1053: Astrónomos descobriram “Vulcano”, o planeta de Spock

Leonard Nimoy como Spock, na saga Star Trek

Astrónomos norte-americanos descobriram um exoplaneta com características muito semelhantes às de “Vulcano”, o planeta de origem de Spock, o inesquecível personagem da mítica série “Star Trek”.

Localizado a 16 anos-luz da Terra, o novo planeta orbita a estrela HD 26965 e “é a super-Terra mais próxima que orbita outra estrela similar ao Sol”, explica o astrónomo Jian Ge, da Universidade da Florida e que trabalha no Dharma Planet Survey.

“O planeta tem aproximadamente o dobro do tamanho da Terra e orbita a sua estrela com um período de 42 dias”, explica o cientista, citado pela agência Europapress.

“A estrela alaranjada HD 26965 é só ligeiramente mais fria e menos massiva do que o nosso Sol, tem aproximadamente a mesma idade e tem um ciclo magnético de 10,1 anos, quase idêntico ao ciclo de 11,6 anos do Sol”, explica num comunicado o co-autor do estudo, Matthew Muterspaugh, da Universidade de Tennessee State. “Por isso, HD 26965 pode ser uma estrela anfitriã ideal para uma civilização avançada”, acrescenta.

“Os fãs do Star Trek conhecem esta estrela pelo seu apelido alternativo, 40 Eridani A“, explica Gregory Henry, co-autor do estudo e da mesma universidade norte-americana. “O ‘Vulcano’ estava ligado à 40 Eridani A nas publicações ‘Star Trek 2’ (1968) e ‘Star Trek Maps’ (1980)”.

Aliás, em 1991, numa carta publicada no Sky and Telescope, Gene Roddenberry, criador da série, juntamente com três astrónomos da Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, confirmou a 40 Eridani A como a estrela anfitriã de “Vulcano”.

O sistema de estrelas 40 Eridani é composto por três estrelas. Supostamente, o planeta do Spock orbita a estrela principal e as duas outras estrelas “brilham intensamente no céu de Vulcano”, pode ler-se na mesma carta.

“Esta estrela pode ser vista a olho nu, ao contrário da maioria das estrelas anfitriãs dos planetas conhecidos até agora. Agora, qualquer pessoa pode ver a 40 Eridani numa noite de céu limpo e apontar orgulhosamente para a ‘casa do Spock’”, afirma Bo Ma, da Universidade da Florida e autor principal do artigo publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

ZAP //

Por ZAP
21 Setembro, 2018

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27: O planeta Vulcano não existe (e outras coisas que aprendemos com os eclipses)

Durante mais de meio século, cálculos de conceituados cientistas apontaram para a existência de um planeta na órbita entre Mercúrio e o Sol, que nunca chegou a ser localizado.

Três chamas comeram o Sol, e grandes estrelas foram vistas“.

Assim reza o relato de um eclipse grafado num osso da antiga China. Quase 3.300 anos mais tarde, um astrónomo da NASA conseguiu identificar a data desse eclipse (1302 A.C.) e usar essa informação para calcular quanto é que a rotação da Terra tinha desacelerado desde então. Resposta: 47 milésimos de segundo por dia.

Esta não foi a primeira vez que os cientistas usaram informação recolhida durante um eclipse para fazer avançar o conhecimento científico.

Em 1919, os astrónomos usaram um eclipse para provar a Teoria da Relatividade de Einstein. Em 1878, os astrónomos aguardavam com grande ansiedade o épico eclipse solar que nesse ano presenteou todo o território dos Estados Unidos – na sombra do qual esperavam encontrar evidências de Vulcano, o misterioso planeta escondido.

Infelizmente para todos os fãs do capitão Kirk, não houve forma de encontrar quaisquer traços do mítico planeta. Vulcano continuou a ser o “planeta escondido” e a sua existência um dos mais desconcertantes fenómenos do Sistema Solar.

Procurado durante 56 anos, tornou-se um planeta hipotético, até que o físico alemão Albert Einstein o “expulsou” do céu com a Teoria da Relatividade.

“É um planeta, ou se preferir, um grupo de planetas menores que circulam na proximidade da órbita de Mercúrio”, propôs em 1859 Urbain Joseph Le Verrier, o mais famoso astrónomo do mundo à época e director do Observatório de Paris. Ele dizia que só um planeta “seria capaz de produzir a perturbação anómala sentida por Mercúrio”.

Le Verrier não foi o primeiro a suspeitar da presença do planeta escondido. Anos antes, em 1846, um diagrama do Sistema Solar elaborado para escolas e academias já indicava a presença de Vulcano. Mas foi a sólida reputação de Le Verrier que deu peso à hipótese da existência de Vulcano.

Treze anos antes de indicar a existência de Vulcano, Le Verrier já tinha apresentado à academia francesa a hipótese de um planeta que perturbava a órbita de Urano.

Enviou uma carta a Johann Galle, do Observatório de Berlim, que, ao recebê-la, a 23 de Setembro de 1846, imediatamente se dedicou a encontrar o planeta até então desconhecido: era Neptuno e Le Verrier tinha apontado para a sua existência através de cálculos matemáticos.

Assim como Mercúrio, Urano também mostrava uma pequena discrepância na órbita que não podia ser explicada pela força da gravidade dos outros planetas e do Sol.

No entanto, a partir da lei da gravitação universal – formulada por Isaac Newton em 1687 – e supondo a presença e o movimento de um corpo celestial mais distante do que Urano, Le Verrier conseguiu não só descobrir um planeta novo como também se consagrou na posição de “astro” da ciência.

Para resolver a incógnita de Mercúrio, cujo periélio (o ponto em que um planeta se encontra mais próximo do Sol) parecia mudar ligeiramente a cada órbita, Le Verrier seguiu o mesmo método usado anteriormente.

Ao calcular a influência da atracção gravitacional de Vénus, Terra, Marte e Júpiter, as previsões sobre a órbita de Mercúrio pareciam estar sempre ligeiramente erradas. Mercúrio nunca estava onde indicavam as projecções, baseadas nos conhecimentos da época.

A solução para o enigma deveria ser, como aconteceu no caso de Urano, a presença de um outro planeta, no caso, Vulcano. Só faltava encontrá-lo para provar sua existência.

Um passo promissor aconteceu quando Edmond Modeste Lescarbault, um médico com gosto por astronomia, observou com o seu telescópio um ponto preto que passava diante do Sol, anotando o tamanho, velocidade e duração da deslocação.

Passados alguns meses, depois de ler sobre o hipotético planeta de Le Verrier, enviou-lhe uma carta com todos os detalhes. O famoso astrónomo foi visitá-lo, verificou o equipamento e as notas do médico e anunciou com entusiasmo a descoberta de Vulcano, no início da década de 1860.

No entanto, ainda era necessária a confirmação de um especialista independente – e o novo planeta era extremamente difícil de detectar. Vulcano parecia ser um dos últimos enigmas do Sistema Solar e tornou-se um dos corpos celestes mais procurados da astronomia.

Ao longo dos anos, astrónomos profissionais e amadores anunciaram ter avistado Vulcano. Mas a existência do planeta foi confirmada e negada várias vezes. A imprensa divulgou a notícia da sua existência mais do que uma vez e a especulação persistiu até o século 20, mais precisamente até Novembro de 1915.

A busca por Vulcano acabou por ter um fim na Academia Prussiana de Ciências, quando Albert Einstein alterou a visão corrente sobre o Universo com a Teoria da Relatividade. Pouco antes de apresentar a teoria, Einstein usou-a para explicar a discrepância na órbita de Mercúrio.

“Einstein não só disse os meus cálculos são melhores, como ainda disse que é preciso mudar completamente a ideia que têm das características da realidade“, explicou Thomas Levenson, professor do MIT, nos EUA, e autor do livro “The Hunt for Vulcan”.

O cerne da Teoria da Relatividade de Einstein é que o espaço e o tempo não são estáticos. Para justificar quão peculiar é a órbita de Mercúrio, Einstein argumenta que um objecto maciço, no caso o Sol, foi capaz de dobrar o espaço e o tempo e ainda alterar o caminho da luz, de modo que um raio, quando passa próximo ao Sol, viaja por um caminho curvo.

Com os cálculos, Einstein demonstrou que a relatividade geral predizia a diferença observada no periélio mercuriano. “Negar a existência de Vulcano foi central para Einstein, porque mostrou que essa sua ideia estranha e radicalmente nova de que o espaço e tempo fluem é realmente o caminho certo para ver o Universo”, disse Levenson.

Mercúrio, de acordo com a teoria de Einstein, não tinha a órbita alterada por nenhum outro objecto. Simplesmente, moveu-se através de um espaço-tempo distorcido. Assim, “Vulcano foi expulso do céu astronómico para sempre”, escreveu o mestre Isaac Asimov no ensaio científico O Planeta Que Não Era, de 1975.

Depois disso, as técnicas de observação das estrelas evoluíram, os instrumentos tornaram-se melhores. Plutão deixou de ser planeta para voltar a sê-lo (embora anão), foi descoberto o Planeta 9, há quem diga que estamos à beira de descobrir ainda o Planeta X – e tal como previra Einstein, nem vestígios de Vulcano.

E os românticos que ainda esperavam vislumbrar Vulcano na sombra do épico eclipse que no passado dia 21 de Agosto cobriu parte da Terra, apenas encontram evidência de que Einstein tinha razão: o planeta está escondido porque não existe.

ZAP // BBC / CINCINNATI.com
21/09/2017

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