5204: A imensa erupção do Etna surpreendeu até quem estuda vulcões

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA/ETNA

Orietta Scardino / EPA
Vulcão Etna em erupção

Há mais de uma semana que o vulcão Etna tem vindo a expelir lava, cinzas e rochas vulcânicas. Aquele que é considerado o vulcão mais activo da Europa foi o protagonista dos últimos dias na ilha Sicília, num cenário que surpreendeu os vulcanólogos.

Nos últimos dias, o Etna impressionou até os vulcanólogos mais experientes, com erupções gigantescas de lava a iluminar as paisagens da Sicília. A última erupção terminou na terça-feira de manhã, de acordo com o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália.

De acordo com o Phys, o vulcão italiano expeliu lava, cinzas e rochas vulcânicas regularmente durante uma semana. Na sequência destes eventos geológicos, o aeroporto de Catânia, localizado no lado este da ilha, teve de encerrar temporariamente.

Até ao momento, não houve relatos de danos ou feridos, mas os habitantes da cidade de Pedara contaram que, num determinado dia da semana passada, parecia que estavam a chover pedras enquanto uma espessa manta de cinzas cobria a cidade.

Boris Behncke, vulcanólogo do Instituto Nacional de Observação do Etna, acompanhou os últimos eventos com muita admiração e escreveu, no site do instituto, que, depois de “nos presentear com momentos de suspense” nas noites anteriores, o Etna explodiu na noite de segunda para terça-feira de uma forma que os investigadores “que trabalham nisto há décadas raramente viram“.

“Eu chamei o paroxismo do Etna de 20-21 de Fevereiro de ‘incrivelmente poderoso’? Bem, o seu sucessor, na noite de 22 para 23 de Fevereiro foi MUITO mais poderoso”, escreveu Behncke no Twitter. Nessa noite, as fontes de lava ultrapassaram os 1.500 metros.

Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP //

Por Liliana Malainho
24 Fevereiro, 2021

 

4789: Alasca pode esconder um perigoso vulcão subaquático

CIÊNCIA/VULCANOLOGIA/GEOFÍSICA/GEOLOGIA

U.S. Geological Survey / Flickr

De acordo com uma equipa de cientistas, um aglomerado de seis ilhas vulcânicas localizadas perto no Alasca, podem ser, na verdade, aberturas inter-conectadas para um vulcão escondido debaixo de água. Caso se confirme, este será o primeiro vulcão totalmente submerso nas Aleutas.

As ilhas dos Quatro Vulcões, no Alasca, podem afinal ser parte de um sistema vulcânico inter-conectado semelhante ao super-vulcão de Yellowstone. Este tipo de vulcão é capaz de produzir erupções catastróficas a uma escala mundial.

O novo estudo liderado por John Power, do Observatório Vulcânico do Alasca, e publicado no AGU, mostra o que pode ser um “vulcão gigante, até então desconhecido”.

Este sistema consiste em seis vulcões – localizados na parte central do arquipélago das ilhas Aleutas: Cleveland, Carlisle, Herbert, Kagamil, Tana e Uliaga. O Monte Cleveland é o mais activo do grupo, e nas últimas duas décadas lançou nuvens de fumo até nove quilómetros de altura, diz a Sputnik News.

A co-autora do estudo Diana Roman, do Instituto de Ciência Carnegie, em Washington, disse num comunicado, que a sua equipa tem trabalhado bastante para encontrar mais dados, mas no final concluiu que se trata de uma “caldeira nesta região”. Durante o estudo, os investigadores analisaram depósitos geológicos, mudanças na zona ao longo do tempo, emissões de gases, gravidade, entre outros factores.

As caldeiras vulcânicas, também conhecidas como super-vulcões, produzem erupções catastróficas, pois têm enormes depósitos de magma. Assim, uma vez em erupção, as caldeiras libertam quantidades gigantescas de lava e cinzas, que em alguns casos, podem até mudar o mapa geopolítico do planeta.

Para provar a existência do super-vulcão no arquipélago do Alasca, os cientistas planeiam realizar mais estudos e, em particular, “fazer uma análise no fundo do mar, estudar rochas vulcânicas, recolher mais dados sísmicos e gravitacionais, e observar amostras de áreas geotérmicas”.

Esses seis vulcões são conhecidos colectivamente como as Ilhas das Quatro Montanhas. Porém, também podem estar conectados como parte de uma caldeira, uma enorme depressão vulcânica em forma de tigela que pode conter várias aberturas, diz o estudo.

Uma caldeira que abrange seis ilhas vulcânicas provavelmente poderia representar um super-vulcão comparável ao vulcão situado em Yellowstone.

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10 Dezembro, 2020


4659: A super-erupção do vulcão Yellowstone, há 2 milhões de anos, durou décadas

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCÕES

Iorcel / Canva
Grand Prismatic Spring no Yellowstone National Park, EUA

Uma equipa de cientistas descobriu que uma super-erupção no vulcão Yellowstone, há 2,1 milhões de anos, não foi um evento explosivo que durou algumas horas ou dias, mas sim décadas.

A percepção geral é que as grandes erupções vulcânicas podem durar apenas algumas horas ou dias. No entanto, uma equipa de investigadores conseguiu determinar que, há mais de dois milhões de anos, uma super-erupção do vulcão Yellowstone se prolongou por décadas.

O vulcanologista Colin Wilson, da Victoria University of Wellington, na Nova Zelândia, analisou depósitos de uma antiga super-erupção em Yellowstone para entender de que forma o magma e as cinzas foram ejectados do vulcão. O artigo científico foi publicado na Caldera Chronicles do Observatório do Vulcão de Yellowstone.

Segundo o Newsweek, a equipa analisou os depósitos vulcânicos de Huckleberry Ridge, que se formaram com o material incandescente da maior erupção ocorrida em Yellowstone nos últimos 2,1 milhões de anos.

A super-erupção lançou colunas de cinzas de dezenas de quilómetros, com fluxos piroclásticos, gases e fragmentos de lava muito quentes e de rápido movimento, que se estenderam por 100 quilómetros. Com o tempo, estes restos formaram depósitos grossos de material vulcânico, conhecido como ignimbrito.

“Foi expulso tanto magma que a superfície do solo, à volta das aberturas da erupção, colapsou para formar uma caldeira de 100 por 50 quilómetros, que está entre a maiores da Terra”, sublinhou Colin Wilson.

Com base nos restos vulcânicos, os cientistas conseguiram reconstruir uma linha do tempo dos eventos. Os resultados mostraram que houve intervalos de tempo entre os eventos eruptivos. Aliás, numa camada, passou tempo suficiente para que a neve caísse e os sistemas climáticos recolhessem as cinzas e as voltassem a depositar.

Os cientistas também concluíram que o vulcão entrou em erupção, parou, arrefeceu e voltou a explodir novamente. O tempo entre os primeiros eventos foi provavelmente de vários meses, disse Wilson.

Levou anos, senão décadas, até que o próximo evento eruptivo ocorresse, com os depósitos a indicar que houve um período muito mais longo de arrefecimento antes de a próxima unidade de ignimbrito ter sido formada.

“Estas descobertas mudam o que pensamos sobre as explosões super-massivas de Yellowstone: em vez de grandes eventos individuais, podem ser compostos por múltiplos eventos menores”, rematou Colin Wilson. Os investigadores esperam usar estas informações para entender o impacto das super-erupções no vulcão Yellowstone e avançar na previsão de desastres.

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16 Novembro, 2020


4643: Técnica com cristais de zircão permite saber se vulcões adormecidos são perigosos

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Serge Saint / Flickr
Vulcão Nevado de Toluca, México

Um novo método permite agora estimar o volume de magma armazenado debaixo dos vulcões, fornecendo informações essenciais sobre potenciais erupções futuras.

A maioria dos vulcões activos na Terra estão adormecidos, o que significa que não entraram em erupção durante centenas ou mesmo milhares de anos, e normalmente não são considerados perigosos para a população local. Ainda assim, uma equipa de vulcanólogos desenvolveu uma técnica que pode prever o potencial devastador dos vulcões.

Os cientistas usaram o zircão, um minúsculo cristal contido em rochas vulcânicas, para perceber o volume de magma que pode ser extraído quando o vulcão Nevado de Toluca (que se situa no México) despertar. A equipa chegou à conclusão que cerca de 350 km3 de magma estão, actualmente, debaixo do Nevado de Toluca e que a sua erupção poderia causar uma grande devastação.

O novo estudo, que descreve esta nova técnica aplicável à maioria dos vulcões em todo o mundo, foi publicado na revista científica Nature Communications em Novembro.

As maiores erupções vulcânicas nos últimos 100 anos foram originadas por vulcões que não entram em erupção com frequência e, portanto, passaram ao lado do “radar” dos cientistas.

Um factor determinante para perceber o perigo dos vulcões é o volume de magma em erupção armazenado dentro de si, pois isso está relacionado com a magnitude das erupções futuras. Contudo, o magma é armazenado em profundidades inacessíveis e, até agora, não podia ser medido directamente.

Os vulcanólogos usaram uma nova abordagem combinando geo-cronologia de zircão e modelagem térmica para determinar o volume de magma presente nos reservatórios vulcânicos. “O zircão é um pequeno cristal encontrado em rochas provenientes de vulcões e contém urânio e tório”, explica Gregor Weber, um dos autores do estudo.

“A decadência desses elementos radioactivos permite-nos datar quando estes se cristalizaram. Além disso, o zircão só cristaliza se houver uma temperatura específica. Com esses dois parâmetros, podemos determinar a velocidade com que o magma está a arrefecer”, refere o especialista.

De acordo com o geólogo, essas informações podem ser convertidas num volume de magma através do uso de modelagem térmica.

Esta metodologia foi aplicada no vulcão mexicano Nevado de Toluca, também chamado de Xinantécatl. Os resultados foram usados ​​para determinar o tamanho máximo possível de uma futura erupção deste vulcão, que com 350 km3 poderia ter um efeito potencialmente devastador. “O vulcão pode acordar rapidamente se o magma profundo for reiniciado”, avisa Weber.

O novo método é essencial para avaliar o risco vulcânico quantitativamente, ou seja, “saber o tamanho de um reservatório vulcânico é importante para identificar vulcões com maior probabilidade de produzir uma erupção de grande magnitude no futuro. O nosso método é uma nova forma de avaliar os candidatos a essas erupções ”, explica Weber.

Esta abordagem é aplicável à maioria dos tipos de vulcões, estejam eles activos ou adormecidos, e fornece informações valiosas sobre quais sistemas vulcânicos precisam de ser monitorizados mais de perto, diz o SciTechDaily.

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13 Novembro, 2020


4493: O vulcão mais activo da Islândia pode estar prestes a entrar em erupção

CIÊNCIA/VULCANOLOGIA/GEOLOGIA

gsfc / Flickr
Vulcão Grímsvötn

O vulcão Grímsvötn, na Islândia, pode estar prestes a entrar em erupção. Em 2011, lançou cinzas de 20 quilómetros na atmosfera, levando ao cancelamento de cerca de 900 voos.

Em 2011, o vulcão Grímsvötn, coberto de gelo, produziu uma poderosa explosão, lançando cinzas de 20 quilómetros na atmosfera que causaram o cancelamento de cerca de 900 voos.

Agora, segundo o Science Alert, há sinais claros de que o vulcão islandês está a preparar-se para entrar em erupção novamente. As autoridades já elevaram o nível de ameaça do vulcão e há preocupações crescentes na indústria das viagens aéreas, que actualmente está a recuperar do rombo provocado pela pandemia de covid-19.

Grímsvötn é peculiar, já que fica completamente debaixo do gelo. A sua única parte visível é uma crista no lado sul, que forma a borda de uma grande cratera. É ao longo dessa crista, sob o gelo, que ocorreram as erupções mais recentes.

Contudo, o vulcão não é tão gelado assim: a sua produção de calor é extraordinariamente elevada (2000-4000MW), o que derrete o gelo sobrejacente e produz um lago sub-glacial oculto de água derretida com até 100 metros de profundidade e gelo de até 260 metros de espessura.

O gelo flui continuamente para a caldeira. Lá, derrete e faz com que o nível da água suba continuamente. Por sua vez, a água derretida pode escapar repentinamente e, depois de viajar para sul, pode emergir na margem como se se tratasse de uma inundação. Este fenómeno já destruiu estradas e pontes no passado.

Outra peculiaridade é o facto de este vulcão ter um gatilho sensível: quando o lago de água derretida é drenado, a remoção da água do topo do vulcão reduz rapidamente a pressão, o que pode desencadear uma erupção.

Grímsvötn é o vulcão activo com erupções mais frequentes da Islândia.

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15 Outubro, 2020

 

4360: Super-vulcão Yellowstone registou 91 terramotos em apenas 24 horas

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA/YELLOWSTONE

Brocken Inaglory / Wikimedia
A Grand Prismatic Spring, no Parque National de Yellowstone, EUA

Os vulcanólogos têm andado atentos ao super-vulcão localizado no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) relatou recentemente a ocorrência de 91 terremotos em apenas 24 horas. Estes não ultrapassaram os 3 graus de intensidade e manifestaram-se a sudoeste do Lago Yellowstone.

Michael Poland, cientista do observatório do vulcão Yellowstone, explicou que apesar de este ser um número elevado de terramotos a acontecer em tão pouco tempo “está longe de ser o mais impactante”. Entre Junho e Setembro de 2017, 2400 terramotos atingiram o parque, sendo que um deles atingiu uma magnitude de 4,4 graus. Na verdade, o parque regista entre 1500 e 2000 terramotos por ano.

Segundo o ABC, os geólogos estão a conduzir experiências que estão a causar vibrações de frequência muito baixa — experiências controversas, uma vez que alguns especialistas defendem que 2020 não é o ano ideal para mexer no Yellowstone. “Felizmente, o vulcão não sabe em que ano estamos”, respondeu o USGS no Twitter.

mjonno79
@mjonno79

11 de set de 2020

Em resposta a @USGSVolcanoes

Although I don’t particularly doubt the science and the chance of triggering an eruption is basically inconceivable, 2020 its just not the year to be messing about with things like Yellowstones magma chamber.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

USGS Volcanoes
@USGSVolcanoes
Well, happily, the volcano doesn’t know what year it is. And even more happily, the Yellowstone magma chamber is mostly solid! (usgs.gov/center-news/us
) We know that from past experiments just like this one.

As observações e experiências dos vulcanologistas têm como objectivo reconhecer a parte superior da grande câmara magmática do Yellowstone, para o que foram colocadas centenas de sismómetros temporários. Os últimos terramotos foram assim registados com um grande nível de detalhe.

Actualmente, o parque está num nível de alerta verde ou “normal”, ou seja, não há sinais de uma erupção iminente. No entanto, os vulcanologistas continuam a estudar os possíveis terramotos, a actividade hidro-térmica e possíveis deformações do solo que podem anunciar um.

Debaixo da caldeira de Yellowstone há uma grande câmara magmática de 60 quilómetros de comprimento, 29 de largura e 5 a 12 de profundidade. De acordo com as estimativas dos geólogos, as super-erupções de Yellowstone ocorrem com uma frequência de uma vez a cada um a dois milhões de anos.


– Vídeo carregado por cópia de écran por não estar disponibilizado o endereço original.

Em Junho deste ano uma nova investigação internacional concluiu que a região vulcânica de Yellowstone, nos Estados Unidos, parecia estar em declínio. Contudo, o especialista Thomas Knott alertou que os números apresentados eram apenas estimativas e que era crucial continuar a monitorizar a actividade deste super-vulcão de perto.

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20 Setembro, 2020

 

 

4089: Há um segredo “explosivo” escondido debaixo de vulcões aparentemente tranquilos

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

Gabriel Salazar / La Pinta Yacht Expedition

Uma equipa internacional de vulcanólogos que trabalham em ilhas remotas no arquipélago de Galápagos descobriu que vulcões que produzem de forma confiável pequenas erupções de lava basáltica escondem magmas quimicamente diversos nos seus sistemas de canalização subterrâneos. Alguns podem gerar actividade explosiva.

Muitos vulcões produzem tipos semelhantes de erupção ao longo de milhões de anos. Por exemplo, vulcões na Islândia, no Havai e nas Ilhas Galápagos entram em erupção de forma consistente com fluxos de lava – compostos por rochas basálticas derretidas – que formam longos rios de fogo pelos flancos.

Embora esses fluxos de lava sejam potencialmente prejudiciais para as casas próximas do vulcão, geralmente não representam o mesmo risco que erupções explosivas maiores, como as do Vesúvio ou do Monte de Santa Helena. Essa consistência de longo prazo no comportamento eruptivo de um vulcão ajuda no planeamento de riscos das autoridades locais.

A equipe de investigação, liderada por Michael Stock, do Trinity College Dublin, e composta por cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido e Equador, estudou dois vulcões dos Galápagos, que só explodiram fluxos de lava basáltica composicionalmente uniformes na superfície da Terra durante toda a vida.

Ao decifrar as composições de cristais microscópicos nas lavas, a equipa conseguiu reconstruir as características químicas e físicas dos magmas armazenados no subsolo sob os vulcões.

A análise mostrou que, em contraste com as lavas basálticas monótonas que explodiram na superfície da Terra, os magmas debaixo dos vulcões são extremamente diversos e incluem composições semelhantes às erupções do Monte de Santa Helena.

Os investigadores acreditam que a uniformidade observada nas erupções ocorre quando a quantidade de magma que flui no subsolo é suficientemente grande para “sobrepor” qualquer diversidade química. Isto pode acontecer quando os vulcões estão perto de um “ponto quente”, ou seja, uma coluna muito quente de magma que sobe à superfície do interior da Terra.

No entanto, os magmas quimicamente diversos que a equipa descobriu podem tornar-se móveis e subir em direcção à superfície sob certas circunstâncias.

Nesse caso, vulcões que produziram erupções de lava basáltica durante milénios de forma confiável podem sofrer alterações e ter actividades mais explosivas no futuro.

O magma está a mover-se debaixo de um silencioso vulcão alemão (e pode acordá-lo)

É fácil esquecer que muitos vulcões em todo o mundo há muito tempo que se mantêm em silêncio. Mas os países…

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“Embora não haja sinal de que estes vulcões de Galápagos sofrerão uma transição no estilo de erupção em breve, os nossos resultados mostram porque é que outros vulcões podem ter mudado o seu comportamento eruptivo no passado. O estudo também ajudará a entender melhor os riscos apresentados pelos vulcões noutras partes do mundo – só porque sempre surgiram de uma maneira específica no passado não significa que se pode confiar que continuem a fazer a mesma coisa indefinidamente no futuro”, disse Stock, em comunicado divulgado pelo EurekAlert.

Este estudo foi publicado esta semana na revista científica Nature Communications.

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1 Agosto, 2020

 

 

3189: Sismos podem levar ao aparecimento de nova ilha nos Açores, diz vulcanólogo

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

“Movimentos ascendentes no fundo do mar” terão como “evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirma Victor Hugo Forjaz, presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

Esta sexta-feira, o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz disse que uma nova ilha poderá surgir nos Açores, entre as ilhas do Faial e São Jorge, na sequência de “movimentos ascendentes” que se têm vindo a registar no mar.

“Pelo tipo de sismo, pela cadência, pela periodicidade, pela energia Richter e repercussões nas ilhas vizinhas, que são Faial e São Jorge e, por vezes, Pico, suspeita-se que há movimentos ascendentes no fundo do mar, sendo a evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirmou o presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

O vulcanólogo refere que se têm vindo a registar “crises sucessivas”, ao longo dos anos, no arquipélago, com “intervalos de dois anos”, e o surgimento de uma nova ilha “não é nada de extraordinário porque as ilhas são activas e condensam movimentos tectónicos, seguidos de vulcânicos”.

Para o antigo docente da Universidade dos Açores, o fenómeno seria “melhor seguido” com um levantamento batimétrico e com recurso a um ROV, um veículo submarino operado de forma remota, visando apurar se há fissuras, deslocamentos e alterações topográficas.

Segundo Hugo Forjaz, a Marinha portuguesa “já deveria ter feito um levantamento no sentido de se perceber melhor os movimentos do fundo do mar naquela zona”, sublinhando que “não há perigo de maior” para a ilha do Faial, uma vez que a zona fica “bastante afastada, cerca de 25 a 30 quilómetros”.

O especialista recorda que nos Açores já emergiram ilhas que depois voltaram a desaparecer, exemplificando com o banco D. João de Castro, ao largo da ilha Terceira, que “esteve fora do mar durante um certo tempo”, tendo “falhas geológicas provocado o seu abatimento”, sendo previsível que volte a emergir.

O vulcanólogo defende a instalação nos Açores de OBS, sismógrafos submarinos que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera possui, ressalvando que houve uma equipa estrangeira que já operou na região com este equipamento, tendo recolhido dados “muito interessantes” a que a Governo Regional e a Universidade dos Açores não têm acesso.

Para Victor Hugo Forjaz, a existência dos OBS seria o “tira-teimas entre os que acreditam que há movimentos verticais importantes e os que os negam”.

A Rede Sísmica do Arquipélago dos Açores tem vindo a registar desde Novembro centenas de sismos, um deles esta sexta-feira. Alguns destes abalos foram sentidos pela população, numa zona localizada aproximadamente entre os 25 e os 30 quilómetros a oeste da freguesia de Capelo, na ilha do Faial.

ZAP // Lusa

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13 Dezembro, 2019

 

 

2765: O vulcão Anak Krakatoa “avisou” que ia colapsar (mas ninguém percebeu)

CIÊNCIA

Ben Beiske / Flickr

Em Dezembro do ano passado, parte do vulcão Anak Krakatoa colapsou no oceano. O tsunami resultante matou 430 pessoas e destruiu as casas de dezenas de milhares de habitantes.

Dois estudos divulgados no último mês procuram aprender mais para futuros desastres deste tipo. Um apresenta más notícias, sugerindo que versões ainda piores podem ser mais comuns do que pensávamos, mas o outro oferece esperança de que possamos melhorar a identificação de eventos futuros antes que ocorram.

Os danos dos eventos de 2018 foram suficientemente trágicos, mas o Anak Krakatoa incomoda os vulcanologistas por causo do seu potencial. A erupção de 1883 pelo Krakatoa original levou a 36 mil mortes e mudou o clima do planeta durante mais de um ano. Anak Krakatoa formou-se a partir dos restos mortais do primeiro vulcão.

A conclusão publicada no fim de Agosto na revista especializada Geology é que mesmo eventos modestos podem ter consequências mais sérias. Usando imagens de radar por satélite que revelam a ilha através do fumo antes e depois do colapso, Rebecca Williams, da Hull University, calculou apenas 0,1 quilómetro cúbico a deslizar para o oceano no colapso inicial causador de tsunami – um terço do que esperava.

As estimativas anteriores incluíram o colapso da coroa e cratera do vulcão, mas Williams mostrou que foram perdidas durante vários dias subsequentes, em vez de um único evento dramático que desencadeou o tsunami.

Se uma quantidade tão modesta de rocha pudesse causar uma onda tão devastadora, quão pior teria sido se tudo tivesse acontecido de uma só vez? “Eu considero que os modelos estão a subestimar a capacidade destes deslizamentos de terra para fazer tsunamis maiores”, disse Williams à BBC. Com Krakatoa localizado entre as duas ilhas mais populosas da Indonésia, o perigo é enorme.

Prevenir tais desastres é quase certamente impossível, mas prever pode ser outra questão. Thomas Walter, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, liderou uma equipa que procurava pistas negligenciadas pelo vulcão sobre o desastre iminente.

Num artigo publicado esta semana na revista especializada Nature, os cientistas relatam que “antes do colapso, o vulcão exibia um estado elevado de actividade, incluindo anomalias térmicas precursoras, um aumento na área da superfície da ilha e um movimento gradual em direcção ao mar do seu flanco sudoeste”.

Alguns dos avisos chegaram demasiado tarde  para serem úteis, como o pequeno terremoto dois minutos antes do colapso. No entanto, nos seis meses anteriores ao colapso, os sensores térmicos indicaram 100 vezes as emissões normais de calor e o movimento mais rápido dos flancos da ilha.

Vários sensores ao redor do vulcão captaram sinais de movimento e desgaseificação pouco antes do colapso, que individualmente não eram suficientes para emitir um alerta, mas analisados ​​colectivamente poderiam ter fornecido o aviso necessário.

Uma semana depois do colapso, o vulcão Anak Krakatoa ficou com apenas um quarto do tamanho que tinha antes da erupção. O Anak Krakatoa tem agora um volume de 40 a 70 milhões de metros cúbicos, tendo perdido entre 150 e 180 milhões de metros cúbicos de volume.

A Indonésia está localizada no Anel de Fogo do Pacífico, um arco de linhas de falhas na Bacia do Pacífico com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 activos. A região, com grande actividade sísmica e vulcânica, regista cerca de sete mil terramotos por ano – na sua grande maioria moderados.

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4 Outubro, 2019

 

1143: Cientistas explicam como surgem os sistemas de magma que nutrem super-erupções

Francis R. Malasig / EPA

Para descobrir onde é que o magma se encontra na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista da Universidade de Vanderbilt, Guilherme Gualda, e a sua equipa viajaram para a área mais activa: a Zona Vulcânica Taupo, na Nova Zelândia.

Para descobrir onde o magma se acumula na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista Guilherme Gualda, da Universidade de Vanderbilt, e a sua equipa, viajaram para o aglomerado mais activo: a Zona Vulcânica Taupo na Nova Zelândia, onde ocorreram algumas das maiores erupções dos últimos dois milhões de anos .

Depois de estudar camadas de pedra-pomes visíveis em cortes de estradas e outros afloramentos, medindo a quantidade de cristais nas amostras e usando modelos termodinâmicos, a equipa de cientistas determinou que o magma se aproximava da superfície a cada erupção sucessiva.

Este trabalho integra-se num projecto que tem como objectivo estudar super-erupções – como os sistemas de magma que os alimentam são construídos e como a Terra reage à entrada repetida de magma em curtos períodos de tempo.

“À medida que o sistema é redefinido, os depósitos tornam-se mais rasos”, disse Gualda, professor associado de ciências da terra e do meio ambiente. “A crosta está a ficar cada vez mais quente, então o magma pode alojar-se em níveis mais rasos.”

Além disso, a natureza dinâmica da crosta da Zona Vulcânica de Taupo tornou muito mais provável a erupção do magma em vez de simplesmente ficar armazenado na crosta. As erupções mais frequentes e com menor impacto, que produziam 50 a 150 quilómetros cúbicos de magma, impediram, muito provavelmente, uma super-erupção.

Super-erupções produzem mais de 450 quilómetros cúbicos de magma e afectam o clima da Terra durante vários anos após a erupção, adianta o EurekAlert.

“Há magma estagnado que é pobre em cristal, que se mantém fundido durante algumas décadas, e a certa altura irrompe”, disse Gualda. “Aí, outro corpo de magma é estabelecido, mas não sabemos como se forma esse corpo.  É um período no qual aumenta o derretimento na crosta.”

A questão que permanece no ar tem a ver com o tempo que esses corpos de magma, ricos em cristais, se reúnem entre as erupções. Pode demorar milhares de anos, mas Gualda acredita que o período de tempo é mais curto do que isso.

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14 Outubro, 2018

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664: O maior órgão de tubos do mundo? Chama-se Cotopaxi. É um vulcão

Cientistas monitorizaram o vulcão
| Silvia Vallejo Vargas /Insituto Geofisico of the Escuela Politecnica Nacional (Quito, Ecuador)

Sim, os vulcões também fazem música, e ela pode ajudar a monitorizar a sua actividade e a perceber quando as erupções estão prestes a acontecer, dizem os cientistas

A 90 quilómetros de Quito, a capital do Equador, e muito mais perto de outras pequenas cidades, o Cotopaxi é uma maravilha da natureza… e um risco permanente para as populações. Adormecido durante quase todo o século XX, despertou em 2015, e fez uma pequena demonstração das suas potencialidades. A erupção foi monitorizada por vulcanólogos do país e internacionais e no rescaldo do sobressalto, cujas cinzas chegaram à capital, revelou um dos seus segredos: uma onda sonora, que se assemelha a uma respiração profunda, como o som grave de um órgão de tubos.

É isso mesmo que lhe chama o vulcanólogo Jeff Johnson, da Universidade de Boise State, nos Estados Unidos, e o coordenador do estudo publicado na Geophysical Research Letters que dá conta da “melodiosa” descoberta e das suas possibilidades para a ciência. “É o maior órgão de tubos que já encontrámos”, garante Johnson.

Maior, mesmo. De acordo com as medições feitas pela equipa após a erupção de 2015, o solo no interior da cratera do Cotopaxi afundou-se durante esse episódio eruptivo e o seu tubo interno, que tem uns imensos cem metros de diâmetro, passou a cair a pique até à profundidade de 300 metros.

Foi nessa altura, ao fazer o registo do que estava a acontecer no interior da cratera, que os cientistas deram com aquele infra-som (inaudível ao ouvido humano), correspondente a uma onda sonora, que ficou gravada nos instrumentos de observação, com a forma um pouco bizarra de um parafuso. Por isso a equipa de Jeff Johnson lhe chamou isso mesmo, tornillo, ou seja, parafuso, em espanhol.

A onda sonoro em forma de parafuso
Jeff Johnson

O vulcanólogo compara a onda sonora “à porta de um saloon, que alguém empurrou, e que ficou ali a andar para trás e para diante, até acabar por se deter”. Um sinal “de grande beleza”, diz Johnson, sublinhando que “é extraordinário que a natureza possa produzir este tipo de oscilação”.

A melodia do Cotopaxi, que a cada “respiração” se prolongava por 90 segundos naquele seu formato muito geométrico e certinho, “ressoou” uma vez por dia, todos os dias, no interior da cratera durante todo o primeiro semestre de 2016, após a pequena erupção do ano anterior. Depois disso, o vulcão calou-se, e assim tem estado desde então.

O que esteve na origem da “música” do Cotopaxi? Os cientistas não têm a certeza, a não ser que ela teve directamente a ver com a actividade do vulcão. Mas suspeitam que uma de duas coisas terá escrito aquela “partitura”: parte do chão da cratera poderia estar a colapsar nessa altura, o que pode acontecer quando o magma se move sob o vulcão, ou então havia uma explosão em marcha no fundo da cratera. Uma coisa é certa, a cratera do Cotopaxi mudou de formato durante esse período e, portanto, as duas coisas estiveram ligadas, segundo os vulcanólogos.

Dito de outra forma, isto mostra que a geometria das crateras vulcânicas influencia de forma directa a música própria de cada vulcão, e compreender a “assinatura vocal” de cada estrutura vulcânica pode dar pistas para compreender melhor cada uma delas, bem como a sua actividade, dizem os autores. Recomendam por isso, no artigo, que esses sinais sejam também cuidadosamente monitorizados para se estimar com maior aproximação a possibilidade de ocorrência de erupções vulcânicas.

Diário de Notícias
ciência
16 DE JUNHO DE 2018 18:37
Filomena Naves

[vasaioqrcode]

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514: Fissura gigante está a “rasgar” a Nova Zelândia

A paisagem da Nova Zelândia é conhecida por fazer cortar a respiração, mas pelos vistos os cortes não se ficam por aí. Uma gigantesca fissura está agora a “rasgar” essa paisagem.

Uma fissura com mais de 200 metros de comprimento e 20 metros de profundidade – o suficiente para engolir um prédio de seis andares – formou-se do dia para a noite e mudou radicalmente o dia-a-dia de uma quinta nas proximidades de Rotorua, no norte do país.

Na origem deste enorme buraco estão as chuvas intensas que se têm vindo a sentir nos últimos tempos mas o processo encontrava-se em marcha já há vários anos.  “O buraco abriu devido à chuva intensa. O processo não é novo, tem vindo a acontecer há imenso tempo”, diz o vulcanologista neo-zelandês Bradley Scott.

“A fissura vai ainda vai sofrer mais erosão, as suas bordas continuarão a colapsar e o buraco vai expandir durante os próximos 10 anos”, afirmou à Radio New Zealand o especialista. “Podemos esperar novos buracos no futuro“, conclui Bradley Scott

As fissuras são causadas pela erosão dos depósitos subterrâneos de calcário e apesar de serem relativamente comuns na região, nunca se tinha visto nada desta dimensão.

Entretanto, a fissura acabou por trazer surpresas, deixando a nu segredos do passado geológico da região. “Vejo no fundo da fissura depósitos vulcânicos que saíram desta cratera há 60 mil anos”, diz Bradley Scott.

Segundo o vulcanologista, entre os depósitos vulcânicos milenares é ainda possível observar sedimentos da erupção do vulcão Taupo, que aconteceu há quase 1.800 anos.

ZAP // Euronews

Por ZAP
5 Maio, 2018

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