Cuidadores informais: “Em que é que me vão formar depois de 23 anos a cuidar das minhas filhas?”

Iniciativas legislativas do governo e dos diferentes partidos são discutidas hoje no parlamento. Cuidadores não querem projectos-piloto e torcem o nariz a formações. Querem apoios concretos e imediatos para quem se dedica aos seus

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Helena Lagartinho vai respondendo às perguntas em andamento. Está na faculdade, onde foi buscar uma das duas filhas gémeas. Ambas são estudantes universitárias. “A Rita está a tirar Artes e Humanidades e a Inês está a tirar Estudos Portugueses”. Ambas têm paralisia cerebral. Mas nunca deixou que essa condição as impedisse de sonhar alto. “Se as tivesse institucionalizado, acha que estavam na faculdade? Que tinham feito estes cursos”? Não espera pela resposta. “A Rita é atleta paraplégica de grau 1, de equitação adaptada. Já é internacional. A Inês publicou um livro. Tudo isto porque estão a ser criadas por mim”.

Desde que as filhas nasceram, há 23 anos, Helena pôs de lado a profissão de contabilista e passou a dedicar-se a elas a tempo inteiro. É cuidadora informal. Uma actividade que, segundo as associações, ocupa integralmente ou a tempo parcial cerca de 800 mil portugueses – o governo aponta para 230 mil, fazendo as contas com base nas pessoas que recebem complementos por dependência. Mas para a qual não existe qualquer enquadramento específico.

Esta sexta-feira, no Parlamento, na sequência de uma petição lançada há quase dois anos, serão discutidas propostas do governo e dos diferentes partidos no sentido de reconhecer esta actividade e lhe conceder alguns direitos. Quase todas contemplam a introdução de algum tipo de subsídio – pelo menos para os cuidadores a tempo inteiro – e reconhecem o direito ao descanso e à protecção no trabalho dos cuidadores, bem como o acesso em condições privilegiadas a serviços de saúde.

Mas todas ficam aquém das expectativas destes cuidadores. A começar pela proposta do governo, anunciada pelos ministérios da Saúde e da Segurança Social, que prevê a realização de projectos-piloto em cerca de 15% do território nacional e acções de formação dos cuidadores antes que as novas medidas sejam generalizadas, o que deverá atirar a sua aplicação concreta para 2020 ou 2021.

“Quando ouvimos o governo falar na capacitação e na formação dos cuidadores, pergunto em que é que me vão formar ou capacitar depois de 23 anos“, questiona Helena, que tem outras três filhas, já adultas, todas criadas unicamente com o salário do marido. “O cuidador informal é abandonado e marginalizado e ainda nos olham como se quiséssemos viver à conta das pessoas de que cuidamos”, lamenta. “Acompanhei as minhas filhas todo este tempo, não tenho carreira contributiva. O que é que vão fazer aos cuidadores que deixaram tudo, como é o meu caso”?

Das propostas dos partidos em cima da mesa, as que mais agradam a esta mãe são as “do Bloco de Esquerda e do CDS”, nomeadamente por contemplarem apoios concretos para os cuidadores a tempo inteiro, entre os 300 e os 380 euros. “Uma família de acolhimento que receba em casa uma pessoa normal recebe 380 euros do Estado. Se acolher uma pessoa deficiente, dão-lhe 600 euros. Eu sou cuidadora das minhas filhas e o Estado não me dá nada”, diz, estimando que terá poupado ao Estado “talvez meio milhão de euros” por ter decidido criar as filhas em vez de as entregar a uma instituição, à qual a Segurança Social pagaria “1040 euros por mês por cada uma”.

Reformada “compulsivamente”…por cuidar da irmã e dos sobrinhos

” É verdade que é a primeira que vemos um projecto do governo sobre esta matéria”, reconhece Maria dos Anjos Catapirra. “Mas está muito aquém das nossas expectativas. Não são os projectos-piloto que nos vão ajudar a mudar o quer que seja. Do que precisamos é de legislação aprovada e aplicada”, diz, apontando também a preferência para o projecto de outro partido. neste caso do CDS: “Além daquilo que acreditamos que seja viável, que é o descanso para o cuidador e o subsídio, defendem medidas laborais, inclusivamente, que nem estão contempladas no projecto do governo. E também apoios e benefícios fiscais”.

Helena aponta também a importância de proteger os cuidadores a tempo parcial ou temporários no emprego. “Se tivesse a possibilidade de conciliar o cuidado dos meus filhos com um período de trabalho, por exemplo da parte da manhã, mas sem perda de remuneração, seguramente que o que faria”, diz.

Maria dos Anjos era profissional de seguros quando começou a tratar da irmã, mãe solteira, que desenvolveu Alzheimer precoce. Acompanhou a irmã até à morte desta e tomou conta dos sobrinhos até estes se tornarem adultos e ganharem a sua independência. No processo, perdeu o emprego. “Acabei por ter uma reforma compulsiva pelas ausências, por tudo aquilo de que precisava e não compreendiam que precisava.

Foi uma das subscritoras da primeira petição a dar entrada no parlamento, para tentar mudar as coisas.

A proposta do PSD, que prevê um estatuto do cuidador informal, centra atenções nas pessoas que tratam de familiares idosos. Mas para Maria dos Anjos esse é um dos erros comuns: acreditar-se que estes são os únicos a precisar de cuidados permanentes.”Hoje em dia tomo conta da minha mãe, que é invisual e tem 87 anos. Mas nem mais ou menos é semelhante situação pela qual passei”, garante. “Tratar de uma pessoa com demência é completamente diferente. Por isso é que hoje em dia nem me considero uma cuidadora. Sou filha dela e tomo conta dela. As pessoas com demência perdem toda a remuneração que tinham – a minha irmã, porque era jovem, nem reforma tinha. Tinha filhos menores, era mãe solteira, e não tinha qualquer apoio estatal”.

Hoje, já não pede medidas a pensar em si mas, sobretudo, “nas imensas pessoas em situação de pobreza que não têm condições para aguardar por projectos-piloto”. Mas confessa estar pouco optimista. “Acredito que vai baixar tudo à comissão e vamos adiar esta história toda por mais algum tempo. É o que andamos a fazer há dois anos: adiar”.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
08 Março 2019 — 08:20

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320: Cuidadores informais reclamam junto ao parlamento estatuto próprio

O parlamento debate esta sexta-feira medidas do Governo e projectos do PSD, CDS e PAN para apoiar os cuidadores informais, cuja associação se manifesta em frente à Assembleia para defender um estatuto próprio.

Manifestação dos cuidadores informais frente ao Parlamento
© RODRIGO ANTUNES/LUSA

A presidente da Associação Nacional dos Cuidadores Informais, Sofia Figueiredo, disse à agência Lusa que “fica aquém” do que reclamam os cuidadores o que a proposta de lei do Governo traz, que são apenas “medidas de apoio” e não um estatuto que cubra “tudo da área laboral, social e saúde”.

“O Governo apresenta medidas, mas precisamos de um estatuto”, afirmou Sofia Figueiredo, criticando o executivo por não ir ao ponto de criar um estatuto, mas também o projecto de lei do PSD, que dá um prazo de 90 dias para a regulamentação das medidas nele preconizadas.

Além da proposta de lei do Governo, serão discutidos esta sexta-feira projectos de lei do PSD, CDS-PP e PAN, todos centrados na ideia de criação de um estatuto, benefícios sociais e fiscais por essa ocupação, regimes laborais especiais e direito a descanso com recurso a unidades de cuidados continuados para a pessoa dependente.

No caso da proposta do Governo, dá-se um prazo de “120 dias” para “identificação das medidas legislativas, administrativas ou outras que se revelem necessárias ao reforço da protecção laboral dos cuidados informais não principais, designadamente à adequação de normas já existentes relativas ao regime laboral que lhes é aplicável”, o que para Sofia Figueiredo significa “deixar tudo para a próxima legislatura”.

O Governo prevê ainda a atribuição de um subsídio de apoio a atribuir pelo “subsistema de solidariedade mediante condição de recursos”, mas Sofia Figueiredo apontou que para esse cálculo são contados “os rendimentos do agregado familiar e não as despesas”.

A associação critica ainda a lógica de a proposta do executivo funcionar através de “projectos-piloto”, que deixam de fora parte do universo dos cuidadores.

Os cuidadores informais queriam que fosse criada uma carreira contributiva para os cuidadores, que prestam assistência a familiares, crianças ou idosos, que precisam de cuidados permanentes, o que os leva a terem de deixar empregos e dedicar quase todo o seu tempo e recursos.

Por não descontarem para a segurança social, os anos passados como cuidadores informais não contam para a reforma, pelo que a associação reclama a criação de “uma carreira contributiva”.

A proposta do Governo, de o cuidador poder aceder ao Regime de Seguro Social Voluntário, em que faz as suas próprias contribuições, não resulta no caso dos “que têm carência económica e que se desempregaram”, porque têm que escolher entre “ter dinheiro para comer ou pagar a contribuição”.

Na convocatória para a manifestação, a associação pede que quem aderir leve balões rosa e azul para representar as crianças de que cuida ou balões roxos, no caso de adultos.

“Nós queremos apelar à criação de um estatuto, que não é uma questão partidária, defendemos que se unam esforços para fazer um estatuto que vá ao encontro das nossas necessidades”, afirmou.

“Já esperámos tempo demais, é tempo de legislar e não de adiar”, reforçou.

Diário de Notícias
Lusa
08 Março 2019 — 11:35

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Acerca de cedência de espaços públicos…

… para donzelas pop (Madona) e a diferença em ser um cidadão vulgar que apenas serve para contribuir a pagar impostos e mais impostos.

Ainda minha esposa era viva e frequentava um Centro de Dia da Santa Casa para aliviar as minhas tarefas domésticas e descansar um pouco de noites e noites perdidas com a(s) doença(s) dela, solicitei à C.M.L., nem que fosse a pagar, um espaço de estacionamento em frente à porta do prédio onde resido, para a carrinha da Santa Casa que a vinha buscar de manhã e trazê-la à tarde poder estacionar pelos CINCO MINUTOS que levava a operação.

A resposta da C.M.L. foi de que este local não tinha condições para estacionamento. No entanto, os passeios de um e outro lado da rua estão pejados de latas com quatro e duas rodas, 24 horas por dia, sem que se cumpram os artigos 48º. e 49º. do Código da Estrada e a polícia passe indiferente sem autuar os infractores.

Mas porque é a D. Madona, já se conseguem QUINZE ESPAÇOS para viaturas dela e das obras da casa onde reside (ou vai residir), dizem eles que TEMPORARIAMENTE, nua rua (Janelas Verdes) sem espaços para estacionamento.

É esta a enorme, a cósmica diferença entre uma vedeta pop com muita massa e um cidadão que vive da sua miserável reforma e ainda tem de pagar impostos, ficando este ano sem DOIS SUBSÍDIOS (férias e natal), para pagar o IRS de 2017.

Nem o actual presidente da República, nem o actual primeiro-ministro, se dignaram responder aos e-mails que lhes enviei sobre este assunto. Para quê? Interessa mais ir à Rússia ver a bola à conta dos contribuintes, ou aos states fazer nada de positivo para o país, passear, tirar selfies, comer e beber à conta do orçamento e viva a festa!

Triste país este onde infelizmente tenho de acabar os meus dias…

Câmara e Madonna acordam verbalmente empréstimo de estacionamento

https://www.dn.pt/portugal/interior/cml-empresta-estacionamento-a-equipa-de-madonna-9532364.html?utm_source=dn.pt&utm_medium=recomendadas&utm_campaign=afterArticle&_ga=2.104637056.1284330569.1528816722-1528620081.1527463758

30/06/2018

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202: Pobres têm “limitações fortes no acesso” a cuidados de saúde

Relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde é apresentado nesta quarta-feira. Desigualdade entre ricos e pobres na hora de aceder a uma consulta, cirurgia ou de comprar medicamentos é um dos principais alertas.

20% dos mais pobres deixaram de aceder a consultas ou tratamentos devido a dificuldades financeiras Rui Gaudêncio

“Quanto mais doente mais pobre, e quanto mais pobre mais doente.” A doença e a pobreza andam de mãos dadas e, na altura de aceder a cuidados de saúde, o caminho é mais difícil e demorado para quem tem rendimentos mais baixos. Este é um dos principais alertas deixado no Relatório Primavera 2017, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), que será apresentado nesta quarta-feira, e que descreve que o acesso a serviços como consultas de especialidade ou de medicina dentária tem uma relação directa com os ordenados das famílias.

O documento Viver em Tempos Incertos – Sustentabilidade e Equidade na Saúde, que será apresentado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, começa por fazer uma avaliação das principais políticas seguidas pelo Ministério da Saúde neste ano e meio de Governo. José Aranda da Silva, um dos coordenadores do OPSS, salientou ao PÚBLICO que, em linhas gerais, o ministro Adalberto Campos Fernandes tem “tido uma elevada taxa de cumprimento das medidas que apresentou”.

O antigo bastonário da Ordem dos Farmacêuticos dá como exemplo algumas “medidas de reposição de justiça”, como a redução das taxas moderadoras ou a disponibilização de mais serviços nos centros de saúde, como dentistas, psicólogos e nutricionistas. No entanto, Aranda da Silva diz que isto não chega para garantir igualdade e alerta que “estão a ficar para trás mudanças urgentes e mais estruturais, como é o caso da reforma hospitalar ou da aposta na melhoria da literacia dos cidadãos”.

Reforma não está a ser feita

Para o investigador, o facto de as urgências continuarem a ser a porta de entrada nos hospitais é um dos exemplos de que a reforma não está a ser feita e de que a mensagem de que os utentes devem ir primeiro ao centro de saúde não está a passar. Este desconhecimento dos cidadãos, explica o especialista, acaba por influenciar a forma como cada pessoa é capaz de se movimentar nos serviços de saúde.

Os investigadores trabalharam os dados do Inquérito Nacional de Saúde de 2014 para perceber em que medida é que o rendimento influencia a utilização dos cuidados de saúde e perceberam que quase 20% dos mais pobres deixaram de aceder no ano anterior ao inquérito a consultas ou tratamentos por dificuldades financeiras. Entre os mais ricos o valor não chegava aos 5%.

Nos cuidados dentários o valor entre os mais pobres disparava para 50%, enquanto nos mais ricos não chegava a 10%. Mesmo para os cuidados de saúde no geral, 19% dos mais pobres têm dificuldades no acesso, contra 4% dos mais ricos. As pessoas com rendimentos mais elevados “têm uma probabilidade significativamente inferior de esperar por uma consulta, em comparação com as pessoas no rendimento mais baixo”.

“Não existem apenas limitações fortes no acesso, como também estas limitações afectam de forma desproporcional os mais pobres”, frisa o relatório. Aranda da Silva explica que os dados dizem respeito ao acesso tanto ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) como a privados. No entanto, lembra que a grande maioria dos serviços ainda são públicos. “Regra geral, as pessoas com mais rendimentos sabem mexer-se melhor no SNS e conseguem consultas e tratamentos mais rapidamente. E quando não conseguem têm mais frequentemente seguros privados ou mesmo ADSE. Os pobres têm mais problemas tanto no acesso como na própria utilização do SNS”, diz.

“É mais fácil um alemão manter-se saudável”

O farmacêutico lembra que o problema do SNS, nomeadamente das listas de espera, foi agravado com os cortes durante o período de intervenção da troika. Aliás, o relatório destaca que “a percentagem do financiamento público dos cuidados de saúde prestados à população portuguesa (66,0%) tornou-se em 2014 das mais baixas da Europa”, com os portugueses a estarem entre os que mais pagam directamente do seu bolso quando precisam de cuidados de saúde, nomeadamente em medicamentos. “O peso dos gastos privados é o principal factor de agravamento da desigualdade”, insiste-se.

“É mais fácil para um alemão ou holandês manter-se saudável do que é para um português”, reforça o OPSS, que dá como exemplo que “em Portugal apenas 55% da despesa com medicamentos é publica, em comparação com a Alemanha (83%), a França (71%) e o Reino Unido (66%)”. Mais uma vez, Aranda da Silva fala numa “erro de estratégia”. Porquê? O adiamento dos cuidados de saúde pode levar a um agravamento do estado de saúde das pessoas que, chegando mais tarde aos centros de saúde e hospitais, podem gerar ainda mais despesa.

O relatório coloca o dedo noutra ferida – os entraves à contratação de mais profissionais de saúde para o serviço público. “As restrições nas admissões de profissionais é o maior problema com que o SNS está confrontado. Menos profissionais que o recomendado implica menor disponibilidade para praticar actos técnicos de saúde que consequentemente se traduzirão em maior morbilidade, mortalidade, reinternamentos, aumento da taxa de infecção, maiores tempos de espera e de listas de espera”, lê-se no documento. Os investigadores reconhecem o esforço para “reverter” este problema, mas dizem que as medidas ainda são insuficientes.

Por isso, nas recomendações que deixa ao Governo, o OPSS sugere a criação de orçamentos plurianais para a saúde, que permitam fazer um verdadeiro planeamento das necessidades, devendo incluir mais cidadãos em organismos consultivos, nomeadamente nos cuidados de saúde primários. Depois, insiste-se na importância de garantir que as pessoas tenham um acesso equitativo ao SNS, apelando-se a que a tutela aposte numa análise criteriosa dos novos investimentos que faz em equipamentos e tratamentos, acompanhando com estudos os resultados que tiveram de facto na melhoria da saúde das populações. Apostar numa melhor articulação entre centros de saúde, hospitais e cuidados continuados é outra das conclusões do relatório.

Jornal Público
Romana Borja-Santos
28 de Junho de 2017, 6:32

Obsv.: Nada que os pobres desconheçam…

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128: Número de novos casos de demência está a diminuir

Regularmente aos sábados Margarida Monteiro almoça com a mãe, Maria Monteiro, 85 anos, que tem Alzheimer há cinco. “Estava repetitiva e algumas histórias não batiam certo. Foi ao neurologista e iniciou o tratamento para a doença." Margarida acredita que a vida ativa da mãe contribuiu para que os sinais não fossem tão evidentes. “Tinha o vício das palavras cruzadas e lia muito. Era uma pessoa muito ativa socialmente. Tenho a certeza que teve influência”.
Regularmente aos sábados Margarida Monteiro almoça com a mãe, Maria Monteiro, 85 anos, que tem Alzheimer há cinco. “Estava repetitiva e algumas histórias não batiam certo. Foi ao neurologista e iniciou o tratamento para a doença.” Margarida acredita que a vida ativa da mãe contribuiu para que os sinais não fossem tão evidentes. “Tinha o vício das palavras cruzadas e lia muito. Era uma pessoa muito ativa socialmente. Tenho a certeza que teve influência”.

Mais escolaridade e maior controlo dos riscos cardiovasculares ajudam a evitar doença. Portugal pode acompanhar tendência

Os novos casos de demência estão a diminuir. É esta a conclusão de um estudo realizado nos Estados Unidos que analisou mais de 21 mil pessoas em dois momentos: 2000 e 2012 e que revelaram que a taxa de incidência passou de 11,6% para 8,8%.Os dados vão ao encontro de outros estudos feitos na Europa, nomeadamente Reino Unido, que mostraram a mesma tendência.

Um sinal positivo que contraria as estimativas há muito traçadas: que as demências iriam aumentar muito com o envelhecimento da população. Mais educação e menos riscos cardiovasculares são fatores apontados como fundamentais na mudança desta equação. Portugal também pode acompanhar a tendência se continuar a apostar em políticas de saúde pública e com o aumento da escolaridade, dizem os especialistas contactos pelo DN.

O estudo norte-americano, publicado no jornal JAMA Internal Medicine, avaliou pessoas a partir dos 65 anos. A maior percentagem de casos de demência – onde a idade é um dos principais fatores de risco – foram detetados em pessoas acima dos 85 anos. Ao mesmo tempo o trabalho mostrou que o nível de escolaridade aumentou no mesmo período (cerca de um ano), sugerindo que os níveis de educação e culturais podem ser protetores e retardar o surgimento e evolução da doença. Mas este pode não ser o único fator importante, ainda que não tenha sido possível estabelecer uma relação direta: a diminuição dos riscos cardiovasculares também podem ter um peso importante. Embora o estudo revele que existem mais pessoas com diabetes e hipertensão, o diagnóstico precoce e o acesso a medicação correta estar a atenuar esse efeito.

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“Existem seis estudos que apontam para a redução da incidência. Pensa-se que na causa destes resultados podem estar o maior controlo do risco cardiovascular e a chamada reserva cognitiva. A escolaridade é um indicador importante. Mas é importante perceber que estes resultados não são consensuais e dizer que há uma redução da taxa de incidência (novos casos) não é o mesmo que dizer que haja uma redução da prevalência (casos totais)” afirma ao DN Isabel Santana, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade de de Coimbra.

A neurologista explica que há uma relação entre a doença e a idade. Com a redução dos riscos cardiovasculares, as pessoas vão viver mais anos e dessa forma aumenta o número de pessoas que poderão desenvolver a doença. “Mas os resultados do estudo são uma boa novidade. É sinal que estas doenças são preveníveis. Até hoje não tinha havido uma medida de prevenção eficaz”, diz Isabel Santana.

Poderemos esperar o mesmo em Portugal? “Não existem estudos nacionais, mas podemos dizer que as taxas de prevalência dos vários países são sobreponíveis. Em principio seguiremos o mesmo padrão. Existem vários planos estratégicos para controlo de fatores de risco e houve uma revolução cultural enorme nos últimos anos com o aumento dos anos de escolaridade”, aponta.

António Leuschner, presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, reforça a ideia: “Esta é uma tendência que se apurou nos últimos três a cinco anos, contrariando as muitas previsões que com o envelhecimento populacional muito acentuado haveria um aumento da incidência. Isto quererá dizer que haverá menos novos casos”, refere o psiquiatra, salientando que “o risco de demência é menor quanto maior é o nível de literacia e o nível de escolaridade atingido”. Quanto a Portugal, “se o nível de acesso aos cuidados for bom, se comermos melhor, se reduzirmos o consumo de álcool e tabaco, com o nível de escolaridade é razoável esperar que a população que terá 65 anos daqui a 15 anos tenha níveis de literacia superiores e condições melhores. Mas se essas condições não existirem, não podemos esperar milagres. É fundamental que não se pare o processo para não se andar para trás”, alerta.

Vítor Oliveira, presidente do Congresso de Neurologia, que decorre entre hoje e sábado em Lisboa, lembra que “quanto mais próximos estivermos dos países desenvolvidos, maior semelhança teremos com eles”. Mas há um grande desafio que Portugal tem de ultrapassar e pode ter peso nos resultados: “O grande drama é o Acidente Vascular Cerebral (AVC) que ainda é a primeira causa de morte em Portugal enquanto que na média europeia e nos EUA está em terceiro lugar. Um quarto das demências são vasculares e o AVC é uma das causas. Há margem para tratar melhor e a prevenção é importante: mais exercício, redução do consumo de sal, da diabetes, menos sedentarismo e apostar num envelhecimento activo”.

Jornal Diário de Notícias
23 DE NOVEMBRO DE 2016
00:30
Ana Maia

01.Nov.2019

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