3188: A radiação de Chernobyl está a deixar as vespas esfomeadas (e isso é má notícia)

CIÊNCIA

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A Zona de Exclusão de Chernobyl é a área em torno da cidade ucraniana de Pripyat, onde a Central Nuclear de Chernobyl entrou em colapso em 1986. Apesar de não haver humanos na região, e apesar do nível de radiação acima da média, está cheia de animais selvagens, desde lobos e ursos a insectos como vespas.

Os investigadores estão curiosos sobre a forma como essa quantidade constante de radiação afecta os animais. Assim, uma equipa da Universidade de Sterling procurou vespas para estudar.

Em estudos preliminares, os cientistas descobriram que, quando os insectos são expostos a um nível semelhante de radiação ao encontrado na Zona de Exclusão de Chernobyl, começaram a consumir mais néctar. As descobertas foram apresentadas esta semana na Reunião Anual da British Ecological Society, em Belfast.

A equipa expôs as vespas a níveis de radiação entre 300 e quase 5.000 vezes superiores ao que a pessoa média experimenta todos os dias, descobrindo que cerca de 1.000 vezes as abelhas começaram a consumir mais néctar.

“Um aumento no consumo de néctar para uma vespa individual pode ter importantes consequências ecológicas, já que as abelhas precisam de gastar mais tempo a colher néctar para as suas necessidades individuais”, disse Jessica Burrows, que apresentou o trabalho, em comunicado. “Como resultado, o crescimento de colónias de vespas pode ser prejudicado se houver menos recursos disponíveis para a ninhada em desenvolvimento. Pode reduzir o número de abelhas no ecossistema”.

Os polinizadores são cruciais para o meio ambiente e o seu desaparecimento pode ter efeitos amplos e duradouros. Actualmente, os insectos polinizadores são bastante abundantes na Zona de Exclusão.

“É necessário mais trabalho dentro da Zona de Exclusão de Chernobyl para entender os impactos da exposição crónica a baixas doses no ecossistema em geral”, acrescentou Burrows. “Tem havido pouco trabalho sobre os efeitos da radiação nas espécies de plantas com flores”.

Enquanto as configurações de laboratório davam à equipa maior controle sobre a quantidade de radiação às quais as vespas foram expostas (simuladas com uma fonte de césio), não era uma reprodução perfeita do que os insectos poderiam experimentar na natureza.

Já se pode visitar a sala de controlo de Chernobyl (mas só durante cinco minutos)

A Ucrânia vai permitir que os turistas visitem a sala de controlo do infame reator quatro, onde foram tomadas decisões…

As vespas receberam bastante néctar e não precisaram de se alimentar. A necessidade de voar longas distâncias na natureza também pode afectar negativamente as abelhas na Zona de Exclusão de Chernobyl.

O nível actual de radiação na Zona de Exclusão e em Pripyat, em particular, varia significativamente. Em alguns lugares, é um pouco mais alto do que o nível natural de radiação de fundo, enquanto em outros seria preocupante se pessoas permanecessem lá durante um tempo prolongado.

ZAP //

Por ZAP
13 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

1984: Nunca subestime uma vespa. São mais inteligentes do que pensávamos

CIÊNCIA

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Um estudo recente provou que a vespa-do-papel-europeia (Polistes dominula) é capaz de resolver inferências transitivas, uma capacidade que se pensava ser exclusiva dos humanos.

Até hoje, os cientistas pensavam que a inferência transitiva – a capacidade de usar relações conhecidas para inferir relações desconhecidas – era uma capacidade exclusiva dos seres humanos. Aliás, durante milénios, esta capacidade representou um selo distintivo dos poderes dedutivos dos humanos, uma forma de raciocínio lógico utilizada para fazer inferências (por exemplo, se A é maior que B e B é maior que C, então A é maior que C).

Agora, um estudo realizado em invertebrados, cujo artigo científico foi recentemente publicado na Biology Letters, prova que a vespa-do-papel-europeia (Polistes dominula) também tem esta capacidade. Desta forma, esta espécie é a primeira de invertebrados a ser capaz de resolver inferências transitivas.

À semelhança das abelhas, as vespas têm um sistema nervoso com, aproximadamente, um milhão de neurónios. No entanto, exibem um comportamento social complexo. Elizabeth Tibbetts, bióloga evolutiva da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, questionou se as habilidades sociais das vespas poderiam permitir que tivessem sucesso em parâmetros que as abelhas já haviam falhado.

Para descobrir, a equipa de cientistas testou se as duas espécies de vespas mais comuns – Polistes dominula e Polistes metricus – eram capazes de resolver um problema de inferência transitiva.

A equipa recolheu vespas rainha de vários locais no Michigan e, em laboratório, as vespas foram treinadas para escolher entre pares de cores, sendo que uma cor de cada par foi associada a um choque eléctrico (a cor B) e a outra não (cor A). “Fiquei surpresa com a rapidez e precisão com que as vespas aprenderam”, disse Tibbetts.

Mais tarde, as vespas foram expostas a cores correspondestes que lhes eram totalmente desconhecidas e tiveram de escolher entre as cores. Os insectos foram capazes de organizar as informações numa hierarquia implícita e usaram a inferência transitiva para escolher entre esses novos pares.

Na prática, se as vespas pousassem na cor B, em vez de pousarem na cor A, receberiam um leve choque eléctrico. Por sua vez, a mesma coisa aconteceria se eles pousassem em C em vez de B, D em vez de C ou E em vez de D. Em todos os casos, a cor correspondente a uma letra anterior no abecedário era a escolha segura.

Estava à espera que elas ficassem confusas, tal como as abelhas ficaram. Mas não tiveram qualquer problema em perceber que uma determinada cor era segura em algumas situações e outras não”, explicou a cientista.

As vespas e as abelhas são muito semelhantes a nível neurológico, e os cientistas ainda não conseguem explicar por que motivo as abelhas ficam confusas e as vespas conseguem concluir esta tarefa com sucesso. No entanto, suspeitam que as bases para o raciocínio poderiam estar na natureza das relações sociais das vespas, que são muito diferentes das das abelhas.

Ao contrário das colónias de abelhas centradas em torno de uma única rainha, as colónias de vespas Polistes dominula têm arranjos sociais mais complexos. Os cientistas pensam que as pressões resultantes de viver entre as vespas tenham dado aos insectos habilidades aprimoradas para tomar decisões baseadas em informações sociais: inferir distinções e relações subtis que uma abelha nunca precisou de recolher.

Mas, segundo o Science Alert, esta explicação não passa de uma hipótese. Apesar disso, sabemos agora que as vespas são mais inteligentes do que pensávamos. Por isso, não as subestime.

ZAP //

Por ZAP
15 Maio, 2019


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