1420: Os vulcões podem ser alimentados por “reservatórios de papa”

CIÊNCIA

Esteban Biba / EPA

Afinal, os vulcões podem não ser alimentados pelo magma derretido que se forma nas enormes câmaras magmáticas, mas antes por “reservatórios de papa”, áreas quase totalmente repletas cristais, onde o magma flui nos pequenos espaços existentes entre as estruturas cristalinas. 

Até então, a nossa compreensão dos processo vulcânicos dava conta que os processos vulcânicos, incluindo os que levam a enormes e destrutivas erupções, que o magma é armazenado nas chamadas câmaras magmáticas, que são uma espécie de caverna subterrânea repleta de magma no estado líquido.

No entanto, este pressuposto nunca foi observado e uma nova investigação, publicada no início do mês de Dezembro na revista científica Nature, sugere que esta suposição fundamental na compreensão dos vulcões precisa de ser repensada.

De acordo com a publicação, os vulcões são alimentados pelos chamados “reservatórios de papa” que, segundo descreveram os cientistas, são áreas compostas por cristais, na sua maioria sólidos, onde o magma flui entre os pequenos espaços existentes.

“Um ‘reservatório de papa’ compreende uma estrutura porosa e permeável de cristais fortemente compactados com o processo de fusão está presente no espaço poroso”, escreveram os cientistas do Imperial College e da Universidade de Bristol, no Reino Unido, que levaram a nova investigação a cabo.

“Devemos agora olhar novamente para como e porquê se produzem as erupções dos reservatórios. Podemos aplicar as nossas descobertas para entender as erupções vulcânicas que têm implicações para a segurança pública, e também para compreender a formação de depósitos de minerais metálicos associados aos sistemas vulcânicos”, disse Matthew Jackson, professor do Imperial College.

A teoria da “papa”

Para entrar em erupção, os vulcões precisam de uma fonte de magma, a rocha líquida, que contém relativamente poucos cristais sólidos. Acreditava-se, até então, que este magma era formado e armazenado numa enorme caverna subterrânea – a câmara magmática.

Estudos publicados recentemente sobre a química do magma já desafiavam este pressuposto, levando ao aparecimento da hipótese do “reservatório de papa”. Porém, este modelo tinha uma lacuna, não sendo capaz de capaz de explicar por que motivo os magmas pobres em cristais são formados e chegam a ser enviados para que o vulcão entre em erupção – até então.

Agora, e recorrendo à modelagem sofisticada de reservatórios, a equipa de investigadores encontrou uma solução. No cenário em causa, o magma é menos denso do que os cristais, o que faz com que a rocha líquida suba pelos espaços vazios entre os cristais.

À medida que sobe, explicaram os cientistas, o magma vai reagindo com os cristais, derretendo-os e conduzindo-os, posteriormente, a áreas locais que contêm magma com relativamente poucos cristais. E são estas mesmas áreas de vida curta de magma que, à medida que vão crescendo, podem conduzir a erupções vulcânicas.

“Um dos grandes mistérios sobre os vulcões é que se acreditava que eram sustentados por grandes câmaras de rocha derretida, mas estas câmaras eram sempre muito difíceis de encontrar”, explicou o co-autor, Stephen Sparks, da Universidade de Bristol.

“A nova ideia defende que as rochas derretidas se formam dentro de rochas quentes em grande parte cristalinas, que passam a maior parte do tempo em pequenos poros no interior da rocha, e não em grandes câmaras de magma [como se acreditava]. No entanto, a fusão ‘espreme-se’ lentamente de modo formar grupos de fusão, que podem depois explodir ou formar câmaras de magma efémeras”, sustentou.

Ao contrário da água, o líquido formado é mais denso do que o seu estado sólido. Neste caso, o magma é mais “flutuante” do que os cristais sólidos, conseguindo ir subir gradualmente, levando consigo pequenas quantidades de cristais mais antigos.

No fundo, a equipa propõe que o armazenamento de magma ocorre por fluxo reactivo de fusão dos “reservatórios de papa”, em vez de o processo comummente aceite da cristalização fraccionada em câmaras magmáticas.

Além das erupções, o novo modelo de reservatório pode ajudar a explicar outros fenómenos dos sistemas vulcânicos, como a evolução da composição química do magma.

SA, ZAP // Europa Press / Sci News

Por SA
15 Dezembro, 2018

 

1316: Os vulcões de Marte podem ter sido surgido da mesma forma que os do Hawai

NASA/JPL/USGS
O extinto vulcão Arsia Mons, em Marte

Marte tem algumas das maiores montanhas de todo o sistema solar. Enquanto o planeta é bastante inactivo actualmente, já foi muito activo.

O Planeta Vermelho tem ventos e dunas que formam características distintas na sua superfície, semelhantes ao que se pode ver na Terra. Um novo estudo, publicado a 15 de Novembro na revista científica Nature, sugere que Marte pode ter muito mais em comum com o nosso planeta do que se pensava.

Meteoritos caem constantemente na Terra. Ocasionalmente, pequenos pedaços de Marte sobrevivem à entrada na atmosfera e são descobertos – principalmente no deserto do Saara e na Antárctida – onde os investigadores os recolhem para estudo futuro.

De acordo com o novo estudo, liderado por James Day, da Universidade de San Diego, estes meteoritos podem ser formados a partir dos mesmos processos vulcânicos que criam vulcões no Havai.

As montanhas surgem pelo que é chamado de “ponto quente”, ou quando o material do manto da terra sobe em direcção à superfície e gera o derretimento. Mas quando esses vulcões ficam mais pesados ​​​​a partir da constante criação e endurecimento do material, podem criar um tipo de vulcão completamente diferente, dobrando e deformando fisicamente a placa oceânica debaixo do Havai.

Quando isto ocorre, a área em redor dos vulcões maiores e mais pesados ​​é flexionada e elevada, criando novos picos potencialmente eruptivos.

“Se for a Oahu ou a algumas das ilhas mais antigas, encontrará este vulcanismo que ocorreu muito tempo depois do vulcanismo original. Um bom exemplo disso é a cratera Diamond Head”, disse  o geólogo James Day, citado pelo Popular Science.

A cratera Diamond Head em Oahu formou-se como resultado do stress tectónico de vulcões mais antigos e maciços. “Isto corresponde exactamente ao que vemos nos meteoritos marcianos”, diz Day.

Os investigadores conhecem dois tipos de meteoritos marcianos chamados shergottites e nakhlites, que são muito diferentes em idade e composição química. Apesar de terem sido recolhidos mais de 200 meteoritos marcianos, os cientistas ainda não sabem de que parte de Marte vêm.

Contudo, o novo estudo pode fornecer uma grande pista. Day e sua equipa analisaram a composição química de 40 meteoritos marcianos e descobriram que eles partilhavam algumas semelhanças entre si. Os nakhlites têm uma composição única que não se encaixa na maioria dos vulcões da Terra, enquanto os shergottites são parecidos com os resíduos de vulcões como o Kilauea que se formam num ponto quente.

Estranhos vulcões estão em erupção em todo o Sistema Solar

A sonda Juno, da NASA, detectou recentemente um possível novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter,…

1173: Graffiti pode revelar a verdadeira data da erupção que destruiu Pompeia

CIÊNCIA

ElfQrin / wikimedia
Ruínas de Pompeia com o vulcão do Monte Vesúvio ao fundo.

Esta terça-feira, as autoridades italianas anunciaram que a erupção vulcânica que destruiu a cidade romana de Pompeia, em 79 d.C., pode ter acontecido dois meses mais tarde do que pensavam os cientistas.

Até agora, pensava-se que a erupção que tinha soterrado a cidade de Pompeia debaixo de uma chuva de cinzas tinha acontecido a 24 de Agosto de 79 d.C.. No entanto, uma linha escrita em carvão na parede de uma sala investigada por arqueólogos acaba de mudar tudo: afinal, o desastre deve ter acontecido a 17 de Outubro de 79 d.C..

À medida que as escavações avançavam no sítio arqueológico de Pompeia, os cientistas começaram a duvidar da datação inicial, até que encontraram vestígios de romã, nozes e uvas prontas para serem usadas para fazer vinho. Estes vestígios indicavam que o desastre tinha acontecido durante o outono.

Mas o que, até hoje, não passavam de dúvidas, pode ser agora uma confirmação de que esses arqueólogos tinham mesmo razão. O Parque Arqueológico anunciou que os especialistas encontraram uma linha escrita em carvão na parede de uma sala que dizia: “XVI K Nov”, que, em português, significa “16º dia antes do primeiro de Novembro“, ou seja, 17 de Outubro.

Segundo o Observador, esta descoberta vem acentuar as desconfianças dos arqueólogos: afinal, a erupção vulcânica que destruiu Pompeia pode mesmo ter acontecido dois meses depois do calculado pelos cientistas.

De acordo com os especialistas, esta frase foi escrita numa área de uma casa que estava a ser renovada antes da erupção do Vesúvio. Ainda assim, defendem que não terá sido escrita muito antes, porque, como foi escrita em carvão, seria difícil que ela conseguisse sobreviver muito tempo a não ser que fosse preservada pelas cinzas do vulcão.

Apesar de os cientistas não saberem ao certo se a frase foi escrita no dia da catástrofe ou um dia antes, este graffiti indica uma data muito mais aproximada do dia da destruição total de Pompeia.

Alberto Bonisoli, ministro da Cultura, considerou a descoberta de “extraordinária”. “Hoje, com muita humildade, talvez reescrevamos os livros de história, porque datávamos a erupção na segunda metade de Outubro.”

Pompeia foi uma cidade do Império Romano, situada a 22 quilómetros de Nápoles, na Itália, no território do actual município de Pompeia. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio, provocando uma intensa chuva de cinzas e sepultando completamente a cidade.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2018

 

1144: Cientistas explicam como surgem os sistemas de magma que nutrem super-erupções

Francis R. Malasig / EPA

Para descobrir onde é que o magma se encontra na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista da Universidade de Vanderbilt, Guilherme Gualda, e a sua equipa viajaram para a área mais activa: a Zona Vulcânica Taupo, na Nova Zelândia.

Para descobrir onde o magma se acumula na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista Guilherme Gualda, da Universidade de Vanderbilt, e a sua equipa, viajaram para o aglomerado mais activo: a Zona Vulcânica Taupo na Nova Zelândia, onde ocorreram algumas das maiores erupções dos últimos dois milhões de anos .

Depois de estudar camadas de pedra-pomes visíveis em cortes de estradas e outros afloramentos, medindo a quantidade de cristais nas amostras e usando modelos termodinâmicos, a equipa de cientistas determinou que o magma se aproximava da superfície a cada erupção sucessiva.

Este trabalho integra-se num projecto que tem como objectivo estudar super-erupções – como os sistemas de magma que os alimentam são construídos e como a Terra reage à entrada repetida de magma em curtos períodos de tempo.

“À medida que o sistema é redefinido, os depósitos tornam-se mais rasos”, disse Gualda, professor associado de ciências da terra e do meio ambiente. “A crosta está a ficar cada vez mais quente, então o magma pode alojar-se em níveis mais rasos.”

Além disso, a natureza dinâmica da crosta da Zona Vulcânica de Taupo tornou muito mais provável a erupção do magma em vez de simplesmente ficar armazenado na crosta. As erupções mais frequentes e com menor impacto, que produziam 50 a 150 quilómetros cúbicos de magma, impediram, muito provavelmente, uma super-erupção.

Super-erupções produzem mais de 450 quilómetros cúbicos de magma e afectam o clima da Terra durante vários anos após a erupção, adianta o EurekAlert.

“Há magma estagnado que é pobre em cristal, que se mantém fundido durante algumas décadas, e a certa altura irrompe”, disse Gualda. “Aí, outro corpo de magma é estabelecido, mas não sabemos como se forma esse corpo.  É um período no qual aumenta o derretimento na crosta.”

A questão que permanece no ar tem a ver com o tempo que esses corpos de magma, ricos em cristais, se reúnem entre as erupções. Pode demorar milhares de anos, mas Gualda acredita que o período de tempo é mais curto do que isso.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2018

 

1131: Colapso do Etna para o mar pode causar tsunami devastador na Europa

(CC0/PD) notiziecatania / pixabay
Catania, na Sicília, com o Etna ao fundo

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um novo estudo mostra agora que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami.

Após ter sido comprovado que o Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo, um novo estudo explica agora o motivo pelo qual este monte se desloca cerca de três a cinco centímetros por ano. O estudo foi publicado a 10 de Outubro na revista Science Advances.

Nos primeiros estudos, os cientistas apontavam como causa para o deslocamento a acumulação de pressão proveniente do magma interno do vulcão.

Contudo, uma equipa de investigação liderada pela Dr.ª Morelia Urlaub, do Centro de Investigação do Oceano GEOMAR Helmholt, estudou os movimentos do fundo do mar durante um período em que a derrapagem do vulcão acelerou.

Entre os dias 12 e 20 de maio de 2017, os investigadores registaram, em pouco mais de uma semana, locais que se distanciaram cerca de 3,9 centímetros um do outro. Este valor foi observado longe da câmara de magma, onde os efeitos de pressão seriam mais significativos de acordo com a primeira teoria avançada pelos especialistas.

Além disso, os investigadores não registaram a existência de qualquer aumento de magma, o que fez cair por terra a teoria de que o deslocamento seria causado pela acumulação de pressão do magma.

Retirada essa hipótese de cima da mesa, Urlaub e a sua equipa acreditam que a explicação para esse fenómeno se prende com a atracção gravitacional da margem continental que se afundou no mar e que está a puxar partes da montanha atrás dela.

O artigo descreve o deslizamento gravitacional como “o processo vector” que causa colapsos, estimulando mudanças no magma que induziram erupções subsequentes.

O resultado que mais se destaca neste trabalho é a percepção de que um colapso do flanco submarino do Etna é muito mais provável do que aquilo que se pensava anteriormente, isto porque as causas do deslizamento se alteraram.

Segundo os investigadores, o deslizamento gravitacional irá continuar e poderá até tornar-se mais repentino e mais forte, sendo capaz de criar um tsunami devastador.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha de Itália. A extensão total da sua base é de 1190 km², com uma circunferência de 140 km, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

 

1128: As vítimas do Vesúvio podem ter morrido de forma mais horrenda do que pensávamos

CIÊNCIA

Petrone et al/PLOS One
Alguns dos crânios analisados pela equipa de arqueólogos

O Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C, assolando assentamentos num raio de 20 quilómetros. Uma grande área em torno do vulcão ficou reduzida a pó e milhares de pessoas morreram – um novo estudo aponta agora que estas mortes podem ter sido ainda mais horrendas do que se pensava até então.

Segundo uma nova investigação, publicada no fim de Setembro na revista Plos One, o calor intenso da erupção vulcânica pode ter feito com que os cérebros da vítimas explodissem.

Os investigadores acreditam que algumas vítimas podem ter morrido após os seus fluídos corporais terem sido vaporizados pelo calor intenso oriundo do vulcão. Com esta vaporização, a pressão dentro do corpo foi aumentando até atingir um ponto de inflexão, que acabaria por causa a explosão do cérebro a partir do interior do mesmo.

O estudo, conduzido por uma equipa de arqueólogos do Hospital Universitário Federico II, na cidade italiana de Nápoles, analisou ossadas recuperadas de 12 câmaras à beira-mar em Herculano, uma das cidades mais próximas do vulcão.

Esta zona costeira, onde viviam cerca de 4 a 5 mil pessoas, foi o último refúgio de cerca de 300 moradores, que morreram instantaneamente devido à enorme onda de gás e fragmentos vulcânicos que foram expelidos da cratera do vulcão.

A partir da análise, os cientistas descobriram um estranho resíduo mineral de cor vermelha e preta no ossos, incluindo na parte interior dos crânios, evidenciando marcas das cinzas em volta e dentro do próprio esqueleto.

De acordo com a publicação, os resíduos encontrados contêm traços de ferro e dióxido de ferro, que podem ser resultado da exposição do sangue a níveis extremos de calor.

As maiores quantidades de ferro foram encontradas nas marcas avermelhadas – identificadas nos ossos cranianos e pós-cranianos – nas cinzas encontradas no interior dos crânios e na areia junto à praia.

“Estas descobertas indicam que a quantidade extremamente alta de ferro encontrada pode não ter sido originada a partir das cinzas vulcânicas ou aos produtos vulcânicos, mas antes da [vaporização] dos fluídos corporais da vítimas”, remata o estudo.

O Vesúvio, localizado no golfo de Nápoles, tornou-se amplamente conhecido após a erupção de 79 d.C, que dizimou as cidades romanas de Herculano e Pompeia. Actualmente, ainda está activo, tendo registado a sua última erupção em 1994.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

 

1022: Cientistas vão largar “ovos de dragão” em vulcões para prever erupções

CIÊNCIA

Cientistas da Universidade de Bristol criaram um sistema de sensores inspirado em “ovos de dragão”. Os “ovos” abrem e analisam todo o ambiente vulcânico assim que é detectado algum tremor.

Subir de mochila às costas um vulcão que mostra sinais de actividade para largar sensores  numa cratera é, no mínimo, uma árdua e perigosa tarefa. E, por essa razão, cientistas britânicos criaram uma maneira de evitar a presença de humanos nesta missão.

Os “ovos de dragão” são pequenas caixas autónomas repletas de sensores inteligentes que podem ser largados bem no centro do vulcão, através do controlo à distância de um quadcopter – um drone composto por 4 rotores.

Caso o vulcão não esteja prestes a entrar em erupção, cada caixa permanece no modo suspenso (stand-by), semelhante ao modo disponível em qualquer computador, consumindo níveis de energia muito baixos.

O comunicado da Universidade de Bristol reivindica para estes “ovos de dragão” o título de “menor consumo de energia em stand-by do mundo”, podendo ficar operacionais por largos meses com uma só carga de bateria.

Os sensores acoplados nos aparelhos despertam e o “ovo” abre assim que é detectado o mais pequeno tremor vulcânico, iniciando o protocolo de registo de valores de temperatura, humidade, frequência e intensidade de vibrações, sendo ainda capazes de analisar a presença de vários gases tóxicos.

Universidade de Bristol
Drone e os ovos de dragão que serão utilizados para analisar vulcões

Os “ovos de dragão” podem ainda trabalhar isoladamente ou em conjunto num sistema interligado em rede e os dados recolhidos pelos sensores podem ser transmitidos em tempo real para uma estação localizada num raio de 10 km do vulcão onde os “ovos de dragão” operam.

Depois de os dados chegarem a essa estação podem ser retransmitidos por satélite para centros de investigação de todo o mundo, onde poderão ser usados em estudos geológicos ou para fornecer alertas sobre erupções iminentes.

“Esta é a primeira vez que um sistema autónomo que usa tecnologia de escuta de zero energia foi implementado neste tipo de ambiente hostil”, afirmou Yannick Verbelen, investigador associado do departamento de física da Universidade de Bristol.

O grande desafio pela frente desta tecnologia é a optimização do design para atender a diferentes critérios e situações.

Os “ovos de dragão” terão de ser leves o suficiente para o drone os suportar, terão de ser capazes de aguentar condições extremas, e ainda extremamente eficientes no consumo de energia visto que, dentro de um vulcão, a sua manutenção é impossível.

Mas desengane-se quem pense que estes “ovos de dragão” têm apenas a função de vigiar vulcões. As capacidades demonstradas por estes dispositivos fazem deles mais valias capazes de ser utilizados noutros âmbitos: em glaciares, falhas geológicas, locais de armazenamento de lixo nuclear e outros locais que demonstrem algum tipo de perigo.

A tecnologia desenvolvida já foi testada no vulcão Stromboli, em Itália, e os resultados positivos permitiram à tecnologia começar a ser desenvolvida com propósitos comerciais.

Por ZAP
14 Setembro, 2018

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976: Cientistas acreditam ter resolvido o mistério do Monte Santa Helena

CIÊNCIA

Lyn Topinka / Wikimedia
Pequena erupção do Monte de Santa Helena em 1982

Geofísicos norte-americanos acreditam ter resolvido o mistério do Monte Santa Helena, o vulcão mais mortífero dos Estados Unidos.

Adam Schultz, geofísico da Universidade de Oregon, os Estados Unidos, acredita ter resolvido, em conjunto com a sua equipa, o mistério do Monte Santa Helena, um vulcão localizado na Cordilheira das Cascatas, no Noroeste dos EUA.

Este vulcão tem uma particularidade: apesar de a Cordilheira das Cascatas ficar numa região geologicamente activa, o Santa Helena fica 50 quilómetros  a oeste do resto dos vulcões.

Os cientistas estão convictos de que o batólito Spirit Lake, uma formação rochosa subterrânea com certa de 32 a 48 quilómetros de diâmetro, desviou o magma e a rocha parcialmente derretida para fora do arco e para oeste, formando assim o vulcão activo. O artigo científico foi publicado recentemente na Nature Geoscience.

Em Maio de 1980, o Monte Santa Helena viveu uma grande erupção, e desde então passou por períodos de construção da cúpula e de dormência. O mistério em torno do vulcão intensificou-se e, em 2006, geocientistas da Universidade da Cantuária da Nova Zelândia forneceram algumas imagens do subsolo do vulcão.

De acordo com o Sci-News, os cientistas conseguiram as imagens através de uma técnica chamada levantamento magnetotelúrico, que mede a condutividade eléctrica da superfície da Terra.

No recente estudo, Schultz e a sua equipa usaram esta mesma técnica para reunir imagens mais recentes e mais nítidas para observar e analisar as mudanças que aconteceram desde o estudo de 2006.

“As novas imagens são claras o suficiente para que, monitorizando continuamente os campos geoelétricos e geomagnéticos, consigamos detectar mudanças no movimento do magma sob o Monte Santa Helena”, disse Schultz.

Para compreender a formação do Monte Santa Helena, é preciso começar pela base: as placas tectónicas.

“Tal como nos dias de hoje, em que a placa de Juan de Fuca está a ser subductada abaixo da América do Norte, no passado, blocos crustais com sedimentos marinhos bateram no continente e acumularam-se“, explicou o cientista. “Este material é mais permeável do que a rocha circundante e permite que o magma se mova através dele.”

O grande batólito desvia o magma que teria entrado em erupção na linha dos outros grandes vulcões da Cascata, caso o Spirit Lake não existisse.

ZAP //

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7 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

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812: Estranhos vulcões estão em erupção em todo o Sistema Solar

NASA/JPL/USGS
O vulcão Arsia Mons, em Marte, captado por sonda da NASA no planalto Tharsis Montes.

A sonda Juno, da NASA, detectou recentemente um possível novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter, a Io. Mas esta lua vulcanicamente activa não está sozinha no Sistema Solar.

A lua Io é famosa pelos seus inúmeros vulcões e pelo facto de estes soltarem lava dezenas de quilómetros acima da superfície. Esta lua de Júpiter está constantemente a reformar a sua superfície através de erupções vulcânicas. O vulcanismo de Io resulta de fortes encontros gravitacionais entre Júpiter e duas das suas grandes luas, Europa e Ganimedes, que “sacodem” as entranhas de Io.

Rosaly Lopes, investigadora do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, na Califórnia, levou a cabo observações desta lua vulcanicamente activa entre 1996 e 2001, durante a missão espacial Galileo.

“Em Io existem muitos fluxos de lava e muitos lagos. Os lagos de lava são bastante raros na Terra, temos meia dúzia deles. Achamos que ocorreram no passado, em Vénus e Marte. Mas na Io, na verdade, vemos lagos de lava ainda hoje”, disse a cientista. O Kilauea, no Havai, é um desses locais na Terra repletos de lagos de lava, por exemplo.

Agora, os cientistas pediram ajuda de Lopes para identificar o hotspot recém-encontrado de Io (um novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter), gesto que a cientista agradeceu dizendo que novas observações desta lua de Júpiter são bem vindas, dado que a sonda Galileo estava numa órbita equatorial e raramente conseguia observar os pólos.

Pelo contrário, a sonda Juno está numa órbita polar e tem uma visão favorecida dos pólos. Embora haja alguns indícios de que Io possa ter erupções maiores, mas menos frequentes, nos pólos, são precisas mais observações para os cientistas terem a certeza.

Ao contrário do que seria de esperar, Io não está sozinha. Vénus também parece ter fluxos de lava activos na sua superfície, onde as temperaturas atingem os 425 graus Celsius. Lopes afirmou, contudo, que não está claro se Vénus tem vulcões activos actualmente, embora várias observações da missão anterior da Europa Vénus Expressa tenha sugerido que sim.

Vénus tem cúpulas de vulcões e vulcões com muitos picos, embora não se saiba se estão activos ou inactivos. Este tipo de vulcão é também muito comum na Terra. É um vulcão em forma de cúpula que é formado por erupções de lava viscosa, com apenas uma pequena percentagem de gás.

No entanto, Vénus tem também outros tipos de vulcões e características vulcânicas: cúpulas de panquecas (que se parecem com panquecas), aracnóides (caldeiras que se parecem com aranhas), fluxos de lava e planícies vulcânicas.

Vénus e Marte têm também vulcões de escudo, um tipo de vulcão composto quase inteiramente por fluxos de lava fluída. Este tipo de vulcões são muito vulgares na Terra, em particular no Havai.

Mas Marte leva a taça: além de possuir o vulcão mais alto do Sistema Solar – o Monte Olimpo – tem também vários vulcões monstruosos, e a explicação pode estar na gravidade, que, por ser mais leve, pode fazer com que os vulcões cresçam mais altos do que o que acontece na Terra.

Em Marte, os vulcões parecem estar dormentes, já que não há fluxos de lava recentes visíveis na superfície. Há, no entanto, evidências extensas de vulcanismo no passado: planícies de inundação de basaltos, bem como outros tipos de vulcões que “foram formados por vulcanismo explosivo”, disse Lopes.

Além de Io, Vénus e Marte, também a lua da Terra, Mercúrio e Ceres tiveram vulcanismo de lava no passado, afirmou a cientista, acrescentando que há mundos com possíveis vulcões gelados (crio-vulcanismo) nos quais o material em erupção é água ou água misturada com nitrogénio ou metano.

Há também evidências de plumas activas na lua de Júpiter, Europa, e na lua de Saturno, Encelado. A lua de Saturno, Titan, também pode ter características crio-vulcânicas na superfície, assim como Tritão (a maior lua de Neptuno), Plutão e Caronte (a maior lua de Plutão).

Por ZAP
31 Julho, 2018

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“Bomba de lava” do Kilauea atinge barco e faz 23 feridos

As vítimas estavam num barco turístico, numa excursão para ver a lava derretida a cair dentro da água do Pacífico

Vinte e três pessoas ficaram feridas no Havai, atingidas por rocha derretida projectada pelo vulcão Kilauea.

As vítimas estavam num barco turístico, numa excursão para ver a lava derretida a cair dentro da água do Pacífico, quando a cobertura foi atingida – a maior parte sofreu queimaduras e uma das vítimas partiu a perna.

“Quando estávamos a abandonar a área, de repente, tudo à nossa volta começou a explodir. Estava em todo o lado”, contou ao jornal o capitão do barco, Shane Turpin, citado no The Guardian.


Will Bryan, que filmou o vídeo que se pode ver acima, contou à BBC que não tiveram tempo para fugir, sobretudo estando num barco pequeno. “Tens apenas seis metros e toda a gente está a tentar ir para o mesmo sítio. Foi muito assustador.”

O Kilauea, no sudeste da Grande Ilha do Havai, onde vivem cerca de 185 mil pessoas, entrou numa nova fase da sua erupção em Maio.

A guarda costeira norte-americana instituiu uma faixa de 300 metros à volta dos pontos na costa da ilha onde a lava se encontra com o oceano, por questões de segurança.

Diário de Notícias
Patrícia Jesus
17 Julho 2018 — 09:16

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748: Encontrado vulcão em actividade por baixo do glaciar mais vulnerável da Antárctida

Photo Credits: Before NASA Earth Observatory

O glaciar de Pine Island, local mais significativo de perda de gelo na Antárctida nos últimos anos, é responsável por cerca de um quarto do volume total de degelo registado no continente.

O glaciar de Pine Island está a “recuar e emagrecer”, diz Simon Gascoin, especialista do Centro Nacional de Estudos Científicos da França. Segundo diversos estudos, nos últimos 28 anos as águas sob o glaciar aqueceram 17 graus. E em Fevereiro do ano passado, a Antárctida perdeu um iceberg do tamanho de Manhattan, que se separou de Pine Island.

Muitos especialistas em ambiente ligam esta alarmante perda de glaciares ao aquecimento global. No entanto, um artigo publicado na revista Nature Communications no fim de Junho aponta para outro factor que contribui para o degelo: o calor vulcânico, semelhante àquele que destrói as geleiras da Islândia.

Os autores do estudo, uma equipa de oceanógrafos e geoquímicos norte-americanos e britânicos, mediram a presença de gases vulcânicos, principalmente helio-3, bem como néon e xénon, na água que rodeia a capa de gelo da Antárctida ocidental, da qual o glaciar de Pine Island faz parte.

Sensor de temperatura próximo do glaciar de Pine Island. Dados são claros: há um vulcão

As amostras, recolhidas em diversos locais, apontam para uma fonte importante de actividade vulcânica vários quilómetros sob a superfície da Antárctida. Com base nos dados recolhidos, os cientistas puderam calcular aproximadamente em que local se encontra o vulcão: perto do meridiano 100 oeste, não muito longe de Pine Island.

Estes dados são cruciais para prever o futuro da grande massa de gelo da Antárctida, acredita o oceanógrafo norte-americano Brice Loose, citado pelo Science Alert.

“Detectámos helio-3 em quantidades relativamente abundantes na água do glaciar de Pine Island”, diz Loose. “Não estávamos à procura de vulcões. Mas quando encontramos helio-3, é como uma impressão digital do vulcanismo“.

Segundo o cientista, a fonte de calor “está a exercer um efeito desconhecido, sobre  a massa de gelo, porque não sabemos como se distribui este calor debaixo da capa de gelo”.

Prever o ritmo do aumento do nível do mar será fundamental para a ciência nos próximos 100 anos. Estamos a vigiar e modelar estes glaciares”, explica o cientista.

A enorme quantidade de gelo que o glaciar de Pine Island está a perder para o oceano “mede-se em gigatoneladas”, diz o oceanógrafo norte-americano. Mas Brice Loose não duvida de que as mudanças climáticas estejam a causar “a maior parte” da fusão de glaciares registada nos últimos anos.

“O facto de haver um vulcão por baixo de Pine Island não explica a quantidade enorme de gelo que o glaciar está a perder”, diz Loose. “Há décadas de estudos a documentar que o calor das correntes oceânicas está a desestabilizar Pine Island“.

Por SN
9 Julho, 2018

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