448: Sem querer, criamos uma bolha protectora à volta da Terra

(cv) NASA Goddard / Youtube

A NASA detectou uma “bolha” maciça, criada pelos seres humanos, no espaço ao redor da Terra. Essa barreira tem um efeito no clima espacial que vai muito além da atmosfera do nosso planeta. Isso significa que não estamos apenas a mudar a Terra, mas o espaço também.

Os cientistas acreditam que uma nova era geológica, provocada pela humanidade, deveria ser nomeada. A pesquisa foi publicada em 2017 na revista Science Space Reviews, mas só agora os cientistas confirmaram que se trata de uma barreira humana.

A boa notícia é que, ao contrário da nossa influência no próprio planeta, essa bolha que criamos no espaço é benéfica para nós.

Em 2012, a NASA lançou duas sondas espaciais para observar os cinturões de Van Allen. O nosso planeta é cercado por dois desses cinturões de radiação (e um terceiro temporário): o interno estende-se por 640 a 9.600 quilómetros acima da superfície da Terra, enquanto o externo está a uma altitude de aproximadamente 13.500 a 58.000 quilómetros.

No ano passado, as sondas detectaram algo estranho enquanto monitorizavam a actividade das partículas carregadas presas no campo magnético da Terra: essas descargas solares perigosas estavam a ser mantidas à distância por algum tipo de barreira de baixa frequência.

Quando os cientistas investigaram mais a fundo, descobriram que essa barreira estava a afastar activamente os cinturões de Van Allen da Terra nas últimas décadas, e que as correntes de radiação estavam realmente mais distantes de nós do que nos anos 1960.

A barreira era formada por um certo tipo de comunicação de rádio de frequência ultra-baixa (VLF). Esse sinal tornou-se muito mais comum agora do que nos anos 1960, e pode influenciar como e onde certas partículas no espaço se movem.

Por outras palavras, graças ao VLF, temos agora um clima espacial antropogénico, ou seja, criado pelo homem.

“Várias experiências e observações descobriram que, sob as condições certas, os sinais de comunicação de rádio na faixa VLF podem de facto afectar as propriedades do ambiente de radiação de alta energia ao redor da Terra”, disse Phil Erickson, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA.

Os sinais de VLF não têm grande papel na nossa vida quotidiana, mas são um dos pilares de muitas operações científicas, militares e de engenharia.

Frequências entre 3 e 30 quilohertz são demasiado fracas para transmissões de áudio, mas são perfeitas para transmitir mensagens codificadas através de longas distâncias ou águas profundas.

Um dos usos mais comuns desses sinais é para comunicação em submarinos, por exemplo. Como os seus grandes comprimentos de onda podem se difundir através de grandes obstáculos, como montanhas, também são usados para fazer transmissões em terrenos acidentados.

Tais sinais não são supostos a ir a qualquer lugar que não a Terra, mas estão a “fugir” para o espaço ao redor do nosso planeta – e em quantidade suficiente para formar uma gigantesca bolha protectora.

Quando os cientistas da NASA compararam a localização da bolha de VLF aos limites dos cinturões de radiação, inicialmente pensaram que era apenas uma coincidência interessante o facto de a extensão externa da bolha corresponder quase exactamente à borda interna dos cinturões.

Uma vez que perceberam que os sinais de VLF podiam influenciar o movimento das partículas carregadas dentro desses cinturões de radiação, concluíram que essa barreira feita sem querer pelo homem estava progressivamente a empurrá-los para longe.

Embora a bolha protectora não intencional seja provavelmente a melhor influência que já fizemos no espaço, certamente não é a única – temos deixado a nossa marca lá fora desde o século XIX e particularmente nos últimos 50 anos, graças aos testes com explosões nucleares.

Essas explosões criaram cinturões de radiação artificiais perto da Terra que já resultaram em grandes danos a vários satélites. Outros impactos antropogénicos no ambiente espacial incluem experiências químicas e aquecimento da ionosfera por ondas de alta frequência.

ZAP // HypeScience / Science Alert

Por ZAP
8 Abril, 2018

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