacina da Johnson & Johnson em pessoas menores de 41 anos depois da morte de uma mulher dessa faixa etária a quem foi administrado esse fármaco.

Por essa razão, a Bélgica solicitou um “conselho urgente” à Agência Europeia de Medicamentos, o regulador de medicamentos da União Europeia (UE), antes de considerar levantar a suspensão, informou ainda.

A 20 de Abril, a Agência Europeia do Medicamento concluiu que há uma possível relação entre a formação de coágulos sanguíneos e a vacina da Janssen, na sequência de terem sido registados oito casos de pessoas que desenvolveram coágulos sanguíneos em quase sete milhões de pessoas vacinadas nos EUA.

Diário de Notícias
DN
27 Maio 2021 — 08:26

 

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Responsável da EMA: “Agora podemos afirmar, está claro que há uma ligação com a vacina”

 

SAÚDE/VACINAS/ASTRA-ZENECA

Agência Europeia do Medicamento deverá declarar que existe uma ligação entre a vacina e os casos de coágulos sanguíneos, segundo afirmou um responsável do regulador europeu.

Profissional de saúde prepara doses da vacina contra a covid-19, desenvolvida pela AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford
© EPA/GIUSEPPE LAMI

Marco Cavaleri, director de estratégia de vacinas da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) admite a existência de “uma ligação” entre a vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, e os casos de coágulos sanguíneos em pessoas que foram imunizadas com o fármaco. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal italiano Il Messaggero, publicada esta terça-feira.

Agora podemos afirmar, está claro que há uma ligação com a vacina. Mas ainda não sabemos o que provoca esta reacção (…) Nas próximas horas vamos declarar que existe uma ligação, mas ainda temos de perceber a razão pela qual isso acontece”, disse Cavaleri.

Depois de vários países optarem por suspender, como medida de precaução, a administração da vacina desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca, entre os quais Portugal, a Agência Europeia do Medicamento fez uma nova análise ao fármaco.

O regulador europeu considerou a vacina “segura” e eficaz”, tendo declarado que os benefícios superam os riscos e que deve continuar a ser administrada.

Depois desta nova avaliação da EMA, Portugal foi um dos países que retomou a imunização com a vacina da AstraZeneca.

Estamos a tentar obter uma imagem precisa do que está a acontecer, para definir em pormenor esta síndrome decorrente da vacina”, disse Cavaleri.

O responsável da EMA admitiu ainda: “Entre os vacinados, há mais casos de trombose venosa cerebral… entre os jovens do que seria de esperar.

Reino Unido registou 30 casos de coágulos sanguíneos em 18,1 milhões de doses administradas

De referir que no Reino Unido foram registados 30 casos de coágulos sanguíneos em pessoas que tomaram a vacina e sete mortes de um total de 18,1 milhões de doses administradas até 24 Março.

No final o mês passado, a directora executiva da EMA, Emer Cooke, anunciou que foram comunicados ao regulador europeu 62 casos de coágulos de sangue invulgares e 14 mortes até 22 de Março após a toma da vacina da AstraZeneca contra a covid-19.

A EMA afirmou, na altura, “não existirem provas” científicas que recomendem a restrição do uso da vacina, que foi denominada por Vaxzevria, insistindo não existir “relação casual” com os episódios de coágulos sanguíneos. No entanto, garantiu que “ainda está em curso uma análise mais aprofundada”.

“De acordo com os conhecimentos científicos actuais, não existem provas de apoio à restrição do uso desta vacina em qualquer população”, declarou a directora executiva da EMA.

Emer Cooke notou, nessa ocasião, que, apesar dos casos de aparecimento de coágulos sanguíneos e da morte de algumas pessoas inoculadas com este fármaco, “ainda não foi provada uma relação causal com a vacina”.

Paul Hunter, especialista em microbiologia médica da Universidade de East Anglia, entrevistado pela agência de notícias AFP, “a evidência aponta mais para a vacina Oxford-AstraZeneca como causa”.

Como precaução, vários países determinaram a aplicação desta vacina a algumas faixas etárias, como França, Alemanha e Canadá.

A AstraZeneca refere que os benefícios da vacina na prevenção da covid-19 superam os riscos dos efeitos secundários. A farmacêutica anglo-sueca afirmou no sábado que a “segurança do doente” é sua “principal prioridade”.

Diário de Notícias
DN/AFP
06 Abril 2021 — 11:35

 

 

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