2247: Investigação redefine linha temporal da vida em Marte

Pequenos grãos de zircão ígneo dentro deste fragmento rochoso foram fracturados pelo lançamento a partir de Marte, mas permaneceram inalterados por mais de 4,4 mil milhões de anos.
Crédito: Western’s Zircon and Accessory Phase Laboratory

Investigadores canadianos, liderando uma equipa internacional, mostraram que a primeira “chance real” de Marte ter desenvolvido vida começou cedo, há 4,48 mil milhões de anos, quando meteoritos gigantescos e inibidores da vida pararam de atingir o Planeta Vermelho. As descobertas não esclarecem apenas as possibilidades para o vizinho mais próximo da Terra, mas também podem redefinir a linha temporal da vida no nosso próprio planeta.

O estudo foi publicado na passada segunda-feira na revista Nature Geoscience.

Os investigadores da Universidade Western sugerem que as condições em que a vida pode ter prosperado podem ter ocorrido em Marte há 3,5-4,2 mil milhões de anos atrás. Isto antecede as primeiras evidências de vida na Terra até 500 milhões de anos.

“Os impactos de meteoritos gigantescos em Marte podem, na verdade, ter acelerado a libertação das primeiras águas do interior do planeta, preparando o cenário para reacções de formação da vida,” disse Desmond Moser, cientista da Universidade Western.

O professor de Geografia e Ciências da Terra explicou que é sabido que o número e os tamanhos dos impactos de meteoritos em Marte e na Terra diminuíram gradualmente após a formação dos planetas. Eventualmente, os impactos tornaram-se pequenos e pouco frequentes para que as condições próximas da superfície pudessem permitir que a vida se desenvolvesse. No entanto, há muito que é debatido quando este bombardeamento pesado de meteoritos teve lugar.

Foi proposta uma fase “tardia” de bombardeamento pesado em ambos os planetas que terminou há cerca de 3,8 mil milhões de anos.

Para o estudo, Moser e a sua equipa analisaram os grãos minerais mais antigos e conhecidos de meteoritos que se pensa terem tido origem nas terras altas do sul de Marte. Estes grãos antigos, observados até níveis atómicos, estão quase inalterados desde que cristalizaram perto da superfície de Marte.

Em comparação, a análise das áreas impactadas na Terra e na Lua mostra que mais de 80% dos grãos estudados contêm características associadas a impactos, como a exposição a pressões e temperaturas intensas.

Os resultados sugerem que o bombardeamento pesado de Marte terminou antes da formação dos minerais analisados, o que significa que a superfície marciana teria ficado habitável quando a água se tornou abundante. A água também estava presente na Terra durante esta época – de modo que é plausível que o relógio biológico do Sistema Solar tenha começado muito antes da data aceite anteriormente.

Astronomia On-line
28 de Junho de 2019

2241: O oceano subterrâneo de Encélado é um “banquete” para a vida extraterrestre

NASA / JPL-Caltech
Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

Uma equipa de cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, acaba de descobrir que o oceano subterrâneo de Encélado – o sexto maior satélite natural de Saturno – tem mais capacidade para abrigar múltiplas formas de vida do que se imaginava até então.

O anúncio foi feito por Lucas Fifer, David Catling e Jonathan Toner, os cientistas que conduziram a nova investigação, durante a AbSciCon 2019, evento anual organizado pela American Geological Union, na capital norte-americana, que reúne uma série de conferências sobre Astrobiologia.

Desde que a missão Cassini a visitou pela primeira vez em meados de 2004, Encélado não pára de surpreender. Umas das maiores descobertas foi um conjunto de géiseres de vapor de água em torno do seu pólo sul, que revelaram a presença de um grande oceano subterrâneo. Desde então, foram realizadas dezenas de investigações para tentar perceber se nas profundezas deste mar extraterrestre, pode ter surgido vida.

O trabalho de Fifer e dos seus colegas é um dos mais recentes e mostra que as concentrações de dióxido de carbono, hidrogénio e metano no oceano interno desta lua são muito mais altas do que eu pensava, e que o pH das suas águas é surpreendentemente semelhantes ao que é registado nas águas da Terra.

“Estes altos níveis de dióxido de carbono também implicam um nível de pH mais baixo e mais semelhante ao da Terra  no oceano de Encélado do que estudos anteriores tinham demonstrado. É um bom presságio para a vida também “, disse Fifer.

“Embora existam excepções, a maior parte da vida na Terra funciona melhor ao consumir água com um pH quase neutro, então condições similares em Encélado podem ser encorajadoras (…) [Estes compostos] tornam também muito mais fácil comparar este estranho mundo oceânico a um ambiente que nos é mais familiar”.

Estas condições são ideais para suportar múltiplas formas de vida bacteriana. Tal como observa o diário espanhol ABC, onde há comida, (pode) haver vida. E este mar subterrâneo revelou ser um banquete para estas formas de vida tão procurada.

Para o mesmo apontou Fifer: “Noutras palavras, e tendo em conta que há tanto almoço grátis disponível, qual é a maior quantidade que a vida poderia estar a comer para deixar para trás a quantidade [de compostos] que vemos? Quanta vida suportaria? ”.

ZAP //

Por ZAP
27 Junho, 2019

2191: Sal de mesa descoberto numa Lua de Júpiter aumenta esperanças de vida alienígena

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A descoberta dos compostos de sal de mesa na Europa, uma das luas de Júpiter, pode abrir a possibilidade de que haja lá vida alienígena ou que este seja um lugar habitável no futuro.

Acredita-se que Europa, uma lua congelada em torno de Júpiter, seja um dos mundos mais habitáveis do sistema solar. Foi primeiro avistado em detalhe pela sonda Voyager 1 em 1979, revelando uma superfície quase desprovida de grandes crateras.

Este satélite é principalmente feito de silicato e, segundo o Tech Explorist, tem uma crosta de gelo e provavelmente um núcleo de ferro e níquel. A sua atmosfera é composta maioritariamente por oxigénio e, por debaixo do gelo, água salgada. No entanto, as observações não permitiram saber ao certo como é a água salgada desta Lua.

Agora, um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, mostra que pode ser cloreto de sódio, conhecido como sal de mesa. Isto tem implicações importantes para a potencial existência de vida nas profundezas ocultas da Europa.

Os cientistas acreditam que a circulação hidrotermal no oceano, possivelmente impulsionada por fontes hidrotermais, pode naturalmente enriquecer o oceano em cloreto de sódio, através de reacções químicas entre o oceano e a rocha. Na Terra, acredita-se que as fontes hidrotermais sejam uma fonte de vida, como as bactérias.

De acordo com o The Conversation, descobriu-se que as plumas que emanam do pólo sul da lua de Saturno Enceladus, que tem um oceano semelhante, contêm cloreto de sódio, tornando tanto Europa quanto Enceladus alvos ainda mais atraentes para exploração.

Se olharmos para o espectro da luz reflectida da superfície, podemos inferir quais as substâncias que lá estão. Isto mostra evidências de gelo. A questão pertinente dos cientistas é se essas substâncias vêm do interior da Europa.

Para produzir ácido sulfúrico em água gelada, é necessário uma fonte de enxofre e energia para impulsionar a reacção química. Parte disso pode vir de dentro da lua na forma de sais de sulfato, alguns dos quais podem ser libertados por meteoritos, mas a explicação mais plausível é que vem da sua lua vulcânica, Io.

A equipa responsável por este novo estudo argumentou que o lado da Europa ao longo da sua órbita, o principal hemisfério, que é protegido do bombardeamento de enxofre, pode ser o melhor lugar para procurar evidências de quais sais realmente existem dentro da lua.

Os investigadores usaram o poderoso Telescópio Espacial Hubble e descobriram evidências de cloreto de sódio. Embora já houvessem suspeitas de sais na Europa, os dados mais recentes do Hubble permitiram que os cientistas o reduzissem a uma região chamada de terreno do caos. Isto significa que eles provavelmente virão do interior da Europa.

A vida como a conhecemos precisa de água líquida e energia. O facto da Europa ter um oceano líquido diz-nos que há água líquida e uma fonte de energia para impedir que ela congele. Mas a composição química do oceano também é crucial. Salmoura, “água salgada”, tem um ponto de congelamento menor do que a água pura, o que significa que torna a água mais habitável.

O sal, especificamente os iões de sódio no sal de mesa, é também crucial para toda uma gama de processos metabólicos na vida vegetal e animal. Em contraste, alguns outros sais, como os sulfatos, podem inibir a vida se presentes em grandes quantidades.

Os cientistas estavam ansiosos para puderem apontar que podem estar a ver apenas a ponto do icebergue de uma complicada cadeia de processos sub-superficiais. Mas, para aqueles que esperam que haja vida na Europa, a descoberta do cloreto de sódio é uma excelente notícia.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

 

2178: As luas fora do Sistema Solar podem esconder vida extraterrestre

CIÊNCIA

ESO/M. Kornmesser

As luas que orbitam planetas fora do Sistema Solar (exoluas) podem abrigar vida extraterrestre, segundo sustentam astrofísicos numa nova investigação.

Os planetas para lá do Sistema Solar são já mais de 4000, mas apenas uma pequena fatia destes mundos está na chamada zona habitável, isto é, tem condições para abrigar vida.

No entanto, e contrariando as baixas possibilidades de habitabilidade, alguns exoplanetas podem ter os seus próprios satélites (exoluas) com água no estado líquido. Partindo deste pressuposto, os cientistas defendem que as exoluas devem ser tidas em conta quando se procura por vida extraterrestre.

“Estas luas podem ser aquecidas no seu interior pela atracção gravitacional do planeta que orbitam. Por isso, podem conter água líquida mesmo estando fora da zona habitável, onde encontramos planetas semelhantes à Terra”, explicou Phil Sutton, cientista da Universidade de Lincoln, no Reino Unido.

Caso os cientistas consigam detectar as exoluas, estes satélites podem ser a chave para a tão procurada vida extraterrestre. “Acredito que, se pudermos encontrá-las, as luas oferecem um caminho mais promissor para encontrar vida extraterrestre”, frisou.

Devido ao seu tamanho e à distância a que se encontram da Terra, as exoluas são extremamente difíceis de encontrar. Por isso, explicou Sutton, os cientistas terão que debruçar o seu trabalho de localização através do efeito que produzem nos objectos à sua volta, como é o caso dos anéis planetários.

Para a nova investigação foram utilizadas simulações computorizadas para modelar os anéis em torno do exoplaneta J1407b, que são 200 vezes maiores do que os de Saturno. Sutton quis perceber se o espaço entre as luas era o resultado da acção das luas.

O estudo apontou que, apesar de as luas influenciarem a dispersão de partículas ao longo da borda do anel neste exoplaneta, é improvável que as lacunas tenham sido causadas por forças gravitacionais de uma lua desconhecida.

Apesar dos resultados inconclusivos, pesquisas publicadas anteriormente sugerem que existem muitas lacunas no maciço “disco formador da lua” do exoplaneta J1407b, que podem ser explicadas pelas exoluas.

A investigação, que será publicado na revista científica Monthly Notices da Astronomical Society, está disponível para visualização no arquivo de pré-publicação arXiv.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
15 Junho, 2019

2117: A vida extraterrestre pode ter “cara” de massa

CIÊNCIA

Bruce W. Fouke
Micróbios fontes termais de Yellowstone criam formações rochosas semelhantes a fettuccini ou capellini.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, acredita que os seres extraterrestres podem assemelhar-se à forma da massa comum, estando longe das pequenas criaturas verdes que a ficção foi criando.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas analisaram as águas geotermais ricas em minerais do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, e descobriram que os micróbios que proliferam nestes ambientes assemelham-se à massa comum, como o fettuccini ou capellini, revela o novo estudo financiado pela NASA e cujos resultados foram no fim do mês de Abril publicados na revista científica Astrobiology.

O autor do estudo, Bruce Fouke, da Universidade de Illinois, acredita que estas formações em forma de massa podem ser as primeiras pistas para encontrar vida noutros planetas para lá da Terra. Podem ser uma evidência crucial para rastrear estes seres.

“Se formos a um outro planeta com um rover, adoraríamos ver micróbio vivos ou pequenas mulheres e homens verdes em naves espaciais. Mas a verdade é que estaremos a procurar por uma vida que, provavelmente, está a crescer numa primavera quente, [será] uma vida que foi fossilizada”, explicou o especialista citado pelo Live Science.

Partindo do “laboratório” natural de Yellowstone, Fouke explicou que os minerais precipitam fora da água, criando formações compostas por carbonato de cálcio, que são normalmente conhecidas como travertino. No entanto, frisou o cientista, estas formações não são moldadas no vácuo, sendo antes construídas por micróbios.

As águas aquecidas do Parque Nacional de Yellowstone, que chegam a atingir uma temperatura entre 65 e 72 graus Celsius e um pH baixo entre 6,2 e 6,8, ou seja, a água é mais ácida do que básica, são o ponto central do estudo. A análise da água concluiu que 98% dos microrganismos encontrados são Sulfurihydrogenibium yellowstonense.

Os cientistas recolheram amostras de fileiras de micróbios filamentosos que se desenvolvem nestas águas. Estas formações parecem-se com massa e cada fileira consiste em três biliões de células interligadas entre si.

Em águas paradas, contudo, os micróbios comportam-se de outra forma, criando rastos de mucosas soltas. Estes organismos evoluíram há 2,5 mil milhões de anos, quando não havia ainda oxigénio na atmosfera da Terra.

De acordo com os cientistas, os seus vestígios de vida devem parecer-se com pegadas longas e fossilizadas na superfície das rochas. E, por isso, estas formações podem vir a servir como pista para identificar vida extraterrestre passada.

A equipa acredita que estes seres de Yellowstone possam ser muito semelhantes a qualquer outra forma de vida para lá da Terra. “Quando tivermos uma pedra de travertino que se assemelhe a fettuccini, e se essa rocha é recolhida e analisada em Marte, então teremos o conjunto completo destas análises extremamente avançadas em micróbios”, rematou o autor do estudo.

ZAP //

Por ZAP
5 Junho, 2019



1979: Cientista afirma que há vida em Marte (e outros mundos onde pode florescer vida alienígena)

CIÊNCIA

(PD/CC0) GooKingSword / pixabay

Alguns astro-biólogos teorizam que, no passado, Marte tinha um ambiente ainda mais adequado para a vida do que a versão mais jovem na Terra. Alicerçado nesta teoria, Michael Finney acredita que o Planeta Vermelho pode ainda alojar vida.

No entender de Finney, co-fundador da The Genome Partnership, uma organização sem fins lucrativos que organiza as conferências Advances in Genome Biology and Technology, partindo do princípio que já houve vida em Marte, este pressuposto sugere que algumas formas de vida ainda lá estão – mesmo que escondidas sob a superfície do planeta.

“Se havia vida em Marte, esta pode ter-se movido, pode ter-se escondido um pouco, mas provavelmente ainda está lá“, afirmou o cientistas no fim do mês numa conferência na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

“Há quatro mil milhões de anos, a superfície marciana era um mundo mais húmido, abundante em rios, lagos e vastos oceanos. No entanto, Marte deixou de ser habitável à medida que perdeu o seu campo magnético global, abrindo caminho para que partículas nocivas oriundas do Sol atingissem a atmosfera do planeta”, sustentou.

O processo que transformou Marte no planeta seco e frio que conhecemos hoje foi observado e registado pela agência espacial norte-americana. Apesar de não haver água corrente na sua superfície, a água pode realmente existir no subsolo marciano, de acordo com dados recolhidos pela NASA.

Alguns astro-biólogos afirmam que Marte foi um berço mais propício à vida do que a Terra nos seus primórdios, numa hipótese científica cada vez mais consensual de que a vida foi trazida para a Terra por meteoritos compostos por rochas marcianas.

Estudos recentes não encontraram evidências de vida no ar marciano, mas a NASA observou, há uns meses, alguns indícios estranhos: o rover Curiosity descobriu sinais de metano numa cratera. A sonda, que estuda a cratera de Gale desde 2012, estabeleceu que a concentração desta substância na atmosfera da cratera tem períodos sazonais.

O metano é um composto orgânico gerado, na Terra, por fontes que incluem micróbios e outros organismos semelhantes. Assim, segundo esta teoria, pode ainda existir vida em Marte. Contudo, podem existir outras explicações para a presença deste composto, como processos abióticos devido à reacção da água quente com rochas específicas.

Ainda assim, mesmo que o metano de Marte seja de origem orgânica, as criaturas que o geraram podem estar mortas há muito tempo. Ou seja, evidências de metano em Marte, ou noutro qualquer mundo, não são prova directa da existência de vida alienígena.

Contudo, Michael Finney, não perde a esperança: “Se Marte teve vida há 4 mil milhões de anos, Marte ainda tem vida. Nada aconteceu em Marte que tivesse destruído a vida”.

Outros mundos onde pode florescer vida alienígena

Apesar de todas as potencialidade de Marte, o Planeta Vermelho não é o único mundo no Sistema Solar que pode abrigar vida, tal como observa o portal Space.com.

Na verdade, a maioria dos astro-biólogos colocaria sem hesitar Marte na lista dos locais onde pode florescer vida alienígena, mas só depois da lua de Júpiter, Europa, e dos satélites naturais de Saturno, Enceladus e Titã.

Europa e Enceladus abrigam oceanos profundos de água salgada líquida sob suas conchas geladas. No caso de Titã, os cientistas acreditam ainda que o satélite tenha um oceano de água subterrânea, tendo também lagos e mares de hidrocarbonetos líquidos na superfície. Ambas as luas estão sob o olhar atento da NASA, que vai levar a cabo vários projectos de exploração, como o NASA New Frontiers, que deverá arrancar em 2025.

Até o infernal Vénus pode ainda ter alguns redutos habitáveis, segundo as projecções dos cientistas. À semelhança de Marte, também Vénus já teve água superficial abundante, mas um efeito estufa descontrolado deixou o planeta a “arder” com temperaturas superficiais altas o suficiente para derreter chumbo.

Penny Boston, directora do Instituto de Astrobiologia da NASA no Ames Research Center, na Califórnia, disse acreditar que as possibilidade de vida em Vénus são baixas por causa do “desaguamento” do planeta. Ainda assim, defende, a existência de vida alienígena na nuvem de Vénus “precisa, definitivamente, de ser interrogada“.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
14 Maio, 2019


 

1737: Os extraterrestres podem estar a usar buracos negros para viajar pela Via Láctea sem serem vistos

ESO/WFI, MPIfR/ESO/APEX/A. Weiss et al., NASA/CXC/CfA/R. Kraft et al.

Um astrónomo da Universidade de Columbia tem um novo palpite sobre a forma como as civilizações alienígenas conseguirão viajar pela Via Láctea sem serem vistos.

De acordo com a hipótese de David Kipping, os extraterrestres disparam lasers contra buracos negros binários – ou buracos negros gémeos. Esta ideia é uma melhoria futurista de uma técnica que a NASA utiliza há várias décadas.

Actualmente, as naves espaciais já navegam no nosso sistema solar usando poços de gravidade como “balas”. A própria nave espacial entra em órbita em redor de um planeta, lança-se o mais próximo possível desse planeta ou lua para apanhar a velocidade e usa a energia adicional para viajar ainda mais rápido em direcção ao seu próximo destino.

Os mesmos princípios básicos operam nos poços profundos da gravidade em torno dos buracos negros, que não só dobram os caminhos dos objectos sólidos, mas também a própria luz.

Se um fotão, ou uma partícula de luz, entrar numa determinada região na vizinhança de um buraco negro, fará um circuito parcial ao redor do buraco negro e será lançado exactamente na mesma direcção. Os físicos chamam a estas regiões de “espelhos gravitacionais” e os fotões de “fotões boomerang“.

Fotões boomerang já se movem à velocidade da luz, de modo que não captam a velocidade das suas viagens em redor de buracos negros. Mas captam energia. A energia assume a forma de maior comprimento de onda da luz e os “pacotes” de fotões individuais carregam mais energia do que quando entraram no espelho.

No artigo publicado no arXiv a 11 de Março, o astrónomo da Columbia propôs que uma espaço-nave interestelar poderia disparar um laser no espelho gravitacional de um buraco negro em rápido movimento num sistema binário de buraco negro. Quando os recém-energizados fotões do laser voltassem, puderam reabsorvê-los e converter toda a energia extra em impulso – antes de disparar novamente os fotões no espelho.

Este sistema, que Kipping denominou de halo drive, tem uma grande vantagem sobre os mais tradicionais: não requer uma enorme fonte de combustível. As propostas actuais de velas de sinalização exigem mais energia para acelerar a nave espacial para velocidades “relativistas” (significando uma fracção significativa da velocidade da luz) do que a humanidade produziu em toda a sua história. Com o halo drive, toda a energia poderia ser minada de um buraco negro, em vez de ser gerada a partir de uma fonte de combustível.

Halo drives teriam limites: num certo ponto a nave estaria a mover-se tão rapidamente para longe dos buracos negros que não absorveria luz suficiente para adicionar velocidade adicional.

É possível resolver este problema movendo o laser da nave para um planeta próximo e, apontando o laser, para que emerja da gravidade do buraco negro para acertar a nave. Mas sem reabsorver a luz do laser, o planeta teria de queimar combustível para gerar novos feixes constantemente e acabaria diminuindo.

Uma civilização pode estar a usar um sistema como este para navegar na Via Láctea agora mesmo, segundo Kipping. Se assim for, essa civilização pode estar a minar tanto os buracos negros que estaria a mexer com as suas órbitas – poderíamos detectar os sinais da civilização alienígena a partir das órbitas excêntricas de buracos negros binários.

ZAP // Live Science

Por ZAP
19 Março, 2019

 

1718: A radiação de Hawking pode ser a chave para encontrar vida alienígena

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

O Universo é assustadoramente antigo e vasto ao ponto de vários cientistas  considerarem a possibilidade de existirem civilizações alienígenas avançadas. Até ao momento, estes seres não foram encontrados, mas o problema pode estar no método de detecção – e um matemático acaba de propor uma nova forma de rastreamento, recorrendo à hipotética radiação de Stephen Hawking.

Louis Crane, matemático da Universidade Estadual no Kansas, no Estados Unidos, é o “cérebro” do novo método que propõe rastrear a radiação de Hawking que emana dos buracos negros para procurar naves estelares de civilizações avançadas distantes.

“Uma civilização avançada iria querer aproveitar um buraco negro microscópico porque poderia atirar-se na matéria e obter energia”, sustentou Crane ao Universe Today. “Seria a melhor fonte de energia. Em particular, poderia impulsionar uma nave espacial grande o suficiente para ser protegida de velocidades relativistas”, sustentou.

Em 2009, Crane foi co-autor de um estudo que versava sobre a viabilidade de recorrer à radiação de buracos negros do físico britânico como fonte de energia para impulsionar naves espaciais, algo até agora inacessível à Humanidade.

Agora, no seu novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados no arXiv, o matemático argumenta que estas naves alienígenas, que seriam interceptadas por telescópios de raios gama de alta energia, manifestariam-se como pequenos pontos que seriam mais quentes de que qualquer outro objeto natural. Estes pontos emitiriam também uma enorme quantidade de partículas e raios gama como subproduto do buraco negro.

Segundo Crane, o cone da radiação gama apareceria em tons de vermelho durante a primeira metade da viagem de uma nave, passado depois para azul na sua segunda fase, quando começasse a desacelerar. O matemático nota que a detecção das naves estaria no limiar mais baixo do que é observável, frisando que há muitos factores desconhecidos.

“Se alguma civilização avançada tivesse já estas naves estelares, os actuais telescópios de raios gama VHE poderiam detectá-los de 100 a 1000 anos-luz se estivéssemos no seu feixes. [Os pontos] poderiam ser distinguidos das fontes naturais através dos seus constantes redshift durante um determinado período de anos”, afirmou.

Para investigar, remata, os cientistas “precisariam de fazer séries temporais de curvas de frequência das fontes de raios gama. Algo que não parecem estar a fazer actualmente”.

Dificuldades da radiação de Hawking

Assinado por Crane e Shawn Westmoreland, o artigo de 2009, também publicado no arXiv,  sugeria que um buraco negro com um raio de 2,8 metros e uma vida útil de cerca de um século, poderia produzir 15 petawatts de potência, sendo, por isso, talhado para alimentar naves e acelerá-las a velocidades próximas à da luz.

Uma das grandes dificuldades seria direccionar eficientemente a radiação de Hawking emitida pelo buraco negro. Por isso, os cientistas sugeriram que fosse bombardeado um reflector parabólico com radiação para impulsionar a nave.

Apesar da teorização de Crane e Westmoreland, os cientistas reconheceram que a Humanidade não dispõe ainda de materiais e tecnologias necessárias para a construção de uma nave deste tipo. Contudo, uma civilização alienígena avançada pode ter já conseguido atingir este feito – a procura continua.

Traçada por Hawking em 1974, acredita-se que esta radiação represente a transmissão da energia térmica no Espaço que é emitida por buracos negros devido a efeitos quânticos. A descoberta do britânico foi o primeiro vislumbre convincente sobre a gravidade quântica. Até então, a existência desta radiação continua controversa, permanecendo no campo do hipotético, tal como os seres alienígenas.

SA, ZAP //

Por SA
15 Março, 2019

 

1699: Os extraterrestres podem estar escondidos em estrelas “abraçadas”

NASA / ESA / Z. Levay (STScI)

A vida alienígena pode ser encontrada em sistemas solares nos quais as estrelas estejam comprimidas umas contra as outras, sugere um novo estudo.

O início da vida dos sistemas planetários pode ser difícil e dramático: os planetas jovens orbitam em torno dos sóis que são encontrados em aglomerados de estrelas que frequentemente colidem uns com os outros violentamente. Pensa-se que estes momentos dramáticos serão difíceis para a vida, uma vez que são agressivos e violentos.

Isto significa que as investigações se concentraram nos planetas e na vida potencial em torno das estrelas que são semelhantes às nossas, já que temos sido tendenciosos ao presumir que qualquer outro sistema solar que tenha alienígenas dentro dele seja parecido com o nosso. Praticamente, nenhum destes “gémeos solares” – estrelas que se parecem com as nossas – foram encontrados.

Mas um novo estudo da Universidade de Sheffield, escreve o The Independent, sugere que este período de dificuldade pode ser positivo pelo menos de uma maneira. Aqueles momentos difíceis em que estrelas se formam em binárias podem aumentar as probabilidades de permitir que os planeta tenham a temperatura certa, estando na zona habitável onde a água líquida pode existir e a vida pode florescer.

Quando encontram uma terceira estrela, um par binário de estrelas pode ser unido. Isto, por sua vez, poderia expandir a zona habitável, tornando a vida ainda mais possível.

A zona habitável é, por vezes, conhecida como a zona de Goldliocks: é a distância das estrelas onde a temperatura não é muito quente nem muito fria. Essas condições perfeitas são consideradas necessárias para a vida, já que a água poderá ser encontrada e as moléculas complexas que se podem transformar em vida podem formar-se.

Cerca de um terço dos sistemas estelares da nossa galáxia são compostos por estes pares binários e a probabilidade de serem maiores é quando as estrelas são jovens. Em tais sistemas, quando as estrelas estão suficientemente longe, a zona de Goldliocks é fixada pela radiação que sai da estrela individual.

Se as estrelas estiverem suficientemente próximas, o tamanho aumenta, porque as estrelas sentem o calor umas das outras e o planeta está mais propenso a estar no lugar certo, escrevem Bethany Wootton e Richard Parker, que publicaram o seu estudo na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Num típico “berçário estelar”, onde haveria 350 ou mais binários, cerca de 20 seriam espremidos de tal forma a expandir a sua zona de Goldilocks – e, com ela, a probabilidade de vida alienígena. Em alguns casos, essas zonas habitáveis ​​até se sobrepõem, o que tornaria as probabilidade de vida ainda maiores.

“O modelo sugere que existem mais sistemas binários em que os planetas se encontram nas zonas de Goldilocks do que pensávamos, aumentando as perspectivas de vida“, diz Wootton. “Aqueles mundos amados por escritores de ficção científica – onde dois sóis brilham em céus acima da vida alienígena, parecem muito mais prováveis ​​agora.”

“Enquanto ainda estamos longe de entender se estes sistemas são realmente capazes de sustentar a vida, o estudo poderá incentivar a observação de lugares onde estão a ocorrer”, disse Parker.

Isto não significa necessariamente que estivéssemos a procurar no lugar errado. Mas, à medida que aprendemos que pode ser possível que sistemas solares estáveis se desenvolvam em lugares muito diferentes dos nossos, é claro quão poucos dados temos.

Uma nova investigação poderia explorar ainda mais o que está a acontecer em torno destes sistemas e tentar descobrir o tipo de ambiente que pode ser lá encontrado.

ZAP //

Por ZAP
12 Março, 2019

 

1594: NASA diz que podemos encontrar vida alienígena já nas próximas décadas

NASA

Uma equipa de cientistas da NASA adiantou que poderá ser possível encontrar vestígios da vida alienígena nas próximas décadas, alertando, contudo, que o contacto com estas formas de vida será feito através de evidências indirectas. 

Esta é um procura de décadas: os cientistas continuam a investigar para perceberem se estamos realmente sozinhos no Universo ou se a vida alienígena pode existir noutros planetas distantes – agora, e de acordo com um novo documento da agência espacial norte-americana (NASA), parece possível chegar a uma resposta mais cedo do que imaginávamos.

Em causa está o relatório Biosignature False Positives, elaborado por cientistas do  Instituto Goddard de Estudos Espaciais e do Centro de Voos Espaciais Goddard. O documento frisa ser possível encontrar vida extraterrestre nas próximas décadas, mas nota que este contacto não terá, por exemplo, um “extraterrestre a apertar-nos a mão”, como tantas vezes esta imagem foi sendo criada ao longos dos anos na ficção científica.

“Ao tentar detectar vida em planetas que orbitam outras estrelas, a observação directa da vida – focando uma única árvore numa floresta alienígena, ou ver um alienígena, ou ter o alienígena a apertar a nossa mão) é totalmente improvável”, pode ler-se.

“Contudo, nas próximas décadas poderá ser possível observar evidências indirectas desta vida recorrendo às chamadas bioassinaturas”, afirma o relatório. Tal como explicam os cientistas, entende-se por “bio-assinatura” “qualquer medição ou observação que exija uma origem biológica para explicar o que se mede ou observa”.

Partindo do exemplo da Terra, entende-se como bioassinaturas terrestres “fósseis de dinossauros, embalagens vazias e o oxigénio”, enumera o documento. Cada uma destas observações, adianta o mesmo relatório, fornece uma evidência indirecta, de valor variável, da presença de vida existente ou já extinta.

Os falsos positivos

No mesmo documento, os cientistas alertam ainda para a possibilidade de encontrar falsos positivos durante a procura, uma vez que alguns processos podem mascarar ou imitar as provas que os cientistas há anos procuram.

“Na procura por formas de vida, seja na parte mais antiga dos registos geológicos da Terra, seja em planetas do nosso Sistema Solar, como Marte, ou especialmente em planetas extras-solares, nós devemos inferir sobre a existência de vida a partir do seu impacto local ou global sobre o ambiente”.

E sustentam: “Estas bioassinaturas, frequentemente identificadas a partir da influência conhecida de organismos terrestres sobre a atmosfera e a superfície da Terra, podem ser diagnosticadas incorrectamente quando as aplicamos a mundos alienígenas. Os chamados falsos positivos podem ocorrer quando outro processo ou conjunto de processos mascara ou imita uma bio-assinatura”, observam os autores do relatório.

Recentemente, e a propósito da procura de vida alienígena, o chefe do departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, Avi Loeb, especulou que o estranho Oumuamua, que actualmente viaja pelo nosso Sistema Solar, não fosse nem um cometa nem um asteróide, mas antes uma nave alienígena. O docente tem reiterado essa teoria.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
15 Fevereiro, 2019

 

1482: Há uma nova ferramenta (online) para manter a vida alienígena debaixo de olho

SETI

Pela primeira vez, uma nova ferramenta na Internet permite acompanhar e actualizar todas as pesquisas de inteligência artificial não terrestre (SETI) realizadas pela comunidade científica desde 1960. 

Um pouco por todo o mundo, correm investigações que procuram vida alienígena e, por vezes, torna-se difícil acompanhar todos os avanços alcançados.

Foi com isto em mente que Jill Tarter, pioneira neste campo de investigação e co-fundadora do Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), lançou o Technosearch, uma nova ferramenta disponível na Internet que compila todas as pesquisas do SETI publicadas nas últimas seis décadas. A plataforma permite ainda que os utilizadores enviem as suas próprias investigações, mantendo o banco de dados actualizado.

“Comecei a guardar este arquivo de pesquisa quando era ainda estudante”, explica Tarter citada em comunicado. “Alguns dos artigos originais foram apresentados em conferências, ou aparecem em revistas obscuras que são de difícil acesso para os recém-chegados ao campo do SETI. Estou muito contente por termos agora uma ferramenta que pode ser utilizada por toda a comunidade e com uma metodologia para mantê-la actualizada”.

Tarter desenvolveu a Technosearch em colaboração com estagiários da Research Experience for Undergraduates (REU), estudantes de pós-graduação que trabalham com o professor Jason Wright da Universidade Estadual da Pensivânia, nos Estados Unidos, e Andrew Garcia, estudante da REU em 2018 no Instituto SETI.

A Technosearch rastreia informações, incluindo dados básicos de cada observação e os seus autores, data e objectos observados e a instalação a partir da qual foi realizada. As características do telescópio utilizado são definidas, o tempo dedicado a cada objecto e o respectivo link para o artigo de investigação publicado originalmente.

Actualmente, a Technosearch conta com mais de 100 pesquisas de rádio e 38 pesquisas ópticas, totalizado cerca de 140 investigações científicas diferenciadas. No futuro, a comunidade SETI deverá colaborar para manter a Technosearch actualizada e precisa.

Desde a primeira pesquisa SETI levada a cabo por Frank Drake em 1960, astrónomos e amadores em todo o mundo têm procurado e esperam encontrar evidências de vida, especialmente vida inteligente, além do planeta Terra. Um desafio constante para os apaixonados por este tipo de investigação tem sido acompanhar as dezenas de pesquisas que já foram realizadas – a Technosearch visa colmatar esse mesmo problema.

ZAP // EuropaPress / LiveScience

Por ZAP
16 Janeiro, 2019