4666: Primeira árvore genealógica da Via Láctea revela 20 canibalizações

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA/VIA LÁCTEA

Recorrendo a redes neuronais artificiais, uma equipa internacional de astrofísicos construiu a primeira árvore genealógica da Via Láctea e descobriu que a nossa galáxia canibalizou pelo menos 20 outras galáxias.

Para chegar ao primeiro “retrato de família” da Via Láctea, a equipa analisou as propriedades dos aglomerados globulares que orbitam a nossa galáxia recorrendo a simulações computorizadas de Inteligência Artificial.

Segundo a investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a Via Láctea canibalizou cerca de cinco galáxias com mais de 100 milhões de estrelas e cerca de quinze com pelo menos 10 milhões de estrelas.

As “galáxias progenitoras” mais massivas colidiram com a Via Láctea entre 6.000 e 11.000 milhões de anos atrás, detalha a equipa, em comunicado.

Na nota, os cientistas explicam que os aglomerados globulares são grupos densos de até um milhão de estrelas quase tão antigos como o próprio Universo. A Via Láctea abriga mais de 150 destes aglomerados, muitos dos quais se formaram nas galáxias menores que se fundiram posteriormente para formar a galáxia em que vivemos.

Os cientistas suspeitavam já há décadas que a idades destes aglomerados globulares era sinal de que estes poderiam ser utilizados como “fósseis” para reconstruir os primeiros “passos” da nossa galáxia, mas só modelos e observações recentes permitiram construir a primeira árvore genealógica da Via Láctea.

“O principal desafio de conectar as propriedades dos aglomerados globulares à história da fusão da sua galáxia hospedeira sempre foi o facto de a ‘compilação” das galáxias ser um processo extremamente confuso, durante o qual as órbitas dos aglomerados são completamente reorganizadas”, disse Diederik Kruijssen, do Centro de Astronomia da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, um dos líderes da investigação.

“Para dar sentido ao complexo sistema que existe até hoje, decidimos utilizar a Inteligência Artificial. Treinamos uma rede neuronal artificial nas simulações do E-MOSAICS para relacionar as propriedades do aglomerado globular à história de fusão da galáxia hospedeira”, rematou o cientista, citado na mesma nota.

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Por ZAP
17 Novembro, 2020


4633: O “coração” da Via Láctea pode ter sido criado por uma explosão de estrelas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Nogueras-Lara et al. / ESO

A Via Láctea tem uma formação esférica e densa de estrelas no centro. Uma nova investigação sugere que uma única explosão de estrelas pode ter criado esta protuberância há 10 mil milhões de anos.

O centro da nossa galáxia continua a ser um mistério para os cientistas. Uma nova investigação, cujos resultados serão publicados em dois artigos na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (que podem ser consultados aqui e aqui), indica que uma única explosão de estrelas pode ter sido responsável pela criação da protuberância no centro da Via Láctea.

A equipa de astrónomos analisou uma amostra com cerca de 70 mil estrelas no coração da nossa galáxia, nomeadamente a composição das estrelas numa área que chega a ter mil vezes o tamanho de uma Lua cheia.

Os dados foram hospedados no programa Community Science and Data Center (CSDC), que processou mais de 7 mil exposições e comprimiu mais de 3,5 biliões de pixeis. A imagem processada de uma parte dos dados foi disponibilizada ao público e pode ser consultada neste link.

Os cientistas analisaram o brilho das estrelas em diferentes comprimentos de onda para determinar a metalicidade dos corpos celestes, isto é, a abundância de elementos mais pesados que hidrogénio e hélio.

A equipa descobriu que as estrelas do coração da Via Láctea parecem ser mais jovens do que realmente são e apresentam a mesma quantidade de metal que o Sol.

No entanto, enquanto que o Sol tem apenas 4,5 mil milhões de anos, as estrelas do centro da galáxia são muito mais antigas. O investigador Michael Rich sugere, assim, que tenha acontecido algum fenómeno – como uma explosão de estrelas – que formou metais nos primeiros 500 milhões de anos da região.

Segundo o Phys, este estudo mostrou que, como as estrelas dentro de mil anos-luz do centro da galáxia têm metalicidade parecida, elas devem ter-se formado num só episódio: uma tempestade de nascimento de estrelas que ocorreu há 10 mil milhões de anos.

Christian Johnson, o principal autor de um dos artigos, defende que estes resultados explicam o motivo pelo qual existem muitas galáxias espirais parecidas com a Via Láctea.

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Por ZAP
11 Novembro, 2020


4612: Avaliando a habitabilidade dos planetas em torno de anãs vermelhas velhas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da Estrela de Barnard e na inserção está a curva de raios-X.
Crédito: raios-X – NASA/CXC/Universidade do Colorado/K. France et al.; ilustração – NASA/CXC/M. Weiss

Os planetas que orbitam perto das estrelas mais abundantes e duradouras da nossa Via Láctea podem ser menos hospitaleiros para a vida do que se pensava.

Um novo estudo usando o Observatório de raios-X Chandra e o Telescópio Espacial Hubble da NASA examinou a anã vermelha chamada Estrela de Barnard, que tem mais ou menos 10 mil milhões de anos, mais do dobro da idade actual do Sol. As anãs vermelhas são muito mais frias e menos massivas do que o Sol, e espera-se que vivam muito mais tempo porque não consomem o seu combustível tão depressa. A Estrela de Barnard é uma das estrelas mais próximas, a uma distância de apenas 6 anos-luz.

As anãs vermelhas jovens, com idades inferiores a alguns milhares de milhões de anos, são conhecidas como fortes fontes de radiação altamente energética, incluindo rajadas de radiação ultravioleta e raios-X. No entanto, os cientistas sabem menos sobre quanta radiação prejudicial as anãs vermelhas emitem mais tarde nas suas vidas.

As novas observações concluíram que aproximadamente 25% do tempo, a Estrela de Barnard liberta proeminências escaldantes, que podem danificar a atmosfera dos planetas que orbitam perto. Embora o seu único planeta conhecido não tenha temperaturas habitáveis, este estudo acrescenta evidências de que as anãs vermelhas podem apresentar sérios desafios para a vida nos seus planetas.

“As anãs vermelhas são os tipos mais comuns de estrelas, e os seus tamanhos pequenos tornam-nas favoráveis para o estudo de planetas em órbita. Os astrónomos estão interessados em entender quais são as perspectivas de planetas habitáveis em torno das anãs vermelhas,” disse Kevin France, da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, que liderou o estudo. “A Estrela de Barnard é um óptimo estudo de caso para aprender o que acontece em particular com as anãs vermelhas mais velhas.”

As observações da Estrela de Barnard com o Hubble, realizadas em Março de 2019 pela equipa de investigação, revelaram duas proeminências ultravioletas altamente energéticas, e as observações do Chandra em Junho de 2019 revelaram uma em raios-X. Ambas as observações duraram cerca de 7 horas.

“Caso estes instantâneos sejam representativos de quão activa é a Estrela de Barnard, então está a emitir uma grande quantidade de radiação prejudicial,” disse o co-autor Girish Duvvuri, também da Universidade do Colorado. “Esta quantidade de actividade é surpreendente para uma anã vermelha velha.”

A equipa então estudou o que estes resultados significam para planetas rochosos que orbitam na zona habitável – a zona onde a água líquida pode existir à superfície de um planeta – de uma anã vermelha como a Estrela de Barnard.

Qualquer atmosfera formada no início da história de um planeta na zona habitável provavelmente sofreu erosão devido à radiação altamente energética da estrela durante a sua juventude volátil. Mais tarde, no entanto, as atmosferas dos planetas podem regenerar-se à medida que a estrela se torna menos activa com a idade. Este processo de regeneração pode ocorrer por gases libertados por impactos de material sólido ou gases libertados por processos vulcânicos.

No entanto, a investida de proeminências poderosas como as aqui relatadas, ocorrendo repetidamente ao longo de centenas de milhões de anos, pode erodir qualquer atmosfera regenerada em planetas rochosos na zona habitável. Isto reduziria a hipótese destes mundos suportarem vida.

Devido a estas descobertas surpreendentes de proeminências, a equipa considerou outras possibilidades de vida em planetas que orbitam anãs vermelhas velhas como a Estrela de Barnard. Embora os planetas na zona habitável tradicional possam não ser capazes de manter a sua atmosfera devido ao clima estelar, os astrónomos podem estender as suas buscas por planetas a distâncias maiores da estrela hospedeira, onde as doses de radiação altamente energética são mais baixas. A estas distâncias maiores, é possível que o efeito estufa de gases que não o dióxido de carbono, como o hidrogénio, permita a existência de água líquida.

“É difícil dizer qual é a probabilidade de qualquer planeta, em qualquer sistema, ser habitável hoje ou no futuro,” disse Allison Youngblood da Universidade do Colorado. “A nossa investigação mostra um factor importante que precisa ser levado em conta na questão complicada da habitabilidade planetária.”

Os planetas para lá do nosso Sistema Solar são conhecidos como exoplanetas. Até agora foram confirmados mais de 4000 exoplanetas, e muitos orbitam anãs vermelhas. Entender o que torna os planetas habitáveis é do interesse dos cientistas no campo da astrobiologia, que estuda a origem da vida na Terra e onde pode existir no Sistema Solar e além.

A equipa está actualmente a estudar a radiação altamente energética de muitas outras anãs vermelhas para determinar se a Estrela de Barnard é típica.

“Pode acontecer que a maioria das anãs vermelhas seja hostil à vida,” disse o co-autor Tommi Koskinen, da Universidade do Arizona em Tucson. “Nesse caso, a conclusão pode ser que planetas em torno de estrelas mais massivas, como o nosso próprio Sol, podem ser o local ideal para procurar mundos habitados com a próxima geração de telescópios.”

A Estrela de Barnard tem 16% da massa do Sol e o seu planeta conhecido tem um massa três vezes a da Terra, orbitando a uma distância mais ou menos equivalente à separação Mercúrio-Sol.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado dia 30 de Outubro de 2020 na revista The Astronomical Journal e está disponível online.

Astronomia On-line
6 de Novembro de 2020


Descoberto na Via Láctea um planeta “fugitivo” do tamanho da Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um evento de micro-lente gravitacional por um planeta “fugitivo”.
Crédito: Jan Skowron/Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia

Conhecemos mais de 4000 exoplanetas. Embora muitos não se assemelhem aos do nosso Sistema Solar, têm uma coisa em comum – todos orbitam uma estrela. No entanto, as teorias de formação e evolução planetária preveem a existência de planetas “fugitivos”, não ligados gravitacionalmente a qualquer estrela. De facto, há alguns anos, astrónomos polacos da equipa OGLE do Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia forneceram a primeira evidência de tais planetas na Via Láctea. Escrevendo na revista The Astrophysical Journal Letters, os astrónomos do OGLE anunciaram a descoberta do mais pequeno planeta interestelar descoberto até à data.

Os exoplanetas raramente podem ser observados directamente. Normalmente, os astrónomos encontram planetas usando observações da luz da estrela que hospeda o planeta. Por exemplo, se um planeta passa em frente do disco da estrela-mãe, então o brilho observado da estrela cai periodicamente, provocando os chamados trânsitos. Os astrónomos também podem medir o movimento da estrela provocado pelo planeta.

Os planetas “fugitivos” não emitem virtualmente nenhuma radiação e – por definição – não orbitam nenhuma estrela hospedeira, portanto não podem ser descobertos usando métodos tradicionais de detecção astrofísica. No entanto, podem ser avistados usando um fenómeno astrofísico chamado micro-lente gravitacional. A micro-lente resulta da teoria da relatividade geral de Einstein – um objecto massivo (a lente) pode dobrar a luz de um objecto brilhante de fundo (a fonte). A gravidade da lente actua como uma grande lupa que curva e amplia a luz de estrelas distantes.

“Se um objecto massivo – uma estrela ou um planeta – passa entre um observador terrestre e uma estrela distante, a sua gravidade pode desviar e focar a luz da fonte. O observador medirá um breve aumento de brilho da estrela fonte,” explica o Dr. Przemek Mróz, pós-doutorado do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e autor principal do estudo. “As chances de observar micro-lentes são extremamente reduzidas porque três objectos – a fonte, a lente e o observador – têm que estar quase perfeitamente alinhados. Se observássemos apenas uma estrela fonte, teríamos que esperar quase um milhão de anos para ver a fonte como micro-lente,” acrescenta.

É por isso que os levantamentos modernos em busca de eventos de micro-lentes gravitacionais estão a monitorizar centenas de milhões de estrelas no centro da Via Láctea, onde as hipóteses de micro-lentes são as mais altas. O levantamento OGLE – liderado por astrónomos da Universidade de Varsóvia – está a levar a cabo uma destas experiências. O OGLE é um dos maiores e mais longos levantamentos do céu, começou operações há mais de 28 anos. Actualmente, os astrónomos do OGLE estão a usar o Telescópio de Varsóvia de 1,3 metros localizado no Observatório de Las Campanas, Chile. Cada noite limpa, apontam o seu telescópio para as regiões centrais da Galáxia e observam centenas de milhões de estrelas, à procura daquelas que mudam de brilho.

A micro-lente gravitacional não depende do brilho da lente, de modo que permite o estudo de objectos ténues ou escuros como planetas. A duração dos eventos de micro-lente depende da massa do objecto que actua como lente – quanto menos massiva for a lente, mais curto será o evento de micro-lente. A maioria dos eventos observados, que normalmente duram vários dias, são provocados por estrelas. Os eventos de micro-lente atribuídos a planetas “fugitivos” têm durações de apenas algumas horas. Ao medir a duração de um evento de micro-lente (e a forma da sua curva de luz), podemos estimar a massa do objecto de lente.

Os cientistas anunciaram a descoberta do mais curto evento de micro-lente gravitacional alguma vez encontrado, chamado OGLE-2016-BLG-1928, que durou apenas 42 minutos. “Quando vimos este evento pela primeira vez, ficou claro que deve ter sido provocado por um objecto extremamente pequeno”, disse o Dr. Radosław Poleski do Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia, co-autor do estudo. De facto, os modelos do evento indicam que a lente deve ter sido menos massiva do que a Terra, era provavelmente um objecto com a massa de Marte. Além disso, a lente provavelmente era um planeta interestelar. “Se a lente estivesse a orbitar uma estrela, detectaríamos a sua presença na curva de luz do evento,” acrescenta o Dr. Poleski. “Podemos descartar o planeta tendo uma estrela até cerca de 8 UA – 1 UA, Unidade Astronómica, é a distância entre a Terra e o Sol”.

Os astrónomos do OGLE forneceram há alguns anos atrás a primeira evidência de uma grande população de planetas “fugitivos” na Via Láctea. No entanto, o planeta recém-detectado é o mais pequeno já encontrado desta categoria. “A nossa descoberta demonstra que os planetas ‘fugitivos’ de baixa massa podem ser detectados e caracterizados usando telescópios terrestres,” diz o professor Andrzej Udalski, investigador principal do projecto OGLE.

Os astrónomos suspeitam que os planetas interestelares na verdade se formaram em discos proto-planetários em torno de estrelas (como planetas “comuns”) e foram expelidos dos seus sistemas planetários originais após interacções gravitacionais com outros corpos, por exemplo, com outros planetas no sistema. As teorias da formação planetária preveem que os planetas expulsos devem ser tipicamente mais pequenos que a Terra. Assim, o estudo de planetas “fugitivos” permite-nos compreender o passado turbulento de sistemas planetários jovens, como o nosso Sistema Solar.

A busca por planetas interestelares é um dos grandes impulsionadores científicos do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que está a ser construído pela NASA. O observatório tem lançamento previsto para meados da década de 2020.

Devido à brevidade do evento, foram necessárias observações adicionais recolhidas pelo KMTNet (Korea Microlensing Telescope Network) a fim de caracterizar o evento. O KMTNet opera uma rede de três telescópios – no Chile, Austrália e África do Sul.

A descoberta seria impossível sem observações de longo prazo realizadas pelo levantamento OGLE. Um dos primeiros objectivos do OGLE foi pesquisar e estudar matéria escura usando a técnica de micro-lente gravitacional. Os estudos actuais cobrem uma grande variedade de tópicos – procura de exoplanetas, o estudo da estrutura e evolução da Via Láctea e galáxias vizinhas, estudos de estrelas variáveis, quasares, transientes e corpos do Sistema Solar.

Astronomia On-line
3 de Novembro de 2020


4590: Podem existir 300 milhões de planetas potencialmente habitáveis na nossa galáxia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) NASA

Recorrendo a dados do telescópio espacial Kepler da NASA, uma equipa de cientistas estimou que podem existir até 300 milhões de planetas potencialmente habitáveis a orbitar estrelas na Via Via-Láctea.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica The Astronomical Journal, podem existir mais planetas potencialmente habitáveis na nossa galáxia, podendo alguns destes mundos estar bem próximos.

Segundo as estimativas da equipa, que contou com a colaboração de cientista da NASA, do Instituto SETI e de outras organizações mundiais, vários destes mundos podem estar a apenas 30 anos-luz de distância do nosso Sol.

“Esta é a primeira vez que todas a peças foram colocadas juntas para fornecer uma medida confiável do número de planetas potencialmente habitáveis na galáxia”, disse o co-autor do estudo Jeff Coughlin, cientista do Instituto SETI e director do Kepler Science.

Este é um termo-chave na Equação de Drake, que é utilizada para estimar o número de civilizações transmissíveis; estamos um passo mais perto na longa estrada para descobrir se estamos realmente sozinhos no Cosmos”, continuou, citado em comunicado.

Tal como explica a Europa Press, a Equação de Drake é uma formulação probabilística que detalha os factores que devem ser considerados para estimar o número potencial de civilizações tecnologicamente avançadas na galáxias que poderiam ser detectadas.

Esta mesma equação é também frequentemente utilizada no âmbito da Astrobiologia, orientando grande parte da investigação do Instituto Seti.

“Saber quão comuns são os diferentes tipos de planetas é extremamente valioso para projectar futuras missões para ‘caçar’ exoplanetas”, acrescentou a co-autora do estudo Michelle Kunimoto, que recentemente se juntou à equipa do telescópio TESS.

E acrescentou: “Investigações que visam pequenos planetas e potencialmente habitáveis em torno de estrelas semelhantes ao Sol vão depender de resultados como estes para maximizar as suas hipóteses de sucesso”.

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Por ZAP
3 Novembro, 2020


4567: Novo levantamento descobre que um único surto de formação estelar criou o bojo central da Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta composição mostra uma secção do Bojo Galáctico, com 250 milhões de estrelas, obtida pelo BDBS (Blanco DECam Bulge Survey). Este excerto com 4×2 graus pode ser explorado na totalidade de 50.000×25.000 pixeis nesta versão ampliável.
Na imagem, poeira e gás interestelar parecem agir como um “filtro” vermelho em frente das estrelas de fundo, dispersando a luz azul. Tendo em conta que estamos rodeados por poeira e gás na Via Láctea, este efeito de dispersão é importante para muitas partes da astronomia e é conhecido como “avermelhamento”.
Crédito: CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA; Reconhecimento – Processamento de Imagem: W. Clarkson (UM-Dearborn), C. Johnson (STScI) e M. Rich (UCLA), Travis Rector (Universidade do Alaska em Anchorage), Mahdi Zamani & Davide de Martin

A nossa Via Láctea tem um bojo central situado no meio de um extenso disco de estrelas. Embora esta seja uma característica comum entre as inúmeras galáxias espirais, os astrónomos passaram décadas a tentar descobrir como e quando é que a protuberância central da Via Láctea podia ter sido formada. Será que as estrelas dentro da protuberância nasceram no início da história da nossa Galáxia, há 10 a 12 mil milhões de anos? Ou será que o bojo cresceu ao longo do tempo por meio de vários episódios de formação estelar?

Alguns estudos encontraram evidências de pelo menos dois surtos de formação estelar, levando a populações estelares com até 10 mil milhões de anos ou tão jovens quanto 3 mil milhões de anos. Agora, um novo levantamento compreensivo de milhões de estrelas descobriu que a maioria das estrelas nos 1000 anos-luz centrais da Via Láctea foram formadas quando esta se alimentou vorazmente de gás em queda há mais de 10 mil milhões de anos. Este processo pode ter sido desencadeado pela simples acreção de material primordial, ou algo mais dramático como a fusão com outra galáxia jovem.

“Muitas outras galáxias espirais parecem-se com a Via Láctea e têm protuberâncias semelhantes, de modo que se pudermos entender como a Via Láctea formou o seu bojo, teremos uma boa ideia de como as outras galáxias também o fizeram,” disse o co-investigador principal Christian Johnson, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.

“Este levantamento dá-nos uma visão geral do bojo de uma forma que muitos levantamentos anteriores não conseguiram fazer,” acrescentou a co-autora Caty Pilachowski, da Universidade do Indiana em Bloomington, EUA.

Parecendo mais jovem do que a sua idade

Para chegar a esta conclusão, a equipa estudou as composições químicas das estrelas. Tal como muitas estrelas de Hollywood, as estrelas no Bojo Galáctico parecem ter passado por um “tratamento de Botox” cósmico – parecem mais jovens do que realmente são. Isto porque contêm aproximadamente a mesma quantidade de elementos pesados (elementos mais pesados do que hidrogénio e hélio) que o Sol – o que os astrónomos chamam de metais. Isto é surpreendente porque os metais levam tempo para se acumular. São formados por gerações anteriores de estrelas, expelidos por ventos estelares ou super-novas, e depois incorporados nas gerações posteriores.

O nosso Sol, com 4,5 mil milhões de anos, é relativamente jovem, de modo que faz sentido que esteja repleto de metais. Em contraste, a maioria das estrelas antigas da nossa Galáxia carecem de elementos pesados. E ainda assim as estrelas do bojo são enriquecidas com metais, apesar da sua idade avançada.

“Aconteceu algo diferente no bojo. Aí, os metais acumularam-se muito, muito depressa, possivelmente nos primeiros 500 milhões de anos da sua existência,” disse o co-investigador principal Michael Rich da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

A equipa usou o brilho medido de estrelas em diferentes comprimentos de onda, particularmente no ultravioleta, para determinar o seu conteúdo de metal. Espera-se que estrelas formadas a diferentes alturas tenham metalicidades diferentes, em média. Em vez disso, descobriram que as estrelas até 1000 anos-luz do Centro Galáctico exigiam uma distribuição de metais agrupados em torno de uma única média. Se as estrelas fossem estudantes e as metalicidades fossem notas, as estrelas do bojo receberiam uma média de “10”, em vez de um grupo de estudantes com “15” ou “5”. Isto sugere que estas estrelas se formaram numa breve tempestade de nascimento estelar.

Imagens grandes, dados grandes

A equipa examinou uma parte do céu que cobre mais de 200 graus quadrados – uma área aproximadamente equivalente a 1000 Luas Cheias. Usaram a DECam (Dark Energy Camera) acoplada ao Telescópio Victor M. Blanco de 4 metros situado no Observatório Inter-americano de Cerro Tololo no Chile, um programa do NOIRLab da NSF. Esta câmara de campo amplo é capaz de capturar 3 graus quadrados do céu numa única exposição.

A equipa recolheu mais de 450.000 fotografias individuais que lhes permitiram determinar com precisão as composições químicas de milhões de estrelas. Uma sub-amostra de 70.000 estrelas foi analisada para este estudo.

“O nosso levantamento é único porque fomos capazes de estudar uma secção contínua do bojo em comprimentos de onda do ultravioleta, passando pelo visível, ao infravermelho próximo. Isto permite-nos obter uma compreensão clara de quais são os vários componentes do bojo e de como encaixam juntos,” disse Johnson.

A riqueza de dados recolhidos por esta investigação irá alimentar pesquisas científicas adicionais. Por exemplos, os investigadores estão a estudar a possibilidade de medir distâncias estelares para fazer um mapa 3D mais preciso do bojo. Também planeiam procurar correlações entre as suas medições da metalicidade e as órbitas estelares. Essa investigação pode localizar “bandos” de estrelas com órbitas semelhantes, que podem ser os restos de galáxias anãs perturbadas, ou identificar sinais de acreção como estrelas que orbitam no sentido oposto à da rotação da Galáxia.

Será que a história da formação do bojo da Via Láctea é única ou comum na evolução galáctica? Para responder a esta pergunta, os astrónomos terão que olhar para a montagem galáctica no Universo distante e jovem – uma tarefa para a qual o Telescópio Espacial James Webb da NASA foi especificamente projectado. “Com o Webb, teremos lugar de destaque para observar a formação de galáxias como a nossa Via Láctea,” disse Rich.

O BDBS (Blanco DECam Bulge Survey) tem o nome de Victor e Betty Blanco. Victor Blanco foi o primeiro Diretor do Observatório Inter-americano de Cerro Tololo; ele e Betty Blanco também foram pioneiros no estudo do Bojo Galáctico e das Nuvens de Magalhães usando o telescópio de 4 metros do observatório.

Estes resultados estão relatados em dois artigos científicos aceites para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Astronomia On-line
30 de Outubro de 2020

 

4562: A estrela morta que emitiu ondas de rádio no interior da Via Láctea voltou a fazê-lo

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

(dr) ESA
Concepção artística da emissão de ondas de rádio do magnetar SGR1935+2154

O magnetar SGR 1935+2154, que em Abril emitiu a primeira explosão de rádio conhecida de dentro da Via Láctea, explodiu mais uma vez.

A pequena estrela morta responsável pela primeira detecção de explosões rápidas de rádio (FRBs) na Via Láctea explodiu novamente, dando aos astrónomos mais dados para estudar este mistério cósmico. Estes fenómenos, tão poderosos quanto centenas de milhões de sóis, duram apenas alguns milissegundos e são muito difíceis de detectar.

Em Abril, os astrónomos captaram os sinais do magnetar SGR 1935+2154, que se localiza a apenas 30 mil anos-luz da Terra. A explosão emitiu ondas de rádio muito brilhantes durante alguns milissegundos e foi registada por observatórios de rádio de todo o mundo.

No dia 8 de Outubro, SGR 1935+2154 explodiu outra vez. O sinal foi detectado pelos cientistas do projecto CHIME/FRB no formato de três rajadas de rádio que duraram três segundos.

O radiotelescópio FAST observou um outro detalhe: uma emissão de rádio pulsada consistente com o período de rotação do magnetar.

“É muito emocionante ver o SGR 1935+2154 de volta e estou optimista de que, ao estudarmos estas explosões com mais cuidado, vamos entender melhor a potencial relação entre magnetares e explosões rápidas de rádio”, disse a astrónoma Deborah Good, da Universidade da Colúmbia Britânica, citada pelo Science Alert.

Ainda não há muitos detalhes sobre as três novas rajadas de rádio, uma vez que os dados recolhidos pelos investigadores estão em fase de análise. “Apesar de serem menos brilhantes do que a detecção de Abril, estas explosões ainda são muito brilhantes e poderiam ser vistas se ocorressem numa outra galáxia”, adiantou Good.

Até agora só foram detectados 24 magnetares no Universo. De acordo com os cientistas, este tipo de estrelas de neutrões pode gerar estes sinais de rádio quando o equilíbrio entre o campo magnético e a atracção gravitacional leva a tremores super-fortes, seguidos depois por enormes flashes magnetares.

Se os dados recolhidos pelos cientistas foram comprovados, o magnetar SGR 1935+2154 será o sexto com emissão de rádio pulsada, com uma frequência de pulso de 3,24781 segundos – quase o mesmo período de rotação da estrela.

Os astrónomos têm-se esforçado para encontrar um elo de ligação entre magnetares e pulsares de rádio, um outro tipo de estrela de neutrões com um campo magnético normal que pulsam em ondas de rádio quando giram. SGR 1935+2154 pode ser um possível “elo perdido” entre estes dois tipos de estrelas.

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Por ZAP
29 Outubro, 2020

 

4551: Galáxia anã colidiu com a Via Láctea há 3 mil milhões de anos (e foi dilacerada pela gravidade)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Annedirkse

Há quase três mil milhões de anos, uma galáxia anã mergulhou no centro da Via Láctea e foi dilacerada pelas forças gravitacionais da colisão.

Uma equipa de astrónomos de universidades dos Estados Unidos e do Canadá descobriram que, há cerca de três mil milhões de anos, a Via Láctea colidiu com uma galáxia anã desconhecida. As forças gravitacionais da colisão despedaçaram a galáxia anã e as suas estrelas tornaram-se nossas.

Segundo o EurekAlert, a fusão produziu uma série de estrelas em forma de concha nas proximidades da constelação de Virgem, as primeiras estruturas deste género encontradas na Via Láctea.

As estrelas curvas foram deixadas para trás quando a galáxia anã foi dilacerada, saltando para cima e para baixo através do centro da galáxia ao ser incorporada à Via Láctea, um evento que os cientistas baptizaram de Fusão Radial de Virgem. Os resultados foram publicados no dia 20 de Outubro na The Astrophysical Journal.

Há cerca de duas décadas, os astrónomos encontraram uma densidade muito alta de estrelas conhecida como Super-densidade de Virgem. As investigações acabaram por revelar que algumas das estrelas se movem na nossa direcção enquanto outras se afastam – este fenómeno também é incomum, já que um aglomerado de estrelas viaja, normalmente, em conjunto.

Perante este cenário, os cientistas sugerem que estas estrelas são os restos da galáxia anã e o resultado de uma fusão radial, isto é, uma colisão lateral entre galáxias.

A modelagem computacional do movimento das estrelas indica que a galáxia anã passou pela primeira vez pelo centro galáctico da Via Láctea há 2,7 mil milhões de anos.

“A Fusão Radial de Virgem abre a porta a uma maior compreensão de outros fenómenos que vemos e não entendemos totalmente, e que poderiam ter sido afectados por esta colisão”, disse Heidi Jo Newberg, co-autora do estudo.

ZAP //

Por ZAP
26 Outubro, 2020

 

4533: Evidência de colisão lateral com galáxia anã descoberta na Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Estrelas identificadas na investigação formaram “estruturas em forma de concha” no rescaldo de uma fusão radial que ocorreu há 3 mil milhões de anos.
Crédito: Instituto Politécnico Rensselaer

Há quase 3 mil milhões de anos, uma galáxia anã mergulhou no centro da Via Láctea e foi dilacerada pelas forças gravitacionais da colisão. Os astrofísicos anunciaram que a fusão produziu uma série de formações estelares reveladoras, em forma de concha, na vizinhança da constelação de Virgem, as primeiras “estruturas de concha” a serem encontradas na Via Láctea. A descoberta fornece mais evidências do antigo evento e novas explicações possíveis para outros fenómenos na Galáxia.

Os astrónomos identificaram uma densidade invulgarmente alta de estrelas chamada Super-densidade de Virgem há cerca de duas décadas. Os levantamentos estelares revelaram que algumas destas estrelas estão a mover-se na nossa direcção, enquanto outras estão a afastar-se, o que também é invulgar, pois um enxame de estrelas normalmente viaja em conjunto. Com base em dados emergentes, os astrofísicos do Instituto Politécnico Rensselaer propuseram em 2019 que a densidade excessiva era o resultado de uma fusão radial, a versão estelar de uma colisão entre dois carros na perpendicular.

“Quando a ‘montámos’, foi um momento ‘aha’,” disse Heidi Jo Newberg, professora de física, física aplicada e astronomia e co-autora do artigo publicado na revista The Astrophysical Journal sobre a descoberta. “Este grupo de estrelas tinha um monte de velocidades diferentes, o que era muito estranho. Mas agora que vemos o seu movimento como um todo, compreendemos porque é que as velocidades são diferentes e porque estão a mover-se da maneira que se movem.”

As recém-anunciadas estruturas em forma de concha são planos curvos de estrelas, como guarda-chuvas, deixados para trás quando a galáxia anã foi dilacerada, literalmente saltando para cima e para baixo através do centro da Galáxia à medida que era incorporada na Via Láctea, um evento que os investigadores chamaram de “Fusão Radial de Virgem”. De cada vez que as estrelas da galáxia anã passavam rapidamente pelo Centro Galáctico, diminuíam de velocidade conforme eram puxadas pela gravidade da Via Láctea até que paravam no ponto mais distante e, em seguida, viravam para chocar novamente contra o centro, criando outra estrutura em forma de concha. As simulações que correspondem aos dados observados podem ser usadas para calcular quantos ciclos a galáxia anã suportou e, portanto, quando a colisão original ocorreu.

O novo artigo identifica duas estruturas em forma de concha na Super-densidade de Virgem e duas na região da Nuvem de Hércules-Águia, com base em dados do SDSS (Sloan Digitized Sky Survey), do telescópio espacial Gaia da ESA e do telescópio LAMOST na China. A modelagem computacional das conchas e do movimento das estrelas indica que a galáxia anã passou pela primeira vez pelo Centro Galáctico da Via Láctea há 2,7 mil milhões de anos.

Newberg é especialista no halo da Via Láctea, uma nuvem esférica de estrelas que rodeia os braços espirais do disco central. A maioria, senão todas, dessas estrelas parecem ser “imigrantes”, estrelas que se formaram noutras galáxias mais pequenas que mais tarde foram puxadas para a Via Láctea. À medida que as galáxias mais pequenas se aglutinam com a Via Láctea, as suas estrelas são puxadas pelas chamadas “forças de maré”, o mesmo tipo de forças diferenciais que fazem as marés na Terra, e eventualmente formam um longo cordão de estrelas que se movem em uníssono dentro do halo. Estas fusões de maré são bastante comuns e formaram grande parte da investigação de Newberg ao longo das últimas duas décadas.

As mais violentas “fusões radiais” são consideradas bem menos comuns. Thomas Donlon II, estudante de Rensselaer e autor principal do artigo, disse que inicialmente não estavam à procura de evidências de tal evento.

“Existem outras galáxias, tipicamente galáxias mais esféricas, que têm uma estrutura de concha muito pronunciada, de modo que sabemos que estas coisas acontecem, mas estudámos a Via Láctea e não vimos conchas gigantescas realmente óbvias,” disse Donlon, que foi também o autor principal de um artigo de 2019 que propôs a Fusão Radial de Virgem. À medida que modelavam o movimento da Super-densidade de Virgem, começaram a considerar uma fusão radial. “E então percebemos que é o mesmo tipo de fusão que provoca estas grandes conchas. Só parece diferente porque, para começar, estamos dentro da Via Láctea, de modo que temos uma perspectiva diferente, e esta também é uma galáxia de disco e não temos tantos exemplos de estruturas em forma de concha em galáxias de disco.”

O achado tem potenciais implicações para uma série de outros fenómenos estelares, incluindo a Salsicha Gaia, uma formação estelar que se pensa ter resultado da fusão de uma galáxia anã há 8-11 mil milhões de anos. Trabalhos anteriores apoiaram a ideia de que a Fusão Radial de Virgem e a Salsicha Gaia resultaram do mesmo evento; a estimativa da idade da Fusão Radial de Virgem, muito mais jovem, significa que ou os dois são eventos diferentes ou que a Salsicha Gaia é muito mais jovem e não pode ter provocado a criação do disco espesso da Via Láctea, como afirmado anteriormente. Um padrão espiral recém-descoberto em dados de posição e velocidade de estrelas próximas do Sol, às vezes chamado Caracol Gaia, e um evento proposto chamado Splash, também podem estar associados à Fusão Radial de Virgem.

“Existem muitos potenciais vínculos a esta descoberta,” disse Newberg. “A Fusão Radial de Virgem abre a porta a uma maior compreensão de outros fenómenos que vemos e não entendemos totalmente, e que podem muito bem ter sido afectados por algo que caiu através do meio da Galáxia há menos de 3 mil milhões de anos.”

Astronomia On-line
23 de Outubro de 2020

 

4467: Há um planeta “vagabundo” do tamanho da Terra a orbitar livremente na Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfeld; Reconhecimento: William Pendrill

Recorrendo a lentes gravitacionais, uma equipa de astrónomos encontrou um planeta “rebelde” com aproximadamente o tamanho da Terra a vaguear livremente na Via Láctea sem uma estrela para orbitar.

Este é mais um exemplo de um planeta rebelde: acredita-se que alguns começaram as suas vidas como planetas normais, mas deixaram as suas estrelas depois de colidirem com outro objecto que liberta para o Espaço sem a “companhia” de uma estrela.

Outro planetas deste tipo podem formar-se também quando nuvens de gás e poeira implodem para formar um planeta em vez de uma estrela.

Estes planetas, conhecidos também como mundos solitários, são objectos isolados com massas semelhantes às dos restantes planetas. Movem-se pela galáxia sem estarem limitados por órbitas em torno de uma estrela, como é o caso da Terra que gira em torno do Sol – são, na prática, planetas livres.

“O Universo pode estar repleto de planetas rebeldes sem que saibamos disso”, disse Scott Gaudi, professor de astronomia da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, que ajudou a descobrir o novo planeta, citado num comunicado da NASA.

Baptizado de OGLE-2016-BLG-1928, este planeta terá aproximadamente, segundo as estimativas dos cientistas, a massa da Terra ou Marte, detalha o portal Futurism.

Há dois factores que tornam estes planetas muitos difíceis de identificar: por um lado, são mundos muito escuros, uma vez que não há estrelas próximas para os iluminar, dificultando a sua identificação; por outro lado, costumam ser frios, o que quer dizer que conseguem “escapar” aos telescópios espacial infravermelhos.

Por tudo isto é que os cientistas tiveram de recorrer a uma técnica que envolve lentes gravitacionais para detectar o OGLE-2016-BLG-1928, tal como explicam os cientistas no artigo disponibilizado em pré-publicação no portal arXiv.

O documento carece ainda de revisão de pares.

Estão oficialmente confirmados 17 planetas rebeles e existem outros quatro, incluindo o OGLE-2016-BLG-1928, que aguardam confirmação. Apesar de os números serem ainda modestos, os cientistas defendem que podem existir milhões destes planetas – num número até superior ao das estrelas da Via Láctea.

Podem existir mais planetas rebeldes do que estrelas na Via Láctea

Um telescópio da agência espacial norte-americana (NASA) pode vir a descobrir que existem mais planetas rebeldes – mundos que flutuam…

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ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2020

 

 

4446: Estrelas de rápida rotação no centro da Via Láctea podem ter migrado da periferia da Galáxia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Perscrutando o coração profundo da Via Láctea, o Hubble revela uma tapeçaria rica de mais de meio milhão de estrelas. À excepção de algumas estrelas azuis, no plano da frente, as estrelas fazem parte do Enxame Nuclear Estelar da Via Láctea, o enxame de estrelas mais massivo e mais denso da nossa Galáxia. Tão cheio de estrelas, é equivalente a ter um milhão de sóis amontoados no volume de espaço entre nós e a nossa vizinha estelar mais próxima, Alpha Centauri, a 4,3 anos-luz de distância. Bem no centro da nossa Galáxia, este enxame estelar rodeia o buraco negro super-massivo da Via Láctea, que tem cerca de 4 milhões de vezes a massa do nosso Sol.
Esta imagem, que abrange 50 anos-luz, é um mosaico composto por nove imagens separadas obtidas pelo instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble. O centro de Via Láctea está localizado a 27.000 anos-luz de distância. Esta “tempestade” de estrelas é apenas a ponta do icebergue: os astrónomos estimam que cerca de 10 milhões de estrelas neste enxame sejam demasiado ténues para ser capturadas na imagem.
Crédito: NASA, ESA, e Equipa do Legado Hubble (STScI/AURA); Reconhecimento: T. Do e A. Ghez (UCLA), e V. Bajaj (STScI)

Num artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, uma equipa internacional de astrofísicos, incluindo cientistas da Universidade de Surrey, relata como descobriram um grupo de estrelas com características diferentes das suas vizinhas encontradas no Enxame Estelar Nuclear da Via Láctea.

Um enxame estelar nuclear é um aglomerado de estrelas muito denso e de alta luminosidade perto do centro de massa de uma galáxia. Geralmente encontram-se em galáxias de baixa massa onde os buracos negros super-massivos não estão presentes. E geralmente não existem em galáxias com buracos negros super-massivos. No entanto, algumas galáxias podem conter as duas categorias de objectos no núcleo galáctico, e a Via Láctea é um desses exemplos.

A equipa usou simulações de computador de alta resolução e de última geração para explicar como este grupo de estrelas pobres em metais e de rápida rotação veio a estar localizado no centro da nossa Galáxia.

Os seus cálculos descobriram que é provável que este grupo de estrelas seja um remanescente da migração de um enorme enxame estelar que se formou a alguns anos-luz de distância do centro da Via Láctea. Alternativamente, embora não seja tão provável quanto o cenário do enxame, a equipa também observou que o grupo de estrelas pode ter tido origem numa galáxia anã localizada a 320.000 anos-luz do Centro Galáctico.

Todas as evidências apontam para um evento de acreção que aconteceu há 3-5 mil milhões de anos, durante o qual um grande enxame migrou em direcção ao centro da Via Láctea e foi perturbado pelas fortes forças de maré do Enxame Estelar Nuclear, região esta com uma densidade estelar alta. As estrelas do enxame foram depositadas na região e foram descobertas com base nas suas velocidades peculiares e baixo teor de metal.

A Dra. Alessia Gualandris, professora de física da Universidade de Surrey, acrescentou: “Esta descoberta pode ser a ‘arma fumegante’ de que a Via Láctea tem vindo a acumular enxames estelares de galáxias anãs ao longo da sua vida. O seu passado foi muito mais activo do que pensávamos anteriormente.”

O Dr. Tuan Do, professor assistente da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), disse: “É notável como estas novas observações do Enxame Estelar Nuclear podem revelar tanto sobre a história de toda a Galáxia.”

O Dr. Manuel Arca-Sedda, do Instituto de Cálculo Astronómico, em Heidelberg, Alemanha, concluiu: “Uma estreita colaboração entre observadores e teóricos foi fundamental neste estudo. A combinação de novas observações requintadas com modelos de computador de última geração permitiu-nos descobrir o local de nascimento destas estrelas peculiares.”

Astronomia On-line
6 de Outubro de 2020

 

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4383: Cientistas medem, pela primeira vez, a distância até um magnetar na Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO

Com a ajuda do observatório Very Long Baseline Array (VLBA), uma equipa de astrónomos conseguiu medir, pela primeira vez, a distância até ao magnetar XTE J1810-197, localizado na Via Láctea. 

Os magnetares são um tipo de estrela de neutrões, com um campo magnético bastante forte, capazes de emitir raios X e raios gama. Aliás, é por esse motivo que muitos cientistas pensam que os magnetares são os responsáveis pelas rajadas rápidas de rádio (FRBs).

Nesta nova investigação, cujo artigo científico foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a equipa de cientistas analisou o XTE J1810-197 durante 2019 e 2020, observando-o em lados opostos na órbita da Terra durante o trajecto em torno do Sol. Os investigadores notaram uma pequena mudança no efeito paralaxe, isto é, a posição que o objecto aparenta ter em relação a outros no fundo, mais distantes.

Através da paralaxe, é possível calcular a distância directa do objecto.

De acordo com o Tech Explorist, esta é a primeira medida do paralaxe de um magnetar, e revela que XTE J1810-197 está entre os magnetares mais próximos conhecidos – a “apenas” 1.800 anos-luz.

“Ter uma distância precisa deste magnetar significa que podemos calcular a força dos pulsos de rádio vindos deste corpo celeste. Se ele emitir uma FRB, vamos descobrir a força do pulso”, resumiu Adam Deller, membro da Universidade de Tecnologia da Austrália.

O XTE J1810-197 é um dos seis conhecidos que emite pulsos de ondas de rádio. O magnetar ficou activo de 2003 a 2008 e fez um intervalo longo de dez anos na sua actividade. Em Dezembro de 2019, “ressuscitou” e voltou a emitir ondas de rádio.

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Por ZAP
25 Setembro, 2020

 

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4314: Já sabemos o que é o misterioso rio de gás que circunda a Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Scott Lucchini / Colin Legg

Um enorme fluxo de gás em alta velocidade envolve quase toda a Via Láctea a uma distância de cerca de 200 mil anos-luz. Agora, um novo estudo revelou a sua origem.

A Via Láctea não está sozinha: capturou galáxias mais pequenas e as duas maiores são conhecidas como Pequena e Grande Nuvens de Magalhães. Quando começaram a circundar a Via Láctea há milhares de milhões de anos, uma enorme corrente de gás conhecida como Corrente de Magalhães foi arrancada delas.

Agora, o riacho estende-se por mais da metade do céu nocturno. Porém, os astrónomos não conseguiam explicar como a corrente se tornou tão massiva – mais de um mil milhões de vezes a massa do Sol.

Astrónomos da Universidade de Wisconsin-Madison descobriram que um halo de gás quente ao redor das Nuvens de Magalhães provavelmente actua como um casulo protector, protegendo as galáxias anãs do próprio halo da Via Láctea e contribuindo com a maior parte da massa da Corrente de Magalhães.

À medida que as galáxias mais pequenas entraram na esfera de influência da Via Láctea, partes deste halo foram esticadas e dispersas para formar a Corrente de Magalhães.

“Os modelos existentes da formação da Corrente de Magalhães estão desactualizados porque não conseguem explicar a sua massa”, disse Scott Lucchini, estudante no departamento de física da Universidade de Wisconsin-Madison, em comunicado.

“É por isso que criámos uma nova solução excelente para explicar a massa do riacho, que é a questão mais urgente a ser resolvida”, disse Elena D’Onghia, professora de astronomia da Universidade de Wisconsin-Madison.

Modelos mais antigos sugeriam que as marés gravitacionais e a força das galáxias que se empurravam umas contra as outras formaram a Corrente de Magalhães enquanto as galáxias anãs entravam em órbita ao redor da Via Láctea. Embora esses modelos possam explicar amplamente o tamanho e a forma do riacho, representam apenas um décimo da sua massa.

Recentemente, os astrónomos descobriram que as Nuvens de Magalhães são suficientemente massivas para ter o seu próprio halo – ou corona – de gás quente. Nas novas simulações, a criação da Corrente de Magalhães é dividida em dois períodos.

Enquanto as Nuvens de Magalhães ainda estavam longe da Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães retirou o gás do seu parceiro mais pequeno ao longo de milhares de milhões de anos. Esse gás roubado contribuiu com entre 10% a 20% da massa final do fluxo. Depois, conforme as nuvens caíram na órbita da Via Láctea, a corona cedeu um quinto da sua própria massa para formar a Corrente de Magalhães, que se estendeu por um enorme arco do céu por interacções com a gravidade da Via Láctea e a sua própria corona.

Misterioso gás descoberto perto do centro da Via Láctea. Foi lançado como “balas”

Uma equipa internacional de investigadores descobriu gás frio e denso que foi lançado do centro da Via Láctea “como balas”….

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“O fluxo é um quebra-cabeça de 50 anos”, disse Andrew Fox, um dos co-autores do estudo e astrónomo do Space Telescope Science Institute. “Nunca tivemos uma boa explicação de onde veio. O que é realmente emocionante é que estamos a chegar a uma explicação agora”.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Nature.

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12 Setembro, 2020

 

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4249: A caminho da colisão. O halo da Andrómeda já está a “tropeçar” na Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA, ESA, J. DePasquale and E. Wheatley (STScI) and Z. Levay

As observações do Telescópio Espacial Hubble detalharam o tamanho e a estrutura do halo de gás de Andrómeda e descobriram que já está a chocar contra o da Via Láctea.

Normalmente, as galáxias são vistas como discos planos de estrelas. No entanto, ao redor da maioria das galáxias há um enorme envelope esférico de gás e plasma que se estende por milhares ou até milhões de anos-luz. O problema é que essas estruturas são muito difíceis de ver, porque as moléculas que as compõem são muito difusas e não emitem muita radiação.

Para estudar esses halos, os astrónomos analisam a forma como a luz é filtrada de objectos muito mais distantes. Os quasares são uma boa fonte, uma vez que são muito brilhantes, mas para a maioria das galáxias, apenas um ou dois estão na linha de visão correta.

No entanto, para analisar a região invisível do halo da Andrómeda, a galáxia vizinha da Via Láctea, os investigadores conseguiram usar 43 quasares espalhados ao redor do halo.

A equipa de cientistas usou o Espectrógrafo de Origens Cósmicas (COS) do Hubble para estudar a luz ultravioleta desses quasares e a forma como é absorvida pelo gás no halo de Andrómeda.

Os astrónomos descobriram que o halo tem uma estrutura em camadas, com uma “casca” de gás aninhada dentro da outra. Os bio-marcadores de grandes quantidades de elementos pesados também foram encontradas a flutuar, o que pode indicar a presença de explosões de super-nova.

“Descobrimos que a camada interna que se estende por cerca de meio milhão de anos-luz é muito mais complexa e dinâmica”, disse Nicolas Lehner, investigador que liderou o estudo, em comunicado. “A camada externa é mais lisa e mais quente. Esta diferença é um resultado provável do impacto da actividade da super-nova no disco da galáxia que afecta mais directamente o halo interno”.

A equipa também descobriu que as camadas externas alcançam maiores distâncias do que anteriormente conhecido. O halo estende-se por 1,3 milhões de anos-luz de Andrómeda e, em algumas direcções, chega a 2 milhões de anos-luz.

Isto significa que o halo da Andrómeda já está a começar a pressionar o da Via Láctea.

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A Andrómeda, a galáxia vizinha da Via Láctea, é o lar de uma super-nova – uma estrela que regularmente sofre…

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As duas galáxias deverão colidir e fundir-se daqui a cerca de quatro mil milhões de anos – e parece que esse processo já está nos seus estágios iniciais. Antes da colisão, a Via Láctea terá de suportar algo semelhante com a Grande Nuvem de Magalhães e que deverá acontecer em 2,5 mil milhões de anos. Enquanto a Andrómeda é um pouco maior do que a nossa galáxia, a Grande Nuvem de Magalhães tem apenas 1/80 da massa da Via Láctea.

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Por ZAP
31 Agosto, 2020

 

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4202: Gás misterioso descoberto perto do centro da Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A Via Láctea com o APEX no plano da frente.
Crédito: ESO/B. Tafreshi/TWAN (twanight.org)

Uma equipa internacional de investigadores descobriu gás frio e denso que foi lançado do centro da Via Láctea “como balas”.

Exactamente como o gás foi ejectado ainda é um mistério, mas a equipa de investigação, que inclui a professora Naomi McClure-Griffiths da Universidade Nacional Australiana, afirma que os achados podem ter implicações importantes para o futuro da nossa Galáxia.

“As galáxias podem ser realmente boas em ‘disparar no próprio pé’,” disse a professora McClure-Griffiths.

“Quando expulsamos muita massa, perdemos parte do material que poderia ser usado para formar estrelas e, se perder massa suficiente, a galáxia não poderá mais formar estrelas.

“Assim sendo, ser capaz de ver indícios de que a Via Láctea está a perder este gás formador de estrelas é um tanto ou quanto excitante – faz-nos perguntar o que vai acontecer a seguir!”

O estudo também levanta novas questões sobre o que está a acontecer agora no nosso Centro Galáctico.

“O vento no centro da Via Láctea tem sido tema de muitos debates desde a descoberta, há uma década, das chamadas Bolhas de Fermi – duas esferas gigantes cheias de gás quente e raios cósmicos,” disse a professora McClure-Griffiths.

“Observamos que não há apenas gás quente vindo do centro da nossa Galáxia, mas também gás frio e muito denso.

“Este gás frio é muito mais massivo, de modo que se move menos facilmente.”

O centro da Via Láctea é o lar de um buraco negro super-massivo, mas não está claro se este buraco negro expeliu o gás ou se foi soprado por milhares de estrelas massivas no centro da nossa Galáxia.

“Não sabemos como o buraco negro ou a formação estelar podem produzir este fenómeno. Ainda estamos à procura de evidências incontornáveis, mas fica mais complicado de cada vez que aprendemos mais sobre ele,” disse o autor principal, Dr. Enrico Di Teodoro, da Universidade Johns Hopkins.

“Esta é a primeira vez que algo deste género foi observado na nossa Galáxia. Vemos este tipo de processos a acontecer noutras galáxias. Mas, com galáxias distantes temos buracos negros muito mais massivos, a formação estelar é maior, o que torna mais fácil a galáxia expelir material.

“E estas outras galáxias estão, obviamente, muito longe, não podemos vê-las com grande detalhe.

“A nossa própria Galáxia é quase como um laboratório em que podemos realmente entrar e tentar entender como as coisas funcionam observando-as de perto.”

O gás foi observado usando o APEX (Atacama Pathfinder EXperiment) operado pelo ESO no Chile.

Astronomia On-line
21 de Agosto de 2020

 

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4171: Estrela mais rápida da Via Láctea move-se a 8% da velocidade da luz

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

De algo tão extenso como o Universo onde estamos inseridos, esperam-se muitas novidades, muitas descobertas. A par de umas quantas recentes, foi agora encontrada a estrela mais rápida conhecida até hoje da nossa galáxia.

A recente descoberta chama-se S4714 e atinge uma velocidade de cerca de 8% da velocidade da luz.

A estrela mais rápida da nossa galáxia

Orbita o gigante buraco negro Sagittarius A*, atinge cerca de 8% da velocidade da luz e é a estrela mais rápida alguma vez conhecida da nossa galáxia. Aliás, pertence a um grupo de estrelas que foram recentemente descobertas, com as órbitas mais próximas do que quaisquer outras estrelas descobertas antes.

Na sua viagem orbital a estrela mais rápida S4714 atinge uns impressionantes 8% da velocidade da luz. Assim, além de demonstrar que existem outras estrelas em órbitas ousadas perto do buraco negro do centro da nossa galáxia, também abriu a porta a um tipo de estrela proposto há cerca de 20 anos.

Isto, porque existem estrelas que, de tão próximas que estão de um buraco negro, acabam por ser esmagadas pela sua força. Por reagirem dessa forma à acção bruta do buraco são conhecidas por “squeezars”. Aliás, este tipo de estrela foi teorizado em 2003.

Conforme foi apresentado pelos autores da investigação, a estrela mais rápida está na região do centro da Via Láctea. Apesar de ser uma zona tranquila, o ambiente em torno do buraco negro é bastante agitado.

Estrelas próximas de um buraco negro ajudam a estudá-lo

Há uns anos, foram descobertas as estrelas que se pensavam ser as mais próximas do buraco negro. Contudo, uma equipa liderada pelo astrofísico Florian Peissker, da University of Cologne, na Alemanha, não se ficaram e, após vários anos de trabalho, encontraram estrelas mais próximas do que as de outrora: S4711, S4712, S4713, S4714 e S4715.

Das cinco descobertas, os astrofísicos destacam duas. Em primeiro lugar, a S4711, é uma estrela azul do tipo B com cerca de 150 milhões de anos. Em segundo lugar, a S4714, com uma órbita excêntrica, ou seja, a forma da elipse é muito alargada, e é a mais rápida já registada.

De acordo com Peissker, estas estrelas são as primeiras verdadeiras candidatas a “squeezars”. Ou seja, Apesar de uma estrela chamada S2 ter sido durante muito tempo conhecida como a mais próxima do buraco negro, estas novas descobertas abrem a porta a estudos que pretendem compreender as interacções entre os buracos negros e as estrelas que eles devoram.

O S4711 é o primeiro “squeezar” alguma vez detectado.

Revelou Peissker.

Ainda que as descobertas sejam surpreendentes, a equipa não vai parar e tenciona descobrir, se as houver, outras estrelas escondidas com velocidades ou órbitas diferentes.

Pplware
Autor: Ana Sofia
16 Ago 2020

 

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4098: Astrónomos encontraram os restos de uma colecção única de estrelas (arrasada pela Via Láctea)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

James Josephides / Swinburne Astronomy

Uma equipa internacional de investigadores descobriu uma estrutura em torno da Via Láctea apelidada de Phoenix Stream. Esta é uma faixa de estrelas que se acredita ser o que resta de um antigo aglomerado globular destruído pela Via Láctea há cerca de dois mil milhões de anos.

Aglomerados globulares são colecções esféricas de estrelas que orbitam galáxias. Mais de 150 deles foram descobertos apenas na Via Láctea. Estudos abrangentes dessas e de muitas outras que orbitam galáxias distantes sugerem que se formaram desde a geração mais antiga de estrelas.

O que é verdadeiramente único no Phoenix Stream é a a sua composição de estrelas. Os investigadores descobriram o que resta do aglomerado globular mais antigo conhecido, uma relíquia de uma época passada.

“Depois de saber que estrelas pertenciam ao fluxo, medimos a sua abundância de elementos mais pesados ​​do que o hidrogénio e o hélio, algo que os astrónomos chamam de metalicidade. Ficamos realmente surpreendidos ao descobrir que o Phoenix Stream tem uma metalicidade muito baixa, tornando-o distintamente diferente de todos os outros aglomerados globulares da galáxia ”, disse Zhen Wan, investigador da Universidade de Sydney, em comunicado. “Embora o aglomerado tenha sido destruído há milhares de milhões de anos, ainda podemos dizer que se formou no início do Universo a partir da composição das suas estrelas.”

Acredita-se que os aglomerados globulares tenham um “piso de metalicidade”, abaixo do qual não se podem formar da forma que se espera. Esse valor mínimo vem do enriquecimento esperado das estrelas mais antigas, feitas exclusivamente de hidrogénio e hélio, e do seu desaparecimento explosivo que espalha elementos mais pesados pelo cosmos.

Se o Phoenix Stream era de facto um aglomerado globular, talvez o universo tenha mais do que uma forma de formar essas colecções compactas de estrelas. “Esse fluxo vem de um aglomerado que, pelo nosso entendimento, não deveria existir“, explicou o co-autor do estudo Daniel Zucker, da Macquarie University.

“Uma explicação possível é que o Phoenix Stream representa o último de seu tipo, o remanescente de uma população de aglomerados globulares que nasceram em ambientes radicalmente diferentes daqueles que vemos hoje”, afirmou Ting Li, do Carnegie Observatories e líder da colaboração internacional S5, que estuda fluxos estelares.

A equipa continua com dúvidas sobre como o Phoenix Stream se formou e se é único, mas planeia estudar mais fluxos estelares para descobrir.

Descoberto um pacífico “rio de estrelas” na Via Láctea. É o que resta da morte violenta de uma galáxia

Uma equipa de astrónomos descobriu um vasto fluxo de estrelas que acreditam ser os restos de uma galáxia anã maciça…

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Este estudo foi publicado na semana passada na revista científica Nature.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2020

 

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4055: Quantos extraterrestres existem na Via Láctea? A resposta pode estar na estatística

CIÊNCIA/EXTRATERRESTRES

Alguns astrónomos estão a recorrer à estatística bayesiana para descobrir a probabilidade de haver vida extraterrestre na Via Láctea.

Estes cientistas focam-se em duas incógnitas: a probabilidade de vida surgir em planetas semelhantes à Terra e, a partir daí, a probabilidade de inteligência emergir.

A equação de Drake, por exemplo, é um argumento probabilístico usado para estimar o número de civilizações extraterrestres activas na Via Láctea com as quais poderíamos ter hipótese de estabelecer comunicação. Esta equação pode também ser usada para fazer uma previsão da existência de vida inteligente na nossa galáxia.

Apesar de haver uma enormidade de espaço para a vida prosperar, “uma das maiores incertezas de toda a cadeia de factores é a probabilidade de a vida começar”, explica Ed Turner, astrofísico na Universidade de Princeton.

Em maio, uma equipa de investigadores da Universidade de Nottingham calculou que deverá haver 36 civilizações inteligentes a comunicar activamente na nossa galáxia. O estudo foi publicado na revista científica The Astrophysical Journal.

Utilizando a suposição de que a vida inteligente se forma noutros planetas de forma semelhante à da Terra, os investigadores obtiveram uma estimativa do número de civilizações comunicantes inteligentes na Via Láctea.

“Deveria haver pelo menos algumas dúzias de civilizações activas na nossa galáxia, partindo do princípio de que são necessários cinco mil milhões de anos para a vida inteligente se formar noutros planetas, como na Terra”, disse Christopher Conselice, professor de Astrofísica na Universidade de Nottingham, em comunicado. “A ideia é olhar para a evolução, mas em escala cósmica. Chamamos esse cálculo de limite copernicano astrobiológico”.

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No entanto, nem todos concordam com estas alegações arrojadas. “Essa é apenas uma suposição muito específica e forte”, diz o astrónomo David Kipping. “Não vejo nenhuma evidência de que essa seja uma aposta segura a ser feita”.

Na hipótese proposta por Conselice, pode-se também verificar o chamado viés de selecção. A Scientific American dá o exemplo de comprar bilhetes de lotaria e ganhar o jackpot à centésima tentativa. Poderíamos pensar que, então, a probabilidade de ganhar o jackpot é de 1%. Contudo, esta conclusão é errada, visto que estamos a ignorar as dezenas de milhões de pessoas que compraram bilhetes, mas nunca ganharam a lotaria.

É então que entra a estatística bayesiana. O teorema de Bayes descreve a probabilidade de um evento, baseado num conhecimento a priori que pode estar relacionado com ele. No caso da abiogénese, a hipótese que admite a formação dos seres vivos a partir de matéria não viva, a probabilidade calculada é a de surgimento de vida num planeta semelhante à Terra, tendo em conta que este fenómeno tanto pode ter acontecido há 100 milhões de anos como há 300 milhões de anos.

Em 2012, Turner e David Spiegel foram os primeiros a aplicar rigorosamente a análise bayesiana à abiogénese.

O esforço de Turner e Spiegel foi o “primeiro ataque bayesiano realmente sério a esse problema”, diz Kipping. “Acho que o interessante foi que eles quebraram essa interpretação ingénua e padrão do surgimento precoce da vida”.

Com base nisto, Kipping fez os seus próprios cálculos e focou a sua atenção em quatro possibilidades: a vida é comum e a inteligência é comum; a vida é comum e a inteligência é rara; a vida é rara e a inteligência é comum; e a vida é rara e a inteligência é rara.

O cientista descobriu, por exemplo, que o cenário “a vida é comum e a inteligência é rara” é nove vezes mais provável do que “a vida é rara e a inteligência é rara”. E mesmo que a inteligência não seja rara, os cenários em que a vida é comum têm uma probabilidade de apenas 10%.

Ainda assim, este cálculo é “um sinal positivo de que vida deve estar por aí”, diz Kipping. “É, pelo menos, uma sugestão de que a vida não é um processo difícil”.

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27 Julho, 2020

 

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4007: Há uma estrela fugitiva a correr pela Via Láctea. Sobreviveu a uma explosão termonuclear

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Mark Garlick / University of Warwick

Uma anã branca explodiu e fugiu da sua própria órbita, juntamente com outra estrela, numa “super-nova parcial”, e lançou-se em direcção à Via Láctea.

A investigação, financiada pelo Leverhulme Trust e Science and Technology Facilities Council (STFC), analisou uma anã branca que tinha sido descoberta anteriormente e classificada como tendo uma composição atmosférica incomum. O novo estudo revela que a estrela era uma estrela binária que sobreviveu à explosão de uma super-nova, que a lançou, juntamente com a sua companheira, numa viagem pela Via Láctea em direcções opostas.

As anãs brancas são os núcleos remanescentes de gigantes vermelhas, depois de estas estrelas morrerem e perderem as suas camadas exteriores, arrefecendo ao longo de milhares de milhões de anos. A maioria das anãs brancas possui atmosferas compostas quase inteiramente de hidrogénio ou hélio, com evidências ocasionais de carbono ou oxigénio extraídas do núcleo da estrela.

Esta estrela, designada SDSS J1240 + 6710 e descoberta em 2015, parecia não conter nem hidrogénio nem hélio e era composta por uma mistura incomum de oxigénio, néon, magnésio e silício. Usando o Telescópio Espacial Hubble, os cientistas também identificaram carbono, sódio e alumínio na atmosfera da estrela, todos produzidos nas primeiras reacções termo-nucleares de uma super-nova.

No entanto, não existiam elementos de ferro, níquel, cromo e manganês, que são elementos mais pesados normalmente cozidos a partir dos mais leves e compõem as características definidoras das super-novas termo-nucleares. A falta desses elementos sugere que a estrela passou por uma super-nova parcial antes de a queima nuclear acabar.

Os cientistas mediram a velocidade da anã branca e descobriram que está a viajar a 900 mil quilómetros por hora. Também possui uma massa particularmente baixa para uma anã branca – apenas 40% da massa do Sol -, consistente com a perda de massa de uma super-nova parcial.

“Esta estrela é única porque possui todas as principais características de uma anã branca, mas possui velocidade muito alta e abundâncias incomuns que não fazem sentido quando combinadas com a sua baixa massa. Tem uma composição química que é a impressão digital da queima nuclear, uma massa baixa e uma velocidade muito alta: todos esses factos implicam que deve ter vindo de algum tipo de sistema binário próximo e deve ter sido submetido a ignição termonuclear. Terá sido um tipo de super-nova, mas um tipo que nunca vimos antes”, disse Boris Gaensicke, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, em comunicado citado pelo EurekAlert.

Os cientistas teorizam que a super-nova interrompeu a órbita da anã branca com a sua estrela parceira quando, de repente, ejectou uma grande proporção da sua massa. Ambas as estrelas terão sido lançadas em direcções opostas nas suas velocidades orbitais.

As super-novas termo-nucleares mais bem estudadas são o “Tipo Ia”, que levou à descoberta da matéria escura. A SDSSJ1240 + 6710 pode ser a sobrevivente de um tipo de super-nova que ainda não foi “apanhada em flagrante”. Sem o níquel radioactivo que alimenta o brilho duradouro das super-novas tipo Ia, a explosão que lançou o SDSS1240 + 6710 para a nossa galáxia teria sido um breve clarão difícil de descobrir.

Este fenómeno abre a possibilidade de haver outras sobreviventes de super-novas a viajarem sem ser descobertas pela Via Láctea, bem como outros tipos de super-novas que ocorrem noutras galáxias que os astrónomos nunca viram.

Este estudo foi publicado esta semana na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

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17 Julho, 2020

 

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4002: Atrás da Via Láctea, “mora” uma colossal estrutura cósmica com 1.400 milhões de anos luz de comprimento

CIÊNCIA/COSMOGRAFIA

D. Pomarede, R. B. Tully, R. Graziani, H. Courtois, Y. Hoffman, J. Lezmy

Um novo mapa tridimensional do Universo produzido por uma equipa de astrónomos internacionais de várias universidades permitiu descobrir uma enorme estrutura cósmica “logo atrás” da Via Láctea.

Trata-se de um gigantesco “muro cósmico” que se estende por 1.400 milhões de anos-luz e que contém milhares de galáxias, precisa o portal Science Alert. Um ano-luz, recorde-se para termos de comparação, equivale a 9,4 biliões de quilómetros.

A equipa, que detalhou recentemente a descoberta na revista científica especializada The Astrophysical Journal, baptizou a estrutura de “Muro do Pólo Sul”.

A estrutura cósmica, uma das maiores já descobertas pelo Homem, esteve até agora oculta porque grande parte da sua composição está a 500 milhões de anos-luz de distância da Via Láctea. Na prática, sintetiza o jornal espanhol ABC, é a nossa própria galáxia que nos impede de ver este corpo de gigantes proporções.

No que toca ao tamanho, a  Muralha do Pólo Sul rivaliza com a Grande Muralha Sloan, a sexta maior estrutura cósmica descoberta até agora descoberta.

Os cientistas sabem já há muito tempo que as galáxias não se distribuem de forma aleatória pelo Universo, estando antes agrupadas de forma muito específica para dar origem à chamada “teia de aranha cósmica”, que consiste em gigantes cadeias de hidrogénio que se encadeiam como pérolas num colar.

O mapeamento destes fios intergalácticos faz parte da cosmografia, que é a “cartografia do Cosmos”, tal como explicou o cientista Daniel Pomarede, cosmógrafo da Universidade Paris-Saclay (França) ao portal Live Science.

O “trono” das maiores estruturas pertence à Coroa Hércules-Boreal da Grande Muralha, que abrange mais de 10.000 milhões de anos-luz, quase um décimo do Universo observável, tendo o seu diâmetro cerca 93 mil milhões de anos-luz.

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15 Julho, 2020

 

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3974: Descoberto um pacífico “rio de estrelas” na Via Láctea. É o que resta da morte violenta de uma galáxia

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

(dr) ESA/Gaia/DPAC

Uma equipa de astrónomos descobriu um vasto fluxo de estrelas que acreditam ser os restos de uma galáxia anã maciça que foi arrastada para o disco galáctico antes de ser despedaçada.

De acordo com o modelo padrão da evolução do Universo, as galáxias crescem ao fundir-se a absorver galáxias mais pequenas. Existem muitas evidências desse processo na Via Láctea: foram identificados vários fluxos que foram ligados a galáxias anãs e aglomerados globulares interrompidos pelas forças de maré da galáxia.

O satélite Gaia, que foi lançado em 2013 e colhe dados para produzir o mapa 3D mais preciso da Via Láctea, está a estudar cuidadosamente os movimentos adequados, velocidades radiais e distâncias das estrelas para determinar onde tudo se localiza e como se move.

Esse processo está a revelar a história das altercações da Via Láctea com outras bolhas de estrelas – como Antlia 2, a Galáxia Anã Elíptica de Sagitário e a Salsicha Gaia. Porém, tudo isto foi identificado ao procurar coisas que se movem e são construídas de forma diferente. É mais difícil identificar uma galáxia fragmentada. Estrelas que se movem com a rotação do disco galáctico e têm composições químicas semelhantes às estrelas da Via Láctea podem ser negligenciadas.

Lina Necib, física teórica da Caltech e os seus colegas, aplicou uma rede neural para construir um catálogo de estrelas a partir do segundo lançamento de dados de Gaia do que tinha sido atirado para a galáxia – em vez de nascer na Via Láctea.

“A rede toma como entrada a cinemática tridimensional de cada estrela (duas coordenadas angulares, dois movimentos apropriados e paralaxe) e, em seguida, gera uma pontuação associada à probabilidade de a estrela ser acumulada”, explicaram os investigadores, de acordo com o ScienceAlert.

Quando extraíram as estrelas que a rede neural estava certa de que tinham sido acumuladas, a equipa encontrou um grupo de 232 estrelas, que se moviam juntas num movimento progressivo – com a rotação da galáxia – e com composições químicas semelhantes. A esse “rio de estrelas” chamaram Nyx, em homenagem à deusa grega da noite.

Quando simularam as órbitas dessas estrelas há mil milhões de anos, a equipa descobriu que possuíam propriedades orbitais diferentes das estrelas tanto no disco espesso como no disco fino da Via Láctea.

“Acoplar essa observação ao facto de Nyx ficar atrás do disco em ~90kms1 e ter um componente substancial de velocidade radial é um forte argumento de que é o resultado de uma fusão por satélite“, escreveram os cientistas.

Grupos estelares que se movem juntos podem ser criados por outros meios, como ressonâncias geradas por perturbações da barra galáctica ou ondas de densidade nos braços espirais – mas não se encaixam com Nyx. Simulações desses fenómenos não poderiam produzir o atraso de Nyx sem causar outros efeitos que não foram identificados nos dados.

A melhor teoria para seus dados é uma galáxia anã que, em algum momento da longa história da Via Láctea, foi sugada e esticada quando as estrelas começaram a orbitar o centro da Via Láctea.

É provável que Nyx contenha estrelas que não foram identificadas neste estudo, porque ficaram fora dos rígidos parâmetros inseridos na rede neural. No entanto, estudos futuros podem ajudar a esclarecer esse evento.

“Rio” com 4000 estrelas flui surpreendentemente perto do Sol

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Como também há evidências de que populações de estrelas acumuladas se correlacionam com aglomerados de matéria escura que se acredita terem sido absorvidos na fusão juntamente com as estrelas, Nyx pode ajudar a entender a forma como essas fusões contribuem para o disco de matéria escura de uma galáxia.

O estudo foi publicado esta semana na revista científica Nature Astronomy.

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9 Julho, 2020

 

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3931: ESO Astronomy

ESO #Flashback: Comet Halley and the Milky Way on 21 March 1986.
Image credit: ESO Astronomy
View larger image at: http://orlo.uk/h0jvQ

 

ESO #Flashback: Cometa Halley e a Via Láctea em 21 de Março de 1986.
Crédito da imagem: ESO Astronomy
Veja a imagem maior em: http://orlo.uk/h0jvQ

 

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