2717: Será que Vénus já foi habitável?

CIÊNCIA

Representação de artista de Vénus com água.
Crédito: NASA

Vénus pode ter sido um planeta temperado que albergou água líquida por 2 a 3 mil milhões de anos, até que uma dramática transformação, que teve início há mais de 700 milhões de anos, “revolveu” cerca de 80% das rochas do planeta. Um estudo apresentado na conferência EPSC-DPS por Michael Way do Instituto Goddard para Ciências Espaciais fornece uma nova visão da história climática de Vénus e poderá ter implicações para a habitabilidade de exoplanetas em órbitas semelhantes.

Há 40 anos atrás, a missão Pioneer Venus da NASA encontrou pistas tentadoras de que a “irmã retorcida” da Terra poderá ter tido um oceano raso de água. Para tentar saber se Vénus já teve um clima estável capaz de suportar água líquida, o Dr. Way e o seu colega Anthony Del Genio criaram uma série de cinco simulações que assumiram diferentes níveis de cobertura de água.

Em todos os cinco cenários, descobriram que Vénus era capaz de manter temperaturas estáveis entre um máximo de aproximadamente 50º C e um mínimo de aproximadamente 20º C durante cerca de 3 mil milhões de anos. Um clima temperado poderia até estar presente hoje em Vénus, caso não tivesse existido uma série de eventos que provocaram uma libertação de dióxido de carbono armazenado nas rochas do planeta há aproximadamente 700-750 milhões de anos atrás.

“A nossa hipótese é que Vénus pode ter tido um clima estável durante milhares de milhões de anos. É possível que o evento quase global seja responsável pela transformação de um clima parecido com o da Terra para a ‘estufa escaldante’ que vemos hoje,” disse Way.

Três dos cinco cenários estudados por Way e Del Genio assumiram a topografia de Vénus como a que vemos hoje e consideraram um oceano profundo com uma média de 310 metros, uma camada mais rasa de água com uma média de 10 metros e uma pequena quantidade de água presa no solo. Para comparação, também incluíram um cenário com a topografia da Terra e um oceano de 310 metros e, finalmente, um mundo completamente coberto por um oceano com 158 metros de profundidade.

Para simular as condições ambientais há 4,2 mil milhões de anos, há 715 milhões de anos, e hoje, os investigadores adaptaram um modelo de circulação geral 3D para explicar o aumento da radiação solar à medida que o Sol aquecia durante a sua vida útil, bem como para explicar as mudanças das composições atmosféricas.

Embora muitos cientistas achem que Vénus está para lá do limite interior da zona habitável do nosso Sistema Solar e demasiado perto do Sol para suportar água líquida, o novo estudo sugere que este poderá não ser o caso.

“Vénus actualmente recebe quase o dobro da radiação solar que recebemos cá na Terra. No entanto, em todos os cenários que modelámos, descobrimos que Vénus ainda poderia suportar temperaturas superficiais favoráveis à água líquida,” disse Way.

Há 4,2 mil milhões de anos, pouco depois da sua formação, Vénus teria completado um período de arrefecimento rápido e a sua atmosfera seria dominada pelo dióxido de carbono. Se o planeta tivesse evoluído de modo idêntico à Terra durante os 3 mil milhões de anos seguintes, o dióxido de carbono teria sido atraído para o interior de rochas silicatadas e “trancado” à superfície. Na segunda época modelada, há 715 milhões de anos, a atmosfera provavelmente teria sido dominada pelo azoto com traços de dióxido de carbono e metano – parecida à da Terra de hoje – e estas condições poderiam ter permanecido estáveis até aos dias actuais.

A causa da libertação de gases que levou à transformação dramática de Vénus é um mistério, embora provavelmente esteja ligada à actividade vulcânica do planeta. Uma possibilidade é que grandes quantidades de magma subiram desde o interior, libertando dióxido de carbono de rochas derretidas para a atmosfera. O magma solidificou antes de chegar à superfície e isto criou uma barreira que impediu que o gás pudesse ser reabsorvido. A presença de grandes quantidades de dióxido de carbono desencadeou um efeito de estufa descontrolado, que resultou nas escaldantes temperaturas médias de 462º encontradas hoje em Vénus.

“Algo aconteceu em Vénus, onde foi libertada para a atmosfera uma enorme quantidade de gás e já não pôde ser reabsorvida pelas rochas. Na Terra, temos alguns exemplos de descargas em larga escala, por exemplo, a criação dos Trapps siberianos há 500 milhões de anos, os quais estão ligados a uma extinção em massa, mas nada nesta escala. Transformou completamente Vénus,” explicou Way.

Ainda existem duas grandes incógnitas que precisam de ser abordadas antes que a questão da habitabilidade passada de Vénus possa ser totalmente respondida. A primeira diz respeito à rapidez com que Vénus arrefeceu inicialmente e se foi realmente capaz de condensar água líquida à sua superfície. A segunda incógnita é se o evento global de “revolvimento” rochoso foi um evento único ou simplesmente o mais recente de uma série de eventos que remontam a milhares de milhões de anos da história de Vénus.

“Precisamos de mais missões para estudar Vénus e para obter uma compreensão mais detalhada da sua história e da sua evolução,” comentou Way. “No entanto, os nossos modelos mostram que existe uma possibilidade real de que Vénus possa ter sido habitável e radicalmente diferente do planeta que vemos hoje. Isto abre todos os tipos de implicações para os exoplanetas encontrados na chamada ‘Zona de Vénus’, que pode de facto hospedar água líquida e climas temperados.”

Astronomia On-line
27 de Setembro de 2019

 

2701: Vénus terá sido habitável durante três mil milhões de anos

CIÊNCIA

ESO/M. Kornmesser

Vénus é conhecida hoje como “infernal” com temperaturas de 462ºC. Mas um novo estudo sugere que o clima era bem diferente no passado.

Até há 700 milhões de anos, o planeta Vénus terá tido um clima temperado e poderá mesmo ter tido água – e poderia ter continuado a ter.

As primeiras pistas que apontavam para que, a certo ponto, Vénus possa ter tido água líquida foram detectadas durante a missão da NASA Pioneer Venus, que começou em 1978. Dados recolhidos durante esse projecto sugeriram que houve um período de tempo em que o segundo planeta mais próximo do Sol teve um oceano profundo cheio de água.

Contudo, a visão de muitos investigadores hoje em dia mantém-se: Vénus está demasiado perto do Sol para poder suportar água líquida e está fora dos limites da zona habitável do Sistema Solar. Por outro lado, um novo estudo desafia esta perspectiva.

Investigadores do The Europlanet Society apresentaram um estudo sobre a história climática e Vénus no EPSC-DPS Joint Meeting 2019, no passado domingo. Os seus resultados sugeriam que o planeta terá tido um clima habitável apropriado para a vida.

Michael Way, do Goddard Institute for Space Science, e o seu colega Anthony Del Genio criaram cinco simulações climáticas, cada uma baseada em níveis diferentes de cobertura de água, explica o Newsweek.

Três dos cinco modelos usavam a topografia actual de Vénus – um com um oceano com 309 metros de profundidade, outro com uma camada de água rasa com 10 metros de profundidade e outro com um pequeno volume de água preso no solo. Os outros dois usavam a topografia da Terra – uma com um oceano com 309 metros de profundidade e outra completamente coberta por um oceano de 157 metros. O modelo foi responsável por mudanças na composição atmosférica e radiação solar.

Todos os cinco modelos sugeriam que Vénus poderá ter tido a temperatura máxima de 50ºC e mínima de 20ºC durante um período de três mil milhões de anos. Na evolução da Terra, depois de três mil milhões de anos, começaram a surgir organismos unicelulares. Passaram-se, depois, ainda 600 milhões de anos antes de os primeiros organismos pluricelulares surgirem.

“A nossa hipótese é que Vénus pode ter tido um clima estável durante milhares de milhões de anos. É possível que o evento de ressurgimento quase global seja responsável pela sua transformação de um clima parecido com a Terra para a casa infernal que vemos hoje”, Way disse em comunicado.

“Actualmente, Vénus tem quase o dobro da radiação solar que temos na Terra. No entanto, em todos os cenários que modelamos, descobrimos que Vénus ainda pode suportar temperaturas de superfície favoráveis à água líquida”.

Segundo os investigadores, Vénus experimentou um período de arrefecimento rápido logo após sua formação, há 4,2 mil milhões de anos, quando a sua atmosfera teria estado cheia de dióxido de carbono. Se evoluísse de maneira semelhante à Terra, o gás teria sido atraído (e trancado) pelas rochas silicatadas do planeta, de modo que, há 715 milhões de anos, o nitrogénio dominaria a atmosfera. O CO2 e o metano estariam presentes em pequenas quantidades – assim como na Terra.

Way e Genio acreditam que o clima temperado ainda podia existir hoje, se não fosse a sequência de eventos que desencadeou a libertação de CO2 armazenado nas rochas, um processo ocorreu entre 700 a 750 milhões de anos atrás.

O que causou essa contaminação é desconhecido, mas os cientistas suspeitam que tenha sido culpa da actividade vulcânica do planeta. Uma hipótese é que grandes volumes de CO2 foram libertados quando grandes quantidades de magma borbulharam e atingiram a superfície, libertando gás das rochas derretidas. A solidificação do magma antes de atingir a superfície poderia ter impedido a reabsorção do dióxido de carbono, resultando num efeito estufa descontrolado.

Esta é também é uma preocupação hoje, com as emissões de gases de efeito estufa da actividade humana a aumentar os níveis de CO2 na atmosfera.

A questão da habitabilidade de Vénus repousa sobre duas incógnitas. Os investigadores não sabem a que velocidade Vénus arrefecia – ou se poderia mesmo condensar água líquida. Também não sabem se o processo global de recapeamento foi o produto, um único evento ou uma sequência de eventos ocorridos ao longo de milhares de milhões de anos. No entanto, os resultados do estudo abrem oportunidades para exoplanetas que possam existir na “zona de Vénus”.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2019

 

2650: NASA pondera regresso da missão a Vénus baptizada em honra de Fernão de Magalhães

CIÊNCIA

A nave, feita com componentes de outras missões, foi lançada a 4 de Maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Vénus
© Arquivo Global Media

O Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA submeteu uma proposta para regressar a Vénus através do programa Discovery, trinta anos depois da missão Magellan, que foi baptizada em honra do explorador português Fernão de Magalhães.

A proposta irá competir com cerca de uma quinzena de outras missões potenciais, disse à Lusa a vulcanóloga e cientista sénior do JPL Rosaly Lopes, que fez uma revisão do projecto, das quais a NASA escolherá apenas uma para voar.

“A missão Magellan foi a primeira que mapeou a superfície e realmente viu abaixo das nuvens de Vénus, que tem uma atmosfera muito espessa”, explicou a cientista do laboratório sediado em Pasadena, no condado de Los Angeles. “Antes da Magellan, quase não se tinha conhecimento da superfície de Vénus”, acrescentou.

A nave, feita com componentes de outras missões, incluindo das Voyager, foi lançada a 4 de maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Segundo Rosaly Lopes, a comunidade científica tem agora muito interesse em retornar a Vénus, “porque a Magellan foi uma missão muito bem sucedida mas ela ainda tem muitas coisas para descobrir”.

Originalmente denominada “Venus Radar Mapper”, a missão de exploração do planeta vulcânico foi renomeada “Magellan” (a versão inglesa de Magalhães) em 1985, “porque foi a primeira missão justamente a fazer a circum-navegarão de Vénus”, entrando em órbita ao redor do planeta, explicou Rosaly Lopes.

Homenagem a Fernão Magalhães

A referência a Fernão de Magalhães, que em Setembro de 1519 partiu na primeira viagem histórica de circum-navegarão da Terra, espelha a continuada importância das descobertas feitas pelo explorador português há 500 anos.

“Foi um marco importantíssimo na história da Humanidade”, afirmou a cientista luso-brasileira. “Como os portugueses sempre tiveram”, sublinhou.

A viagem de Fernão de Magalhães comprovou que o planeta é redondo e mostrou aos europeus que a sua dimensão era muito superior ao que se pensava na altura, bases científicas que hoje são postas em causa por uma franja da sociedade que acredita que a Terra é plana.

Um retrocesso que “não tem explicação”, disse Rosaly Lopes. “Desde os últimos 500 anos nós temos tantas provas, temos imagens da Terra feitas do Espaço e basta entrar num avião para ver a curvatura da Terra”, afirmou, considerando tratar-se de uma “moda”.

Entre os auto-denominados “flat earthers” há algumas personalidades conhecidas, como a estrela da NBA Kyrie Irving, o rapper B.o.B. ou a estrela da MTV Tila Tequila. Em junho, o clube de futebol da terceira divisão espanhola Móstoles Balompié mudou de nome para Flat Earth FC, por decisão do ex-futebolista e presidente Javi Poles, que acredita na teoria da terra plana.

“Há pessoas que escolhem acreditar em coisas sem sentido”, disse Rosaly Lopes. “Não podemos convencer pessoas que têm uma mente fechada”.

A NASA está agora a analisar as propostas de novas missões e deverá anunciar quais passarão à próxima fase até ao final do ano.

Rosaly Lopes, que é co-investigadora de uma nova missão que vai estudar as luas de Júpiter, acredita que o regresso a Vénus acontecerá nos próximos dez a quinze anos. O JPL em Pasadena está também a trabalhar num novo Rover que vai a Marte, Mars 2020.

Diário de Notícias

DN /Lusa

 

2579: O clima de Vénus está a mudar (e a razão está escondida nas suas nuvens)

(CC0) GooKingSword / Pixabay

Vénus, há muito considerada a gémea muito mais quente da Terra, guarda muitos mistérios dentro das suas nuvens, que também podem ser responsáveis pelas dramáticas mudanças climáticas do planeta.

Um novo estudo sobre uma década de observações ultravioletas de Vénus de 2006 a 2017 mostrou que o reflexo da luz ultravioleta no planeta diminuiu para metade antes de voltar a disparar.

Essa mudança resultou em grandes variações na quantidade de energia solar absorvida pelas nuvens de Vénus e na circulação na sua atmosfera, causando as mudanças no clima do planeta.

“As mudanças climáticas actuais em Vénus não foram consideradas antes”, disse Yeon Joo Lee, investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade Técnica de Berlim e principal autora do estudo, à Space.com. “Além disso, o nível de variação de UV-albedo [reflectividade] é significativamente grande, suficiente para afectar a dinâmica atmosférica”.

Os cientistas combinaram observações da missão Venus Express da Europa, da japonesa Akatsuki Venus orbiter, da espaço-nave Messenger da NASA (que voou por Vénus a caminho de Mercúrio) e do Telescópio Espacial Hubble para o estudo.

O clima em Vénus, como o da Terra, é afectado pela radiação solar e pelas mudanças no reflexo das nuvens circundantes. Mas, ao contrário da Terra, as nuvens de Vénus são compostas de ácido sulfúrico e contêm manchas escuras que os cientistas chamam de “absorvedores desconhecidos”, uma vez que absorvem a maior parte do calor e da luz ultravioleta emitida pelo sol.

O novo estudo sugere que os absorvedores podem ser o que está a causar essas mudanças no clima de Vénus, embora a equipa de cientistas acredite que a única maneira de saber com certeza é através de observações adicionais. “Pelo menos mais uma década de observações. Isso abrangerá mais um ciclo de actividade solar e poderemos descobrir se essa mudança é cíclica”, disse Lee.

Sanjay Limaye, cientista da Universidade de Wisconsin–Madison e co-autor do novo estudo, sublinhou também que estas partículas super-absorventes se assemelham a microrganismos presentes na atmosfera da Terra.

O clima no planeta já é bastante extremo, com temperaturas a atingir 471ºC e ventos com velocidades de 724 quilómetros por hora.

Uma hipótese mais estranha faz com que os absorvedores sejam realmente de origem biológica. Enquanto a superfície de Vénus é infernal, o topo das nuvens é suficientemente suave para sustentar a vida. Essa ideia tem surgido desde o final da década de 1960.

Se mais observações provassem que a actividade solar está conectada a esta mudança no clima, poderia ser aplicada a todos os outros planetas com aerossóis, partículas sólidas ou líquidas que reflectem a luz solar, como Terra e Titã. No entanto, o grau de mudança seria diferente em cada um.

Lee disse que está a desenvolver planos para mais investigações sobre absorvedores desconhecidos nas nuvens de Vénus, acrescentando que uma missão futura em Vénus pode ajudar os cientistas a entender melhor as mudanças climáticas do planeta.

O estudo foi publicado a 26 de Agosto na revista especializada The Astronomical Journal.

ZAP //

Por ZAP
6 Setembro, 2019

 

2203: NASA descobre indícios de vida em Vénus

Segundo Brian Cox, físico e professor da Universidade de Manchester e apresentador de um programa da BBC sobre ciência, Vénus poderia muito bem ter abrigado alguma forma de vida no seu passado distante. Estas alegações partem depois de a NASA ter descoberto que o planeta é semelhante à Terra.

Embora Vénus tenha hoje condições difíceis à existência de vida, durante a sua existência nem sempre foi assim. Desta forma, poderá ter tido vida. Mas que tipo de vida?

As condições que oferece hoje Vénus

Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar em ordem de distância do Sol, orbitando-o a cada 224,7 dias. Recebeu o seu nome em homenagem à deusa romana do amor e da beleza Vénus, equivalente à Afrodite. Assim, depois da Lua, este é o objecto mais brilhante do céu nocturno. Atingindo uma magnitude aparente de -4,6, o suficiente para produzir sombras.

A distância média da Terra a Vénus é de 0,28 AU, sendo assim a menor distância entre quaisquer dois planetas.

Por várias vezes este planeta foi apontado como o “planeta irmão” da Terra. Além do tamanho, da massa, Vénus tem também uma composição semelhantes ao do nosso planeta. Contudo, a sua pressão atmosférica é 92 vezes maior do que a da Terra. Por outras palavras, aproximadamente a pressão encontrada a 900 metros baixo da superfície do oceano.

Além disso, este é o planeta mais quente do Sistema Solar. Assim apresenta uma temperatura média de 500 °C, embora Mercúrio esteja mais próximo do Sol.

Vénus poderá albergar vida?

O físico apresentador do programa da BBC “The Planets”, afirma que:

As temperaturas da superfície em Vénus são mais quentes do que as de Mercúrio. No entanto, em alguns milhões de anos após formação, a superfície do planeta arrefeceu e o planeta encontrava-se a uma distância certa do Sol jovem para que Vénus experimentasse uma vista familiar como temos na Terra.

Segundo as suas investigações “os céus abriram-se e grandes correntes inundaram a superfície. Rios de água correram e Vénus passou a ser um mundo oceânico”. A par destes acontecimento, acrescentou o investigador, “a atmosfera do planeta permitiu que ele fosse sustentado pelos oceanos como um cobertor, mantendo a temperatura da superfície graças ao efeito estufa”.

O Sol envelheceu e tirou vitalidade a Vénus

De forma que já se conhece, à medida que o Sol envelhece, a estrela queima muito mais e torna-se mais quente. Esse impacto está a mudar não só a Terra como todos os astros ao seu redor. Assim, este comportamento, como refere o físico, significa que no passado, quando o Sol era mais jovem, deveria ter sido mais frio e isso teve um grande impacto nos planetas. Dessa forma, Vénus era mais fresco e mais húmido, propriedades certas para sustentar a vida.

Na época em que a vida estava prestes a começar na Terra, há três e meio a quatro mil milhões de anos, o Sol estava mais fraco e isso significa que Vénus estava mais fresco. Na verdade, as temperaturas em Vénus naquela época teriam sido como um agradável dia de primavera aqui na Terra.


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Imagem: NASA
Fonte: Express

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2069: Vénus pode ter tido um passado habitável (mas um oceano asfixiou-o)

NASA

Uma equipa de cientistas acredita que Vénus foi, no passado, um mundo com condições para alojar vida. De acordo com os cientistas, terá sido um oceano que, paradoxalmente, ditou o fim da sua habitabilidade.

Em comunicado, a Universidade de Bangor, no País de Gales, observa que, apesar de Vénus ser hoje um lugar muito inóspito, com temperaturas superficiais quentes o suficiente para derreter chumbo, o seu passado pode ter sido muito diferente.

Segundo a equipa, que sustenta a argumentação em testes geológicos e em modelos computorizados, Vénus pode ter sido mais frio há mil milhões de anos e ter tido até um oceano, havendo por isso algumas semelhanças com a Terra.

Contudo, não é só a temperatura e a atmosfera altamente corrosiva que distanciam o Vénus de hoje do planeta Terra. O segundo planeta do Sistema Solar gira muito lentamente, levando 243 dias terrestres para completar um dia venusiano. No passado, este movimento pode também ter sido mais rápido, escrevem os cientistas, o que teria ajudado a tornar o planeta mais habitável.

As marés actuam para retardar a velocidade de rotação dos planetas devido ao atrito entre as correntes de maré e o fundo do mar. Hoje em dia, na Terra, esta “travagem” muda a duração de um dia em cerca de 20 segundos a cada um milhão de anos.

O novo estudo levado a cabo pelo cientista Mattias Green da Escola de Ciências Oceânicas da Universidade de Bangor e por uma equipa da NASA e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, quantificaram este efeito de frenagem no Vénus do passado.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters, revelou que as marés de um oceano venusiano terão sido grandes o suficiente para diminuir a velocidade de rotação de Vénus em dezenas de dias terrestres num milhão de anos.

Este resultado sugere que o “travão” imposto pela maré pode ter atrasado Vénus até ao seu estado de rotação actual em 10 a 50 milhões de anos e, consequentemente, tenha evitado que Vénus fosse habitável por um curto espaço de tempo.

“O nosso trabalho mostra como é que as marés podem ser importantes para remodelar a rotação de um planeta, mesmo que esse oceano só exista por cerca de 100 milhões de anos, e como é que as marés são importantes para tornar um planeta habitável”, apontou o Mattias Green, citado na mesma nota de imprensa.

ZAP //

Por ZAP
29 Maio, 2019


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1475: Há uma misteriosa espiral na atmosfera de Vénus

(CC0) GooKingSword / Pixabay

A nave espacial não tripulada japonesa Akatsuki encontrou gigantescas estruturas espirais na atmosfera de Vénus, formadas por ventos polares e pela rápida rotação do planeta.

A atmosfera de Vénus ganha atenção de astrónomos há quase 60 anos, desde estudos de sondas soviéticas e americanas. Investigadores descobriram que a capa protectora de Vénus é completamente diferente da do nosso planeta.

Por exemplo, a atmosfera de Vénus é extremamente densa e a pressão na sua superfície é quase cem vezes maior do que na Terra. A alta densidade faz com que o dióxido de carbono, que corresponde a uns 95% da massa do ar de Vénus, se comporte como um fluído exótico, e também ocasiona uma série de efeitos incomuns.

Em particular, a atmosfera deste planeta gira 60 vezes mais rápido do que o próprio planeta, provocando ventos poderosos de 500 quilómetros por hora. Além disso, o dia em Vénus é mais longo do que um ano no planeta – 240 e 224 dias terrestres, respectivamente.

Propriedades atípicas da camada de ar de Vénus dão origem a misteriosas estruturas gigantes, indecifráveis até então por investigadores. A letra gigante Y, que foi descoberta no início dos anos 60, e uma onda vertical de dez mil quilómetros de comprimento são alguns detalhes de Vénus que até agora não foram decifrados.

Hiroki Kashimura, da Universidade de Kobe, e outros membros do grupo científico Akatsuki descobriram outra estrutura muito estranha através de imagens das camadas inferiores das nuvens de Vénus, que foram fotografadas com câmaras de infravermelhos. As imagens foram publicadas na revista Nature este mês.

Estrutura espiral na atmosfera de Vénus, descoberta pela nave Akatsuki

Os cientistas não estavam muito interessados nas nuvens de ácido sulfúrico e, sim, na localização, na densidade e noutras características que mostram a direcção e velocidade dos ventos na atmosfera de Vénus.

Tais observações deveriam ajudá-los a descobrir o que acontece por trás das nuvens e a entender que processos climáticos estão a ocorrer na atmosfera do planeta misterioso.

Em vez disso, depararam-se com outro enigma. Combinando as imagens dos últimos três anos, astrónomos japoneses descobriram que as regiões circumpolares e temperadas da atmosfera de Vénus possuem espirais gigantes, formadas por correntes rápidas de ar. O comprimento de cada “cauda” da espiral é de cerca de dez mil quilómetros, já o diâmetro delas corresponde a centenas de milhares de quilómetros.

Para entender melhor, a equipa pediu ajuda a colegas para a criação de modelos climáticos de Vénus baseados nos dados recebidos da Akatsuki e de outras naves. Os cálculos já tinham indicado a existência de espirais na atmosfera de Vénus, mas não houve oportunidade de comprovação até agora.

Com os cálculos, os astrónomos entenderam como surgem as misteriosas espirais. Constatou-se que são geradas por dois fenómenos conhecidos por terráqueos: ventos polares de alta altitude, que coordenam o clima no nosso planeta, e a força inercial de Coriolis gerada pela rotação da Terra.

Curiosamente, os cálculos demonstram que as espirais deveriam existir na atmosfera de Vénus constantemente, mas na realidade não é assim: apareceram e desapareceram periodicamente e a causa ainda é desconhecida.

ZAP // Sputnik

Por SN
14 Janeiro, 2019

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1369: A Terra pode tornar-se num novo planeta Vénus (e a culpa é das alterações climáticas)

AOES Medialab / ESA
Conceito artístico da superfície de Vénus

Se as alterações climáticas causadas pela humanidade continuarem sem controlo, as consequências podem ser irreversíveis e podem transformar as condições no nosso planeta nas mesmas de Vénus.

No passado, o planeta Vénus já esteve coberto de água e terá sido habitável. Mas o planeta passou por uma mudança climática catastrófica: a atmosfera começou a reter demasiado calor e o surgimento de um grande número de buracos de ozono destruiu o segundo planeta do Sistema Solar, onde a temperatura actual atinge mais de 471ºC.

Estudos no planeta vizinho levaram os cientistas a procurar buracos de ozono no nosso planeta, segundo Ellen Stofan, directora do Museu do Ar e do Espaço do Instituto Smithsonian e ex-investigadora da NASA, que enfatiza que Vénus é um espelho que pode reflectir o futuro da Terra.

De acordo com o cientista planetário e astro-biólogo do Instituto de Ciência Planetária, David Grinspoon, apesar da sua aparência moderna horripilante, Vénus é muito semelhante à Terra – sendo até chamado a “gémea malvada” do Planeta Azul.

“Vénus é um laboratório para entender a física do clima e as mudanças climáticas de um planeta parecido com a Terra. É impossível aprender tudo o que se precisa saber sobre a mudança climática na Terra ao estudar apenas a Terra”, disse ao portal Space.

Daqui a algum tempo, à medida que o Sol começa a envelhecer, o nosso planeta percorrerá o mesmo caminho que Vénus, com a evaporação do oceanos num mundo descontrolado devido ao efeito estufa.

“Acho que Vénus é um aviso importante: o efeito estufa não é apenas uma teoria”, concluiu Stofan.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
4 Dezembro, 2018

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1159: NASA quer humanos em Vénus a viver nas nuvens

Don P. Mitchell, Paolo C. Fienga / Lunar Explorer Italia / IPF / Soviet Space Agency
Aspecto da superfície e do céu de Vénus tal como captados pela sonda Venera 13

Apesar de ser um planeta de temperaturas infernais, de atmosfera tóxica e pressões esmagadoras à superfície, a NASA está a trabalhar numa missão tripulada para Vénus – a High Altitude Venus Operational Concept (HAVOC).

A NASA pretende levar o Homem a Vénus, porém há uma série de obstáculos que precisam de ser ultrapassados para que a missão HAVOC seja bem sucedida.

As temperaturas em Vénus chegam a atingir os 460ºC, sendo mais quente do que Mercúrio, mesmo estando Mercúrio mais perto do Sol – a temperatura de um planeta não depende só da proximidade do Sol, mas também da superfície e da atmosfera.

As temperaturas registadas em Vénus chegam a ser mais altas do que o ponto de fusão de alguns metais, incluindo o bismuto e o chumbo, que chegam a cair como neve em alguns pontos deste planeta.

A atmosfera de Vénus é composta por 97% de dióxido de carbono, 3% de nitrogénio e ainda conta com alguns vestígios de outros gases.

Quanto à superfície, Vénus não passa de uma paisagem rochosa estéril composto por vastas planícies de rocha basáltica de características vulcânicas.

O planeta, geologicamente jovem, também passou por recentes eventos catastróficos causados pela acumulação de calor por debaixo da superfície que leva a que esta derreta, liberte calor e volte a solidificar.

Feita a descrição deste curioso planeta que ainda surpreende astrónomos, a questão é saber como é que a NASA pretende conduzir uma missão tripulada a este planeta infernal.

A missão

Como a superfície de Vénus é caótica, a ideia da NASA não inclui qualquer aterragem na superfície e utilizará a atmosfera densa como base para a exploração – o plano é utilizar aeronaves que possam permanecer suspensas na atmosfera superior por longos períodos de tempo.

Surpreendentemente, a atmosfera superior de Vénus é o local mais semelhante à Terra no Sistema Solar – entre os 50km e os 60km de altura, a pressão e a temperatura de Vénus podem ser comparadas a regiões da baixa atmosfera da Terra. A pressão atmosférica de Vénus a 55km de altura é cerca de metade da pressão ao nível do mar na Terra.

Esta pressão, sentida a essa altura, não obriga os seres humanos a utilizar qualquer equipamento de pressurização pois é aproximadamente equivalente à pressão sentida no topo do Monte Quilimanjaro.

Quanto à temperatura a esta altura, os astrónomos afirmam que esta situa-se entre os 20ºC e os 30ºC, um valor muito aceitável para os seres humanos.

Curiosamente, a atmosfera acima destas altitudes (50km-60km), é densa o suficiente para proteger qualquer astronauta da radiação ionizante do espaço.

A proximidade do planeta ao Sol fornece ainda uma maior taxa de radiação solar do que na Terra (cerca de 1,4 vezes superior) o que poderá ser utilizado para produzir energia.

A aeronave

Segundo o conceito da NASA, o dirigível flutuaria à volta do planeta, soprado pelo vento, e poderia ser enchido com uma mistura de gás respirável como oxigénio e nitrogénio que proporcionaria flutuabilidade necessária – o ar respirável é menos denso do que a atmosfera de Vénus e, como resultado, o dirigível conseguiria flutuar.

A ter em conta nesta ideia da NASA está também o material do dirigível que necessita de ser resistente ao efeito corrosivo do ácido existente na atmosfera.

A atmosfera de Vénus é conhecida por conter ácido sulfúrico que cria umas nuvens densas que são um dos principais contribuintes para o brilho visível do planeta quando visto da Terra. Actualmente já existem no mercado vários materiais comerciais com uma alta resistência à acidez como é o caso do teflon.

Contudo, a missão é ainda um plano de longo prazo e a NASA ainda não anunciou publicamente qualquer data para o HAVOC que contará, primeiro, com pequenas missões de teste. Apesar de ser o nosso vizinho planetário mais próximo, pouco se sabe sobre este planeta ao que tudo indica inóspito.

A missão poderá revelar mais dados sobre o planeta e ajudar ainda a entender a evolução do Sistema Solar e talvez até mesmo de outros sistemas.

Por ZAP
18 Outubro, 2018

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515: Cientistas da NASA prevêem um “destino infernal” para a Terra

(CC0/PD) photoshopper24 / pixabay

A Terra pode transformar-se num planeta com uma superfície tão quente que tornará a vida impossível. Uma conclusão de um estudo que teve a participação de uma cientista da NASA e que apresenta Vénus, o planeta menos habitável do Sistema Solar, como exemplo do que pode acontecer à Terra.

A investigadora Giada Arney da NASA e o professor Stephen Kane, da Universidade da Califórnia, estudaram como Vénus se transformou no planeta menos habitável do Sistema Solar, com uma temperatura de superfície que atinge os 460 graus centígrados.

Os cientistas notam que Vénus já terá sido outrora um planeta habitável, com condições semelhantes às da Terra, mas que se foi tornando impossível para a vida à medida que o Sol foi ficando mais luminoso. Um cenário que pode vir a ocorrer na Terra, alertam na investigação agora publicada.

O estudo refere-se à teoria do químico sueco Svanthe Arrhenius, vencedor do Prémio Nobel da Química de 1903, que defende que Vénus já teve rios, lagos e pântanos, bem como uma vegetação abundante. Mas com o aumento do brilho do Sol, o planeta deixou de ter um clima temperado e aqueles sinais de vida transformaram-se em carbono que serviu de “alimento” ao efeito de estufa, tornando o planeta inabitável.

Arrhenius já previa que a Terra pode sofrer um processo semelhante daqui a milhões de anos, e Arney e Kane acreditam também que o aumento crescente da luminosidade do Sol pode tornar a vida impossível no nosso planeta.

Estes dados levam os investigadores a reforçar a importância de estudar Vénus, até porque é o planeta que mais se parece com a Terra, tanto em termos de tamanho como de massa, de volume e de composição.

“Vénus ensina-nos que a habitabilidade não é um estado estático em que os planetas permanecem ao longo das suas vidas”, frisam os investigadores no estudo. E entender “a habitabilidade como um processo planetário depende crucialmente de perceber o que aconteceu à suposta água perdida de Vénus“, concluem.

ZAP //

Por ZAP
5 Maio, 2018

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117: Vénus e Júpiter alinharam-se no céu e as redes sociais acordaram para ver

 

 

Júpiter está em conjunção com Vénus em 13 de Novembro, informa o Observatório Astronómico de Lisboa. O que significa exactamente esta frase? Que os dois planetas estão alinhados no céu, ainda que fossem visíveis sobretudo nos países com latitudes mais a norte, nomeadamente o Reino Unido e algumas partes dos EUA.

© Twitter/Lisa Chami Uma das imagens partilhadas no Twitter

Segundo os astrónomos citados pela BBC, os dois planetas estiveram tão perto que quase pareciam tocar-se, fundindo-se numa espécie de estrela brilhante que, no entanto, poderia ser apreciada em toda a sua grandiosidade antes do nascer do sol.

O alinhamento de Vénus e Júpiter não é raro: aconteceu em 2015 e 2016 antes de se repetir este ano, mas é mais incomum que os planetas se aproximem tanto, como aconteceu esta segunda-feira. Amanhã, terça-feira, os dois planetas alinhados ainda serão visíveis, mas não tão perto como hoje.

Ainda este mês, os interessados vão poder observar outro alinhamento de planetas: desta vez, informa a NASA, serão Saturno e Mercúrio a encontrar-se no horizonte ao anoitecer, nos dias 24 e 28 de Novembro.

MSN notícias
13/11/2017

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33: Astrónomos encontram surpresa escondida na “noite” de Vénus

Vénus não é de todo o lugar mais convidativo para “se visitar” no Sistema Solar. O seu calor abrasador e a sua atmosfera corrosiva, fazem deste planeta um inferno tóxico. Se lá for, certifique-se que volta antes de anoitecer.

Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar em ordem de distância a partir do Sol, orbitando-o a cada 224,7 dias. Sabe-se muitas coisas deste planeta, contudo os astrónomos acabaram de encontrar uma surpresa escondida no seu misterioso lado nocturno.

Feita uma nova e mais pormenorizada análise ao misterioso lado nocturno de Vénus – a metade escura imperceptível que se afasta do Sol – revelou, com surpresa, que a atmosfera do planeta e as intensas ventanias são ainda mais caóticas quando o planeta está escondido nas sombras.

Esta é a primeira vez que conseguimos avaliar como a atmosfera circula no lado nocturno de Vénus numa escala global. Embora a circulação atmosférica no dia do planeta tenha sido amplamente explorada, ainda havia muito a descobrir sobre o seu lado nocturno.

Referiu o astrofísico Javier Peralta, da Japan Aerospace Exploration Agency (JAXA).

Noites que duram 243 dias terrestres

Este misterioso momento da noite foi ainda mais intrigante devido à sua considerável extensão. Isto porque Vénus gira apenas uma vez a cada 243 dias terrestres – um período de rotação mais lento que qualquer planeta no nosso Sistema Solar – e há muitas informações que desconhecemos sobre o que acontece com o clima quando o Sol se põe, uma espécie de noite que dura um longo tempo.

Para descobrir o mistério, a equipa de Peralta olhou para a escuridão venusiana recorrendo a um Espectrómetro de Imagem Térmica Visível e Infravermelho (VIRTIS), instalado na nave espacial Vénus Express, da ESA, que orbitou o planeta entre 2006 e 2014.

A atmosfera de Vénus é dominada por fortes ventos que se arrastam ao seu redor, até 60 vezes mais rápidos do que a rotação do próprio planeta. Esse fenómeno é chamado de “super rotação”, que os cientistas observaram ao monitorizar o movimento de nuvens brilhantes flutuando acima do planeta.

Passamos décadas a estudar esses ventos super rotativos ao acompanhar como as nuvens superiores se movem durante o dia – estas são claramente visíveis nas imagens adquiridas via luz ultravioleta. No entanto, os nossos modelos de Vénus permanecem incapazes de reproduzir esta super rotação, o que indica claramente que talvez faltem algumas peças deste quebra-cabeça referiu Peralta.

VIRTIS trouxe imagens nunca vistas de Vénus

As emissões térmicas haviam sugerido, anteriormente, o movimento das nuvens mais altas na atmosfera de Vénus. Quanto ao que ocorria debaixo do dossel da nuvem, os cientistas não tinham conhecimento. Foi então, graças à Vénus Express, que agora há uma imagem mais clara.

O VIRTIS permitiu-nos observar essas nuvens com clareza pela primeira vez, permitindo-nos explorar o que as equipas anteriores não poderiam. Com isso, descobrimos resultados inesperados e surpreendentes.

Disse o astrónomo responsável por estas novas análises ao planeta.

Os modelos existentes da atmosfera previram que a super rotação ocorreu, em grande parte, da mesma forma nos lados do dia e da noite do planeta, mas a nova perspectiva infravermelha mostra que os ventos venusianos giratórios são realmente mais irregulares e caóticos quando o planeta se esconde do Sol.

A pesquisa da equipa mostra que o lado da noite produz nuvens volumosas, onduladas e irregulares em padrões de filamentos que não são observados no lado soalheiro. A equipa acredita que um fenómeno chamado de ondas estacionárias seja o responsável pelo efeito.

As ondas estacionárias são provavelmente o que chamaríamos de ondas de gravidade, ou seja, variações crescentes geradas em regiões mais baixas na atmosfera de Vénus, que parecem não se mover junto à rotação do planeta.

Disse um dos investigadores, Agustin Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, na Espanha.

Essas ondas estão concentradas em áreas íngremes e montanhosas do planeta, o que sugere que a sua topografia está a afectar o que se desenrola bem acima nas nuvens.

Um inferno tóxico

Na verdade, não é a primeira vez que essas ondas gravitacionais foram observadas em Vénus, mas os novos dados sugerem que o fenómeno não se restringe exclusivamente às regiões elevadas do planeta, como as suas montanhas. No estudo, a VIRTIS observou áreas no hemisfério sul de Vénus, que geralmente é baixo em elevação. A equipa diz que as ondas de gravidade ainda influenciam os movimentos atmosféricos. Estranhamente, contudo, não houve evidência dessas movimentações nos níveis mais baixos da nuvem, a até 50 quilómetros acima da superfície.

Quanto ao motivo, a equipa continua sem certezas. Parece que, enquanto conquistamos melhores olhares das sombras, Vénus definitivamente ainda não desistiu de manter guardados todos os seus segredos.

Nós esperávamos encontrar essas ondas nos níveis mais baixos porque as vemos nas regiões superiores e pensamos que elas surgiram a partir da nuvem da superfície. É um resultado inesperado, com certeza, e todos precisamos rever os nossos modelos de Vénus para explorar o seu significado.

Concluiu um dos integrantes da equipa, Ricardo Hueso, da Universidade do País Basco, na Espanha.

As descobertas foram relatadas na Nature Astronomy.

Via

pplware
Vitor M
23/09/2017

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