736: A velocidade da Terra vai diminuir esta sexta-feira

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

Esta sexta-feira, dia 6 de Julho, a Terra estará mais distante do Sol do que em qualquer outro dia do ano de 2018. O planeta vai atingir o seu afélio, palavra de origem grega que significa “longe do Sol”, diminuindo a velocidade da sua órbita em mais de sete mil quilómetros por hora.

“O afélio é o ponto da órbita à volta do Sol em que a Terra fica mais longe do astro e o periélio – que significa “perto do Sol” – é justamente o oposto, o ponto da órbita em que a Terra fica mais próxima ao astro”, disse Nayra Rodríguez Eugenio, astrofísica e professora do Instituto de Astrofísica das Canarias, em Tenerife, na Espanha, em declarações à BBC.

“No periélio, o Sol está a aproximadamente 147 milhões de quilómetros da Terra já no afélio, encontra-se a uns 152 milhões de quilómetros do Sol.” A distância varia porque a órbita da Terra à volta do Sol não é uma circunferência perfeita, o nosso planeta descreve uma trajectória elíptica.

O afélio ocorre todos os anos entre os dias 2 e 7 de Julho. O periélio registou-se a 3 de Janeiro. A Terra alcançará a sua maior distância do Sol, esta sexta-feira, às 17h46, no horário de Greenwich, quando o planeta e seu astro estarão a 152.095.566 de quilómetros distanciados um do outro. Uma maior distância traduz-se numa velocidade de órbita menor.

Tal como foi assinalado por uma das leis de Kepler – astrónomo e matemático alemão do século XVII que estudou os movimentos planetários -, quando os planetas estão perto do Sol, movem-se mais rápido do que quando se encontram mais distantes.

A velocidade orbital de translação será de 103.536 quilómetros por hora, mais de 7.000 quilómetros a menos por hora do que a velocidade no periélio.

As estações do ano

As alterações na velocidade da Terra na sua órbita em torno do Sol não são relacionadas com as variações de temperatura e clima das estações do ano. “As estações acontecem pela inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da órbita que faz à volta do Sol, que chamamos de ‘eclíptica’”, disse Rodríguez Eugenio.

“Esse eixo está inclinado a uns 23,5 graus, por isso, quando estamos no verão do Hemisfério Norte, o eixo norte, ou Polo Norte da Terra, está apontado mais em direcção ao Sol. Já no inverno, o nosso Polo Norte está apontado na direcção oposta – não exactamente oposto, cerca de 23,5 graus, mas está apontado na direcção oposta ao Sol.”

O verão do Hemisfério Norte coincide com o afélio, “mas recebemos mais radiação solar aqui no Hemisfério Norte porque o Sol está mais alto sobre o horizonte e temos mais horas de luz solar”, explicou a astrofísica.

No Hemisfério Sul, por outro lado, o verão coincide com o periélio. “Isso poderia fazer-nos pensar que no Hemisfério Sul a temperatura sobe mais do que no Norte no verão. Porque, além da inclinação, a Terra também está mais perto do Sol“, disse Rodríguez Eugenio. Mas, na verdade, isto não é o que acontece.

De acordo com Rodríguez Eugenio, o que acontece é que no Hemisfério Sul “há maior quantidade de água, o que faz com que a temperatura não aumente tanto”.

“O fenómeno parece dever-se ao fato da Terra aquecer mais facilmente do que a água e, como o Hemisfério Sul tem uma proporção maior do seu território coberta por água, o excesso de energia é absorvido por ela.”

Concluindo: no Verão – quer seja no Hemisfério Sul, quer seja no Hemisfério Norte, – a temperatura é “aproximadamente a mesma”, disse a astrofísica.

ZAP // BBC

Por ZAP
6 Julho, 2018

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=6027eb49_1530869202093]