4383: Cientistas medem, pela primeira vez, a distância até um magnetar na Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO

Com a ajuda do observatório Very Long Baseline Array (VLBA), uma equipa de astrónomos conseguiu medir, pela primeira vez, a distância até ao magnetar XTE J1810-197, localizado na Via Láctea. 

Os magnetares são um tipo de estrela de neutrões, com um campo magnético bastante forte, capazes de emitir raios X e raios gama. Aliás, é por esse motivo que muitos cientistas pensam que os magnetares são os responsáveis pelas rajadas rápidas de rádio (FRBs).

Nesta nova investigação, cujo artigo científico foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a equipa de cientistas analisou o XTE J1810-197 durante 2019 e 2020, observando-o em lados opostos na órbita da Terra durante o trajecto em torno do Sol. Os investigadores notaram uma pequena mudança no efeito paralaxe, isto é, a posição que o objecto aparenta ter em relação a outros no fundo, mais distantes.

Através da paralaxe, é possível calcular a distância directa do objecto.

De acordo com o Tech Explorist, esta é a primeira medida do paralaxe de um magnetar, e revela que XTE J1810-197 está entre os magnetares mais próximos conhecidos – a “apenas” 1.800 anos-luz.

“Ter uma distância precisa deste magnetar significa que podemos calcular a força dos pulsos de rádio vindos deste corpo celeste. Se ele emitir uma FRB, vamos descobrir a força do pulso”, resumiu Adam Deller, membro da Universidade de Tecnologia da Austrália.

O XTE J1810-197 é um dos seis conhecidos que emite pulsos de ondas de rádio. O magnetar ficou activo de 2003 a 2008 e fez um intervalo longo de dez anos na sua actividade. Em Dezembro de 2019, “ressuscitou” e voltou a emitir ondas de rádio.

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Por ZAP
25 Setembro, 2020

 

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1941: Após dez anos de silêncio, uma misteriosa estrela volta a emitir ondas de rádio

ESO

Trata-se de uma das estrelas mais estranhas do Universo. Pertence há já pouco comum categoria dos magnetares, cadáveres estelares de enorme densidade e que possuem poderosos campos magnéticos.

Apenas 23 magnetares são conhecidos – 23 casos no meio de milhões de estrelas. Mas o XTE J1810-197 também é diferente da maioria deles, o que o torna excepcionalmente raro. Apenas quatro dos magnetares conhecidos enviam ondas de rádio – e o XTE J1810-197 é um deles.

Era-o, pelo menos, até ao final de 2008 quando, de repente, parou de transmitir. Desde então, e apesar do súbito silêncio do rádio, uma equipa de cientistas do Instituto Max Planck de Radioastronomia e da Universidade de Manchester não tirou os olhos dele. Uma década depois, tão subitamente como cessou, a emissão de ondas de rádio recomeçou.

Conforme explicado pelos astrónomos num artigo publicado no Arxiv, desde o último dia 8 de Dezembro e sem aviso prévio, os instrumentos começaram a receber um novo fluxo de ondas de rádio do misterioso objecto. O perfil das ondas emitidas nesta ocasião difere substancialmente daquelas geradas há mais de uma década.

“As variações de pulso observadas até agora da fonte foram significativamente menos dramáticas, em escalas de tempo de meses a meses, do que as observadas em 2006”, escrevem os autores, citados pela ABC. Entre eles, destaca-se uma série de pequenas ondas na escala de milissegundos que, segundo os cientistas, poderiam ser devidas a “pequenos calafrios” na crosta da estrela.

Sabe-se muito pouco sobre os magnetares. Os modelos existentes sugerem que se formam do mesmo modo que as estrelas de neutrões, a partir do colapso gravitacional dos núcleos de estrelas moribundas maciças. A gravidade esmaga os núcleos de tal maneira que os átomos se rompem e as partículas que o formam comprimem-se.

O resultado é um “cadáver de estrelas” de pequenas dimensões, não maior do que uma pequena cidade, mas com uma massa equivalente a vários sóis.

Estes corpos possuem poderosos campos magnéticos. A ciência não está certa sobre como se pode formar um campo magnético de tal intensidade, embora acredite que poderia ser devido à rotação muito rápida destes cadáveres estelares.

Os magnetares também estão associados a uma série de rajadas de raios gama e raios-x poderosos e estranhos, os eventos mais poderosos do Universo conhecido e que os astrónomos, de tempos em tempos, detectam nos seus telescópios.

Em 2003, após um breve mas intenso clarão de raios X, o XTE J1810-197 começou a emitir pulsos de ondas de rádio, uma vez a cada cinco segundos e meio. Foi a primeira vez que se viu algo assim. Essas emissões continuaram até ao final de 2008.

Anos depois, no entanto, o mesmo comportamento também foi detectado em outros três magnetares. Quatro dos 23 conhecidos emitiam ondas de rádio. De acordo com o novo estudo, pode ser que os “tremores” da crosta dessas estrelas contribuam de alguma forma para as emissões.

Outra equipe de astrónomos usou recentemente a Rede de Telescópios Espaciais da NASA para observar o XTE J1810-197 e dois outros magnetares emissores de rádio e notaram as estranhas variações da transmissão. Os cientistas esperam que, agora que o XTE J1810-197 despertou, observações novas e mais precisas possam pôr fim à especulação e explicar qual é a verdadeira razão para estes estranhos pulsos de rádio.

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Por ZAP
8 Maio, 2019

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