3313: Astrofísico quer voltar ao passado (e já sabe como construir uma máquina do tempo)

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

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O astrofísico Ron Mallett acredita que encontrou uma forma de viajar no tempo – pelo menos teoricamente. O investigador disse ter escrito uma equação científica que pode ser a base de uma verdadeira máquina do tempo.

Em declarações à CNN, o investigador de física da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, explicou que chegou a uma equação científica que pode ser usada para construir um máquina do tempo real. Ron Mallett construiu mesmo um protótipo do dispositivo para ilustrar um componente-chave da sua teoria.

Para entender a máquina de Mallett, é precisa conhecer o básico da teoria da relatividade especial de Albert Einstein, que afirma que o tempo acelera ou desacelera dependendo da velocidade com que um objecto se está a mover.

Com base nessa teoria, se uma pessoa estivesse numa nave espacial a viajar perto da velocidade da luz, o tempo passaria mais lentamente para eles do que para alguém que permanecesse na Terra. Essencialmente, o astronauta poderia percorrer o Espaço em menos de uma semana e, quando regressasse à Terra, já teriam passado 10 anos para as pessoas no planeta, fazendo parecer que o astronauta tinha viajado para o futuro.

Porém, embora muitos físicos aceitem que saltar para a frente no tempo dessa forma provavelmente é possível, viajar no tempo para o passado é outra questão – e Mallett acha que poderia resolvê-la recorrendo ao uso de lasers.

A ideia de Mallett depende de outra teoria de Einstein: a teoria geral da relatividade. Segundo essa teoria, objectos massivos dobram o espaço-tempo – um efeito que percebemos como gravidade. Quanto maior a gravidade, menor o tempo. “Se pudermos dobrar o Espaço, existe a possibilidade de torcer o espaço”, disse Mallett à CNN. “Na teoria de Einstein, o que chamamos de espaço também envolve tempo. O que se faz com o Espaço também acontece com o tempo.”

O investigador acredita que é teoricamente possível colocar o tempo em loop, o que permitiria viajar no tempo para o passado. “Ao estudar o tipo de campo gravitacional produzido por um laser em anel, pode levar a uma nova forma de olhar para a possibilidade de uma máquina do tempo baseada num feixe de luz circulante”, disse.

No entanto, apesar do optimismo de Mallett, os seus colegas não estão convencidos de que a sua máquina do tempo venha a ser concretizada. “Não acho que [o trabalho] seja necessariamente frutífero“, retorquiu o astrofísico Paul Sutter à CNN. “Porque acho que existem falhas profundas na sua matemática e na sua teoria, e, portanto, um dispositivo prático parece inatingível”.

De facto, recorda o Futurism, até Mallet admite que a ideia, para já, é totalmente teórica.

ZAP //

Por ZAP
4 Janeiro, 2020

spacenews

 

1428: É possível viajar no tempo (mas só com uma condição)

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A possibilidade de viajar no tempo sempre captou a atenção dos físicos. Mas é possível viajar no tempo? O físico Gaurav Khanna pensa que sim – mas só com uma condição.

De acordo com o cientista, se pudéssemos viajar à velocidade da luz, ou na proximidade de um buraco negro, o tempo diminuiria, permitindo-nos viajar arbitrariamente para o futuro. A questão realmente interessante é se podemos viajar de volta ao passado.

Num estudo publicado em 2017, e revisto em Julho de 2018, na revista Classical and Quantum Gravity, Khanna descreveu como elaborar uma máquina do tempo através de uma construção muito simples.

A teoria geral da relatividade de Einstein permite a possibilidade de distorcer o tempo de tal modo que se dobra sobre si mesmo, resultando num loop temporal. Se viajarmos neste ciclo, isto significa que, em algum momento, acabaríamos num momento no passado e começaríamos a experimentar os mesmos momentos desde então, tudo de novo – um pouco como o deja vu.

Estes conceitos são frequentemente referidos como “curvas fechadas do tipo tempo” ou CTCs na literatura, e popularmente referidas como “máquinas do tempo”. As máquinas do tempo são um subproduto de esquemas de viagem eficazes e mais rápidas do que a luz e entendê-las pode melhorar a nossa compreensão sobre como o universo funciona.

Nas últimas décadas, físicos bem conhecidos como Kip Thorne e Stephen Hawking produziram trabalhos sobre modelos relacionados a máquinas do tempo. A conclusão geral que emergiu dos estudos anteriores é que a natureza proíbe os ciclos de tempo. De acordo com Hawking, a natureza não permite mudanças na história passada, poupando-nos assim dos paradoxos que podem surgir se a viagem no tempo fosse possível.

Talvez o mais conhecido entre esses paradoxos que emergem devido à viagem no tempo para o passado é o chamado “paradoxo do avô”, em que um viajante volta ao passado e mata o seu próprio avô. Isto altera o curso da história de uma maneira que surge uma contradição: o viajante nunca nasceu e, portanto, não pode existir.

Dependendo dos detalhes, diferentes fenómenos físicos podem intervir para impedir que curvas fechadas de tempo se desenvolvam em sistemas físicos. O mais comum é o requisito para um determinado tipo de matéria “exótica” que deve estar presente para que um ciclo de tempo exista. A matéria exótica é matéria que tem massa negativa. O problema é que não se sabe se a massa negativa existe na natureza.

Caroline Mallary, estudante na Universidade de Massachusetts Dartmouth, publicou um novo modelo para uma máquina do tempo. Este modelo não requer nenhum material exótico de massa negativa e oferece um design muito simples.

O modelo de Mallary consiste em dois carros super longos – construídos de material com massa positiva – estacionados em paralelo. Um carro avança rapidamente, deixando o outro estacionado. Mallary foi capaz de mostrar que, em tal configuração, um loop temporal pode ser encontrado no espaço entre os carros.

Porém, o modelo de Mallary exige que o centro de cada carro tenha densidade infinita. Isso significa que contêm objectos – chamados de singularidades – com densidade, temperatura e pressão infinitas.

Além disso, ao contrário das singularidades que estão presentes no interior dos buracos negros, o que as torna totalmente inacessíveis do exterior, as singularidades no modelo de Mallary são nuas e observáveis e, portanto, têm verdadeiros efeitos físicos.

Os físicos não esperam que tais objectos peculiares existam na natureza. Por isso, uma máquina do tempo provavelmente não estará disponível tão cedo. Por outro lado, este trabalho mostra que os físicos podem ter que refinar as suas ideias sobre o porquê de curvas fechadas do tipo tempo serem proibidas.

ZAP // Live Science

Por ZAP
19 Dezembro, 2018

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