4789: Alasca pode esconder um perigoso vulcão subaquático

CIÊNCIA/VULCANOLOGIA/GEOFÍSICA/GEOLOGIA

U.S. Geological Survey / Flickr

De acordo com uma equipa de cientistas, um aglomerado de seis ilhas vulcânicas localizadas perto no Alasca, podem ser, na verdade, aberturas inter-conectadas para um vulcão escondido debaixo de água. Caso se confirme, este será o primeiro vulcão totalmente submerso nas Aleutas.

As ilhas dos Quatro Vulcões, no Alasca, podem afinal ser parte de um sistema vulcânico inter-conectado semelhante ao super-vulcão de Yellowstone. Este tipo de vulcão é capaz de produzir erupções catastróficas a uma escala mundial.

O novo estudo liderado por John Power, do Observatório Vulcânico do Alasca, e publicado no AGU, mostra o que pode ser um “vulcão gigante, até então desconhecido”.

Este sistema consiste em seis vulcões – localizados na parte central do arquipélago das ilhas Aleutas: Cleveland, Carlisle, Herbert, Kagamil, Tana e Uliaga. O Monte Cleveland é o mais activo do grupo, e nas últimas duas décadas lançou nuvens de fumo até nove quilómetros de altura, diz a Sputnik News.

A co-autora do estudo Diana Roman, do Instituto de Ciência Carnegie, em Washington, disse num comunicado, que a sua equipa tem trabalhado bastante para encontrar mais dados, mas no final concluiu que se trata de uma “caldeira nesta região”. Durante o estudo, os investigadores analisaram depósitos geológicos, mudanças na zona ao longo do tempo, emissões de gases, gravidade, entre outros factores.

As caldeiras vulcânicas, também conhecidas como super-vulcões, produzem erupções catastróficas, pois têm enormes depósitos de magma. Assim, uma vez em erupção, as caldeiras libertam quantidades gigantescas de lava e cinzas, que em alguns casos, podem até mudar o mapa geopolítico do planeta.

Para provar a existência do super-vulcão no arquipélago do Alasca, os cientistas planeiam realizar mais estudos e, em particular, “fazer uma análise no fundo do mar, estudar rochas vulcânicas, recolher mais dados sísmicos e gravitacionais, e observar amostras de áreas geotérmicas”.

Esses seis vulcões são conhecidos colectivamente como as Ilhas das Quatro Montanhas. Porém, também podem estar conectados como parte de uma caldeira, uma enorme depressão vulcânica em forma de tigela que pode conter várias aberturas, diz o estudo.

Uma caldeira que abrange seis ilhas vulcânicas provavelmente poderia representar um super-vulcão comparável ao vulcão situado em Yellowstone.

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Por ZAP
10 Dezembro, 2020


3255: O misterioso ano da escuridão tem agora uma nova explicação

CIÊNCIA

Edgar Jiménez / Wikimedia Commons

O estranho escurecimento do céu, um fenómeno que aconteceu no ano 536, causou uma onda de frio, fome e tumultos. Agora, foi associado ao vulcanismo subaquático.

Em algumas partes da Europa e da Ásia, o Sol brilhava apenas quatro horas por dia e não iluminava mais do que a Lua. Na altura, “as pessoas pensavam que era o fim do mundo”, conta Dallas Abbott, investigador de impactos paleoclimáticos e extraterrestres no Observatório Lamont-Doherty da Columbia University, nos Estados Unidos.

Apesar de a vida na Terra não ter acabado, este período de intensa escuridão foi seguido por um longo período de agitação, com as árvores a terem muitas dificuldades em crescer desde o ano 536 até 555. As evidências sugeriam uma atenuação solar extensa, mas os cientistas nunca souberam o motivo.

Na semana passada, na reunião anual da American Geophysical Union, Dallas Abbott e John Barron, do U.S. Geological Survey, também nos EUA, apresentaram uma nova interpretação deste misterioso evento: os cientistas analisaram um núcleo de gelo na Gronelândia e concluíram que erupções subaquáticas que transportam sedimentos e microrganismos marinhos para a atmosfera, ajudaram a atenuar a luz do Sol.

A partir de um núcleo de gelo chamado GISP2, os cientistas analisaram as camadas de gelo datadas entre 532 e 542, mediram a química da água de fusão e extraíram fósseis microscópicos para estudá-las ao microscópio, adianta o Europa Press.

A análise não podia ter surpreendido mais os investigadores: as camadas do núcleo de gelo continham 91 fósseis de espécies microscópicas que teriam vivido em águas quentes e tropicais. “Encontramos micro-fósseis de baixa latitude que nunca ninguém encontrou num núcleo de gelo.” Mas como apareceram estas espécies tropicais, amantes de calor, numa camada de gelo na Gronelândia?

A equipa suspeita que tenham sido atirados para a atmosfera por erupções vulcânicas subaquáticas perto do Equador. Em vez de emitir muito enxofre, as erupções subaquáticas teriam vaporizado a água do mar, aumentando o vapor e transportando sedimentos carregados de cálcio e criaturas microscópicas do mar para a atmosfera.

De acordo com os cientistas, as erupções vulcânicas equatoriais, em particular, podem afectar o globo inteiro. Uma vez na atmosfera, os sedimentos e os microorganismos teriam sido bastante eficazes a reflectir a luz solar.

Por serem tão difíceis de detectar nos registos de sedimentos, nunca haviam sido identificados até hoje.

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Por ZAP
24 Dezembro, 2019