4135: Reservas naturais chinesas salvaram os pandas da extinção (mas “esqueceram-se” dos leopardos)

CIÊNCIA/ZOOLOGIA

tambako / Flickr

Uma nova investigação revela que os esforços da China para salvar os pandas gigantes foram bem sucedidos, mas os mesmos falharam na protecção de outros animais que partilham o mesmo habitat, como é o caso dos leopardos.

Os pandas gigantes, recorda o portal New Scientist, afastaram-se da extinção em meados de 2016, depois de as reservas naturais terem traçado planos para salvar esta espécie em 1960 – mas há várias outras espécies que precisam de ajuda.

A mesma investigação, cujos resultados foram publicados recentemente na revista Nature Ecology & Evolution, mostra que, durante o mesmo período e nas mesmas reservas naturais em que vivem as pandas, houve uma diminuição de 81% nos leopardos (Panthera pardus) e de 38% entre os leopardos da neve (Panthera uncia).

Dois outros carnívoros, os lobos (Canis lupus) e dholes (Cuon alpinus), um cão-selvagem-asiático, diminuíram as suas populações 77 e 95%, respectivamente, deixando-os muito próximos da extinção nesta mesma região.

A equipa de cientistas, constituída por especialistas chineses e norte-americanos e liderada por Sheng Li da Universidade de Pequim, chegou a estes valores depois de calcular os declínios na população das quatro espécies comparando registos de investigações levadas a cabo entre 1950 e 1970 com registos de armadilhas fotográficas de 2008 a 2018.

Especialistas e moradores locais citados pelo mesmo portal sugerem que a maioria das perdas entre estes animais ocorreu durante os anos 90, impulsionado pela desflorestação e pela caça furtiva dos animais e das respectivas presas.

“Não fiquei tão surpreso com os declínios, mas os números são dramáticos“, diz o líder da investigação, observando que os valores dos declínios são consistentes com os dos grandes mamíferos terrestres do mundo.

Os investigadores dizem ainda que estes resultados são um alerta contra a tendência de tentar preservar a biodiversidade concentrando apenas esforços numa só espécie. “Estas descobertas alertam contra a forte dependência de uma política de conservação de espécies únicas para a conservação da biodiversidade na região”, pode ler-se.

ZAP //

Por ZAP
9 Agosto, 2020

 

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4024: Desvendado o segredo de camuflagem dos peixes “ultra-negros” que vivem nas profundezas

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ZOOLOGIA

Uma equipa de cientistas desvendou o segredo da pigmentação “ultra-negra” de alguns peixes que, como o peixe-dragão-negro (Idiacanthus atlanticus), vivem na escuridão dos mares e oceanos mais profundos.

Esta característica, que lhes concede um incrível poder de camuflagem, acaba de ser desvendada por uma equipa de biólogos e zoólogos, que publicaram as suas conclusões num novo artigo na revista científica Current Biology.

De acordo com os cientistas, que estudaram 16 espécies da fauna abissal e foram liderados pela zoóloga Karen Osborn, a melanina da pele destes espécimes não só é abundante, como também se distribui de uma forma exclusiva.

Os grânulos repletos de pigmento (melanossomas) destes espécimes organizam-se em camadas compactas e contínuas, optimizadas em tamanho e forma, permitindo assim absorver quase toda a luz que chega à sua pele – apenas 0,05% é reflectida.

Ao reduzir a luz que é reflectida, estes peixes conseguem diminuir a distância de observação dos predadores seis vezes mais do que os peixes com 2% de reflectância.

Esta particularidade faz com que estes animais tenham mais possibilidades de se “misturarem com o fundo” dos oceanos, onde “não há lugares para se esconderem e onde abundam muitos predadores”, explicou Osborn, cientista do Museu Nacional de História Natural dos Estados Unidos, citada pelo portal Scitechdaily.

Pouca luz solar penetra a mais de 200 metros de profundidade no oceano e alguns destes peixes vivem a 5.000 metros de profundidade, frisa e especialista.

“Se quiserem misturar-se com a escuridão infinita do seu ambiente, absorver todos os fotões que o atingem é uma óptima forma de o fazer“, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
21 Julho, 2020

 

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3316: Cientistas observaram pela primeira vez uma ave marinha a usar ferramentas

CIÊNCIA/ZOOLOGIA

Jon Gretarsson / Wikimedia
Fradinho, também chamado papagaio-do-mar

O primeiro exemplo do uso de ferramentas por parte de aves marinhas foi documentado nos fradinhos, também chamados papagaios-do-mar, que utilizam paus para coçar-se.

Nas últimas décadas, os cientistas têm encontrado muitos exemplos de animais que usam ferramentas. Por exemplo, em Outubro do ano passado, investigadores observaram, pela primeira vez, javalis das Visayas a usar paus para cavar e construir ninhos.

Apesar de várias aves também o fazerem, este comportamento ainda não tinha sido observado em aves marinhas. Até agora. De acordo com a agência Europa Press, um fradinho, também chamado papagaio-do-mar, foi visto a usar um pau para coçar-se.

Os três investigadores da Universidade de Oxford e do Centro de Investigação de Natureza do Sul da Islândia relatam esta descoberta no estudo publicado, em Dezembro de 2019, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Para além de representar o primeiro uso conhecido de uma ferramenta por uma ave marinha, também se trata da primeira observação de uma ave que utiliza uma ferramenta para se coçar.

Os investigadores destacam que o pássaro habitava a ilha de Grimsey, na Islândia, local onde as aves sofrem com parasitas na sua plumagem. Além disso, a equipa aponta que, no ano passado, era também conhecido pelas infestações de carraças.

Apesar dessa situação, os cientistas assinalam que presenciaram a este comportamento em dois lugares separados por uma grande distância, o que pode mostrar que o uso de ferramentas entre os fradinhos é comum.

ZAP //

Por ZAP
6 Janeiro, 2020

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3085: Os animais ancestrais podem ter sido bissexuais

CIÊNCIA

Laurence Barnes / Flickr

O comportamento homossexual em animais tem intrigado os zoólogos desde Darwin. Se o sexo fosse praticado simplesmente para garantir a reprodução, os animais que interagem com o mesmo sexo estariam a gastar energia e a reduzir as hipóteses de dar continuidade aos seus genes.

Os cientistas têm-se esforçado para explicar a razão pela qual o comportamento sexual entre o mesmo sexo – ou same-sex sexual behavior (SSB) – foi registado em 1.500 espécies de animais, número que tem vindo a aumentar. Porém, um novo estudo propõe que todos os investigadores têm olhado para a questão de forma errada.

Como já não é tão socialmente aceitável condenar a vida pessoal das pessoas usando textos religiosos, essas, aqueles que procuram uma justificação para julgar passaram a chamar a atracção pelo mesmo sexo “antinatural”. Porém, a enorme evidência de comportamento sexual entre o mesmo sexo generalizada em animais mostra que isso também é falso.

Ainda assim, os biólogos têm-se esforçado por explicar a presença deste comportamento nos animais. Julia Monk, da Universidade de Yale, forneceu outra explicação. A estudante de doutoramento questiona se a heterossexualidade realmente deve ser vista como um comportamento padrão.

“Argumentamos que a suposição frequentemente implícita de comportamento sexual de sexo diferente (DSB) como ancestral não foi rigorosamente examinada e, em vez disso, hipotetizamos uma condição ancestral de comportamentos sexuais indiscriminados direccionados a todos os sexos”, escreveram Monk e co-autores no estudo publicado este mês na revista especializada Nature Ecology & Evolution.

“Os custos do SSB são altos… os benefícios devem ser ainda maiores para explicar a sua persistência”, disse Yonk, de acordo com o IFLScience. Da mesma forma, o artigo aponta que “hipóteses comuns parecem assumir que o SSB tem origens independentes em muitas linhagens de animais”.

Em vez disso, os autores propõem: “A condição ancestral do comportamento sexual em animais incluía DSB e SSB, e que vários processos evolutivos, adaptativos ou não, moldaram a persistência e a expressão de SSB em diferentes linhagens, mas não precisam explicar as suas origens”.

Casal homossexual de pinguins adopta o primeiro pinguim bebé “sem género” do mundo

Um casal de pinguins homossexual vai adoptar um pinguim e criá-lo “sem género”. A notícia é avançada pelo aquário de…

Os investigadores observam que é assim que os biólogos explicam outras características comuns numa variedade de espécies com um ancestral comum, mas ainda não foram aplicadas ao SSB.

O artigo observa que a actividade sexual sem hipótese de gerar filhos não se restringe ao SSB. Os animais já foram vistos a ter relações sexuais com “espécies diferentes, corpos mortos, objectos inanimados e comportamentos auto-estimulantes”, escrevem os autores.

“A noção de que a SSB surgiu convergentemente em tantas linhagens diferentes só faz sentido intuitivo de uma visão de mundo heteronormativa, na qual o comportamento ‘heterossexual’ é enquadrado como a ‘ordem natural’ para as espécies que se reproduzem sexualmente, e a ‘homossexualidade’ é vista como a recente aberração cuja existência deve ser explicada e justificada”, concluem os autores.

ZAP //

Por ZAP
25 Novembro, 2019