1609: A parte perdida do Universo pode ter sido finalmente encontrada

NASA/CXC/K. Williamson, Springel et al.

Uma equipa de astrofísicos acredita ter encontrado uma nova e importante pista que pode ajudar a dar resposta a um dos maiores mistérios do Cosmos: onde se esconde cerca de um terço de todo o Universo?

A matéria que “falta” no Universo é uma massa diferente da matéria escura (outro grande puzzle científico no campo da Astronomia), composta por hidrogénio, hélio e outros elementos que surgiram logo após o Big Bang, tendo-se depois transformado em estrelas, planetas, poeira cósmica e outros objectos observáveis por telescópios.

Apesar de ser perfeitamente normal, os cientistas não conseguiram ainda encontrar um terço da matéria “normal” que deveria “morar” no Universo. Este cenário pode, contudo, estar prestes a mudar: uma equipa de cientistas afirma ter descoberto uma importante pista que nos poderá levar até lá, graças ao telescópio orbital Chandra da NASA.

“Se encontrarmos esta massa perdida, poderemos resolver um dos maiores enigmas da Astrofísica. Onde escondeu o Universo tanto da sua matéria que forma coisas como estrelas, planetas e nós?”, disse citado em comunicado Orsolya Kovacs, do centro de astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Astrophysical Journal.

Existem algumas teorias que tentam explicar a matéria perdida do Universo. A mais popular destas explicações sustenta que a massa em falta acumula-se em estruturas gigantes como fios de gás quente (com temperaturas abaixo dos 100.000 graus Kelvin) e muito quente (mais de 100.000 graus Kelvin) no espaço intergaláctico.

Apesar de os filamentos em causa serem invisíveis às lentes dos telescópios ópticos, alguns podem ser rastreados noutras faixas – e foi a partir desta premissa que os cientistas levaram a investigação a cabo.

Recorrendo ao telescópio orbital de raios-X Chandra, os astrofísicos procuraram e estudaram filamentos de gás quente encontrados num quasar, o H1821+643. Esta brilhante fonte de raios-X é alimentada por um buraco negro super-massivo de rápido crescimento, localizado a 3.500 milhões de anos luz da Terra.

Os cientistas pensaram que se o que está em falta no Universo se esconde através de filamentos intergalácticos, então alguns dos raios-X do quasar poderiam ser absorvido por esse mesmo gás quente. Simplificando: as acumulações de gás intergaláctico podem conter a tão procurada massa do Universo.

“A nossa procura é semelhante ao princípio de como conduzir uma procura eficiente por animais nas vastas planícies de África”, explicou Akos Bogdan, co-autor da investigação e astrofísico do Harvard Smithsonian Center for Astrophysics, na mesma nota. “Sabemos que os animais precisam beber e, por isso, faz sentido procurar à volta dos poços de água”.

O sinal de absorção de gás quente é muito fraco e difícil de reconhecer no espectro de um quasar, especialmente no contexto  de interferência. Cientes disto, os cientistas debruçaram a sua procura em apenas algumas partes do espectro. Graças a este novo método, escreveram os cientistas, foi possível identificar 17 possíveis filamentos de gás entre o quasar estudado e nós, e obter as respectivas distâncias.

“Estamos empolgados por termos conseguidos rastrear parte deste material perdido e, no futuro, podemos aplicar este mesmo método a outros dados do quasar para confirma que este mistério de longa data foi finalmente resolvido”, adiantou Randall Smith, outro dos cientistas envolvidos na investigação.

SA, ZAP //

Por SA
19 Fevereiro, 2019

 

1608: Astrónomos descobrem dois “Saturnos quentes” (e estão a escaldar)

ESO

Os astrónomos acabaram de encontrar um par de planetas semelhantes a Saturno que emitem muito calor. Embora ainda se aguarde a confirmação oficial, os investigadores dizem que estão virtualmente certos de que ambos estão por aí.

Os dois mundos orbitam a estrela TOI-216 na constelação de Dorado, a 580 anos-luz de distância. Isto é realmente muito longe da Terra.

“Estamos muito, muito confiantes de que este é um sistema planetário real“, disse David Kipping, professor assistente de astronomia da Universidade de Columbia e principal autor do estudo.

Os cientistas fizeram a descoberta depois de analisar dados do TESS, o telescópio espacial lançado pela NASA em Abril do ano passado.

O planeta exterior – TOI-216c – tem o tamanho de Júpiter ou Saturno, os dois maiores planetas do nosso Sistema Solar. O planeta interior – TOI-216b – é um pouco menor, “entre o tamanho de Saturno e Neptuno”, segundo Kipping.

A estrela que orbitam é semelhante ao nosso Sol, embora seja cerca de 15% mais pequena e mais fria. Embora os cientistas estejam a chamar a estes mundos de “Saturno quente”, há uma ressalva. “Quente” não significa agradável, temperado ou parecido com a Terra. O planeta interior regista mais de 315ºC e o exterior 226ºC.

Outros mundos, mais hospitaleiros, podem “esconder-se” nas proximidades. O sistema poderia ser um lugar agradável para exoluas. Isto é particularmente intrigante para Kipping. Os dois Saturnos “são exactamente o tipo de planetas” para ter satélites, garantiu.

De facto, no nosso Sistema Solar, os grandes planetas têm muitas luas. Como Saturno, com 62. Além disso, os mundos orbitam a sua estrela numa “ressonância dois-para-um”. O TOI-216b completa a rotação sobre si próprio a cada 17 dias. O TOI-216c precisa de 34, exactamente o dobro do tempo.

Essa ressonância é um indício de que o sistema é relativamente sereno, referiu Kipping, não um “com uma história violenta” – o que é um bom cenário é bom para as luas. “Se há luas em torno destas coisas, quase certamente teriam sobrevivido até hoje”.

A TESS, que vê 85% do céu, está a apontar para as estrelas mais próximas e mais brilhantes. A sonda já identificou 365 objectos de interesse. Com isso, a próxima geração de telescópios espaciais – como o James Webb, da NASA – terá alvos viáveis.

As novas missões tentarão discernir os detalhes dos mundos da TESS e medirão atmosferas e procurarão satélites – e até sinais de vida alienígena. “Estes são os planetas que vamos estudar nos próximos 100 anos”.

ZAP // Forbes

Por ZAP
19 Fevereiro, 2019

 

1607: O Planeta Marte pode estar vulcanicamente activo

Kevin Gill / Flickr

O lago líquido em Marte pode ser uma evidência de que o Planeta Vermelho passou mais tempo vulcanicamente activo do que se imaginava.

No ano passado, obtivemos grandes notícias sobre o Planeta Vermelho, onde um grande lago de água em estado líquido teria sido encontrado debaixo do gelo localizado no pólo sul marciano. Com base nesta descoberta, um novo estudo examinou como isto teria ocorrido no local, concluindo que possivelmente há um aquecimento debaixo da superfície.

Para que isso ocorresse, Marte teria tido alguma actividade vulcânica recente, sendo que essa actividade pode ainda estar activa, de acordo com a publicação do portal American Geophysical Union.

Na ocasião, o lago com água líquida foi descoberto através da utilização de radares a bordo da sonda Mars Express, apontando que o lago líquido está a 1,5 quilómetros debaixo do gelo sólido e possui uma extensão de 20 quilómetros.

Além disso, é possível que um valor elevado de sódio, magnésio e sal de cálcio esteja a ser dissolvido no lago, mantendo o seu estado líquido a baixas temperaturas.

Contudo, o novo estudo sugere que somente o sal não pode ser o único responsável por este acontecimento e que deva haver alguma fonte de aquecimento que contribui para a formação do lago, assim como na Terra, onde a água em estado líquido debaixo de camadas de gelo é consequência do aquecimento gerado a partir do magma debaixo da crosta.

Diversas observações mostraram que Marte já foi vulcanicamente activo. Os investigadores calcularam que, para o lago com as dimensões apresentadas e até hoje no local, a actividade vulcânica em Marte deva estar presente há aproximadamente 300 mil anos.

“Isto insinuaria que ainda há um magma activo no processo de formação no interior de Marte e isto não é apenas um frio ou uma espécie de lugar morto, internamente”, afirma Ali Bransom, co-autor do estudo.

Os investigadores estão a trabalhar para determinar as condições necessárias para a existência de água no Planeta Vermelho. Caso a existência de água em Marte seja confirmada, isso poderá ajudar a reduzir os dispositivos que os astronautas precisariam utilizar em missões futuras, além de alterar as nossas expectativas sobre a possibilidade de vida extraterrestre em Marte ou em qualquer outro planeta.

Bransom acredita que, caso haja vida, os organismos estariam protegidos da radiação debaixo da superfície. Refere ainda que, se o processo magmático estiver activo, haverá uma probabilidade maior de encontrar água em Marte, ao invés de vida, entretanto, não exclui nenhuma possibilidade.

ZAP // Sputnik News

Por SN
18 Fevereiro, 2019

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1606: Depois de uma Super Lua de Sangue, vem aí a maior Super Lua de Neve de 2019

Doug Zwick / Flickr

O dia 19 de Fevereiro será perfeito para contemplar mais um eclipse do satélite natural da Terra. Depois da Super Lua de Sangue, vem aí a Super Lua de Neve.

Este é o nome dado no hemisfério norte à primeira Lua cheia de Fevereiro, época das tempestades de neve nesta região.

O evento não é tão raro como o fenómeno astronómico do mês passado, um eclipse lunar total que coincidiu com a Lua estar no ponto mais próximo da Terra. Mas será imperdível, pois será a maior Super Lua do ano — e a estimativa é que só em 2026 o satélite apareça tão grande como terça-feira.

O fenómeno será visível na terça-feira (19 de Fevereiro) e a Lua estará na sua plenitude enquanto estiver a uma distância de cerca de 340 mil quilómetros da Terra — 27,4 mil quilómetros mais próxima que a distância média, de acordo com o USA Today. A Super Lua ficará especialmente bonita durante o seu “nascimento” pelas 18h17 (hora de Lisboa).

A Super Lua ocorre quando a Lua cheia coincide com o perigeu lunar, que faz com que a Lua pareça 14% maior e 30% mais brilhante do que o normal.

“Quando a Lua cheia aparece no perigeu [o ponto mais próximo da Terra] é ligeiramente mais brilhante e maior do que uma Lua cheia normal — e é aí que obtemos uma Super Lua”, explica a NASA.

Conhecida já há milhares de anos, a Lua de Neve também é chamada de Lua de Tempestade e Lua de Fome. Entre as tribos indígenas norte-americanas, a Super Lua de Fevereiro era usada para acompanhar as mudanças das estações.

Uma famosa edição americana, chamada “The Old Farmer’s Almanac”, indica que os povos indígenas do sudeste da América do Norte se referiam ao satélite natural de Fevereiro como a “Lua de Osso”.

“A Lua de Osso significava que havia tão pouca comida que as pessoas roíam ossos e comiam sopa de medula óssea“, explica o almanaque.

Além disso, o novo eclipse lunar acontecerá um mês após a Super Lua de Sangue, ocorrida no dia 21 de Janeiro e que foi visível no mundo inteiro, dando origem a uma variedade de profecias baseadas em previsões bíblicas.

Espera-se que a próxima Super Lua ocorra no dia 21 de Março, mas não será tão grande como a Lua de Neve.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

Eclipse total da Lua (Lua de Sangue) ocorrido em Janeiro 2019 e captado pelo autor deste Blogue e do Blogue Eclypse:

© F. Gomes – Blogues Eclypse e Spacenews

 

1605: Há uma ameaça para a Humanidade “adormecida” no fundo do mar

Bob Embley / NOAA Office of Ocean Exploration

As alterações climáticas ameaçam causar uma enorme libertação de carbono que se encontra “adormecido” no fundo do mar, processo que já ocorreu no passado, tendo resultado num aumento da temperatura atmosférica de tal magnitude que acabou com a Era do Gelo, sugere um novo estudo.

O investigação, cujos resultados foram publicados em Janeiro passado na revista especializada Environmental Research Letters, aponta que no final do período Pleistoceno – há aproximadamente 17000 anos – uma grande quantidade de gases de efeito de estufa escapou do leito oceânico para a atmosfera devido à actividade hidrotermal.

Tal como explicam os cientistas, estes reservatórios subaquáticos de dióxido de carbono e metano são produzidos quando a actividade vulcânica liberta gás, que é então congelado até que seja encapsulado como uma massa de hidratos num estado líquido ou sólido.

Estes depósitos estão espalhados pelo leito marinho de todo o planeta e permanecem intactos, a menos que sejam perturbados por factores externos, como o aquecimento dos oceanos. Se o carbono geológico preso no interior destes reservatórios for libertado, o nível de gases de efeito estufa na atmosfera irá sofrer um enorme aumento, agravando, consequentemente, ainda mais as alterações climáticas.

Tendo isto em conta, os cientistas alertam que com a actual taxa de aquecimento global, em grande parte causada pela actividade humana, os oceanos atingirão a temperatura considerada mais crítica até o final deste século.

A título de exemplo, os especialistas mencionam um reservatório de carvão de importantes dimensões localizado na parte ocidental do Oceano Pacífico, ao largo da costa de Taiwan, que precisa apenas de um pequeno aumento, ou seja, alguns graus Celsius para perder sua estabilidade.

National Academy of Sciences
Reservatório em Taiwan

“A última vez que aconteceu, a mudança climática foi tão drástica que causou o fim da Idade do Gelo”, frisou Lowell Stott, investigador da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do trabalho. E concluiu: “Assim que o processo geológico começar, não podemos desactivá-lo”.

ZAP //

Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

 

1604: Pela primeira vez, a estrela mais brilhante no céu nocturno vai “apagar-se” temporariamente

Ivan Kodzhanikolov / Flickr

Sirius, a estrela mais brilhante no céu nocturno e a quinta estrela mais próxima do nosso sistema solar, será brevemente “apagada” na segunda-feira por um asteróide que se move em redor do Sol.

Esta é a primeira vez que este evento foi previsto pelos astrónomos e será visível como um escurecimento da luz brilhante de Sirius por uma fracção de segundo por volta das 22h30 da noite de na segunda-feira no oeste do México, EUA central e Canadá.

Os astrónomos chamam a este evento “ocultação”, que é quando um objeto celeste é escondido da vista por outro objeto celestial.

Sirius é uma das estrelas mais fáceis de encontrar em todo o céu nocturno. Por um lado, é um dos corpos mais brilhantes e, por outro, porque as três estrelas no Cinturão de Orion apontam para baixo para Sirius nesta época do ano.

A estrela vai ser ocultada por um asteróide chamado 4388 Jürgenstock. É um asteróide de cinco quilómetros de largura do cinturão de asteróides. Foi baptizado em honra do homem que o descobriu, o astrónomo venezuelano Jürgen Stock. Este corpo orbita o Sol uma vez a cada 3 anos e 7 meses.

“Esta é a primeira ocultação de Sirius já prevista”, disse David W. Dunham na International Occultation Timing Association. “Os catálogos de estrelas e as efemérides de asteróides não eram precisos o suficiente para prever tais eventos antes de 1975, por isso ninguém tentou prever as ocultações antes daqueles anos”. Dunham explica que Sirius está longe da eclíptica, onde a maioria dos asteróides vagueiam, e onde estrelas como Regulus, em Leão, são mais frequentemente ocultadas.

Os observadores vão poder ver “a estrela desvanecer ao longo de um período de vários décimos de segundo, provavelmente não desaparecerá completamente e depois recuperará o seu brilho total ao longo de outros vários décimos de segundo”.

Uma estrela brilhante é ocultada por um asteróide razoavelmente grande a cada dois ou três anos. “A última foi uma ocultação de Regulus que foi ocultada pelo grande asteróide Adorea a 13 de Outubro de 2016″, explicou Dunham. As estrelas visíveis a olho nu mais fracas são ocultadas com mais frequência.

Esta ultra-rara ocultação de Sirius pode ajudar os astrónomos a calcular o quão longe está. Ainda nenhum telescópio espacial ou câmara estelar conseguiu medir a sua distância com precisão.

“A missão Gaia tem câmaras sensíveis que foram projectadas para mapear cerca de dois mil milhões de estrelas até à 20ª magnitude”, diz Dunham. “O Sirius é cem milhões de vezes mais brilhante que as mais fracas estrelas, por isso foi muito difícil projectar um sistema que mapeasse ambos”. Embora Gaia tenha algumas técnicas de filtro para obter dados sobre algumas das estrelas mais brilhantes, Sirius é demasiado brilhante para elas.

ZAP // Forbes

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019

 

1603: NASA vai lançar telescópio espacial para explorar origens do Universo

NASA

A agência espacial norte-americana NASA vai enviar para o espaço um telescópio para explorar as origens do Universo, com data de lançamento prevista para 2023, que irá estudar mais de 300 milhões de galáxias, incluindo a Via Láctea.

A missão SPHEREx, confirmada pela NASA em comunicado divulgado na quarta-feira à noite, vai estudar centenas de milhões de galáxias, algumas tão distantes que a sua luz demorou dez mil milhões de anos a chegar à Terra.

Na Via Láctea, o telescópio, equipado com um espectrómetro, vai procurar bioassinaturas de água e moléculas orgânicas – essenciais para a vida tal como se conhece – nas regiões onde milhões de estrelas se formam a partir de gás e poeira.

Segundo a NASA, a missão, que tem uma duração de dois anos, vai permitir aos astrónomos terem acesso a informação sobre mais de 300 milhões de galáxias e mais de 100 milhões de estrelas da Via Láctea e compreenderem como o Universo evoluiu, e porque se expandiu tão rápido, e até que ponto os ingredientes da vida na Terra são comuns nos sistemas planetários da Via Láctea.

De seis em seis meses, o telescópio irá observar todo o céu com tecnologias adaptadas de satélites de observação da Terra e de sondas enviadas para Marte. Dessa maneira, a NASA conseguirá criar um mapa celeste extremamente detalhado, com uma resolução muito mais alta do que os mapas já elaborados até agora.

Para Thomas Zurbuchen, administrador associado da directoria de missões científicas da NASA, “esta incrível missão será um tesouro de dados únicos para os astrónomos, e fornecerá um mapa galáctico sem precedentes contendo impressões digitais desde os primeiros momentos da história do universo“.

Sendo assim, ele conta que “teremos novas pistas para um dos maiores mistérios da ciência: o que fez o universo expandir tão rapidamente menos do que um nanossegundo depois do Big Bang?”.

Ao explorar novas áreas do céu, o SPHEREx poderá indicar objectos especialmente interessantes para que, por exemplo, o telescópio James Webb (sucessor do Hubble) os estude com ainda mais riqueza de detalhes no futuro próximo.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Fevereiro, 2019

 

1602: O planeta Ceres tem um oceano “quase eterno” no seu interior (e pode ter vida)

NASA

As marcas da erupção de crio-vulcões no planeta anão Ceres ajudaram os cientistas a provar que, debaixo da superfície gelada do planeta, existe um oceano “quase eterno”.

“Os crio-vulcões [vulcões que expelem substâncias como água, amoníaco ou metano em vez de lava] podem ser um dos refúgios principais da vida no Universo. Por esta razão, nós tentamos entender como funcionam as fontes de água que os alimentam e se escondem debaixo da superfície gelada de planetas e como se comportam”, declarou Marc Hesse da Universidade do Texas, EUA.

As primeiras imagens de Ceres obtidas pela sonda Dawn em 2015 mostraram duas estruturas extraordinárias inesperadas: misteriosas manchas brancas na cratera Occator, que serão vestígios salinos desse oceano, e um monte piramidal, Akhun, de quatro quilómetros de altitude.

Posteriormente, os investigadores descobriram que o Akhun é um antigo crio-vulcão extinto, e que as manchas brancas são vestígios da erupção de vulcões semelhantes. Além disso, noutras regiões, os cientistas encontraram depósitos de gelo “limpo”, que indicam que a superfície de Ceres se renova constantemente, já que este gelo devia ter-se evaporado há muito tempo.

Tais descobertas, publicadas na revista Geophysical Research Letters, fazem com que os cientistas suponham que, no subsolo do planeta anão, pode haver um oceanocongelado ou não -, constituído por uma espécie de salmoura ou por água, aquecida por uma fonte ainda desconhecida.

Segundo Hesse, os planetólogos têm discutido sobre a existência de água líquida em Ceres, se acreditarmos nos cálculos, esta água duraria apenas algumas centenas de milhares de anos antes de congelar completamente. Tal não corresponde aos dados segundo os quais as manchas brancas surgiram na cratera Occator há relativamente pouco tempo, ao passo que ela própria apareceu há 30 milhões de anos.

Hesse e os seus colegas desvendaram o enigma, examinando a composição química das erupções de “magma de água” e as suas características físicas e das rochas de Ceres.

Os cientistas criaram um modelo do subsolo do planeta e avaliaram o seu comportamento sob a influência do Sol e do metano no suposto oceano e nas rochas de Ceres.

Foi descoberto que o “magma de água” dos crio-vulcões solidificava mais lentamente do que se pensava: permanecia líquido durante entre seis a dez milhões de anos depois da formação. A velocidade do seu arrefecimento dependia da concentração da salmoura — quanto mais água tivesse, mais lentamente perdia o calor.

Segundo Hesse, isso significa que, a grande profundidade debaixo da cratera Occator, existe um depósito de água, que não podia surgir em resultado do impacto de um asteróide, por isso a sua formação não pode ser explicada sem a presença de um grande oceano no manto do planeta.

Esse oceano, por sua vez, caso a sua água tenha a mesma composição, existirá quase eternamente graças às altas temperaturas e pressão nas profundidades de Ceres. Os cientistas esperam que as imagens obtidas pela sonda Dawn nos últimos meses da sua vida ajudem a verificar essa hipótese.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
16 Fevereiro, 2019

 

1601: Cientistas conseguiram finalmente provar uma grande teoria da formação do Sistema Solar

NASA

Há algum tempo que os investigadores tinham uma ideia sobre a formação do Sistema Solar, mas nunca a tinham testado e confirmado – até agora.

Planetas, estrelas e buracos negros crescem a consumir material de um disco giratório. Embora esses discos possam diferir em tamanho, todos dependem, em grande parte, da grande força da gravidade, que os mantém a girar em torno da massa central.

A gravidade permite que pequenos aglomerados cresçam para aglomerados maiores. Mas não é suficiente puxar todo o disco para o meio num grupo gigante, porque o momento angular está a puxar esses blocos para longe do centro à medida que giram.

Isso é uma boa notícia, porque significa que o universo é composto por mais do que apenas aglomerados de matéria gigantes e solitários. É também por isso que a Terra gira à volta do Sol, em vez de cair e incendiar-se.

Porém, este tipo de acumulação central às vezes acontece, e é por isso que vemos coisas como planetas, estrelas e buracos negros activos no universo em nosso redor. Algo parecia estar a faltar no momento angular básico versus a teoria da gravidade.

A chave é que estes discos giratórios de material também têm uma carga eléctrica. E, como estão em movimento, significa que estão a gerar um campo magnético. O movimento turbulento de muitos pequenos objectos neste campo magnético leva a instabilidades, e os objectos começam a trocar o momento angular: alguns perdem-no e caem mais perto do centro, enquanto outros ganham-no e afastam-se mais.

Investigadores do Laboratório de Física de Plasma de Princeton apresentaram uma maneira de testar este princípio básico, chamado de instabilidade magneto-rotacional, ou ressonância magnética. Os resultados foram publicados na revista científica Communications Physics.

As pessoas assumiram durante muito tempo que a ressonância magnética fará com que os discos de material se espalhem, empurrando o material para perto do centro, onde pode cair numa estrela central ou buraco negro, e material externo mais distante.

Procurar evidências de ressonância magnética no espaço é complicado. Os investigadores conseguem ver os resultados do material a acumular-se no centro de um sistema – uma estrela nasce ou um buraco negro dispara jactos activos. Mas medir o fluxo de material com precisão suficiente para testar a ressonância magnética está além das nossas habilidades actuais.

Nos laboratórios, o análogo mais próximo de um disco giratório gigante de plasma e poeira carregados seria um tanque circular de metal líquido, que também é difícil de medir – para não mencionar caro e ocasionalmente perigoso.

Assim, Eric Blackman, autor do artigo, e os seus colegas adoptaram a abordagem mais simples, com molas em vez de campos magnéticos e pesos, em vez de nuvens de materiais carregados. Encheram cilindros rotativos concêntricos com água e fixaram uma bola com peso com uma mola ao centro. Girando os cilindros, poderiam reproduzir os efeitos da ressonância magnética.

Acontece que a ressonância magnética funciona exactamente como os investigadores previram há muito tempo: empurra materiais próximos. “Não importa o quanto pensemos que algo é verdade e como soa plausível”, referiu Blackman, “Depois de teste, isso torna-o mais robusto”.

O resultado pode não ser surpreendente, e pode não mudar a maneira como os astrónomos entendem a formação de estrelas e planetas. Mas é a função mais fundamental da ciência: provar por experiência algo que as pessoas até agora acreditavam ser verdade.

ZAP // Discover

Por ZAP
16 Fevereiro, 2019

 

1600: Astrónomos registam “explosão mortífera” em estrela recém-nascida

NASA

Um grupo de investigadores registou uma explosão fortíssima na superfície de uma jovem estrela localizada na constelação de Órion, cuja força supera em dez milhões de vezes fenómenos parecidos no Sol.

“Nós examinamos as estrelas vizinhas, tentando entender como surgiu o Sistema Solar. Anteriormente, não tínhamos observado explosões tão fortes nos astros jovens. A sua descoberta permitiu pela primeira vez investigar detalhadamente as características físicas de tais objectos”, declarou Steve Mairs, do Observatório em Hawai, EUA, no estudo publicado na revista The Astrophysical Journal.

No Sol, acontecem periodicamente erupções solares, lançando energia em forma de luz, calor e radiação, bem como perturbando o funcionamento das telecomunicações, satélites e ameaçando a saúde de cosmonautas.

A tempestade solar de 1859, também conhecida como Evento Carrington, é considerada a explosão mais poderosa. O fenómeno produziu 20 vezes mais energia do que a queda do meteorito que destruiu os dinossauros e os grandes répteis marinhos.

Em 2012, os planetólogos da missão Kepler encontraram centenas de astros da classe do Sol, na superfície dos quais aconteceram explosões mais poderosos de que o Evento Carrington. Isto levou os cientistas a supor que o Sol pode originar estes cataclismos um dia, mas a sua potência máxima não foi determinada com precisão devido à diferença de idade, composição química e histórias de evolução das várias estrelas.

Mairs e os seus colegas descobriram que explosões ainda mais fortes podem ocorrer em astros não muito grandes, examinando vários aglomerados estelares na nebulosa de Órion.

Em 2016, os cientistas detectaram uma explosão extremamente potente nos arredores da estrela recém-nascida JW 566, afastada da Terra a uns 1.500 anos-luz. Os astrónomos examinaram-na com ajuda dos telescópios ópticos do Observatório do Hawai, bem como dos observatórios de raios X e de radioastronomia, tendo conseguido calcular a potência desse acontecimento.

A explosão teria sido muito mais forte que as explosões mais brilhantes de outras estrelas recém-nascidas e dez mil milhões de vezes mais potente que o Evento Carrington.

Ainda não foi descoberta a frequência destes cataclismos na JW 566 e outras estrelas recém-nascidas, não se conhecendo os processos magnéticos na sua atmosfera que levam a essas emissões de energia.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019

 

1599: Novo estudo sugere a possibilidade de vulcanismo subterrâneo recente em Marte

O pólo sul de Marte. Um novo estudo publicado na Geophysical Research Letters argumenta que é necessária uma fonte subterrânea de calor para a água líquida existir por baixo da calote polar.
Crédito: NASA

Um estudo publicado o ano passado na revista Science sugere que a água líquida está presente por baixo da calote polar sul de Marte. Agora, um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, da União Geofísica Americana, argumenta que é necessário que exista uma fonte subterrânea de calor para a água líquida existir sob a calote polar.

A nova investigação não toma posição no que toca à existência de água líquida. Ao invés, os autores sugerem que actividade magmática recente – a formação de uma câmara de magma nas últimas centenas de milhares de anos – deve ter ocorrido sob a superfície de Marte para que haja calor suficiente para produzir água líquida abaixo da espessa camada gelada com quilómetro e meio. Por outro lado, os autores do estudo argumentam que se não tiver havido actividade magmática recente por baixo da superfície de Marte, então provavelmente não há água líquida por baixo da calote de gelo.

“Pessoas diferentes podem seguir caminhos diferentes com isto e estamos realmente interessados em ver como a comunidade reage,” disse Michael Sori, cientista associado da equipa do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona e co-autor do novo artigo.

A potencial presença de actividade magmática subterrânea recente em Marte suporta a ideia de que Marte é um planeta activo, geologicamente falando. Esse facto pode dar aos cientistas uma melhor compreensão de como os planetas evoluem com o tempo.

O novo estudo pretende aprofundar o debate em torno da possibilidade de água líquida em Marte. A presença de água líquida no Planeta Vermelho tem implicações para potencialmente encontrar vida fora da Terra e também pode servir como um recurso para a exploração humana futura do nosso planeta vizinho.

“Nós pensamos que, se existe vida, é provável que esteja no subsolo, protegida da radiação,” explicou Ali Bramson, investigadora pós-doutorada do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, co-autora do novo artigo. “Se ainda existem processos magmáticos activos hoje, talvez fossem mais comuns no passado recente e talvez pudessem fornecer um degelo basal mais generalizado. Tal podia fornecer um ambiente mais favorável para a água líquida e, talvez, a vida.”

Examinando o meio ambiente

Marte tem duas camadas gigantes de gelo nos seus pólos, ambas com quase dois quilómetros de espessura. Na Terra, é comum a água líquida estar presente debaixo de espessas camadas de gelo, sendo que o calor do planeta faz com que o gelo derreta onde encontra a crosta terrestre.

Num artigo publicado o ano passado na Science, os cientistas afirmaram ter detectado um fenómeno semelhante em Marte. Alegaram que as observações detectaram evidências de água líquida na base da calote polar sul de Marte. No entanto, o estudo da Science não abordou como é que a água líquida pode ter lá chegado.

Marte é muito mais frio do que a Terra, de modo que não ficou claro que tipo de ambiente seria necessário para derreter o gelo na base da calote de gelo. Embora investigações anteriores tenham examinado se a água líquida podia existir na base das calotes geladas de Marte, ninguém havia estudado o local específico onde o trabalho da Science afirmou ter detectado água.

“Nós pensámos que havia muito espaço de manobra para descobrir se [a água líquida] é real, que tipo de ambiente seria necessário para derreter o gelo em primeiro lugar, que tipo de temperaturas seriam necessárias, que tipo de processos geológicos. Porque, sob condições normais, deveria ser demasiado frio,” comentou Sori.

Procurando calor

Os autores do novo estudo assumiram que a detecção de água líquida por baixo da calote polar estava correta e depois trabalharam para descobrir quais os parâmetros necessários para a existência da água. Realizaram a modelagem física de Marte para entender quanto calor está a sair do interior do planeta e se podia haver sal suficiente na base da calote para derreter o gelo. O sal reduz significativamente o ponto de fusão do gelo, de modo que se pensou que o sal podia ter levado ao degelo na base da calote polar.

O modelo mostrou que o sal, por si só, não elevaria a temperatura o suficiente para derreter gelo. Em vez disso, os autores propõem a necessidade de calor adicional oriundo do interior de Marte.

Uma fonte de calor plausível seria a actividade vulcânica no subsolo do planeta. Os autores do estudo argumentam que o magma do interior profundo de Marte subiu em direcção à superfície há cerca de 300.000 anos. Não quebrou a superfície, como uma erupção vulcânica, mas reuniu-se numa câmara magmática por baixo da superfície. À medida que a câmara de magma arrefecia, libertou calor que derreteu o gelo na base da camada de gelo. A câmara de magma ainda está a fornecer calor para a camada de gelo e a gerar água líquida hoje.

A ideia de actividade vulcânica em Marte não é nova – existem muitas evidências de vulcanismo à superfície do planeta. Mas a maioria das características vulcânicas em Marte têm milhões de anos, levando os cientistas a pensar que a actividade vulcânica abaixo e acima da superfície do planeta parou há muito tempo.

O novo estudo, no entanto, propõe que pode ter havido actividade vulcânica subterrânea mais recente. E, de acordo com os autores do estudo, se houve actividade vulcânica há centenas de milhares de anos, existe a possibilidade de que possa estar a ocorrer hoje em dia.

“Isso implicaria que ainda há formação de câmaras magmáticas no interior de Marte e não é apenas um lugar frio e moribundo internamente,” salientou Bramson.

Jack Holt, professor no Laboratório Lunar e Planetária da Universidade do Arizona, disse que a questão de como pode a água existir debaixo da calote polar do hemisfério sul veio imediatamente à sua mente depois da publicação do artigo na Science, e o novo artigo acrescenta uma restrição importante na possibilidade da presença de água líquida. Ele disse que provavelmente vai adicionar ao debate na comunidade científica sobre a descoberta e salientar que são precisas mais investigações.

“Acho que foi uma óptima ideia fazer este tipo de modelagem e análise porque temos que explicar a água, se ela lá estiver, de modo que é realmente uma peça fundamental do puzzle,” comentou Holt, que não esteve envolvido na nova investigação, mas que falou com os autores do estudo antes de apresentarem o trabalho. “O artigo original apenas abordou o assunto. Pode existir água líquida, mas temos que a explicar, e esta equipa fez um bom trabalho em dizer o que é necessário e que o sal não é suficiente.”

Astronomia On-line
15 de Fevereiro de 2019