3343: Vikings desapareceram da Gronelândia (e as morsas podem ajudar a explicar porquê)

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

nubui / Flickr

O colapso das colónias nórdicas da Gronelândia e o desaparecimento inexplicável dos Vikings que por lá viviam continua a ser um grande mistério. Mas, agora, investigadores sugerem que isso pode ter sido desencadeado, em parte, pela exploração excessiva do seu recurso mais valioso: as morsas.

Segundo a revista Newsweek, o marfim da morsa era comercializado na Europa, no início do período medieval, para ser usado em objectos como crucifixos e peças de jogos. As povoações nórdicas da Gronelândia mantinham uma espécie de monopólio sobre o produto, mas, apesar do sucesso, também pode ter sido esta grande procura que ditou a sua queda.

A análise de produtos de marfim desta época sugere que os comerciantes dependiam cada vez mais de animais menores, frequentemente fêmeas de regiões mais a norte. Por outras palavras, isto significava uma jornada mais longa e também mais perigosa que, muitas vezes, se traduzia depois numa recompensa menor.

A equipa de cientistas do Reino Unido e da Noruega analisou 67 peças de rostro — uma parte do crânio e focinho — que datam dos séculos XI e XV. Uma combinação do ADN e isótopos estáveis foi usada para determinar o sexo e a geografia do animal.

Os resultados dessa análise sugerem uma mudança para animais de um ramo evolutivo de morsa encontrado predominantemente na área ao redor da Baffin Bay, no noroeste do país. Essa teoria é apoiada pela presença de artefactos nórdicos entre os restos dos povoamentos dos Inuítes dos séculos XIII e XIV, dizem os investigadores.

Uma proporção mais alta de fêmeas sugere que houve uma pressão sobre os recursos, provavelmente causada pela exploração excessiva das populações de morsas — embora as mudanças climáticas (a chamada “Pequena Era do Gelo”) também possam ter contribuído.

À medida que a cadeia de suprimentos diminuía, parece ter havido uma preferência crescente na Europa continental pela presa de elefante, trazida pelas rotas comerciais da África Ocidental.

“Apesar de uma queda significativa, as evidências indicam que a exploração de morsas pode até ter aumentado durante os séculos XIII e XIV”, afirma James H. Barrett, investigador do departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge que liderou o estudo publicado na revista científica Quaternary Science Reviews.

“Enquanto os gronelandeses perseguiam as populações de morsas empobrecidas sempre para norte, para um retorno cada vez menor, deve ter chegado a um ponto em que era insustentável. Acreditamos que essa ‘maldição de recursos’ minou a resiliência das colónias da Gronelândia”.

O resultado foi uma “tempestade perfeita” entre menos recursos e menos procura, exacerbada ainda mais pelas alterações climáticas, que há muito se propõem como uma das razões do desaparecimento do povo nórdico na Gronelândia no século XV.

Os Vikings podem ter levado as morsas da Islândia à extinção

Uma investigação recente indica que a colonização da Islândia pelos Vikings pode ter levado a extinção da morda no país…

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

spacenews

 

3078: Tesouro viking que poderia reescrever a História foi roubado

HISTÓRIA

(dr) Michael Zeno Diemer (1911)

Dois homens encontraram um tesouro viking avaliado em três milhões de libras (cerca de 3,5 milhões de euros) que podia fornecer novas informações sobre a criação de Inglaterra como um único reino.

George Powell e Layton Davies, dois “detectives de metais”, desenterraram em 2015 cerca de 300 moedas num campo em Eye, na região inglesa de Herefordshire, não declararam a descoberta e venderam-na.

Agora, de acordo com o Diário de Notícias, foram condenados por roubo e por ocultar a descoberta, assim como os revendedores. Powell foi condenado a 10 anos de prisão, enquanto Davies foi condenado a 8,5 anos, de acordo com o Newsweek.

Em causa estava um tesouro viking avaliado em três milhões de libras (cerca de 3,5 milhões de euros) que incluía um anel de ouro do século IX, uma bracelete com a cabeça de um dragão, outros objectos e 31 moedas. Algumas jóias foram recuperadas.

Em declarações à BBC, vários especialistas disseram que as moedas, que são saxónicas e que se crê terem sido escondidas por um viking, poderão ajudar a reescrever a história. “Estas moedas permitem-nos reinterpretar a nossas história num momento fundamental da criação de Inglaterra como um único reino”, afirmou Gareth Williams, curador das primeiras moedas medievais do British Museum.

As moedas recuperadas foram emitidas por dois reinos vizinhos no final do século IX, Wessex e Mercia, o que poderá indiciar uma aliança que antes não se pensava existir entre os respetivos reis. Na altura, Wessex era governado por Alfred, o Grande, e Mércia por Ceolwulf II, que “desapareceu da história sem deixar rasto” quando o tesouro foi enterrado por volta de 879. “O que as moedas mostram, apesar de possíveis dúvidas, é que havia realmente uma aliança entre Alfred e Ceolwulf”, disse.

“Esta é uma descoberta de importância nacional a partir de um momento chave na unificação de Inglaterra e aconteceu justamente no momento em que os vikings estavam a lançar um forte ataque”, disse Gareth Williams, que acredita que o tesouro foi enterrado por um viking. “Provavelmente foi enterrado para preservá-lo de outros vikings e anglo-saxónicos e por qualquer motivo a pessoa que o enterrou não conseguiu voltar a recuperá-lo”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
22 Novembro, 2019

 

3030: Cientistas reconstruiram a cara mutilada de uma guerreira Viking

CIÊNCIA

(dr) National Geographic

Um esqueleto encontrado num cemitério Viking em Solør, na Noruega, tinha sido identificado como sendo de uma mulher há vários anos, mas os especialistas não tinham a certeza se tinha sido verdadeiramente uma guerreira.

Agora, a reconstrução da sua face mutilada parece confirmar o seu estatuto. Ao jornal britânico The Guardian, Ella Al-Shamahi, arqueóloga, explicou que que esta última parte só estava em disputa “porque a ocupante era uma mulher” – apesar do seu local de enterro estar preenchido com um arsenal de armas que incluía flechas, espada, escudo, lança e um machado.

Cientistas britânicos assumem que o aparente ferimento na cabeça no seu crânio tenha tido origem numa espada, embora ainda não se saiba se essa foi a causa da morte da mulher. O exame aos seus restos mortais mostrou sinais de cura, o que pode indicar que essa lesão era muito mais antiga.

No entanto, a reconstrução facial 3D trouxe o seu rosto completo de lacerações brutais de volta à vida depois de mais de mil anos. Al-Shamahi acredita que esta é “a primeira evidência já encontrada de uma mulher viking com um ferimento de batalha“.

Para Al-Shamahi, olhar para a reconstrução da mulher, cujos restos mortais estão agora preservados no Museu de História Cultural de Oslo, foi uma vitória científica.

Caroline Erin, que trabalhou na reconstrução na Universidade de Dundee, no Centro de Anatomia e Identificação Humana, deixou claro que os resultados não são perfeitos. O processo começou por adicionar tecido muscular e depois estratificar a pele. “A reconstrução resultante nunca é 100% precisa, mas é suficiente para gerar reconhecimento de alguém que os conhecia bem na vida real”, explicou.

“Estou tão empolgada porque este rosto não era visto há mil anos”, disse Al-Shamahi. “De repente, tornou-se realmente real”, disse, acrescentando que o túmulo estava “completamente cheio de armas”. Segundo o Ancient Origins, muitos guerreiros vikings acreditavam que as armas poderiam ser usadas na vida após a morte.

Para o especialista em Vikings e consultor arqueológico do projecto, Neil Price, estas últimas descobertas são apenas o começo. Price acredita que as mulheres desempenharam um papel substancial na guerra viking.

Al-Shamahi deverá apresentar um próximo documentário da National Geographic sobre a conquista.

Esta evidência contraria a ideia de que as mulheres Viking não eram guerreiras. Mas, de acordo com o All That’s Interesting, não é a primeira vez que esse conceito é contrariado, uma vez que, em 2017, um teste de ADN confirmou que um esqueleto Viking enterrado com armas e cavalos na Suécia era, ao contrário do que se pensava, do sexo feminino.

ZAP //

Por ZAP
15 Novembro, 2019

 

2919: Os Vikings podem ter levado as morsas da Islândia à extinção

CIÊNCIA

nubui / Flickr

Uma investigação recente indica que a colonização da Islândia pelos Vikings pode ter levado a extinção da morda no país insular.

A Islândia foi a casa de uma subespécie de morsa que desapareceu em meados do século XIV, 500 anos depois a chegada dos colonos nórdicos ao país.

Esta descoberta, publicada recentemente na Molecular Biology and Evolution, sugere que os caçadores foram os principais responsáveis pelo desaparecimento do animal, apresentando evidências claras de que os seres humanos começaram a extinguir mamíferos marinhos mais cedo do que se pensava.

Os cientistas sabiam que aquela subespécie tinha vivido na Islândia, mas não tinham a certeza se os animais tinham desaparecido antes ou depois da chegada dos seres humanos. Para pôr fim à incógnita, Morten Tange Olsen e Xénia Keighley, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, dataram os restos de 34 morsas encontradas no oeste da Islândia.

Três das morsas analisadas morreram após o ano de 874 – data em que se pensa que os colonos chegaram à Islândia – e as mais jovens datam entre 1213 e 1330. Isto significa que as morsas islandesas sobreviveram durante alguns séculos após a chegada dos humanos.

O ADN foi extraído de amostras de morsas encontradas em ambientes naturais e escavações arqueológicas. Posteriormente, os resultados foram comparados com os dados de morsas contemporâneas, revelando que as morsas islandesas constituíam uma linhagem geneticamente única, distinta de todas as outras populações históricas e actuais de morsas no Atlântico Norte.

Na Era Viking e na Europa Medieval, o marfim da morsa era um artigo de luxo de alta demanda. Segundo o New Scientist, esta caça à morsa é descrita numa saga islandesa do final do século XII: diz-se que o crânio e as presas da morsa foram enviados para Canterbury, no Reino Unido, para homenagear o arcebispo Thomas Becket, assassinado na catedral da cidade em 1170.

Por causa destes relatos, e por saberem que o marfim era uma mercadoria muito valiosa naquela época, Olsen e Keighley defendem que os colonos foram os responsáveis pelo desaparecimento das morsas islandesas. Ainda assim, os cientistas colocam em cima da mesa uma teoria alternativa: os animais podem ter fugido quando os seres humanos chegaram, como aconteceu noutras partes do Atlântico Norte.

Mas Keighley não acredita nesta teoria, principalmente devido à descoberta adicional que sugere que os animais, apesar de pertencerem a uma subespécie de morsa do Atlântico, apresentam uma assinatura genética dentro dessa subespécie diferente de qualquer outra.

Como a equipa não encontrou esta assinatura de ADN noutros lugares, isso indica que as morsas da Islândia não fugiram nem se juntaram a outras comunidades. Em vez disso, desapareceram – o que parece favorecer a teoria de que foram caçadas até à extinção.

Bastiaan Star, da Universidade de Oslo, na Noruega, diz que estes dados genéticos são intrigantes, mas ressalta que a análise foi realizada em ADN mitocondrial, que fornece informações relativamente limitadas.

Os seres humanos estão a levar animais terrestres à extinção há dezenas de milhares de anos, mas Olsen afirma que a sabedoria convencional indica que começamos a ter um impacto semelhante nas espécies marinhas há cerca de 500 anos. As morsas islandesas, extintas há cerca de 700 anos, desafiam este princípio.

ZAP //

Por ZAP
28 Outubro, 2019

 

2769: “Casa dos Mortos” encontrada na Noruega pode desvendar novos segredos da Era Viking

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Pouco se sabe sobre as morgues – ou “casa dos mortos” – vikings. Esta nova descoberta aponta uma diversidade nas práticas funerárias vikings até agora desconhecida, que vai muito além do uso de barcos, em simbologia da travessia para o outro lado da vida. 

Durante a construção de uma estrada na província de Trondelag, na Noruega, foi encontrado um cemitério no território da fazenda medieval de Vinjeora. Depois de várias escavações, ficou claro que não se tratava de um cemitério comum, mas sim de uma morgue da Era Viking.

Esta rara descoberta consiste numa construção de cerca de cinco metros de comprimento e meio metro de largura. De acordo com os arqueólogos que trabalharam no local, o prédio tinha colunas nos seus quatro cantos, que sustentavam um telhado de tábuas. À excepção de alguns tijolos, as paredes e o tecto do prédio já não estão preservados há muito tempo.

Vikinger i krig

Spenner funn av et dødehus fra vikingtid

FANT HUS MIDT I GRAVHAUG: Den døde ble sannsynligvis gravlagt inne i huset. Foto: Raymond Sauvage / NTNU Vitenskapsmuseet

Raymond Sauvage, arqueólogo do Museu Científico da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega, disse à NRK que “esta descoberta é muito interessante”, na medida em que o condado de Vinjeora foi um assentamento viking. Nos campos de Vinjeora foram encontrados até sete cemitérios, invisíveis aos olhos leigos por causa do impacto de vários anos de actividade agrícola.

Os arqueólogos encontraram na região tanto barcos quanto caixões, o que sugere que os vikings velavam os mortos de várias maneiras. “Já sabíamos que, naquela altura, as pessoas eram veladas em barcos. Mas agora sabemos que alguns poderiam ser velados em covas”, afirmou o arqueólogo, citado pela Sputnik News.

“Alguns eram, inclusive, cremados. Somando todas as informações, temos um quadro muito interessante. Esperamos que isto possa melhorar a nossa percepção sobre a Era Viking na Escandinávia”, acrescentou Sauvage.

Fant sjeldent dødehus

Inne i gravhaugen fant arkeologene restene av et sjeldent dødehus fra vikingtida.– Vi kjenner jo til at folk ble begravd i båter. Nå forstår vi at noen også fikk et hus med seg i graven, sier Raymond Sauvage.Les mer her: https://www.nrk.no/viten/arkeologer-ved-ntnu-vitenskapsmuseet-har-funnet-restene-fra-et-sjeldent-dodehus-fra-vikingtiden-1.14707210

Publicado por NRK Viten em Quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Até agora, foram descobertas 15 morgues na Noruega. Apesar da descoberta de construções semelhantes noutros pontos da Escandinávia, como na Suécia e na Dinamarca, este fenómeno ainda é pouco conhecido.

Há quem acredite que estas “casas” desempenharam papel simbólico, semelhante à prática de despachar cadáveres em barcos, simbolizando a travessia final.

Marianne Hem Eriksem, do Museu de História Cultural de Oslo, sugeriu que as “casas dos mortos” fossem um local ritualístico, cuja função seria acompanhar a transição entre a morte biológica e a morte social. “Talvez fossem locais para se despedirem, limpar e vestir os cadáveres, antes do momento do enterro”, explicou.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2712: Os Vikings usavam uma planta alucinogéna para induzir raiva aos seus guerreiros (e já se sabe qual era)

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Diz-se que os guerreiros Vikings lutavam com tanta ferocidade e vigor que uivavam como bestas selvagens e até mordiam os seus próprios escudos com raiva. Agora, já se sabe onde a iam buscar.

De acordo com registos históricos, contados pelo Newsweek, os Vikings entravam em combate em estado de transe e vestidos apenas com peles de animal e o típico capacete com chifres.

Os guerreiros eram chamados de berserkers e os relatos deles datam do século IX. Um etnobiólogo propôs uma possível fonte da sua raiva em estado de transe: uma planta chamada Hyoscyamus niger, conhecida pelo nome comum de meimendro.

De acordo com o artigo publicado na revista especializada Journal of Ethnopharmacology, Karsten Fatur, da Universidade de Ljubljana, na Eslovénia, desafia as suposições tradicionais de que o transe foi induzido por histeria auto-provocada, epilepsia, doença mental, grandes quantidades de álcool ou – como mais se acreditava – uma espécie de cogumelo com propriedades alucinogénas.

O cogumelo – amanita muscaria – é tóxico – mas diz-se que pode ser consumido se tratado adequadamente. De facto, sabe-se que as comunidades da Sibéria e da Ásia Central usam os fungos pelas suas propriedades psicoactivas, que induzem sentimentos de euforia, alucinações, sonolência, vermelhidão e rubor muscular, entre outras coisas.

Estes sintomas espelham descrições dos vikings durante uma das suas fúria induzida por transe. Isso inclui delírio, espasmos, uma mudança de cor no rosto e um estado alterado de consciência seguido de fraqueza.

Anneli Salo / Wikimedia
Hyoscyamus niger, conhecida pelo nome comum de meimendro

Mas Fatur argumenta que os efeitos do henbane são uma combinação melhor. Além disso, é muito mais comum na Escandinávia do que o cogumelo amanita muscaria, segundo o investigador.

O nosso conhecimento sobre os vikings, registos que remontam ao século IX, está cheio de buracos e o que sabemos baseia-se principalmente em relatos de primeira mão registados por mitos e sagas nórdicos – e mesmo estes nem sempre concordam com muitos detalhes além da raiva sedenta de sangue.

Uma do rei Hálfdan na saga de Hrólf, por exemplo, descreve-os assim: “Sobre esses gigantes caíam às vezes uma fúria que não podiam controlar eles mesmos, mas mataram homens ou gado, o que quer que viesse no seu caminho e não se tratasse. Enquanto essa fúria durou, não tiveram medo de nada, mas quando os deixou, eram tão impotentes que não tinham metade das suas forças e eram tão fracos como se tivessem acabado de sair da cama devido a uma doença. Essa fúria durava cerca de um dia”.

Segundo relatos históricos, a condição dessa fúria começou com tremores, batidas de dentes e um calafrio geral. O rosto inchava e fica avermelhado, seguido por uma raiva intensa durante a qual os Vikings não conseguiam distinguir o amigo do inimigo. Quando a raiva diminuía, os guerreiros foram deixados fracos, às vezes durante vários dias.

Henbane pode causar sentimentos de delírio, perda de inibição e episódios maníacos. Também pode desencadear distúrbios visuais, alucinações, sonolência e pele avermelhada, além de dores – o que explicaria a aparente invulnerabilidade dos guerreiros.

O uso do Henbane pode criar efeitos colaterais muito depois de os efeitos iniciais desaparecem, o que Fatur diz que o amanita muscaria não faz. Mas, como Jennifer Oullette, da Ars Technica, ressalta, não responde por todos os sintomas, como, por exemplo, o barulho dos dentes.

Por agora, o henbane é mais uma hipótese a ser adicionada à lista do que provocava a raiva dos Vikings.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2019

 

1160: Arqueólogos descobrem raro navio ritual viking na Noruega

CIÊNCIA

NIKU
A embarcação foi descoberta com a ajuda de imagens de radar

Um grupo de arqueólogos descobriu um navio viking enterrado na Noruega. A enorme embarcação foi utilizada há mais de mil anos numa cerimónia fúnebre, tendo servido como o local de descanso final para rei ou rainha viking.

A descoberta foi anunciada nesta segunda-feira pelo Instituto Norueguês para a Pesquisa do Património Cultural (NIKU), que confirmou que o túmulo viking foi encontrado na cidade de Halden, a sudeste de Oslo.

“No meio da sepultura descobrimos uma coisa a que chamamos anomalia, que se destinge dos demais vestígios e tem, claramente, a forma de um barco viking“, explicou o arqueólogo Knut Paasche do NIKU em declarações à AFP.

Paasche esclareceu que estes barcos funcionavam como caixões para os vikings, servindo como lugar de descanso eterno para alguém poderoso dentro da comunidade. “Havia um rei, uma rainha ou um chefe local a bordo”, acrescentou.

De acordo com os especialistas, a descoberta recorreu a imagens de radar que revelaram que a embarcação tem cerca de 20 metros de comprimento, tendo sido encontrada a 50 centímetros abaixo do solo.

As quilhas do navio, bem como o seu assoalho, estão completamente intacto, não sendo ainda, contudo, possível precisar quão bem preservado está toda a embarcação. Em igual sentido, os arqueólogos não sabem exactamente de quando é que é datado, mas acreditam que tenha sido usado há mais de mil anos, de acordo com a National Geographic.

O navio encontrado faz parte de um cemitério que contém, pelo menos, oito pilhas funerárias (mound) – colinas de terra em forma de cúpula com pedras empilhadas sobre os túmulos -, segundo as imagens recolhidas. Perto do cemitério, foram ainda detectadas cinco longhouses (casas onde vivem várias famílias) viking.

“O enterro de navios não existe de forma isolada, este faz antes parte de um cemitério projectado claramente para mostrar poder e influência”, acrescentou Lars Gustavsen, arqueólogo do Instituto.

O recém-descoberto cemitério, bem como os lugares onde viviam, foram encontrados perto de um outro túmulo já escavado que data de há 1500 anos, o Jell Mound. De acordo com relatos locais, o túmulo terá sido construído para o rei Jell.

Rara descoberta

Os vikings foram exploradores, guerreiros e navegadores nórdicos que conquistaram  novos territórios durante a época medieval. Entre os séculos VIII e XI, navegaram por vários mares, somando inúmeras invasões principalmente nas grandes áreas da Europa.

Este povo tinha por hábito enterrar os seus reis e chefes num navio, que era usado como caixão. No entanto, e até ao momento, apenas foram encontrados três barcos vikings em boas condições de conservação na Noruega. O último, o navio Oseberg, foi encontrado em 1903. Todos as embarcações estão expostas num museu perto de Oslo.

“Precisamos de outras descobertas para poder dizer como é que estes navios eram e para determinar como é que os vikings navegavam”, concluiu Paasche.

De acordo com o Niku, e tendo em conta o tamanho da embarcação, além de rara, este pode ser o maior navio viking já encontrado no país. Pelo menos para já, os arqueólogos não tencionam escavar o local.

ZAP // Live Science / National Geographic

Por ZAP
18 Outubro, 2018

[vasaioqrcode]