3269: Crocodilos conseguem galopar como cavalos (e são muito rápidos)

CIÊNCIA

fvanrenterghem / flickr

Apesar de parecerem preguiçosos e lentos quando estão deitados nas margens, os crocodilos conseguem galopar como cavalos, correr como um cão e facilmente ganhar velocidade quando necessário.

A corrida do cão acontece quando os membros anteriores do animal atingem o chão ao mesmo tempo e, depois, as pernas traseiras empurram o corpo. Já o galope do cavalo é uma sequência de quatro tempos, na qual os membros anteriores e posteriores se revezam no pouso.

Pensava-se que os crocodilos-de-água-doce, oriundos da Austrália, fossem a única espécie deste réptil que conseguia fazer as duas acções. Aliás, estudos anteriores sugeriram que apenas um punhado de espécies de crocodilos eram capazes de galopar, mas um novo estudo acrescenta mais cinco a esta lista, sugerindo que é muito mais comum do que se pensava.

Cientistas veterinários instalaram câmaras de vídeo no jardim zoológico da Florida, nos Estados Unidos, e analisaram a marcha e a velocidade de 42 indivíduos de 15 espécies de crocodilianos (Crocodylia), grupo que inclui os crocodilos, jacarés e caimões.  Enquanto jacarés e caimões só conseguiam trotar em terra, a equipa notou oito espécies de crocodilos capazes de galopar e correr.

Independentemente do tamanho, quase todas as espécies estudadas conseguiam atingir quase 18 quilómetros por hora, seja através de trote, galope ou corrida. Por outro lado, apenas os crocodilos usavam as pernas assimetricamente, proporcionando frequências de passada mais longas, especialmente entre aqueles com tamanhos corporais mais pequenos.

A razão pela qual os jacarés não o conseguem fazer permanece sem reposta, mas os investigadores pensam que essa habilidade será ancestral e tem menos a ver com velocidade do que pensávamos. Da mesma forma como outros estudos semelhantes, os cientistas pensam que a marcha assimétrica incomum do crocodilo veio de um ancestral perdido há muito tempo que vivia na terra e tinha pernas mais longas.

No entanto, há outra possibilidade: o ancestral comum das 20 espécies actuais de crocodilos pode ter evoluído a marcha assimétrica – em vez de ter sido herdada.

De acordo com os investigadores, este estudo, publicado na semana passada na revista científica Scientific Reports, é o primeiro a documentar correctamente o galopar do crocodilo das Filipinas (Crocodylus mindorensis), do crocodilo cubano (C. rhombifer), do crocodilo americano (C. acutus), do crocodilo da África Ocidental (Mecistops cataphractus) e do crocodilo anão (Osteolaemus tetraspis).

ZAP //

Por ZAP
26 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

2461: Morreu Marium, o mais famoso dugongo da Tailândia. Comeu plástico

CIÊNCIA

(dr)

Quando foi resgatado, em Abril, tornou-se uma estrela na Tailândia. O dugongo órfão, chamado Marium, acabou por morrer este sábado, devido a uma infecção causada pela ingestão de plástico, de acordo com os veterinários que cuidaram do mamífero na ilha de Koh Libong, na província de Trang, no sul da Tailândia.

Uma equipa de cerca de 10 veterinários e 40 voluntários cuidou de Marium nas águas pouco profundas de Koh Libong, depois de descobrir o animal sozinho e desnutrido. A equipa disse que a morte do dugongo deveria servir como um alerta sobre os efeitos dos resíduos de plástico na vida selvagem.

Cerca de quatro meses depois de ser encontrado, Marium tornou-se famoso após circularem na Internet imagens tiradas pelos veterinários que cuidaram da cria. Na semana passada, o dugongo começou a mostrar sinais de stress e a recusar alimentar-se.

Na quarta-feira, Marium foi transferido para um tanque para ser seguido mais de perto pela equipa de veterinários, conta o jornal britânico The Guardian, mas acabou por morrer nesta manhã de sábado.

Segundo os veterinários, a autópsia revelou que pequenos pedaços de plástico tinham entupido e inflamado os intestinos do mamífero, causando uma infeção que levou à sua morte. Foram ainda encontrados hematomas no corpo de Marium, que podem ter sido causados pelo ataque de outro dugongo.

“Estamos todos tristes com esta perda “, disse Nantarika Chansue, directora da unidade de medicina animal da Universidade Chulalongkorn, em Banguecoque.

No mês passado, em Koh Libong, quando Marium estava ainda de boa saúde, Chansue expressou preocupação com a possibilidade de algo acontecer aos dugongos. “Uma coisa para a qual não estamos preparados é se houver uma emergência”, disse. “No caso de algo acontecer… estamos bem longe da terra [principal]. Preparámos equipamentos de emergência… [mas] tudo é possível “, vaticinou.

Um segundo dugongo órfão, que é mais novo que Marium e foi encontrado em Junho perto do local de onde foi resgatado o irmão, está a ser vigiado no Centro de Biologia Marinha de Phuket. Jamil e Marium deveriam ser lançados ao mar quando atingissem os 18 meses, a idade em que os dugongos deixam as mães.

Os dugongos apresentam comportamentos e aparências semelhantes aos manatins, mas a cauda de um dugongo é muito semelhante à de uma baleia. São uma espécie solitária e as fêmeas dão à luz a apenas uma cria, após uma gestação de um ano, ajudando-as a alcançar a superfície da água para respirarem pela primeira vez.

As progenitoras e crias têm um laço muito próximo, nunca as abandonando e mantendo sempre contacto com a cria. Os historiadores acreditam que os dugongos e os manatins serviram de inspiração para os contos sobre criaturas marinhas sobrenaturais.

ZAP //

Por ZAP
17 Agosto, 2019

Por Julien Willem – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4447582