5283: Sonda passa ao lado de Vénus, tira-lhe uma fotografia e surpreende cientistas da NASA

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA/Johns Hopkins APL/Naval Research Laboratory/Guillermo Stenborg and Brendan Gallagher

A imagem obtida pelo Wide-field Imager (WISPR) da Parker Solar Probe foi capturada a 12.380 quilómetros de Vénus.

A Parker Solar Probe, da NASA, capturou vistas deslumbrantes de Vénus em Julho de 2020. O alvo da missão é o Sol, mas o planeta desempenha um papel muito importante: a sonda vai passar muito perto de Vénus sete vezes ao longo da sua missão de sete anos e usar a gravidade do planeta para se mover em direcção ao seu destino final.

Além da dinâmica orbital, as passagens podem produzir vistas únicas e inesperadas do Sistema Solar. A 11 de Junho de 2020, durante a sua terceira assistência gravitacional, o Wide-field Imager (WISPR) da Parker Solar Probe capturou uma impressionante imagem do lado nocturno do planeta a uma distância de 12.380 quilómetros.

O Europa Press explica que o WISPR foi desenhado para gerar imagens da coroa solar e da heliosfera interna em luz visível, assim como imagens do vento solar e das suas estruturas à medida que se aproximam da sonda.

No caso de Vénus, a câmara detectou uma borda brilhante à volta do planeta que pode ser um brilho nocturno causado por átomos de oxigénio na alta atmosfera.

A proeminência escura no centro do planeta é Afrodite Terra, a maior região montanhosa na superfície de Vénus, que aparece escura na imagem devido à sua temperatura mais baixa – cerca de 30 graus Celsius mais fria em comparação com os arredores.

A imagem apanhou os cientistas de surpresa. “O WISPR foi projectado e testado para observações de luz visível. Esperávamos ver nuvens, mas a câmara captou diretamente a superfície”, comentou o investigador Angelos Vourlidas, em comunicado.

WISPR capturou a emissão térmica da superfície de Vénus“, completou Brian Wood, astrofísico e membro da equipa WISPR do Laboratório de Investigação Naval dos Estados Unidos. “São semelhantes às imagens capturadas pela Akatsuki em comprimentos de onda próximos ao infravermelho.”

Se o instrumento for mesmo sensível a comprimentos de onda de luz próximos do infravermelho, proporcionará aos cientistas novas oportunidades para estudar a poeira à volta do Sol e do Sistema Solar interno.

Por Liliana Malainho
8 Março, 2021


5041: A “fosfina” detectada em Vénus pode, afinal, ser o comum dióxido de enxofre

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

JAXA/ISAS/DARTS/Damia Bouic

Em Setembro, uma equipa liderada por astrónomos do Reino Unido anunciou que havia detectado a substância química fosfina nas espessas nuvens de Vénus. A detecção relatada pela equipa, baseada em observações de dois radiotelescópios terrestres, surpreendeu muitos especialistas em Vénus.

A atmosfera da Terra contém pequenas quantidades de fosfina, que pode ser produzida por vida. A fosfina em Vénus gerou burburinho de que o planeta, muitas vezes apresentado como uma “paisagem infernal”, podia de alguma forma abrigar vida dentro das suas nuvens ácidas.

Desde aquela afirmação inicial, outras equipas científicas lançaram dúvidas sobre a confiabilidade da detecção de fosfina. Agora, uma equipa liderada por investigadores da Universidade de Washington usou um modelo robusto das condições dentro da atmosfera de Vénus para revisitar e reinterpretar de forma compreensiva as observações telescópicas subjacentes à alegação inicial de fosfina. Como relatado num artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal e disponibilizado online no site de pré-impressão arXiv, o grupo do Reino Unido provavelmente não estava a detectar fosfina.

“Em vez de fosfina nas nuvens de Vénus, os dados são consistentes com uma hipótese alternativa: estavam a detectar dióxido de enxofre,” disse a co-autora Victoria Meadows, professora de astronomia na Universidade de Washington. “O dióxido de enxofre é o terceiro composto químico mais comum na atmosfera de Vénus e não é considerado um sinal de vida.”

A equipa por trás do novo estudo inclui cientistas do JPL da NASA em Caltech, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, do Instituto de Tecnologia da Georgia, do Centro de Pesquisa Ames da NASA e da Universidade da Califórnia em Riverside.

A equipa liderada pela Universidade de Washington mostra que o dióxido de enxofre, em níveis plausíveis para Vénus, pode não apenas explicar as observações, mas também é mais consistente com o que os astrónomos sabem sobre a atmosfera do planeta e sobre o seu ambiente químico agressivo, que inclui nuvens de ácido sulfúrico.

Além disso, os investigadores mostram que o sinal inicial não teve origem na camada de nuvens do planeta, mas muito acima dela, numa camada superior da atmosfera de Vénus onde as moléculas de fosfina seriam destruídas em segundos. Isto dá mais apoio à hipótese de que o dióxido de enxofre produziu o sinal.

Tanto o suposto sinal de fosfina quanto esta nova interpretação dos dados centram na radioastronomia. Cada substância química absorve comprimentos de onda únicos do espectro electromagnético, que inclui ondas de rádio, raios-X e luz visível. Os astrónomos usam ondas de rádio, luz e outras emissões dos planetas para aprender mais sobre a sua composição química, entre outras propriedades.

Em 2017, usando o Telescópio James Clerk Maxwell, a equipa do Reino Unido descobriu uma característica nas emissões de rádio de Vénus a 266,94 gigahertz. Tanto a fosfina como o dióxido de enxofre absorvem as ondas de rádio perto dessa frequência.

Para diferenciar entre os dois, em 2019 a mesma equipa obteve observações de acompanhamento de Vénus usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). A sua análise das observações em frequências onde apenas o dióxido de enxofre é absorvido levou a equipa a concluir que os níveis de dióxido de enxofre em Vénus eram demasiado baixos para contabilizar o sinal a 266,94 gigahertz, e que devia vir da fosfina.

Neste novo estudo pelo grupo liderado pela Universidade de Washington, os investigadores começaram por modelar as condições dentro da atmosfera de Vénus, usando isso como base para interpretar de forma abrangente as características que foram vistas – e não vistas – nos conjuntos de dados do Telescópio James Clerk Maxwell e do ALMA.

“Isto é conhecido como modelo de transferência radiactiva e incorpora dados de várias décadas de observações de Vénus por múltiplas fontes, incluindo observatórios aqui na Terra e missões espaciais como a Venus Express,” disse o autor principal Andrew Lincowski, investigador no Departamento de Astronomia da Universidade de Washington.

A equipa usou esse modelo para simular sinais da fosfina e do dióxido de enxofre para diferentes níveis da atmosfera de Vénus, e como esses sinais seriam captados pelo Telescópio James Clerk Maxwell e pelo ALMA nas suas configurações de 2017 e 2019. Com base na forma do sinal de 266,94 gigahertz captado pelo Telescópio James Clerk Maxwell, a absorção não vinha da camada de nuvens de Vénus, relata a equipa. Ao invés, a maior parte do sinal observado tinha origem a cerca de 80 km ou mais acima da superfície, na mesosfera de Vénus. A essa altitude, os elementos químicos agressivos e a radiação ultravioleta destruiriam as moléculas de fosfina em segundos.

A fosfina na mesosfera é ainda mais frágil do que a fosfina nas nuvens de Vénus,” disse Meadown. “Se o sinal do Telescópio James Clerk Maxwell fosse da fosfina na mesosfera, então para levar em conta a força do sinal e a vida sub-segundo da substância a essa altitude, a fosfina teria que ser entregue à mesosfera a cerca de 100 vezes a taxa do oxigénio bombeado para a atmosfera da Terra pela fotossíntese.”

Os investigadores também descobriram que os dados do ALMA provavelmente subestimaram significativamente a quantidade de dióxido de enxofre na atmosfera de Vénus, uma observação que a equipa do Reino Unido usou para afirmar que a maior parte do sinal de 266,94 gigahertz era proveniente da fosfina.

“A configuração das antenas do ALMA durante as observações de 2019 tem um efeito colateral indesejável: os sinais dos gases que podem ser encontrados em quase todos os lugares da atmosfera de Vénus – como o dióxido de enxofre – emitem sinais mais fracos do que os gases distribuídos a uma escala menor,” disse o co-autor Alex Akins, investigador no JPL.

Este fenómeno, conhecido como diluição da linha espectral, não teria afectado as observações do Telescópio James Clerk Maxwell, levando a uma subestimação de quanto dióxido de enxofre estava a ser visto pelo telescópio.

“Eles inferiram uma baixa detecção de dióxido de enxofre por causa do sinal artificialmente fraco do ALMA,” disse Lincowski. “Mas os nossos modelos sugerem que os dados da linha diluída do ALMA ainda seriam consistentes com quantidades típicas ou até mesmo grandes quantidades de dióxido de enxofre, o que podia explicar totalmente o sinal observado pelo Telescópio James Clerk Maxwell.”

“Quando esta nova descoberta foi anunciada, a baixa abundância relatada do dióxido de enxofre estava em desacordo com o que já sabíamos sobre Vénus e sobre as suas nuvens,” disse Meadows. “O nosso novo trabalho fornece uma estrutura completa que mostra como as quantidades típicas de dióxido de enxofre na mesosfera de Vénus podem explicar tanto as detecções do sinal como as não-detecções nos dados do Telescópio James Clerk Maxwell e do ALMA, sem a necessidade da fosfina.”

Com equipas científicas de todo o mundo a prosseguir com novas observações deste vizinho planetário envolto em nuvens, este novo estudo fornece uma explicação alternativa para a alegação de que algo geológico, químico ou biológico devia estar a gerar fosfina nas nuvens. Mas embora este sinal pareça ter uma explicação mais simples – com uma atmosfera tóxica, uma pressão avassaladora e as temperaturas mais quentes do nosso Sistema Solar à excepção do Sol – Vénus permanece um mundo de mistérios, com muito ainda por explorar.

Cientistas encontram potenciais sinais de vida nas nuvens de Vénus

Uma equipa de astrónomos detectou fosfina na atmosfera superior de Vénus, e os fenómenos conhecidos actualmente não conseguem explicar a…

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ZAP // CCVAlg // CCVAlg

Por CCVAlg
2 Fevereiro, 2021


5021: Novo estudo mostra que a suposta fosfina em Vénus é provavelmente dióxido de enxofre

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem de Vénus compilada usando dados da sonda Mariner 4 em 1974.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Em Setembro, uma equipa liderada por astrónomos do Reino Unido anunciou que havia detectado a substância química fosfina nas espessas nuvens de Vénus. A detecção relatada pela equipa, baseada em observações de dois radiotelescópios terrestres, surpreendeu muitos especialistas em Vénus. A atmosfera da Terra contém pequenas quantidades de fosfina, que pode ser produzida por vida. A fosfina em Vénus gerou burburinho de que o planeta, muitas vezes apresentado como uma “paisagem infernal”, podia de alguma forma abrigar vida dentro das suas nuvens ácidas.

Desde aquela afirmação inicial, outras equipas científicas lançaram dúvidas sobre a confiabilidade da detecção de fosfina. Agora, uma equipa liderada por investigadores da Universidade de Washington usou um modelo robusto das condições dentro da atmosfera de Vénus para revisitar e reinterpretar de forma compreensiva as observações telescópicas subjacentes à alegação inicial de fosfina. Como relatado num artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal e disponibilizado online no site de pré-impressão arXiv, o grupo do Reino Unido provavelmente não estava a detectar fosfina.

“Em vez de fosfina nas nuvens de Vénus, os dados são consistentes com uma hipótese alternativa: estavam a detectar dióxido de enxofre,” disse a co-autora Victoria Meadows, professora de astronomia na Universidade de Washington. “O dióxido de enxofre é o terceiro composto químico mais comum na atmosfera de Vénus e não é considerado um sinal de vida.”

A equipa por trás do novo estudo inclui cientistas do JPL da NASA em Caltech, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, do Instituto de Tecnologia da Georgia, do Centro de Pesquisa Ames da NASA e da Universidade da Califórnia em Riverside.

A equipa liderada pela Universidade de Washington mostra que o dióxido de enxofre, em níveis plausíveis para Vénus, pode não apenas explicar as observações, mas também é mais consistente com o que os astrónomos sabem sobre a atmosfera do planeta e sobre o seu ambiente químico agressivo, que inclui nuvens de ácido sulfúrico. Além disso, os investigadores mostram que o sinal inicial não teve origem na camada de nuvens do planeta, mas muito acima dela, numa camada superior da atmosfera de Vénus onde as moléculas de fosfina seriam destruídas em segundos. Isto dá mais apoio à hipótese de que o dióxido de enxofre produziu o sinal.

Tanto o suposto sinal de fosfina quanto esta nova interpretação dos dados centram na radioastronomia. Cada substância química absorve comprimentos de onda únicos do espectro electromagnético, que inclui ondas de rádio, raios-X e luz visível. Os astrónomos usam ondas de rádio, luz e outras emissões dos planetas para aprender mais sobre a sua composição química, entre outras propriedades.

Em 2017, usando o Telescópio James Clerk Maxwell, a equipa do Reino Unido descobriu uma característica nas emissões de rádio de Vénus a 266,94 gigahertz. Tanto a fosfina como o dióxido de enxofre absorvem as ondas de rádio perto dessa frequência. Para diferenciar entre os dois, em 2019 a mesma equipa obteve observações de acompanhamento de Vénus usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). A sua análise das observações do ALMA em frequências onde apenas o dióxido de enxofre é absorvido levou a equipa a concluir que os níveis de dióxido de enxofre em Vénus eram demasiado baixos para contabilizar o sinal a 266,94 gigahertz, e que devia vir da fosfina.

Neste novo estudo pelo grupo liderado pela Universidade de Washington, os investigadores começaram por modelar as condições dentro da atmosfera de Vénus, usando isso como base para interpretar de forma abrangente as características que foram vistas – e não vistas – nos conjuntos de dados do Telescópio James Clerk Maxwell e do ALMA.

“Isto é conhecido como modelo de transferência radiativa e incorpora dados de várias décadas de observações de Vénus por múltiplas fontes, incluindo observatórios aqui na Terra e missões espaciais como a Venus Express,” disse o autor principal Andrew Lincowski, investigador no Departamento de Astronomia da Universidade de Washington.

A equipa usou esse modelo para simular sinais da fosfina e do dióxido de enxofre para diferentes níveis da atmosfera de Vénus, e como esses sinais seriam captados pelo Telescópio James Clerk Maxwell e pelo ALMA nas suas configurações de 2017 e 2019. Com base na forma do sinal de 266,94 gigahertz captado pelo Telescópio James Clerk Maxwell, a absorção não vinha da camada de nuvens de Vénus, relata a equipa. Ao invés, a maior parte do sinal observado tinha origem a cerca de 80 km ou mais acima da superfície, na mesosfera de Vénus. A essa altitude, os elementos químicos agressivos e a radiação ultravioleta destruiriam as moléculas de fosfina em segundos.

“A fosfina na mesosfera é ainda mais frágil do que a fosfina nas nuvens de Vénus,” disse Meadown. “Se o sinal do Telescópio James Clerk Maxwell fosse da fosfina na mesosfera, então para levar em conta a força do sinal e a vida sub-segundo da substância a essa altitude, a fosfina teria que ser entregue à mesosfera a cerca de 100 vezes a taxa do oxigénio bombeado para a atmosfera da Terra pela fotossíntese.”

Os investigadores também descobriram que os dados do ALMA provavelmente subestimaram significativamente a quantidade de dióxido de enxofre na atmosfera de Vénus, uma observação que a equipa do Reino Unido usou para afirmar que a maior parte do sinal de 266,94 gigahertz era proveniente da fosfina.

“A configuração das antenas do ALMA durante as observações de 2019 tem um efeito colateral indesejável: os sinais dos gases que podem ser encontrados em quase todos os lugares da atmosfera de Vénus – como o dióxido de enxofre – emitem sinais mais fracos do que os gases distribuídos a uma escala menor,” disse o co-autor Alex Akins, investigador no JPL.

Este fenómeno, conhecido como diluição da linha espectral, não teria afetado as observações do Telescópio James Clerk Maxwell, levando a uma subestimação de quanto dióxido de enxofre estava a ser visto pelo telescópio.

“Eles inferiram uma baixa detecção de dióxido de enxofre por causa do sinal artificialmente fraco do ALMA,” disse Lincowski. “Mas os nossos modelos sugerem que os dados da linha diluída do ALMA ainda seriam consistentes com quantidades típicas ou até mesmo grandes quantidades de dióxido de enxofre, o que podia explicar totalmente o sinal observado pelo Telescópio James Clerk Maxwell.”

“Quando esta nova descoberta foi anunciada, a baixa abundância relatada do dióxido de enxofre estava em desacordo com o que já sabíamos sobre Vénus e sobre as suas nuvens,” disse Meadows. “O nosso novo trabalho fornece uma estrutura completa que mostra como as quantidades típicas de dióxido de enxofre na mesosfera de Vénus podem explicar tanto as detecções do sinal como as não-detecções nos dados do Telescópio James Clerk Maxwell e do ALMA, sem a necessidade da fosfina.”

Com equipas científicas de todo o mundo a prosseguir com novas observações deste vizinho planetário envolto em nuvens, este novo estudo fornece uma explicação alternativa para a alegação de que algo geológico, químico ou biológico devia estar a gerar fosfina nas nuvens. Mas embora este sinal pareça ter uma explicação mais simples – com uma atmosfera tóxica, uma pressão avassaladora e as temperaturas mais quentes do nosso Sistema Solar à excepção do Sol – Vénus permanece um mundo de mistérios, com muito ainda por explorar.

Astronomia On-line
29 de Janeiro de 2021


4853: Solar Orbiter prepara-se para sobrevoo festivo a Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da Solar Orbiter a fazer uma passagem rasante por Vénus.
A Solar Orbiter fará vários “flybys” por Vénus (e um pela Terra) ao longo da missão para ajustar a sua órbita, trazendo-a mais perto do Sol e também para fora do plano do Sistema Solar para observar o Sol a inclinações progressivamente mais altas. Isto fará com que a nave espacial obtenha as primeiras imagens das regiões polares do Sol, crucialis para compreender como o Sol “funciona”.
Crédito: ESA/ATG medialab

A Solar Orbiter está a preparar-se para o primeiro de muitos voos de assistência gravitacional por Vénus a 27 de Dezembro, para começar a aproximá-la do Sol e inclinar a sua órbita, de modo a observar a nossa estrela de diferentes perspectivas.

Assim como a maioria de nós permanecerá em segurança em casa sob várias medidas de confinamento devido à pandemia COVID-19, durante o que é tradicionalmente um período de férias, o sobrevoo – um evento rotineiro no universo das naves espaciais – também será monitorizado remotamente pelos gerentes de operações da aeronave.

A aproximação mais adjacente acontecerá às 12:39 (hora portuguesa) no dia 27 de Dezembro, onde a aeronave voará a cerca de 7500 km do topo das nuvens de Vénus. Os voos posteriores, a partir de 2025, incluirão encontros muito mais próximos de apenas algumas centenas de quilómetros.

Durante o próximo sobrevoo, vários instrumentos científicos in situ – MAG, RPW e alguns sensores de EPD – serão ligados para registar o ambiente magnético, de plasma e de partículas ao redor da aeronave conforme se encontra com Vénus (não é possível obter imagens de Vénus durante o sobrevoo porque a aeronave deve permanecer voltada para o Sol).

A fim de se alinharem adequadamente para o sobrevoo, os especialistas das estações terrestres da ESA e as equipas de dinâmica de voo conduziram uma campanha chamada “Delta-DOR”, usando uma técnica avançada – Delta-Differential One-Way Ranging – para determinar com precisão a posição da aeronave no espaço e a sua trajectória.

Na Delta-DOR, é usado um conjunto de estações terrestres, amplamente separadas na Terra, para receber os sinais de rádio da aeronave, dando um primeiro resultado para a sua localização. Em seguida, este resultado é comparado a localizações de fontes de rádio estelares conhecidas, previamente mapeadas por outras missões, resultando num gráfico final corrigido e ultra-preciso. A técnica Delta-DOR permite aos operadores determinar a localização de uma aeronave dentro de algumas centenas de metros, mesmo a uma distância de 100 milhões de km.

A trajectória da Solar Orbiter em torno do Sol foi escolhida para estar “em ressonância” com Vénus, o que significa que retornará à vizinhança do planeta a cada poucas órbitas e poderá usar novamente a gravidade do planeta para alterar ou inclinar a sua órbita. O próximo encontro será em Agosto de 2021, que também acontecerá alguns dias após a próxima assistência de gravidade da BepiColombo. Inicialmente, a Solar Orbiter ficará confinada ao mesmo plano dos planetas, mas cada encontro com Vénus aumentará a sua inclinação orbital. Em 2025, fará a sua primeira passagem solar com inclinação de 17º, aumentando para 33º no final da década, trazendo ainda mais regiões polares à vista directa. Isto fará com que a aeronave seja capaz de obter as primeiras imagens das regiões polares do Sol, cruciais para entender como o Sol “funciona”, para investigar a ligação Sol-Terra e como podemos prever melhor os períodos de clima espacial tempestuoso.

Astronomia On-line
22 de Dezembro de 2020


4739: A atmosfera primitiva da Terra pode ter sido tão tóxica como a de Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Centro de Voo Espacial Goddard / NASA

Quando o nosso planeta era jovem, a sua superfície esta muito provavelmente coberta por um oceano de magma. Os gases emanados desse mar podem ter fornecido uma atmosfera tóxica quase idêntica à presente em Vénus actualmente.

Segundo o New Scientist, o oceano de magma inicial da Terra pode ter sido criado por uma colisão com um corpo celeste do tamanho de Marte, que derreteu grandes parte do nosso planeta e criou a Lua. Quando o oceano de magma arrefeceu, alguns compostos condensaram e formaram uma atmosfera.

Para descobrir como seria essa atmosfera, a equipa de investigadores da ETH Zürich, na Suíça, usou uma técnica chamada “levitação aerodinâmica” para fazer flutuar uma pequena rocha sobre um jacto de gás, enquanto aquecia a pedra a cerca de 1.900 ºC para a derreter.

“Este pequeno mármore derretido a flutuar a quase dois mil graus [Celsius] é uma espécie de miniatura da Terra no seu estado fundido”, explicou Paolo Sossi, principal autor do estudo. Ou seja, o gás que flui ao redor do mármore comporta-se como se fosse uma pequena atmosfera.

Os cientistas repetiram a experiência, mas, desta vez, alteraram a composição do jacto de gás, adicionando e removendo diferentes compostos para tentar encontrar a provável composição da atmosfera do nosso planeta, há milhares de milhões de anos.

A experiência permitiu concluir que a atmosfera da Terra era densa, repleta de dióxido de carbono e com relativamente pouco nitrogénio, muito semelhante à atmosfera actual de Vénus. A atmosfera de Marte tem quase a mesma composição, embora seja muito mais fina.

Segundo o artigo científico, publicado recentemente na Science Advances, o facto de a Terra ser mais do que Marte e mais fria do que Vénus pode ter permitido que a água líquido do nosso planeta permanecesse à superfície, extraindo dióxido de carbono da atmosfera e evitando que a Terra passasse por um descontrolado efeito estufa – o processo pelo qual Vénus passou para se tornar uma paisagem infernal sufocante.

ZAP //

Por ZAP
2 Dezembro, 2020


4682: O infernal Vénus mantém quase toda a sua água antiga

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Planet-C

O planeta Vénus mantém quase toda a sua água antiga, tendo perdido apenas uma pequena parte do seu conteúdo no Espaço nos últimos 4 mil milhões de anos.

A conclusão é da tese de doutoramento de Moa Persson, do Instituto Sueco de Física Espacial (IRF) e da Universidade de Umea, que analisou dados do instrumento espacial ASPERA-4 do IRF, a bordo da missão espacial Vénus Express da Agência Espacial Europeia.

A especialista analisou a forma como o vento solar (uma corrente de partículas carregadas do Sol) afecta a atmosfera do infernal Vénus e faz com que as partículas atmosféricas escapem para o Espaço, conta a agência noticiosa espanhola Europa Press.

“A superfície de Vénus pode hoje ser comparada a um inferno. É extremamente seca e tem uma temperatura de 460 graus, mas, historicamente, a superfície era mais hospitaleira com uma grande quantidade de água que poderia atingir uma profundidade de várias centenas de metros espalhados igualmente pela superfície”, começou por explicar.

“Essa água desapareceu de Vénus”, continuou, citada em comunicado. “E a minha tese mostra que apenas alguns decímetros dessa água escaparam para o Espaço”.

A investigação foi baseada na medição de iões, partículas carregadas, nas proximidades de Vénus. Em média, dois protões escapam da atmosfera por cada ião de oxigénio, o que indica uma perda de água. Variações no vento solar e na radiação solar afectam a quantidade de iões que escapam e, consequentemente, a “fuga” de água.

“Na minha tese, calculei quanta água escapou de Vénus no passado. Observei como é que a fuga de iões é afectada pelas variações do vento solar nos dias de hoje e como é que o vento solar mudou ao longo do tempo”.

Os resultados de Persson podem ser comparados com estudos semelhantes realizados sobre Marte e Terra. A comparação entre os três “planetas-irmãos” fornece uma imagem mais completa sobre os efeitos do vento solar nas atmosferas planetárias.

Por exemplo, a Terra, munida com o seu forte campo magnético, tem uma maior perda de atmosfera no Espaço do que Vénus ou Marte.

Espero que mais comparações sejam feitas sobre as perdas atmosféricas de Vénus, Terra e Marte. E isto é especialmente interessante agora que sinais de vida podem ter sido encontrados em Vénus”, concluiu a especialista, referindo-se ao facto de ter sido detectado recentemente fosfina na atmosfera superior de Vénus.

Cientistas encontram potenciais sinais de vida nas nuvens de Vénus

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ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2020


4484: “Cápsulas do tempo”. A Lua pode esconder antigos pedaços de Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Scientific Visualization Studio/ NASA

A Lua pode esconder antigos pedaços de Vénus, “cápsulas do tempo” que podem ajudar os cientistas a melhor compreender o passado deste mundo “vizinho” da Terra, sugere uma investigação da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Se a atmosfera de Vénus foi, no passado, fina e até semelhante à Terra, então é possível que os impactos de asteróides antigos tenham transportado material em quantidades potencialmente detectáveis da superfície de Vénus para a Terra.

É isto que sustenta o novo estudo, cujos resultados foram esta semana disponibilizados para pré-visualização no portal arXiv.org, carecendo ainda de revisão de pares.

“Ao impactar com Vénus, os asteróides e cometas podem ter expelido até dez mil milhões de rochas, deslocando-as para uma órbita que cruzava com a órbita da Terra e da Lua”, afirmam os autores do estudo, Samuel Cabot e Gregory Laughin, citados em comunicado.

E acrescentam: “Algumas destas rochas acabariam, eventualmente, por chegar à Lua sob a forma de meteoritos oriundos de Vénus“.

Os autores do estudo acreditam que estes fragmentos antigos, que consideram ser “cápsulas do tempo”, podem mesmo ajudar a melhor compreender como é que Vénus, que outrora foi semelhante à Terra, sofreu uma mudança tão extrema.

A Lua oferece protecção para essas rochas antigas (…) Qualquer coisa de Vénus que tenha pousado na Terra está, provavelmente, enterrada nas profundezas devido à actividade geológicas, mas essas rochas seriam melhor preservadas na Lua”, diz o autor do estudo, dando conta que estes fragmentos podem guardar informações importantes.

“Um fragmento antigo de Vénus teria toda uma riqueza de informações (…) A história de Vénus está intimamente ligada a tópicos importantes no campo da ciência planetária, incluindo o fluxo passado de asteróides e cometas, histórias atmosféricas dos planetas e a sua abundância de água líquida”, concluiu Laughlin.

Os cientistas dispõem de uma vasta gama de análises segundo as quais é possível identificar a origem das rochas lunares, incluindo as que podem ser oriundas de Vénus.

Estes fragmentos contariam a história de Vénus de uma perspectiva diferente de todas aquelas apuradas segundo evidências científicas encontradas até agora.

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14 Outubro, 2020

 

 

4439: Júpiter pode ser o grande culpado pelo ambiente infernal de Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

AOES Medialab / ESA

Vénus poderia não ser o mundo infernal e sem água que conhecemos hoje em dia se Júpiter não tivesse alterado a sua órbita em torno do Sol, sugere uma nova investigação levada a cabo pela Universidade da Califórnia em Riverside, nos EUA.

A massa de Júpiter, duas vezes e meia maior do que a de todos os outros “vizinhos” do Sistema Solar combinados, faz com que este planeta tenha a capacidade de perturbar a órbita de outros planetas, tal como explica agência espanhola Europa Press.

No início da sua formação, Júpiter aproximou-se e afastou-se depois do Sol devido às interacções com o disco a partir do qual os planetas são formados. E foi este movimento que, por sua vez, afectou Vénus, de acordo com a nova investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Planetary Science Journal.

Observações de outros sistemas planetários mostram que as migrações de planetas gigantes semelhantes ao Júpiter logo após a sua formação pode ser um fenómeno comum.

Vénus pode até ter perdido alguma água no início da sua formação por outras razões, mas o astro-biólogo Stephen Kane, da Universidade da Califórnia, acredita que o movimento de Júpiter terá colocado Vénus na rota para o seu estado actual – que é bastante inóspito.

“Um dos factos interessantes sobre Vénus é que é a sua órbita é quase perfeitamente circular (…) Com este projecto, quis explorar se a órbita de Vénus sempre foi circular e, se não, quais seriam as implicações [da mudança de órbita]?”, explicou Kane.

Modelo do Sistema Solar

Antes de apontar o dedo a Júpiter e visando responder às perguntas acima colocadas, Kane criou um modelo que simula o Sistema Solar, calculando a localização de todos os planetas num determinado momento e a forma como estes se atraem em diferentes direcções.

Os cientistas medem o quão circular é a órbita de um planeta entre 0 (completamente circular) e 1 (não é circular em absoluto), sendo o número entre 0 e 1 apelidado de excentricidade de órbita. Segundo Kane, uma órbita com excentricidade de 1 nem sequer completaria uma órbita em torno de uma estrela: seria simplesmente lançado no Espaço.

Actualmente, a órbita de Vénus está fixada em 0,006 segundo este modelo, tendo este mundo a órbita mais circular de todo o Sistema Solar.

No entanto, o modelo de Kane mostra que quando Júpiter estava mais próximo do Sol, há cerca de mil milhões de anos, Vénus tinha, muito provavelmente uma excentricidade de 0,3 – valor que aumentava em muito as suas possibilidade de abrigar vida.

“Com a migração de Júpiter, Vénus terá sofrido mudanças dramáticas no clima, perdendo cada vez mais água para a atmosfera”, rematou Kane.

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5 Outubro, 2020

 

 

4424: Vénus podia ser habitável hoje, se não fosse Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VÉNUS

Imagem mais recente de Júpiter pelo Hubble, obtida no dia de 25 de Agosto de 2020, quando o planeta estava a 653 milhões de quilómetros da Terra.
Crédito: NASA, ESA, A. Simon (Centro de Voo Espacial Goddard), M. H. Wong (Universidade da Califórnia em Berkeley) e equipa OPAL

De acordo com uma nova investigação da Universidade da Califórnia em Riverside, Vénus poderia não ser uma paisagem infernal sufocante e sem água hoje, caso Júpiter não tivesse alterado a sua órbita em torno do Sol.

Júpiter tem uma massa duas vezes e meia a de todos os outros planetas do nosso Sistema Solar – combinados. Por ser comparativamente gigantesco, tem a capacidade de perturbar as órbitas dos outros planetas.

No início da formação de Júpiter como planeta, moveu-se para mais perto e depois para longe do Sol, devido às interacções com o disco a partir do qual os planetas se formam, bem como os outros planetas gigantes. Este movimento, por sua vez, afectou Vénus.

As observações de outros sistemas planetários mostraram que as migrações de planetas gigantes semelhantes, logo após a formação, podem ser uma ocorrência relativamente comum. Estes são alguns dos achados de um novo estudo publicado na revista The Planetary Science Journal.

Os cientistas consideram os planetas sem água líquida incapazes de hospedar vida como a conhecemos. Embora Vénus possa ter perdido um pouco de água no início por outras razões, e pode ter continuado a perder de qualquer maneira, o astro-biólogo Stephen Kane, da Universidade da Califórnia em Riverside, disse que o movimento de Júpiter provavelmente colocou Vénus numa jornada em direcção ao seu estado actual e inóspito.

“Uma das coisas mais interessantes sobre o planeta Vénus de hoje é que a sua órbita é quase perfeitamente circular,” disse Kane, que liderou o estudo. “Com este projecto, eu queria explorar se a órbita sempre foi circular e, em caso negativo, quais seriam as implicações?”

Para responder a estas perguntas, Kane criou um modelo que simulou o Sistema Solar, calculando a localização de todos os planetas a qualquer momento e como eles se atraem em diferentes direcções.

Os cientistas medem o quão não circular a órbita de um planeta está entre 0, que é completamente circular, e 1, que não é de todo circular. O número entre 0 e 1 é chamado de excentricidade da órbita. Uma órbita com uma excentricidade de 1 nem completaria sequer uma órbita em torno de uma estrela; seria simplesmente lançado para o espaço, disse Kane.

Actualmente, a órbita de Vénus tem uma excentricidade de 0,006, a mais circular de qualquer planeta no nosso Sistema Solar. No entanto, o modelo de Kane mostra que quando Júpiter estava provavelmente mais perto do Sol, há cerca de mil milhões de anos, Vénus tinha provavelmente uma excentricidade de 0,3, e há uma probabilidade muito maior que fosse à altura habitável.

“À medida que Júpiter migrava, Vénus passaria por mudanças dramáticas no clima, aquecendo e depois arrefecendo, perdendo cada vez mais da sua água para a atmosfera,” disse Kane.

Recentemente, os cientistas geraram muito entusiasmo ao descobrir um gás nas nuvens acima de Vénus, gás este que pode indicar a presença de vida. O gás, fosfina, é tipicamente produzido por micróbios, e Kane diz que é possível que o gás represente “a última espécie sobrevivente num planeta que passou por uma mudança dramática no seu ambiente.”

Para que fosse esse o caso, no entanto, Kane, realça que os micróbios teriam que sustentar a sua presença nas nuvens de ácido sulfúrico acima de Vénus durante aproximadamente mil milhões de anos desde que Vénus teve água líquida na superfície – um cenário difícil de imaginar, embora não impossível.

“Provavelmente, existem muitos outros processos que poderiam produzir o gás e que ainda não foram explorados,” disse Kane.

Em última análise, Kane diz que é importante entender o que aconteceu com Vénus, um planeta que já foi habitável e que agora tem temperaturas superiores a 400º C.

“Eu concentro-me nas diferenças entre Vénus e a Terra, e no que se passou com Vénus, para que possamos ter uma visão sobre como a Terra é habitável, e o que podemos fazer para tomar conta deste planeta da melhor maneira que conseguirmos,” concluiu Kane.

Astronomia On-line
2 de Outubro de 2020

 

 

4388: Kremlin Scientist Claims Venus Is A ‘Russian Planet’

Sure, we all know Venus as the sister planet to our own but most of us have never thought of other planets as having much to do with different countries here on Earth, right? Well, apparently it seems now because they were the ‘first and only’ to successfully land on Venus the RSA considers Venus a ‘Russian Planet.’ 

This in itself is kind of a silly idea as well, nothing in space aside from satellites and technology actually belong to any one country. Sure, you can think of things however you want but at the end of the day laying claim to a planet or something else of that sort just doesn’t make much sense at all. That being said, it seems Dmitry Rogozin who is the director-general of Russian space corporation Roscosmos believes Venus is a ‘Russian Planet’ and has even in recent times revealed that the country has plans to send their own mission to Venus. 

Fox News reported as follows on all of this:

Dmitry Rogozin, the director-general of Russian space agency Roscosmos, said the second planet from the sun is a “Russian planet” as the former Soviet Union landed a probe on Venus decades ago.

“Our country [the Soviet Union] was the first and only one to successfully land on Venus,” Rogozin said in an interview with The Times. “The spacecraft gathered information about the planet — it is like hell over there.”

“We believe that Venus is a Russian planet,” he added.

The Soviet-era Venera program was designed to learn more about the planet Venus, which some researchers believe was habitable in its distant past. The Venera program, which lasted between 1961 and 1984, saw a number of achievements, including a soft landing on the planet on Dec. 15, 1970 (Venera 7), the first of its kind.

The comments from Rogozin come just days after NASA Administrator Jim Bridenstine said the planet is “one stop in our search for life.”

“Today, we are on the cusp of amazing discoveries that could tell us more about the possibility of life off the Earth,” Bridenstine said in a statement issued last week.

Last week, new research from an international team of astronomers revealed the discovery of a rare molecule, phosphine, in the clouds of Venus. The scientists noted that, on Earth, the gas is only made industrially or by microbes that thrive in oxygen-free environments.

While Russia is working on a joint mission known as Venera-D with the US, they are also working on a separate mission themselves as noted above when it comes to our sister planet. For Russia, it seems ‘resuming Venus exploration’ is on their ‘agenda’ or at least that’s what Rogozin is saying. While Venus is similar to our planet, there are lots of differences and still tons of things we do not yet know about it. 

CNN wrote as follows weighing in on all of this:

Rogozin was addressing reporters at the HeliRussia 2020 exhibition, an international expo of the helicopter industry in Moscow.

“Resuming Venus exploration is on our agenda,” he told reporters Tuesday.

“We think that Venus is a Russian planet, so we shouldn’t lag behind,” he said.

“Projects of Venus missions are included in the united government program of Russia’s space exploration for 2021-2030.”

While progress is being made in regard to Venus, who knows whether or not conflict will come forth as a result in time. But we were once in a great space race and well, perhaps we could find ourselves in another. What do you think about this declaration and do you think it’s possible for any country to truly lay claim to a planet in this manner?

awareness act
By Gerald Sinclair
September 23, 2020

 

 

 

4370: Rochas antigas e estratificadas de Vénus apontam para origem vulcânica

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem simulada aérea de Tellus Tessera, uma das regiões de Vénus onde Byrne et al. identificam a presença de estratificação.
Crédito: Byrne et al., NASA (Magellan)

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que alguns dos terrenos mais antigos de Vénus, conhecidos como “tesserae”, têm camadas que parecem consistentes com actividade vulcânica. A descoberta pode fornecer informações sobre a enigmática história geológica do planeta.

As “tesserae” são regiões tectonicamente deformadas na superfície de Vénus, frequentemente mais elevadas do que a paisagem circundante. Compreendem cerca de 7% da superfície do planeta e são sempre a característica mais antiga das suas imediações, com mais ou menos 750 milhões de anos. Num novo estudo publicado na revista Geology, os investigadores mostram que uma parte significativa das “tesserae” têm estrias consistentes com camadas.

“Geralmente, há duas explicações para as ‘tesserae’ – ou são feitas de rochas vulcânicas ou são contrapartes da crosta continental da Terra,” diz Paul Byrne, professor associado de ciência planetária da Universidade Estatal da Carolina do Norte e autor principal do estudo. “Mas as camadas que encontramos em algumas das ‘tesserae’ não são consistentes com a explicação da crosta continental.”

A equipa analisou imagens da superfície de Vénus obtidas pela missão Magellan da NASA em 1989, que usou radar para fotografar 98% do planeta através da sua atmosfera densa. Embora os cientistas tenham estudado as ‘tesserae’ durante décadas, antes deste trabalho, a estratificação das ‘tesserae’ não foi reconhecida como generalizada. E, segundo Byrne, essa estratificação não seria possível se as ‘tesserae’ fossem porções da crosta continental.

“A crosta continental é composta principalmente de granito, uma rocha ígnea formada quando as placas tectónicas se movem e a água é subduzida da superfície,” diz Byrne. “Mas o granito não forma camadas. Se houver crosta continental em Vénus, então é abaixo das camadas de rochas que vemos.

“Além da actividade vulcânica, a outra forma de fazer rochas em camadas é por meio de depósitos sedimentares, como arenito ou calcário. Não há um único lugar hoje em Vénus onde estes tipos de rochas possam formar-se. A superfície de Vénus é tão quente quanto um forno e a pressão é equivalente a 900 metros debaixo de água. Portanto, as evidências agora apontam para algumas porções das ‘tesserae’ sendo feitas de rochas vulcânicas em camadas, semelhantes às encontradas na Terra.”

Byrne espera que o trabalho ajude a esclarecer mais sobre a complicada história geológica de Vénus.

“Embora os dados que temos agora apontem para as origens vulcânicas das ‘tesserae’, se um dia pudéssemos recolher amostras e descobrir que são rochas sedimentares, então teriam que ter sido formadas quando o clima era muito diferente – talvez até mesmo como o da Terra,” diz Byrne.

“Vénus hoje é um inferno, mas não sabemos se foi sempre assim. Será que já foi como a Terra, mas sofreu erupções vulcânicas catastróficas que arruinaram o planeta? De momento não podemos dizer com certeza, mas o facto das ‘tesserae’ terem camadas restringe as potenciais origens desta rocha.”

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

 

4353: Vénus é um planeta russo? Moscovo diz que sim

ASTRONOMIA/POLÍTICA

Chefe do programa especial russo diz que Vénus é um planeta russo e que o país tem planos para organizar a sua própria missão para investigar a possibilidade de vida.

O planeta Vénus
© NASA

Dmitry Rogozin, chefe da agência espacial russa Roscosmos, revelou que o país planeia enviar a sua própria missão a Vénus, para além de “Venera-D”, a missão conjunta organizada com os EUA.

Segundo a agência de notícias russa Tass, Rogozin fez a revelação na terça-feira quando falava aos jornalistas na exposição HeliRussia 2020, uma exposição internacional da indústria de helicópteros em Moscovo. “Retomar a exploração de Vénus está na nossa agenda”, disse.

“Consideramos que Vénus é um planeta russo, por isso não devemos ficar para trás”, acrescentou o responsável, recordando o programa Venera (que significa Vénus em russo), desenvolvido entre 1961 e 1984, que enviou 16 sondas exploratórias ao planeta. Em 1970 a Venera 7 foi a primeira sonda a aterrar em Vénus, sobrevivendo durante 23 minutos até se perder o contacto. A Venera 9 obteve a primeira, e a única até agora, imagem da superfície venusiana da perspectiva do nível do solo.

“O enorme avanço da União Soviética para com os seus concorrentes na investigação de Vénus contribuiu para o fato de os Estados Unidos chamarem a Vénus o planeta soviético”, disse Roscosmos. Agora, os russos reclamam esse estatuto. “Os projectos de missões a Vénus fazem parte do programa de exploração espacial da Rússia para 2021-2030.”

A declaração surgiu um dia depois de os cientistas terem revelado que um gás existente na Terra chamado fosfina também foi detectado na atmosfera de Vénus. O estudo de autoria da professora Jane Greaves da Cardiff University e colegas foi publicado na segunda-feira na revista Nature Astronomy.

Vénus é semelhante em tamanho à Terra e é o nosso vizinho planetário mais próximo, mas gira em sentido contrário aos outros planetas. A descoberta de fosfina em Vénus coloca-o, a par de Marte, como um local onde poderá ser possível a vida.

A Roscosmos anunciou que a Rússia vai estudar o solo e a atmosfera do planeta, bem como os “processos evolutivos de Vénus, que supostamente sofreu uma catástrofe climática associada ao efeito estufa”.

Diário de Notícias
DN
19 Setembro 2020 — 12:54

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4326: Descoberto possível marcador de vida em Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESO

Hoje uma equipa internacional de astrónomos anunciou a descoberta de uma molécula rara — fosfina, ou hidreto de fósforo — nas nuvens de Vénus. Na Terra, este gás só é fabricado de forma industrial ou por micróbios que se desenvolvem em ambientes anaeróbicos, ou seja, sem oxigénio. Há décadas que os astrónomos suspeitam que nas nuvens altas de Vénus poderão existir micróbios — vogando livremente e libertos da superfície abrasadora do planeta mas com capacidade para tolerar acidez muito elevada. A detecção de fosfina poderá apontar para uma tal vida “aérea” extraterrestre.

Quando descobrimos os primeiros indícios de fosfina no espectro de Vénus, ficámos em choque!”, disse a líder da equipa Jane Greaves da Universidade de Cardiff no Reino Unido, a primeira a detectar sinais de fosfina em observações levadas a cabo com o Telescópio James Clerk Maxwell (JCMT), operado pelo Observatório do Leste Asiático no Havai. Para confirmar esta descoberta foram usadas 45 antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) no Chile, um telescópio muito mais sensível, do qual o ESO é parceiro. Ambas as infra-estruturas observaram Vénus a um comprimento de onda de cerca de 1 milímetro, muito mais longo do que o que pode ser visto pelo olho humano — apenas telescópios colocados a grande altitude conseguem detectar estes comprimentos de onda de forma eficaz.

A equipa internacional, que inclui investigadores do Reino Unido, Estados Unidos e Japão, estima que existe fosfina, ou hidreto de fósforo (PH3), em pequenas concentrações nas nuvens de Vénus, apenas cerca de 20 moléculas em cada milhar de milhão. No seguimento destas observações foram feitos cálculos para determinar se estas quantidades poderiam ter origem em processos naturais não biológicos existentes no planeta. Algumas ideias incluíam luz solar, minerais soprados da superfície para a atmosfera, vulcões ou relâmpagos, no entanto, concluiu-se que nenhum destes processos podia criar, nem de perto, a quantidade de fosfina observada; estas fontes não biológicas podem criar, no máximo, uma décima de milésima da quantidade de fosfina observada pelos telescópios em Vénus.

Segundo a equipa, para formar a quantidade de fosfina observada em Vénus, organismos terrestres teriam que trabalhar apenas a 10% do seu máximo de produtividade. Sabe-se que bactérias terrestres criam fosfina retirando fosfato de minerais ou material biológico, acrescentando hidrogénio e finalmente libertando fosfina. Qualquer organismo em Vénus será provavelmente muito diferente dos seus primos terrestres, mas também eles poderão ser a fonte de fosfina na atmosfera do planeta vizinho.

Apesar da descoberta de fosfina nas nuvens de Vénus ter surgido como uma surpresa, os investigadores estão confiantes da sua detecção. “Para nosso grande alívio, as condições eram as certas para a realização de observações de seguimento com o ALMA, uma vez que Vénus estava num ângulo adequado com a Terra. É verdade que o processamento dos dados foi complicado, já que o ALMA normalmente não procura efeitos subtis em objectos muito brilhantes como Vénus,” explica Anita Richards, membro da equipa a trabalhar no Centro Regional do ALMA no Reino Unido e na Universidade de Manchester. “No final, descobrimos que ambas as observações tinham visto a mesma coisa — absorção fraca no comprimento de onda certo para ser gás de fosfina, mesmo na região onde as moléculas são iluminadas por baixo por nuvens mais quentes situadas mais abaixo na atmosfera,” acrescenta Greaves, que liderou o estudo publicado hoje na revista Nature Astronomy.

Outro membro da equipa, Clara Sousa Silva do Massachusetts Institute of Technology nos Estados Unidos, investigou a fosfina como uma “bio-assinatura” de gás de vida anaeróbica em planetas que orbitam outras estrelas, uma vez que a química normal não explica bem este fenómeno. “Descobrir fosfina em Vénus constituiu um verdadeiro bónus. A descoberta levanta muitas questões, tais como é que os organismos poderão sobreviver na atmosfera do planeta vizinho. Na Terra, alguns micróbios conseguem suportar até cerca de 5% de ácido no seu meio — mas as nuvens em Vénus são praticamente só constituídas por ácido,” comenta Clara.

A equipa acredita que esta descoberta é bastante significativa, uma vez que pode já descartar muitos outros processos alternativos de formação de fosfina, no entanto reconhece que para confirmar a presença de “vida” é ainda necessário muito trabalho. Apesar das temperaturas rondarem uns simpáticos 30º Celsius nas nuvens altas de Vénus, o meio é extremamente ácido — com cerca de 90% de ácido sulfúrico — o que coloca sérias dificuldades a quaisquer micróbios que aí tentem sobreviver.

Leonardo Testi, astrónomo do ESO e Gestor de Operações do ALMA na Europa, que não participou no estudo, disse: “A produção não biológica de fosfina em Vénus está excluída no que diz respeito ao nosso conhecimento actual da química da fosfina nas atmosferas de planetas rochosos. A confirmação de existência de vida na atmosfera de Vénus constituiria um enorme avanço em astrobiologia; é por isso essencial fazer o seguimento deste intrigante resultado com estudos teóricos e observacionais para excluir a possibilidade de que a fosfina em planetas rochosos possa ter também uma origem química diferente da da na Terra.

Mais observações de Vénus e de outros planetas rochosos fora do nosso Sistema Solar, incluindo as obtidas com o futuro Extremely Large Telescope do ESO, poderão ajudar a juntar pistas de como a fosfina se forma nestes corpos e contribuir para a procura de sinais de vida para além da Terra.

Informações adicionais

Este trabalho foi descrito num artigo científico intitulado “Phosphine Gas in the Cloud Decks of Venus” publicado na revista Nature Astronomy.

A equipa é composta por Jane S. Greaves (School of Physics & Astronomy, Cardiff University, RU [Cardiff]), Anita M. S. Richards (Jodrell Bank Centre for Astrophysics, The University of Manchester, RU), William Bains (Department of Earth, Atmospheric, and Planetary Sciences, Massachusetts Institute of Technology, EUA [MIT]), Paul Rimmer (Department of Earth Sciences and Cavendish Astrophysics, University of Cambridge e MRC Laboratory of Molecular Biology, Cambridge, RU), Hideo Sagawa (Departamento de Astrofísica e Ciências Atmosféricas, Universidade de Kyoto Sangyo, Japão), David L. Clements (Department of Physics, Imperial College London, RU [Imperial]), Sara Seager (MIT), Janusz J. Petkowski (MIT), Clara Sousa-Silva (MIT), Sukrit Ranjan (MIT), Emily Drabek-Maunder (Cardiff e Royal Observatory Greenwich, London, RU), Helen J. Fraser (School of Physical Sciences, The Open University, Milton Keynes, RU), Annabel Cartwright (Cardiff), Ingo Mueller-Wodarg (Imperial), Zhuchang Zhan (MIT), Per Friberg (EAO/JCMT), Iain Coulson (EAO/JCMT), E’lisa Lee (EAO/JCMT) e Jim Hoge (EAO/JCMT).

Utilização de Imagens, Vídeos e Música do ESO

ESO – European Southern Observatory
14 de Setembro de 2020
eso2015pt — Nota de Imprensa Científica

 

 

4126: Descoberta a primeira disrupção gigante nas nuvens de Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

Uma equipa internacional de cientistas, que incluiu um investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), descobriu a “primeira disrupção gigante” nas nuvens de Vénus que tem fustigado as zonas profundas da atmosfera há pelo menos 35 anos.

Em comunicado, o IA avança que nos céus de Vénus, constituídos sobretudo por dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico, foi descoberta uma disrupção atmosférica gigante “ainda desconhecida em qualquer outra parte do Sistema Solar”.

“[A disrupção] desloca-se veloz a 50 quilómetros de altitude e passou despercebida durante pelo menos 35 anos”, refere o instituto, observando que o estudo, liderado pela agência espacial japonesa JAXA, foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

Esta clivagem de escala planetária nas nuvens de Vénus pode estender-se por 7500 quilómetros, cruzando o equador, explica o instituto português, acrescentando que a mesma “desliza periodicamente em torno do globo sólido em cinco dias, a cerca de 328 quilómetros por hora”.

Citado no comunicado, Pedro Machado, investigador do IA, afirma que, se tal acontecesse na Terra, “seria como uma superfície frontal, mas à escala planetária, o que é algo inacreditável”. “Como parte da campanha de validação, estivemos a rever as imagens das minhas observações no infravermelho em 2012 com o Telescópio Nacional Galileo, nas Ilhas Canárias, e estava lá a descontinuidade tal e qual”, refere o investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

De acordo com o IA, outros padrões gigantes têm vindo a ser observados nas nuvens da atmosfera de Vénus, como a “onda Y ou a onda estacionária em forma de arco“.

“Ambas nas nuvens altas, mas esta [disrupção] é a primeira candidata a onda planetária descoberta a baixas altitudes”, lê-se no documento, acrescentando que esta região profunda da atmosfera é responsável pelo efeito de estufa “descontrolado que retém o calor e mantém a superfície a 465 graus Celsius”. “Ondas de escala planetária como esta poderão ajudar a estabelecer uma ligação entre a superfície e a dinâmica da atmosfera de Vénus como um todo, a qual, em certa medida, é ainda um mistério”, salienta.

Também citado no comunicado, Javier Peralta, líder do estudo, acrescenta que uma vez que a disrupção não é observada em imagens no ultravioleta que sondam o topo das nuvens, “torna-se de importância critica confirmar a sua natureza ondulatória”.

“Assim teríamos finalmente encontrado uma onda a transportar momento e energia da atmosfera profunda e a dissipar-se antes de chegar ao topo das nuvens. Estaria assim a depositar momento precisamente ao nível onde observamos os ventos mais rápidos da designada super-rotação atmosférica de Vénus, cujos mecanismos são um mistério de longa data”, afirma.

Para os investigadores, é para já difícil fornecer uma interpretação física convincente, tendo em conta que este é um fenómeno meteorológico novo e ainda não visto em outros planetas. No comunicado, o IA afirma ainda não ter só contribuído com o trabalho anterior no âmbito do seu programa de pesquisa dos ventos de Vénus, mas também com novas observações com o telescópio de infravermelhos IRTF da NASA, no Havai, coordenadas com as observações simultâneas a partir do espaço com a sonda Akatsuki.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Agosto, 2020

 

 

4050: Vénus ainda é geologicamente activo: tem 37 vulcões “vivos”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VULCANISMO

NASA / JPL
Vulcão na superfície de Vénus

Uma nova investigação identificou 37 estruturas vulcânicas activas em Vénus, o que sugere que o planeta é o terceiro mundo do Sistema Solar geologicamente activo – além da Terra e da lua Io, de Júpiter.

Uma recente investigação, levada a cabo pela Universidade de Maryland e pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, identificou um total de 37 estruturas vulcânicas activas em Vénus. Este resultado é uma das maiores provas de que este planeta do Sistema Solar ainda é geologicamente activo.

“Este estudo muda significativamente a visão de que Vénus é um planeta quase adormecido para um cujo interior ainda está agitado e pode alimentar muitos vulcões activos”, assinalou o co-autor do estudo, Laurent Montési.

Os cientistas sabem há muito tempo que Vénus tem uma superfície mais jovem do que Marte ou Mercúrio, planetas que têm interiores frios. Uma dessas evidências são as estruturas conhecidas como coroas na superfície do planeta.

As coroas costumam ter centenas de quilómetros de diâmetro e podem ser formadas por afloramento de material quente abaixo da superfície. Este fenómeno é muito parecido com a actividade no manto terrestre que formou as ilhas vulcânicas do Havai. No entanto, até agora, os cientistas pensavam que as coroas de Vénus eram apenas sinais de actividade geológica antiga.

Os investigadores consideravam, por isso, que o planeta já tinha arrefecido ao ponto de a crosta endurecer o suficiente para impedir a lava de a perfurar.

No novo estudo, a equipa usou modelos numéricos de actividade termo-mecânica abaixo da superfície de Vénus para criar simulações em 3D de alta resolução da formação de coroas. Estas simulações fornecem uma visão mais detalhada do processo.

Montési e a sua equipa identificaram características presentes apenas em coroas activas e combinaram essas características com as observadas da superfície do planeta. Os resultados revelaram que parte da variação de coroas em Vénus é representativa de diferentes fases de desenvolvimento geológico.

Este artigo científico, publicado recentemente na Nature Geoscience, fornece a primeira prova de que as coroas de Vénus estão a evoluir, o que indica que o interior do planeta continua agitado.

ZAP //

Por ZAP
25 Julho, 2020

 

 

3976: Astronautas devem usar Vénus como “trampolim” para chegar a Marte, defendem cientistas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Kevin Gill / Flickr

Vários especialistas defendem que os astronautas devem utilizar Vénus como “trampolim” para chegar até Marte, alegando que uma missão ao Planeta Vermelho baseada neste plano seria não só mais rápida como barata.

Tendo em conta a disposição do Sistema Solar, esta ideia pode parecer pouco plausível, mas há uma série de cientistas e engenheiros que acreditam que uma “paragem” no segundo planeta do Sistema Solar pode facilitar a vida a astronautas e/ou cosmonautas.

Em declarações ao portal Space.com, Noam Izenberg, geólogo planetário da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, defendeu que um voo para ou de Marte pode acontecer de forma mais rápida e barata se incluir um “sobrevoo de Vénus” na rota.

Izenberg e vários especialistas redigiram um artigo no qual apresentam esta solução e as suas alegadas vantagens. O documento, importa frisar, foi submetido na revista Acta Astronautica, carecendo agora de revisão de pares.

Segundo o artigo, usar Vénus como trampolim não é só uma opção para rumar a Marte, mas é também uma parte essencial para uma eventual missão tripulada a este mundo.

“Vénus é a forma de chegar a Marte”, considerou ao mesmo portal de ciência Kirby Runyon, geomorfologista planetário da Universidade Johns Hopkins, que também assina o artigo científico submetido na Acta Astronautica.

Tal como explica o Space.com, há duas opções para ficar entre Marte e a Terra.

Duas formas para chegar ao Planeta Vermelho

A mais simples das formas consiste numa missão conjunta, durante a qual uma nave espacial voa entre os dois planetas quando estes se alinham nas suas órbitas. Depois de chegar a solo marciano, os astronautas teriam que esperar que os dois mundos se voltassem a alinhar para regressar à Terra, podendo este espaço de tempo demorar cerca de um ano e meio. Esta é a “missão clássica”.

A segunda opção reside numa “missão de oposição”, durante a qual no caminho a Marte uma nave espacial passaria por Vénus, usando a gravidade do planeta para alterar o curso da viajem. O mesmo se aplicaria numa eventual viagem de regresso.

Seguir à boleia da gravidade de Vénus rumo a Marte reduziria drasticamente a quantidade de energia necessária para a missão, economizando combustível e carga e, consequentemente, também os custos globais da expedição seriam menores.

E é esta segunda hipótese que estes cientistas defendem. “É preferível voar para Vénus para conseguir uma assistência por gravidade a caminho de Marte”, sintetizou Paul Byrne, geólogo planetário da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, também da equipa que assinou o artigo.

A missão conjunta, apesar de parecer mais simples à primeira vista, tem poucas e específicas janelas de oportunidades, uma vez que as órbitas da Terra e Marte apenas se alinham uma vez a cada 26 meses. Na missão de oposição, uma nave espacial poderia ser lançada a cada 19 meses. Tendo em conta que a missão de oposição é mais rápida, esta forma faria também com que os astronautas passassem menos tempo em missão.

Simplifica bastante a logística de ir a Marte, especialmente na perspectiva da saúde da tripulação”, frisou Runyon. “Há ciência nos dois planetas por muito menos do que o preço de duas missões tripuladas separadas”, completou Byrne.

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ZAP //

Por ZAP
10 Julho, 2020

 

 

3616: Cientistas resolvem o mistério da estranha rotação da atmosfera de Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(CC0) GooKingSword / Pixabay

Uma nova investigação levada a cabo por cientistas japoneses dá resposta ao mistério da estranha rotação da atmosfera de Vénus que gira muito mais rápido – cerca de 60 vezes – do que a superfície do planeta.

A superfície do segundo planeta do Sistema Solar, cujo tamanho e gravidade são semelhantes às da Terra, é difícil de explorar uma vez que os seus céus são completamente coberto por nuvens espessas de ácido sulfúrico.

A dificultar também esta situação está o clima tórrido do planeta, cujas temperaturas ronda os 460 graus Celsius, tal como recorda da Russia Today.

A superfície de Vénus demora 243 dias terrestres para completar um rotação em torno do seu eixo, ao passo que a sua atmosfera gira quase 60 vezes mais rápido do que a superfície, completando uma volta em torno do planeta a cada quatro dias.

Este fenómeno, que há há algum tempo intriga os cientistas, é conhecido como a super rotação atmosférica, sendo também observado na maior lua de Saturno, a exótica Titã.

Visando resolver este problema, a equipa de cientistas japoneses analisou imagens ultravioleta e dados infravermelho térmicos da sonda Akatsuki, que desde Dezembro de 2015 orbita Vénus. Com estes dados, os especialistas foram capazes de rastrear o movimento das nuvens do planeta, conseguindo também mapear os ventos deste mundo e perceber como é que o calor circula na atmosfera.

Estudos anteriores sugeriram que, para gerar este tipo de rotação, a atmosfera de Vénus deve ter momento angular (momentum angular ou quantidade de movimento angular) suficiente, isto é, a quantidade de momento que um determinado corpo tem graças à sua rotação, para superar o atrito com a superfície do planeta.

Agora, no novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Science, os cientistas detalha que a atmosfera de Vénus recebe o seu momento angular através das marés térmicas, que são variações na pressão atmosférica impulsionada pelo aquecimento solar próximo ao equador do planeta.

“Sugere-se que as marés térmicas podem estar a contribuir para a aceleração por detrás da super-rotação [de Vénus], mas acho que a principal suposição [para resolver o problema] era diferente. Por isso, foi uma surpresa“, disse o autor principal do estudo, Takeshi Horinouchi, cientista planetário da Universidade Hokkaido em Sapporo, no Japão, em declarações ao portal Space.com.

Vénus pode esconder um oceano subterrâneo de magma

Vénus pode esconder um mar de magma sob a superfície que poderia ajudar os cientistas a entender o passado profundo…

ZAP //

Por ZAP
29 Abril, 2020

 

 

3594: Vénus pode esconder um oceano subterrâneo de magma

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

Vénus pode esconder um mar de magma sob a superfície que poderia ajudar os cientistas a entender o passado profundo da Terra.

O tamanho é quase o mesmo, a composição é semelhante e são vizinhos no Sistema Solar. Quando Vénus e Terra se formaram, estavam muito provavelmente derretidos, no que os cientistas pensam ter sido oceanos de magma.

De acordo com o New Scientist, a crosta de ambos os planetas acabou por se solidificar, restando apenas uma camada de magma sob uma pele altamente rochosa. O oceano de magma subterrâneo da Terra foi petrificado há cerca de dois mil milhões de anos, mas o de Vénus pode existir ainda hoje.

Ao contrário do planeta Terra, Vénus não possui placas tectónicas, pelo que se a sua parte mais interna deve ser muito mais quente do que a do nosso planeta. Joseph O’Rourke, da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, simulou de que forma o planeta arrefecia conforme o tempo passava e chegou à conclusão que, em comparação com a Terra, Vénus arrefece duas vezes mais devagar.

Segundo uma recente investigação – que seria apresentada na Conferência de Ciência Lunar e Planetária, que acabou por ser cancelada -, Vénus pode ainda ter um oceano subterrâneo de magma com mais de 200 quilómetros de espessura. Este valor representa cerca de 2% do diâmetro total do planeta.

Vénus pode estar agora a viver um processo pelo qual a Terra passou há milhares de milhões de anos: o oceano de magma está a arrefecer e a solidificar gradualmente, um processo que, segundo O’Rourke, pode demorar dois mil milhões de anos a estar concluído.

O estudo deste fenómeno pode ajudar a comunidade científica a entender como é que a Terra se desenvolveu à medida que a sua própria camada derretida arrefecia e solidificava.

Para confirmar a existência deste oceano de magma, os cientistas terão de enviar uma sonda espacial para o planeta, uma missão que já está a ser ponderada pela agência espacial norte-americana (NASA) e pela agência espacial europeia (ESA.

ZAP //

Por ZAP
24 Abril, 2020

 

 

3455: O regresso a Vénus e o que isso significa para a Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vénus esconde um tesouro de informações que podem ajudar-nos a entender a Terra e os exoplanetas. O JPL da NASA está a desenvolver conceitos de missões para sobreviver as extremas temperaturas e pressões atmosféricas do planeta. Esta imagem é uma composição de dados recolhidos pela sonda Magellan da NASA e pelo orbitador Pioneer Venus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Sue Smrekar está desejosa de voltar a Vénus. No seu escritório no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, a cientista planetária exibe uma imagem com 30 anos da superfície de Vénus captada pela sonda Magellan, uma lembrança de quanto tempo passou desde que uma missão americana orbitou o planeta. A imagem revela uma paisagem infernal: uma superfície jovem com mais vulcões do que qualquer outro corpo no Sistema Solar, fendas gigantescas, cinturas montanhosas e temperaturas quentes o suficiente para derreter chumbo.

Agora super-aquecido por gases de efeito estufa, o clima de Vénus já foi mais parecido com o da Terra, com água equivalente, em quantidade, a um oceano raso. Pode até ter tido zonas de sub-ducção como a Terra, áreas onde a crosta do planeta afunda de novo na rocha mais próxima do núcleo planetário.

“Vénus é como um caso de controlo para a Terra,” disse Smrekar. “Pensamos que começaram com a mesma composição, a mesma água e dióxido de carbono. E seguiram dois caminhos completamente diferentes. Mas porquê? Quais são as principais forças responsáveis pelas diferenças?”

Smrekaer trabalha com o VEXAG (Venus Exploration Analysis Group), uma aliança de cientistas e engenheiros que investiga maneiras de revisitar o planeta que a Magellan mapeou há décadas atrás. Embora as suas abordagens variem, o grupo concorda que Vénus pode dizer-nos algo de vital importância sobre o nosso planeta: o que aconteceu com o clima super-aquecido do nosso gémeo planetário, e o que é que isso significa para a vida na Terra?

Orbitadores

Vénus não é o planeta mais próximo do Sol, mas é o mais quente do Sistema Solar. Entre o calor intenso (480º C), as corrosivas nuvens sulfúricas e uma atmosfera esmagadora 90 vezes mais densa do que a da Terra, aterrar uma nave é incrivelmente desafiador. Das nove sondas soviéticas que alcançaram este feito, nenhuma durou mais do que 127 minutos.

Da relativa segurança do espaço, um orbitador podia usar radar e espectroscopia no infravermelho próximo para penetrar por baixo das camadas de nuvens, medir mudanças na paisagem ao longo do tempo e determinar se o solo se move ou não. Podia procurar indicadores de água passada, bem como actividade vulcânica e outras forças que podem ter moldado o planeta.

Smrekar, que está a trabalhar numa proposta de um orbitador chamado VERITAS, não acha que Vénus tenha placas tectónicas como a Terra. Mas ela vê possíveis sugestões de sub-ducção – o que acontece quando duas placas convergem e uma desliza por baixo da outra. Mais dados iam ajudar.

“Sabemos muito pouco sobre a composição da superfície de Vénus,” disse. “Achamos que existem continentes, como na Terra, que podem ter-se formado através de sub-ducção passada. Mas não temos informações para realmente dizer isso.”

As respostas não apenas aprofundariam a nossa compreensão do porquê de Vénus e da Terra serem agora tão diferentes; podiam restringir as condições que os cientistas precisariam para encontrar um exoplaneta parecido com a Terra.

Balões de ar quente

Os orbitadores não são o único meio de estudar Vénus de cima. Os engenheiros Attila Komjathy e Siddharth Krishnamoorthy do JPL imaginam uma armada de balões de ar quente que voam ao vento nos níveis mais altos da atmosfera venusiana, onde as temperaturas são próximas das da Terra.

“Ainda não há nenhuma missão encomendada para um balão em Vénus, mas os balões são uma óptima maneira de explorar Vénus porque a atmosfera é tão espessa e a superfície tão dura,” disse Krishnamoorthy. “O balão é como o ponto ideal, onde estamos perto o suficiente para obter um monte de coisas importantes, mas também estamos num ambiente muito mais benigno onde os sensores podem realmente durar tempo suficiente para fornecer algo significativo.”

A equipa colocaria nos balões sismómetros sensíveis o suficiente para detectar sismos no planeta. Na Terra, quando o solo treme, esse movimento ondula na atmosfera como ondas de infra-som (o oposto de ultra-som). Krishnamoorthy e Komjathy demonstraram que a técnica é viável usando balões prateados de ar quente, que mediram sinais fracos acima de áreas da Terra com sismos. E isso nem é com o benefício da densa atmosfera de Vénus, onde a experiência provavelmente transmitiria resultados ainda mais fortes.

“Se o solo se move um pouco, sacode muito mais o ar em Vénus do que na Terra,” explicou Krishnamoorthy.

Para obter estes dados sísmicos, o balão precisaria de lidar com ventos tão velozes quanto os de um furacão. O balão ideal, conforme determinado pelo VEXAG, podia controlar os seus movimentos pelo menos numa direcção. A equipa de Krishnamoorthy e Komjathy ainda não chegou tão longe, mas propuseram um meio-termo: fazer os balões essencialmente voarem ao vento em torno do planeta a uma velocidade constante, transmitindo os seus resultados a um orbitador. É um começo.

Módulos de aterragem

Entre os muitos desafios enfrentados por um “lander” venusiano, estão as nuvens que bloqueiam o Sol: com pouca luz do Sol, a energia solar seria severamente limitada. Mas o planeta é demasiado quente para outras fontes de energia sobreviverem. “Em termos de temperatura, é como estar num forno de cozinha, no modo de auto-limpeza,” disse o engenheiro Jeff Hall, do JPL, que trabalhou nos protótipos de balão e módulo de aterragem para Vénus. “Realmente não há outro lugar, no Sistema Solar, como este ambiente de superfície.”

Para começar, a vida de um módulo de aterragem seria reduzida pelos componentes electrónicos, que começariam a falhar após algumas horas. Hall diz que a quantidade de energia necessária para alimentar um dispositivo de arrefecimento capaz de proteger o módulo exigiria mais baterias do que o “lander” podia transportar.

“Não há esperança de refrigerar um módulo para o manter fresco,” acrescentou. “Tudo o que podemos fazer é diminuir o ritmo a que se destrói.”

A NASA está interessada em desenvolver “tecnologias quentes” que podem sobreviver dias, ou até semanas, em ambientes extremos. Embora o conceito de módulo venusiano de aterragem de Hall não tenha chegado à próxima etapa do processo de aprovação, levou ao seu trabalho actual relacionado com Vénus: um sistema de perfuração e amostragem resistente ao calor que poderia recolher amostras de solo venusiano para análise. Hall trabalha com a Honeybee Robotics para desenvolver os motores eléctricos de próxima geração que perfuram em condições extremas, enquanto o engenheiro Joe Melko do JPL projecta o sistema de amostragem pneumática.

Juntos, trabalham com protótipos na Grande Câmara de Testes de Vénus do JPL, com paredes de aço, que imita as condições do planeta até uma atmosfera composta por 100% dióxido de carbono sufocante. A cada teste bem-sucedido, as equipas levam a humanidade um passo mais perto de forçar os limites da exploração neste planeta mais inóspito.

Astronomia On-line
21 de Fevereiro de 2020

 

 

3334: Novo estudo mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VÉNUS

NASA

Uma equipa de cientistas diz ter encontrado evidências de que há vulcões activos na superfície de Vénus. Se isto se confirmar, é o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

Embora se saiba que Vénus tenha sido vulcanicamente activo há 2,5 milhões de anos, não foram encontradas evidências concretas de que ainda existam erupções vulcânicas na superfície deste planeta.

Porém, segundo o Science Alert, uma nova investigação do Lunar and Planetary Institute (LPI) mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos, tornando-o o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

A equipa de cientistas simulou a atmosfera do planeta em laboratório para investigar como é que os fluxos de lava de Vénus mudariam ao longo do tempo. Foi assim que descobriu que a olivina, um mineral que existe em abundância no basalto, reage rapidamente com uma atmosfera como a deste planeta e ficaria revestida por magnetita e hematita (dois minerais ricos em óxido de ferro) em poucos dias.

Os investigadores compararam estes resultados com os dados obtidos ao longo dos anos pela sonda Venus Express, que detectou sinais de olivina na superfície de Vénus, e descobriram que a assinatura de infravermelho emitida por estes minerais desapareceria em poucos dias.

A partir disso, os cientistas concluíram que os fluxos de lava observados em Vénus eram muito jovens, o que, por sua vez, poderá indicar que este planeta ainda possui vulcões activos na sua superfície.

“Se Vénus for realmente activo hoje, seria um óptimo lugar para visitar e entender melhor o interior dos planetas. Poderíamos estudar como é que os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não”, afirma Justin Filiberto, o cientista que liderou a investigação e cujo estudo foi publicado na Science Advances.

Num futuro próximo, vamos ouvir falar sobre várias missões a Vénus para aprender mais sobre a sua atmosfera e condições da sua superfície. Falamos, por exemplo, do orbitador Shukrayaan-1, da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), e da sonda russa Venera-D, que têm lançamento previsto para 2023 e 2026, respectivamente.

ZAP //

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

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3325: Cientistas encontram evidências de que Vénus tem vulcões activos

CIÊNCIA/ESPAÇO

Esta figura mostra o pico vulcânico Idunn Mons (a 46º S, 214,5º E) na área de Imdr Regio de Vénus. A sobreposição colorida mostra os padrões de calor derivados dos dados de brilho da superfície recolhidos pelo instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer) a bordo da sonda Venus Express da ESA.
Crédito: NASA

Uma nova investigação liderada pela USRA (Universities Space Research Association) e publicada na revista Science Advances mostra que os fluxos de lava em Vénus podem ter apenas alguns anos, sugerindo que Vénus pode ainda hoje ser vulcanicamente activo – tornando-o o único planeta no nosso Sistema Solar, além da Terra, com erupções recentes.

“Se Vénus ainda for realmente activo, será um óptimo lugar para visitar a fim de melhor entender o interior dos planetas,” diz o Dr. Justin Filiberto, autor principal do estudo e cientista do LPI (Lunar and Planetary Institute) da USRA. “Por exemplo, poderíamos estudar como os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não. As missões futuras devem conseguir ver estes fluxos e mudanças à superfície e fornecer evidências concretas da sua actividade.”

As imagens de radar da sonda Magellan da NASA, no início da década de 1990, revelaram que Vénus, o nosso planeta vizinho, é um mundo de vulcões e extensos fluxos de lava. Na década de 2000, o orbitador Vénus Express da ESA lançou nova luz sobre o vulcanismo de Vénus, medindo a quantidade de radiação infravermelha emitida por parte da superfície de Vénus (durante a noite). Estes novos dados permitiram que os cientistas identificassem fluxos de lava “fresca” vs. fluxos de lava alterados à superfície de Vénus. No entanto, até recentemente, as idades das erupções de lava e dos vulcões em Vénus não eram bem conhecidas porque o ritmo de alteração da lava “fresca” não estava bem determinado.

O Dr. Filiberto e colegas recriaram a atmosfera cáustica e quente de Vénus em laboratório para investigar como os minerais venusianos observados reagem e mudam com o tempo. Os seus resultados experimentais mostraram que um mineral abundante no basalto – olivina – reage rapidamente com a atmosfera e em poucas semanas fica revestido com minerais de óxido de ferro – magnetite e hematite. Eles descobriram ainda que as observações desta mudança mineralógica, pela Venus Express, levariam apenas alguns anos a ocorrer. Assim sendo, os novos resultados de Filiberto e co-autores sugerem que estes fluxos de lava em Vénus são muito jovens, o que implicaria que Vénus tem realmente vulcões activos.

Astronomia On-line
7 de Janeiro de 2020

 

3035: Sondas sob a forma de raias podem ser perfeitas para explorar o lado mais sombrio de Vénus

CIÊNCIA

CRASH Lab, University at Buffalo

A agência espacial norte-americana (NASA) acaba de aceitar o conceito de uma nave espacial inspirado em raias, que foi proposto por um grupo de cientistas para explorar Vénus, especialmente o seu lado mais sombrio.

Criado pelo Laboratório CRASH, da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, o projecto em causa pressupõe uma estrutura que se transforma com asas que flutuam como as barbatanas peitorais das raias, explicam os cientistas em comunicado.

De acordo com os cientistas, o projecto poderia facilitar o uso eficaz dos ventos fortes que se fazem sentir nas camadas superiores de Vénus, bem como oferecer aos cientistas um controlo sobre o veículo sem precedentes.

O projecto – BREEZE – é um dos doze conceitos revolucionários seleccionados pela NASA para o programa Advanced Innovative Concepts, que financia tecnologias, em estados iniciais, que podem “mudar o que é possível no Espaço”.

“Ao seguir as nossas dicas da natureza, especificamente as das raias do mar, procuramos maximizar a eficiência do voo. O design permitirá um grau de controlo até agora inatingível para uma nave espacial”, apontou o autor principal do projecto, Javid Bayandor, professor associado de engenharia mecânica e aeroespacial.

Seis outros objectos escolhidos em anos anteriores receberam financiamentos adicionais.

Segundo conta a Russia Today, o BREEZE contornaria Vénus a cada quatro a seis dias. Os seus painéis solares carregavam as baterias a cada dois ou três dias na parte iluminada do planeta para iniciar as ferramentas para que estas pudessem recolher amostras atmosféricas, rastrear padrões climáticos e monitorizar actividades vulcânicas, entre outros.

As asas do BREEZE seriam activadas por um sistema interno de tensão que forneceria a capacidade de atingir empuxo – ato de puxar para si -, controlo, estabilidade, elevação adicional e a compressão mecânica necessária para o controlo activo da elevação.

Todas estas características são muito importantes nas condições inóspitas do planeta, que incluem temperaturas superficiais próximas dos 500 centígrados e nuvens espessas de ácido sulfúrico, pode ler-se na mesma nota de imprensa.

Vénus leva 243 dias para completar uma rotação em torno do seu eixo, mais do que os 225 dias necessários para o planeta orbitar o Sol. Na prática, um dia em Vénus dura mais do que o seu próprio ano. Por este mesmo motivo, grandes partes do planeta permanecem no escuro, contrastando com a parte iluminada.

A tecnologia sob a qual assentam as “raias espaciais” poderá ser futuramente utilizada na exploração de outras partes do Sistema Solar, como Titã, a lua de Saturno, ou até mesmo o ambiente subaquático da Terra.

ZAP //

Por ZAP
16 Novembro, 2019

 

2872: Afinal, Vénus pode não ser tão semelhante à Terra como pensávamos

CIÊNCIA

AOES Medialab / ESA

Uma nova investigação questiona a habitabilidade de Vénus, planeta que os cientistas consideram há pouco tempo numa outra investigação poder ter um clima habitável semelhante ao da Terra.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Journal of Geophysical Research: Planets, o segundo planeta do nosso Sistema Solar estava repleto de lava e não de água.

O novo estudo, conduzido por uma equipa de especialistas do Instituo lunar e Planetário (LPI), sediado nos Estados Unidos, conseguiu determinar que o que inicialmente se aceitava serem rochas de granito são, na verdade, basalto, formado devido ao processo rápido de arrefecimento da lava, explica o Space.com.

A investigação baseou-se na análise de dados das terras altas de Ovda Regio, em Vénus. “Sabemos tão pouco sobre a superfície de Vénus”, começou por observar o co-autor do estudo, Allan Treiman, citado pelo mesmo portal.

“Se as terras altas de Ovda Regio são feitas de rochas basálticas, como a maior parte de Vénus, estas foram provavelmente trazidas até à sua altura actual por forças internas, possivelmente como as montanhas que resultam de placas tectónicas na Terra”, explicou.

O estudo anterior, publicado em Setembro, dava conta do oposto, descrevendo Vénus como um mundo que poderia ter um clima temperado, capaz de abrigar água líquida antes que uma transformação catastrófica – que ocorreu há 700 milhões de anos – alterasse quase toda a sua superfície (80%).

Os resultados da investigação agora divulgada, ao apontarem para rochas basálticas, questionam o estudo anterior, uma vez que este composto pode ser formado na presença de água ou não. Os cientistas observaram ainda que a transformação que o planeta passou e que produziu uma explosão maciça de dióxido de carbono pode estar relacionada com a actividade vulcânica.

Há cada vez mais indícios de que Vénus pode ter sido habitável

Cientistas da NASA anunciaram esta semana que o planeta, agora considerado um verdadeiro inferno tóxico, pode ter sido habitável. De…

ZAP //
Por ZAP
21 Outubro, 2019

 

2716: Será que Vénus já foi habitável?

CIÊNCIA

Representação de artista de Vénus com água.
Crédito: NASA

Vénus pode ter sido um planeta temperado que albergou água líquida por 2 a 3 mil milhões de anos, até que uma dramática transformação, que teve início há mais de 700 milhões de anos, “revolveu” cerca de 80% das rochas do planeta. Um estudo apresentado na conferência EPSC-DPS por Michael Way do Instituto Goddard para Ciências Espaciais fornece uma nova visão da história climática de Vénus e poderá ter implicações para a habitabilidade de exoplanetas em órbitas semelhantes.

Há 40 anos atrás, a missão Pioneer Venus da NASA encontrou pistas tentadoras de que a “irmã retorcida” da Terra poderá ter tido um oceano raso de água. Para tentar saber se Vénus já teve um clima estável capaz de suportar água líquida, o Dr. Way e o seu colega Anthony Del Genio criaram uma série de cinco simulações que assumiram diferentes níveis de cobertura de água.

Em todos os cinco cenários, descobriram que Vénus era capaz de manter temperaturas estáveis entre um máximo de aproximadamente 50º C e um mínimo de aproximadamente 20º C durante cerca de 3 mil milhões de anos. Um clima temperado poderia até estar presente hoje em Vénus, caso não tivesse existido uma série de eventos que provocaram uma libertação de dióxido de carbono armazenado nas rochas do planeta há aproximadamente 700-750 milhões de anos atrás.

“A nossa hipótese é que Vénus pode ter tido um clima estável durante milhares de milhões de anos. É possível que o evento quase global seja responsável pela transformação de um clima parecido com o da Terra para a ‘estufa escaldante’ que vemos hoje,” disse Way.

Três dos cinco cenários estudados por Way e Del Genio assumiram a topografia de Vénus como a que vemos hoje e consideraram um oceano profundo com uma média de 310 metros, uma camada mais rasa de água com uma média de 10 metros e uma pequena quantidade de água presa no solo. Para comparação, também incluíram um cenário com a topografia da Terra e um oceano de 310 metros e, finalmente, um mundo completamente coberto por um oceano com 158 metros de profundidade.

Para simular as condições ambientais há 4,2 mil milhões de anos, há 715 milhões de anos, e hoje, os investigadores adaptaram um modelo de circulação geral 3D para explicar o aumento da radiação solar à medida que o Sol aquecia durante a sua vida útil, bem como para explicar as mudanças das composições atmosféricas.

Embora muitos cientistas achem que Vénus está para lá do limite interior da zona habitável do nosso Sistema Solar e demasiado perto do Sol para suportar água líquida, o novo estudo sugere que este poderá não ser o caso.

“Vénus actualmente recebe quase o dobro da radiação solar que recebemos cá na Terra. No entanto, em todos os cenários que modelámos, descobrimos que Vénus ainda poderia suportar temperaturas superficiais favoráveis à água líquida,” disse Way.

Há 4,2 mil milhões de anos, pouco depois da sua formação, Vénus teria completado um período de arrefecimento rápido e a sua atmosfera seria dominada pelo dióxido de carbono. Se o planeta tivesse evoluído de modo idêntico à Terra durante os 3 mil milhões de anos seguintes, o dióxido de carbono teria sido atraído para o interior de rochas silicatadas e “trancado” à superfície. Na segunda época modelada, há 715 milhões de anos, a atmosfera provavelmente teria sido dominada pelo azoto com traços de dióxido de carbono e metano – parecida à da Terra de hoje – e estas condições poderiam ter permanecido estáveis até aos dias actuais.

A causa da libertação de gases que levou à transformação dramática de Vénus é um mistério, embora provavelmente esteja ligada à actividade vulcânica do planeta. Uma possibilidade é que grandes quantidades de magma subiram desde o interior, libertando dióxido de carbono de rochas derretidas para a atmosfera. O magma solidificou antes de chegar à superfície e isto criou uma barreira que impediu que o gás pudesse ser reabsorvido. A presença de grandes quantidades de dióxido de carbono desencadeou um efeito de estufa descontrolado, que resultou nas escaldantes temperaturas médias de 462º encontradas hoje em Vénus.

“Algo aconteceu em Vénus, onde foi libertada para a atmosfera uma enorme quantidade de gás e já não pôde ser reabsorvida pelas rochas. Na Terra, temos alguns exemplos de descargas em larga escala, por exemplo, a criação dos Trapps siberianos há 500 milhões de anos, os quais estão ligados a uma extinção em massa, mas nada nesta escala. Transformou completamente Vénus,” explicou Way.

Ainda existem duas grandes incógnitas que precisam de ser abordadas antes que a questão da habitabilidade passada de Vénus possa ser totalmente respondida. A primeira diz respeito à rapidez com que Vénus arrefeceu inicialmente e se foi realmente capaz de condensar água líquida à sua superfície. A segunda incógnita é se o evento global de “revolvimento” rochoso foi um evento único ou simplesmente o mais recente de uma série de eventos que remontam a milhares de milhões de anos da história de Vénus.

“Precisamos de mais missões para estudar Vénus e para obter uma compreensão mais detalhada da sua história e da sua evolução,” comentou Way. “No entanto, os nossos modelos mostram que existe uma possibilidade real de que Vénus possa ter sido habitável e radicalmente diferente do planeta que vemos hoje. Isto abre todos os tipos de implicações para os exoplanetas encontrados na chamada ‘Zona de Vénus’, que pode de facto hospedar água líquida e climas temperados.”

Astronomia On-line
27 de Setembro de 2019