2204: NASA descobre indícios de vida em Vénus

Segundo Brian Cox, físico e professor da Universidade de Manchester e apresentador de um programa da BBC sobre ciência, Vénus poderia muito bem ter abrigado alguma forma de vida no seu passado distante. Estas alegações partem depois de a NASA ter descoberto que o planeta é semelhante à Terra.

Embora Vénus tenha hoje condições difíceis à existência de vida, durante a sua existência nem sempre foi assim. Desta forma, poderá ter tido vida. Mas que tipo de vida?

As condições que oferece hoje Vénus

Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar em ordem de distância do Sol, orbitando-o a cada 224,7 dias. Recebeu o seu nome em homenagem à deusa romana do amor e da beleza Vénus, equivalente à Afrodite. Assim, depois da Lua, este é o objecto mais brilhante do céu nocturno. Atingindo uma magnitude aparente de -4,6, o suficiente para produzir sombras.

A distância média da Terra a Vénus é de 0,28 AU, sendo assim a menor distância entre quaisquer dois planetas.

Por várias vezes este planeta foi apontado como o “planeta irmão” da Terra. Além do tamanho, da massa, Vénus tem também uma composição semelhantes ao do nosso planeta. Contudo, a sua pressão atmosférica é 92 vezes maior do que a da Terra. Por outras palavras, aproximadamente a pressão encontrada a 900 metros baixo da superfície do oceano.

Além disso, este é o planeta mais quente do Sistema Solar. Assim apresenta uma temperatura média de 500 °C, embora Mercúrio esteja mais próximo do Sol.

Vénus poderá albergar vida?

O físico apresentador do programa da BBC “The Planets”, afirma que:

As temperaturas da superfície em Vénus são mais quentes do que as de Mercúrio. No entanto, em alguns milhões de anos após formação, a superfície do planeta arrefeceu e o planeta encontrava-se a uma distância certa do Sol jovem para que Vénus experimentasse uma vista familiar como temos na Terra.

Segundo as suas investigações “os céus abriram-se e grandes correntes inundaram a superfície. Rios de água correram e Vénus passou a ser um mundo oceânico”. A par destes acontecimento, acrescentou o investigador, “a atmosfera do planeta permitiu que ele fosse sustentado pelos oceanos como um cobertor, mantendo a temperatura da superfície graças ao efeito estufa”.

O Sol envelheceu e tirou vitalidade a Vénus

De forma que já se conhece, à medida que o Sol envelhece, a estrela queima muito mais e torna-se mais quente. Esse impacto está a mudar não só a Terra como todos os astros ao seu redor. Assim, este comportamento, como refere o físico, significa que no passado, quando o Sol era mais jovem, deveria ter sido mais frio e isso teve um grande impacto nos planetas. Dessa forma, Vénus era mais fresco e mais húmido, propriedades certas para sustentar a vida.

Na época em que a vida estava prestes a começar na Terra, há três e meio a quatro mil milhões de anos, o Sol estava mais fraco e isso significa que Vénus estava mais fresco. Na verdade, as temperaturas em Vénus naquela época teriam sido como um agradável dia de primavera aqui na Terra.


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Imagem: NASA
Fonte: Express

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2070: Vénus pode ter tido um passado habitável (mas um oceano asfixiou-o)

NASA

Uma equipa de cientistas acredita que Vénus foi, no passado, um mundo com condições para alojar vida. De acordo com os cientistas, terá sido um oceano que, paradoxalmente, ditou o fim da sua habitabilidade.

Em comunicado, a Universidade de Bangor, no País de Gales, observa que, apesar de Vénus ser hoje um lugar muito inóspito, com temperaturas superficiais quentes o suficiente para derreter chumbo, o seu passado pode ter sido muito diferente.

Segundo a equipa, que sustenta a argumentação em testes geológicos e em modelos computorizados, Vénus pode ter sido mais frio há mil milhões de anos e ter tido até um oceano, havendo por isso algumas semelhanças com a Terra.

Contudo, não é só a temperatura e a atmosfera altamente corrosiva que distanciam o Vénus de hoje do planeta Terra. O segundo planeta do Sistema Solar gira muito lentamente, levando 243 dias terrestres para completar um dia venusiano. No passado, este movimento pode também ter sido mais rápido, escrevem os cientistas, o que teria ajudado a tornar o planeta mais habitável.

As marés actuam para retardar a velocidade de rotação dos planetas devido ao atrito entre as correntes de maré e o fundo do mar. Hoje em dia, na Terra, esta “travagem” muda a duração de um dia em cerca de 20 segundos a cada um milhão de anos.

O novo estudo levado a cabo pelo cientista Mattias Green da Escola de Ciências Oceânicas da Universidade de Bangor e por uma equipa da NASA e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, quantificaram este efeito de frenagem no Vénus do passado.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters, revelou que as marés de um oceano venusiano terão sido grandes o suficiente para diminuir a velocidade de rotação de Vénus em dezenas de dias terrestres num milhão de anos.

Este resultado sugere que o “travão” imposto pela maré pode ter atrasado Vénus até ao seu estado de rotação actual em 10 a 50 milhões de anos e, consequentemente, tenha evitado que Vénus fosse habitável por um curto espaço de tempo.

“O nosso trabalho mostra como é que as marés podem ser importantes para remodelar a rotação de um planeta, mesmo que esse oceano só exista por cerca de 100 milhões de anos, e como é que as marés são importantes para tornar um planeta habitável”, apontou o Mattias Green, citado na mesma nota de imprensa.

ZAP //

Por ZAP
29 Maio, 2019


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1475: Há uma misteriosa espiral na atmosfera de Vénus

(CC0) GooKingSword / Pixabay

A nave espacial não tripulada japonesa Akatsuki encontrou gigantescas estruturas espirais na atmosfera de Vénus, formadas por ventos polares e pela rápida rotação do planeta.

A atmosfera de Vénus ganha atenção de astrónomos há quase 60 anos, desde estudos de sondas soviéticas e americanas. Investigadores descobriram que a capa protectora de Vénus é completamente diferente da do nosso planeta.

Por exemplo, a atmosfera de Vénus é extremamente densa e a pressão na sua superfície é quase cem vezes maior do que na Terra. A alta densidade faz com que o dióxido de carbono, que corresponde a uns 95% da massa do ar de Vénus, se comporte como um fluído exótico, e também ocasiona uma série de efeitos incomuns.

Em particular, a atmosfera deste planeta gira 60 vezes mais rápido do que o próprio planeta, provocando ventos poderosos de 500 quilómetros por hora. Além disso, o dia em Vénus é mais longo do que um ano no planeta – 240 e 224 dias terrestres, respectivamente.

Propriedades atípicas da camada de ar de Vénus dão origem a misteriosas estruturas gigantes, indecifráveis até então por investigadores. A letra gigante Y, que foi descoberta no início dos anos 60, e uma onda vertical de dez mil quilómetros de comprimento são alguns detalhes de Vénus que até agora não foram decifrados.

Hiroki Kashimura, da Universidade de Kobe, e outros membros do grupo científico Akatsuki descobriram outra estrutura muito estranha através de imagens das camadas inferiores das nuvens de Vénus, que foram fotografadas com câmaras de infravermelhos. As imagens foram publicadas na revista Nature este mês.

Estrutura espiral na atmosfera de Vénus, descoberta pela nave Akatsuki

Os cientistas não estavam muito interessados nas nuvens de ácido sulfúrico e, sim, na localização, na densidade e noutras características que mostram a direcção e velocidade dos ventos na atmosfera de Vénus.

Tais observações deveriam ajudá-los a descobrir o que acontece por trás das nuvens e a entender que processos climáticos estão a ocorrer na atmosfera do planeta misterioso.

Em vez disso, depararam-se com outro enigma. Combinando as imagens dos últimos três anos, astrónomos japoneses descobriram que as regiões circumpolares e temperadas da atmosfera de Vénus possuem espirais gigantes, formadas por correntes rápidas de ar. O comprimento de cada “cauda” da espiral é de cerca de dez mil quilómetros, já o diâmetro delas corresponde a centenas de milhares de quilómetros.

Para entender melhor, a equipa pediu ajuda a colegas para a criação de modelos climáticos de Vénus baseados nos dados recebidos da Akatsuki e de outras naves. Os cálculos já tinham indicado a existência de espirais na atmosfera de Vénus, mas não houve oportunidade de comprovação até agora.

Com os cálculos, os astrónomos entenderam como surgem as misteriosas espirais. Constatou-se que são geradas por dois fenómenos conhecidos por terráqueos: ventos polares de alta altitude, que coordenam o clima no nosso planeta, e a força inercial de Coriolis gerada pela rotação da Terra.

Curiosamente, os cálculos demonstram que as espirais deveriam existir na atmosfera de Vénus constantemente, mas na realidade não é assim: apareceram e desapareceram periodicamente e a causa ainda é desconhecida.

ZAP // Sputnik

Por SN
14 Janeiro, 2019

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1369: A Terra pode tornar-se num novo planeta Vénus (e a culpa é das alterações climáticas)

AOES Medialab / ESA
Conceito artístico da superfície de Vénus

Se as alterações climáticas causadas pela humanidade continuarem sem controlo, as consequências podem ser irreversíveis e podem transformar as condições no nosso planeta nas mesmas de Vénus.

No passado, o planeta Vénus já esteve coberto de água e terá sido habitável. Mas o planeta passou por uma mudança climática catastrófica: a atmosfera começou a reter demasiado calor e o surgimento de um grande número de buracos de ozono destruiu o segundo planeta do Sistema Solar, onde a temperatura actual atinge mais de 471ºC.

Estudos no planeta vizinho levaram os cientistas a procurar buracos de ozono no nosso planeta, segundo Ellen Stofan, directora do Museu do Ar e do Espaço do Instituto Smithsonian e ex-investigadora da NASA, que enfatiza que Vénus é um espelho que pode reflectir o futuro da Terra.

De acordo com o cientista planetário e astro-biólogo do Instituto de Ciência Planetária, David Grinspoon, apesar da sua aparência moderna horripilante, Vénus é muito semelhante à Terra – sendo até chamado a “gémea malvada” do Planeta Azul.

“Vénus é um laboratório para entender a física do clima e as mudanças climáticas de um planeta parecido com a Terra. É impossível aprender tudo o que se precisa saber sobre a mudança climática na Terra ao estudar apenas a Terra”, disse ao portal Space.

Daqui a algum tempo, à medida que o Sol começa a envelhecer, o nosso planeta percorrerá o mesmo caminho que Vénus, com a evaporação do oceanos num mundo descontrolado devido ao efeito estufa.

“Acho que Vénus é um aviso importante: o efeito estufa não é apenas uma teoria”, concluiu Stofan.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
4 Dezembro, 2018

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1159: NASA quer humanos em Vénus a viver nas nuvens

Don P. Mitchell, Paolo C. Fienga / Lunar Explorer Italia / IPF / Soviet Space Agency
Aspecto da superfície e do céu de Vénus tal como captados pela sonda Venera 13

Apesar de ser um planeta de temperaturas infernais, de atmosfera tóxica e pressões esmagadoras à superfície, a NASA está a trabalhar numa missão tripulada para Vénus – a High Altitude Venus Operational Concept (HAVOC).

A NASA pretende levar o Homem a Vénus, porém há uma série de obstáculos que precisam de ser ultrapassados para que a missão HAVOC seja bem sucedida.

As temperaturas em Vénus chegam a atingir os 460ºC, sendo mais quente do que Mercúrio, mesmo estando Mercúrio mais perto do Sol – a temperatura de um planeta não depende só da proximidade do Sol, mas também da superfície e da atmosfera.

As temperaturas registadas em Vénus chegam a ser mais altas do que o ponto de fusão de alguns metais, incluindo o bismuto e o chumbo, que chegam a cair como neve em alguns pontos deste planeta.

A atmosfera de Vénus é composta por 97% de dióxido de carbono, 3% de nitrogénio e ainda conta com alguns vestígios de outros gases.

Quanto à superfície, Vénus não passa de uma paisagem rochosa estéril composto por vastas planícies de rocha basáltica de características vulcânicas.

O planeta, geologicamente jovem, também passou por recentes eventos catastróficos causados pela acumulação de calor por debaixo da superfície que leva a que esta derreta, liberte calor e volte a solidificar.

Feita a descrição deste curioso planeta que ainda surpreende astrónomos, a questão é saber como é que a NASA pretende conduzir uma missão tripulada a este planeta infernal.

A missão

Como a superfície de Vénus é caótica, a ideia da NASA não inclui qualquer aterragem na superfície e utilizará a atmosfera densa como base para a exploração – o plano é utilizar aeronaves que possam permanecer suspensas na atmosfera superior por longos períodos de tempo.

Surpreendentemente, a atmosfera superior de Vénus é o local mais semelhante à Terra no Sistema Solar – entre os 50km e os 60km de altura, a pressão e a temperatura de Vénus podem ser comparadas a regiões da baixa atmosfera da Terra. A pressão atmosférica de Vénus a 55km de altura é cerca de metade da pressão ao nível do mar na Terra.

Esta pressão, sentida a essa altura, não obriga os seres humanos a utilizar qualquer equipamento de pressurização pois é aproximadamente equivalente à pressão sentida no topo do Monte Quilimanjaro.

Quanto à temperatura a esta altura, os astrónomos afirmam que esta situa-se entre os 20ºC e os 30ºC, um valor muito aceitável para os seres humanos.

Curiosamente, a atmosfera acima destas altitudes (50km-60km), é densa o suficiente para proteger qualquer astronauta da radiação ionizante do espaço.

A proximidade do planeta ao Sol fornece ainda uma maior taxa de radiação solar do que na Terra (cerca de 1,4 vezes superior) o que poderá ser utilizado para produzir energia.

A aeronave

Segundo o conceito da NASA, o dirigível flutuaria à volta do planeta, soprado pelo vento, e poderia ser enchido com uma mistura de gás respirável como oxigénio e nitrogénio que proporcionaria flutuabilidade necessária – o ar respirável é menos denso do que a atmosfera de Vénus e, como resultado, o dirigível conseguiria flutuar.

A ter em conta nesta ideia da NASA está também o material do dirigível que necessita de ser resistente ao efeito corrosivo do ácido existente na atmosfera.

A atmosfera de Vénus é conhecida por conter ácido sulfúrico que cria umas nuvens densas que são um dos principais contribuintes para o brilho visível do planeta quando visto da Terra. Actualmente já existem no mercado vários materiais comerciais com uma alta resistência à acidez como é o caso do teflon.

Contudo, a missão é ainda um plano de longo prazo e a NASA ainda não anunciou publicamente qualquer data para o HAVOC que contará, primeiro, com pequenas missões de teste. Apesar de ser o nosso vizinho planetário mais próximo, pouco se sabe sobre este planeta ao que tudo indica inóspito.

A missão poderá revelar mais dados sobre o planeta e ajudar ainda a entender a evolução do Sistema Solar e talvez até mesmo de outros sistemas.

Por ZAP
18 Outubro, 2018

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515: Cientistas da NASA prevêem um “destino infernal” para a Terra

(CC0/PD) photoshopper24 / pixabay

A Terra pode transformar-se num planeta com uma superfície tão quente que tornará a vida impossível. Uma conclusão de um estudo que teve a participação de uma cientista da NASA e que apresenta Vénus, o planeta menos habitável do Sistema Solar, como exemplo do que pode acontecer à Terra.

A investigadora Giada Arney da NASA e o professor Stephen Kane, da Universidade da Califórnia, estudaram como Vénus se transformou no planeta menos habitável do Sistema Solar, com uma temperatura de superfície que atinge os 460 graus centígrados.

Os cientistas notam que Vénus já terá sido outrora um planeta habitável, com condições semelhantes às da Terra, mas que se foi tornando impossível para a vida à medida que o Sol foi ficando mais luminoso. Um cenário que pode vir a ocorrer na Terra, alertam na investigação agora publicada.

O estudo refere-se à teoria do químico sueco Svanthe Arrhenius, vencedor do Prémio Nobel da Química de 1903, que defende que Vénus já teve rios, lagos e pântanos, bem como uma vegetação abundante. Mas com o aumento do brilho do Sol, o planeta deixou de ter um clima temperado e aqueles sinais de vida transformaram-se em carbono que serviu de “alimento” ao efeito de estufa, tornando o planeta inabitável.

Arrhenius já previa que a Terra pode sofrer um processo semelhante daqui a milhões de anos, e Arney e Kane acreditam também que o aumento crescente da luminosidade do Sol pode tornar a vida impossível no nosso planeta.

Estes dados levam os investigadores a reforçar a importância de estudar Vénus, até porque é o planeta que mais se parece com a Terra, tanto em termos de tamanho como de massa, de volume e de composição.

“Vénus ensina-nos que a habitabilidade não é um estado estático em que os planetas permanecem ao longo das suas vidas”, frisam os investigadores no estudo. E entender “a habitabilidade como um processo planetário depende crucialmente de perceber o que aconteceu à suposta água perdida de Vénus“, concluem.

ZAP //

Por ZAP
5 Maio, 2018

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117: Vénus e Júpiter alinharam-se no céu e as redes sociais acordaram para ver

 

 

Júpiter está em conjunção com Vénus em 13 de Novembro, informa o Observatório Astronómico de Lisboa. O que significa exactamente esta frase? Que os dois planetas estão alinhados no céu, ainda que fossem visíveis sobretudo nos países com latitudes mais a norte, nomeadamente o Reino Unido e algumas partes dos EUA.

© Twitter/Lisa Chami Uma das imagens partilhadas no Twitter

Segundo os astrónomos citados pela BBC, os dois planetas estiveram tão perto que quase pareciam tocar-se, fundindo-se numa espécie de estrela brilhante que, no entanto, poderia ser apreciada em toda a sua grandiosidade antes do nascer do sol.

O alinhamento de Vénus e Júpiter não é raro: aconteceu em 2015 e 2016 antes de se repetir este ano, mas é mais incomum que os planetas se aproximem tanto, como aconteceu esta segunda-feira. Amanhã, terça-feira, os dois planetas alinhados ainda serão visíveis, mas não tão perto como hoje.

Ainda este mês, os interessados vão poder observar outro alinhamento de planetas: desta vez, informa a NASA, serão Saturno e Mercúrio a encontrar-se no horizonte ao anoitecer, nos dias 24 e 28 de Novembro.

MSN notícias
13/11/2017

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33: Astrónomos encontram surpresa escondida na “noite” de Vénus

Vénus não é de todo o lugar mais convidativo para “se visitar” no Sistema Solar. O seu calor abrasador e a sua atmosfera corrosiva, fazem deste planeta um inferno tóxico. Se lá for, certifique-se que volta antes de anoitecer.

Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar em ordem de distância a partir do Sol, orbitando-o a cada 224,7 dias. Sabe-se muitas coisas deste planeta, contudo os astrónomos acabaram de encontrar uma surpresa escondida no seu misterioso lado nocturno.

Feita uma nova e mais pormenorizada análise ao misterioso lado nocturno de Vénus – a metade escura imperceptível que se afasta do Sol – revelou, com surpresa, que a atmosfera do planeta e as intensas ventanias são ainda mais caóticas quando o planeta está escondido nas sombras.

Esta é a primeira vez que conseguimos avaliar como a atmosfera circula no lado nocturno de Vénus numa escala global. Embora a circulação atmosférica no dia do planeta tenha sido amplamente explorada, ainda havia muito a descobrir sobre o seu lado nocturno.

Referiu o astrofísico Javier Peralta, da Japan Aerospace Exploration Agency (JAXA).

Noites que duram 243 dias terrestres

Este misterioso momento da noite foi ainda mais intrigante devido à sua considerável extensão. Isto porque Vénus gira apenas uma vez a cada 243 dias terrestres – um período de rotação mais lento que qualquer planeta no nosso Sistema Solar – e há muitas informações que desconhecemos sobre o que acontece com o clima quando o Sol se põe, uma espécie de noite que dura um longo tempo.

Para descobrir o mistério, a equipa de Peralta olhou para a escuridão venusiana recorrendo a um Espectrómetro de Imagem Térmica Visível e Infravermelho (VIRTIS), instalado na nave espacial Vénus Express, da ESA, que orbitou o planeta entre 2006 e 2014.

A atmosfera de Vénus é dominada por fortes ventos que se arrastam ao seu redor, até 60 vezes mais rápidos do que a rotação do próprio planeta. Esse fenómeno é chamado de “super rotação”, que os cientistas observaram ao monitorizar o movimento de nuvens brilhantes flutuando acima do planeta.

Passamos décadas a estudar esses ventos super rotativos ao acompanhar como as nuvens superiores se movem durante o dia – estas são claramente visíveis nas imagens adquiridas via luz ultravioleta. No entanto, os nossos modelos de Vénus permanecem incapazes de reproduzir esta super rotação, o que indica claramente que talvez faltem algumas peças deste quebra-cabeça referiu Peralta.

VIRTIS trouxe imagens nunca vistas de Vénus

As emissões térmicas haviam sugerido, anteriormente, o movimento das nuvens mais altas na atmosfera de Vénus. Quanto ao que ocorria debaixo do dossel da nuvem, os cientistas não tinham conhecimento. Foi então, graças à Vénus Express, que agora há uma imagem mais clara.

O VIRTIS permitiu-nos observar essas nuvens com clareza pela primeira vez, permitindo-nos explorar o que as equipas anteriores não poderiam. Com isso, descobrimos resultados inesperados e surpreendentes.

Disse o astrónomo responsável por estas novas análises ao planeta.

Os modelos existentes da atmosfera previram que a super rotação ocorreu, em grande parte, da mesma forma nos lados do dia e da noite do planeta, mas a nova perspectiva infravermelha mostra que os ventos venusianos giratórios são realmente mais irregulares e caóticos quando o planeta se esconde do Sol.

A pesquisa da equipa mostra que o lado da noite produz nuvens volumosas, onduladas e irregulares em padrões de filamentos que não são observados no lado soalheiro. A equipa acredita que um fenómeno chamado de ondas estacionárias seja o responsável pelo efeito.

As ondas estacionárias são provavelmente o que chamaríamos de ondas de gravidade, ou seja, variações crescentes geradas em regiões mais baixas na atmosfera de Vénus, que parecem não se mover junto à rotação do planeta.

Disse um dos investigadores, Agustin Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, na Espanha.

Essas ondas estão concentradas em áreas íngremes e montanhosas do planeta, o que sugere que a sua topografia está a afectar o que se desenrola bem acima nas nuvens.

Um inferno tóxico

Na verdade, não é a primeira vez que essas ondas gravitacionais foram observadas em Vénus, mas os novos dados sugerem que o fenómeno não se restringe exclusivamente às regiões elevadas do planeta, como as suas montanhas. No estudo, a VIRTIS observou áreas no hemisfério sul de Vénus, que geralmente é baixo em elevação. A equipa diz que as ondas de gravidade ainda influenciam os movimentos atmosféricos. Estranhamente, contudo, não houve evidência dessas movimentações nos níveis mais baixos da nuvem, a até 50 quilómetros acima da superfície.

Quanto ao motivo, a equipa continua sem certezas. Parece que, enquanto conquistamos melhores olhares das sombras, Vénus definitivamente ainda não desistiu de manter guardados todos os seus segredos.

Nós esperávamos encontrar essas ondas nos níveis mais baixos porque as vemos nas regiões superiores e pensamos que elas surgiram a partir da nuvem da superfície. É um resultado inesperado, com certeza, e todos precisamos rever os nossos modelos de Vénus para explorar o seu significado.

Concluiu um dos integrantes da equipa, Ricardo Hueso, da Universidade do País Basco, na Espanha.

As descobertas foram relatadas na Nature Astronomy.

Via

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Vitor M
23/09/2017

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