1128: As vítimas do Vesúvio podem ter morrido de forma mais horrenda do que pensávamos

CIÊNCIA

Petrone et al/PLOS One
Alguns dos crânios analisados pela equipa de arqueólogos

O Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C, assolando assentamentos num raio de 20 quilómetros. Uma grande área em torno do vulcão ficou reduzida a pó e milhares de pessoas morreram – um novo estudo aponta agora que estas mortes podem ter sido ainda mais horrendas do que se pensava até então.

Segundo uma nova investigação, publicada no fim de Setembro na revista Plos One, o calor intenso da erupção vulcânica pode ter feito com que os cérebros da vítimas explodissem.

Os investigadores acreditam que algumas vítimas podem ter morrido após os seus fluídos corporais terem sido vaporizados pelo calor intenso oriundo do vulcão. Com esta vaporização, a pressão dentro do corpo foi aumentando até atingir um ponto de inflexão, que acabaria por causa a explosão do cérebro a partir do interior do mesmo.

O estudo, conduzido por uma equipa de arqueólogos do Hospital Universitário Federico II, na cidade italiana de Nápoles, analisou ossadas recuperadas de 12 câmaras à beira-mar em Herculano, uma das cidades mais próximas do vulcão.

Esta zona costeira, onde viviam cerca de 4 a 5 mil pessoas, foi o último refúgio de cerca de 300 moradores, que morreram instantaneamente devido à enorme onda de gás e fragmentos vulcânicos que foram expelidos da cratera do vulcão.

A partir da análise, os cientistas descobriram um estranho resíduo mineral de cor vermelha e preta no ossos, incluindo na parte interior dos crânios, evidenciando marcas das cinzas em volta e dentro do próprio esqueleto.

De acordo com a publicação, os resíduos encontrados contêm traços de ferro e dióxido de ferro, que podem ser resultado da exposição do sangue a níveis extremos de calor.

As maiores quantidades de ferro foram encontradas nas marcas avermelhadas – identificadas nos ossos cranianos e pós-cranianos – nas cinzas encontradas no interior dos crânios e na areia junto à praia.

“Estas descobertas indicam que a quantidade extremamente alta de ferro encontrada pode não ter sido originada a partir das cinzas vulcânicas ou aos produtos vulcânicos, mas antes da [vaporização] dos fluídos corporais da vítimas”, remata o estudo.

O Vesúvio, localizado no golfo de Nápoles, tornou-se amplamente conhecido após a erupção de 79 d.C, que dizimou as cidades romanas de Herculano e Pompeia. Actualmente, ainda está activo, tendo registado a sua última erupção em 1994.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

 

594: Afinal, o Furacão Maria causou mais de 4,6 mil mortes em Porto Rico – e não 64

NOAA / EPA
Furacão Maria

A passagem do furacão Maria, no ano passado, em Porto Rico, fez mais de 4.600 mortos, segundo um estudo divulgado esta terça-feira. O número é 72 vezes maior do que o divulgado pelas autoridades.

Uma análise estatística indica que o número de mortos em Porto Rico devido à passagem do furacão Maria pode ser superior a 4.600, numa altura em que o balanço oficial do número de mortos ainda é de 64.

“Os nossos resultados indicam que o número oficial é uma subavaliação substancial da verdadeira mortalidade causada pelo furacão Maria”, diz o estudo realizado pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, em colaboração com as universidades Carlos Albizu e Ponce, em Porto Rico.

O estudo baseou-se numa pesquisa aleatória de 3.299 famílias em Porto Rico, cujos membros foram questionados sobre as mortes e as causas desses falecimentos entre a chegada da tempestade e o fim do ano.

A partir deste trabalho de campo, os investigadores constataram que, nos três meses seguintes ao furacão, a taxa de mortalidade na região aumentou 62% em comparação com os níveis registados no mesmo período de 2016.

Perante estas estatísticas, os investigadores estimam que mais de 4,6 mil mortes são resultados direitos e indirectos do pior desastre natural de Porto Rico dos últimos 90 anos.

Estas mortes ocorreram entre o dia 20 de Setembro, data em que a tempestade começou, e Dezembro de 2017. Um terço das vítimas morreu devido a atrasos ou interrupções em tratamentos médicos.

Com rajadas de ventos de quase 250 km/h e fortes chuvas que causaram inundações catastróficas, a passagem do furacão, que oscilou entre as categorias 4 e 5 (a mais elevada) quando atingiu a ilha, deixou um rasto de destruição e dezenas de milhares de pessoas desabrigadas.

Muitos habitantes ficaram sem acesso a electricidade, água, telefone ou transporte.

“A nossa estimativa é coerente com os artigos publicados na imprensa que avaliaram o número de mortes no primeiro mês após o furacão”, afirmam os investigadores no estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine (NEJM).

As autoridades locais contabilizaram oficialmente 64 mortes relacionadas com o furacão, mas este número foi rapidamente contestado.

Em Dezembro passado, já o The New York Times tinha analisado as certidões de óbito registadas em Porto Rico, tendo constatado que os dados indicavam que mais de 1.000 mortes tinham ocorrido nos 40 dias seguintes à tempestade.

Segundo o jornal, para integrar o balanço oficial do desastre natural, a morte tinha de ser confirmada pelo Instituto de Medicina Legal de Porto Rico, algo que se tornou difícil por causa da destruição das estradas e da escassez de transportes. Assim, as certidões de óbitos registadas nos meses seguintes não mencionavam necessariamente se as mortes estavam relacionadas com o furacão.

Os investigadores afirmaram que “os números servirão como um importante comparativo independente em relação às estatísticas oficiais de mortes registadas, que estão actualmente a ser revistas, e evidenciam a falta de atenção do Governo dos Estados Unidos às infra-estrutura frágeis de Porto Rico”.

Nesse sentido, o estudo destacou que 83% das famílias entrevistadas ficaram sem acesso à energia eléctrica durante os últimos três meses do ano passado.

Se estes dados forem confirmados, Maria teria provocado mais mortes que o Katrina, que arrasou Nova Orleães em 2005 e deixou um saldo de mais de 1.880 mortos.

ZAP // Deutsche Welle / Mashable

Por ZAP
30 Maio, 2018

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