2788: Cientistas descobrem a origem da Peste Negra

CIÊNCIA

quadro de Pieter Brughel des Älteren / Wikimedia

Cientistas descobriram de onde veio epidemia da Peste Negra, que entre os séculos XIV e XVIII matou mais de metade da população da Europa.

Investigadores alemães do Instituto Max Planck realizaram um estudo em que analisaram os restos mortais em dez valas comuns na Rússia, Reino Unido, França, Alemanha e Suíça. As suas conclusões, publicadas este mês na revista especializada Nature Communications, mostram que a doença veio do Este da Europa.

Além disso, os cientistas descobriram que as cepas da peste se modificavam e se tornaram cada vez mais mortais. Também se descobriu que o gene mudou com o tempo: dois genes responsáveis pela capacidade de infectar outros organismos desapareceram.

Os microbiólogos recolheram amostras genéticas de várias sepulturas e concluíram que a epidemia da Peste Negra foi causada por algumas espécies intimamente relacionadas (Yersinia pestis). Também foi descoberto que os micróbios começaram a sofrer mutações após a penetração na Europa, formando várias cepas diferentes.

A cepa mais antiga foi encontrada numa sepultura perto da cidade de Laishevo, no rio Kama, no moderno Tartaristão, na Rússia. A cepa encontrada perto de Laishevo acabou por ser a que criou outras subespécies europeias da praga. Assim, os cientistas concluíram que a doença começou a sua marcha mortal pela Europa a partir das áreas orientais da Rússia moderna.

No entanto, os investigadores argumentam que o tempo e o método específicos de propagação da doença ainda não foram estabelecidos. “É possível que, após o processamento de amostras da Eurásia Ocidental que ainda não foram estudadas, outras interpretações sejam feitas a esse respeito”, concluiu Maria Spyrou, uma das autoras do estudo, em comunicado.

Relatos históricos sugerem que as bactérias responsáveis pela praga, Yersinia pestis, chegaram ao continente por uma dúzia de navios do Mar Negro ancorados na Itália, de acordo com o History. Quando os navios chegaram, a maioria dos marinheiros estava morta e os que ainda estavam vivos tinham furúnculos negros de onde escorria sangue e pus. Em apenas cinco anos, 20 milhões de pessoas morreriam de Y. pestis – quase um terço da população.

Y. pestis é espalhado de pessoa para pessoa através do ar, bem como mordidas de pulgas ou ratos. Sintomas graves incluem febre, dores de cabeça, calafrios e gânglios linfáticos dolorosos, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças. Hoje, a cepa é tratável com antibióticos.

Nos últimos anos, Y. pestis foi observador em Colorado Prairie Dogs, numa pequena cidade chinesa, na Mongólia, depois de um casal comer marmota crua e matou dezenas em Madagáscar.

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Por ZAP
6 Outubro, 2019