1166: DESCOBERTO O MAIOR PROTO-ENXAME DE GALÁXIAS

Com o auxílio do instrumento VIMOS, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma estrutura colossal no Universo primordial. O proto-super-enxame de galáxias — ao qual se chamou Hyperion — foi descoberto por meio de novas medições, às quais se juntaram análises complexas de dados de arquivo. Trata-se da maior e mais massiva estrutura alguma vez encontrada num tempo tão remoto e a uma distância tão grande — cerca de 2 mil milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: ESO/L. Calçada & Olga Cucciati et al.

Com o auxílio do instrumento VIMOS, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma estrutura colossal no Universo primordial. O proto-super-enxame de galáxias — ao qual se chamou Hyperion — foi descoberto por meio de novas medições, às quais se juntaram análises complexas de dados de arquivo. Trata-se da maior e mais massiva estrutura alguma vez encontrada num tempo tão remoto e a uma distância tão grande — cerca de 2 mil milhões de anos após o Big Bang.

Uma equipa de astrónomos, liderada por Olga Cucciati do Istituto Nazionale di Astrofísica (INAF), Bologna, em Itália, utilizou o instrumento VIMOS montado no VLT do ESO para identificar um gigantesco proto-super-enxame de galáxias a formar-se no Universo primordial — apenas 2,3 mil milhões de anos após o Big Bang. Esta estrutura, à qual os astrónomos deram o nome de Hyperion, trata-se da maior e mais massiva estrutura encontrada tão cedo na formação do Universo (o nome Hyperion foi escolhido com base num titã da mitologia grega, devido ao enorme tamanho e massa do proto-super-enxame. A inspiração para esta nomenclatura mitológica vem de um proto-enxame anteriormente descoberto no interior de Hyperion, ao qual se chamou Colosso. Às regiões individuais de alta densidade no Hyperion foram dados nomes mitológicos tais como Teia, Eos, Selene e Hélios). Calcula-se que a enorme massa do proto-super-enxame seja mais de um milhar de biliões de vezes a do Sol. Esta massa colossal é semelhante à das maiores estruturas observadas no Universo actual, no entanto a descoberta de um tal objecto tão massivo no Universo primordial foi surpreendente.

“Trata-se da primeira vez que uma estrutura tão grande foi identificada a um desvio para o vermelho tão elevado, correspondente a um pouco mais de 2 mil milhões de anos após o Big Bang,” explicou Olga Cucciati, primeira autora do artigo científico que descreve estes resultados. “Normalmente este tipo de estruturas são conhecidas, mas a desvios para o vermelho mais baixos, o que corresponde a uma altura em que o Universo teve muito mais tempo para se desenvolver e construir algo tão grande. Foi uma surpresa encontrar uma estrutura tão evoluída quando o Universo era ainda relativamente jovem!”

Situado no campo COSMOS na constelação do Sextante, Hyperion foi identificado ao analisar uma enorme quantidade de dados obtidos durante o Rastreio Ultra-profundo do VIMOS, liderado por Olivier Le Fèvre (Aix-Marseille Université, CNRS, CNES). Este rastreio fornece-nos um mapa tridimensional sem precedentes da distribuição de mais de 10.000 galáxias no Universo longínquo.

A equipa descobriu que Hyperion possui uma estrutura muito complexa, que contém pelo menos sete regiões de alta densidade ligadas por filamentos de galáxias e que o seu tamanho é comparável ao de super-enxames próximos, apesar da estrutura ser muito diferente.

“Os super-enxames mais próximos da Terra tendem a apresentar uma distribuição de massas muito mais concentrada, com estruturas bem definidas,” explica Brian Lemaux, astrónomo na Universidade da Califórnia, Davis, e LAM, e membro da equipa responsável por esta descoberta. “Mas em Hyperion, a massa encontra-se distribuída de forma muito mais uniforme numa série de nodos ligados, povoados por associações pouco agregadas de galáxias.”

Esta diferença deve-se muito provavelmente ao facto dos super-enxames próximos terem tido milhares de milhões de anos para juntar a matéria em regiões mais densas por efeito da gravidade — um processo que actua há muito menos tempo no jovem Hyperion.

Dado o enorme tamanho que apresenta já tão cedo na história do Universo, espera-se que Hyperion se desenvolva em algo semelhante às imensas estruturas do Universo local, tais como os super-enxames que compõem a Grande Muralha Sloan ou o Super-enxame de Virgem, que contém a nossa própria Galáxia, a Via Láctea. “Compreender Hyperion e ver como se compara a estruturas semelhantes recentes pode dar-nos pistas sobre como é que o Universo se desenvolveu no passado e como evoluirá no futuro, dando-nos ainda a oportunidade de desafiar alguns modelos de formação de super-enxames,” conclui Cucciati. “A descoberta deste titã cósmico ajuda-nos a descobrir a história destas estruturas de larga escala.”

Astronomia On-line
19 de Outubro de 2018

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