2662: Vulcão de lua de Júpiter prestes a entrar em erupção

CIÊNCIA

Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

© NASA / JPL / USGS Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

O maior vulcão da lua Io de Júpiter está prestes a entrar em erupção e os investigadores estão atentos para reunir todos os dados e detalhes do evento. O vulcão, de nome Loki, tem sido alvo de uma observação atenta da parte dos investigadores, que identificaram até um padrão nas erupções do vulcão.

De acordo com o ‘paper’ publicado pela cientista planetária Julie Rathburn do Instituto de Ciência Planetária, as erupções do Loki tinham um ciclo de 530 dias. O ‘paper’ em questão foi fruto de observações feitas entre 1988 e 2000, com os investigadores a notarem que, no início da erupção, o vulcão se iluminava e permanecia neste estado durante 230 dias até voltar a apagar-se.

Porém, como conta o Science Alert, o ciclo encurtou em 2013 e verificou que em vez dos 530 dias a duração era agora de 475 dias. É este novo ciclo que leva os investigadores a acreditarem que o Loki entrará em erupção ainda durante este mês.

“Os vulcões são tão difíceis de prever porque são muito complicados. Há muitas coisas que podem influenciar as erupções vulcânicas, incluindo a taxa de abastecimento de magma, a composição do magma – em particular a presença de bolhas no magma, o tipo de rocha em que o vulcão se encontra, o estado fracturado da rocha e muitas outras questões”, indica Rathburn. “Consideramos que o Loki pode ser previsível porque é tão grande. Devido ao seu tamanho, as físicas básicas provavelmente dominam-no quando entra em erupção, por isso as complicações pequenas que afectam os vulcões pequenos provavelmente não afectam muito o Loki.

msn notícias
Miguel Patinha Dias
18/09/2019

 

2642: Este pôr-do-sol arroxeado foi causado por uma erupção do outro lado do mundo

CIÊNCIA

NASA
Erupção do vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril

A erupção do vulcão Raikoke, em Junho, fez com que o nascer e o pôr-do-sol no outro lado do mundo, mais concretamente nos Estados Unidos, ficassem anormalmente roxos.

Quando o outrora adormecido vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril, um arquipélago de picos vulcânicos entre a península russa de Kamchatka e a ilha japonesa de Hokkaido, entrou em erupção em Junho, emitiu uma densa coluna de cinzas e gases que até foi vista do Espaço.

Mas, segundo o IFLScience, os seus efeitos duraram muito mais tempo do que se pensava. Dois meses depois da erupção, Glenn Randall, fotógrafo do Estado norte-americano do Colorado, estava a fotografar numa região montanhosa quando, mais tarde, se apercebeu que as suas imagens estavam a capturar um profundo reflexo violeta nas águas do lago, apesar do céu dourado.

E, pelos vistos, não tinha sido o único a reparar neste fenómeno. A Universidade do Colorado Boulder também avançou que muitos norte-americanos por todo o país tinham notado que o nascer e o pôr-do-sol estavam anormalmente roxos nos últimos meses. Por quê? A resposta pode estar do outro lado do mundo.

Os investigadores acreditam que a erupção do Raikoke pode ter sido o culpado. Em Agosto, lançaram um balão meteorológico de grande altitude no Wyoming que mediu aerossóis naturais e outros materiais particulados 32 quilómetros acima do solo.

Os cientistas descobriram que as camadas de aerossol eram 20 vezes mais espessas do que o normal desde a erupção e provavelmente resultaram neste fenómeno único chamado “scattering” (“dispersão” em Português), através do qual as partículas na camada de ozono da Terra — como dióxido de enxofre e cinzas de uma erupção vulcânica — reflectem ou refractam a luz solar, resultando em certas cores predominantes.

@IFLScience

This Purple Sunset In The Rocky Mountains Was Caused By Something On The Other Side Of The Worldhttps://www.iflscience.com/editors-blog/this-purple-sunset-in-the-rocky-mountains-was-caused-by-something-on-the-other-side-of-the-world/ 

Isto mostra que mesmo uma erupção vulcânica relativamente pequena pode ter um impacto no outro lado do mundo. Embora a erupção do Raikoke não seja motivo de preocupação, os cientistas notam que é das erupções maiores que temos de ter cuidado.

É o caso do Monte Tambora, na Indonésia, cuja erupção em 1815 libertou cinzas e 60 megatons de dióxido de enxofre na atmosfera, sombreando o globo e perturbando os padrões climáticos (a temperatura média global desceu até 3ºC).

O ano posterior a esta erupção ficou conhecido como o “ano sem verão”, lembra num comunicado Lars Kalnajs, investigador do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP). As colheitas foram más, resultado na morte de 80 mil pessoas que morreram de doenças associadas à fome e à falta de comida.

Na história mais recente, os cientistas destacam ainda quando o Monte Pinatubo, nas Filipinas, entrou em erupção em 1991, libertando nuvens de cinzas gigantes que continham 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, diminuindo a temperatura global em cerca de 0,5°C nos dois anos seguintes à erupção.

Por isso, Kalnajs considera que erupções como a do Raikoke são um lembrete da razão pela qual a monitorização dos dados é essencial. Os resultados desta investigação vão ser publicados ainda este ano.

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15 Setembro, 2019

 

2458: “Mundo Jurássico” de vulcões encontrado sob a Austrália

CIÊNCIA

BackYardProductions / Canva
Ayers Rock, Austrália

Uma equipa de cientistas acaba de descobrir um “Mundo Jurássico” com cerca de 100 vulcões antigos enterrados sob as bacias de Cooper-Eromanga, na Austrália, noticia esta semana a Europa Press.

Segundo a agência noticiosa, está é a maior região de produção de petróleo e gás na Austrália. Contudo, e apesar de mais de 60 anos de exploração destes terrenos, a paisagem vulcânica jurássica passou despercebida – até agora.

Cientistas das universidades australianas de Adelaide e Aberdeen recorreram a técnicas avançadas de imagens do subsolo, análogas à tomografia computorizada, para identificar o grande número de crateras vulcânicas e fluxos de lava, bem como o número das câmaras de magma mais profundas que as alimentaram.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Gondwana Research, os  vulcões desenvolveram-se no período Jurássico, entre 180 e 160 milhões de anos atrás, sendo depois subsequentemente enterrados sob centenas de metros de rochas sedimentares ou em camadas.

As bacias de Cooper-Eromanga são agora uma paisagem seca e árida, contudo, na era jurássica, explicaram os cientistas, teriam sido uma paisagem de crateras e fissuras, lançando cinzas e lava para o ar, e cercada por redes de canais fluviais, evoluindo até grandes lagos e pântanos de carvão.

“Enquanto a maior parte da actividade vulcânica da Terra ocorre dentro dos limites das placas tectónicas, ou abaixo dos oceanos da Terra, este antigo mundo jurássico desenvolveu-se dentro do continente australiano”, explicou o cientista Simon Holford, co-autor do estudo e professor da Universidade de Adelaide, citado em comunicado.

“A descoberta [destes vulcões] levanta a possibilidade de existirem mais mundos vulcânicos não descobertos sob a superfície pouco explorada da Austrália”, apontou.

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17 Agosto, 2019

 

2428: O manto sob o super-vulcão de Yellowstone estende-se até à Califórnia e ao Oregon

O manto que se encontra sob o super-vulcão de Yellowstone, nos Estados Unidos, estende-se até aos estados da Califórnia e do Oregon, afirma o geólogo Victor Camp, da Universidade Estadual de San Diego.

O cientista descobriu que o vulcão norte-americano é alimentado por “canais em forma de dedos” de rocha derretida, que fornecem magma aos campos vulcânicos de Newberry, a leste do estado do Oregon, e do lago Medicine, no nordeste da Califórnia.

De acordo com a sua investigação, cujos resultados foram publicados na Geology, a pluma mantélica que alimentava Yellowstone subiu, encontrando a base da placa tectónica norte-americana, onde estava trancada. Foi neste ponto que a pluma derreteu, espalhando-se depois para oeste.

Para chegar a esta conclusão, o geólogo recorreu a imagens de tomografia sísmica, química e dados sobre a rocha vulcânica da superfície do vulcão para rastrear como é que a rocha derretida se espalhou por canais estreitos, dividindo-se em novas ramificações quando saiu de Yellowstone e alcançou depois a Califórnia e o Oregon.

De acordo com Camp, durante os últimos dois milhões de anos, a rocha do manto que percorre estas rotas foi responsável pelas erupções no campo de fluxo de lava da reserva nacional das Crateras da Lua, no Idaho. Segundo a Newsweek, estes canais terminam no vulcão Medicine Lake e no vulcão Newberry.

“Estes canais permitiram que o manto de baixa densidade se acumulasse contra o arco de Cascades, fornecendo assim uma fonte aquecida para o magmatismo máfico, rico em magnésio e ferro, nos campos vulcânicos de Newberry e Medicine Lake”.

As descobertas podem, explicou o cientista, ajudar a melhor compreender como é que se move a rocha do manto e como é que ocorrem as super-erupções.

Em declarações ao mesmo site, a vulcanologista Rebecca Williams, da Universidade de Hull, no Reino Unido, mostrou-se céptica quanto aos resultados, dando conta de que o estudo não apresenta novos dados que apoiem em ideia de que a actividade vulcânica na área de Newberry e Medicine Lake tem origem no manto de Yellowstone.

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10 Agosto, 2019

 

2408: Descobertos seis vulcões a poucos quilómetros da costa da Sicília

Tomasz Pokora Travel Photography / Flickr
Costa da Sicília

Uma equipa de cientistas descobriu seis vulcões ocultos debaixo de água numa área do Mediterrâneo a poucos quilómetros da costa da ilha de Sicília, em Itália.

A área com os vulcões, frequentemente atravessada por várias embarcações, foi descoberta graças a dados de alta resolução recolhidos com a ajuda da expedição oceanográfica OGS Explora, que levou a cabo duas missões de investigação em Agosto de 2017 e Fevereiro de 2018.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Marine Geology, as seis formações vulcânicas foram detectadas a uma profundidade máxima de 133 metros e localizados a uma distância entre 7 a 23 quilómetros da costa da Sicília.

“Ficamos muito surpresos com [a descoberta], porque estávamos muito perto da costa”, disse Emanuele Lodolo, autor principal autor do estudo e cientista do Instituto Nacional de Oceanografia Experimental e Geofísica da Itália, em declarações à National Geographic.

A equipa estima que todos vulcões sejam datados do Quaternário Tardio, tendo todos explodido uma única vez há cerca de 20.000 anos. Apenas uma destas formações, que foi baptizada de Actea, mostra sinais de actividade magmática posterior ao Último Máximo Galcial, tendo um rastro de lava que se estende por aproximadamente quatro quilómetros.

Todos os vulcões são de pequena dimensão, variando o seu tamanho entre 16 e 120 metros desde a base até ao topo do vulcão. O pico de Actea, o mais alto entre os seis agora descobertos, está a apenas 33 metros abaixo do nível do mar.

Os cientistas alertam que uma eventual erupção nesta área pode representar uma ameaça quer para a navegação na zona, quer para os moradores da área costeira. Ainda assim, frisaram, são necessários mais estudos para perceber completamente estas estruturas vulcânicas e precisar o perigo real que representam.

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6 Agosto, 2019

 

2284: Satélite revela lago de lava num vulcão isolado do Atlântico Sul

CIÊNCIA

LANDSAT / NASA

Um grupo de cientistas descobriu um raro lago de lava numa remota e inacessível ilha sub antárctica. Este vulcão nas Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo com um lago de lava persistente.

Piscinas de lavas fumegantes nas crateras vulcânicas. Apesar de ser esta a imagem a surgir na nossa mente assim que pensamos em vulcões, o vulcão das Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo que tem um lago de lava persistente.

A descoberta no Monte Michael na Ilha Saunders, detalhada na revista Volcanology and Geothermal Research, foi feita através de imagens de satélite. Este é o primeiro vulcão deste género a ser identificado dentro do Território Ultramarino Britânico, na Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul.

Em 2001, a análise de dados de satélite de baixa resolução revelou uma anomalia geotérmica, mas não foi possível provar a existência de um lago de lava. Agora, imagens de satélite de maior resolução, combinadas com técnicas avançadas de processamento, revelaram um lago com 90-215 metros de diâmetro com lava derretida de 989-1279°C.

O autor do estudo, o geólogo Alex Burton-Johnson, da British Antarctic Survey, referiu em comunicado que a equipa está “muito feliz por ter descoberto uma característica geológica tão notável no Território Ultramarino Britânico”.

“A identificação do lago de lava melhorou a nossa compreensão da actividade vulcânica e do perigo nesta ilha remota, além de nos dar mais pormenores sobre as características raras desta ilha. Além disso, ajudou-nos a desenvolver técnicas de monitorização de vulcões desde o Espaço”, continuou, citado pelo portal Pshys.org.

A principal autora do artigo científico, Danielle Gray, da University College London, adiantou que o “Monte Michael é um vulcão numa ilha remota no Oceano Antárctico”. “É extremamente difícil ter acesso a este vulcão e, sem imagens de satélite de alta resolução, seria muito difícil aprender mais sobre este incrível recurso geológico”, completou.

Os outros sete lagos de lava ao redor do mundo são Nyiragongo, na República Democrática do Congo; o vulcão Erta Ale, na Etiópia; Erebus, na Antártica; Yasur, em Vanuatu; Kilauea, no Havai; Ambrym, em Vanuatu; e Masaya, em Nicarágua.

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7 Julho, 2019

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2154: Afinal, a data em que o Vesúvio destruiu Pompeia pode estar errada

CIÊNCIA

Howard Stanbury / Flickr

A data tradicional da erupção do Monte Vesúvio é a 24 de Agosto de 79, de acordo com registos históricos. O incidente destruiu Pompeia e outros locais na Baía de Nápoles.

Essa data tem sido questionada, no entanto, com base nas roupas pesadas usadas, na presença de algumas frutas e vinhos do outono e numa inscrição em carvão vegetal recuperada no ano passado. Uma análise detalhada dos esqueletos de peixes recuperados de Pompeia é a mais recente evidência neste debate de longa data.

Os romanos antigos tinham uma relação complicada com frutos do mar. Embora muitas pessoas os tenham consumido, especialmente aqueles que viviam perto da costa, esse recurso era mais sazonal e menos confiável do que, por exemplo, a carne de porco.

Muito mais popular foi o molho de peixe fermentado chamado garum, que pode ter sido originalmente criado para preservar o peixe em épocas de abundância. Semelhante ao molho de peixe do leste asiático consumido hoje, garum foi feito de pequenos peixes macerados ao longo de vários meses.

A compreensão arqueológica da criação e composição do garum vem tanto de naufrágios que continham milhares de potes do material, quanto de locais como Pompeia, onde a evidência da produção do condimento foi encontrada na “garum shop” no lado oeste do anfiteatro.

Essa loja produzia 23 ânforas cheias de garum em diferentes estágios de fabricação, e análises arqueológicas sugeriam que cerca de 17 eram feitas de anchovas, pitágeles ou uma mistura dos dois, enquanto o resto era uma miscelânea de arenques, cavalas, atuns e outras espécies. de peixe. Até recentemente, no entanto, não tinha sido feita nenhuma análise detalhada dos esqueletos de peixes.

De acordo com o estudo publicado no International Journal of Osteoarchaeology, Alfredo Carannante, director do departamento de arqueologia mediterrânea do Instituto Internacional de Pesquisa de Arqueologia e Etnologia em Nápoles, detalha a sua análise do conteúdo de uma ânfora. O objectivo de Carannante era determinar as espécies presentes, o tamanho do peixe e a idade à morte, que fornece informações sobre a estação em que foram capturados.

Carannante descobriu que todos os ossos do lote que analisou eram de Spicara smaris, o picarel comum, que geralmente cresce até cerca de 15 centímetros de comprimento e é nativo do Oceano Atlântico, do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

O picarel de Pompeia tinha sido atirados na ânfora inteiros e não em filetes ou decapitados. O seu pequeno tamanho e os seus anéis de crescimento sugerem que os picarels tinham cerca de um ano de idade quando foram pescados e eram todos do sexo feminino.

A historiadora de alimentos e chef Sally Grainger, especialista em garum, aprecia a análise detalhada de Carannante. Grainger disse, de acordo com a Forbes, que está “particularmente satisfeita por ter destacado o quão inadequado, confuso e superficial o estudo deste material foi até hoje”.

Carannante trouxe à tona a complexidade das descobertas de uma maneira nunca antes feita por outros investigadores e “coloca questões muito importantes sobre a natureza aparentemente incomum do comércio de molhos de peixe em Pompeia”.

O tamanho e o sexo dos peixes podem conter novas pistas sobre a data da famosa erupção. Carannante escreve que “a última camada de crescimento ósseo parece estar bem desenvolvida e ter uma densidade mais leve, revelando que os picarels morreram quando as águas eram mais quentes durante a temporada de verão ou no começo do outono”.

Além disso, sugere que “o estudo da temporada de pesca realizada sobre os restos demonstrou que a captura foi feita no final do verão ou no início do outono quando a água estava mais quente. A comparação dos dados sugere que o período mais provável para a pesca ocorreu na segunda metade do verão ou no início do outono”.

Embora Carannante pondere sobre a sazonalidade do peixe e escreve que a data tradicional de 24 de Agosto coincide bem com os resultados, admite que “não é possível excluir uma data posterior para a destruição vulcânica. Uma data que cai em Outubro também pode ser compatível se os picarels fossem pescados no final do verão e deixados em salmoura durante um mês”.

Carannante “não está directamente interessado em apoiar uma ou outra hipótese” sobre a data, já que a sua investigação sugere que ambas são possíveis. Embora o estudo ofereça uma nova janela para a sazonalidade da erupção vulcânica, o debate sobre a data e a sua importância ainda está em andamento.

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11 Junho, 2019

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2150: Vulcão extinto acordou. Cientistas dizem que pode explodir “a qualquer momento”

CIÊNCIA

kuhnmi / Wikimedia

Um vulcão no extremo leste da Rússia, que antes era considerado extinto, pode estar a despertar – e uma erupção pode ser catastrófica.

Acredita-se que o vulcão Bolshaya Udina – parte do complexo vulcânico de Udina, na Península de Kamchatka – tenha estado extinto até 2017, quando o aumento da actividade sísmica foi detectado, segundo os cientistas.

Agora, Ivan Koulakov, geofísico da do Instituto Trofimuk de Geologia e Geofísica do Petróleo, que liderou um estudo sobre o vulcão, acredita que deve ser reclassificado como activo. “A qualquer momento pode ocorrer uma erupção”, disse Koulakov à CNN.

Entre 1999 e Setembro de 2017, cerca de cem eventos sísmicos fracos foram detectados sob o vulcão, que fica a 2,9 quilómetros acima do nível do mar. Um “aumento anómalo” na sismicidade, no entanto, começou em Outubro de 2017. Entre Outubro de 2017 e Fevereiro de 2019, foram registados cerca de 2.400 eventos sísmicos. Em Fevereiro, um terramoto de magnitude 4,3 ocorreu em Udina – o evento sísmico mais forte que já ocorreu na região.

Investigadores da Rússia, Egipto e Arábia Saudita realizaram um estudo do vulcão no ano passado entre Maio e Julho, que foi publicado no Journal of Volcanology and Geothermal Research. Instalando quatro estações temporárias de monitorização sísmica em redor de Bolshaya Udina, os cientistas registaram e analisaram 559 eventos sísmicos.

Um “aglomerado elíptico” de actividade sísmica tinha-se formado em torno do vulcão com eventos sísmicos a ocorrer a mais de cinco quilómetros abaixo da superfície. “Essas propriedades sísmicas podem indicar a presença de intrusões de magma com alto conteúdo de fluidos, o que pode justificar a mudança do status actual deste vulcão de extinto para activo”, escreveram os investigadores.

Além disso, observaram que o aglomerado de eventos sísmicos ligava o vulcão à zona de Tolud, ao sul do vulcão, uma região que se acredita armazenar magma na crosta inferior da Terra. A zona de Tolud agora estava a alimentar Bolshaya Udina com magma graças a um novo caminho que se desenvolveu em 2018.

Bolshaya Udina partilha características estruturais com outro vulcão anteriormente extinto na região, o Bezymianny, que entrou em erupção dramaticamente em 1956, disse Koulakov. Há cerca de 50% de probabilidade de que o Bolshaya Udina entre em erupção.

“Ou pode libertar a energia suavemente durante alguns meses ou pode simplesmente desaparecer sem qualquer erupção”, disse. Se o vulcão entrar em erupção, pode representar uma ameaça significativa para as pequenas aldeias vizinhas, mas “não há muitas pessoas por perto”.

Uma erupção considerável também pode afectar o clima em “partes completamente diferentes do mundo”, disse. As cinzas libertadas pela erupção poderiam espalhar-se para além da Rússia, interrompendo as viagens aéreas.

Infelizmente, o vulcão é difícil de monitorizar, devido à distância das estações sísmicas permanentes. “Precisamos de implantar mais estações para entender se é perigoso ou não”, disse. “É altamente imprevisível.”

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10 Junho, 2019

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2110: Humanos antigos testemunharam uma erupção vulcânica na Turquia (e desenharam-na numa rocha)

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores internacionais determinou a antiguidade de pegadas pré-históricas encontradas numa camada de cinza anterior à erupção do vulcão Cakallar, localizado em Kula, na Turquia.

De acordo com o comunicado da Universidade de Curtin, na Austrália, cujos especialistas participaram no estudo, junto às “impressões de pés de Kula”, descobertas na década de 1960, foi ainda encontrada uma pintura rupestre que ilustrava a erupção.

Os estudos anteriores estimavam que as pegadas tinham cerca de 250 mil anos, o que sugeria que as testemunhas do fenómeno natural foram os neandertais da época do Plistoceno. Embora, a nova análise, que utilizou dois métodos diferentes – hélio radiogénico e a exposição ao cloro cosmogénico – mostrou que as pegadas eram muito mais jovens.

“As duas abordagens de datação independentes mostraram resultados internamente consistentes e juntos sugerem que a erupção vulcânica foi testemunhada pelo Homo sapiens durante a Idade do Bronze pré-histórica, há 4.700 anos e cerca de 245 mil anos mais tarde do que o originalmente relatado”. disse o investigador Martin Danisik.

O estudo, publicado na revista Quaternary Science Reviews, sugere que os humanos se aproximaram lentamente do vulcão com os seus cães após a primeira erupção, deixando as suas pegadas na camada húmida de cinzas. Quando a actividade vulcânica continuou, a rocha vulcânica enterrou as cinzas e preservou os trilhos.

Estudos anteriores sugeriram, de acordo com o Live Science, que estas pessoas antigas estavam a fugir da erupção. Mas, depois de examinar as distâncias entre os passos, parece que quem os deixou estava a andar a uma velocidade normal.

Além disso, os autores acreditam que os humanos observaram a erupção a uma distância segura, o que, muito provavelmente, torna o Homo sapiens os autores da pintura rupestre próxima.

Segundo Danisik, a pintura “mostra como os seres humanos há 4,7 mil anos eram capazes de retratar processos naturais como uma erupção vulcânica, na sua própria forma artística e com ferramentas e materiais limitados”.

Isto poderá fazer do Homo sapiens o primeiro vulcanólogo do mundo – ou seja, as primeira pessoas a observar e a registar erupções vulcânicas.

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4 Junho, 2019



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2102: Os vulcões do gelado Plutão podem estar a derramar água líquida

NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Dados da sonda New Horizonts da NASA apontam que o amoníaco em Plutão poder ser evidência de uma actividade geológica recente em que água líquida derramou dos seus vulcões, tal como acontece com a lava derretida na Terra.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science Advances, os autores sugerem que Plutão pode abrigar algumas características favoráveis à evolução de vida.

“Nos últimos anos, o amoníaco tem sido um pouco como o ‘Santo Graal’ da Ciência planetária”, disse a autoria principal do estudo, Cristina Dalle Ore, cientista planetária no Centro de Pesquisa Ames da NASA, em declarações ao portal Space.com.

O amoníaco é uma ingrediente-chave nas reacções químicas que estão na base da vida tal como a conhecemos e, por isso, quando o amoníaco é encontrado, sinaliza normalmente um ambiente que pode levar à vida. “Não significa que a vida esteja presente, e ainda não a encontramos, mas indica um local onde devemos procurar”, explicou.

Este elemento é uma “molécula frágil” que é “destruída pela radiação ultravioleta e raios cósmicos (…) Portanto, quando está numa superfície implica que foi para lá há pouco tempo, há cerca de alguns milhões de anos de ser encontrado”.

Os cientistas defendem que o amoníaco, quando depositado na superfície de Plutão, já estava misturado com a água de um oceano subterrâneo escondido dentro do planeta anão. Esta água pode ter chegado “através de rachaduras ou aberturas e jorrou para a superfície (…) A isto chamamos crio-vulcanismo”, completou a cientista.

O facto de Plutão ter água líquida pode ser realmente surpreendente, uma vez que a superfície do planeta anão tem temperaturas de -270 graus Celsius, mais do que o suficiente para congelar o ar.

No entanto, apontam os cientistas, o calor dos minerais radioactivos torna as profundezas de Plutão mais quentes do que a sua superfície e o “amoníaco, quando misturado com água, age como um anticongelante, permitindo assim que a água seja líquida”.

No fundo, simplificou Dalle Ore, a presença de amoníaco na água possibilita a existência de um oceano líquido sob a crosta gelada do planeta anão. A extensão dos oceanos é para já desconhecida, podendo ser de apenas algumas bolsas de água líquida ou então toda uma camada aquosa sob a superfície de Plutão.

“A minha próxima tarefa passa por tentar determinar a localização de todas as aberturas a partir das quais e água e o amoníaco podem ter sido pulverizadas numa tentativa de mapear o tamanho do oceano”, rematou.

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3 Junho, 2019



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2089: O Etna voltou a acordar. O maior vulcão da Europa entra em erupção

Orietta Scardino / EPA

O vulcão Etna, situado na região italiana da Sicília, voltou a entrar em erupção esta quinta-feira, com novas fendas abertas na sua face sudeste.

Dois fluxos de lava percorrem algumas centenas de metros no cume do vulcão activo de maior altitude na Europa. A actividade é de intensidade média e caracterizada pela ejecção de cinzas, gases e rochas.

A erupção, no entanto, não afecta as operações no Aeroporto de Catânia, maior cidade dos arredores do Etna. “Estamos no início de uma nova fase eruptiva do Etna, que pode acabar rapidamente ou durar meses”, explicou o director do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) em Catânia, Eugenio Privitera.

“Os fenómenos estão confinados ao cume do vulcão e não constituem um perigo para centros habitados e pessoas, mas é preciso controlar os fluxos de turistas na zona para sua própria segurança”, acrescentou.

Embora o Etna esteja activo há algum tempo, esta erupção foi significativa, já que foi a erupção do primeiro flanco (lateral), e não a erupção do cume, no Etna por mais de uma década. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo da Smithsonian Institution, este paroxismo fazia parte de uma sequência vulcânica prolongada que começou em Setembro de 2013.

Apesar de ser um pouco imprevisível, o Etna está em erupção há anos. Já em Fevereiro deste ano, por exemplo, nuvens de cinzas foram vistas a subir em direcção ao céu a partir de uma série de pequenas explosões do chamado Telhado do Mediterrâneo.

Em Dezembro do ano passado, um sismo de magnitude 4,8 na escala de Richter atingiu a província de Catânia, na Sicília, junto ao monte Etna, fazendo pelo menos dez feridos e provocando alguns danos em edifícios. O sismo ocorreu dois dias depois de o Etna ter entrado em erupção, intensificando a actividade vulcânica na e actividade sísmica na região.

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um estudo mostrou que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami. O Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo a cerca de três a cinco centímetros por ano.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha da Sicília. A extensão total da sua base é de 1190 quilómetros quadrados, com uma circunferência de 140 quilómetros, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

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1 Junho, 2019


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2018: Vulcão das Bermudas formou-se de uma forma nunca antes vista na Terra

jurvetson / Flickr

Um vulcão nas Bermudas formou-se de uma forma nunca antes vista na Terra. O vulcão parece ter surgido a partir de um material que se ergue de uma região nas profundezas – a zona de transição.

A zona de transição é a região entre o manto superior e inferior. Estende-se entre 402 a 400 a 643 quilómetros abaixo da superfície do planeta e é rico em água, cristais e rocha derretida.

Os vulcões, normalmente, formam-se quando as placas tectónicas são empurradas ou separadas, produzindo uma fenda na superfície da Terra por onde o magma pode escapar. Também se podem formar em hotspots, onde plumas do manto se levantam – o Hawai é um exemplo disso.

Agora, investigadores descobriram que vulcões também se podem formar quando o material sobe da zona de transição. A equipa acredita que houve um distúrbio na zona de transição que forçou o material nesta camada a derreter e a mover-se em direcção à superfície. As descobertas foram publicadas na revista Nature.

Os geólogos estavam a analisar um vulcão agora adormecido sob o Oceano Atlântico, responsável pela formação das Bermudas. Olhando para a composição química de uma amostra central de 792 metros, poderiam construir uma imagem da história vulcânica das Bermudas.

“Antes do nosso trabalho, as Bermudas foram interpretadas como o resultado de uma profunda anomalia térmica no manto da Terra, mas não havia dados directos para apoiar essa ideia. Isto é devido ao facto de que o edifício vulcânico é completamente coberto por calcário”, disse Cornell Esteban Gazel, um dos autores do estudo, à Newsweek.

Em comunicado, Gazel disse que estavam à espera para mostrar que o vulcão era uma formação como a do Hawai. Porém, as medições feitas a partir da amostra central eram diferentes de tudo visto antes, sugerindo que a lava veio de uma fonte não identificada.

As amostras continham marcas da zona de transição. Em comparação com amostras retiradas de zonas de subducção, havia mais água aprisionada nos cristais. Sabe-se que a zona de transição contém vastas quantidades de água – um estudo calcula que há três vezes mais água nessa região da Terra do que em todos os oceanos do mundo.

“Suspeitei pela primeira vez que o passado vulcânico das Bermudas era especial enquanto experimentava o núcleo e notei as diversas texturas e mineralogia preservadas nos diferentes fluxos de lava”, disse a principal autora, Sarah Mazza, da Universidade de Münster, na Alemanha. “Rapidamente confirmamos enriquecimentos extremos em composições de elementos-traço. Foi emocionante ver os nossos primeiros resultados. Os mistérios das Bermudas começaram a desvendar-se”.

Modelos numéricos desenvolvidos pela equipa indicam um distúrbio na zona de transição que força o material a subir. Acredita-se que tenha ocorrido há cerca de 30 milhões de anos e forneceu a base em que as Bermudas se encontram hoje. “Encontramos uma nova maneira de fazer vulcões“, rematou Gazel.

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21 Maio, 2019



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1944: Vulcão Sinabung entra em erupção. É um dos maiores da Indonésia

YT Haryono / EPA
Erupção do monte Sinabung, um dos maiores vulcões da Indonésia, 26 de Agosto de 2016

Um vulcão da Indonésia entrou em erupção esta terça-feira, libertando grande quantidade de fumo a 2.000 metros, cobrindo os vilarejos da região de cinzas.

O vulcão Sinabung, na ilha de Sumatra, está activo desde 2010 e entrou em erupção pela última vez em 2016. Nos últimos dias, a sua actividade disparou. Os vilarejos próximos foram avisados do risco de lava.

O gabinete de gestão de catástrofes afirmou que a erupção pode afectar o tráfego aéreo. Contudo, até ao momento, não foi emitido qualquer alerta formal para evitar os voos na área.

Não foram registados feridos ou mortos e a agência de catástrofes não emitiu ordens de evacuação. Em 2016, sete pessoas morreram durante uma erupção deste vulcão. Em 2014 foram registadas 16 vítimas.

No ano passado, a erupção de um vulcão entre as ilhas de Java e Sumatra provocou um deslizamento de terras submarino, desencadeando um tsunami que matou mais de 400 pessoas.

O vasto arquipélago do Sudeste Asiático está no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde se encontram placas tectónicas. A Indonésia tem 127 vulcões activos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
8 Maio, 2019

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1872: Investigadores identificaram os “assassinos” que causaram a maior extinção massiva da Terra

CIÊNCIA

Barcroft / YouTube

Uma equipa de investigadores encontrou fortes evidências de que o evento na história da Terra conhecido como a Grande Mortandade, a maior extinção em massa, foi causada por erupções de vulcões.

As conclusões do estudo, realizado por investigadores da Universidade de Cincinnati, nos EUA, e da Universidade de Geociências da China, foram publicadas a 5 de Abril na revista Nature Communications.

A extinção em massa do Permiano-Triássico, ocorrida há cerca de 250 milhões de anos, terminou com a vida de 95% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. Hipóteses diferentes ainda estão a ser consideradas e a sua causa exacta ainda não foi esclarecida pela ciência.

De acordo com o portal Science Daily, o grupo de cientistas liderado por Jun Shen encontrou no registo geológico da época um aumento de mercúrio em quase uma dúzia de regiões do mundo, o que, segundo eles, representa evidência de que o cataclismo foi causado por vulcões.

Como explicam, as erupções inflamaram vastos depósitos de carbono, libertando vapor de mercúrio na atmosfera que choveu e acabou nos sedimentos marinhos do planeta.

Os investigadores situam estas erupções no sistema vulcânico das chamadas “armadilhas siberianas”, localizadas na actual Rússia. Esses eventos eram frequentes e duradouros, durando por um período de centenas de milhares de anos e libertando tanto material para o ar que as temperaturas subiram cerca de 10ºC no planeta. O clima mais quente, a chuva ácida e o aquecimento da água foram apontados pelos especialistas como os principais responsáveis pela extinção.

Thomas Algeo diz que os investigadores ainda se estão a perguntar o que foi mais prejudicial. “Criaturas adaptadas a ambientes mais frios não teriam sorte, por isso, o meu palpite é que a mudança na temperatura seria o assassino número 1. Os efeitos seriam agravados pela acidificação e outras toxinas no meio ambiente”, disse.

Além disso, o cientista destacou como um factor importante o facto de as erupções terem ocorrido durante um período prolongado de tempo. “O que importa não é necessariamente a intensidade, mas a duração“, disse Algeo. “Quanto mais tempo passava, mais pressão era exercida sobre o meio ambiente”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
20 Abril, 2019

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1647: Catástrofe vulcânica ameaça a vida de 200 mil pessoas na Califórnia

(CC0/PD) 12019 / pixabay

Especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) acreditam que a Califórnia pode estar sob perigo. O estado norte-americano tem sete vulcões activos.

Os habitantes da região da Califórnia podem ter mais que se preocupar do que um terramoto. O verdadeiro perigo, na realidade, poderá ser uma forte erupção de um dos vulcões circundantes. Isto tendo em conta que, no último milénio, ocorreram pelo menos dez erupções.

No estudo, publicado a 25 de Fevereiro pela USGS, os geólogos envolvidos admitem que “futuras erupções vulcânicas são inevitáveis”. As consequências dos sete vulcões activos incluem ainda “terramotos vulcânicos e emissão de gases tóxicos”.

Os investigadores da USGS criaram um mapa com as zonas mais vulneráveis, nas quais vive ou trabalha um total de 200 mil pessoas. Os vulcões Shasta, Medicine Lake e o centro vulcânico Lassen são considerados os de maior risco.

Só na zona territorial perto do vulcão Shasta vivem mais de 100 mil pessoas, que poderão ter as suas casas em risco, caso se verifique uma forte erupção vulcânica. De acordo com a LiveScience, os geólogos calculam que há uma probabilidade de 16% de, nos próximos 30 anos, uma grande erupção abalar estes territórios.

À parte do perigo da actividade vulcânica na zona da Califórnia, os investigadores determinaram, agora, que há uma probabilidade de 22% de um terramoto na famosa falha de San Andreas. De relembrar, que um estudo realizado pela USGS em 2008, previa uma probabilidade de 99% de haver um terramoto na Califórnia nos próximos 30 anos.

Mas enquanto os habitantes do estado da Califórnia vivem assombrados com a possibilidade de um terramoto ou de uma erupção vulcânica, os turistas continuam a ver a Cali como um paraíso de eleição para férias.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
28 Fevereiro, 2019

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1555: Os vulcões russos são uma ameaça para o clima da Terra

Earth Observatory / Wikimedia
Erupção no vulcão Sarychev, na Rússia

Um grupo internacional de cientistas descobriu que as erupções dos vulcões do hemisfério norte, especialmente no território russo, exercem uma influência maior sobre o clima do planeta do que se pensava anteriormente.

As erupções dos vulcões extra-tropicais – como o Kasatochi, no Alasca, ou Sarychev, na Rússia – injectam enxofre na estratosfera inferior. No entanto, o seu impacto no clima tem sido muito fraco e de curta duração – o que fez com que os investigadores assumissem que este resultado é um reflexo de uma regra geral.

No entanto, investigadores do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica Kiel (GEOMAR), do Instituto Max Planck de Meteorologia, em Hamburgo, e da Universidade de Oslo, juntamente com colegas da Suíça, dos Estados Unidos e do Reino Unido, rejeitaram essa hipótese, num recente artigo científico publicado na Nature Geoscience.

Esta equipa de cientistas investigou núcleos de gelo que contêm enxofre e concluiu que, durante os últimos 1250 anos, as erupções de vulcões extra-tropicais deviam, na verdade, provocar o arrefecimento da superfície no hemisfério norte. Desta forma, estes vulcões arrefeceram muito mais a atmosfera em comparação com os seus análogos tropicais, mesmo lançando a mesma quantidade de enxofre.

Na prática, os cientistas chegaram à conclusão que as erupções extra-tropicais são realmente mais eficientes do que as erupções tropicais em tempos de arrefecimento hemisférico em relação à quantidade de enxofre emitido pelas erupções.

O arrefecimento da atmosfera ocorre quando gases com enxofre são lançados na estratosfera a uma altitude de 10 a 15 quilómetros. Como resultado, os gases sulfurosos produzem uma neblina de aerossol sulfúrico, capaz de se manter durante vários meses ou anos. Esta neblina reflete uma parte da radiação solar, causando a diminuição da temperatura média anual.

Segundo a EurekAlert, este último estudo mostra que nas latitudes norte o tempo de vida do enxofre em aerossol é menor do que nos trópicos, ao contrário do que se pensava anteriormente. Além disso, neste caso, a influência sobre o clima limita-se ao hemisfério norte, o que aumenta o arrefecimento da atmosfera.

Os cientistas esperam que esta recente investigação os ajude a medir, com maior precisão, o nível de impacto das erupções vulcânicas na variabilidade climática, supondo que o clima no futuro seja afectado por erupções extra-tropicais explosivas.

Apesar de terem acontecido muito poucas erupções extra-tropicais explosivas em comparação com as tropicais nos últimos anos, não é completamente descartável que estas grandes erupções possam vir a acontecer, alertam os investigadores.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
4 Fevereiro, 2019

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1419: Os vulcões podem ser alimentados por “reservatórios de papa”

CIÊNCIA

Esteban Biba / EPA

Afinal, os vulcões podem não ser alimentados pelo magma derretido que se forma nas enormes câmaras magmáticas, mas antes por “reservatórios de papa”, áreas quase totalmente repletas cristais, onde o magma flui nos pequenos espaços existentes entre as estruturas cristalinas. 

Até então, a nossa compreensão dos processo vulcânicos dava conta que os processos vulcânicos, incluindo os que levam a enormes e destrutivas erupções, que o magma é armazenado nas chamadas câmaras magmáticas, que são uma espécie de caverna subterrânea repleta de magma no estado líquido.

No entanto, este pressuposto nunca foi observado e uma nova investigação, publicada no início do mês de Dezembro na revista científica Nature, sugere que esta suposição fundamental na compreensão dos vulcões precisa de ser repensada.

De acordo com a publicação, os vulcões são alimentados pelos chamados “reservatórios de papa” que, segundo descreveram os cientistas, são áreas compostas por cristais, na sua maioria sólidos, onde o magma flui entre os pequenos espaços existentes.

“Um ‘reservatório de papa’ compreende uma estrutura porosa e permeável de cristais fortemente compactados com o processo de fusão está presente no espaço poroso”, escreveram os cientistas do Imperial College e da Universidade de Bristol, no Reino Unido, que levaram a nova investigação a cabo.

“Devemos agora olhar novamente para como e porquê se produzem as erupções dos reservatórios. Podemos aplicar as nossas descobertas para entender as erupções vulcânicas que têm implicações para a segurança pública, e também para compreender a formação de depósitos de minerais metálicos associados aos sistemas vulcânicos”, disse Matthew Jackson, professor do Imperial College.

A teoria da “papa”

Para entrar em erupção, os vulcões precisam de uma fonte de magma, a rocha líquida, que contém relativamente poucos cristais sólidos. Acreditava-se, até então, que este magma era formado e armazenado numa enorme caverna subterrânea – a câmara magmática.

Estudos publicados recentemente sobre a química do magma já desafiavam este pressuposto, levando ao aparecimento da hipótese do “reservatório de papa”. Porém, este modelo tinha uma lacuna, não sendo capaz de capaz de explicar por que motivo os magmas pobres em cristais são formados e chegam a ser enviados para que o vulcão entre em erupção – até então.

Agora, e recorrendo à modelagem sofisticada de reservatórios, a equipa de investigadores encontrou uma solução. No cenário em causa, o magma é menos denso do que os cristais, o que faz com que a rocha líquida suba pelos espaços vazios entre os cristais.

À medida que sobe, explicaram os cientistas, o magma vai reagindo com os cristais, derretendo-os e conduzindo-os, posteriormente, a áreas locais que contêm magma com relativamente poucos cristais. E são estas mesmas áreas de vida curta de magma que, à medida que vão crescendo, podem conduzir a erupções vulcânicas.

“Um dos grandes mistérios sobre os vulcões é que se acreditava que eram sustentados por grandes câmaras de rocha derretida, mas estas câmaras eram sempre muito difíceis de encontrar”, explicou o co-autor, Stephen Sparks, da Universidade de Bristol.

“A nova ideia defende que as rochas derretidas se formam dentro de rochas quentes em grande parte cristalinas, que passam a maior parte do tempo em pequenos poros no interior da rocha, e não em grandes câmaras de magma [como se acreditava]. No entanto, a fusão ‘espreme-se’ lentamente de modo formar grupos de fusão, que podem depois explodir ou formar câmaras de magma efémeras”, sustentou.

Ao contrário da água, o líquido formado é mais denso do que o seu estado sólido. Neste caso, o magma é mais “flutuante” do que os cristais sólidos, conseguindo ir subir gradualmente, levando consigo pequenas quantidades de cristais mais antigos.

No fundo, a equipa propõe que o armazenamento de magma ocorre por fluxo reactivo de fusão dos “reservatórios de papa”, em vez de o processo comummente aceite da cristalização fraccionada em câmaras magmáticas.

Além das erupções, o novo modelo de reservatório pode ajudar a explicar outros fenómenos dos sistemas vulcânicos, como a evolução da composição química do magma.

SA, ZAP // Europa Press / Sci News

Por SA
15 Dezembro, 2018

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1315: Os vulcões de Marte podem ter sido surgido da mesma forma que os do Hawai

NASA/JPL/USGS
O extinto vulcão Arsia Mons, em Marte

Marte tem algumas das maiores montanhas de todo o sistema solar. Enquanto o planeta é bastante inactivo actualmente, já foi muito activo.

O Planeta Vermelho tem ventos e dunas que formam características distintas na sua superfície, semelhantes ao que se pode ver na Terra. Um novo estudo, publicado a 15 de Novembro na revista científica Nature, sugere que Marte pode ter muito mais em comum com o nosso planeta do que se pensava.

Meteoritos caem constantemente na Terra. Ocasionalmente, pequenos pedaços de Marte sobrevivem à entrada na atmosfera e são descobertos – principalmente no deserto do Saara e na Antárctida – onde os investigadores os recolhem para estudo futuro.

De acordo com o novo estudo, liderado por James Day, da Universidade de San Diego, estes meteoritos podem ser formados a partir dos mesmos processos vulcânicos que criam vulcões no Havai.

As montanhas surgem pelo que é chamado de “ponto quente”, ou quando o material do manto da terra sobe em direcção à superfície e gera o derretimento. Mas quando esses vulcões ficam mais pesados ​​​​a partir da constante criação e endurecimento do material, podem criar um tipo de vulcão completamente diferente, dobrando e deformando fisicamente a placa oceânica debaixo do Havai.

Quando isto ocorre, a área em redor dos vulcões maiores e mais pesados ​​é flexionada e elevada, criando novos picos potencialmente eruptivos.

“Se for a Oahu ou a algumas das ilhas mais antigas, encontrará este vulcanismo que ocorreu muito tempo depois do vulcanismo original. Um bom exemplo disso é a cratera Diamond Head”, disse  o geólogo James Day, citado pelo Popular Science.

A cratera Diamond Head em Oahu formou-se como resultado do stress tectónico de vulcões mais antigos e maciços. “Isto corresponde exactamente ao que vemos nos meteoritos marcianos”, diz Day.

Os investigadores conhecem dois tipos de meteoritos marcianos chamados shergottites e nakhlites, que são muito diferentes em idade e composição química. Apesar de terem sido recolhidos mais de 200 meteoritos marcianos, os cientistas ainda não sabem de que parte de Marte vêm.

Contudo, o novo estudo pode fornecer uma grande pista. Day e sua equipa analisaram a composição química de 40 meteoritos marcianos e descobriram que eles partilhavam algumas semelhanças entre si. Os nakhlites têm uma composição única que não se encaixa na maioria dos vulcões da Terra, enquanto os shergottites são parecidos com os resíduos de vulcões como o Kilauea que se formam num ponto quente.

Estranhos vulcões estão em erupção em todo o Sistema Solar

A sonda Juno, da NASA, detectou recentemente um possível novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter,…

1172: Graffiti pode revelar a verdadeira data da erupção que destruiu Pompeia

CIÊNCIA

ElfQrin / wikimedia
Ruínas de Pompeia com o vulcão do Monte Vesúvio ao fundo.

Esta terça-feira, as autoridades italianas anunciaram que a erupção vulcânica que destruiu a cidade romana de Pompeia, em 79 d.C., pode ter acontecido dois meses mais tarde do que pensavam os cientistas.

Até agora, pensava-se que a erupção que tinha soterrado a cidade de Pompeia debaixo de uma chuva de cinzas tinha acontecido a 24 de Agosto de 79 d.C.. No entanto, uma linha escrita em carvão na parede de uma sala investigada por arqueólogos acaba de mudar tudo: afinal, o desastre deve ter acontecido a 17 de Outubro de 79 d.C..

À medida que as escavações avançavam no sítio arqueológico de Pompeia, os cientistas começaram a duvidar da datação inicial, até que encontraram vestígios de romã, nozes e uvas prontas para serem usadas para fazer vinho. Estes vestígios indicavam que o desastre tinha acontecido durante o outono.

Mas o que, até hoje, não passavam de dúvidas, pode ser agora uma confirmação de que esses arqueólogos tinham mesmo razão. O Parque Arqueológico anunciou que os especialistas encontraram uma linha escrita em carvão na parede de uma sala que dizia: “XVI K Nov”, que, em português, significa “16º dia antes do primeiro de Novembro“, ou seja, 17 de Outubro.

Segundo o Observador, esta descoberta vem acentuar as desconfianças dos arqueólogos: afinal, a erupção vulcânica que destruiu Pompeia pode mesmo ter acontecido dois meses depois do calculado pelos cientistas.

De acordo com os especialistas, esta frase foi escrita numa área de uma casa que estava a ser renovada antes da erupção do Vesúvio. Ainda assim, defendem que não terá sido escrita muito antes, porque, como foi escrita em carvão, seria difícil que ela conseguisse sobreviver muito tempo a não ser que fosse preservada pelas cinzas do vulcão.

Apesar de os cientistas não saberem ao certo se a frase foi escrita no dia da catástrofe ou um dia antes, este graffiti indica uma data muito mais aproximada do dia da destruição total de Pompeia.

Alberto Bonisoli, ministro da Cultura, considerou a descoberta de “extraordinária”. “Hoje, com muita humildade, talvez reescrevamos os livros de história, porque datávamos a erupção na segunda metade de Outubro.”

Pompeia foi uma cidade do Império Romano, situada a 22 quilómetros de Nápoles, na Itália, no território do actual município de Pompeia. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio, provocando uma intensa chuva de cinzas e sepultando completamente a cidade.

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19 Outubro, 2018

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1143: Cientistas explicam como surgem os sistemas de magma que nutrem super-erupções

Francis R. Malasig / EPA

Para descobrir onde é que o magma se encontra na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista da Universidade de Vanderbilt, Guilherme Gualda, e a sua equipa viajaram para a área mais activa: a Zona Vulcânica Taupo, na Nova Zelândia.

Para descobrir onde o magma se acumula na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista Guilherme Gualda, da Universidade de Vanderbilt, e a sua equipa, viajaram para o aglomerado mais activo: a Zona Vulcânica Taupo na Nova Zelândia, onde ocorreram algumas das maiores erupções dos últimos dois milhões de anos .

Depois de estudar camadas de pedra-pomes visíveis em cortes de estradas e outros afloramentos, medindo a quantidade de cristais nas amostras e usando modelos termodinâmicos, a equipa de cientistas determinou que o magma se aproximava da superfície a cada erupção sucessiva.

Este trabalho integra-se num projecto que tem como objectivo estudar super-erupções – como os sistemas de magma que os alimentam são construídos e como a Terra reage à entrada repetida de magma em curtos períodos de tempo.

“À medida que o sistema é redefinido, os depósitos tornam-se mais rasos”, disse Gualda, professor associado de ciências da terra e do meio ambiente. “A crosta está a ficar cada vez mais quente, então o magma pode alojar-se em níveis mais rasos.”

Além disso, a natureza dinâmica da crosta da Zona Vulcânica de Taupo tornou muito mais provável a erupção do magma em vez de simplesmente ficar armazenado na crosta. As erupções mais frequentes e com menor impacto, que produziam 50 a 150 quilómetros cúbicos de magma, impediram, muito provavelmente, uma super-erupção.

Super-erupções produzem mais de 450 quilómetros cúbicos de magma e afectam o clima da Terra durante vários anos após a erupção, adianta o EurekAlert.

“Há magma estagnado que é pobre em cristal, que se mantém fundido durante algumas décadas, e a certa altura irrompe”, disse Gualda. “Aí, outro corpo de magma é estabelecido, mas não sabemos como se forma esse corpo.  É um período no qual aumenta o derretimento na crosta.”

A questão que permanece no ar tem a ver com o tempo que esses corpos de magma, ricos em cristais, se reúnem entre as erupções. Pode demorar milhares de anos, mas Gualda acredita que o período de tempo é mais curto do que isso.

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14 Outubro, 2018

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1130: Colapso do Etna para o mar pode causar tsunami devastador na Europa

(CC0/PD) notiziecatania / pixabay
Catania, na Sicília, com o Etna ao fundo

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um novo estudo mostra agora que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami.

Após ter sido comprovado que o Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo, um novo estudo explica agora o motivo pelo qual este monte se desloca cerca de três a cinco centímetros por ano. O estudo foi publicado a 10 de Outubro na revista Science Advances.

Nos primeiros estudos, os cientistas apontavam como causa para o deslocamento a acumulação de pressão proveniente do magma interno do vulcão.

Contudo, uma equipa de investigação liderada pela Dr.ª Morelia Urlaub, do Centro de Investigação do Oceano GEOMAR Helmholt, estudou os movimentos do fundo do mar durante um período em que a derrapagem do vulcão acelerou.

Entre os dias 12 e 20 de maio de 2017, os investigadores registaram, em pouco mais de uma semana, locais que se distanciaram cerca de 3,9 centímetros um do outro. Este valor foi observado longe da câmara de magma, onde os efeitos de pressão seriam mais significativos de acordo com a primeira teoria avançada pelos especialistas.

Além disso, os investigadores não registaram a existência de qualquer aumento de magma, o que fez cair por terra a teoria de que o deslocamento seria causado pela acumulação de pressão do magma.

Retirada essa hipótese de cima da mesa, Urlaub e a sua equipa acreditam que a explicação para esse fenómeno se prende com a atracção gravitacional da margem continental que se afundou no mar e que está a puxar partes da montanha atrás dela.

O artigo descreve o deslizamento gravitacional como “o processo vector” que causa colapsos, estimulando mudanças no magma que induziram erupções subsequentes.

O resultado que mais se destaca neste trabalho é a percepção de que um colapso do flanco submarino do Etna é muito mais provável do que aquilo que se pensava anteriormente, isto porque as causas do deslizamento se alteraram.

Segundo os investigadores, o deslizamento gravitacional irá continuar e poderá até tornar-se mais repentino e mais forte, sendo capaz de criar um tsunami devastador.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha de Itália. A extensão total da sua base é de 1190 km², com uma circunferência de 140 km, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

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1127: As vítimas do Vesúvio podem ter morrido de forma mais horrenda do que pensávamos

CIÊNCIA

Petrone et al/PLOS One
Alguns dos crânios analisados pela equipa de arqueólogos

O Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C, assolando assentamentos num raio de 20 quilómetros. Uma grande área em torno do vulcão ficou reduzida a pó e milhares de pessoas morreram – um novo estudo aponta agora que estas mortes podem ter sido ainda mais horrendas do que se pensava até então.

Segundo uma nova investigação, publicada no fim de Setembro na revista Plos One, o calor intenso da erupção vulcânica pode ter feito com que os cérebros da vítimas explodissem.

Os investigadores acreditam que algumas vítimas podem ter morrido após os seus fluídos corporais terem sido vaporizados pelo calor intenso oriundo do vulcão. Com esta vaporização, a pressão dentro do corpo foi aumentando até atingir um ponto de inflexão, que acabaria por causa a explosão do cérebro a partir do interior do mesmo.

O estudo, conduzido por uma equipa de arqueólogos do Hospital Universitário Federico II, na cidade italiana de Nápoles, analisou ossadas recuperadas de 12 câmaras à beira-mar em Herculano, uma das cidades mais próximas do vulcão.

Esta zona costeira, onde viviam cerca de 4 a 5 mil pessoas, foi o último refúgio de cerca de 300 moradores, que morreram instantaneamente devido à enorme onda de gás e fragmentos vulcânicos que foram expelidos da cratera do vulcão.

A partir da análise, os cientistas descobriram um estranho resíduo mineral de cor vermelha e preta no ossos, incluindo na parte interior dos crânios, evidenciando marcas das cinzas em volta e dentro do próprio esqueleto.

De acordo com a publicação, os resíduos encontrados contêm traços de ferro e dióxido de ferro, que podem ser resultado da exposição do sangue a níveis extremos de calor.

As maiores quantidades de ferro foram encontradas nas marcas avermelhadas – identificadas nos ossos cranianos e pós-cranianos – nas cinzas encontradas no interior dos crânios e na areia junto à praia.

“Estas descobertas indicam que a quantidade extremamente alta de ferro encontrada pode não ter sido originada a partir das cinzas vulcânicas ou aos produtos vulcânicos, mas antes da [vaporização] dos fluídos corporais da vítimas”, remata o estudo.

O Vesúvio, localizado no golfo de Nápoles, tornou-se amplamente conhecido após a erupção de 79 d.C, que dizimou as cidades romanas de Herculano e Pompeia. Actualmente, ainda está activo, tendo registado a sua última erupção em 1994.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

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