3360: Erupção de vulcão no arquipélago das Galápagos ameaça espécies únicas

CIÊNCIA/VULCANISMO

No domingo, o vulcão La Cumbre entrou em erupção na ilha Fernandina, que, embora não seja habitada, tem um elevado “valor ecológico” devido à sua fauna e flora únicos no mundo.

Iguanas terrestres e marinhas, corvos-marinhos não voadores, pinguins, cobras e ratos endémicos estão entre as muitas espécies que podem estar ameaçadas com a erupção do vulcão La Cumbre, na ilha Fernandina, a oeste do arquipélago das Galápagos (Equador), património mundial pela UNESCO pela sua flora e fauna únicas. A actividade vulcânica começou na noite de domingo com lava e gases a serem expelidos, anunciou o Parque Nacional das Galápagos (PNG). ​​​​​

A ilha Fernandina não é habitada, mas o “seu valor ecológico” é muito rico, uma vez que “os seus ecossistemas abrigam espécies únicas”, salienta, em comunicado, o PNG, responsável pela reserva natural que fica situada a 1000 quilómetros da costa do Equador.

O PNG acrescentou que as primeiras imagens registam uma fissura ao longo da encosta sudeste da cratera de 1476 metros de altitude e mostram “fluxos de lava a descer para a costa” de uma das ilhas mais jovens das Galápagos.

O arquipélago serviu de laboratório para o naturalista inglês Charles Darwin desenvolver a Teoria da Evolução das Espécies.

Parque Galápagos @parquegalapagos

[BOLETÍN] Nueva erupción de volcán La Cumbre en Galápagos, lee más en https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2507224772721889&id=336795426431512 

O Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional explicou que o vulcão apresentou “uma nova agitação sísmica e consequente erupção”.

“Depois do evento sísmico de magnitude 4,7 ocorrido às 16h42, foram registados 29 eventos, cuja magnitude permaneceu abaixo de 3,1”, especificou o organismo.

A última actividade eruptiva do vulcão La Cumbre ocorreu há 19 meses (16 a 18 de Junho de 2018), precedida por outra a 4 de Setembro de 2017, de acordo com o Instituto Geofísico.

Parque Galápagos @parquegalapagos

[BOLETÍN] Nueva erupción de volcán La Cumbre en Galápagos
Leer más  https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2507224772721889&id=336795426431512 

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O Parque Nacional das Galápagos anunciou que vai continuar monitorizar a actividade vulcânica de modo a registar as mudanças que possam ocorrer no ecossistema das Ilhas Galápagos, Património Mundial pela sua flora e fauna únicas no mundo.

O arquipélago recebeu o nome das tartarugas gigantes que chegaram há três a quatro milhões de anos ao arquipélago vulcânico do Pacífico.

O Equador é uma dos países que fica situado no chamado “anel de fogo”, área de grande actividade sísmica e vulcânica.

Diário de Notícias

DN/AFP

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3335: Novo estudo mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VÉNUS

NASA

Uma equipa de cientistas diz ter encontrado evidências de que há vulcões activos na superfície de Vénus. Se isto se confirmar, é o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

Embora se saiba que Vénus tenha sido vulcanicamente activo há 2,5 milhões de anos, não foram encontradas evidências concretas de que ainda existam erupções vulcânicas na superfície deste planeta.

Porém, segundo o Science Alert, uma nova investigação do Lunar and Planetary Institute (LPI) mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos, tornando-o o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

A equipa de cientistas simulou a atmosfera do planeta em laboratório para investigar como é que os fluxos de lava de Vénus mudariam ao longo do tempo. Foi assim que descobriu que a olivina, um mineral que existe em abundância no basalto, reage rapidamente com uma atmosfera como a deste planeta e ficaria revestida por magnetita e hematita (dois minerais ricos em óxido de ferro) em poucos dias.

Os investigadores compararam estes resultados com os dados obtidos ao longo dos anos pela sonda Venus Express, que detectou sinais de olivina na superfície de Vénus, e descobriram que a assinatura de infravermelho emitida por estes minerais desapareceria em poucos dias.

A partir disso, os cientistas concluíram que os fluxos de lava observados em Vénus eram muito jovens, o que, por sua vez, poderá indicar que este planeta ainda possui vulcões activos na sua superfície.

“Se Vénus for realmente activo hoje, seria um óptimo lugar para visitar e entender melhor o interior dos planetas. Poderíamos estudar como é que os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não”, afirma Justin Filiberto, o cientista que liderou a investigação e cujo estudo foi publicado na Science Advances.

Num futuro próximo, vamos ouvir falar sobre várias missões a Vénus para aprender mais sobre a sua atmosfera e condições da sua superfície. Falamos, por exemplo, do orbitador Shukrayaan-1, da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), e da sonda russa Venera-D, que têm lançamento previsto para 2023 e 2026, respectivamente.

ZAP //

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

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3326: Cientistas encontram evidências de que Vénus tem vulcões activos

CIÊNCIA/ESPAÇO

Esta figura mostra o pico vulcânico Idunn Mons (a 46º S, 214,5º E) na área de Imdr Regio de Vénus. A sobreposição colorida mostra os padrões de calor derivados dos dados de brilho da superfície recolhidos pelo instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer) a bordo da sonda Venus Express da ESA.
Crédito: NASA

Uma nova investigação liderada pela USRA (Universities Space Research Association) e publicada na revista Science Advances mostra que os fluxos de lava em Vénus podem ter apenas alguns anos, sugerindo que Vénus pode ainda hoje ser vulcanicamente activo – tornando-o o único planeta no nosso Sistema Solar, além da Terra, com erupções recentes.

“Se Vénus ainda for realmente activo, será um óptimo lugar para visitar a fim de melhor entender o interior dos planetas,” diz o Dr. Justin Filiberto, autor principal do estudo e cientista do LPI (Lunar and Planetary Institute) da USRA. “Por exemplo, poderíamos estudar como os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não. As missões futuras devem conseguir ver estes fluxos e mudanças à superfície e fornecer evidências concretas da sua actividade.”

As imagens de radar da sonda Magellan da NASA, no início da década de 1990, revelaram que Vénus, o nosso planeta vizinho, é um mundo de vulcões e extensos fluxos de lava. Na década de 2000, o orbitador Vénus Express da ESA lançou nova luz sobre o vulcanismo de Vénus, medindo a quantidade de radiação infravermelha emitida por parte da superfície de Vénus (durante a noite). Estes novos dados permitiram que os cientistas identificassem fluxos de lava “fresca” vs. fluxos de lava alterados à superfície de Vénus. No entanto, até recentemente, as idades das erupções de lava e dos vulcões em Vénus não eram bem conhecidas porque o ritmo de alteração da lava “fresca” não estava bem determinado.

O Dr. Filiberto e colegas recriaram a atmosfera cáustica e quente de Vénus em laboratório para investigar como os minerais venusianos observados reagem e mudam com o tempo. Os seus resultados experimentais mostraram que um mineral abundante no basalto – olivina – reage rapidamente com a atmosfera e em poucas semanas fica revestido com minerais de óxido de ferro – magnetite e hematite. Eles descobriram ainda que as observações desta mudança mineralógica, pela Venus Express, levariam apenas alguns anos a ocorrer. Assim sendo, os novos resultados de Filiberto e co-autores sugerem que estes fluxos de lava em Vénus são muito jovens, o que implicaria que Vénus tem realmente vulcões activos.

Astronomia On-line
7 de Janeiro de 2020

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3190: Sismos podem levar ao aparecimento de nova ilha nos Açores, diz vulcanólogo

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

“Movimentos ascendentes no fundo do mar” terão como “evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirma Victor Hugo Forjaz, presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

Esta sexta-feira, o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz disse que uma nova ilha poderá surgir nos Açores, entre as ilhas do Faial e São Jorge, na sequência de “movimentos ascendentes” que se têm vindo a registar no mar.

“Pelo tipo de sismo, pela cadência, pela periodicidade, pela energia Richter e repercussões nas ilhas vizinhas, que são Faial e São Jorge e, por vezes, Pico, suspeita-se que há movimentos ascendentes no fundo do mar, sendo a evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirmou o presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

O vulcanólogo refere que se têm vindo a registar “crises sucessivas”, ao longo dos anos, no arquipélago, com “intervalos de dois anos”, e o surgimento de uma nova ilha “não é nada de extraordinário porque as ilhas são activas e condensam movimentos tectónicos, seguidos de vulcânicos”.

Para o antigo docente da Universidade dos Açores, o fenómeno seria “melhor seguido” com um levantamento batimétrico e com recurso a um ROV, um veículo submarino operado de forma remota, visando apurar se há fissuras, deslocamentos e alterações topográficas.

Segundo Hugo Forjaz, a Marinha portuguesa “já deveria ter feito um levantamento no sentido de se perceber melhor os movimentos do fundo do mar naquela zona”, sublinhando que “não há perigo de maior” para a ilha do Faial, uma vez que a zona fica “bastante afastada, cerca de 25 a 30 quilómetros”.

O especialista recorda que nos Açores já emergiram ilhas que depois voltaram a desaparecer, exemplificando com o banco D. João de Castro, ao largo da ilha Terceira, que “esteve fora do mar durante um certo tempo”, tendo “falhas geológicas provocado o seu abatimento”, sendo previsível que volte a emergir.

O vulcanólogo defende a instalação nos Açores de OBS, sismógrafos submarinos que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera possui, ressalvando que houve uma equipa estrangeira que já operou na região com este equipamento, tendo recolhido dados “muito interessantes” a que a Governo Regional e a Universidade dos Açores não têm acesso.

Para Victor Hugo Forjaz, a existência dos OBS seria o “tira-teimas entre os que acreditam que há movimentos verticais importantes e os que os negam”.

A Rede Sísmica do Arquipélago dos Açores tem vindo a registar desde Novembro centenas de sismos, um deles esta sexta-feira. Alguns destes abalos foram sentidos pela população, numa zona localizada aproximadamente entre os 25 e os 30 quilómetros a oeste da freguesia de Capelo, na ilha do Faial.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Dezembro, 2019

 

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3177: Já se sabe o que provocou o colapso violento do Kilauea

CIÊNCIA

(cv)

A erupção de 2018 em Kilauea, no Havai, caracterizou o espectacular colapso da caldeira do vulcão. Agora, novas investigações constatam que esta mudança dramática foi desencadeada por um pequeno derrame de magma do reservatório abaixo do pico.

Colapsos instantâneos e explosivos de uma caldeira, como o evento que formou o Lago Crater do Oregon, há 7.700 anos, são fenómenos conhecidos. Mas as novas descobertas sugerem que eventos de colapso em câmara lenta, como os de Kilauea, podem estar a ocorrer em vulcões ao redor do mundo.

“O que aprendemos (…) é que pode não haver muito aviso”, disse, em declarações ao Scientific American, o geofísico Magnus Tumi Gudmundsson, que estudou o colapso de Bardarbunga, na Islândia, mas não participou na nova pesquisa de Kilauea.

No início, as erupções do colapso da caldeira assemelham-se a erupções típicas. “Quando as condições forem adequadas, a câmara de magma sob um vulcão pode simplesmente separar-se, o magma pode fluir livremente e o tecto da caldeira cai”, explicou.

Kilauea é um vulcão com 1.250 metros de altura na costa sudeste da Ilha Grande do Havai. Em 1983, começou a cuspir lava da sua zona oriental, uma área fracturada por fissuras criadas à medida que a gravidade puxa toda a área para baixo, em direcção ao mar. A erupção culminou furiosamente em maio de 2018, quando o lago de lava dentro da caldeira, no cume do vulcão, começou a drenar como um balde com um buraco.

Simultaneamente, a parte inferior da Zona Leste ganhou vida com fontes de lava e novas fissuras, uma das quais jorrou um rio de lava que fluiu por bairros residenciais e para o mar. Mais de 700 casas e outros edifícios foram destruídos antes da erupção parar em Agosto de 2018.

Em três artigos separados publicados esta semana na Science, os investigadores juntaram grande parte dos dados para contar a história da erupção de Kilauea. A primeira revelação, descoberta num estudo liderado pelo geofísico Kyle Anderson, do US Geological Survey, foi que a erupção causou o colapso da caldeira e não o contrário. A relação foi uma questão geológica de ovo e galinha debatida entre os cientistas.

Anderson e a sua equipa descobriram que a fenda da ilha, que ocorre quando a gravidade arrasta a encosta do Kilauea em direcção ao mar, abriu fissuras para o magma drenar do reservatório do vulcão e do lago de lava acima dele.

Quando o magma debaixo da caldeira desapareceu, toda a rocha se desmoronou mais de 500 metros numa área de cinco quilómetros quadrados. Quando o piso da caldeira dobrou, pressurizou todo o sistema de encanamento subterrâneo de magma, aumentando e prolongando a actividade eruptiva na zona de fenda.

Anteriormente, não havia estimativas sobre quanta drenagem de magma é necessária para um colapso. Segundo Anderson, a erupção do Kilauea demonstrou que pode demorar muito pouco para iniciar o processo. “Antes do primeiro colapso, na verdade, apenas uma fracção muito pequena do magma escapou – quase certamente menos do que 3,5 a 4%“, disse. A caldeira do cume de Kilauea pode já ter sido fina e falhada e, portanto, fraca.

A conexão entre o colapso da caldeira e o fluxo de lava na zona oriental inferior ficou evidente em tempo real, disse Matthew Patrick, geofísico do Observatório Havaiano de Vulcões do USGS. Num artigo, ele e os seus colegas descobriram que o rio de lava que flui através da zona de fenda experimentou ondas de horas que ocorreram poucos minutos após o colapso na caldeira do cume, a 40 quilómetros de distância.

As inundações de lava resultaram de pulsos de pressão criados pela caldeira em colapso. Os pulsos faziam com que o canal de lava passasse por cima das suas margens, criando novos regatos que ameaçavam propriedades próximas.

Uma análise geoquímica da lava na zona de fenda, liderada pelo vulcanologista Cherilo Gansecki, da Universidade do Havai, mostrou ainda mais a conexão entre a zona da fenda e a caldeira. O cientista descobriu que o magma mais quente, provavelmente do reservatório do cume, se misturava com o magma que restava de erupções mais antigas.

Não é provável que o Kilauea entre em erupção com tanto vigor até que a sua câmara de magma se encha de rocha derretida do manto terrestre, o que pode demorar anos ou até décadas. Mas existem outros vulcões semelhantes em zonas de fenda em todo o mundo, desde a Islândia às Ilhas Galápagos.

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11 Dezembro, 2019

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3170: Jovem vulcão descoberto nas profundezas da Placa do Pacífico

CIÊNCIA

(dr) Tohoku University

Uma equipa de cientistas da Universidade de Tohoku, no Japão, descobriu um pequeno e jovem vulcão na secção mais antiga da Placa do Pacífico.

O vulcão foi encontrado na parte ocidental do Oceano Pacífico, perto da Ilha Minamitorishima, o ponto mais oriental do Japão, detalha a agência Europa Press.

Os cientistas acreditam que este vulcão, que entra na classe dos petit spots, entrou em erupção há menos de 3 milhões de anos devido à subdução mais profunda da Placa do Pacífico no manto da Fossa das Marianas.

Até então, acreditava-se que esta área continha apenas montanhas e ilhas subaquáticas formadas há cerca de 70 a 140 milhões de anos.

“A descoberta deste novo vulcão oferece-nos uma excelente oportunidade para explorar mais esta área e, esperançosamente, revelar um vulcão mais pequeno”, afirmou Naoto Hirano, professor associado que liderou a investigação, citado em comunicado.

“Isto vai dizer-nos mais sobre a verdadeira natureza da astenosfera [zona superior do manto terrestre]”, acrescentou o especialista que vai continuar a explorar a zona na esperança de encontra vulcões semelhantes.

Estes pequenos vulcões são um fenómeno relativamente recente na Terra, explicam os cientistas na mesma nota de imprensa. Tratam-se de pequenos e jovens vulcões que surgem ao longo das fendas existentes na base das placas tectónicas.

À medida que as placas mergulham mais profundamente no mano superior da Terra, criam-se fissuras onde a placa começa a dobrar-se, causando a erupção de pequenos vulcões. O primeiro vulcão deste tipo foi descoberto em 2006 no nordeste do Japão.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Deep-Sea Research Part I.

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10 Dezembro, 2019

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3136: Tsunami mortal causado pelo vulcão Anak Krakatoa era mais alto do que a Estátua da Liberdade

CIÊNCIA

Ben Beiske / Flickr

O vulcão Anak Krakatoa, na Indonésia, formou-se devido a um dos desastres vulcânicos mais mortais da História moderna. No ano passado, esteve perto de desencadear algo semelhante.

Em 2018, quando o Anak Krakatoa entrou em erupção violentamente, o seu interior desabou repentinamente, provocando um tsunami que matou mais de 400 pessoas nas ilhas de Sumatra e Java.

Quando as ondas chegaram a civilização, cerca de uma hora depois do desabamento, o “muro” de água tinha mais de dez metros de altura. No entanto, de acordo com investigadores da Universidade de Brunel, em Londres, e da Universidade de Tóquio afirmam que essa foi apenas uma pequena fracção da sua antiga glória.

Com base nos dados do nível do mar de cinco localidades em torno de Anak Krakatoa, os investigadores criaram uma simulação em computador do tsunami e dos seus movimentos em 12 cenários diferentes. Os resultados indicam que a onda inicial tinha o formato de uma corcunda pura ou de uma elevação.

De acordo com as estimativas, no seu auge, o tsunami tinha entre 100 e 150 metros de altura – ou seja, segundo o ScienceAlert, era maior do que a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque. Essa poderosa massa de água produziria energia semelhante a um terremoto de 6,0 ou 6,1 na escala Richter.

Tono Balaguer / Canva
Estátua da Liberdade, em Nova Iorque

Mas, à medida que essas enormes ondas correram o oceano, como ondulações num lago, gradualmente diminuíram devido à gravidade e atrito até que, a cerca de 80 metros de altura, finalmente atingiram a terra.

“Felizmente, ninguém morava naquela ilha”, disse Mohammad Heidarzadeh, engenheiro civil da Universidade de Brunel, em comunicado divulgado pelo Phys. “No entanto, se houvesse uma comunidade costeira perto do vulcão – dentro de cinco quilómetros – a altura do tsunami estaria entre 50 e 70 metros quando atingisse a costa”.

Se isso tivesse acontecido, os resultados teriam sido catastróficos. Em 1883, a erupção de Krakatoa, que ocorreu no mesmo local, provocou um tsunami maciço que matou cerca de 36 mil pessoas. No auge, o tsunami tinha 42 metros de altura e as ilhas atingidas eram muito menos povoadas do que hoje.

Assim, de acordo com o estudo que será publicado em Janeiro na revista científica Ocean Engineering, se o tsunami de Anak Krakatoa viajasse noutra direcção, poderia ter sido um dos piores desastres naturais do nosso tempo. A devastação deste vulcão é um lembrete do que pode acontecer no pior dos casos.

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4 Dezembro, 2019

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2793: Cientistas estão prestes a desvendar os famosos Papiros de Herculano

CIÊNCIA

(dr) Digital Restoration Initiative / University of Kentucky
Um dos dois Papiros de Herculano do L’Institut de France que vão ser analisados através do Diamond Light Source

É difícil imaginar como é que um rolo de papiro pôde sobreviver a uma erupção vulcânica e, sobretudo, como é que o seu conteúdo pode ser lido cerca de dois mil anos depois, sem ser necessário desenrolá-lo.

Segundo o Science Alert, uma equipa internacional de investigadores acredita estar cada vez mais perto de desvendar “virtualmente” os famosos Papiros de Herculano — mais de 1.800 textos encontrados em Herculano no século XVIII, carbonizados pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C.

Quando o vulcão italiano entrou em erupção, esta biblioteca incomparável foi imediatamente carbonizada numa avalanche de gás quente e cinzas, transformando os pergaminhos em nada mais do que pedaços carbonizados de carvão.

Durante mais de 200 anos, estudiosos tentaram cuidadosamente ler o que restou mas, como os papiros carbonizados são tão frágeis como as asas de uma borboleta, mesmo as acções mais pequenas podem causar danos irreversíveis.

Depois de várias tentativas frustradas de desenrolar os pergaminhos, uma nova técnica pode finalmente permitir ler estes textos sem haver risco de destruição. A ideia combina um scanner de alta resolução e um algoritmo de aprendizagem de máquina para tornar visível a tinta à base de carbono no papel carbonizado (algo que nem os raios-X nos conseguem mostrar).

Após décadas de esforço, o renomeado descodificador de artefactos antigos Brent Seales acha que esta abordagem é a melhor hipótese da sua equipa até agora. O investigador da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, está a preparar-se para digitalizar dois pergaminhos intactos, além de quatro fragmentos menores do L’Institut de France, usando um acelerador de partículas no Reino Unido.

Conhecida como Diamond Light Source, este síncrotron de última geração dispara feixes de luz 100 mil milhões de vezes mais brilhantes do que o Sol, permitindo que a equipa gire e visualize todos os 360 graus do pergaminho. Será a primeira vez que um rolo intacto será digitalizado com tanto detalhe nesta instalação científica.

“Não esperamos ver imediatamente o texto das digitalizações, mas vão fornecer os elementos essenciais para permitir essa visualização. Em primeiro lugar, veremos imediatamente a estrutura interna dos pergaminhos com mais definição do que jamais foi possível, e precisamos desse nível de detalhe para descobrir as camadas altamente compactadas nas quais o texto está assente”, explica Seales num comunicado.

A técnica digital já se mostrou bem-sucedida. Em 2016, a mesma equipa utilizou essa ideia engenhosa para ler o chamado “pergaminho En-Gedi”, um manuscrito bíblico encontrado em 1970 que terá sido queimado num fogo que destruiu uma sinagoga no ano de 600 d.C.

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7 Outubro, 2019

 

2780: Os vulcões emitem até cem vezes menos carbono do que a humanidade

CIÊNCIA

Earth Observatory / Wikimedia
Erupção no vulcão Sarychev, na Rússia

Se analisarmos os últimos 100 anos, concluímos que as emissões de carbono da humanidade – a queima de combustíveis fósseis, por exemplo – são 40 a 100 vezes maiores do que todas as emissões vulcânicas.

Segundo uma actualização das estimativas do balanço total de carbono na Terra, realizada por cientistas do Deep Carbon Observatory, as emissões de carbono da humanidade são 40 a 100 vezes maiores do que todas as emissões vulcânicas.

De acordo com o relatório, cerca de 43.500 giga-toneladas (Gt) do carbono total da Terra são encontrados na superfície dos oceanos, na terra e na atmosfera. O restante é subterrâneo, incluindo a crosta, manto e núcleo, estimados em 1.850 milhões de Gt.

O CO2 emitido para a atmosfera de vulcões e outras regiões magicamente activas é estimado em 280 a 360 milhões de toneladas (0,28 a 0,36 Gt) por ano, incluindo o dióxido de carbono libertado nos oceanos pelas cordilheiras do oceano médio.

O ciclo profundo de carbono na Terra através do tempo profundo revela uma estabilidade equilibrada a longo prazo do CO2 atmosférico, interrompida por grandes distúrbios, incluindo imensas e catastróficas libertações de magma que ocorreram, pelo menos, cinco vezes nos últimos 500 milhões de anos.

Durante esses eventos, grandes volumes de carbono foram desgaseificados, o que levou a uma atmosfera mais quente, oceanos acidificados e extinções em massa.

Da mesma forma, um gigantesco impacto de meteorito há 66 milhões de anos, o evento Chicxulub na Península de Yucatán, no México, libertou entre 425 e 1.400 Gt de CO2, aqueceu rapidamente o planeta e coincidiu com a extinção em massa de plantas e animais, incluindo os famosos dinossauros.

Segundo o Europa Press, nos últimos 100 anos, as emissões de actividades antropogénicas, como a queima de combustíveis fósseis, foram 40 a 100 vezes maiores do que as emissões geológicas de carbono do nosso planeta.

Marie Edmonds, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e cientista do Deep Carbon Observatory, explicou, em comunicado, que o carbono move-se do manto à atmosfera. “Para garantir um futuro sustentável, é muito importante que compreendamos todo o ciclo de carbono da Terra.”

“A chave para desvendar o ciclo natural de carbono do planeta é quantificar quanto carbono existe e onde, quanto carbono se move (fluxo) e com que rapidez, dos depósitos profundos da Terra à superfície e vice-versa”, rematou a especialista.

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5 Outubro, 2019

 

2766: O vulcão Anak Krakatoa “avisou” que ia colapsar (mas ninguém percebeu)

CIÊNCIA

Ben Beiske / Flickr

Em Dezembro do ano passado, parte do vulcão Anak Krakatoa colapsou no oceano. O tsunami resultante matou 430 pessoas e destruiu as casas de dezenas de milhares de habitantes.

Dois estudos divulgados no último mês procuram aprender mais para futuros desastres deste tipo. Um apresenta más notícias, sugerindo que versões ainda piores podem ser mais comuns do que pensávamos, mas o outro oferece esperança de que possamos melhorar a identificação de eventos futuros antes que ocorram.

Os danos dos eventos de 2018 foram suficientemente trágicos, mas o Anak Krakatoa incomoda os vulcanologistas por causo do seu potencial. A erupção de 1883 pelo Krakatoa original levou a 36 mil mortes e mudou o clima do planeta durante mais de um ano. Anak Krakatoa formou-se a partir dos restos mortais do primeiro vulcão.

A conclusão publicada no fim de Agosto na revista especializada Geology é que mesmo eventos modestos podem ter consequências mais sérias. Usando imagens de radar por satélite que revelam a ilha através do fumo antes e depois do colapso, Rebecca Williams, da Hull University, calculou apenas 0,1 quilómetro cúbico a deslizar para o oceano no colapso inicial causador de tsunami – um terço do que esperava.

As estimativas anteriores incluíram o colapso da coroa e cratera do vulcão, mas Williams mostrou que foram perdidas durante vários dias subsequentes, em vez de um único evento dramático que desencadeou o tsunami.

Se uma quantidade tão modesta de rocha pudesse causar uma onda tão devastadora, quão pior teria sido se tudo tivesse acontecido de uma só vez? “Eu considero que os modelos estão a subestimar a capacidade destes deslizamentos de terra para fazer tsunamis maiores”, disse Williams à BBC. Com Krakatoa localizado entre as duas ilhas mais populosas da Indonésia, o perigo é enorme.

Prevenir tais desastres é quase certamente impossível, mas prever pode ser outra questão. Thomas Walter, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, liderou uma equipa que procurava pistas negligenciadas pelo vulcão sobre o desastre iminente.

Num artigo publicado esta semana na revista especializada Nature, os cientistas relatam que “antes do colapso, o vulcão exibia um estado elevado de actividade, incluindo anomalias térmicas precursoras, um aumento na área da superfície da ilha e um movimento gradual em direcção ao mar do seu flanco sudoeste”.

Alguns dos avisos chegaram demasiado tarde  para serem úteis, como o pequeno terremoto dois minutos antes do colapso. No entanto, nos seis meses anteriores ao colapso, os sensores térmicos indicaram 100 vezes as emissões normais de calor e o movimento mais rápido dos flancos da ilha.

Vários sensores ao redor do vulcão captaram sinais de movimento e desgaseificação pouco antes do colapso, que individualmente não eram suficientes para emitir um alerta, mas analisados ​​colectivamente poderiam ter fornecido o aviso necessário.

Uma semana depois do colapso, o vulcão Anak Krakatoa ficou com apenas um quarto do tamanho que tinha antes da erupção. O Anak Krakatoa tem agora um volume de 40 a 70 milhões de metros cúbicos, tendo perdido entre 150 e 180 milhões de metros cúbicos de volume.

A Indonésia está localizada no Anel de Fogo do Pacífico, um arco de linhas de falhas na Bacia do Pacífico com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 activos. A região, com grande actividade sísmica e vulcânica, regista cerca de sete mil terramotos por ano – na sua grande maioria moderados.

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4 Outubro, 2019

 

2726: Há um enorme complexo de vulcões e fluxos de lava “escondido” aos pés de Itália

CIÊNCIA

(CC0) Hans / Pixabay

Uma equipa de cientistas descobriu que existe um enorme complexo de vulcões e fluxos de lava “escondido” nas profundezas do mar Tirreno, no sudoeste de Itália.

De acordo com o Live Science, que dá conta da descoberta, este complexo abrange várias chaminés geotérmicas, fluxos de lava e montanhas subaquáticas com picos achatados.

Este mundo subaquático até agora desconhecido foi formado há cerca de 780.000 anos devido a uma rara falha tectónica, explicou o principal autor da investigação, Fabrizio Pepe, cientista da Universidade de Palermo, em Itália.

Na nova investigação, cujos resultados foram publicados no passado mês de Junho na revista científica especializada Tectonics, a equipa observa que esta formação é relativamente jovem do ponto de vista geológico.

O especialista, citado pelo mesmo portal, disse ainda que a região em causa é muito complexa e sismicamente activa devido à colisão de três placas tectónicas que, literalmente, rasgaram a crosta terrestre: a da África, a da Eurásia e a da Anatólia.

A formação de vulcões nesta área é também afectada pela pequena placa do Adriático, um fragmento de crosta que se separou da placa africana há mais de 65 milhões de anos, sendo actualmente empurrada para baixo da placa eurasiana. Este processo conhecido como sub-ducção é responsável pelo aparecimento de outros vulcões, como é o caso do Vesúvio, entrou em erupção em 79 d.C.

Detalha a Russia Today que este complexo foi descoberto graças ao mapeamento da região subaquática, bem como ao estudo das anomalias magnéticas e dos dados sísmicos já recolhidos na área. Partindo destes dados, a equipa descobriu uma área de aproximadamente 2.000 quilómetros quadrados, a que chamara o Complexo Intrusivo Diamante‐Enotrio‐Ovidio.

Apesar de os vulcões na área estarem actualmente inactivos, os cientistas não descartam que, no futuro, possam voltar a acordar. Por isso, estão agora a trabalhar num mapa de risco na área, estudando também a possibilidade de aproveitar o complexo agora descoberto para gerar energia geotérmica-

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28 Setembro, 2019

 

2662: Vulcão de lua de Júpiter prestes a entrar em erupção

CIÊNCIA

Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

© NASA / JPL / USGS Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

O maior vulcão da lua Io de Júpiter está prestes a entrar em erupção e os investigadores estão atentos para reunir todos os dados e detalhes do evento. O vulcão, de nome Loki, tem sido alvo de uma observação atenta da parte dos investigadores, que identificaram até um padrão nas erupções do vulcão.

De acordo com o ‘paper’ publicado pela cientista planetária Julie Rathburn do Instituto de Ciência Planetária, as erupções do Loki tinham um ciclo de 530 dias. O ‘paper’ em questão foi fruto de observações feitas entre 1988 e 2000, com os investigadores a notarem que, no início da erupção, o vulcão se iluminava e permanecia neste estado durante 230 dias até voltar a apagar-se.

Porém, como conta o Science Alert, o ciclo encurtou em 2013 e verificou que em vez dos 530 dias a duração era agora de 475 dias. É este novo ciclo que leva os investigadores a acreditarem que o Loki entrará em erupção ainda durante este mês.

“Os vulcões são tão difíceis de prever porque são muito complicados. Há muitas coisas que podem influenciar as erupções vulcânicas, incluindo a taxa de abastecimento de magma, a composição do magma – em particular a presença de bolhas no magma, o tipo de rocha em que o vulcão se encontra, o estado fracturado da rocha e muitas outras questões”, indica Rathburn. “Consideramos que o Loki pode ser previsível porque é tão grande. Devido ao seu tamanho, as físicas básicas provavelmente dominam-no quando entra em erupção, por isso as complicações pequenas que afectam os vulcões pequenos provavelmente não afectam muito o Loki.

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Miguel Patinha Dias
18/09/2019

 

2642: Este pôr-do-sol arroxeado foi causado por uma erupção do outro lado do mundo

CIÊNCIA

NASA
Erupção do vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril

A erupção do vulcão Raikoke, em Junho, fez com que o nascer e o pôr-do-sol no outro lado do mundo, mais concretamente nos Estados Unidos, ficassem anormalmente roxos.

Quando o outrora adormecido vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril, um arquipélago de picos vulcânicos entre a península russa de Kamchatka e a ilha japonesa de Hokkaido, entrou em erupção em Junho, emitiu uma densa coluna de cinzas e gases que até foi vista do Espaço.

Mas, segundo o IFLScience, os seus efeitos duraram muito mais tempo do que se pensava. Dois meses depois da erupção, Glenn Randall, fotógrafo do Estado norte-americano do Colorado, estava a fotografar numa região montanhosa quando, mais tarde, se apercebeu que as suas imagens estavam a capturar um profundo reflexo violeta nas águas do lago, apesar do céu dourado.

E, pelos vistos, não tinha sido o único a reparar neste fenómeno. A Universidade do Colorado Boulder também avançou que muitos norte-americanos por todo o país tinham notado que o nascer e o pôr-do-sol estavam anormalmente roxos nos últimos meses. Por quê? A resposta pode estar do outro lado do mundo.

Os investigadores acreditam que a erupção do Raikoke pode ter sido o culpado. Em Agosto, lançaram um balão meteorológico de grande altitude no Wyoming que mediu aerossóis naturais e outros materiais particulados 32 quilómetros acima do solo.

Os cientistas descobriram que as camadas de aerossol eram 20 vezes mais espessas do que o normal desde a erupção e provavelmente resultaram neste fenómeno único chamado “scattering” (“dispersão” em Português), através do qual as partículas na camada de ozono da Terra — como dióxido de enxofre e cinzas de uma erupção vulcânica — reflectem ou refractam a luz solar, resultando em certas cores predominantes.

@IFLScience

This Purple Sunset In The Rocky Mountains Was Caused By Something On The Other Side Of The Worldhttps://www.iflscience.com/editors-blog/this-purple-sunset-in-the-rocky-mountains-was-caused-by-something-on-the-other-side-of-the-world/ 

Isto mostra que mesmo uma erupção vulcânica relativamente pequena pode ter um impacto no outro lado do mundo. Embora a erupção do Raikoke não seja motivo de preocupação, os cientistas notam que é das erupções maiores que temos de ter cuidado.

É o caso do Monte Tambora, na Indonésia, cuja erupção em 1815 libertou cinzas e 60 megatons de dióxido de enxofre na atmosfera, sombreando o globo e perturbando os padrões climáticos (a temperatura média global desceu até 3ºC).

O ano posterior a esta erupção ficou conhecido como o “ano sem verão”, lembra num comunicado Lars Kalnajs, investigador do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP). As colheitas foram más, resultado na morte de 80 mil pessoas que morreram de doenças associadas à fome e à falta de comida.

Na história mais recente, os cientistas destacam ainda quando o Monte Pinatubo, nas Filipinas, entrou em erupção em 1991, libertando nuvens de cinzas gigantes que continham 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, diminuindo a temperatura global em cerca de 0,5°C nos dois anos seguintes à erupção.

Por isso, Kalnajs considera que erupções como a do Raikoke são um lembrete da razão pela qual a monitorização dos dados é essencial. Os resultados desta investigação vão ser publicados ainda este ano.

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15 Setembro, 2019

 

2458: “Mundo Jurássico” de vulcões encontrado sob a Austrália

CIÊNCIA

BackYardProductions / Canva
Ayers Rock, Austrália

Uma equipa de cientistas acaba de descobrir um “Mundo Jurássico” com cerca de 100 vulcões antigos enterrados sob as bacias de Cooper-Eromanga, na Austrália, noticia esta semana a Europa Press.

Segundo a agência noticiosa, está é a maior região de produção de petróleo e gás na Austrália. Contudo, e apesar de mais de 60 anos de exploração destes terrenos, a paisagem vulcânica jurássica passou despercebida – até agora.

Cientistas das universidades australianas de Adelaide e Aberdeen recorreram a técnicas avançadas de imagens do subsolo, análogas à tomografia computorizada, para identificar o grande número de crateras vulcânicas e fluxos de lava, bem como o número das câmaras de magma mais profundas que as alimentaram.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Gondwana Research, os  vulcões desenvolveram-se no período Jurássico, entre 180 e 160 milhões de anos atrás, sendo depois subsequentemente enterrados sob centenas de metros de rochas sedimentares ou em camadas.

As bacias de Cooper-Eromanga são agora uma paisagem seca e árida, contudo, na era jurássica, explicaram os cientistas, teriam sido uma paisagem de crateras e fissuras, lançando cinzas e lava para o ar, e cercada por redes de canais fluviais, evoluindo até grandes lagos e pântanos de carvão.

“Enquanto a maior parte da actividade vulcânica da Terra ocorre dentro dos limites das placas tectónicas, ou abaixo dos oceanos da Terra, este antigo mundo jurássico desenvolveu-se dentro do continente australiano”, explicou o cientista Simon Holford, co-autor do estudo e professor da Universidade de Adelaide, citado em comunicado.

“A descoberta [destes vulcões] levanta a possibilidade de existirem mais mundos vulcânicos não descobertos sob a superfície pouco explorada da Austrália”, apontou.

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17 Agosto, 2019

 

2428: O manto sob o super-vulcão de Yellowstone estende-se até à Califórnia e ao Oregon

O manto que se encontra sob o super-vulcão de Yellowstone, nos Estados Unidos, estende-se até aos estados da Califórnia e do Oregon, afirma o geólogo Victor Camp, da Universidade Estadual de San Diego.

O cientista descobriu que o vulcão norte-americano é alimentado por “canais em forma de dedos” de rocha derretida, que fornecem magma aos campos vulcânicos de Newberry, a leste do estado do Oregon, e do lago Medicine, no nordeste da Califórnia.

De acordo com a sua investigação, cujos resultados foram publicados na Geology, a pluma mantélica que alimentava Yellowstone subiu, encontrando a base da placa tectónica norte-americana, onde estava trancada. Foi neste ponto que a pluma derreteu, espalhando-se depois para oeste.

Para chegar a esta conclusão, o geólogo recorreu a imagens de tomografia sísmica, química e dados sobre a rocha vulcânica da superfície do vulcão para rastrear como é que a rocha derretida se espalhou por canais estreitos, dividindo-se em novas ramificações quando saiu de Yellowstone e alcançou depois a Califórnia e o Oregon.

De acordo com Camp, durante os últimos dois milhões de anos, a rocha do manto que percorre estas rotas foi responsável pelas erupções no campo de fluxo de lava da reserva nacional das Crateras da Lua, no Idaho. Segundo a Newsweek, estes canais terminam no vulcão Medicine Lake e no vulcão Newberry.

“Estes canais permitiram que o manto de baixa densidade se acumulasse contra o arco de Cascades, fornecendo assim uma fonte aquecida para o magmatismo máfico, rico em magnésio e ferro, nos campos vulcânicos de Newberry e Medicine Lake”.

As descobertas podem, explicou o cientista, ajudar a melhor compreender como é que se move a rocha do manto e como é que ocorrem as super-erupções.

Em declarações ao mesmo site, a vulcanologista Rebecca Williams, da Universidade de Hull, no Reino Unido, mostrou-se céptica quanto aos resultados, dando conta de que o estudo não apresenta novos dados que apoiem em ideia de que a actividade vulcânica na área de Newberry e Medicine Lake tem origem no manto de Yellowstone.

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10 Agosto, 2019

 

2408: Descobertos seis vulcões a poucos quilómetros da costa da Sicília

Tomasz Pokora Travel Photography / Flickr
Costa da Sicília

Uma equipa de cientistas descobriu seis vulcões ocultos debaixo de água numa área do Mediterrâneo a poucos quilómetros da costa da ilha de Sicília, em Itália.

A área com os vulcões, frequentemente atravessada por várias embarcações, foi descoberta graças a dados de alta resolução recolhidos com a ajuda da expedição oceanográfica OGS Explora, que levou a cabo duas missões de investigação em Agosto de 2017 e Fevereiro de 2018.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Marine Geology, as seis formações vulcânicas foram detectadas a uma profundidade máxima de 133 metros e localizados a uma distância entre 7 a 23 quilómetros da costa da Sicília.

“Ficamos muito surpresos com [a descoberta], porque estávamos muito perto da costa”, disse Emanuele Lodolo, autor principal autor do estudo e cientista do Instituto Nacional de Oceanografia Experimental e Geofísica da Itália, em declarações à National Geographic.

A equipa estima que todos vulcões sejam datados do Quaternário Tardio, tendo todos explodido uma única vez há cerca de 20.000 anos. Apenas uma destas formações, que foi baptizada de Actea, mostra sinais de actividade magmática posterior ao Último Máximo Galcial, tendo um rastro de lava que se estende por aproximadamente quatro quilómetros.

Todos os vulcões são de pequena dimensão, variando o seu tamanho entre 16 e 120 metros desde a base até ao topo do vulcão. O pico de Actea, o mais alto entre os seis agora descobertos, está a apenas 33 metros abaixo do nível do mar.

Os cientistas alertam que uma eventual erupção nesta área pode representar uma ameaça quer para a navegação na zona, quer para os moradores da área costeira. Ainda assim, frisaram, são necessários mais estudos para perceber completamente estas estruturas vulcânicas e precisar o perigo real que representam.

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6 Agosto, 2019

 

2284: Satélite revela lago de lava num vulcão isolado do Atlântico Sul

CIÊNCIA

LANDSAT / NASA

Um grupo de cientistas descobriu um raro lago de lava numa remota e inacessível ilha sub antárctica. Este vulcão nas Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo com um lago de lava persistente.

Piscinas de lavas fumegantes nas crateras vulcânicas. Apesar de ser esta a imagem a surgir na nossa mente assim que pensamos em vulcões, o vulcão das Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo que tem um lago de lava persistente.

A descoberta no Monte Michael na Ilha Saunders, detalhada na revista Volcanology and Geothermal Research, foi feita através de imagens de satélite. Este é o primeiro vulcão deste género a ser identificado dentro do Território Ultramarino Britânico, na Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul.

Em 2001, a análise de dados de satélite de baixa resolução revelou uma anomalia geotérmica, mas não foi possível provar a existência de um lago de lava. Agora, imagens de satélite de maior resolução, combinadas com técnicas avançadas de processamento, revelaram um lago com 90-215 metros de diâmetro com lava derretida de 989-1279°C.

O autor do estudo, o geólogo Alex Burton-Johnson, da British Antarctic Survey, referiu em comunicado que a equipa está “muito feliz por ter descoberto uma característica geológica tão notável no Território Ultramarino Britânico”.

“A identificação do lago de lava melhorou a nossa compreensão da actividade vulcânica e do perigo nesta ilha remota, além de nos dar mais pormenores sobre as características raras desta ilha. Além disso, ajudou-nos a desenvolver técnicas de monitorização de vulcões desde o Espaço”, continuou, citado pelo portal Pshys.org.

A principal autora do artigo científico, Danielle Gray, da University College London, adiantou que o “Monte Michael é um vulcão numa ilha remota no Oceano Antárctico”. “É extremamente difícil ter acesso a este vulcão e, sem imagens de satélite de alta resolução, seria muito difícil aprender mais sobre este incrível recurso geológico”, completou.

Os outros sete lagos de lava ao redor do mundo são Nyiragongo, na República Democrática do Congo; o vulcão Erta Ale, na Etiópia; Erebus, na Antártica; Yasur, em Vanuatu; Kilauea, no Havai; Ambrym, em Vanuatu; e Masaya, em Nicarágua.

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7 Julho, 2019

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2154: Afinal, a data em que o Vesúvio destruiu Pompeia pode estar errada

CIÊNCIA

Howard Stanbury / Flickr

A data tradicional da erupção do Monte Vesúvio é a 24 de Agosto de 79, de acordo com registos históricos. O incidente destruiu Pompeia e outros locais na Baía de Nápoles.

Essa data tem sido questionada, no entanto, com base nas roupas pesadas usadas, na presença de algumas frutas e vinhos do outono e numa inscrição em carvão vegetal recuperada no ano passado. Uma análise detalhada dos esqueletos de peixes recuperados de Pompeia é a mais recente evidência neste debate de longa data.

Os romanos antigos tinham uma relação complicada com frutos do mar. Embora muitas pessoas os tenham consumido, especialmente aqueles que viviam perto da costa, esse recurso era mais sazonal e menos confiável do que, por exemplo, a carne de porco.

Muito mais popular foi o molho de peixe fermentado chamado garum, que pode ter sido originalmente criado para preservar o peixe em épocas de abundância. Semelhante ao molho de peixe do leste asiático consumido hoje, garum foi feito de pequenos peixes macerados ao longo de vários meses.

A compreensão arqueológica da criação e composição do garum vem tanto de naufrágios que continham milhares de potes do material, quanto de locais como Pompeia, onde a evidência da produção do condimento foi encontrada na “garum shop” no lado oeste do anfiteatro.

Essa loja produzia 23 ânforas cheias de garum em diferentes estágios de fabricação, e análises arqueológicas sugeriam que cerca de 17 eram feitas de anchovas, pitágeles ou uma mistura dos dois, enquanto o resto era uma miscelânea de arenques, cavalas, atuns e outras espécies. de peixe. Até recentemente, no entanto, não tinha sido feita nenhuma análise detalhada dos esqueletos de peixes.

De acordo com o estudo publicado no International Journal of Osteoarchaeology, Alfredo Carannante, director do departamento de arqueologia mediterrânea do Instituto Internacional de Pesquisa de Arqueologia e Etnologia em Nápoles, detalha a sua análise do conteúdo de uma ânfora. O objectivo de Carannante era determinar as espécies presentes, o tamanho do peixe e a idade à morte, que fornece informações sobre a estação em que foram capturados.

Carannante descobriu que todos os ossos do lote que analisou eram de Spicara smaris, o picarel comum, que geralmente cresce até cerca de 15 centímetros de comprimento e é nativo do Oceano Atlântico, do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

O picarel de Pompeia tinha sido atirados na ânfora inteiros e não em filetes ou decapitados. O seu pequeno tamanho e os seus anéis de crescimento sugerem que os picarels tinham cerca de um ano de idade quando foram pescados e eram todos do sexo feminino.

A historiadora de alimentos e chef Sally Grainger, especialista em garum, aprecia a análise detalhada de Carannante. Grainger disse, de acordo com a Forbes, que está “particularmente satisfeita por ter destacado o quão inadequado, confuso e superficial o estudo deste material foi até hoje”.

Carannante trouxe à tona a complexidade das descobertas de uma maneira nunca antes feita por outros investigadores e “coloca questões muito importantes sobre a natureza aparentemente incomum do comércio de molhos de peixe em Pompeia”.

O tamanho e o sexo dos peixes podem conter novas pistas sobre a data da famosa erupção. Carannante escreve que “a última camada de crescimento ósseo parece estar bem desenvolvida e ter uma densidade mais leve, revelando que os picarels morreram quando as águas eram mais quentes durante a temporada de verão ou no começo do outono”.

Além disso, sugere que “o estudo da temporada de pesca realizada sobre os restos demonstrou que a captura foi feita no final do verão ou no início do outono quando a água estava mais quente. A comparação dos dados sugere que o período mais provável para a pesca ocorreu na segunda metade do verão ou no início do outono”.

Embora Carannante pondere sobre a sazonalidade do peixe e escreve que a data tradicional de 24 de Agosto coincide bem com os resultados, admite que “não é possível excluir uma data posterior para a destruição vulcânica. Uma data que cai em Outubro também pode ser compatível se os picarels fossem pescados no final do verão e deixados em salmoura durante um mês”.

Carannante “não está directamente interessado em apoiar uma ou outra hipótese” sobre a data, já que a sua investigação sugere que ambas são possíveis. Embora o estudo ofereça uma nova janela para a sazonalidade da erupção vulcânica, o debate sobre a data e a sua importância ainda está em andamento.

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11 Junho, 2019

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2150: Vulcão extinto acordou. Cientistas dizem que pode explodir “a qualquer momento”

CIÊNCIA

kuhnmi / Wikimedia

Um vulcão no extremo leste da Rússia, que antes era considerado extinto, pode estar a despertar – e uma erupção pode ser catastrófica.

Acredita-se que o vulcão Bolshaya Udina – parte do complexo vulcânico de Udina, na Península de Kamchatka – tenha estado extinto até 2017, quando o aumento da actividade sísmica foi detectado, segundo os cientistas.

Agora, Ivan Koulakov, geofísico da do Instituto Trofimuk de Geologia e Geofísica do Petróleo, que liderou um estudo sobre o vulcão, acredita que deve ser reclassificado como activo. “A qualquer momento pode ocorrer uma erupção”, disse Koulakov à CNN.

Entre 1999 e Setembro de 2017, cerca de cem eventos sísmicos fracos foram detectados sob o vulcão, que fica a 2,9 quilómetros acima do nível do mar. Um “aumento anómalo” na sismicidade, no entanto, começou em Outubro de 2017. Entre Outubro de 2017 e Fevereiro de 2019, foram registados cerca de 2.400 eventos sísmicos. Em Fevereiro, um terramoto de magnitude 4,3 ocorreu em Udina – o evento sísmico mais forte que já ocorreu na região.

Investigadores da Rússia, Egipto e Arábia Saudita realizaram um estudo do vulcão no ano passado entre Maio e Julho, que foi publicado no Journal of Volcanology and Geothermal Research. Instalando quatro estações temporárias de monitorização sísmica em redor de Bolshaya Udina, os cientistas registaram e analisaram 559 eventos sísmicos.

Um “aglomerado elíptico” de actividade sísmica tinha-se formado em torno do vulcão com eventos sísmicos a ocorrer a mais de cinco quilómetros abaixo da superfície. “Essas propriedades sísmicas podem indicar a presença de intrusões de magma com alto conteúdo de fluidos, o que pode justificar a mudança do status actual deste vulcão de extinto para activo”, escreveram os investigadores.

Além disso, observaram que o aglomerado de eventos sísmicos ligava o vulcão à zona de Tolud, ao sul do vulcão, uma região que se acredita armazenar magma na crosta inferior da Terra. A zona de Tolud agora estava a alimentar Bolshaya Udina com magma graças a um novo caminho que se desenvolveu em 2018.

Bolshaya Udina partilha características estruturais com outro vulcão anteriormente extinto na região, o Bezymianny, que entrou em erupção dramaticamente em 1956, disse Koulakov. Há cerca de 50% de probabilidade de que o Bolshaya Udina entre em erupção.

“Ou pode libertar a energia suavemente durante alguns meses ou pode simplesmente desaparecer sem qualquer erupção”, disse. Se o vulcão entrar em erupção, pode representar uma ameaça significativa para as pequenas aldeias vizinhas, mas “não há muitas pessoas por perto”.

Uma erupção considerável também pode afectar o clima em “partes completamente diferentes do mundo”, disse. As cinzas libertadas pela erupção poderiam espalhar-se para além da Rússia, interrompendo as viagens aéreas.

Infelizmente, o vulcão é difícil de monitorizar, devido à distância das estações sísmicas permanentes. “Precisamos de implantar mais estações para entender se é perigoso ou não”, disse. “É altamente imprevisível.”

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10 Junho, 2019

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2110: Humanos antigos testemunharam uma erupção vulcânica na Turquia (e desenharam-na numa rocha)

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores internacionais determinou a antiguidade de pegadas pré-históricas encontradas numa camada de cinza anterior à erupção do vulcão Cakallar, localizado em Kula, na Turquia.

De acordo com o comunicado da Universidade de Curtin, na Austrália, cujos especialistas participaram no estudo, junto às “impressões de pés de Kula”, descobertas na década de 1960, foi ainda encontrada uma pintura rupestre que ilustrava a erupção.

Os estudos anteriores estimavam que as pegadas tinham cerca de 250 mil anos, o que sugeria que as testemunhas do fenómeno natural foram os neandertais da época do Plistoceno. Embora, a nova análise, que utilizou dois métodos diferentes – hélio radiogénico e a exposição ao cloro cosmogénico – mostrou que as pegadas eram muito mais jovens.

“As duas abordagens de datação independentes mostraram resultados internamente consistentes e juntos sugerem que a erupção vulcânica foi testemunhada pelo Homo sapiens durante a Idade do Bronze pré-histórica, há 4.700 anos e cerca de 245 mil anos mais tarde do que o originalmente relatado”. disse o investigador Martin Danisik.

O estudo, publicado na revista Quaternary Science Reviews, sugere que os humanos se aproximaram lentamente do vulcão com os seus cães após a primeira erupção, deixando as suas pegadas na camada húmida de cinzas. Quando a actividade vulcânica continuou, a rocha vulcânica enterrou as cinzas e preservou os trilhos.

Estudos anteriores sugeriram, de acordo com o Live Science, que estas pessoas antigas estavam a fugir da erupção. Mas, depois de examinar as distâncias entre os passos, parece que quem os deixou estava a andar a uma velocidade normal.

Além disso, os autores acreditam que os humanos observaram a erupção a uma distância segura, o que, muito provavelmente, torna o Homo sapiens os autores da pintura rupestre próxima.

Segundo Danisik, a pintura “mostra como os seres humanos há 4,7 mil anos eram capazes de retratar processos naturais como uma erupção vulcânica, na sua própria forma artística e com ferramentas e materiais limitados”.

Isto poderá fazer do Homo sapiens o primeiro vulcanólogo do mundo – ou seja, as primeira pessoas a observar e a registar erupções vulcânicas.

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4 Junho, 2019



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2102: Os vulcões do gelado Plutão podem estar a derramar água líquida

NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Dados da sonda New Horizonts da NASA apontam que o amoníaco em Plutão poder ser evidência de uma actividade geológica recente em que água líquida derramou dos seus vulcões, tal como acontece com a lava derretida na Terra.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science Advances, os autores sugerem que Plutão pode abrigar algumas características favoráveis à evolução de vida.

“Nos últimos anos, o amoníaco tem sido um pouco como o ‘Santo Graal’ da Ciência planetária”, disse a autoria principal do estudo, Cristina Dalle Ore, cientista planetária no Centro de Pesquisa Ames da NASA, em declarações ao portal Space.com.

O amoníaco é uma ingrediente-chave nas reacções químicas que estão na base da vida tal como a conhecemos e, por isso, quando o amoníaco é encontrado, sinaliza normalmente um ambiente que pode levar à vida. “Não significa que a vida esteja presente, e ainda não a encontramos, mas indica um local onde devemos procurar”, explicou.

Este elemento é uma “molécula frágil” que é “destruída pela radiação ultravioleta e raios cósmicos (…) Portanto, quando está numa superfície implica que foi para lá há pouco tempo, há cerca de alguns milhões de anos de ser encontrado”.

Os cientistas defendem que o amoníaco, quando depositado na superfície de Plutão, já estava misturado com a água de um oceano subterrâneo escondido dentro do planeta anão. Esta água pode ter chegado “através de rachaduras ou aberturas e jorrou para a superfície (…) A isto chamamos crio-vulcanismo”, completou a cientista.

O facto de Plutão ter água líquida pode ser realmente surpreendente, uma vez que a superfície do planeta anão tem temperaturas de -270 graus Celsius, mais do que o suficiente para congelar o ar.

No entanto, apontam os cientistas, o calor dos minerais radioactivos torna as profundezas de Plutão mais quentes do que a sua superfície e o “amoníaco, quando misturado com água, age como um anticongelante, permitindo assim que a água seja líquida”.

No fundo, simplificou Dalle Ore, a presença de amoníaco na água possibilita a existência de um oceano líquido sob a crosta gelada do planeta anão. A extensão dos oceanos é para já desconhecida, podendo ser de apenas algumas bolsas de água líquida ou então toda uma camada aquosa sob a superfície de Plutão.

“A minha próxima tarefa passa por tentar determinar a localização de todas as aberturas a partir das quais e água e o amoníaco podem ter sido pulverizadas numa tentativa de mapear o tamanho do oceano”, rematou.

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3 Junho, 2019



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2089: O Etna voltou a acordar. O maior vulcão da Europa entra em erupção

Orietta Scardino / EPA

O vulcão Etna, situado na região italiana da Sicília, voltou a entrar em erupção esta quinta-feira, com novas fendas abertas na sua face sudeste.

Dois fluxos de lava percorrem algumas centenas de metros no cume do vulcão activo de maior altitude na Europa. A actividade é de intensidade média e caracterizada pela ejecção de cinzas, gases e rochas.

A erupção, no entanto, não afecta as operações no Aeroporto de Catânia, maior cidade dos arredores do Etna. “Estamos no início de uma nova fase eruptiva do Etna, que pode acabar rapidamente ou durar meses”, explicou o director do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) em Catânia, Eugenio Privitera.

“Os fenómenos estão confinados ao cume do vulcão e não constituem um perigo para centros habitados e pessoas, mas é preciso controlar os fluxos de turistas na zona para sua própria segurança”, acrescentou.

Embora o Etna esteja activo há algum tempo, esta erupção foi significativa, já que foi a erupção do primeiro flanco (lateral), e não a erupção do cume, no Etna por mais de uma década. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo da Smithsonian Institution, este paroxismo fazia parte de uma sequência vulcânica prolongada que começou em Setembro de 2013.

Apesar de ser um pouco imprevisível, o Etna está em erupção há anos. Já em Fevereiro deste ano, por exemplo, nuvens de cinzas foram vistas a subir em direcção ao céu a partir de uma série de pequenas explosões do chamado Telhado do Mediterrâneo.

Em Dezembro do ano passado, um sismo de magnitude 4,8 na escala de Richter atingiu a província de Catânia, na Sicília, junto ao monte Etna, fazendo pelo menos dez feridos e provocando alguns danos em edifícios. O sismo ocorreu dois dias depois de o Etna ter entrado em erupção, intensificando a actividade vulcânica na e actividade sísmica na região.

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um estudo mostrou que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami. O Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo a cerca de três a cinco centímetros por ano.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha da Sicília. A extensão total da sua base é de 1190 quilómetros quadrados, com uma circunferência de 140 quilómetros, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

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1 Junho, 2019


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