3723: Virgin agenda primeiro voo orbital para sábado… se tudo correr bem

CIÊNCIA/ESPAÇO/VIRGIN

O teste vai ter início no deserto do Mojave com a descolagem de um Boeing 747 que foi transformado para transportar o LauncherOne acoplado a uma das asas

A Virgin Orbit tem tudo preparado para um primeiro teste de voo orbital com o lançador LauncherOne no próximo sábado. O teste, que poderá revelar-se decisivo para a companhia dar início a colaborações com agências espaciais como a NASA, depara-se com uma histórica probabilidade de falha de 50%, pelo que a empresa do grupo de Richard Branson já fez saber da eventualidade de repetir os testes no dia seguinte.

O teste vai ter início no deserto do Mojave com a descolagem de um Boeing 747 que foi transformado para transportar o LauncherOne acoplado a uma das asas. Segundo o site SpaceNews, o LauncherOne deverá ser lançado em pleno voo 50 minutos depois desta descolagem e usar os motores do primeiro estágio do veículo durante três minutos.

Depois de se libertar do primeiro estágio, o LauncherOne deverá activar os motores do segundo estágio, a fim de funcionarem durante seis minutos. Após se libertar deste segundo estágio, o lançador da Virgin Orbit deverá planar durante 22 minutos sem ajuda de motores, até retomar novamente a propulsão por alguns segundos e libertar a carga numa órbita de baixa altitude da Terra.

“Vamos manter a missão durante o tempo que conseguirmos. Quanto mais tempo o LauncherOne voar, mais dados conseguiremos recolher”, refere a empresa em comunicado.

A Virgin Orbit mantém ainda a esperança de que o teste consiga contrariar os dados estatísticos do passado e consiga ter sucesso à primeira tentativa. E é deixada ainda a promessa de que o lixo ou desperdícios espaciais serão reduzidos ao mínimo.

No grupo empresarial da Virgin ninguém esconde a expectativa: caso o lançamento de teste seja bem sucedido, fica dado um passo importante para a companhia entrar finalmente na fase operacional. O programa Venture Class Launch Services, da NASA, é apontado como a meta para o voo de estreia no que toca a serviços comerciais prestados a terceiros que venham a usar o LauncherOne.

Actualmente, a VirginOne está a desenvolver mais um lançador LauncherOne, em Long Beach, Califórnia, que já terá em vista a prestação de serviços a outras entidades.

Exame Informática
21.05.2020 às 15h06
Hugo Séneca

 

spacenews

 

2342: Descoberta a bebida que pode proteger os músculos dos astronautas em Marte (e tem álcool)

CIÊNCIA

epfl.ch / Flickr

Com a tecnologia actual, Marte fica a nove meses da Terra. Mas a verdadeira questão é: quando os astronautas chegarem ao Planeta Vermelho, terão força para continuar?

Após mais de 50 anos de voos espaciais tripulados, os investigadores conhecem alguns dos riscos que o corpo humano apresenta em gravidade zero. A doença de movimento espacial ocorre nas primeiras 48 horas, causando perda de apetite, tontura e vómito.

Com o tempo, os astronautas que permanecem por seis meses na Estação Espacial Internacional podem experimentar o enfraquecimento e a perda de músculos atróficos e ósseos. Também experimentam perda de volume sanguíneo, sistema imunológico enfraquecido e descondicionamento cardiovascular, porque flutuar requer pouco esforço e o coração não precisa de trabalhar tanto para bombear sangue.

Scott Kelly e outros astronautas, entre 40 e 50 anos, também se queixaram da alteração da visão. Alguns precisaram de óculos em voo.

Os músculos de sustentação de peso são atingidos primeiro e pior, como o músculo sóleo no gémeo da perna. “Depois de apenas três semanas no espaço, o músculo sóleo humano encolhe em um terço“, disse Marie Mortreux, principal autora do estudo financiado pela NASA, em comunicado. “Isto é acompanhado por uma perda de fibras musculares de contracção lenta que são necessárias para a resistência.”

De acordo com um novo estudo publicado a 18 de Julho na revista Frontiers in Physiology, o resveratrol preserva substancialmente a massa muscular e a força em ratos expostos aos efeitos devastadores da gravidade simulada de Marte.

Para permitir que os astronautas operem em segurança em longas missões a Marte – cuja atracção gravitacional é apenas 40% da Terra – serão necessárias estratégias de mitigação para evitar o descondicionamento muscular.

“As estratégias dietéticas podem ser fundamentais”, explicou Mortreux, “especialmente porque os astronautas que viajam para Marte não terão acesso ao tipo de máquinas de exercícios implantadas na ISS”.

A solução será beber vinho tinto, uma vez que é constituído por resveratrol: um composto geralmente encontrado na casca da uva e mirtilos que tem sido amplamente investigado pelos seus efeitos anti-inflamatórios, anti-oxidantes e anti-diabéticos.

“Demonstrou-se que o resveratrol preserva a massa óssea e muscular em ratos durante o descarregamento completo, de forma análoga à micro-gravidade durante voos espaciais. Portanto, supomos que uma dose diária moderada ajudaria a mitigar o descondicionamento muscular num análogo da gravidade de Marte também”.

Para imitar a gravidade de Marte, os investigadores usaram uma abordagem desenvolvida em ratos por Mary Bouxsein em que ratos foram equipados com um cinto de segurança e suspensos por uma corrente do tecto da gaiola. Assim, 24 ratos machos foram expostos a carga normal (Terra) ou 40% de carga (Marte) durante 14 dias. Em cada grupo, metade recebeu resveratrol em água e os outros beberam apenas água. Todos se alimentaram da mesma comida.

A circunferência do gémeo e a força de preensão da pata dianteira e traseira foram medidas semanalmente e, aos 14 dias, foram analisados os músculos. Os resultados foram impressionantes para os cientistas. Como esperado, a condição de Marte enfraqueceu os ratos e reduziu a circunferência do gémeo, o peso muscular e o conteúdo de fibra de contracção lenta.

Porém, a suplementação de resveratrol quase que totalmente resgatou a garra dianteira e traseira nos ratos de Marte, chegando ao nível dos ratos da Terra que não foram suplementados. O resveratrol protegeu completamente a massa muscular nos ratos de Marte e, em particular, reduziu a perda de fibras musculares de contracção lenta.

Por outro lado, a protecção não foi completa: o suplemento não resgatou inteiramente a área seccional média das fibras ou a circunferência do gémeo.

De acordo com Mortreux, estudos anteriores sobre resveratrol podem explicar estes resultados. “Um fator provável aqui é a sensibilidade à insulina. O tratamento com resveratrol promove o crescimento muscular em animais diabéticos, aumentando a sensibilidade à insulina e a captação de glicose nas fibras musculares. Isto é relevante para os astronautas, que desenvolvem sensibilidade reduzida à insulina durante voos espaciais”.

Os efeitos anti-inflamatórios do resveratrol também podem ajudar a conservar músculos e ossos. Porém, são necessários estudos mais aprofundados para explorar os mecanismos envolvidos, bem como os efeitos de diferentes doses de resveratrol.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2019

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