2766: O vulcão Anak Krakatoa “avisou” que ia colapsar (mas ninguém percebeu)

CIÊNCIA

Ben Beiske / Flickr

Em Dezembro do ano passado, parte do vulcão Anak Krakatoa colapsou no oceano. O tsunami resultante matou 430 pessoas e destruiu as casas de dezenas de milhares de habitantes.

Dois estudos divulgados no último mês procuram aprender mais para futuros desastres deste tipo. Um apresenta más notícias, sugerindo que versões ainda piores podem ser mais comuns do que pensávamos, mas o outro oferece esperança de que possamos melhorar a identificação de eventos futuros antes que ocorram.

Os danos dos eventos de 2018 foram suficientemente trágicos, mas o Anak Krakatoa incomoda os vulcanologistas por causo do seu potencial. A erupção de 1883 pelo Krakatoa original levou a 36 mil mortes e mudou o clima do planeta durante mais de um ano. Anak Krakatoa formou-se a partir dos restos mortais do primeiro vulcão.

A conclusão publicada no fim de Agosto na revista especializada Geology é que mesmo eventos modestos podem ter consequências mais sérias. Usando imagens de radar por satélite que revelam a ilha através do fumo antes e depois do colapso, Rebecca Williams, da Hull University, calculou apenas 0,1 quilómetro cúbico a deslizar para o oceano no colapso inicial causador de tsunami – um terço do que esperava.

As estimativas anteriores incluíram o colapso da coroa e cratera do vulcão, mas Williams mostrou que foram perdidas durante vários dias subsequentes, em vez de um único evento dramático que desencadeou o tsunami.

Se uma quantidade tão modesta de rocha pudesse causar uma onda tão devastadora, quão pior teria sido se tudo tivesse acontecido de uma só vez? “Eu considero que os modelos estão a subestimar a capacidade destes deslizamentos de terra para fazer tsunamis maiores”, disse Williams à BBC. Com Krakatoa localizado entre as duas ilhas mais populosas da Indonésia, o perigo é enorme.

Prevenir tais desastres é quase certamente impossível, mas prever pode ser outra questão. Thomas Walter, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, liderou uma equipa que procurava pistas negligenciadas pelo vulcão sobre o desastre iminente.

Num artigo publicado esta semana na revista especializada Nature, os cientistas relatam que “antes do colapso, o vulcão exibia um estado elevado de actividade, incluindo anomalias térmicas precursoras, um aumento na área da superfície da ilha e um movimento gradual em direcção ao mar do seu flanco sudoeste”.

Alguns dos avisos chegaram demasiado tarde  para serem úteis, como o pequeno terremoto dois minutos antes do colapso. No entanto, nos seis meses anteriores ao colapso, os sensores térmicos indicaram 100 vezes as emissões normais de calor e o movimento mais rápido dos flancos da ilha.

Vários sensores ao redor do vulcão captaram sinais de movimento e desgaseificação pouco antes do colapso, que individualmente não eram suficientes para emitir um alerta, mas analisados ​​colectivamente poderiam ter fornecido o aviso necessário.

Uma semana depois do colapso, o vulcão Anak Krakatoa ficou com apenas um quarto do tamanho que tinha antes da erupção. O Anak Krakatoa tem agora um volume de 40 a 70 milhões de metros cúbicos, tendo perdido entre 150 e 180 milhões de metros cúbicos de volume.

A Indonésia está localizada no Anel de Fogo do Pacífico, um arco de linhas de falhas na Bacia do Pacífico com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 activos. A região, com grande actividade sísmica e vulcânica, regista cerca de sete mil terramotos por ano – na sua grande maioria moderados.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

1143: Cientistas explicam como surgem os sistemas de magma que nutrem super-erupções

Francis R. Malasig / EPA

Para descobrir onde é que o magma se encontra na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista da Universidade de Vanderbilt, Guilherme Gualda, e a sua equipa viajaram para a área mais activa: a Zona Vulcânica Taupo, na Nova Zelândia.

Para descobrir onde o magma se acumula na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista Guilherme Gualda, da Universidade de Vanderbilt, e a sua equipa, viajaram para o aglomerado mais activo: a Zona Vulcânica Taupo na Nova Zelândia, onde ocorreram algumas das maiores erupções dos últimos dois milhões de anos .

Depois de estudar camadas de pedra-pomes visíveis em cortes de estradas e outros afloramentos, medindo a quantidade de cristais nas amostras e usando modelos termodinâmicos, a equipa de cientistas determinou que o magma se aproximava da superfície a cada erupção sucessiva.

Este trabalho integra-se num projecto que tem como objectivo estudar super-erupções – como os sistemas de magma que os alimentam são construídos e como a Terra reage à entrada repetida de magma em curtos períodos de tempo.

“À medida que o sistema é redefinido, os depósitos tornam-se mais rasos”, disse Gualda, professor associado de ciências da terra e do meio ambiente. “A crosta está a ficar cada vez mais quente, então o magma pode alojar-se em níveis mais rasos.”

Além disso, a natureza dinâmica da crosta da Zona Vulcânica de Taupo tornou muito mais provável a erupção do magma em vez de simplesmente ficar armazenado na crosta. As erupções mais frequentes e com menor impacto, que produziam 50 a 150 quilómetros cúbicos de magma, impediram, muito provavelmente, uma super-erupção.

Super-erupções produzem mais de 450 quilómetros cúbicos de magma e afectam o clima da Terra durante vários anos após a erupção, adianta o EurekAlert.

“Há magma estagnado que é pobre em cristal, que se mantém fundido durante algumas décadas, e a certa altura irrompe”, disse Gualda. “Aí, outro corpo de magma é estabelecido, mas não sabemos como se forma esse corpo.  É um período no qual aumenta o derretimento na crosta.”

A questão que permanece no ar tem a ver com o tempo que esses corpos de magma, ricos em cristais, se reúnem entre as erupções. Pode demorar milhares de anos, mas Gualda acredita que o período de tempo é mais curto do que isso.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2018

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664: O maior órgão de tubos do mundo? Chama-se Cotopaxi. É um vulcão

Cientistas monitorizaram o vulcão
| Silvia Vallejo Vargas /Insituto Geofisico of the Escuela Politecnica Nacional (Quito, Ecuador)

Sim, os vulcões também fazem música, e ela pode ajudar a monitorizar a sua actividade e a perceber quando as erupções estão prestes a acontecer, dizem os cientistas

A 90 quilómetros de Quito, a capital do Equador, e muito mais perto de outras pequenas cidades, o Cotopaxi é uma maravilha da natureza… e um risco permanente para as populações. Adormecido durante quase todo o século XX, despertou em 2015, e fez uma pequena demonstração das suas potencialidades. A erupção foi monitorizada por vulcanólogos do país e internacionais e no rescaldo do sobressalto, cujas cinzas chegaram à capital, revelou um dos seus segredos: uma onda sonora, que se assemelha a uma respiração profunda, como o som grave de um órgão de tubos.

É isso mesmo que lhe chama o vulcanólogo Jeff Johnson, da Universidade de Boise State, nos Estados Unidos, e o coordenador do estudo publicado na Geophysical Research Letters que dá conta da “melodiosa” descoberta e das suas possibilidades para a ciência. “É o maior órgão de tubos que já encontrámos”, garante Johnson.

Maior, mesmo. De acordo com as medições feitas pela equipa após a erupção de 2015, o solo no interior da cratera do Cotopaxi afundou-se durante esse episódio eruptivo e o seu tubo interno, que tem uns imensos cem metros de diâmetro, passou a cair a pique até à profundidade de 300 metros.

Foi nessa altura, ao fazer o registo do que estava a acontecer no interior da cratera, que os cientistas deram com aquele infra-som (inaudível ao ouvido humano), correspondente a uma onda sonora, que ficou gravada nos instrumentos de observação, com a forma um pouco bizarra de um parafuso. Por isso a equipa de Jeff Johnson lhe chamou isso mesmo, tornillo, ou seja, parafuso, em espanhol.

A onda sonoro em forma de parafuso
Jeff Johnson

O vulcanólogo compara a onda sonora “à porta de um saloon, que alguém empurrou, e que ficou ali a andar para trás e para diante, até acabar por se deter”. Um sinal “de grande beleza”, diz Johnson, sublinhando que “é extraordinário que a natureza possa produzir este tipo de oscilação”.

A melodia do Cotopaxi, que a cada “respiração” se prolongava por 90 segundos naquele seu formato muito geométrico e certinho, “ressoou” uma vez por dia, todos os dias, no interior da cratera durante todo o primeiro semestre de 2016, após a pequena erupção do ano anterior. Depois disso, o vulcão calou-se, e assim tem estado desde então.

O que esteve na origem da “música” do Cotopaxi? Os cientistas não têm a certeza, a não ser que ela teve directamente a ver com a actividade do vulcão. Mas suspeitam que uma de duas coisas terá escrito aquela “partitura”: parte do chão da cratera poderia estar a colapsar nessa altura, o que pode acontecer quando o magma se move sob o vulcão, ou então havia uma explosão em marcha no fundo da cratera. Uma coisa é certa, a cratera do Cotopaxi mudou de formato durante esse período e, portanto, as duas coisas estiveram ligadas, segundo os vulcanólogos.

Dito de outra forma, isto mostra que a geometria das crateras vulcânicas influencia de forma directa a música própria de cada vulcão, e compreender a “assinatura vocal” de cada estrutura vulcânica pode dar pistas para compreender melhor cada uma delas, bem como a sua actividade, dizem os autores. Recomendam por isso, no artigo, que esses sinais sejam também cuidadosamente monitorizados para se estimar com maior aproximação a possibilidade de ocorrência de erupções vulcânicas.

Diário de Notícias
ciência
16 DE JUNHO DE 2018 18:37
Filomena Naves

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514: Fissura gigante está a “rasgar” a Nova Zelândia

A paisagem da Nova Zelândia é conhecida por fazer cortar a respiração, mas pelos vistos os cortes não se ficam por aí. Uma gigantesca fissura está agora a “rasgar” essa paisagem.

Uma fissura com mais de 200 metros de comprimento e 20 metros de profundidade – o suficiente para engolir um prédio de seis andares – formou-se do dia para a noite e mudou radicalmente o dia-a-dia de uma quinta nas proximidades de Rotorua, no norte do país.

Na origem deste enorme buraco estão as chuvas intensas que se têm vindo a sentir nos últimos tempos mas o processo encontrava-se em marcha já há vários anos.  “O buraco abriu devido à chuva intensa. O processo não é novo, tem vindo a acontecer há imenso tempo”, diz o vulcanologista neo-zelandês Bradley Scott.

“A fissura vai ainda vai sofrer mais erosão, as suas bordas continuarão a colapsar e o buraco vai expandir durante os próximos 10 anos”, afirmou à Radio New Zealand o especialista. “Podemos esperar novos buracos no futuro“, conclui Bradley Scott

As fissuras são causadas pela erosão dos depósitos subterrâneos de calcário e apesar de serem relativamente comuns na região, nunca se tinha visto nada desta dimensão.

Entretanto, a fissura acabou por trazer surpresas, deixando a nu segredos do passado geológico da região. “Vejo no fundo da fissura depósitos vulcânicos que saíram desta cratera há 60 mil anos”, diz Bradley Scott.

Segundo o vulcanologista, entre os depósitos vulcânicos milenares é ainda possível observar sedimentos da erupção do vulcão Taupo, que aconteceu há quase 1.800 anos.

ZAP // Euronews

Por ZAP
5 Maio, 2018

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