2919: Os Vikings podem ter levado as morsas da Islândia à extinção

CIÊNCIA

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Uma investigação recente indica que a colonização da Islândia pelos Vikings pode ter levado a extinção da morda no país insular.

A Islândia foi a casa de uma subespécie de morsa que desapareceu em meados do século XIV, 500 anos depois a chegada dos colonos nórdicos ao país.

Esta descoberta, publicada recentemente na Molecular Biology and Evolution, sugere que os caçadores foram os principais responsáveis pelo desaparecimento do animal, apresentando evidências claras de que os seres humanos começaram a extinguir mamíferos marinhos mais cedo do que se pensava.

Os cientistas sabiam que aquela subespécie tinha vivido na Islândia, mas não tinham a certeza se os animais tinham desaparecido antes ou depois da chegada dos seres humanos. Para pôr fim à incógnita, Morten Tange Olsen e Xénia Keighley, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, dataram os restos de 34 morsas encontradas no oeste da Islândia.

Três das morsas analisadas morreram após o ano de 874 – data em que se pensa que os colonos chegaram à Islândia – e as mais jovens datam entre 1213 e 1330. Isto significa que as morsas islandesas sobreviveram durante alguns séculos após a chegada dos humanos.

O ADN foi extraído de amostras de morsas encontradas em ambientes naturais e escavações arqueológicas. Posteriormente, os resultados foram comparados com os dados de morsas contemporâneas, revelando que as morsas islandesas constituíam uma linhagem geneticamente única, distinta de todas as outras populações históricas e actuais de morsas no Atlântico Norte.

Na Era Viking e na Europa Medieval, o marfim da morsa era um artigo de luxo de alta demanda. Segundo o New Scientist, esta caça à morsa é descrita numa saga islandesa do final do século XII: diz-se que o crânio e as presas da morsa foram enviados para Canterbury, no Reino Unido, para homenagear o arcebispo Thomas Becket, assassinado na catedral da cidade em 1170.

Por causa destes relatos, e por saberem que o marfim era uma mercadoria muito valiosa naquela época, Olsen e Keighley defendem que os colonos foram os responsáveis pelo desaparecimento das morsas islandesas. Ainda assim, os cientistas colocam em cima da mesa uma teoria alternativa: os animais podem ter fugido quando os seres humanos chegaram, como aconteceu noutras partes do Atlântico Norte.

Mas Keighley não acredita nesta teoria, principalmente devido à descoberta adicional que sugere que os animais, apesar de pertencerem a uma subespécie de morsa do Atlântico, apresentam uma assinatura genética dentro dessa subespécie diferente de qualquer outra.

Como a equipa não encontrou esta assinatura de ADN noutros lugares, isso indica que as morsas da Islândia não fugiram nem se juntaram a outras comunidades. Em vez disso, desapareceram – o que parece favorecer a teoria de que foram caçadas até à extinção.

Bastiaan Star, da Universidade de Oslo, na Noruega, diz que estes dados genéticos são intrigantes, mas ressalta que a análise foi realizada em ADN mitocondrial, que fornece informações relativamente limitadas.

Os seres humanos estão a levar animais terrestres à extinção há dezenas de milhares de anos, mas Olsen afirma que a sabedoria convencional indica que começamos a ter um impacto semelhante nas espécies marinhas há cerca de 500 anos. As morsas islandesas, extintas há cerca de 700 anos, desafiam este princípio.

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28 Outubro, 2019

 

2769: “Casa dos Mortos” encontrada na Noruega pode desvendar novos segredos da Era Viking

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Pouco se sabe sobre as morgues – ou “casa dos mortos” – vikings. Esta nova descoberta aponta uma diversidade nas práticas funerárias vikings até agora desconhecida, que vai muito além do uso de barcos, em simbologia da travessia para o outro lado da vida. 

Durante a construção de uma estrada na província de Trondelag, na Noruega, foi encontrado um cemitério no território da fazenda medieval de Vinjeora. Depois de várias escavações, ficou claro que não se tratava de um cemitério comum, mas sim de uma morgue da Era Viking.

Esta rara descoberta consiste numa construção de cerca de cinco metros de comprimento e meio metro de largura. De acordo com os arqueólogos que trabalharam no local, o prédio tinha colunas nos seus quatro cantos, que sustentavam um telhado de tábuas. À excepção de alguns tijolos, as paredes e o tecto do prédio já não estão preservados há muito tempo.

Vikinger i krig

Spenner funn av et dødehus fra vikingtid

FANT HUS MIDT I GRAVHAUG: Den døde ble sannsynligvis gravlagt inne i huset. Foto: Raymond Sauvage / NTNU Vitenskapsmuseet

Raymond Sauvage, arqueólogo do Museu Científico da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega, disse à NRK que “esta descoberta é muito interessante”, na medida em que o condado de Vinjeora foi um assentamento viking. Nos campos de Vinjeora foram encontrados até sete cemitérios, invisíveis aos olhos leigos por causa do impacto de vários anos de actividade agrícola.

Os arqueólogos encontraram na região tanto barcos quanto caixões, o que sugere que os vikings velavam os mortos de várias maneiras. “Já sabíamos que, naquela altura, as pessoas eram veladas em barcos. Mas agora sabemos que alguns poderiam ser velados em covas”, afirmou o arqueólogo, citado pela Sputnik News.

“Alguns eram, inclusive, cremados. Somando todas as informações, temos um quadro muito interessante. Esperamos que isto possa melhorar a nossa percepção sobre a Era Viking na Escandinávia”, acrescentou Sauvage.

Fant sjeldent dødehus

Inne i gravhaugen fant arkeologene restene av et sjeldent dødehus fra vikingtida.– Vi kjenner jo til at folk ble begravd i båter. Nå forstår vi at noen også fikk et hus med seg i graven, sier Raymond Sauvage.Les mer her: https://www.nrk.no/viten/arkeologer-ved-ntnu-vitenskapsmuseet-har-funnet-restene-fra-et-sjeldent-dodehus-fra-vikingtiden-1.14707210

Publicado por NRK Viten em Quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Até agora, foram descobertas 15 morgues na Noruega. Apesar da descoberta de construções semelhantes noutros pontos da Escandinávia, como na Suécia e na Dinamarca, este fenómeno ainda é pouco conhecido.

Há quem acredite que estas “casas” desempenharam papel simbólico, semelhante à prática de despachar cadáveres em barcos, simbolizando a travessia final.

Marianne Hem Eriksem, do Museu de História Cultural de Oslo, sugeriu que as “casas dos mortos” fossem um local ritualístico, cuja função seria acompanhar a transição entre a morte biológica e a morte social. “Talvez fossem locais para se despedirem, limpar e vestir os cadáveres, antes do momento do enterro”, explicou.

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4 Outubro, 2019

 

2712: Os Vikings usavam uma planta alucinogéna para induzir raiva aos seus guerreiros (e já se sabe qual era)

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Diz-se que os guerreiros Vikings lutavam com tanta ferocidade e vigor que uivavam como bestas selvagens e até mordiam os seus próprios escudos com raiva. Agora, já se sabe onde a iam buscar.

De acordo com registos históricos, contados pelo Newsweek, os Vikings entravam em combate em estado de transe e vestidos apenas com peles de animal e o típico capacete com chifres.

Os guerreiros eram chamados de berserkers e os relatos deles datam do século IX. Um etnobiólogo propôs uma possível fonte da sua raiva em estado de transe: uma planta chamada Hyoscyamus niger, conhecida pelo nome comum de meimendro.

De acordo com o artigo publicado na revista especializada Journal of Ethnopharmacology, Karsten Fatur, da Universidade de Ljubljana, na Eslovénia, desafia as suposições tradicionais de que o transe foi induzido por histeria auto-provocada, epilepsia, doença mental, grandes quantidades de álcool ou – como mais se acreditava – uma espécie de cogumelo com propriedades alucinogénas.

O cogumelo – amanita muscaria – é tóxico – mas diz-se que pode ser consumido se tratado adequadamente. De facto, sabe-se que as comunidades da Sibéria e da Ásia Central usam os fungos pelas suas propriedades psicoactivas, que induzem sentimentos de euforia, alucinações, sonolência, vermelhidão e rubor muscular, entre outras coisas.

Estes sintomas espelham descrições dos vikings durante uma das suas fúria induzida por transe. Isso inclui delírio, espasmos, uma mudança de cor no rosto e um estado alterado de consciência seguido de fraqueza.

Anneli Salo / Wikimedia
Hyoscyamus niger, conhecida pelo nome comum de meimendro

Mas Fatur argumenta que os efeitos do henbane são uma combinação melhor. Além disso, é muito mais comum na Escandinávia do que o cogumelo amanita muscaria, segundo o investigador.

O nosso conhecimento sobre os vikings, registos que remontam ao século IX, está cheio de buracos e o que sabemos baseia-se principalmente em relatos de primeira mão registados por mitos e sagas nórdicos – e mesmo estes nem sempre concordam com muitos detalhes além da raiva sedenta de sangue.

Uma do rei Hálfdan na saga de Hrólf, por exemplo, descreve-os assim: “Sobre esses gigantes caíam às vezes uma fúria que não podiam controlar eles mesmos, mas mataram homens ou gado, o que quer que viesse no seu caminho e não se tratasse. Enquanto essa fúria durou, não tiveram medo de nada, mas quando os deixou, eram tão impotentes que não tinham metade das suas forças e eram tão fracos como se tivessem acabado de sair da cama devido a uma doença. Essa fúria durava cerca de um dia”.

Segundo relatos históricos, a condição dessa fúria começou com tremores, batidas de dentes e um calafrio geral. O rosto inchava e fica avermelhado, seguido por uma raiva intensa durante a qual os Vikings não conseguiam distinguir o amigo do inimigo. Quando a raiva diminuía, os guerreiros foram deixados fracos, às vezes durante vários dias.

Henbane pode causar sentimentos de delírio, perda de inibição e episódios maníacos. Também pode desencadear distúrbios visuais, alucinações, sonolência e pele avermelhada, além de dores – o que explicaria a aparente invulnerabilidade dos guerreiros.

O uso do Henbane pode criar efeitos colaterais muito depois de os efeitos iniciais desaparecem, o que Fatur diz que o amanita muscaria não faz. Mas, como Jennifer Oullette, da Ars Technica, ressalta, não responde por todos os sintomas, como, por exemplo, o barulho dos dentes.

Por agora, o henbane é mais uma hipótese a ser adicionada à lista do que provocava a raiva dos Vikings.

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26 Setembro, 2019

 

1160: Arqueólogos descobrem raro navio ritual viking na Noruega

CIÊNCIA

NIKU
A embarcação foi descoberta com a ajuda de imagens de radar

Um grupo de arqueólogos descobriu um navio viking enterrado na Noruega. A enorme embarcação foi utilizada há mais de mil anos numa cerimónia fúnebre, tendo servido como o local de descanso final para rei ou rainha viking.

A descoberta foi anunciada nesta segunda-feira pelo Instituto Norueguês para a Pesquisa do Património Cultural (NIKU), que confirmou que o túmulo viking foi encontrado na cidade de Halden, a sudeste de Oslo.

“No meio da sepultura descobrimos uma coisa a que chamamos anomalia, que se destinge dos demais vestígios e tem, claramente, a forma de um barco viking“, explicou o arqueólogo Knut Paasche do NIKU em declarações à AFP.

Paasche esclareceu que estes barcos funcionavam como caixões para os vikings, servindo como lugar de descanso eterno para alguém poderoso dentro da comunidade. “Havia um rei, uma rainha ou um chefe local a bordo”, acrescentou.

De acordo com os especialistas, a descoberta recorreu a imagens de radar que revelaram que a embarcação tem cerca de 20 metros de comprimento, tendo sido encontrada a 50 centímetros abaixo do solo.

As quilhas do navio, bem como o seu assoalho, estão completamente intacto, não sendo ainda, contudo, possível precisar quão bem preservado está toda a embarcação. Em igual sentido, os arqueólogos não sabem exactamente de quando é que é datado, mas acreditam que tenha sido usado há mais de mil anos, de acordo com a National Geographic.

O navio encontrado faz parte de um cemitério que contém, pelo menos, oito pilhas funerárias (mound) – colinas de terra em forma de cúpula com pedras empilhadas sobre os túmulos -, segundo as imagens recolhidas. Perto do cemitério, foram ainda detectadas cinco longhouses (casas onde vivem várias famílias) viking.

“O enterro de navios não existe de forma isolada, este faz antes parte de um cemitério projectado claramente para mostrar poder e influência”, acrescentou Lars Gustavsen, arqueólogo do Instituto.

O recém-descoberto cemitério, bem como os lugares onde viviam, foram encontrados perto de um outro túmulo já escavado que data de há 1500 anos, o Jell Mound. De acordo com relatos locais, o túmulo terá sido construído para o rei Jell.

Rara descoberta

Os vikings foram exploradores, guerreiros e navegadores nórdicos que conquistaram  novos territórios durante a época medieval. Entre os séculos VIII e XI, navegaram por vários mares, somando inúmeras invasões principalmente nas grandes áreas da Europa.

Este povo tinha por hábito enterrar os seus reis e chefes num navio, que era usado como caixão. No entanto, e até ao momento, apenas foram encontrados três barcos vikings em boas condições de conservação na Noruega. O último, o navio Oseberg, foi encontrado em 1903. Todos as embarcações estão expostas num museu perto de Oslo.

“Precisamos de outras descobertas para poder dizer como é que estes navios eram e para determinar como é que os vikings navegavam”, concluiu Paasche.

De acordo com o Niku, e tendo em conta o tamanho da embarcação, além de rara, este pode ser o maior navio viking já encontrado no país. Pelo menos para já, os arqueólogos não tencionam escavar o local.

ZAP // Live Science / National Geographic

Por ZAP
18 Outubro, 2018

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