3874: A Via Láctea pode ter 36 civilizações extraterrestres inteligentes

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA/ASTROFÍSICA

KELLEPICS / pixabay

Uma equipa de investigadores da Universidade de Nottingham calcularam que deverá haver 36 civilizações inteligentes a comunicar activamente na nossa galáxia.

Utilizando o suposição de que a vida inteligente se forma noutros planetas de forma semelhante à da Terra, os investigadores obtiveram uma estimativa do número de civilizações comunicantes inteligentes na Via Láctea. Os cientistas calculam que poderia haver mais de 30 civilizações inteligentes em comunicação activa na nossa galáxia.

“Deveria haver pelo menos algumas dúzias de civilizações activas na nossa galáxia, partindo do princípio de que são necessários cinco mil milhões de anos para a vida inteligente se formar noutros planetas, como na Terra”, disse Christopher Conselice, professor de Astrofísica na Universidade de Nottingham, em comunicado. “A ideia é olhar para a evolução, mas em escala cósmica. Chamamos esse cálculo de limite copernicano astrobiológico”.

“O método clássico para estimar o número de civilizações inteligentes baseia-se em adivinhar valores relacionados com a vida, em que as opiniões sobre tais questões variam substancialmente. O nosso novo estudo simplifica essas suposições usando novos dados, fornecendo uma estimativa sólida do número de civilizações na nossa galáxia“, explicou Tom Westby, autor principal do estudo.

Os dois limites astrobiológicos copernicanos são a vida inteligentes se forma em menos de cinco mil milhões de anos ou após cerca de cinco mil milhões de anos – semelhante à Terra, onde uma civilização comunicante se formou após 4,5 mil milhões de anos.

“Nos fortes critérios, segundo os quais é necessário um conteúdo metálico igual ao do Sol, calculamos que deve haver cerca de 36 civilizações activas na nossa galáxia”, disseram os investigadores.

O estudo mostra que o número de civilizações depende fortemente de quanto tempo estão activamente a enviar sinais da sua existência ao espaço, como transmissões de rádio de satélites, televisão, etc. Se outras civilizações tecnológicas durarem tanto quanto a nossa, que actualmente tem 100 anos, haverá cerca de 36 civilizações tecnologicamente inteligentes em toda a nossa galáxia.

No entanto, a distância média a essas civilizações estaria a 17 mil anos-luz de distância, dificultando a detecção e a comunicação com a nossa tecnologia actual.

Também é possível que sejamos a única civilização dentro da nossa galáxia, excepto se os tempos de sobrevivência de civilizações como a nossa sejam longos.

“A nossa nova investigação sugere que a busca por civilizações extraterrestres inteligentes não só revela a existência de como a vida se forma, mas também nos dá pistas de quanto tempo a nossa própria civilização durará. Se acharmos que a vida inteligente é comum, isso revelaria que a nossa civilização poderia existir durante muito mais do que algumas centenas de anos. Alternativamente, se descobrirmos que não há civilizações activas na nossa galáxia, é um mau sinal para a nossa própria existência a longo prazo. Ao procurar vida inteligente extraterrestre – mesmo que não encontremos nada – estamos a descobrir o nosso próprio futuro e destino“, concluiu Conselice.

O estudo foi publicado esta semana na revista científica The Astrophysical Journal.

ZAP //

Por ZAP
17 Junho, 2020

 

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3849: Os extraterrestres inteligentes são raros, prevê estudo

CIÊNCIA/VIDA ALIENÍGENA

Poderão existir cerca de 3000 mundos com vida na nossa galáxia, mas os cientistas estimam que só oito civilizações terão desenvolvido capacidade de comunicação

É mais um trabalho de investigação sobre vida extraterrestre e, curiosamente, um estudo que chega a uma previsão semelhante à que Carl Sagan apresentou no programa Cosmos nos anos oitenta. O novo estudo, publicado no The Astrophysical Journal, faz uma previsão sobre o número provável de civilizações que podem existir na nossa galáxia, a Via Láctea.

Esta análise tem por base a Equação de Drake, a mesma referida no tal programa de Carl Sagan, desenvolvida em 1961. Trata-se de uma equação estatística que tenta prever o número de civilizações com as quais poderemos estabelecer comunicações, indicando aos cientistas que dados devem contemplar para fazer esse cálculo. As variáveis incluem a taxa de formação de estrelas, quantas estrelas têm planetas em órbita, número de planetas com potencial para desenvolver vida e número de planetas com vida inteligente. Como muitas destas variáveis são desconhecidas, a aplicação do cálculo tem vindo a variar de acordo com os dados que se vão descobrindo ou prevendo.

Novos cálculos

Foi o que fizeram os astrónomos Tom Westby e Christopher Conselice, que optaram por novos métodos para prever o número de civilizações na nossa galáxia. Com destaque para a ideia base que a vida em outros planetas se desenvolve de forma similar ao que aconteceu na Terra. O que significa que estes investigadores partiram do princípio que os planetas têm de estar numa zona habitável – com as condições mínimas para o aparecimento de vida – durante cerca de 5 mil milhões de anos. O tempo que demorou a civilização humana a aparecer na Terra e a desenvolver capacidade de comunicação.

Com base nestes pressupostos, chegaram à conclusão que é provável que existam oito civilizações na Via Láctea com inteligência e capacidade de comunicação, entre os cerca de 2900 mundos com capacidade para terem vida.

Como estas civilizações estarão a, pelo menos 7000 anos-luz de distância, conclui-se que só poderão ser detectadas após sete mil anos de emissões de sinais. Ou seja, mesmo que essas civilizações existam e estejam a emitir sinais, a humanidade poderá ainda terá de esperar milénios para os detectar.

Os próprios investigadores admitem que este estudo parte de pressupostos que não há forma de garantir que sejam verdadeiros. Por exemplo, é possível que o desenvolvimento de vida em outros locais na galáxia aconteça e outro modo e a outro ritmo.

O estudo está disponível aqui

Exame Informática

Sérgio Magno
15.06.2020 às 15h51

 

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3716: Qual é probabilidade de haver vida inteligente noutro planeta? Um cientista tem a resposta

CIÊNCIA/ESPAÇO

(CC0/PD) jordygoovaerts0 / pixabay

O cientista David Kipping recorreu a uma técnica estatística para aferir a probabilidade de haver vida inteligente noutro planeta que não a Terra.

Há vida e inteligência noutro planeta para além da Terra? Esta é uma pergunta à qual ninguém pode dar uma resposta. Desde a antiguidade que o ser humano se questiona se está sozinho no Universo e, cada vez mais, esta é uma pergunta que nos gera curiosidade.

Os registos geológicos mostram que a vida no nosso planeta começou relativamente rápido, assim que se reuniram condições que a suportassem. Mas, apesar de saber quando é que a vida apareceu pela primeira vez a Terra, os cientistas não entendem como é que ela apareceu. Saber responder a isto permitiria procurar com mais critério nova vida fora do nosso planeta.

Num estudo publicado esta terça-feira na revista científica Proceeding of the National Academy of Sciences, o cientista David Kipping mostra como uma técnica estatística chamada inferência Bayesiana pode revelar como é que a vida extraterrestre complexa pode evoluir noutros planetas.

“O rápido surgimento da vida e a evolução tardia da humanidade, no contexto da linha do tempo da Evolução, são certamente sugestivos”, disse Kipping, citado pelo Phys. “Mas neste estudo, é possível quantificar o que os factos nos dizem“.

Kipping usou a cronologia das primeiras evidências de vida e evolução da humanidade e questionou-se quantas vezes esperaríamos que a vida e inteligência reemergissem se a história da Terra se repetisse.

Para tal, definiu quatro hipóteses possíveis: a vida é comum e frequentemente desenvolve inteligência; a vida é rara, mas frequentemente desenvolve inteligência; a vida é comum e raramente desenvolve inteligência; e a vida é rara e raramente desenvolve inteligência. A partir daqui, pôs a inferência Bayesiana em acção.

“A técnica é semelhante às odds de apostas”, disse Kipping. “Ela incentiva o teste repetido de novas evidências contra a sua posição, em essência num ciclo de feedback positivo para refinar as suas estimativas de probabilidade de um evento”.

A análise baseia-se em evidências de que a vida surgiu num espaço de tempo de 300 milhões de anos após a formação dos oceanos da Terra. Kipping enfatiza que a probabilidade é pelo menos 10.00 ou superior, dependendo do valor real da frequência com que a inteligência se desenvolve.

A conclusão é que, se planetas com condições e linhas de tempo evolutivas semelhantes à Terra são comuns, então a vida deve ter uma probabilidade relativamente alta de surgir espontaneamente noutros planetas. A resposta final não é concreta, mas Kipping estima que a probabilidade de se haver vida inteligente será de 2.50.

A probabilidade é justificada pela relativamente tardia aparição da humanidade na janela habitável da Terra, sugerindo que o seu desenvolvimento não foi um processo fácil nem garantido.

“Se rebobinássemos a história da Terra, o surgimento da inteligência é realmente um tanto improvável”, disse Kipping. “A análise não pode fornecer certezas ou garantias, apenas probabilidades estatísticas baseadas no que aconteceu aqui na Terra”.

“No entanto, de forma encorajadora, o caso de um Universo repleto de vida aparece como a aposta preferida. A procura por vida inteligente em mundos além da Terra não deve ser de modo algum desencorajada”, conclui.

ZAP //

Por ZAP
20 Maio, 2020

 

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3664: Hidrogénio pode ser a chave para encontrar vida extraterrestre

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA Goddard Space Flight Center
Um exoplaneta e a sua atmosfera passam em frente à sua estrela.

Em vez de procurarmos exoplanetas com uma atmosfera semelhante à nossa, uma equipa de investigadores sugere que procuremos um com uma atmosfera à base de hidrogénio.

A primeira vez que encontremos evidências de vida num exoplaneta provavelmente será ao analisar os gases na sua atmosfera. Com o crescimento do número de planetas parecidos com a Terra, em breve poderemos descobrir gases na atmosfera de um exoplaneta que estão associados à vida na Terra.

Mas e se a vida alienígena usar uma química um pouco diferente da nossa? Um novo estudo, publicado esta segunda-feira na revista Nature Astronomy, argumenta que as nossas melhores hipóteses de usar atmosferas para encontrar evidências de vida é ampliar a nossa procura, concentrando-nos em planetas com atmosferas à base de hidrogénio.

Podemos sondar a atmosfera de um exoplaneta quando ele passa à frente da sua estrela. Quando isto acontece, a luz da estrela precisa de passar pela atmosfera do planeta para chegar até nós e parte dela é absorvida à medida que passa. Olhando para o espectro da estrela e calculando o que falta de luz, é possível conhecer em que gases consiste a atmosfera.

Se encontrássemos uma atmosfera com uma mistura química diferente da esperada, uma das explicações mais simples seria que ela é mantida dessa maneira através de processos biológicos. Este é o caso da Terra. A atmosfera do nosso planeta contém metano (CH₄), que reage naturalmente com o oxigénio para produzir dióxido de carbono. Mas o metano é mantido por processos biológicos.

Outra maneira de analisar isto é que o oxigénio não estaria lá se não tivesse sido libertado do dióxido de carbono por micróbios fotos-sintéticos durante o chamado grande evento de oxigenação, que começou há cerca de 2,4 mil milhões de anos.

Os autores do novo estudo argumentam que deveríamos começar a investigar mundos maiores do que a Terra, cujas atmosferas são dominadas pelo hidrogénio. Estes podem não ter oxigénio livre, porque o hidrogénio e o oxigénio formam uma mistura altamente inflamável.

O hidrogénio é a mais leve de todas as moléculas e escapa facilmente para o espaço. Para um planeta rochoso ter uma gravidade forte o suficiente para se manter numa atmosfera de hidrogénio, ele precisa de ser uma “super-terra” com uma massa entre duas e dez vezes a da Terra. O hidrogénio poderia ter sido capturado directamente da nuvem de gás onde o planeta cresceu ou ter sido libertado posteriormente por uma reacção química entre ferro e água.

Os autores realizaram experiências de laboratório nas quais demonstraram que a bactéria E. coli (milhões das quais vivem no intestino) pode sobreviver e multiplicar-se sob uma atmosfera de hidrogénio na ausência total de oxigénio. Os investigadores demonstraram o mesmo para uma variedade de fermento.

Embora isso seja interessante, não acrescenta muito peso ao argumento de que a vida poderia florescer sob uma atmosfera de hidrogénio. Já sabemos de muitos micróbios na crosta terrestre que sobrevivem ao metabolizar hidrogénio, e existe até um organismo multicelular que passa toda a sua vida numa zona livre de oxigénio, no Mediterrâneo.

Descoberto primeiro animal que não precisa de oxigénio para viver

Respirar oxigénio é uma característica fundamental dos animais multi-celulares, mas os cientistas acabam de descobrir, pelo menos, um que não…

É improvável que a atmosfera da Terra, que começou sem oxigénio, tenha mais de 1% de hidrogénio. Mas seres primitivos podem ter tido que metabolizar ao reagir hidrogénio com carbono para formar metano, em vez de reagir oxigénio com carbono para formar dióxido de carbono, como fazem os humanos.

O estudo fez uma descoberta importante. Os investigadores demonstraram que há uma “diversidade surpreendente” de dezenas de gases produzidos por produtos em E. coli que vivem sob hidrogénio. Muitos deles podem ser “bio-assinaturas” detectáveis numa atmosfera de hidrogénio. Isto aumenta as nossas hipóteses de reconhecer sinais de vida num exoplaneta.

Dito isto, processos metabólicos que usam hidrogénio são menos eficientes do que aqueles que usam oxigénio. No entanto, seres que respiram hidrogénio já são um conceito estabelecido no que diz respeito aos astro-biólogos.

Os autores do novo estudo também apontam que o hidrogénio molecular em concentração suficiente pode actuar como um gás com efeito de estufa. Isto poderia manter a superfície de um planeta quente o suficiente para obter água líquida e para garantir vida na superfície.

Por ZAP
9 Maio, 2020

 

3486: Estudo descobre que moléculas orgânicas, encontradas pelo rover Curiosity, são consistentes com vida precoce em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Compostos orgânicos chamados tiofenos podem ser encontrados na Terra em carvão, no crude e, curiosamente, em trufas brancas, o cogumelo amado por epicuristas e porcos selvagens.

Os tiofenos também foram recentemente descobertos em Marte, e o astro-biólogo Dirk Schulze-Makuch da Universidade Estatal de Washington acha que a sua presença seria consistente com a presença de vida precoce em Marte.

Schulze-Makuch e Jacob Heinz, da Universidade Técnica de Berlim, exploram algumas das possíveis origens dos tiofenos no Planeta Vermelho num novo artigo publicado na revista Astrobiology. O seu trabalho sugere que um processo biológico, provavelmente envolvendo bactérias e não uma trufa, pode ter desempenhado um papel na existência do composto orgânico no solo marciano.

“Nós identificámos vários vias biológicas para os tiofenos que parecem mais prováveis do que algumas químicas, mas ainda precisamos de provas,” disse Dirk Dirk Schulze-Makuch. “Se encontrarmos tiofenos na Terra, vamos pensar que são biológicos, mas em Marte, claro, o patamar para provar tal coisa precisa de ser um pouco mais elevado.”

As moléculas de tiofeno têm quatro átomos de carbono e um átomo de enxofre dispostas num anel, e tanto o carbono quanto o enxofre são elementos bio-essenciais. No entanto, Schulze-Makuch e Heinz não puderam excluir processos não biológicos que levaram à existência destes compostos em Marte.

Os impactos de meteoros parecem fornecer uma possível explicação abiótica. Os tiofenos também podem ser criados através de redução termoquímica de sulfato, um processo que envolve um conjunto de compostos que são aquecidos a 120º c ou mais.

No cenário biológico, as bactérias, que podem ter existido há mais de 3 mil milhões de anos atrás, quando Marte estava mais quente e húmido, poderiam facilitar um processo de redução de sulfato que resulta em tiofenos. Existem também outras vias em que os tiofenos são decompostos por bactérias.

Embora o rover Curiosity tenha fornecido muitas pistas, usa técnicas que quebram moléculas maiores nos seus componentes, para que os cientistas possam apenas olhar para os fragmentos resultantes.

Poderão surgir mais evidências do próximo rover, Rosalind Franklin, com lançamento previsto para Julho de 2020. Transportará o instrumento MOMA (Mars Organic Molecule Analyzer), que usa um método de análise menos destrutivo e que permitirá a recolha de moléculas maiores.

Schulze-Makuch e Heinz recomendam o uso dos dados recolhidos pelo próximo rover marciano para examinar os isótopos de carbono e enxofre. Os isótopos são variações dos elementos químicos que possuem números diferentes de neutrões que a forma típica, resultando em diferenças de massa.

“Os organismos são ‘preguiçosos’. Preferem usar variações isotópicas leves do elemento porque isso custa-lhes menos energia,” disse.

Os organismos alteram as proporções de isótopos pesados e leves nos compostos que produzem, que são substancialmente diferentes dos rácios encontrados nos seus blocos de construção, que Schulze-Makuch chama de “um sinal revelador de vida.”

No entanto, mesmo que o próximo rover descubra evidências isotópicas, ainda não serão suficientes para provar definitivamente que existe ou já existiu vida em Marte.

“Como Carl Sagan disse, ‘afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias,” realçou Schulze-Makuch. “Acho que a prova realmente vai exigir o envio de pessoas a Marte, e um astronauta observar através de um microscópio e ver um micróbio em movimento.”

Astronomia On-line
6 de Março de 2020

 

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3324: A vida alienígena está aí algures (só não estamos a procurar bem)

CIÊNCIA/ESPAÇO/VIDA ALIENÍGENA

(CC0/PD) myersalex216 / Pixabay

Se descobríssemos provas de vida alienígena, daríamos conta? A vida noutros planetas pode ser tão diferente do que estamos acostumados que podemos não reconhecer nenhuma assinatura biológica que ela produz.

Os últimos anos foram de mudanças nas nossas teorias sobre o que conta como uma bio-assinatura e quais planetas podem ser habitáveis, e outras mudanças são inevitáveis. Mas o melhor que podemos realmente fazer é interpretar os dados que temos com a nossa melhor teoria actual, não com alguma ideia futura que ainda não tivemos.

Este é um grande problema para os envolvidos na procura por vida extraterrestre. Como Scott Gaudi, do Conselho Consultivo da NASA, disse: “Uma coisa eu tenho a certeza, depois de passar mais de 20 anos neste campo de exoplanetas… esperar o inesperado“.

Mas é realmente possível “esperar o inesperado”? Muitas descobertas acontecem por acidente, como a descoberta da penicilina. Isto geralmente reflete um grau de sorte em nome dos investigadores envolvidos. Quando se trata de vida alienígena, é suficiente que os cientistas assumam que “saberemos quando a virmos”?

Muitos resultados parecem dizer-nos que esperar o inesperado é extraordinariamente difícil. “Muitas vezes sentimos falta daquilo que não esperamos ver”, de acordo com o psicólogo cognitivo Daniel Simons.

As suas experiências mostraram como é que as pessoas podem não ver um gorila a bater no peito mesmo à frente dos seus olhos. Neste caso, não vemos o gorila se a nossa atenção estiver suficientemente ocupada.

Também há muitos exemplos relevantes na história da ciência. Os filósofos descrevem este tipo de fenómeno como “teorias de observação”. O que percebemos depende, às vezes, das nossas teorias, conceitos, crenças e expectativas anteriores. Ainda mais comummente, o que consideramos significativo pode ser tendencioso desta maneira.

Por exemplo, quando os cientistas descobriram evidências de baixas quantidades de ozono na atmosfera acima da Antárctida, inicialmente descartaram-nas como dados mal recolhidos. Sem nenhuma razão teórica prévia para esperar um buraco, os cientistas descartaram a teoria antecipadamente. Felizmente, voltaram a verificar e a descoberta foi feita.

Poderia algo semelhante acontecer na busca por vida extraterrestre? Os cientistas que estudam exoplanetas ficam impressionados com a abundância de possíveis alvos de observação que competem pela sua atenção. Nos últimos 10 anos, os cientistas identificaram mais de 3.650 planetas – mais de um por dia.

Cada novo exoplaneta é rico em complexidade física e química. É muito fácil imaginar um caso em que os cientistas não verificam um alvo sinalizado como “insignificante”, mas cujo grande significado seria reconhecido em análises mais detalhadas ou com uma abordagem fora da caixa.

No entanto, não devemos exagerar. Na ilusão de Müller-Lyer, uma linha que termina com pontas de setas apontadas para fora parece mais curta que uma linha igualmente longa com pontas de setas apontadas para dentro. Mesmo quando sabemos com certeza que as duas linhas têm o mesmo comprimento, a nossa percepção não é afectada e a ilusão permanece.

Da mesma forma, um cientista atento pode notar algo nos seus dados que a sua teoria sugere que não deveria estar a ver.

A história também mostra que os cientistas são capazes de reparar em fenómenos surpreendentes, mesmo cientistas tendenciosos que têm uma “teoria de estimação” que não se enquadra nos fenómenos.

O físico do século XIX David Brewster acreditava incorrectamente que a luz é composta por partículas que viajam em linha recta. Mas isso não afectou as suas observações de inúmeros fenómenos relacionados com a luz. Às vezes, a observação definitivamente não é dependente da teoria, pelo menos não de uma maneira que afecta seriamente a descoberta científica.

Precisamos de manter a mente aberta

Certamente, os cientistas não podem apenas observar. A observação científica precisa de ser direccionada de alguma forma. Mas, ao mesmo tempo, se queremos “esperar o inesperado”, não podemos permitir que a teoria influencie fortemente o que observamos e o que conta como significativo. Precisamos de manter a mente aberta, incentivando a exploração dos fenómenos ao estilo de Brewster.

Estudar o universo em grande parte livre da teoria não é apenas um esforço científico legítimo – é crucial. A tendência de descrever a ciência exploratória de maneira depreciativa como “expedições de pesca” provavelmente prejudicará o progresso científico. As áreas pouco exploradas precisam de ser exploradas e não podemos saber com antecedência o que encontraremos.

Na procura por vida extraterrestre, os cientistas devem ter uma mente completamente aberta. E isto significa uma certa quantidade de incentivo para ideias e técnicas não convencionais. Agências espaciais como a NASA devem aprender com estes casos se realmente acreditam que, na busca por vida alienígena, devemos “esperar o inesperado”.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

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3095: Nove em cada dez planetas do tamanho da Terra podem abrigar vida alienígena

CIÊNCIA

Robin Dienel, cortesia do Instituto Carnegie para Ciência

Nove em cada dez planetas do tamanho da Terra podem abrigar vida alienígena, concluiu uma nova investigação levada a cabo por cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, no Estados Unidos.

De acordo com os cientistas, que publicaram as suas conclusões num artigo da revista científica Astrophysical Journal, o segredo da alta habitabilidade de um astro está na sua inclinação estável relativa à órbita de um determinado planeta em torno de uma estrela.

É esta inclinação estável que dá depois origem a estações estáveis e previsíveis que incentivam plantas e animais a prosperar e a evoluir.

Sistemas solares como o nosso, isto é, com apenas uma estrela e um grande número de planetas, são bastante raros, mas os sistemas binários, que ostentam duas estrelas, parecem ser muito comuns. E os cientistas acreditam que a presença de duas estrelas parece estabilizar a inclinação de um planeta. Por este mesmo motivo, é provável que existam planetas capazes de abrigar vida para lá do Sistema Solar.

Tendo em conta estes dados, os cientistas concluíram que 87% dos exoplanetas com dimensões semelhantes às da Terra deveriam ter inclinações de eixo igualmente estáveis – elemento vital para a estabilidade climática e evolução de organismos complexos.

“Os sistemas de estrelas múltiplas são comuns e cerca de 50% das estrelas têm estrelas companheiras binárias. Sistemas solares de estrela única com múltiplos planetas como o nosso parecem ser mais raros”, disse o cientista Gongjie Li, que esteve envolvido na investigação, em declarações ao diário britânico Daily Star.

mudanças bruscas de inclinação, à semelhança das que acontecem em Marte, podem ajudar a destruir a atmosfera dos mundos, notaram ainda os cientistas.

Apesar das eras glaciares e das ondas de calor, o clima geral da Terra tem sido calmo desde há centenas de milhões de anos, graças ao seu eixo de inclinação – ângulo entre o plano da órbita de um planeta e o equador -, permitindo assim que a vida se instale.

A orientação da Terra só muda entre 22,1 e 24,5 graus ao longo de 41.000 anos.

No Planeta Vermelho, estas oscilações mudam de forma agressiva, diminuindo de forma significativa as possibilidades de Marte poder abrigar vida.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
26 Novembro, 2019

 

3088: NASA testa robô subaquático projectado para encontrar vida extraterrestre

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas do Laboratório de Propulsão da NASA e da Divisão Antárctida Australiana aliaram-se para criar um robô subaquático BRUIE (Buoyant Rover for Under-Ice Exploration) para vasculhar luas geladas, como é o caso de Europa e Encélado, satélites de Júpiter.

Esta tecnologia, explica a agência espacial norte-americana em comunicado, foi especialmente projectado para procurar vida extraterrestre e poderá, em breve, ser utilizado numa expedição a uma das luas geladas de Júpiter.

Os cientistas vão agora para a estação australiana de Casey, na Antárctida, para testar o seu veículo flutuante durante várias semanas. O BRUIE é equipado com rodas independentes que lhe permitem mover-se sob o gelo, mas também aderir ao piso gelado para recolher amostras e fazer “medições sensíveis” nestas áreas”.

O rover tem cerca de um metro de comprimento e já foi testado no Alasca e no Árctico, onde provou ser o mais eficiente em termos de energia quando comparado com outros submarinos de tamanho semelhante.

Agora, a equipa procura testar quanto tempo duram as baterias do robô em condições extremas e como é que o rover se comporta ao passar por diferentes terrenos.

A NASA prepara-se para ir a Júpiter em 2025 para investigar Europa, uma das suas luas. Neste satélite natural há evidências da existência de um oceano salgado sob uma crosta de gelo que terá entre 10 a 20 quilómetros de espessura.

Os cientistas apontam este satélite como um dos mais promissores no que toca a habitabilidade. Recentemente, uma outra equipa de cientistas da NASA encontrou evidências de vapor de água em Europa, descoberta que dá força à hipótese do oceano.

“Este oceano salgado pode conter mais do que o dobro da água que a Terra tem e ter todos os ingredientes certos para apoiar organismos vivos simples”, explicou Kevin Hand, cientista da NASA citado em comunicado.

ZAP //

Por ZAP
25 Novembro, 2019

 

3065: Entomólogo diz que há “abelhas” em Marte (e tem provas)

CIÊNCIA

ESA

Enquanto os cientistas tentam encontrar vida em Marte com experiências no terreno, como a sonda Curiosity, o entomólogo William Romoser, professor emérito na Universidade do Ohio, nos Estados Unidos, afirma que já temos provas da sua existência.

A sua teoria, que foi apresentada na reunião nacional da Sociedade Americana de Entomologia em St. Louis, Missouri, apoia-se em fotografias enviadas por vários rovers em Marte, nas quais assegura conseguir ver seres semelhantes a abelhas e répteis.

“Houve e ainda há vida em Marte”, afirmou Romoser, durante a reunião, explicando que, depois de analisar durante vários anos as imagens do Planeta Vermelho disponíveis na Internet, concluiu que não existiam apenas fósseis, mas também criaturas vivas.

“Existe uma aparente diversidade entre a fauna de insectos marciana que mostra muitas características semelhantes às que vivem na Terra e incluídas nos grupos avançados. Por exemplo, há presença de asas, flexão das asas, voo deslizante e ágil, além de pernas com diferentes estruturas de pernas ”, afirmou Romoser, citado pela ABC.

Segundo o entomólogo, há uma série de fotografias que mostram claramente a forma de insectos e répteis e é possível seleccionar os diferentes segmentos corporais, juntamente com as patas, antenas e asas.

A investigação, que foi publicada este mês na revista especializada Entomology 2019 e que ainda não foi revista pelos pares, baseia-se no estudo de imagens por vários parâmetros fotográficos, como brilho, contraste, saturação e inversão. Além disso, foram levados em consideração o ambiente, a clareza da forma, a simetria corporal, a segmentação em diferentes partes, além de formas repetitivas, restos ósseos e observação de formas próximas umas das outras.  A alegada evidência de “olhos brilhantes” foram consideradas consistentes com a presença de formas vivas.

Em comunicado, Romoser afirmou que observou comportamentos diferentes de voos em várias imagens. De acordo com o cientista, umas assemelham-se a abelhões e outros são parecidos com abelhas na Terra. Por outro lado, Romoser afirma ter encontrado uma criatura fossilizada semelhante a uma cobra.

“A presença de organismos metazoários superiores em Marte implica a presença de fontes e processos de nutrientes e energia, cadeias e redes alimentares e água como elementos que funcionam num ambiente viável, embora extremo, para sustentar a vida”, afirmou.

ZAP //

Por ZAP
21 Novembro, 2019

 

3056: Mundos distantes sob muitos sóis

CIÊNCIA

Estas imagens mostram algumas das estrelas que albergam exoplanetas com estrelas companheiras (b, c) encontradas durante o projecto. As imagens são composições RGB obtidas com o PanSTARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System). A imagem do meio mostra um sistema triplo hierárquico.
Crédito: Mugrauer, PanSTARRS

Será que a Terra é o único planeta habitável do Universo ou existem mais mundos por aí capazes de suportar vida? E, se houverem, como serão? Numa tentativa de responder a estas perguntas fundamentais, os cientistas estão a procurar exoplanetas: mundos distantes que orbitam outras estrelas para lá do nosso Sistema Solar.

Até ao momento, conhecemos mais de 4000 exoplanetas, a maioria dos quais orbitam estrelas individuais como o nosso Sol. O Dr. Markus Mugrauer da Universidade Friedrich Schiller em Jena, Alemanha, descobriu e caracterizou muitos novos sistemas estelares múltiplos que contêm exoplanetas. As descobertas confirmam suposições de que a existência de várias estrelas influencia o processo pelo qual os planetas se formam e desenvolvem. O estudo por Mugrauer, do Instituto Astrofísico e do Observatório da Universidade de Jena, foi agora publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Telescópio espacial fornece dados precisos

“Os sistemas estelares múltiplos são muito comuns na nossa Via Láctea,” explica Mugrauer. “Se tais sistemas incluem planetas, são de particular interesse para a astrofísica, porque os sistemas planetários podem diferir do nosso Sistema Solar de maneiras fundamentais.” Para descobrir mais sobre estas diferenças, Mugrauer investigou mais de 1300 estrelas que hospedam exoplanetas em órbita para ver se têm estrelas companheiras. Para este fim, acedeu a dados precisos de observação do telescópio espacial Gaia, que é operado pela ESA.

Desta maneira, conseguiu demonstrar a existência de cerca de 200 companheiras estelares para estrelas que hospedam exoplanetas até 1600 anos-luz de distância do Sol. Com a ajuda dos dados, Mugrauer também conseguiu caracterizar em mais detalhe as estrelas associadas e os seus sistemas. Ele descobriu que existem sistemas íntimos com distâncias de apenas 20 UA (Unidades Astronómicas) – que no nosso Sistema Solar corresponde aproximadamente à distância de Úrano ao Sol -, bem como sistemas com estrelas separadas por mais de 9000 UA.

Anãs vermelhas e brancas

As estrelas companheiras também variam quanto à sua massa, temperatura e estágio de evolução. As mais massivas têm 1,4 vezes a massa do nosso Sol, enquanto as mais leves têm apenas 8% da massa do Sol. A maioria das estrelas companheiras são anãs frias e de baixa massa com um tom avermelhado.

No entanto, também foram identificadas oito anãs brancas entre as fracas companheiras estelares. Uma anã branca é o núcleo queimado de uma estrela parecida com o Sol, com mais ou menos o tamanho da Terra, mas com metade da massa do nosso Sol. Estas observações mostram que os exoplanetas podem realmente sobreviver ao estágio evolutivo final de uma estrela semelhante ao Sol nas proximidades.

Sistemas estelares duplos, triplos e quádruplos com exoplanetas

A maioria dos sistemas estelares com exoplanetas identificados no estudo possui duas estrelas. No entanto, foram detectadas cerca de duas dúzias de sistemas triplos e até um sistema quádruplo. No intervalo de distâncias investigadas, entre aproximadamente 20 e 10.000 UA, um total de 15% das estrelas estudadas possui pelo menos uma estrela companheira. Isto é apenas cerca de metade da frequência esperada em geral para estrelas do tipo solar. Além disso, as estrelas companheiras detectadas mostram distâncias cerca de cinco vezes maiores do que em sistemas comuns.

“Estes dois factores, em conjunto, podem indicar que a influência de várias estrelas num sistema estelar atrapalha o processo de formação planetária bem como o desenvolvimento das suas órbitas,” disse Mugrauer. A causa disto pode ser, em primeiro lugar, o impacto gravitacional de uma companheira estelar no disco de gás e poeira a partir do qual os se planetas se formam em redor da estrela hospedeira. Mais tarde, a gravitação da companheira estelar influencia o movimento dos planetas em torno da sua estrela hospedeira.

Markus Mugrauer gostaria de continuar o projecto. No futuro, também, a multiplicidade de estrelas hospedeiras planetárias recém-descobertas seria estudada usando dados da missão Gaia e quaisquer estrelas companheiras detectadas seriam caracterizadas com precisão. “Além disso, combinaremos os resultados com os de uma campanha internacional de observação, que actualmente estamos a realizar sobre o mesmo tópico no Observatório Paranal do ESO,” acrescentou Mugrauer. “Seremos capazes de investigar a influência precisa da multiplicidade estelar na formação e no desenvolvimento dos planetas.”

Astronomia On-line
19 de Novembro de 2019

 

2895: NASA faz parceria com caçadores de ET

CIÊNCIA

Ian.CuiYi

A equipa do Breakthrough Listen do SETI vai trabalhar com os cientistas que estão a operar o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) da NASA na procura de evidências de vida inteligente nos exoplanetas.

O TESS é o satélite de caça aos planetas que foi colocado no ar para substituir o Kepler Space Telescope. Este satélite da NASA encontra os exoplanetas e agora, com uma parceria com o SETI, vai também analisa-los à procura de “tecno-assinaturas”, sinais gerados por tecnologias de civilizações avançadas como transmissores, propulsores ou outras formas de engenharia.

A lista de mais de mil novos objectos de interesse detectados pelo TESS vai ser partilhada com o SETI que irá usar alguns dos observatórios mais avançados, como os telescópios Green Bank ou Parkes, o MeetKAT e o telescópio do Instituto Allen.

A Breakthrough Listn já analisou dados de vários alvos misteriosos, como o visitante Oumuamua ou o Borisov, lembra a CNet.

Espera-se que o TESS descubra até dez mil novos planetas, muitos deles mais próximos da Terra do que os que foram descobertos pelo Kepler, o que fará com que os investigadores do SETI possam ser capazes de identificar mesmo sinais mais ténues.

Exame Informática
24.10.2019 às 9h37

 

2892: O Universo pode estar repleto de exoplanetas semelhantes à Terra

CIÊNCIA

NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle

Um grande número de planetas semelhantes à Terra pode estar disperso pelo Universo, aumentando as expectativas de que existem outros mundos com vida.

Esta é a conclusão de uma nova investigação patrocinada pela NASA e levada a cabo por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Os resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Science.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas estudaram “autópsias” planetárias, isto é observaram rochas de seis sistemas solares em torno de anãs brancas, estrelas já mortas e que em vida foram semelhantes ao Sol.

No seu estágio evolutivo final, as anãs brancas atraem material rochoso de objectos menores que orbitam à sua volta porque se contraem e expandem. Na prática, os cientistas estudaram os destroços de planetas devorados por anãs brancas.

Ao estudar a composição química das estrelas, os especialistas conseguiram entender a composição das rochas dos planetas que as orbitavam. Esses dados podem revelar-se importantes, uma vez que fornecem informações sobre a sua habitabilidade, campo magnético, atmosfera e existência de placas tectónicas.

Os resultados demonstraram que estes planetas antigos poderia ter uma composição muito semelhante à Terra ou Marte. “Quanto mais rochas em torno de outras estrelas se assemelharem às rochas que formaram a Terra, maior é a probabilidade de existirem planetas habitáveis como a Terra”, disse a autora do estudo Alexandra Doyle, em declarações ao portal Newsweek.

“Os resultados são consistentes com as fontes de oxigénio da Terra, Marte e os asteróides típicos do Sistema Solar, o que sugere que pelo menos alguns exoplanetas rochosos são geofísica e geo-quimicamente semelhantes à Terra “, explicam os cientistas no estudo agora publicado.

“Se as rochas extraterrestres têm uma quantidade de oxidação semelhante à da Terra, pode concluir-se que o planeta possui placas tectónicas e um potencial semelhante para campos magnéticos como a Terra, que se acreditam serem os principais ingredientes para vida”, rematou o co-autor do estudo Hilke Schlichting, citado em comunicado.

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Por ZAP
24 Outubro, 2019

 

2776: Extraterrestres podem estar a vigiar a Terra através de sondas espias

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech

Os extraterrestres podem estar a vigiar a Terra através de sondas robóticas ocultas instaladas em corpos próximos do nosso planeta, alertou um físico do Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI).

De acordo com James Benford, o cientista norte-americano que avançou com esta hipótese, é possível que os alienígenas vigiem a Terra há milhões de anos através de sondas de espionagem colocadas em objectos rochosos próximos da Terra. 

O cientista argumenta que objectos co-orbitais próximos – corpos que seguem uma rota em torno do Sol semelhante à da Terra -, recentemente descobertos fornecem uma “forma ideal para observar o nosso mundo”.

“Uma sonda próxima da Terra poderia ganhar tempo enquanto a nossa civilização desenvolve tecnologias capazes de localizá-la. Se encontrada, a sonda poderia estabelecer contacto connosco em tempo real”, defendeu Benford, que publicou recentemente os resultados da sua investigação na revista científica The Astronomical Journal.

“[A sonda] pode estar a reportar [informações] ao seu centro sobre a nossa Biosfera e a civilização há eras“, considerou ainda o cientista.

De acordo com o cientista, estas sondas robóticas poderiam ou não responder a um sinal, dependendo das motivações dos alegados seres alienígenas.

Apesar de a hipótese ser remota, o cientista do SETI considera importante verificá-la: para que os cientistas encontrem evidências de tecnologia alienígena, Benford sugere que sejam utilizados telescópios ópticos e radio-eléctricos e que até se envie uma nave espacial.

“Qual a possibilidade de uma sonda espia extraterrestre estar estacionada num desses objectos co-orbitais? Muito baixa, obviamente. Mas, se a missão for barata, por que não ir verificar? Se não encontrarmos um extraterrestre, pelo menos podemos encontrar outras coisas interessantes”, sugeriu, em declarações ao portal Science Alert.

Alguns cientistas acreditam que a Lua pode o candidato ideal para o posto de espionagem extraterrestre, tendo em conta a sua proximidade constante da Terra. No entanto, outros cientistas pensam o nosso satélite natural poderia ser um local arriscado: o facto de ser tão próximo da Terra, deixaria os extraterrestres pouco ocultos.

As ideias de Benford têm por base a longa conjectura de hipóteses já elaboradas por pessoas que participam em programas SETI.

Tal como recorda o mesmo portal de Ciência, foi o radio-físico Ronald Bracewell, em meados de 1960, o primeiro a sugerir que “comunidades galácticas superiores” poderiam ter instalado sondas inter-estelares autónomas no Espaço para observar, controlar e talvez até para comunicar com outras formas de vida.

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Por ZAP
5 Outubro, 2019

 

2772: Cientista da NASA diz: “estamos perto de anunciar vida extraterrestre em Marte…”

CIÊNCIA

Numa entrevista surpreendente, o director da Divisão de Ciência Planetária da NASA, Jim Green, disse que a agência espacial está perto de “fazer alguns anúncios” sobre vida extraterrestre em Marte – mas que não estamos prontos para isso.

Não é de agora que se ambiciona conhecer vida extraterrestre, tem havido mesmo uma procura crescente. No entanto, será que estamos preparados para esse momento revolucionário?

NASA poderá anunciar algo revolucionário

Jim Green referiu que o que a NASA tem para dar a conhecer “será revolucionário”. Conforme as palavras do cientista em entrevista ao The Telegraph, teremos grandes novidades em breve.

É como quando Copérnico declarou ‘não andamos a dar a volta ao Sol’. Completamente revolucionário. Vai começar uma nova linha de pensamento. Acho que não estamos preparados para os resultados. Nós não estamos.

Acrescentou que está preocupado porque acredita que a NASA está perto de encontrar a vida e fazer tal anúncio. Contudo, é uma interrogação sobre o que acontecerá depois!

O que acontece a seguir é um novo conjunto de questões científicas. Essa vida é como a nossa? Como estamos relacionados? Pode a vida mover-se de planeta para planeta ou temos uma faísca e o ambiente certo e essa faísca gera vida – como nós ou não – com base no ambiente químico em que se encontra?

Referiu Green.

Missão a Marte está a entusiasmar a comunidade científica

Em comunicado, o porta-voz da NASA, Allard Beutel, disse que a agência está entusiasmada com a missão a Marte. Além disso, existe um grande optimismo com as missões futuras onde as perspectivas de vida foram levantadas.

Um componente chave do trabalho da NASA é a procura por blocos de construção e sinais de vida noutros lugares. Estamos animados com as descobertas científicas dos nossos rovers em Marte actualmente e no futuro, bem como as missões para Europa, Titan, e outros lugares. Assim como os astronautas da NASA que pousaram na Lua mudaram a nossa concepção do nosso lugar no universo, a descoberta da vida noutros lugares também seria um evento que mudaria a civilização. Como com todas as descobertas, a NASA trabalharia para confirmar e partilhar informações validadas com o mundo o mais rápido possível.

Disse Beutel via e-mail à publicação.

Em Julho próximo, a NASA está programada para lançar o seu veículo Marte 2020 no que ela espera que seja uma “caçada bem sucedida” para a vida extraterrestre no Planeta Vermelho. Em Novembro passado, a agência espacial selecionou Jezero Crater como o ponto de pouso para o rover, onde se espera que ele aterre na superfície do planeta a 18 de Fevereiro de 2021.

A Cratera Jezero, com cerca de 45 km de largura, fica na borda oeste de Isidis Planitia, uma bacia de impacto gigante ao norte do equador do planeta. A NASA observou que é o lar de algumas das “paisagens cientificamente mais interessantes que Marte tem para oferecer. Segundo o astrónomo, este local já foi o lar de um antigo delta de um rio, onde antigas moléculas orgânicas e outros sinais de vida microbiana podem ter sido armazenados há milhões de anos.

Jezero Crater foi escolhida entre mais de 60 locais

Jim Bridenstine

@JimBridenstine

JUST IN: Jezero Crater will be the landing site of ’s next rover being sent to Mars in 2020. This area, with a history of containing water, may have ancient organic molecules & other potential signs of microbial life from billions of years ago: https://www.nasa.gov/press-release/nasa-announces-landing-site-for-mars-2020-rover 

Além da missão Mars 2020, cujo lançamento está previsto para um custo estimado de mais de 2 mil milhões de dólares, de acordo com a Space News, a Agência Espacial Europeia também irá colocar um rover em Marte. O rover ExoMars está programado para aterrar no Planeta Vermelho em Março de 2021.

Green referiu que essas duas missões oferecem uma “oportunidade de encontrar vida”, acrescentando que “nunca perfuramos tão profundamente” no planeta.

Quando começamos o campo da astrobiologia nos anos 90, começamos a procurar vida extrema. Descemos em minas a 3 quilómetros de profundidade na Terra e se elas tinham água, então estavam cheias de vida. Fomos para lugares onde se pensa que nada poderia sobreviver, e estão cheios de vida. E o resultado final é que onde há água, há vida.

Concluiu Jim Green.

Leito de lago pode ter sido um dia próspero em vida marciana

Em Junho de 2018, a NASA fez um anúncio impressionante. Nessa altura, observaram que o Curiosity rover “encontrou moléculas orgânicas em rochas de um antigo leito de lago”. As rochas têm milhares de milhões de anos de idade, disse a NASA, antes de acrescentar que não tinha encontrado vida no planeta.

Um estudo apresentado em Agosto sugeriu que o Planeta Vermelho era suficientemente quente e húmido. Assim, é um ambiente propício a ter tempestades maciças e água corrente. Deste modo, este será um ambiente que pode ter sustentado a vida, entre 3 e 4 mil milhões de anos.

ExoMars envia imagens impressionantes da superfície de Marte

Estas são as primeiras imagens de Marte enviadas pela nave espacial ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) da Agência Espacial Europeia (ESA). Missão com corporação da Corporação Estatal de Actividades Espaciais Roscosmos. As fotos mostram … Continue a ler ExoMars envia imagens impressionantes da superfície de Marte

04 Out 2019

 

2760: Cientista da NASA diz que o mundo não está preparado para a descoberta de vida alienígena

CIÊNCIA

ESO/M. Kornmesser

Jim Green, cientista chefe da agência espacial norte-americana (NASA), considera que o mundo não está preparado para a eventual descoberta de vida alienígena.

No entender do especialista, a descoberta de vida para lá da Terra traria “implicações revolucionárias”, que o Homem não está ainda preparado para enfrentar, argumentou, em declarações ao diário britânico The Telegraph.

O físico espacial compara esta possível descoberta a outro grande momento de ruptura na história da Ciência: quando Copérnico (1473-1543) afirmou que a Terra gira em torno do Sol, defendendo a Teoria Heliocêntrica do Sistema Solar. O astrónomo polaco contrariou assim a outra hipótese vigente, a da Teoria Geocêntrica, que colocava a Terra no centro.

“Uma linha de pensamento completamente nova começará”, afirmou Green.

O cientista sublinhou que a eventual descoberta de vida em Marte geraria “um conjunto completamente novo de perguntas”, quer no plano da Ciência, quer no plano da Filosofia. “Como nos relacionamos?”, apontou como uma das perguntas que poderão surgir.

Além disso, exemplificou ainda, a comunidade científica teria ainda que perceber como é que se forma a vida extraterrestre: se esta pode passar de um planeta para o outro ou se a combinação de uma espécie de “faísca” e o ambiente adequado geram, por si só, vida, tendo em conta o ambiente químico em que estes elementos se encontram.

Em Junho de 2020, a NASA e a sua homóloga europeia (ESA) vão enviar dois veículos de observação para Marte – Mars 2020 e Exomars, respectivamente -, cuja aterragem está prevista para Fevereiro ou Março de 2021.

Este exploradores vão procurar condições habitáveis e vão perfurar a base do Planeta Vermelho. A NASA vai trazer para a Terra as amostras recolhidas pelo seu dispositivo, enquanto a ESA as vai triturar e estudar o seu conteúdo químico no próprio laboratório móvel a bordo da ExoMars.

Missão ExoMars tem uma “boa hipótese” de encontrar vida no Planeta Vermelho

Os cientistas da missão ExoMars explicaram que neste momento não é ainda claro se existe realmente vida em Marte e, caso…

ZAP //

Por ZAP
3 Outubro, 2019

 

2727: Vida extraterrestre pode estar escondida na Lua

CIÊNCIA

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Uma nova investigação, levada a cabo por dois cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sugere que a tão procurada vida extraterrestre pode estar escondida no satélite natural da Terra, a Lua.

Segundo Abraham Loeb e Manasvi Lingam, os cientistas que defendem esta nova hipótese, as condições geológicas e atmosféricas da Lua podem proporcionar a oportunidade de descobrir vestígios de vida alienígena.

Os especialistas, citados pelo portal Futurismsustentam que, como não há atmosfera neste satélite natural, os objectos espaciais poderiam conseguir chegar à sua superfície. Além disso, continuam, a Lua é geologicamente inactiva, ou seja, todo o que pousou na Lua nos últimos milhões de anos continua lá, perfeitamente preservado.

“Servindo como uma caixa de correio natural, a superfície lunar recolheu todos os objectos impactantes nos últimos milhões de anos. Sem verificar a nossa caixa de correio, nunca saberem que mensagens chegaram [até lá]”, escreveu Loeb, que é também professor de Astronomia na universidade norte-americana.

Tendo em conta esta capacidade de preservação, Loeb compara, num artigo publicado na Scientific American a Lua a uma espécie de “rede de pesca” para a vida extraterrestre.

A maioria dos objectos que atingiram a superfície lunar é oriunda do Sistema Solar, mas a descoberta de Oumuamua, o primeiro objecto interestelar conhecido, pode sugerir que uma investigação minuciosa à Lua pode trazer novas descobertas.

De acordo com o professor Loeb, que cita medições actuais, a superfície lunar pode conter até 30 partes de objectos interestelares a cada milhão de materiais superficiais.

“No caso de alguns impactadores interestelares tenham carregado blocos de vida extraterrestre, seria possível extrair bio-marcadores com análise das amostras da superfície lunar. A questão fundamental é se a vida distante se assemelha às estruturas bioquímicas que encontramos na Terra”.

“As semelhanças podem implicar que existe um caminho químico único para a vida em todos os lugares ou que a vida foi transferida entre sistemas“, explicou.

Loeb frisa ainda que o seu estudo com Lingam fornece um novo incentivo para a criação de uma base lunar. Recentemente, recorde-se, a NASA anunciou que vai voltar a enviar astronautas para a lua até 2024. A agência espacial norte-americana também espera estabelecer uma presença sustentável na Lua até 2028 para enviar missões a Marte.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
28 Setembro, 2019

 

2505: Os extraterrestres podem brilhar no escuro (e é assim que os podemos encontrar)

CIÊNCIA

KELLEPICS / pixabay

Formas de vida extraterrestre podem brilhar em vermelho, azul e verde para se protegerem de explosões estelares de radiação ultravioleta. E essa luz brilhante pode ser a chave para os encontrarmos.

A maioria dos exoplanetas potencialmente habitáveis que conhecemos orbitam anãs vermelhas – o tipo mais comum de estrela na nossa galáxia e as menores estrelas do universo. Anãs vermelhas, como Proxima Centauri ou TRAPPIST-1, estão na vanguarda da busca pela vida.

Mas se a vida extraterrestre existe nesses planetas, têm um grande problema. Anãs vermelhas geralmente inflamam, ou emitem uma explosão de radiação UV que pode prejudicar a vida nos planetas em redor dela.

“Muitos dos planetas potencialmente próximos e habitáveis que estamos a começar a encontrar provavelmente são mundos de alta radiação ultravioleta“, disse o principal autor do estudo, Jack O’Malley-James, investigador associado do Centro Cornell de Astrofísica e Ciência Planetária. “Estávamos a tentar pensar em maneiras com as quais a vida poderia lidar com os altos níveis de radiação UV que esperamos em planetas que orbitam estrelas anãs vermelhas”.

Organismos no nosso próprio planeta protegem-se da radiação UV de várias maneiras: vier no subsolo, viver debaixo de água ou usar pigmentos que os protegem o sol. Mas há uma maneira com a qual a vida na Terra lida com a radiação ultravioleta que também tornaria a vida extraterrestre mais fácil de detectar – a biofluorescência.

Certos corais no nosso planeta protegem-se dos raios UV do sol brilhando. As suas células geralmente contêm uma proteína ou pigmento que, uma vez exposta à luz ultravioleta, pode absorver parte da energia de cada fotão, fazendo com que se desloque para um comprimento de onda mais longo e seguro. Por exemplo, alguns corais podem converter luz UV invisível em luz verde visível.

O’Malley-James e a sua equipa analisaram a fluorescência produzida por pigmentos de coral e proteínas e usaram-na para modelar os tipos de luz que poderiam ser emitidos pela vida em planetas em órbita vermelha. Descobriu-se que um planeta sem nuvens e coberto de criaturas fluorescentes poderia produzir uma mudança temporária no brilho que é potencialmente detectável.

Além disso, como as anãs vermelhas não são tão brilhantes como o nosso sol, não mascaram essas marcas biológicas.

Mas “para termos uma hipótese de detectar a biofluorescência num planeta, uma grande parte do planeta teria de estar coberta por quaisquer criaturas fluorescentes“, disse O’Malley-James. Além disso, ainda não temos telescópios suficientemente fortes para detectar um planeta onde cada centímetro da sua superfície esteja coberto por criaturas brilhantes.

Mas a próxima geração de telescópios, como o European Extremely Large Telescope, pode detectar esses vislumbres da vida. Mesmo com esses telescópios os exoplanetas seriam apenas leves aberturas de luz, mas os instrumentos poderiam descodificar a quantidade de luz vermelha, verde ou infravermelha emitida. Se organismos extraterrestres brilharem verdes, por exemplo, a quantidade de luz verde durante um surto aumentaria. Ainda assim, o brilho precisaria ser “muito brilhante” para detectá-lo.

“Não vemos fluorescência tão forte na Terra porque não temos níveis tão altos de UV na superfície.” O novo estudo, publicado este mês na revista especializada Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, também supõe que a vida em planetas que orbitam anãs vermelhas teria desenvolvido uma fluorescência muito brilhante ao longo de milhões de anos.

Um possível próximo passo seria expor a vida biofluorescente na Terra à luz UV em laboratório e ver se esse tipo de evolução ocorre em pequena escala. Se acontecer, as próximas gerações de organismos irão brilhar mais intensamente. “Um próximo passo a longo prazo seria começar a procurar a biofluorescência noutros mundos.”

Se um dia pudermos viajar para um desses planetas brilhantes, seria “muito interessante de ver”, disse. Pairando numa nave espacial, veríamos o que parecia ser “uma aurora boreal super-carregada a cobrir a superfície do planeta”.

ZAP //

Por ZAP
24 Agosto, 2019

 

2246: Investigação redefine linha temporal da vida em Marte

Pequenos grãos de zircão ígneo dentro deste fragmento rochoso foram fracturados pelo lançamento a partir de Marte, mas permaneceram inalterados por mais de 4,4 mil milhões de anos.
Crédito: Western’s Zircon and Accessory Phase Laboratory

Investigadores canadianos, liderando uma equipa internacional, mostraram que a primeira “chance real” de Marte ter desenvolvido vida começou cedo, há 4,48 mil milhões de anos, quando meteoritos gigantescos e inibidores da vida pararam de atingir o Planeta Vermelho. As descobertas não esclarecem apenas as possibilidades para o vizinho mais próximo da Terra, mas também podem redefinir a linha temporal da vida no nosso próprio planeta.

O estudo foi publicado na passada segunda-feira na revista Nature Geoscience.

Os investigadores da Universidade Western sugerem que as condições em que a vida pode ter prosperado podem ter ocorrido em Marte há 3,5-4,2 mil milhões de anos atrás. Isto antecede as primeiras evidências de vida na Terra até 500 milhões de anos.

“Os impactos de meteoritos gigantescos em Marte podem, na verdade, ter acelerado a libertação das primeiras águas do interior do planeta, preparando o cenário para reacções de formação da vida,” disse Desmond Moser, cientista da Universidade Western.

O professor de Geografia e Ciências da Terra explicou que é sabido que o número e os tamanhos dos impactos de meteoritos em Marte e na Terra diminuíram gradualmente após a formação dos planetas. Eventualmente, os impactos tornaram-se pequenos e pouco frequentes para que as condições próximas da superfície pudessem permitir que a vida se desenvolvesse. No entanto, há muito que é debatido quando este bombardeamento pesado de meteoritos teve lugar.

Foi proposta uma fase “tardia” de bombardeamento pesado em ambos os planetas que terminou há cerca de 3,8 mil milhões de anos.

Para o estudo, Moser e a sua equipa analisaram os grãos minerais mais antigos e conhecidos de meteoritos que se pensa terem tido origem nas terras altas do sul de Marte. Estes grãos antigos, observados até níveis atómicos, estão quase inalterados desde que cristalizaram perto da superfície de Marte.

Em comparação, a análise das áreas impactadas na Terra e na Lua mostra que mais de 80% dos grãos estudados contêm características associadas a impactos, como a exposição a pressões e temperaturas intensas.

Os resultados sugerem que o bombardeamento pesado de Marte terminou antes da formação dos minerais analisados, o que significa que a superfície marciana teria ficado habitável quando a água se tornou abundante. A água também estava presente na Terra durante esta época – de modo que é plausível que o relógio biológico do Sistema Solar tenha começado muito antes da data aceite anteriormente.

Astronomia On-line
28 de Junho de 2019

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2240: O oceano subterrâneo de Encélado é um “banquete” para a vida extraterrestre

NASA / JPL-Caltech
Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

Uma equipa de cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, acaba de descobrir que o oceano subterrâneo de Encélado – o sexto maior satélite natural de Saturno – tem mais capacidade para abrigar múltiplas formas de vida do que se imaginava até então.

O anúncio foi feito por Lucas Fifer, David Catling e Jonathan Toner, os cientistas que conduziram a nova investigação, durante a AbSciCon 2019, evento anual organizado pela American Geological Union, na capital norte-americana, que reúne uma série de conferências sobre Astrobiologia.

Desde que a missão Cassini a visitou pela primeira vez em meados de 2004, Encélado não pára de surpreender. Umas das maiores descobertas foi um conjunto de géiseres de vapor de água em torno do seu pólo sul, que revelaram a presença de um grande oceano subterrâneo. Desde então, foram realizadas dezenas de investigações para tentar perceber se nas profundezas deste mar extraterrestre, pode ter surgido vida.

O trabalho de Fifer e dos seus colegas é um dos mais recentes e mostra que as concentrações de dióxido de carbono, hidrogénio e metano no oceano interno desta lua são muito mais altas do que eu pensava, e que o pH das suas águas é surpreendentemente semelhantes ao que é registado nas águas da Terra.

“Estes altos níveis de dióxido de carbono também implicam um nível de pH mais baixo e mais semelhante ao da Terra  no oceano de Encélado do que estudos anteriores tinham demonstrado. É um bom presságio para a vida também “, disse Fifer.

“Embora existam excepções, a maior parte da vida na Terra funciona melhor ao consumir água com um pH quase neutro, então condições similares em Encélado podem ser encorajadoras (…) [Estes compostos] tornam também muito mais fácil comparar este estranho mundo oceânico a um ambiente que nos é mais familiar”.

Estas condições são ideais para suportar múltiplas formas de vida bacteriana. Tal como observa o diário espanhol ABC, onde há comida, (pode) haver vida. E este mar subterrâneo revelou ser um banquete para estas formas de vida tão procurada.

Para o mesmo apontou Fifer: “Noutras palavras, e tendo em conta que há tanto almoço grátis disponível, qual é a maior quantidade que a vida poderia estar a comer para deixar para trás a quantidade [de compostos] que vemos? Quanta vida suportaria? ”.

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Por ZAP
27 Junho, 2019

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2190: Sal de mesa descoberto numa Lua de Júpiter aumenta esperanças de vida alienígena

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A descoberta dos compostos de sal de mesa na Europa, uma das luas de Júpiter, pode abrir a possibilidade de que haja lá vida alienígena ou que este seja um lugar habitável no futuro.

Acredita-se que Europa, uma lua congelada em torno de Júpiter, seja um dos mundos mais habitáveis do sistema solar. Foi primeiro avistado em detalhe pela sonda Voyager 1 em 1979, revelando uma superfície quase desprovida de grandes crateras.

Este satélite é principalmente feito de silicato e, segundo o Tech Explorist, tem uma crosta de gelo e provavelmente um núcleo de ferro e níquel. A sua atmosfera é composta maioritariamente por oxigénio e, por debaixo do gelo, água salgada. No entanto, as observações não permitiram saber ao certo como é a água salgada desta Lua.

Agora, um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, mostra que pode ser cloreto de sódio, conhecido como sal de mesa. Isto tem implicações importantes para a potencial existência de vida nas profundezas ocultas da Europa.

Os cientistas acreditam que a circulação hidrotermal no oceano, possivelmente impulsionada por fontes hidrotermais, pode naturalmente enriquecer o oceano em cloreto de sódio, através de reacções químicas entre o oceano e a rocha. Na Terra, acredita-se que as fontes hidrotermais sejam uma fonte de vida, como as bactérias.

De acordo com o The Conversation, descobriu-se que as plumas que emanam do pólo sul da lua de Saturno Enceladus, que tem um oceano semelhante, contêm cloreto de sódio, tornando tanto Europa quanto Enceladus alvos ainda mais atraentes para exploração.

Se olharmos para o espectro da luz reflectida da superfície, podemos inferir quais as substâncias que lá estão. Isto mostra evidências de gelo. A questão pertinente dos cientistas é se essas substâncias vêm do interior da Europa.

Para produzir ácido sulfúrico em água gelada, é necessário uma fonte de enxofre e energia para impulsionar a reacção química. Parte disso pode vir de dentro da lua na forma de sais de sulfato, alguns dos quais podem ser libertados por meteoritos, mas a explicação mais plausível é que vem da sua lua vulcânica, Io.

A equipa responsável por este novo estudo argumentou que o lado da Europa ao longo da sua órbita, o principal hemisfério, que é protegido do bombardeamento de enxofre, pode ser o melhor lugar para procurar evidências de quais sais realmente existem dentro da lua.

Os investigadores usaram o poderoso Telescópio Espacial Hubble e descobriram evidências de cloreto de sódio. Embora já houvessem suspeitas de sais na Europa, os dados mais recentes do Hubble permitiram que os cientistas o reduzissem a uma região chamada de terreno do caos. Isto significa que eles provavelmente virão do interior da Europa.

A vida como a conhecemos precisa de água líquida e energia. O facto da Europa ter um oceano líquido diz-nos que há água líquida e uma fonte de energia para impedir que ela congele. Mas a composição química do oceano também é crucial. Salmoura, “água salgada”, tem um ponto de congelamento menor do que a água pura, o que significa que torna a água mais habitável.

O sal, especificamente os iões de sódio no sal de mesa, é também crucial para toda uma gama de processos metabólicos na vida vegetal e animal. Em contraste, alguns outros sais, como os sulfatos, podem inibir a vida se presentes em grandes quantidades.

Os cientistas estavam ansiosos para puderem apontar que podem estar a ver apenas a ponto do icebergue de uma complicada cadeia de processos sub-superficiais. Mas, para aqueles que esperam que haja vida na Europa, a descoberta do cloreto de sódio é uma excelente notícia.

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18 Junho, 2019

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2177: As luas fora do Sistema Solar podem esconder vida extraterrestre

CIÊNCIA

ESO/M. Kornmesser

As luas que orbitam planetas fora do Sistema Solar (exoluas) podem abrigar vida extraterrestre, segundo sustentam astrofísicos numa nova investigação.

Os planetas para lá do Sistema Solar são já mais de 4000, mas apenas uma pequena fatia destes mundos está na chamada zona habitável, isto é, tem condições para abrigar vida.

No entanto, e contrariando as baixas possibilidades de habitabilidade, alguns exoplanetas podem ter os seus próprios satélites (exoluas) com água no estado líquido. Partindo deste pressuposto, os cientistas defendem que as exoluas devem ser tidas em conta quando se procura por vida extraterrestre.

“Estas luas podem ser aquecidas no seu interior pela atracção gravitacional do planeta que orbitam. Por isso, podem conter água líquida mesmo estando fora da zona habitável, onde encontramos planetas semelhantes à Terra”, explicou Phil Sutton, cientista da Universidade de Lincoln, no Reino Unido.

Caso os cientistas consigam detectar as exoluas, estes satélites podem ser a chave para a tão procurada vida extraterrestre. “Acredito que, se pudermos encontrá-las, as luas oferecem um caminho mais promissor para encontrar vida extraterrestre”, frisou.

Devido ao seu tamanho e à distância a que se encontram da Terra, as exoluas são extremamente difíceis de encontrar. Por isso, explicou Sutton, os cientistas terão que debruçar o seu trabalho de localização através do efeito que produzem nos objectos à sua volta, como é o caso dos anéis planetários.

Para a nova investigação foram utilizadas simulações computorizadas para modelar os anéis em torno do exoplaneta J1407b, que são 200 vezes maiores do que os de Saturno. Sutton quis perceber se o espaço entre as luas era o resultado da acção das luas.

O estudo apontou que, apesar de as luas influenciarem a dispersão de partículas ao longo da borda do anel neste exoplaneta, é improvável que as lacunas tenham sido causadas por forças gravitacionais de uma lua desconhecida.

Apesar dos resultados inconclusivos, pesquisas publicadas anteriormente sugerem que existem muitas lacunas no maciço “disco formador da lua” do exoplaneta J1407b, que podem ser explicadas pelas exoluas.

A investigação, que será publicado na revista científica Monthly Notices da Astronomical Society, está disponível para visualização no arquivo de pré-publicação arXiv.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
15 Junho, 2019

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2116: A vida extraterrestre pode ter “cara” de massa

CIÊNCIA

Bruce W. Fouke
Micróbios fontes termais de Yellowstone criam formações rochosas semelhantes a fettuccini ou capellini.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, acredita que os seres extraterrestres podem assemelhar-se à forma da massa comum, estando longe das pequenas criaturas verdes que a ficção foi criando.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas analisaram as águas geotermais ricas em minerais do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, e descobriram que os micróbios que proliferam nestes ambientes assemelham-se à massa comum, como o fettuccini ou capellini, revela o novo estudo financiado pela NASA e cujos resultados foram no fim do mês de Abril publicados na revista científica Astrobiology.

O autor do estudo, Bruce Fouke, da Universidade de Illinois, acredita que estas formações em forma de massa podem ser as primeiras pistas para encontrar vida noutros planetas para lá da Terra. Podem ser uma evidência crucial para rastrear estes seres.

“Se formos a um outro planeta com um rover, adoraríamos ver micróbio vivos ou pequenas mulheres e homens verdes em naves espaciais. Mas a verdade é que estaremos a procurar por uma vida que, provavelmente, está a crescer numa primavera quente, [será] uma vida que foi fossilizada”, explicou o especialista citado pelo Live Science.

Partindo do “laboratório” natural de Yellowstone, Fouke explicou que os minerais precipitam fora da água, criando formações compostas por carbonato de cálcio, que são normalmente conhecidas como travertino. No entanto, frisou o cientista, estas formações não são moldadas no vácuo, sendo antes construídas por micróbios.

As águas aquecidas do Parque Nacional de Yellowstone, que chegam a atingir uma temperatura entre 65 e 72 graus Celsius e um pH baixo entre 6,2 e 6,8, ou seja, a água é mais ácida do que básica, são o ponto central do estudo. A análise da água concluiu que 98% dos microrganismos encontrados são Sulfurihydrogenibium yellowstonense.

Os cientistas recolheram amostras de fileiras de micróbios filamentosos que se desenvolvem nestas águas. Estas formações parecem-se com massa e cada fileira consiste em três biliões de células interligadas entre si.

Em águas paradas, contudo, os micróbios comportam-se de outra forma, criando rastos de mucosas soltas. Estes organismos evoluíram há 2,5 mil milhões de anos, quando não havia ainda oxigénio na atmosfera da Terra.

De acordo com os cientistas, os seus vestígios de vida devem parecer-se com pegadas longas e fossilizadas na superfície das rochas. E, por isso, estas formações podem vir a servir como pista para identificar vida extraterrestre passada.

A equipa acredita que estes seres de Yellowstone possam ser muito semelhantes a qualquer outra forma de vida para lá da Terra. “Quando tivermos uma pedra de travertino que se assemelhe a fettuccini, e se essa rocha é recolhida e analisada em Marte, então teremos o conjunto completo destas análises extremamente avançadas em micróbios”, rematou o autor do estudo.

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5 Junho, 2019



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