3006: Os veados estão a ter as crias mais cedo (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

Magda Ehlers / Pexels

Uma equipa de cientistas documentou a forma como o veado-vermelho selvagem de uma ilha escocesa parece estar a evoluir ao longo de décadas em resposta às mudanças climáticas, fazendo com que deem à luz no início do ano.

De acordo com o estudo publicado esta semana na revista especializada PLOS Biology, estes veados, que vivem na ilha de Rum, na costa oeste da Escócia, sofreram mudanças genéticas que fizeram que os animais tivessem crias quase duas semanas antes nas últimas quatro décadas.

Estudos anteriores de outros grupos de cientistas demonstraram que os veados desta ilha estavam a dar à luz mais cedo, em parte como resultado das temperaturas mais quentes que alteraram o seu comportamento e o funcionamento dos seus corpos.

O último estudo destaca o importante papel das mudanças genéticas adaptativas nesse processo. Os investigadores dizem que este trabalho representa algumas das primeiras evidências de que mudanças evolutivas estão a afectar a época do ano em que os animais selvagens dão à luz.

“Este é um dos poucos casos em que documentamos a evolução em acção, mostrando que pode ajudar as populações a adaptarem-se ao aquecimento climático“, disse Timothée Bonnet, principal autor do estudo da Universidade Nacional da Austrália, em comunicado, citado pelo Newsweek.

Para o seu estudo, Bonnet e os seus colegas examinaram registos de campo e dados genéticos que os cientistas recolheram da população de veados que viviam na ilha entre 1972 e 2016.

A análise da equipa revelou que as fêmeas de veado-vermelho, conhecidas como corças, com adaptações genéticas que as levaram a dar à luz e a ter crias no início do ano tendem a ter mais filhos ao longo da vida individual. Assim, os genes responsáveis ​​oferecem uma vantagem evolutiva e, como resultado, tornaram-se cada vez mais comuns nessa população de veados nas últimas décadas.

As mudanças climáticas estão a afectar a vida no nosso planeta Terra de várias formas e os cientistas dizem que, para as espécies sobreviverem, precisam de se adaptar passando por mudanças genéticas ou migrando para habitats mais adequados.

Por outro lado, um estudo publicado o mês passado na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences sugere que a adaptação genética acoplada à dispersão em novas faixas poderia colocar as espécies em conflito umas com as outras. Essa descoberta pode significar que os cientistas estão a subestimar a forma como as mudanças climáticas globais afectarão a biodiversidade e o número de extinções que ocorrerão.

Alguns cientistas argumentam que a Terra está actualmente na sua sexta extinção em massa, sendo que há espécies a desaparecer significativamente mais rapidamente. Aliás, um milhão de espécies em todo o mundo correm o risco de desaparecer devido às pressões humanas e às mudanças climáticas.

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10 Novembro, 2019

 

2970: Desigualdade pode ser mais acentuada em Marte

CIÊNCIA

NASA
Concepção artística de uma colónia em Marte

Como seria a vida em Marte? Temos tendência a julgar que a vida no Planeta Vermelho seria mais risonha, mas em termos de desigualdades, Savannah Mandel garante que isso não é verdade.

A antropóloga espacial Savannah Mandel passou dez semanas no “aeroporto” norte-americano para naves espaciais comerciais, no deserto do Novo México, a fazer trabalho de campo para a sua dissertação. Durante essas semanas, Mandel cruzou-se com vários trabalhadores “dispostos a arriscar tudo” para participar em empreendimentos no Espaço.

O motivo? “Eles acreditam que as viagens espaciais garantem o futuro da humanidade”, explica Mandel, apesar de sustentar que os problemas da humanidade não desaparecem noutro planeta. Aliás, podem até piorar quando se trata de desigualdade, frisou, citada pelo OZY.

Com apenas 23 anos, Mandel é um dos membros mais jovens de um pequeno grupo de antropólogos ao redor do mundo, que centra todas as suas atenções em estudar de que forma os seres humanos se relacionam com o Espaço.

Valerie Olson, pioneira no campo e professora da Universidade da Califórnia, em Irvine, estima que existam menos de 100 antropólogos do Espaço na Terra. No entanto, a especialista sublinha que, devagarinho, o campo está a crescer.

A investigação de Mandel sobre o Spaceport America é inovadora: a jovem debruçou-se sobre a vida dos trabalhadores. Actualmente, trabalha como escritora científica do Instituto Americano de Física e é também uma escritora de ficção científica dedicada a completar um romance sobre um robô.

Este ano, o The Geek Anthropologist publicou um romance de Mandel sobre o primeiro antropólogo na Lua. Na história da autora, a reprodução lunar deve ser aprovada, havendo apenas um ponto, em toda a nave, apelidada de “O Condado”, onde um casal pode conceber.

Recentemente, a conferência sobre Espaço e Humanidade, realizada em Lexington, no Kentucky, juntou desde académicos a artistas, para reflectir como os seres humanos serão afectados pelas mudanças espaciais, como reconhecer e evitar preconceitos, por exemplo.

Mandel falou sobre um artigo que escreveu, no ano passado, para o The Geek Anthropologist, descrevendo os perigos de um “Efeito Elísio“, segundo o qual a comercialização do Espaço – como mineração de asteróides – aprofunda as disparidades globais de riqueza, uma vez que a lei existente é obscura.

Num artigo deste ano, desta vez para o Anthropology News, Mandel ecoou o tema, alertando sobre o “imperialismo lunar“, segundo o qual os países ocidentais com mais recursos financeiros olham o para o Espaço com a mentalidade colonial forjada pela sua própria história.

A antropologia do Espaço recebe muito menos recursos académicos e governamentais do que outras disciplinas. Mandel quer continuar, mas não tem certeza se poderá construir  uma carreira na academia por causa da sua paixão assumida por ficção científica.

Ainda assim, torna-se urgente trazer este tipo de temas para cima da mesa. As startups espaciais, e até a própria NASA, beneficiariam em poder contar com o contributo de antropólogos do Espaço, uma vez que apresentam narrativas e perspectivas diferentes, com foco na conservação como forma de proteger um novo mundo logo desde o início.

Mandel deseja que todo o seu trabalho inspire as pessoas sobre o que está por vir. “Adoro o Espaço, mas realmente quero que não deixemos a Terra no pó. Estamos a mover-nos muito rapidamente para um futuro interestelar”.

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5 Novembro, 2019

 

2964: Cientistas dizem ter descoberto um lugar na Terra onde é impossível existir vida

CIÊNCIA

achillifamily / Flickr
Dallol, na Depressão de Danakil, na Etiópia

Cientistas estão convencidos que as fontes geotermais de Dallol, na Depressão de Danakil, na Etiópia, não podem abrigar vida face às suas condições extremas.

Onde há água, há vida, costuma dizer-se. Porém, cientistas encontraram evidências que sugerem exactamente o contrário num lugar com um dos ambientes mais extremos e inóspitos da Terra: as fontes geotermais de Dallol, na Depressão de Danakil, na Etiópia.

Segundo o Science Alert, a paisagem de Dallol faz-se de uma paleta de cores vibrante, pontuada por lagos com crateras de água hiperácida e hipersalina. À primeira vista, parece um lugar de uma beleza única, mas a verdade é que não convém chegar muito perto.

É este ambiente extremo que faz com que, desde sempre, esta seja uma área de grande interesse para os cientistas. Em 2016, uma expedição tentou descobrir o que — se é que existe alguma coisa — poderia habitar em ambientes estranhos e hostis.

Os resultados desta investigação, publicada apenas há uns meses, mostram a primeira evidência de vida entre as fontes quentes e ácidas: “microorganismos ultra pequenos” que se medem em nanómetros.

Mas, agora, um novo estudo de outra equipa de investigadores, publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution, contesta a aparente descoberta, ou pelo menos a sua relevância.

Os investigadores usaram uma variedade de métodos analíticos para analisar uma ampla gama de amostras recolhidas em quatro zonas do complexo geotérmico de Dallol em três expedições entre 2016 e 2018.

Embora tenham detectado evidências de vida baseada na arquea, além de sinais do que podem ser sequências de genes bacterianos, a equipa diz que a maioria destas conclusões foram provavelmente um engano.

“A maioria deles estava relacionada ao conhecido kit de biologia molecular e a contaminantes de laboratório, enquanto outros eram bactérias relacionadas com o Homem provavelmente introduzidas durante visitas intensivas e turísticas ao local”, explicam os autores no seu artigo.

“Identificámos duas grandes barreiras físico-químicas que impedem a vida de prosperar na presença de água líquida na Terra e, potencialmente, noutros lugares, apesar da presença de água líquida na superfície de um planeta ser um critério amplamente aceite para a habitabilidade”, explicam.

Uma dessas barreiras são as salmouras dominadas por magnésio, que induzem as células a se decomporem através de um processo conhecido como “chaotropicity“; o outro é um certo nível tóxico de combinação intensa de hiperácido-hipersalina, sugerindo que “adaptações moleculares a pH muito baixo e extremos altos de sal são incompatíveis além desses limites”.

Segundo o Science Alert, é claro que a ausência de evidência não é evidência de ausência, isto é, só porque a extensa amostragem não revelou formas de vida mais complexas do que os micro-fósseis não prova que não estão lá.

Porém, até haver análises mais robustas que possam indicar de forma convincente o contrário, os autores têm a certeza de que os cantos mais inóspitos de Dallol são incapazes de ter vida.

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5 Novembro, 2019

 

2892: O Universo pode estar repleto de exoplanetas semelhantes à Terra

CIÊNCIA

NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle

Um grande número de planetas semelhantes à Terra pode estar disperso pelo Universo, aumentando as expectativas de que existem outros mundos com vida.

Esta é a conclusão de uma nova investigação patrocinada pela NASA e levada a cabo por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Os resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Science.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas estudaram “autópsias” planetárias, isto é observaram rochas de seis sistemas solares em torno de anãs brancas, estrelas já mortas e que em vida foram semelhantes ao Sol.

No seu estágio evolutivo final, as anãs brancas atraem material rochoso de objectos menores que orbitam à sua volta porque se contraem e expandem. Na prática, os cientistas estudaram os destroços de planetas devorados por anãs brancas.

Ao estudar a composição química das estrelas, os especialistas conseguiram entender a composição das rochas dos planetas que as orbitavam. Esses dados podem revelar-se importantes, uma vez que fornecem informações sobre a sua habitabilidade, campo magnético, atmosfera e existência de placas tectónicas.

Os resultados demonstraram que estes planetas antigos poderia ter uma composição muito semelhante à Terra ou Marte. “Quanto mais rochas em torno de outras estrelas se assemelharem às rochas que formaram a Terra, maior é a probabilidade de existirem planetas habitáveis como a Terra”, disse a autora do estudo Alexandra Doyle, em declarações ao portal Newsweek.

“Os resultados são consistentes com as fontes de oxigénio da Terra, Marte e os asteróides típicos do Sistema Solar, o que sugere que pelo menos alguns exoplanetas rochosos são geofísica e geo-quimicamente semelhantes à Terra “, explicam os cientistas no estudo agora publicado.

“Se as rochas extraterrestres têm uma quantidade de oxidação semelhante à da Terra, pode concluir-se que o planeta possui placas tectónicas e um potencial semelhante para campos magnéticos como a Terra, que se acreditam serem os principais ingredientes para vida”, rematou o co-autor do estudo Hilke Schlichting, citado em comunicado.

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24 Outubro, 2019

 

2844: Pode ter sido encontrada (e ignorada) vida em Marte em 1976, defende antigo cientista da NASA

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

O antigo cientista da agência espacial norte-americana Gilbert V. Levin afirma que foram encontradas evidências de vida em Marte na década de 70. No entender do especialista, deviam ter sido levado a cabo mais investigações para compreender a verdadeira origem das evidências encontradas.

“Estou convencido de que encontramos evidências de vida em Marte na década de 1970”, afirmou Gilbert V. Levin, que foi o investigador principal de um procedimento experimental que era parte da missão Viking da NASA em Marte.

O procedimento em causa, o Labeled Release (LR), foi levado a cabo em 1970 e relatou resultados positivos de respiração microbiana em Marte, embora a maioria dos cientistas os tenha descartado como um produto de reacções químicas inorgânicas.

Em Julho de 1976, o LR devolveu os seus resultados iniciais de Marte. Surpreendente, os resultados foram positivos. Duas sondas – Viking 1 e 2 – pousaram a uma distância de 6 mil quilómetros uma da outra no Planeta Vermelha e ambas enviaram quatro respostas com base em cinco variáveis, tendo os dados indicado a detecção de respiração microbiana.

As curvas de dados provenientes de Marte eram semelhantes àquelas produzidas por testes da LR em solos na Terra, sustenta o antigo cientista da NASA num novo artigo publicado esta semana na revista Scientific American.

“Parecia que tínhamos respondido à última pergunta”, diz Gilbert V. Levin.

Contudo, quando o Procedimento de Análise Molecular da missão Viking não consegui detectar matéria orgânica, que é essencial para a vida, a NASA concluiu que o LR tinha encontrado uma substância que imitava vida e não a vida em si.

Inexplicavelmente, lamenta Levi, nos 43 anos seguinte a Viking, nenhuma das missões posteriores da NASA em Marte carregava um instrumento de detecção de vida para rastrear estes resultados da década de 70. “Em vez disso, a NASA lançou uma série de missões para determinar se havia um habitat adequado para a vida e, se assim for, para trazer amostras para a Terra para exame biológico”.

Matéria orgânica marciana não foi bem estudada

O ex-cientista da NASA aponta ainda que, apesar de a agência definir a procura por vida alienígena como uma das suas “maiores prioridades”, uma vez que qualquer vida microbiana em Marte poderia potencialmente ameaçar os astronautas enviados ao planeta, bem como a população da Terra no regresso, a matéria orgânica do solo do Planeta Vermelha não foi devidamente estudada.

“Em resumo, temos: resultados positivos de um teste microbiológico amplamente utilizado; respostas de apoio de controlos fortes e variados; duplicação dos resultados de RL em cada um dos dois locais da Viking; replicação do experimento nos dois locais; e o fracasso, ao longo de 43 anos, de qualquer experimento ou teoria em fornecer uma explicação não biológica definitiva dos resultados da Viking LR “, disse Levin, argumentando que as evidências existentes ainda apontam para sinais de vida no Planeta Vermelho, levando assim a novas investigação.

“A NASA já anunciou que o seu módulo de aterragem da missão Mars 2020 não terá um teste de detecção de vida (…) De acordo com o protocolo científico bem estabelecido, acredito que deve ser feito um esforço para colocar procedimentos de detecção de vida no possível missão em Marte”, insistiu.

No entender de Levi, o estudo da matéria orgânica e a implementação destes sistemas de detecção podem, eventualmente, produzir “orientações importantes na procura do Santo Graal” da NASA, rematou o cientista.

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16 Outubro, 2019

 

2540: Cientistas acreditam que pode haver mundos com mais variedade de vida do que a Terra

CIÊNCIA

A ideia de que não estamos sós no Universo deverá fazer parte das convicções da maioria de nós. Mas o estudo de tudo aquilo que é extra-terrestre, por astrónomos, cientistas e astrofísicos, começa a ganhar mais forma à medida que os anos avançam.

Agora, uma nova investigação define quais os exoplanetas têm melhores hipóteses de desenvolvimento e manutenção de biosferas prósperas. Assim, havendo vida, que tipo de seres serão?

Há mais vida para lá da Terra

Se pensarmos na vida e nos planetas, que melhor exemplo do que a nossa Terra? Milhões de espécies animais e vegetais têm vivido em relativa harmonia durante milénios. No entanto, até agora não encontrámos nenhuma evidência de que o mesmo possa acontecer noutros lugares.

Mas, se houver um mundo em que a vida floresça ainda mais do que no nosso planeta e a sua variedade seja mais rica do que nos nossos domínios?

Isso é o que alguns especialistas acreditam que ocorre em alguns (ou vários) dos 4.000 exoplanetas que o homem conhece.

É uma conclusão surpreendente. Este modelo mostra que as condições em alguns exoplanetas com padrões favoráveis de circulação oceânica podem ser mais adequadas para suportar uma vida mais abundante ou mais activa do que a própria vida na Terra.

Explicou Stephanie Olson, investigadora da Universidade de Chicago e autora principal do estudo apresentado no Congresso de Geoquímica de Goldschmidt em Barcelona.

Procurar vida noutros planetas

A descoberta dos exoplanetas acelerou a procura pela vida fora das fronteiras do nosso Sistema Solar. No entanto, a enorme distância que nos separa deles (anos-luz) significa que são efectivamente impossíveis de alcançar com sondas espaciais. Assim, os cientistas estão a trabalhar com ferramentas de detecção remota, tais como telescópios para compreender que condições prevalecem nos diferentes exoplanetas.

O sentido dessas observações remotas requer o desenvolvimento de modelos sofisticados de clima e evolução planetária que permitam aos cientistas reconhecer quais desses planetas distantes poderiam abrigar vida.

A procura da NASA pela vida no Universo concentra-se nos chamados planetas de ‘zona habitável’, que são mundos que têm o potencial de ter oceanos de água líquida. Mas nem todos os oceanos são igualmente hospitaleiros, e alguns serão lugares melhores para se viver do que outros por causa dos seus padrões de circulação global.

Relatou a investigadora à Phys.org.

A equipa de Olson modelou as condições prováveis em diferentes tipos de exoplanetas usando o software ROCKE-3-D, desenvolvido pelo Goddard Institute for Space Studies (GISS) da NASA, para simular os climas e habitats oceânicos de diferentes tipos de exoplanetas.

Oceanos como base de vida

Conforme já se percebeu, os planetas potencialmente habitáveis, aqueles que primeiro irão ser pesquisados, são os que podem ter oceanos.

A vida nos oceanos da Terra depende da corrente ascendente (fluxo ascendente) que devolve nutrientes das profundezas escuras do oceano para as partes iluminadas pelo Sol onde vive a vida fotos-sintética. Mais afloramento significa mais reposição de nutrientes, o que significa mais actividade biológica. Essas são as condições que devemos procurar nos exoplanetas.

Dessa forma, os cientistas desenvolveram modelos de uma variedade de possíveis exoplanetas e foram capazes de definir quais tipos de mundos têm a melhor hipótese de desenvolver e manter bioesferas prósperas.

Usamos um modelo de circulação oceânica para identificar quais os planetas que têm o afloramento mais eficiente e, portanto, oferecem oceanos especialmente hospitaleiros. Verificámos que uma maior densidade atmosférica, taxas de rotação mais lentas e a presença de continentes produzem taxas de entrada mais elevadas. Uma implicação adicional é que a Terra pode não ser perfeitamente habitável, e a vida noutros lugares pode desfrutar de um planeta que é ainda mais hospitaleiro do que o nosso.

Concluíram os investigadores.

Limitações

Apesar da muita investigação, a procura e descoberta de vida noutros planetas continua a estar limitada à tecnologia existente. No entanto, segundo os especialistas, é quase certo que a vida fora da Terra existe.

Outra das limitações, passada a barreira dos oceanos, prende-se com “por onde se deve começar a procurar”. Para os investigadores, este sim, é o grande desafio.

A vida na Terra não é a mais adequada e poderá haver planetas com melhores condições do que o nosso. No entanto, onde estará aquela que pode ser a Nova Terra?

pplware
28 Ago 2019
Imagem: NASA | iStock

post relacionado: O Universo pode “guardar” mundos melhores do que a Terra para albergar vida

 

2505: Os extraterrestres podem brilhar no escuro (e é assim que os podemos encontrar)

CIÊNCIA

KELLEPICS / pixabay

Formas de vida extraterrestre podem brilhar em vermelho, azul e verde para se protegerem de explosões estelares de radiação ultravioleta. E essa luz brilhante pode ser a chave para os encontrarmos.

A maioria dos exoplanetas potencialmente habitáveis que conhecemos orbitam anãs vermelhas – o tipo mais comum de estrela na nossa galáxia e as menores estrelas do universo. Anãs vermelhas, como Proxima Centauri ou TRAPPIST-1, estão na vanguarda da busca pela vida.

Mas se a vida extraterrestre existe nesses planetas, têm um grande problema. Anãs vermelhas geralmente inflamam, ou emitem uma explosão de radiação UV que pode prejudicar a vida nos planetas em redor dela.

“Muitos dos planetas potencialmente próximos e habitáveis que estamos a começar a encontrar provavelmente são mundos de alta radiação ultravioleta“, disse o principal autor do estudo, Jack O’Malley-James, investigador associado do Centro Cornell de Astrofísica e Ciência Planetária. “Estávamos a tentar pensar em maneiras com as quais a vida poderia lidar com os altos níveis de radiação UV que esperamos em planetas que orbitam estrelas anãs vermelhas”.

Organismos no nosso próprio planeta protegem-se da radiação UV de várias maneiras: vier no subsolo, viver debaixo de água ou usar pigmentos que os protegem o sol. Mas há uma maneira com a qual a vida na Terra lida com a radiação ultravioleta que também tornaria a vida extraterrestre mais fácil de detectar – a biofluorescência.

Certos corais no nosso planeta protegem-se dos raios UV do sol brilhando. As suas células geralmente contêm uma proteína ou pigmento que, uma vez exposta à luz ultravioleta, pode absorver parte da energia de cada fotão, fazendo com que se desloque para um comprimento de onda mais longo e seguro. Por exemplo, alguns corais podem converter luz UV invisível em luz verde visível.

O’Malley-James e a sua equipa analisaram a fluorescência produzida por pigmentos de coral e proteínas e usaram-na para modelar os tipos de luz que poderiam ser emitidos pela vida em planetas em órbita vermelha. Descobriu-se que um planeta sem nuvens e coberto de criaturas fluorescentes poderia produzir uma mudança temporária no brilho que é potencialmente detectável.

Além disso, como as anãs vermelhas não são tão brilhantes como o nosso sol, não mascaram essas marcas biológicas.

Mas “para termos uma hipótese de detectar a biofluorescência num planeta, uma grande parte do planeta teria de estar coberta por quaisquer criaturas fluorescentes“, disse O’Malley-James. Além disso, ainda não temos telescópios suficientemente fortes para detectar um planeta onde cada centímetro da sua superfície esteja coberto por criaturas brilhantes.

Mas a próxima geração de telescópios, como o European Extremely Large Telescope, pode detectar esses vislumbres da vida. Mesmo com esses telescópios os exoplanetas seriam apenas leves aberturas de luz, mas os instrumentos poderiam descodificar a quantidade de luz vermelha, verde ou infravermelha emitida. Se organismos extraterrestres brilharem verdes, por exemplo, a quantidade de luz verde durante um surto aumentaria. Ainda assim, o brilho precisaria ser “muito brilhante” para detectá-lo.

“Não vemos fluorescência tão forte na Terra porque não temos níveis tão altos de UV na superfície.” O novo estudo, publicado este mês na revista especializada Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, também supõe que a vida em planetas que orbitam anãs vermelhas teria desenvolvido uma fluorescência muito brilhante ao longo de milhões de anos.

Um possível próximo passo seria expor a vida biofluorescente na Terra à luz UV em laboratório e ver se esse tipo de evolução ocorre em pequena escala. Se acontecer, as próximas gerações de organismos irão brilhar mais intensamente. “Um próximo passo a longo prazo seria começar a procurar a biofluorescência noutros mundos.”

Se um dia pudermos viajar para um desses planetas brilhantes, seria “muito interessante de ver”, disse. Pairando numa nave espacial, veríamos o que parecia ser “uma aurora boreal super-carregada a cobrir a superfície do planeta”.

ZAP //

Por ZAP
24 Agosto, 2019

 

2376: Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

© TVI24 Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

Até há pouco tempo, a comunidade científica e os líderes mundiais falavam em décadas para agir sobre o clima. Mais recentemente, o prazo passou para os dez anos, mas parece que serão as decisões tomadas nos próximos 18 meses as mais cruciais para travar as alterações climáticas.

O mais recente aviso sobre o tópico surgiu na Reunião dos Ministérios Estrangeiros do Commonwealth, que teve lugar em Londres no dia 10 de Julho, num discurso do príncipe Carlos.

Acredito que os próximos 18 meses vão decidir a nossa capacidade de manter as alterações climáticas em níveis suportáveis para a existência e nos quais consigamos restaurar o equilíbrio que precisamos para a nossa sobrevivência”.

O monarca falava sobre os eventos com os vários líderes internacionais, que vão ter lugar nos próximos meses, até 2020.

No ano passado, o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) concluiu que, para limitar o aquecimento global em 1,5 graus (o limite considerado seguro pelos cientistas) até ao final do século, as emissões de CO2 terão de ser cortadas em pelo menos 45% até 2030. Um indicador preocupante, uma vez que as tendências actuais apontam para um aquecimento de 3 graus ou mais até 2100.

Para atingir este objectivo ambicioso, de acordo com a BBC, os cientistas apontam que os grandes cortes nas emissões de gases poluentes têm de acontecer até ao final do próximo ano. Esta é também a data limite do Acordo de Paris, que visa a aplicação de medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

A matemática do clima é brutalmente clara: apesar de o mundo não poder ser curado nos próximos anos, pode ficar fatalmente ferido por negligência até ao final do próximo ano”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, fundador do Instituto Climático de Potsdam.

 

Estas são as datas a que deve prestar atenção

Os próximos 18 meses serão decisivos na agenda do clima em todos os países que fazem parte do Acordo de Paris.

O próximo encontro internacional sobre o tópico será num encontro especial do clima, marcado por António Guterres para o dia 23 de Setembro, para reafirmar a aplicabilidade dos compromissos assumidos no COP24.

Após esta reunião, os líderes mundiais tornam a encontrar-se em Santiago, no Chile, para o COP25.

O momento-chave das negociações do Acordo de Paris vai realizar-se no final de 2020, no Reino Unido, com o COP26.

Precisamos do COP26 para assegurar que os países têm intenções sérias quanto às suas obrigações, e isso significa que teremos de dar o exemplo. Juntos, temos de tomar todos os passos necessários para restringir o aquecimento global aos 1,5 graus”, disse o Secretário para o Ambiente britânico, Michael Gove, cujo governo enfrenta um desafio acrescido por causa da possibilidade do Brexit.

msn meteorologia
Susana Laires
26/07/2019

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2368: Cientistas podem ter encontrado o “elo perdido” da origem da vida na Terra

CIÊNCIA

Matthew priteeboy / Deviant Art

Uma equipa de cientistas da University College London (UCL) demonstrou que os peptídeos, moléculas fundamentais para a vida, podem ter-se formado na Terra primitiva sob condições diferentes das consideradas até agora.

Em comunicado, os cientistas explicam que os peptídeos, que são formados por cadeias de aminoácidos, são um elemento essencial para toda a vida na Terra uma vez que constituem o tecido das proteínas e servem como “catalisadores de processos biológicos”.

No entanto, os peptídeos exigem enzimas para controlar a sua formação a partir de aminoácidos. Assim, surge “o problema clássico do ovo e da galinha: como se formaram as primeiras enzimas?”, questiona Matthew Powner, o principal autor do estudo, cujos resultados foram esta mês publicados na revista científica Nature.

A maioria das investigações anteriores concentrou-se em descobrir como é que os peptídeos foram formados, concentrando-se no estudo de aminoácidos, em vez de estudar a reactividade dos aminonitrilos (precursores químicos de aminoácidos).

Tradicionalmente, acredita-se que os aminonitrilos requerem condições extremas  – fortemente ácidas ou alcalinas – para que possam formar aminoácidos, e que os aminoácidos precisam de ser carregados com energia para formar peptídeos.

Agora, os cientistas propõem um caminho mais directo para a formação de peptídeos, sugerindo que estes poderiam formar-se directamente a partir de aminonitrilos ricos em energia, escreveram os autores no mesmo estudo.

Para provar a teoria, os cientistas combinaram sulfureto de hidrogénio com aminonitrilos e o substrato químico ferricianeto em água, obtendo assim peptídeos. Desta forma, a equipa conseguiu demonstrar que os aminonitrilos podem formar ligações peptídicas na água por conta própria e de forma mais fácil do que os aminoácidos.

De acordo com a equipa que levou o estudo a cabo, este processo de formação pode ter ocorrido nas condições primitivas da Terra, há milhões de anos.

“Esta é a primeira vez que se demonstrou de forma convincente que os peptídeos se formam sem o uso de aminoácidos na água, usando condições relativamente suaves que provavelmente estiverem disponíveis na Terra primitiva”, explicou o co-autor do estudo, Saidul Islam, citado na mesma nota de imprensa.

Os cientistas acreditam que as descobertas serão muito úteis para o estudo da abiogénese (hipótese que admitia a formação dos seres vivos a partir de matéria não viva), para a procura de vida no Universo e também para a formação de materiais sintéticos bio-activos, uma vez que o novo método seria mais eficiente e lucrativo.

ZAP //

Por ZAP
26 Julho, 2019

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2259: A vida pode (teoricamente) existir num universo 2D

CIÊNCIA

MathewKennedy / Deviant Art

A nossa realidade viva acontece num universo tridimensional. Apesar de ser difícil imaginar um universo com apenas duas dimensões, novos cálculos indicam que poderia teoricamente suportar vida.

James Scargill, da Universidade da Califórnia, em Davis, quis testar o princípio antrópico – que estabelece que qualquer teoria válida sobre o universo tem que ser consistente com a existência do ser humano. Na prática, segundo esta ideia filosófica, os universos não podem existir se não houver vida no interior.

O físico analisou a ideia de vida em dimensões 2+1, em que +1 é a dimensão do tempo. Segundo o Science Alert, o cientista defende que a comunidade científica terá de repensar tanto a física quanto a filosofia de viver fora das dimensões 3+1 às quais estamos acostumados.

“Há dois argumentos principais contra a possibilidade de vida em dimensões 2+1: a falta de uma força gravitacional local e o limite newtoniano na relatividade geral 3D, e a afirmação de que a restrição a uma topologia planar significa que as possibilidades são demasiado simples para que a vida exista”, escreve Scargill no artigo científico.

Os cálculos do especialista são muito sofisticados, mas mostram que, em teoria, poderia existir um campo gravitacional escalar em duas dimensões, permitindo assim gravidade e, portanto, a cosmologia num universo 2D.

No entanto, para a vida emergir é necessário um nível de complexidade tal que, neste caso, pode ser simbolizado por redes neurais. Os nossos cérebros são altamente complexos e existem em 3D, pelo que tendemos a pensar que uma rede neural não poderia funcionar em apenas duas dimensões.

Mas Scargill demonstra que certos tipos de gráficos bidimensionais planares compartilham propriedades com redes neurais biológicas. Estes gráficos podem ser combinados de maneiras que se assemelham à função modular das redes neurais. Aliás, até exibem aquilo que é conhecido como propriedades do mundo pequeno, em que uma rede complexa pode ser cruzada num pequeno número de etapas.

Em suma, de acordo com a física descrita por Scargill, os universos 2D poderiam sustentar vida. Isto não significa, porém, que estes universos existem: o artigo apenas apresenta dois fortes argumentos que sugerem que os universos 2+1 precisam de uma séria reconsideração.

O artigo científico ainda não passou pela revisão por pares, mas já foi avaliado por cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que afirmam que esta pesquisa enfraquece, de facto, o princípio antrópico.

Como não temos nenhuma máquina para atravessar o universo, este tipo de pesquisa pode parecer extremamente teórico, mas a reflexão de Scargill abre alguns caminhos para investigações futuras – inclusivamente a possibilidade de, um dia, simularmos um universo 2D, através da computação quântica.

“Seria interessante determinar se existem outros impedimentos à vida até agora negligenciados, bem como continuar a procurar explicações não-antrópicas para a dimensionalidade do espaço-tempo”, escreveu Scargill, no artigo científico disponível no arXiv.org.

ZAP //

Por ZAP
2 Julho, 2019

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2254: Marte pode ter tido vida ainda antes da Terra

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

Uma equipa internacional de cientistas, liderada pela Universidade de Western Ontario, no Canadá, acredita que Marte pode ter tido condições para albergar vida logo após o impacto de um enorme meteorito há cerca de 4,5 milhões de anos.

Depois de Marte e da Terra se terem formado, o número e o tamanho dos meteoritos diminuíram gradualmente, tornando-se pouco frequentes para criar condições favoráveis à existência de vida, começaram por explicar os cientistas, citados em comunicado.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Geoscience, a vida poderá ter prosperado no Planeta Vermelho entre 4.200 e 3.5000 milhões de anos atrás.

Este período de tempo, sustenta a equipa na mesma nota, “precede as primeiras evidências da vida na Terra até 500 milhões de anos”.

Para a investigação, os cientistas analisaram os fragmentos mais antigos disponíveis de meteoritos que se acredita terem origem nas terras altas e do sul de Marte.

Os resultados sugerem que o forte impacto destes corpos celestes parou no planeta antes que os fragmentos analisados fossem formandos, o que significa que a “a superfície marciana se teria tornado habitável na época. Tal como se acredita, observam ainda os cientistas, “a água era abundante” em Marte.

“Os impactos de grandes meteoritos em Marte, entre 4.200 e 3.500 milhões de anos atrás, podem ter acelerado a libertação das primeiras águas do interior do planeta, lançando as bases para reacções de formação de vida”, disse Desmond Moser, um dos cientistas envolvidos na investigação.

ZAP //

Por ZAP
1 Julho, 2019

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2203: NASA descobre indícios de vida em Vénus

Segundo Brian Cox, físico e professor da Universidade de Manchester e apresentador de um programa da BBC sobre ciência, Vénus poderia muito bem ter abrigado alguma forma de vida no seu passado distante. Estas alegações partem depois de a NASA ter descoberto que o planeta é semelhante à Terra.

Embora Vénus tenha hoje condições difíceis à existência de vida, durante a sua existência nem sempre foi assim. Desta forma, poderá ter tido vida. Mas que tipo de vida?

As condições que oferece hoje Vénus

Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar em ordem de distância do Sol, orbitando-o a cada 224,7 dias. Recebeu o seu nome em homenagem à deusa romana do amor e da beleza Vénus, equivalente à Afrodite. Assim, depois da Lua, este é o objecto mais brilhante do céu nocturno. Atingindo uma magnitude aparente de -4,6, o suficiente para produzir sombras.

A distância média da Terra a Vénus é de 0,28 AU, sendo assim a menor distância entre quaisquer dois planetas.

Por várias vezes este planeta foi apontado como o “planeta irmão” da Terra. Além do tamanho, da massa, Vénus tem também uma composição semelhantes ao do nosso planeta. Contudo, a sua pressão atmosférica é 92 vezes maior do que a da Terra. Por outras palavras, aproximadamente a pressão encontrada a 900 metros baixo da superfície do oceano.

Além disso, este é o planeta mais quente do Sistema Solar. Assim apresenta uma temperatura média de 500 °C, embora Mercúrio esteja mais próximo do Sol.

Vénus poderá albergar vida?

O físico apresentador do programa da BBC “The Planets”, afirma que:

As temperaturas da superfície em Vénus são mais quentes do que as de Mercúrio. No entanto, em alguns milhões de anos após formação, a superfície do planeta arrefeceu e o planeta encontrava-se a uma distância certa do Sol jovem para que Vénus experimentasse uma vista familiar como temos na Terra.

Segundo as suas investigações “os céus abriram-se e grandes correntes inundaram a superfície. Rios de água correram e Vénus passou a ser um mundo oceânico”. A par destes acontecimento, acrescentou o investigador, “a atmosfera do planeta permitiu que ele fosse sustentado pelos oceanos como um cobertor, mantendo a temperatura da superfície graças ao efeito estufa”.

O Sol envelheceu e tirou vitalidade a Vénus

De forma que já se conhece, à medida que o Sol envelhece, a estrela queima muito mais e torna-se mais quente. Esse impacto está a mudar não só a Terra como todos os astros ao seu redor. Assim, este comportamento, como refere o físico, significa que no passado, quando o Sol era mais jovem, deveria ter sido mais frio e isso teve um grande impacto nos planetas. Dessa forma, Vénus era mais fresco e mais húmido, propriedades certas para sustentar a vida.

Na época em que a vida estava prestes a começar na Terra, há três e meio a quatro mil milhões de anos, o Sol estava mais fraco e isso significa que Vénus estava mais fresco. Na verdade, as temperaturas em Vénus naquela época teriam sido como um agradável dia de primavera aqui na Terra.


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Imagem: NASA
Fonte: Express

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2199: Teegarden B e C. Descobertos mais dois planetas que podem albergar vida

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech

Cientistas de vários países identificaram mais dois planetas que consideram poder albergar vida, com climas temperados, semelhantes à Terra e que podem conter água líquida à superfície.

A equipa da universidade alemã de Göttingen utilizou vários telescópios e um espectrógrafo para estudar a estrela de Teegarden, uma anã vermelha fria a 12,5 anos luz do Sistema Solar.

“Teegarden só tem 8% da massa do Sol. É muito mais pequena e menos brilhante. Apesar de estar tão perto da Terra, só foi descoberta em 2003”, disse à agência EFE o director do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e co-autor do estudo, Ignaci Ribas.

É uma estrela que arde a 2.600 graus, menos de metade dos 5.500 graus do Sol, e tem dez vezes menos massa e a emissão de energia é 1.500 vezes mais fraca.

Os planetas em causa não são directamente observáveis e foram descobertos porque quando orbitam uma estrela, a atracção gravitacional faz com que esta também se aproxime e afaste, podendo deduzir-se que existe um planeta.

Os dois foram designados como Teegarden B e C. O primeiro tem uma massa semelhante à da Terra e uma órbita de 4,9 dias, enquanto o segundo demora 11,4 dias a completar uma órbita que no caso da Terra corresponderia a um ano.

“Teegarden B recebe cerca de 10% mais luz que a que a Terra recebe do Sol, por isso pensamos que talvez seja demasiado quente e não tenha água, mas é especulação, porque há aspectos dos sistemas climáticos que desconhecemos e poderiam permitir a existência de água líquida”, acrescentou Ignazi Ribas.

O planeta C tem uma temperatura à superfície entre zero e cinco graus, por isso poderia ter água.

Os investigadores admitem que possam existir mais planetas no mesmo sistema e aguardam poder contar com os telescópios gigantes previstos para a próxima década, que poderão permitir recolher imagens directas dos planetas e estrelas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Junho, 2019

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2069: Vénus pode ter tido um passado habitável (mas um oceano asfixiou-o)

NASA

Uma equipa de cientistas acredita que Vénus foi, no passado, um mundo com condições para alojar vida. De acordo com os cientistas, terá sido um oceano que, paradoxalmente, ditou o fim da sua habitabilidade.

Em comunicado, a Universidade de Bangor, no País de Gales, observa que, apesar de Vénus ser hoje um lugar muito inóspito, com temperaturas superficiais quentes o suficiente para derreter chumbo, o seu passado pode ter sido muito diferente.

Segundo a equipa, que sustenta a argumentação em testes geológicos e em modelos computorizados, Vénus pode ter sido mais frio há mil milhões de anos e ter tido até um oceano, havendo por isso algumas semelhanças com a Terra.

Contudo, não é só a temperatura e a atmosfera altamente corrosiva que distanciam o Vénus de hoje do planeta Terra. O segundo planeta do Sistema Solar gira muito lentamente, levando 243 dias terrestres para completar um dia venusiano. No passado, este movimento pode também ter sido mais rápido, escrevem os cientistas, o que teria ajudado a tornar o planeta mais habitável.

As marés actuam para retardar a velocidade de rotação dos planetas devido ao atrito entre as correntes de maré e o fundo do mar. Hoje em dia, na Terra, esta “travagem” muda a duração de um dia em cerca de 20 segundos a cada um milhão de anos.

O novo estudo levado a cabo pelo cientista Mattias Green da Escola de Ciências Oceânicas da Universidade de Bangor e por uma equipa da NASA e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, quantificaram este efeito de frenagem no Vénus do passado.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters, revelou que as marés de um oceano venusiano terão sido grandes o suficiente para diminuir a velocidade de rotação de Vénus em dezenas de dias terrestres num milhão de anos.

Este resultado sugere que o “travão” imposto pela maré pode ter atrasado Vénus até ao seu estado de rotação actual em 10 a 50 milhões de anos e, consequentemente, tenha evitado que Vénus fosse habitável por um curto espaço de tempo.

“O nosso trabalho mostra como é que as marés podem ser importantes para remodelar a rotação de um planeta, mesmo que esse oceano só exista por cerca de 100 milhões de anos, e como é que as marés são importantes para tornar um planeta habitável”, apontou o Mattias Green, citado na mesma nota de imprensa.

ZAP //

Por ZAP
29 Maio, 2019


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2039: Formação da Lua trouxe água à Terra

O nascer-da-Terra, a partir de uma perspectiva lunar.
Crédito: NASA Goddard

A Terra é ímpar no nosso Sistema Solar: é o único planeta terrestre com uma grande quantidade de água e uma lua relativamente grande, que estabiliza o eixo da Terra. Ambos foram essenciais para a Terra desenvolver a vida. Os planetologistas da Universidade de Munique puderam agora mostrar, pela primeira vez, que a água chegou à Terra com a formação da Lua há cerca de 4,4 mil milhões de anos. A Lua foi formada quando a Terra foi atingida por um corpo com mais ou menos o tamanho de Marte, também chamado Theia. Até agora, os cientistas supunham que Theia era originário do Sistema Solar interior. No entanto, os investigadores de Munique podem agora mostrar que Theia veio do Sistema Solar exterior e que forneceu grandes quantidades de água à Terra. Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.

Do Sistema Solar exterior para o Sistema Solar interior

A Terra foi formada no Sistema Solar interior “seco” e, portanto, é um tanto ou quanto surpreendente que exista água na Terra. Para entender porque este é o caso, temos que viajar para o passado, para quando o Sistema Solar foi formado há cerca de 4,5 mil milhões de anos. Graças a estudos anteriores, sabemos que o Sistema Solar se tornou estruturado de tal forma que os materiais “secos” foram separados dos materiais “húmidos”: os chamados meteoritos “carbonáceos”, que são relativamente ricos em água, vêm do Sistema Solar exterior, ao passo que os meteoritos “não-carbonáceos” vêm do Sistema Solar interior. Embora estudos anteriores tenham mostrado que os materiais carbonáceos provavelmente foram os responsáveis por fornecer a água à Terra, não se sabia quando e como esse material carbonáceo – e, portanto, a água – chegou à Terra. “Nós usámos isótopos de molibdénio para responder a esta pergunta. Os isótopos de molibdénio permitem-nos distinguir claramente materiais carbonáceos e não-carbonáceos e, como tal, representam uma ‘impressão genética’ do material do Sistema Solar exterior e interior,” explica o Dr. Gerrit Budde do Instituto de Planetologia em Munique e autor principal do estudo.

As medições feitas pelos investigadores de Munique mostram que a composição isotópica do molibdénio da Terra está entre as dos meteoritos carbonáceos e dos não-carbonáceos, demonstrando que parte do molibdénio da Terra teve origem no Sistema Solar exterior. Neste contexto, as propriedades químicas do molibdénio desempenham um papel fundamental pois, dado que é um elemento que gosta de ferro, a maior parte do molibdénio da Terra está localizado no núcleo. “O molibdénio que é hoje acessível no manto da Terra, portanto, teve origem nos últimos estágios de formação da Terra, enquanto o molibdénio das fases anteriores está inteiramente no núcleo,” explica o Dr. Christoph Burkhardt, segundo autor do estudo. Os resultados dos cientistas mostram, assim sendo, e pela primeira vez, que o material carbonáceo do Sistema Solar exterior chegou tarde à Terra.

Mas os cientistas deram ainda outro passo em frente. Eles mostram que a maioria do molibdénio no manto da Terra foi fornecido pelo protoplaneta Theia, cuja colisão com a Terra há 4,4 mil milhões de anos levou à formação da Lua. No entanto, uma vez que grande parte do molibdénio no manto da Terra teve origem no Sistema Solar exterior, isto significa que Theia, propriamente dito, também teve origem no Sistema Solar exterior. Segundo os cientistas, a colisão forneceu material carbonáceo suficiente para explicar a quantidade total de água na Terra. “A nossa abordagem é única porque, pela primeira vez, permite-nos associar a origem da água na Terra com a formação da Lua. Para simplificar, sem a Lua provavelmente não haveria vida Na Terra,” comenta Thorsten Kleine, professor de planetologia na Universidade de Munique.

Astronomia On-line
24 de Maio de 2019

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2037: Encontrados os fungos mais antigos do mundo. Têm mil milhões de anos

CIÊNCIA

Corentin Loron / Universidade de Liège
Ourasphaira giraldae, o fungo encontrado no Canadá e tido como o mais antigo do mundo.

Fungos descobertos no Canadá, com mil milhões de anos, são os mais antigo de sempre. Anteriormente, pensava-se que os fungos apenas teriam aparecido na Terra há 500 milhões de anos.

A descoberta deste fungos no Canadá vem mudar completamente a forma como olhamos para o desenvolvimento da vida na Terra. O estudo publicado, esta quarta-feira, na revista Nature, relata que os cientistas desenterraram os fungos fossilizados mais antigos de sempre.

Segundo o The Guardian, os organismos foram descobertos em xistos de águas rasas, no sul da ilha Victoria. Os cientistas identificaram o organismo como Ourasphaira giraldae.

Através do microscópio, os cientistas conseguiram descobrir diferenças claras nestes fungos, nomeadamente os seus esporos esféricos, os filamentos ramificados que os ligam e as paredes celulares de duas camadas.

Com mil milhões de anos, estes fungos apareceram no nosso planeta há pelo menos o dobro do tempo que pensávamos. Os cientistas conseguiram datar os fungos após examinarem a idade da rocha em que foram encontrados através da proporção de elementos radioactivos.

A preservação é tão boa que ainda temos os compostos orgânicos“, disse a líder do estudo, Corentin Loron. Estes micro-organismos estão em condições intactas devido a terem ficado presos em lama solidificada, que impedia a entrada de oxigénio e a sua consequente decomposição.

A descoberta é de grande importância, uma vez que fungos fazem parte do mesmo grupo de organismos que as plantas e os animais. Ou seja, isto significa que se os fungos estavam presentas há mil milhões de anos atrás, também os animais devem ter estado.

“Não estamos a falar de nada grande como dinossauros. Seria algo muito simples. Talvez uma espécie de esponja“, disse a cientista.

Isto remodela a nossa visão do mundo, porque esses grupos ainda estão hoje presentes. Portanto, esse passado distante, embora muito diferente de hoje, pode ter sido muito mais ‘moderno’ do que aquilo que pensávamos”, explicou Loron, citada pelo Phys.

ZAP //

Por ZAP
24 Maio, 2019

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Greve climática: para dizer que “o rei vai nu” é preciso uma criança, muitas crianças

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Milhares de jovens de mais de 100 países fazem esta sexta-feira uma nova greve estudantil, em protesto pela inacção dos governos em relação às alterações climáticas. Em Portugal, a greve deve realizar-se em 51 localidades – com estudantes a prometerem manifestações, às quais se juntam organizações não-governamentais e a sociedade civil

A iniciativa partiu da ideia de uma jovem sueca de 16 anos, Greta Thunberg, que desde o ano passado iniciou uma greve às aulas, uma forma de chamar a atenção para a necessidade de mais acção para fazer face às alterações climáticas. A meio da semana, Greta dava conta de que já tinham aderido às manifestações de sexta-feira 1 387 locais de 111 países.

Por cá, o professor e ambientalista Viriato Soromenho-Marques considera que as manifestações de jovens a favor do clima são um sinal de esperança e cita Hans Christian Andersen afirmando que foi preciso uma criança para dizer que “o rei vai nu”.

“Para dizer que ‘o rei vai nu’ é preciso uma criança, porque nós os adultos já estamos todos envolvidos nas nossas carreiras, na educação dos nossos filhos, responsabilidades familiares e económicas. Não nos queremos preocupar ao ponto de ficarmos paralisados e angustiados”, disse o professor de Filosofia da Universidade de Lisboa e ambientalista, em entrevista à Lusa.

Deputados reconhecem problemas, mas resistem…

Já o presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente, o deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares disse à Lusa que toda a Assembleia da República assume que as alterações climáticas têm origem na actividade humana, que são um problema e que têm consequências devastadoras, nomeadamente para o sul da Europa, “mas depois em relação a medidas concretas há muita hesitação ainda”.

Questionado pela Lusa sobre o que fez o Parlamento na presente legislatura para fazer face às alterações climáticas. A dificuldade, respondeu Pedro Soares, está na concretização.

Foi aprovado um quadro estratégico para a política climática, há um programa e estratégia para a adaptação às alterações climáticas, há um roteiro para a neutralidade carbónica, há o Acordo de Paris aprovado para a legislação nacional, mas existe “alguma dificuldade na concretização de medidas”. “Artilhados com este conjunto de diplomas devíamos dar passos muito mais rápidos”, disse Pedro Soares.

O consenso entre os candidatos às europeias

A greve coincide com o último dia de campanha para as eleições europeias e parece ser dos poucos temas que reúne consenso, da esquerda à direita, como se constata perante os testemunhos recolhidos pela agência Lusa junto dos cabeças-de-lista dos partidos parlamentares.

Candidatos às europeias estão de acordo sobre alterações climáticas
© MIGUEL A. LOPES/LUSA

Para o candidato do PS, Pedro Marques, o tema das alterações climáticas terá de continuar no “centro da agenda” europeia, considerando que é preciso “fazer mais”, embora a Europa esteja no bom caminho. “Não deixar que as alterações climáticas saiam do centro da agenda da Europa é uma das nossas prioridades”, assumiu Pedro Marques, saudando os jovens por mostrarem “que esta geração se preocupa com a sustentabilidade” do planeta, a propósito da greve agendada para dia 24.

O cabeça de lista socialista elegeu a descarbonização da mobilidade nos transportes, a utilização de energias renováveis e a redução da utilização de plásticos como algumas das medidas que devem ser tomadas no combate às alterações climáticas.

“Fomos ambiciosos na Europa na definição de metas e estamos no bom caminho por exemplo, em Portugal, na área das energias renováveis”, destacou, acrescentando que foi também dado agora “um passo muito importante” no transporte público com a medida dos passes sociais.

Pedro Marques considerou, no entanto, que é necessário “agir muito mais”, porque 2050 “é já” e para se atingir a neutralidade carbónica nesse ano, em todo o mundo, “os jovens em particular exigem mais acção agora”, por parte da Europa.

Já a número dois do PSD às europeias defende que tem de ser a Europa a liderar o combate às alterações climáticas, e aponta como prioridades nesta área a limpeza dos oceanos e a aposta na transição energética.

“Vejo uma juventude mobilizada num assunto que lhes toca porque põe em causa esta geração e as gerações futuras”, considera Lídia Pereira, a mais nova candidata do PSD (27 anos) ao Parlamento Europeu, defendendo que o PSD “foi um pioneiro” nestes temas com nomes como Carlos Pimenta ou Macário Correia.

Admite que, se ainda fosse estudante, se poderia juntar a uma destas greves, mas empenhar-se-ia mais na mobilização de colegas e amigos, por considerar que a mudança parte também muito dos comportamentos individuais.

A nível global, apela uma posição de liderança da União Europeia. “Se não for a Europa a ter a liderança nesta questão… a Ásia não trata o plástico, nos Estados Unidos há uma semana Mike Pompeo [secretário de Estado] dizia que o degelo no Árctico é uma oportunidade económica… Se nós não pegarmos nesta causa de uma vez por todas, não vamos conseguir avançar”, alertou.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O cabeça de lista europeu da CDU expressou compreensão pelas preocupações e inquietações do movimento mundial de jovens pela defesa do ambiente, que vai realizar nova greve climática na sexta-feira, mas recusou qualquer conflito de gerações.

“Compreendemos as preocupações e inquietações de muitas pessoas pelo mundo fora relativamente aos impactos no ambiente e, particularmente, na composição da atmosfera e, consequentemente, em alterações climáticas decorrentes de alterações induzidas pelo Homem”, disse à Lusa João Ferreira.

“Revemo-nos nessas preocupações e inquietações. Entendemos que isto não é propriamente um conflito de gerações. É um problema que tem a ver com o sistema económico e social dominante à escala global. É um problema inerente ao modo de produção capitalista e que tem de encontrar uma solução no quadro de um outro sistema que proporcione uma relação sustentável e harmoniosa entre o Homem e a Natureza”, afirmou o eurodeputado comunista.

A primeira candidata do BE às europeias, Marisa Matias, pede aos jovens que não desistam das manifestações pelo clima, mas avisa que se no domingo não se mobilizarem “para traduzir esse grito em voto, vão ter mais do mesmo”.

O combate às alterações climáticas é, precisamente, um dos três pilares do BE para estas eleições europeias, tendo Marisa Matias falado com a agência Lusa a propósito da greve mundial de estudantes pelo clima, marcada para sexta-feira.

“O que eu tenho a dizer a esses jovens é que não podemos restringir a política ao espaço das instituições, ela tem que ser feita também a partir das ruas e é fundamental que continuem a fazer as suas manifestações e reivindicações, mas que se não se mobilizarem para traduzir esse grito em voto, o que vão ter é mais do mesmo, e não é apenas com as manifestações que vão conseguir mudar o sistema e o sistema tem que ser mudado”, avisou.

Assim, a eurodeputada bloquista recandidata pede aos jovens que não desistam das manifestações porque “essa pressão é precisa na rua”. “Mas, ao mesmo tempo, não desperdicem o direito que têm, que é o direito de voto, para poderem ajudar realmente a começar o combate às alterações climáticas”, apela.

Este grito dos jovens, na perspectiva de Marisa Matias, “é necessário”, lembrando que começou por “assistir a essas greves climáticas a partir de Bruxelas e as ruas enchiam”. “É um grito fundamental, é mesmo uma das questões políticas centrais, como aliás, provavelmente, já vos tenho maçado muito ao longo desta campanha”, aponta, em jeito de brincadeira, referindo-se aos discursos que tem feito ao longo desta campanha.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Nuno Melo, eurodeputado e candidato do CDS-PP às europeias, aponta a mudança de mentalidades dos mais jovens quanto ao ambiente como um dos trunfos para a resposta na defesa do planeta, em vésperas da greve climática estudantil.

A dias da greve mundial de 24 de Maio, Melo acenou com as propostas do seu partido nas actuais eleições europeias como prioridades e respostas possíveis para o problema, mas antes assinalou, em declarações à agência Lusa, os progressos que deteta na mudança de mentalidades.

“O mundo altera-se quando as mentalidades mudam. Isso normalmente é o mais difícil e por isso é difícil alterar os hábitos dos mais velhos. Mas perceber que os mais novos têm essa preocupação, esses mais novos que não tarda muito, estarão a liderar, pode ser talvez a principal das diferenças”, afirmou.

A agenda do ambiente, adoptada pelo CDS-PP para a campanha destas europeias, é também uma das prioridades possíveis para responder aos desafios que os jovens colocam aos responsáveis políticos de hoje. O combate às alterações climáticas é uma delas, com Nuno Melo a sublinhar que, independentemente de uma resposta global, deve ser tida em conta a realidade de cada país.

Já o PAN saúda a greve mundial dos estudantes pelo clima de sexta-feira, defendendo uma declaração de “estado de emergência climático”, acompanhada de medidas para a independência energética renovável e soberania alimentar.

“A nossa primeira medida é declarar o estado de emergência climático, que terá de ser acompanhado de um plano de transição económico e social, para se criar empregos 100% verdes, com qualidade e de longo prazo, fazer a transição para uma economia descarbonizada, descentralização da produção, consumo e distribuição do consumo de energia 100% renovável”, defendeu Francisco Guerreiro em declarações à Lusa.

O cabeça de lista do PAN às eleições europeias de domingo agradeceu aos jovens a sua acção pelo ambiente, sublinhando o “modo político mas apartidário” com que têm agido: “Isso é relevante, unir-nos em torno de causas.”

As alterações climáticas são, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, o maior problema da humanidade, e vão afetar dramaticamente o futuro se nada de substancial for feito.

As emissões de gases com efeito de estufa, que os países tentaram controlar no Acordo de Paris de 2015, mas que continuam a aumentar, estão já a afectar o clima e a natureza das mais diversas formas, segundo os cientistas.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Alguns dos pontos essenciais relacionados com as alterações climáticas:

Acordo de Paris

Numa conferência da ONU em Paris, em Dezembro de 2015, surgiu o chamado Acordo de Paris, segundo o qual a quase totalidade dos países do mundo se comprometeram a limitar o aumento da temperatura média global abaixo dos dois graus celsius (2ºC) em relação à época pré-industrial. Está provado que a temperatura no planeta tem vindo a aumentar e que tal se deve à acção humana. O Acordo de Paris pretende limitar esse aquecimento a menos de 2ºC e que de preferência não ultrapasse os 1,5ºC.

IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), formado por cientistas e sob os auspícios da ONU, lançou em Outubro do ano passado um relatório científico segundo o qual é urgente que se tomem medidas para impedir que o aumento da temperatura exceda os 1,5ºC, salientando que as consequências de esse aumento ser de 2ºC são muito piores. Não ultrapassar até ao fim do século os 1,5ºC de aumento de temperatura significa reduzir em 45% até 2030 as emissões de dióxido de carbono.

A actividade humana provocou já o aumento da temperatura em 1ºC. Com um aumento de 0,2ºC por década os 1,5ºC serão atingidos em 2040, se nada for feito.

Aquecimento global

O aquecimento global é o nome que se dá ao aumento da temperatura sentido no planeta, seja na atmosfera seja nos oceanos, devido à actividade humana, especialmente pela queima de combustíveis fósseis. Substituir os combustíveis fósseis por energia limpa, como a eólica ou solar, diminui substancialmente a emissão de gases com efeito de estufa.

Estudantes pelo clima em Dresden (Alemanha)
© EPA/FILIP SINGER

Muitos países, entre eles Portugal, já anunciaram medidas de transição e eficiência energética para as próximas décadas, ainda que de concreto nada de substancial tenha sido feito.

O aquecimento global tem efeitos na diminuição das calotes polares, na subida do nível das águas do mar, na acidificação dos oceanos, na destruição de ecossistemas e na diminuição e extinção de espécies, e provoca fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais intensos e frequentes.

Acidificação

A grande quantidade de dióxido de carbono lançado para a atmosfera, que provoca o chamado “efeito de estufa”, faz também com que aumente a quantidade de dióxido de carbono que se dissolve na água do mar.

Na ligação do dióxido de carbono com a água do mar forma-se o ácido carbónico, que acidifica e que se transforma, contribuindo para a acidificação. Estudos que têm sido divulgados indicam que o ph (nível de alcalinidade, neutralidade ou acidez da água) está a mudar e que a acidez dos oceanos aumentou 30%.

A acidificação pode afectar animais com conchas, algas e corais, mudar habitats e reduzir espécies (o bacalhau, por exemplo, segundo um estudo recente). Há estudos que alertam que se nada for feito o aumento da acidificação pode acabar com toda a vida nos oceanos.

Impactos nos ecossistemas

À destruição da biodiversidade causada directamente pelo Homem junta-se a destruição causada pelas alterações climáticas. Segundo um relatório científico divulgado em Abril passado, um quarto de 100 mil espécies avaliadas pode extinguir-se, seja por pressões causadas pelo homem seja pelas alterações climáticas. Os cientistas dizem que a extinção de espécies está a ocorrer a uma rapidez nunca antes registada.

Já este mês um relatório das Nações Unidas alertava que está ameaçado um milhão das oito milhões de espécies animais e vegetais que se estima existirem na Terra, sendo as alterações climáticas uma das causas directas.

Especialistas e investigadores têm ciclicamente divulgado estudos alertando para o declínio de espécies pela deterioração ou destruição de ecossistemas. E há pelo menos um estudo que diz que a maior extinção em massa do planeta aconteceu devido às alterações climáticas.

Estudantes protestam em Bona (Alemanha)
© EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Degelo dos pólos e dos glaciares e subida do nível das águas do mar

O aumento da temperatura na Terra também se faz sentir nos pólos levando a que as massas de gelo derretam mais rapidamente. Há dois meses, na IV Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, no Quénia, foi apresentado um relatório segundo o qual a temperatura do Árctico vai aumentar entre 3ºC a 5ºC até 2050. Para a Antárctida também têm sido apresentados estudos com dados similares.

O degelo nos pólos, onde o aumento da temperatura é superior à média, e o recuo dos glaciares afecta também a biodiversidade e as espécies que ali habitam (incluindo o Homem) e levará ao aumento do nível as águas do mar.

Especialistas estimam que o gelo marinho do Árctico tenha diminuído 40% desde 1979 e que os Verões na região deixarão de ser gelados antes de 2030, a continuarem as actuais emissões de dióxido de carbono.

Um trabalho publicado em Fevereiro na revista científica Nature indica que o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida vai causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, com os investigadores a alertarem que com a actual emissão global de CO2 as temperaturas irão subir 03ºC a 04ºC.

Uma equipa de investigadores da Nova Zelândia, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos diz que vai haver uma subida acentuada do nível do mar a partir de 2065. E outra alerta para que os glaciares dos Alpes europeus vão perder metade do gelo até 2050.

A subida do nível do mar vai levar ao desaparecimento de zonas ribeirinhas e pode mesmo submergir países inteiros. As ilhas Fiji ou as ilhas Marshall por exemplo. Um estudo científico desta semana alerta para uma subida do nível do mar que pode atingir os dois metros.

Fenómenos meteorológicos extremos

Fenómenos meteorológicos extremos – ondas de calor, chuvas fortes, tempestades e inundações, períodos extensos de seca – decorrentes das alterações climáticas são cada vez mais frequentes, sendo dos exemplos mais recentes os ciclones que assolaram o centro e norte de Moçambique.

Mas segundo cientistas, num estudo publicado no final do ano passado na revista Nature Climate Change, vão intensificar-se até ao fim do século as catástrofes climáticas múltiplas, das ondas de calor extremo aos incêndios, das inundações às super-tempestades. Erik Franklin, investigador no Instituto de Biologia Marinha da Universidade do Havai, diz no estudo que as catástrofes estão a ocorrer e que vão piorar.

O aquecimento global está a levar a grandes secas e incêndios devastadores nas zonas secas, a chuvas intensas e inundações nas zonas húmidas e à formação de super-tempestades nos oceanos de água mais quente.

No ano passado os Estados Unidos ou a Austrália enfrentaram secas intensas e grandes incêndios, com temperaturas inéditas. Uma vaga de frio matou duas dezenas de pessoas nos Estados Unidos. Portugal também teve temperaturas muito elevadas.

Há dois anos, no final da 23.ª Conferência da ONU sobre o clima, em Bona, mais de 15 mil cientistas de 184 países concordaram que o planeta está a ser “desestabilizado pelas alterações climáticas”. Os exemplos são cada vez mais frequentes, embora desacreditados por líderes de países como os Estados Unidos, a Rússia, a Arábia Saudita ou o Kuwait.

Actualmente o consenso científico é o de que os efeitos das alterações climáticas estão a ser mais rápidos, mais intensos, mais frequentes e mais devastadores, em termos económicos, mas também humanos, com implicações na saúde e disponibilidade de alimentos no futuro.

Apesar do compromisso do Acordo de Paris as emissões de gases com efeito de estufa não estão a diminuir.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Maio 2019 — 10:57

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2014: Conseguirá a Terra sair ilesa se o Sol ficar sem combustível?

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Planetas rochosos formados por elementos densos serão, muito provavelmente, os únicos sobreviventes da morte explosiva de uma estrela. Esta descoberta dá-nos pistas preciosas sobre o futuro da Terra.

Quando uma estrela morre destrói tudo o que a rodeia, excepto os pequenos e densos planetas rochosos. Estes são os objectos com maior probabilidade de sobreviverem, ao contrário dos planetas pesados e gasosos, que se desmoronam e perecem.

Esta é a descoberta mais recente de uma equipa de astrofísicos da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Os cientistas chegaram a esta conclusão após várias simulações que analisaram a interacção de uma estrela anã branca e um planeta próximo. O objectivo era determinar se os objectos espaciais conseguiam suportar a aniquilação da estrela.

Esta experiência foi muito interessante na medida em que se espera que o nosso próprio Sol se torne uma estrela anã branca no futuro. Assim sendo, somos os primeiros a interessar-nos pelo possível destino da Terra.

Quando uma estrela com pouca massa, como o Sol, queima todo o seu combustível, expande as suas camadas externas até se transformar numa gigante vermelha. Por sua vez, essas camadas externas espalham-se nas proximidades da estrela, ameaçando causar a completa destruição de qualquer planeta que esteja ao seu redor.

Depois, a gigante vermelha encolhe-se e transforma-se numa estrela altamente densa, chamada anã branca, que irá, a pouco e pouco, perdendo o calor durante bilhões de anos. Qualquer planeta que se arrisque a ficar no seu caminho durante este cataclismo, seria extremamente afortunado se conseguisse sobreviver. Contudo, existem vários planetas que não estão preparados para resistir a esta tempestade.

O que os cientistas descobriram foi que os pequenos planetas rochosos são os que têm maior probabilidade de sobreviver à morte explosiva de uma estrela. O artigo científico com os resultados desta investigações foi recentemente publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os astrónomos investigaram os efeitos da morte estelar em planetas de vários tamanhos, desde as super-terras até aos pequenos exoplanetas. Dimitri Veras, do Departamento de Física do Instituto de Warwick, adiantou que este estudo é o primeiro dedicado à investigação dos efeitos dos fluxos entre as anãs brancas e os planetas.

Mas o que é que estes resultados podem significar para o futuro do nosso planeta? Os astrónomos prevêem que o nosso Sol, que tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, continuará a queimar as suas reservas de combustível durante mais 5 mil milhões de anos, até se transformar numa gigante vermelha.

No entanto, quando esse momento chegar, os cientistas não têm a certeza do que irá acontecer com um planeta de “multi-camadas” como a Terra. Ainda assim, na sua essência, os planetas uniformes constituídos maioritariamente de elementos mais densos e mais pesados, tais como metais pesados, têm boas possibilidades de sobrevivência.

Outro factor que é preciso ter em conta é a distância a que o planeta está localizado da estrela moribunda. A equipa afirma que a distância segura até à estrela é de um terço da distância entre o Sol e Mercúrio. Mercúrio localiza-se a uma distância de 57,9 milhões de quilómetros do Sol.

A Terra está a 149,6 milhões de quilómetros do Sol, uma distância que é conhecida como unidade astronómica. Sim, há esperança de estarmos a salvo.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Maio, 2019


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1907: Afinal, o Universo é mais novo do que pensávamos

(CC0/PD) myersalex216 / Pixabay

Volvidos mais de 10 mil milhões de anos após a sua formação, o Universo parece ter ainda muito por contar. Uma nova investigação, levada a cabo pelo Nobel da Física Adam Riess, concluiu que o Cosmos não só é mais novo do que os cientistas imaginavam, como também se expande 9% mais rápido do que apontavam cálculos anteriores baseados no rescaldo do Big Bang.

A nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astrophysical Journal, recorreu a novas medições do Telescópio Espacial Hubble para calcular a taxa de expansão do Universo que há décadas intriga cientistas.

Riess, astrónomo da Universidade de Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e vencedor do Nobel da Física em 2011, acredita que a discrepância observada relativamente aos dados anteriores não é um mero acidente científico, defendendo que pode ser necessária uma “nova Física” para compreender a velocidade de expansão do Universo.

“Este descompasso tem vindo a crescer e agora atingiu um ponto no qual é realmente impossível descartá-lo como um acaso. Esta disparidade não poderia ocorrer de forma plausível por mero acaso”, explicou Riess, que liderou o projecto, em comunicado.

Para esta investigação, Riess e a sua equipa (SH0ES) analisaram a luz de 70 estrelas na galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães, recorrendo a um novo método que permitiu capturar imagens rápidas destas estrelas. As estrelas em causa – chamadas de variáveis ​​Cefeidas – iluminam-se e perdem intensidade no seu brilho em taxas previsíveis que são comummente utilizadas para medir distâncias intergalácticas próximas.

Apesar de comum, este método é extremamente lento: o telescópio Hubble só consegue observar uma estrela a cada órbita de 90 minutos em torno da Terra. Recorrendo ao novo método, a que a equipa chamou de DASH, os cientistas usaram a câmara como uma ferramenta de “apontar e disparar” para observar as Cefeidas, permitindo realizar observações a uma dúzia de estrelas em simultâneo.

A partir destes dados, Riess e a sua equipa conseguiram fortalecer a base da “escada” de distância cósmica, que é utilizada para determinar distâncias no Universo, e calcular a constante de Hubble – valor que mede a velocidade com que o Cosmos se expande. O seu inverso, chamado o “tempo de Hubble”, corresponde ao tempo volvido desde o Big Bang, ou seja, corresponde à idade do Universo.

Recolhidos os dados, a equipa comparo-os depois com outras observações realizadas pelo Projecto Araucaria, que reúne astrónomos da Europa, Chile e Estados Unidos.

À medida que as medições se tornaram mais precisas, o cálculo da constante de Hubble manteve-se em desequilíbrio com o valor esperado derivado das observações da expansão do Universo primordial pelo satélite Planck da Agência Espacial Europeia (ESA).

De acordo com o recente estudo, o valor da constante de Hubble é de 74,03 quilómetros por segundo por megaparsec. Por isso, os cientistas deduziram a partir deste número que o Universo expande-se actualmente 9% mais rápido do que o que foi observado pelo telescópio Planck no Universo primordial, que calcou o valor de 67,4 quilómetros por segundo por megaparsec para a mesma constante.

“Não se trata apenas de dois procedimentos experimentais em desacordo”, sustentou Riess. “Estamos a medir algo fundamentalmente diferente. Um [procedimento] mede a rapidez com que o Universo se está a expandir hoje, tal como o vemos. O outro é uma previsão baseada na Física do Universo primitivo e nas medidas que mostram o quão rápido o Cosmos se devem expandir”, explicou.

“Se estes valores não estão de acordo, há uma grande probabilidade de nos estar a falar algo no Modelo Cosmológico que liga as duas coisas”, defendeu o astrónomo.

Partindo também dos dados do Hubble, o astrónomo calculou que o Universo tem entre 12,5 mil milhões e 13 mil milhões de anos – o “velho” Cosmos é, na verdade, mais jovem do que apontavam as estimativas anteriores (13,6 e 13,8 mil milhões de anos).

Riess não sabe explicar por que motivo se dá esta discrepância nos valores, mas vai continuar com o projecto SH0ES para refinar a constante de Hubble, visando reduzir a sua incerteza para 1%. Desde o final da década de 90, importa frisar, este valor foi sendo ajustado por diversas vezes: a taxa de incerteza era de 10% em 2010, passando para 5% em 2009 e ficando agora em 1,9% no estudo recém-publicado.

O Nobel da Física, que até aponta o dedo à misteriosa energia escura como um dos factores que pode acelerar a expansão do Universo, acredita que começa a tornar-se inevitável encontrar “algo novo” para explicar a discrepância de valores – uma “nova Física” pode estar no horizonte. “A tensão do Hubble entre o Universo primordial e o Universo tardio pode ser o desenvolvimento mais excitante da Cosmologia em décadas”, rematou.

SA, ZAP //

Por SA
30 Abril, 2019

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1866: A vida pode ter surgido em lagoas rasas (e não em oceanos profundos)

CIÊNCIA

(CC0/PD) David McEachan / Pexels

Um estudo recente descobriu que os lagos primitivos que existiam na Terra há 3.900 milhões de anos poderiam ter sido mais propensos ao surgimento das primeiras formas de vida no nosso planeta do que os oceanos profundos.

A evolução é a explicação geralmente aceite de como a vida na Terra se tornou tão complexa. No entanto, há uma ponta solta que ainda ninguém conseguiu explicar – de que forma a vida emergiu da matéria não-viva.

A hipótese predominante e mais aceite é a de que a vida começou no oceano, onde as fontes hidrotermais forneceram as reacções químicas necessárias ao surgimento de vida. No entanto, um recente estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) descobriu que os oceanos antigos não tinha nitrogénio suficiente – mas as lagoas rasas podiam ter.

O nitrogénio é considerado uma parte fundamental da transição da não-vida para a vida. De acordo com o New Scientist, a história afirma que o ácido ribonucléico (ARN) primitivo – uma molécula que ajuda a codificar a nossa informação genética – era, muito provavelmente, uma molécula flutuante.

Alguns cientistas acreditam que o ARN, quando entrou em contacto com óxidos de nitrogénio, poderia ter sido quimicamente induzido para formar aminoácidos, que então desenvolveram os primeiros organismos simples.

No entanto, segundo este tudo recentemente publicado na Geochemistry, Geophysics, Geosystems, os óxidos de nitrogénio não duraram o suficiente para conseguirem alcançar fontes hidrotermais do fundo do mar e, consequentemente, impulsionar a vida. Para sustentar esta teoria, os cientistas encontraram dois factores até agora negligenciados: a luz ultravioleta do Sol e o ferro dissolvido das rochas.

“Neste estudo mostramos que se introduzirmos estas duas novas variáveis, elas suprimem as concentrações de óxidos de nitrogénio no oceano”, resumiu Sukrit Ranjan, principal autor do estudo. Depois de terem chegado à conclusão de que os oceanos não tinham nitrogénio suficiente, colocaram novamente a questão: onde se formou, então, a vida?

Segundo a equipa do MIT, as lagoas rasas são, para já, a melhor resposta a esta pergunta. Nelas, há menos volume para os compostos serem diluídos, e este tipo de condições é propício a maiores concentrações de óxidos de nitrogénio – dando-lhes uma maior probabilidade de interagir com moléculas como o ARN e, assim, surgir a vida.

Se a premissa para a origem da vida na Terra era o nitrogénio fixo, “então é difícil que a vida tenha surgido no oceano”, conclui o cientista. “É muito mais provável que isso tenha acontecido numa lagoa.”

Os cientistas admitem que este estudo recente não resolve o debate, mas fornece uma prova intrigante para fundamentar o argumento de que a vida surgiu numa tigela rasa, e não numa sopa primordial.

ZAP //

Por ZAP
19 Abril, 2019

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1841: No vigésimo aniversário do Matrix, cientista do MIT afirma que vivemos numa simulação

Rizwan Virk, cientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), disse numa entrevista recente que estamos, muito provavelmente, a viver numa simulação.

“Diria que há mais probabilidade de estarmos a viver numa simulação do que o contrário”, afirmou Rizwan Virk, cientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), numa entrevista concedida recentemente à Digital Trends.

Durante a entrevista, o cientista delineou os traços fundamentais do seu novo livro, The Simulation Hypothesis, que investiga a teoria de que o Universo pode mesmo ser mais parecido com um jogo de computador do que com uma realidade física absoluta.

“Quem criou a nossa provável simulação gostaria de ver, dadas as escolhas aleatórias que fazemos, onde é que, enquanto civilização, acabaríamos”, sustenta o cientista, adiantando algumas hipóteses possíveis: “Iríamos destruir-nos? Criaríamos armas nucleares? Ou desenvolveríamos a nossa própria simulação?

Virk adiantou que não acha necessariamente que o facto de estarmos a viver numa simulação tenha um propósito, como ultrapassar obstáculos e ver, por exemplo, se conseguimos lidar com as alterações climáticas. “Em vez disso, assim como acontece em qualquer jogo online multiplayer, cada personagem tem seu próprio conjunto individual de missões e a liberdade de escolha para decidir o que fazer a seguir.”

A hipótese de que a realidade física é uma ilusão e todos nós estamos a viver dentro de uma simulação de computador foi notoriamente abordada em 1999, no filme The Matrix, e é agora explorada pelo investigador do MIT.

(dr) Warner Bros.
The Matrix, 1999

Será que somos todos programas de Inteligência Artificial (IA), que são executados em servidores subterrâneos de uma civilização futura avançada? Será que as nossas mentes estão a ser escravizadas enquanto os nossos corpos alimentam um planeta utópico? Não sabemos. Certo é que Virk suspeita disso mesmo, e vais mais longe, afirmando que há mais hipóteses de esta teoria estar correta do que não estar.

Vinte anos depois, o The Matrix continua a ser uma teoria plausível, pelo menos para alguns. Dentro deste grupo insere-se Nick Bostrom, professor da Universidade de Oxford, que escreveu um artigo em 2003 que explora esta hipótese, apresentando um argumento estatístico inteligente para a hipótese da simulação.

Imagine que uma civilização chega ao ponto de simulação capaz de criar “simulações ancestrais” altamente realistas. Com mais poder de computação, esses seres são capazes de desmembrar novos servidores e novas civilizações num ápice. Por sua vez, cada um desses servidores pode ter biliões de seres simulados dentro deles.

Por esse motivo, Bostrom defendia que o número de seres simulados é muito superior ao número de seres biológicos. E Virk é da mesma opinião.

Actualmente, usamos simulações de computador para prever interacções planetárias e jogamos videojogos por entretenimento. Mas a hipótese está em cima da mesa: em vez de jogadores, podemos mesmo ser meros personagens de um jogo da vida real.

LM, ZAP //

Por LM
13 Abril, 2019

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1776: Vida em Marte? Organismos terrestres sobrevivem 533 dias no Espaço

NASA
A EEI – Estação Espacial Internacional

Vários organismos terrestres, acostumados às severas condições da Terra, conseguiram sobreviver 533 dias no vácuo, expostos à intensa radiação ultravioleta e a variações extremas de temperatura.

Isto significa que não é completamente impossível que a vida sobreviva em Marte. De todos os planetas, o Vermelho parece ser o candidato mais provável a receber vida. No entanto, é extremamente inóspito – empoeirado, árido, mais baixo em gravidade e oxigénio, sujeito a radiação severa devido à sua atmosfera mais fina, frio e destruído por tempestades de poeira que podem mergulhar o planeta na escuridão.

Apesar de os cientistas ainda não terem provado que existe vida em Marte, há formas de testar a viabilidade da sua presença no planeta. Uma delas é procurar vida em ambientes semelhantes ao Planeta Vermelho, mas na Terra; outra é usar um recurso valioso: a Estação Espacial Internacional (EEI).

O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) conduziu uma experiência – BIOMEX – na qual organismos como bactérias, algas, líquens e fungos foram expostos a condições semelhantes a Marte a bordo da EEI.

Os organismos terrestres foram cultivados e simuladores de solo marciano e colocados fora da Estação Espacial na instalação Expose-R2. Os organismos permaneceram lá durante 18 meses, entre 2014 e 2016, antes de serem trazidos de volta à Terra para análise.

Os resultados surpreenderam os cientistas: estes organismos terrestres conseguiram sobreviver 533 dias no vácuo, expostos à intensa radiação ultravioleta e a variações extremas de temperatura.

“Alguns dos organismos e biomoléculas mostraram uma tremenda resistência à radiação no espaço sideral e, na verdade, retornaram à Terra como ‘sobreviventes’ do Espaço”, disse o astro-biólogo Jean-Pierre Paul de Vera, do Instituto DLR.

A equipa revelou ainda ter estudando a “archaea, que são microrganismos unicelulares que existem na Terra há mais de 3,5 mil milhões de anos e que vivem em águas salgadas. As nossas ‘cobaias de teste’ são parentes das que têm sido isoladas no permafrost árctico”.

Além de terem sobrevivido em condições espaciais, estes organismos também são detectáveis. Organismos que podem sobreviver em tais condições inóspitas são conhecidos como extremófilos, e são considerados o tipo mais provável de organismo vivo que poderia existir noutros planetas (ou nas luas Europa ou Encelado).

Com esta experiência, os cientistas demonstraram que, pelo menos teoricamente, estes organismos conseguiriam sobreviver no Planeta Vermelho. O artigo científico foi recentemente publicado na Astrobiology.

“Isto não significa que existe vida em Marte. Mas a busca pela vida é, agora mais do que nunca, a força motriz para as próximas missões”, concluiu Jean-Pierre de Vera.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
29 Março, 2019

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