4477: Alterações climáticas estão a prejudicar a nossa visibilidade para o espaço

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ESPAÇO

Todo o nosso conhecimento sobre o que nos rodeia espacialmente depende de telescópios. Isto, porque são a única forma de ver o que se passa por lá sem que seja necessária uma deslocação significativa. Para que eles obtenham um bom desempenho e nos mostrem boas imagens, têm de estar reunidas condições.

Aparentemente, não tem sido o caso e a nossa visibilidade para o espaço pode estar comprometida.

Alterações climáticas impactam a eficácia dos telescópios

Quando os equipamentos de alta tecnologia estão a ser concebidos, a temperatura torna-se uma grande preocupação. Aliás, quando esses aparelhos precisam de uma precisão acrescida para registar imagens espaciais, o cuidado é ainda maior.

Isto, porque as condições térmicas do ambiente que envolve os telescópios pode impactar a forma como estes se comportam opticamente. Além disso, é possível que essas condições, quando adversas, embaciem as imagens e as tornem menos claras e fidedignas. Ou seja, alguns telescópios não conseguem lidar com as temperaturas actuais, causadas pelas alterações climáticas.

Conforme revelado por uma investigação que envolveu décadas de observação do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, são vários os impactos das alterações climáticas na observação astronómica. Aquele é, como se sabe, o mais avançado observatório astronómico de luz visível do mundo todo.

Um problema que foi piorando à medida que as alterações climáticas se foram acentuando

Assim sendo, o estudo realizado ao longo de várias décadas conseguiu reunir várias razões para que as alterações climáticas estejam a afectar a capacidade de visualizar o espaço. Pese o facto de o telescópio em questão está localizado no deserto do Atacama, no Chile. Ou seja, além da região ter aquecido 1,5º C, nos últimos 40 anos, é o lugar mais seco do mundo. Assim, as alterações climáticas ali registadas vão de encontro às do resto do mundo, sendo a tendência 1º C.

As alterações climáticas estão a afectar e irão afectar cada vez mais as observações astronómicas, particularmente em termos de visão em cúpula, turbulência na camada superficial, vapor de água atmosférico e o efeito halo, despoletado pelo vento.

Disse o investigador principal do estudo, Faustine Cantalloube.

Quando o VLT foi instalado, em 1991, esta questão não era um problema. Todavia, em 2020, com as alterações climáticas, o sistema de arrefecimento pode, de facto, funcionar mal. Isto, porque a temperatura mais elevada pode provocar uma perda de resolução da imagem do telescópio, devido à diferença de temperatura entre a área fora da cúpula e dentro dela, fenómeno conhecido como Dome Seeing.

Além disto, o aumento da temperatura ambiente provocado pelas alterações climáticas torna a atmosfera menos clara. Assim, os astrónomos estão perante uma indefinição das imagens e uma diminuição da capacidade de o telescópio ver à distância.

Conforme explicado pelos autores do estudo, o aumento da precipitação e do movimento das nuvens pode também ter um impacto negativo. Assim que o clima global aquece, o movimento do fluxo e doutros padrões meteorológicos altera-se. Tendo em conta o local onde está localizado, o VLT é também prejudicado pela humidade.

Mensagem de alerta para acções de consciencialização 

Após exporem todos os problemas e desafios que o telescópio tem enfrentado, os astrónomos sugeriram que as futuras construções telescópicas devem ser planeadas e estudadas. Isto, para que não saiam mais vezes prejudicados pelas alterações climáticas que possam estar por vir.

Ademais, no final do documento sublinham a importância da realização de acções de consciencialização, a fim de promover uma mudança cultural maciça e combater as alterações climáticas.

Autor: Ana Sofia
11 Out 202

 

4458: Há 17 anos que Marte não estava tão perto (e só em 2035 voltará a estar)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Kevin Gill / Flickr

Esta semana, e durante o mês de Outubro, o planeta vermelho será mais visível a partir da Terra e está agora a brilhar intensamente. Há uns dias, Marte esteve mais perto da Terra do que nos últimos 17 anos, e do que estará nos próximos 15.

Não é novidade que Marte seja visível a partir da Terra. Mas durante o mês de Outubro, o segundo menor planeta do sistema solar atingirá o seu ponto mais alto no céu todos os dias por volta da meia-noite – aparecerá todas as noites no céu de leste e brilhará a oeste ao amanhecer.

De acordo com a CNN, Marte encontra-se, neste momento, um pouco a norte do equador celeste, o que significa que está quase perfeitamente posicionado para ser visto de ambos os hemisférios. Além disso, encontra-se numa região do céu que não tem estrelas brilhantes, o que o tornará inconfundível.

Este período de excelente visibilidade coincide com um evento chamado “Oposição de Marte”, que acontece a cada dois anos, quando a Terra se encontra entre Marte e o Sol.

Segundo a NASA, este evento acontecerá na terça-feira, dia 13 de Outubro, quando os três corpos celestes estiverem perfeitamente alinhados. Visto da Terra, Marte aparecerá numa posição completamente oposta à do Sol, razão pela qual os astrónomos dizem que está em ‘oposição’.

Nem Marte nem a Terra orbitam o Sol em círculos perfeitos e também não o fazem no mesmo plano. Ambos os planetas têm órbitas elípticas em forma de oval – a Terra demora 365 dias para completar uma volta ao Sol e Marte precisa de 687 dias -, o que significa que quando a Terra se aproxima do Sol, Marte se afasta do mesmo.

Neste mês, a sua proximidade ao Sol vai permitir uma iluminação quase frontal do planeta vermelho, com a luz solar a fazer com que o seu lindo brilho laranja-avermelhado seja superior.

Os dias em torno da oposição são, também, aqueles em que as órbitas de Marte e da Terra estão mais próximas uma da outra.

O planeta vermelho esteve a “apenas” 62 milhões de quilómetros de distância da Terra, às 15h18 do dia 6 de Outubro (hora de Portugal). Em 2003, o planeta fez a sua maior aproximação à Terra em 60 mil anos, chegando a uma distância de 56 milhões de quilómetros, mas não voltará a estar tão perto do nosso planeta até 2035.

Neste momento, o robô Perseverance da NASA está a voar pelo espaço e irá pousar em Marte em Fevereiro de 2021. A missão Marte 2020 da NASA é uma das várias missões a caminho de Marte, incluindo a sonda Hope dos Emirados Árabes Unidos e a Tianwen-1 da China. O Perserverance foi lançado no dia 30 de Julho, numa fase que permitia uma viagem mais rápida entre a Terra e Marte.

Também se poderá observar Júpiter e Saturno

Além de Marte, outros planetas iluminarão o céu durante este mês. Segundo a EarthSky, assim que Marte desaparecer de vista, Júpiter será um dos objectos mais brilhantes no céu nocturno e Saturno aparecerá ao lado dele.

Este raro acontecimento deve-se à conjunção de Júpiter e Saturno, que acontece por causa da proximidade entre os dois planetas gigantes e ocorre no dia 21 de Dezembro – a última vez foi há 20 anos.

Apesar de Júpiter ofuscar as estrelas e Saturno emitir um brilho dourado, em 2000 foi difícil observá-los, devido à sua proximidade ao Sol.

ZAP //

Por ZAP
8 Outubro, 2020