1620: Sonda japonesa vai aterrar esta quinta-feira num asteróide para recolher amostras

NASA / Goddard / University of Arizona

A sonda japonesa Hayabusa-2 deverá aterrar no asteróide Ryugu na sexta-feira (quinta-feira em Lisboa) para recolher amostras do corpo rochoso, estima a agência espacial japonesa Jaxa.

A aterragem está prevista para as 08h15 de sexta-feira em Tóquio (23h15 de quinta-feira em Lisboa).

Depois de tocar o solo do asteróide, a sonda irá disparar um projéctil sobre o corpo rochoso. Ao todo, serão feitas três tentativas de aterragem breve para recolher amostras do solo na expectativa de se obter pistas sobre as origens do Sistema Solar e da vida na Terra.

Se a missão da Hayabusa-2 for bem-sucedida, a nova sonda espacial japonesa será a primeira do mundo a regressar à Terra, em 2020, com amostras de um asteróide.

A aterragem da sonda no asteróide esteve prevista para Outubro, mas foi descoberto que a superfície de Ryugu estava coberta por pedra, mais do que era suposto ter. Para haver a certeza de que o sistema de recolha de amostras do asteróide irá funcionar nestas condições, a equipa científica da missão fez testes prévios na Terra.

Lançada para o espaço em Dezembro de 2014, a Hayabusa-2 é a sucessora da sonda Hayabusa, cuja missão terminou em 2010 sem recolher amostras do asteróide Itokawa. Em Setembro e Outubro de 2018, a sonda Hayabusa-2 largou sobre o asteróide Ryugu três pequenos robôs que obtiveram imagens e dados sobre a sua superfície.

Em 2016, a agência espacial norte-americana NASA lançou a sonda OSIRIS-REx, que chegou em Dezembro passado perto do asteróide Bennu, do qual pretende recolher amostras e enviá-las para a Terra, em 2023, sem aterrar o aparelho na superfície do corpo rochoso, rico em carbono, elemento básico da vida tal como se conhece.

ZAP // Lusa

Por Lusa
21 Fevereiro, 2019

 

1619: NASA descobre “girinos” no Sol que podem desvendar antigo enigma da astrofísica

Um estudo recente da NASA sobre um dos fenómenos mais notáveis do nosso sistema planetário pode desvendar um mistério antigo da astrofísica. O enigma reside na camada mais externa do Sol, a coroa, que atinge temperaturas de um milhão de graus Celsius, quase 200 vezes mais do que a superfície do Sol.

Os cientistas, que há mais de um século tentam perceber por que motivo a camada externa do Sol é mais quente do que a sua superfície, estão agora mais perto de resolver o enigma graças aos chamados “girinos” que foram encontrados em regiões com um campo magnético mais intenso da superfície solar.

​O espectrógrafo de imagens infravermelhas da NASA permitiu detectar uma espécie de jactos alongados de plasma quente semelhantes a girinos, que saem das manchas solares – regiões da superfície solar relativamente frias e magneticamente activas – elevando-se a cerca de 4.800 quilómetros até a coroa interior.

Segundo uma simulação computacional levada a cabo pela equipa, estes jactos poderiam levar energia e plasma suficiente para aquecer a camada solar externa.

Até à descoberta deste “girinos” — formalmente apelidados pseudo-choques — apenas duas teorias sobre as possíveis razões para o aquecimento da coroa foram consideradas.

A primeira hipótese sustenta que o calor da atmosfera externa solar é injectado por inúmeras pequenas explosões que libertam ondas de partículas carregadas e quentes. Já a segunda alicerça-se na ideia de que a energia se transporta até ali através de ondas electromagnéticas que poderiam empurrar partículas carregadas até à atmosfera, tal como uma onda do oceano empurra o surfista.

Agora, os especialistas esperam conseguir obter algumas pistas complementares da sonda espacial Parker Solar Probe, lançada em Agosto passado, para estudar como é que a energia e o calor se deslocam através da coroa solar.

“[Estas informações] poderiam fornecer uma imagem abrangente do aquecimento coronal”, afirmou Aleida Higginson, investigadora do laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, na cidade de Laurel, nos Estados Unidos.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1618: Astrónomos determinam de onde vêm os meteoritos que caem com mais frequência na Terra

josemiguelmartinez / Flickr

Um estudo conduzido pelo astrónomo Peter Jenniskens, identificou a fonte dos meteoritos mais comuns, conhecidos como condritos L.

É possível classificar os meteoritos em várias categorias pela textura e composições química e mineralógica, sendo os condritos os mais comuns de todos eles, representando 82% dos meteoritos.

Através do estudo, publicado na revista Meteoritics & Planetary Science, os cientistas conseguiram determinar que este tipo de meteorito vem de pelo menos dois campos de detritos no cinturão de asteróides – região circular do Sistema Solar formada por múltiplos objectos irregulares denominados asteróides – , originários de planetas outrora anões que colidiram há muito tempo. A colisão constante desses fragmentos produzem os meteoritos que caem na Terra.

Meteoritos que caíram em 2012 na cidade norte-americana de Novato, no estado da Califórnia, e em 2015 perto da cidade de Creston, também situada no mesmo estado, foram comparados e identificados como condritos L.

A princípio, os 33 investigadores envolvidos no estudo acharam que os meteoritos poderiam ter vindo do mesmo campo de detritos, mas foi determinado que o meteorito de Novato demorou três anos a contornar o Sol, enquanto o outro demorou um ano e meio para fazer o mesmo movimento.

Isso sugere que o primeiro meteorito caído foi enviado por uma ressonância mais distante do Sol e mais profunda no cinturão de asteróides.

Durante a grande colisão há 470 milhões de anos, o meteorito de Novato perdeu a maior parte dos seus gases nobres ou inertes, como o argónio, enquanto que o de Creston “não perdeu o argónio dos minerais nos últimos 4,3 mil milhões de anos”, afirmou o geoquímico Matthias Meier.

“Isso provavelmente significa que o asteróide do qual o meteorito de Creston se originou não sofreu a colisão que afectou o de Novato há 470 milhões de anos”, acrescentou Meier.

Embora estes meteoritos provenham de diferentes colisões em diferentes partes do cinturão de asteróides, têm muito em comum e parecem estar relacionados entre si, sugerem os autores do estudo.

Por exemplo, ter-se-iam tornado matéria sólida no mesmo corpo paternal, que poderia ter sido quebrado e as suas partes poderiam acabar em lugares diferentes no cinturão de asteróides.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1617: A mais pequena lua de Neptuno pode ter nascido da sua segunda maior lua

NASA

A lua mais pequena de Neptuno, a Hipocampo, parece ser um fragmento da segunda maior lua do planeta, a Proteu, sugerem astrónomos num estudo esta quinta-feira divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrónomos chegaram a esta conclusão a partir de observações com o telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, e de dados mais antigos da sonda Voyager 2, que se aproximou de Neptuno em 1989.

Segundo o estudo, citado hoje em comunicado, a lua Hipocampo terá resultado da fragmentação da lua Proteu quando foi atingida por um cometa há mil milhões de anos, formando uma cratera na sua superfície.

“Em 1989, pensávamos que a cratera era o fim da história. Com o Hubble, sabemos agora que um pequeno pedaço de Proteu ficou para trás e que é Hipocampo”, afirmou, citado no comunicado da ESA/Hubble, o coordenador da equipa de astrónomos, Mark Showalter, do Instituto norte-americano SETI, que foi fundado pelo cosmólogo e divulgador de ciência Carl Sagan (1934-1996).

A lua Hipocampo, que terá cerca de 34 quilómetros de diâmetro, foi descoberta em 2013 e a sua órbita está muito próxima da de Proteu, lua que, de acordo com os astrónomos, teve origem num cataclismo envolvendo os satélites naturais de Neptuno, um dos ‘gigantes’ gasosos e o último planeta do Sistema Solar.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do [telescópio] Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflete”, descreveu ao jornal Público Mark Showalter. “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas”, avançou.

SETI Institute
Comparação de tamanho das sete luas internas de Neptuno

Há mil milhões de anos, Neptuno capturou um corpo enorme da cintura de Kuiper, que, defendem os especialistas, corresponde à maior lua do planeta, Tritão.

Os resultados foram esta quinta-feira publicados na revista especializada Nature.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1616: “Rio” com 4000 estrelas flui surpreendentemente perto do Sol

ESO/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin

Uma equipa de cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, acaba de descobriu um “rio de estrelas”, uma corrente estelar que cobre a maior parte do céu do hemisfério Sul.

A corrente é formada por pelo menos de 4000 estrelas que se estão a mover juntas no espaço desde que se formaram, há aproximadamente mil milhões de anos. “[A corrente] é enorme e está surpreendentemente perto do Sol“, disse João Alves, co-autor do estudo.

“A maior parte dos aglomerados de discos galácticos dispersam-se rapidamente após o nascimento, pois não possuem estrelas suficientes para criar um potencial gravitacional profundo, noutras outras palavras, não têm cola suficiente para mantê-los juntos”, explicou Stefan Meingast, o autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astronomy and Astrophysics.

Para a investigação, os cientistas recorreram a dados do satélite ESA Gaia. A partir destas informações, conseguiram estudar o movimento tridimensional das estrelas e imediatamente foram confrontados por um grupo até então desconhecido e não estudado que, surpreendentemente, se movia como uma corrente.

De acordo com os cientistas, foi este surpreendente grupo de estrelas que demonstrou com precisão as características esperadas de um grupo estelar que nasceu junto, sendo depois separado pelo campo gravitacional da Via Láctea.

“Assim que investigamos este grupo específico de estrelas com mais detalhes, soubemos que tínhamos encontrado o que procurávamos: uma estrutura ondulada e contemporânea que se estende por centenas de parsecs ao longo de um terço do céu”, afirmou Verena Fürnkranz, co-autora e aluna de mestrado da Universidade de Viena. “Foi muito emocionante fazer parte de una nova descoberta”, confessou.

Tendo em conta a sua relativa proximidade da Terra, o “rio” recém-descoberto pode ajudar os cientistas a estudar a força da gravidade da Via Láctea, medir a massa da galáxia e ainda ajudar na procura de novos exoplanetas.

ZAP //

Por ZAP
20 Fevereiro, 2019

 

1615: Descoberta super-Terra a apenas oito anos-luz do Sistema Solar

Gabriel Pérez / IAC

Uma equipa internacional de investigadores, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), no Porto, descobriu uma nova super-Terra, a “apenas” oito anos-luz de distância do Sistema Solar. 

Segundo o IA, o estudo, cujos resultados foram esta terça-feira divulgados, permitiu a descoberta da ‘super-Terra G1411b’ na “vizinhança do Sistema Solar”, um exoplaneta (que orbita uma estrela que não é o Sol) com três vezes a massa da Terra e que orbita a estrela Gliese 411(GI411), localizada na constelação da Ursa Maior.

Em comunicado, o IA explica que a equipa de investigadores concentrou-se na observação de exoplanetas que orbitam estrelas anãs vermelhas (cuja massa é inferior a metade da massa do Sol) que “representam 80% das estrelas da nossa galáxia”.

Através do espectrógrafo Sophie, instalado no telescópio do Observatório de Haute-Provence (OHP), em França, os investigadores detectaram o planeta G1411b, que acreditam ser “rochoso” e completar “uma volta em apenas 13 dias terrestres”.

“Apesar de GI411 ser uma anã vermelha, e por isso, menos quente do que o Sol, o G1411b ainda recebe cerca de 3,5 mais radiação do que a Terra recebe do Sol, o que o coloca fora da zona de habitabilidade, sendo provavelmente mais parecido com Vénus”, garante.

De acordo com o investigador do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Olivier Demangeon, citado no comunicado, a descoberta de um planeta de tipo rochoso em torno de uma das estrelas mais próximas da Terra “reforça claramente a ideia de que a maioria das estrelas que vemos no céu tem planetas à volta”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Fevereiro, 2019

 

1613: InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte

O “lander” InSight da NASA colocou a sua sonda de calor, de nome HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), na superfície de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DLR

O “lander” InSight da NASA colocou o seu segundo instrumento na superfície de Marte. Novas imagens confirmam que o HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package) foi implantado com sucesso no dia 12 de Fevereiro a cerca de 1 metro do sismómetro do InSight, que o módulo recentemente cobriu com um escudo protector. O HP3 mede o calor que se move através do subsolo de Marte e pode ajudar os cientistas a descobrir quanta energia é necessária para construir um mundo rochoso.

Equipado com um espigão auto-martelante, o instrumento vai cavar até 5 metros abaixo da superfície, mais do que qualquer missão anterior no Planeta Vermelho. Em comparação, o “lander” Viking 1 da NASA escavou 22 centímetros. O módulo de aterragem Phoenix, primo do InSight, escavou 18 cm.

“Estamos ansiosos por quebrar alguns recordes em Marte,” disse Tilman Spohn, investigador principal do HP3 do Centro Aeroespacial Alemão, que forneceu a sonda térmica para a missão InSight. “Dentro de alguns dias, vamos finalmente começar a escavar usando uma parte do nosso instrumento que chamamos de toupeira.”

O HP3 parece-se um pouco com um macaco hidráulico, mas com um tubo de metal vertical na frente para segurar a toupeira com 40 centímetros de comprimento. Um cabo liga a estrutura de suporte do HP3 ao “lander” enquanto uma corda presa no topo da toupeira possui sensores de calor para medir a temperatura do subsolo de Marte. Entretanto, os sensores de calor na própria toupeira vão medir a condutividade térmica do solo – quão facilmente o calor se move pela sub-superfície.

“A nossa sonda está construída para medir o calor que vem de dentro de Marte,” disse Sue Smrekar, vice-investigadora principal do InSight, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “É por isso que queremos colocá-la no subsolo. As temperaturas mudam à superfície, tanto das estações quanto do ciclo dia-noite, e podem adicionar ‘ruído’ aos nossos dados.”

A toupeira vai parar a cada 50 centímetro para medir a condutividade térmica do solo. Dado que o martelamento cria fricção e liberta calor, a toupeira pode arrefecer durante dois dias. De seguida, é aquecida até mais ou menos 10º C ao longo de 24 horas. Os sensores de temperatura dentro da toupeira medem a rapidez com que isto acontece, o que informa os cientistas da condutividade do solo.

Se a toupeira encontrar uma grande rocha antes de atingir pelo menos 3 metros, a equipa precisará de um ano marciano completo (dois anos terrestres) para filtrar o ruído dos seus dados. Esta é uma razão pela qual a equipa seleccionou cuidadosamente um local de aterragem com poucas pedras e porque passou semanas a escolher onde colocar o instrumento.

“Escolhemos o local de pouso ideal, quase sem rochas à superfície,” disse Troy Hudson, cientista e engenheiro que ajudou a projectar o HP3. “Isto dá-nos razão para acreditar que não há muitas rochas grandes no subsolo. Mas temos que esperar e ver o que vamos encontrar à sub-superfície.”

Independentemente da profundidade que atinja, não há como debater que a toupeira é um feito da engenharia.

“Pesa menos do que um par de sapatos, usa menos energia do que um ‘router’ Wi-Fi e precisa de escavar pelo menos 3 metros noutro planeta,” explicou Hudson. “Foi preciso muito tempo para obter uma versão que pudesse fazer dezenas de milhares de marteladas sem se partir; algumas versões anteriores falharam antes de chegar a 5 metros, mas a versão que enviámos para Marte provou a sua robustez várias vezes.”

Astronomia On-line
19 de Fevereiro de 2019

 

1611: Veja como é possível apanhar lixo espacial com um arpão

Experiência conduzida pela Universidade de Surrey mostra sucesso do satélite RemoveDEBRIS

© Direitos reservados

O satélite RemoveDEBRIS, uma das primeiras tentativas para lidar com a acumulação de detritos espaciais perigosos, conseguiu usar com sucesso o seu sistema em arpão de captura em órbita. A experiência foi filmada para que todos possam ver como funciona este sistema:

O arpão projectado pela Airbus Stevenage tem uma lança de 1,5 metros implantada a partir da nave espacial. Nesta experiência, o arpão foi disparado a uma velocidade de 20 metros/segundo para penetrar no alvo e demonstrar a capacidade do arpão para capturar detritos.

RemoveDEBRIS é uma pequena missão de satélite com o objectivo de testar técnicas de remoção de detritos activos usando um arpão. O satélite é projectado, construído e fabricado por um consórcio de empresas espaciais e instituições, liderado pela Universidade de Surrey, no Reino Unido. A nave espacial é operada em órbita por engenheiros da Surrey Satellite Technology Ltd, em Guildford, no Reino Unido. O projecto é co-financiado pela União Europeia.

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), há mais de 750 mil objectos com mais de um centímetro a orbitar a Terra. Naves e sondas defuntas, restos de foguetões usados, mas também parafusos e até pedaços de tinta solta – é deste tipo de lixo que falamos e, depois de seis décadas de exploração espacial, há mais de sete mil toneladas no espaço. A maioria foi gerada por mais de 250 explosões.

Este lixo é um perigo para os satélites e para as missões espaciais, nomeadamente para a Estação Espacial internacional (ISS, na sigla em inglês), e para operações futuras. Isto porque a uma velocidade média de 40 mil quilómetros por hora, o impacto gera uma energia semelhante à explosão de uma granada de mão.

Esta foi a terceira experiência bem sucedida do projecto RemoveDEBRIS. A equipa está a agora a preparar o teste final, que irá realizar-se em Março. Guglielmo Aglietti, director do Centro Espacial de Surrey, na Universidade de Surrey, disse: “Este é o teste mais exigente da RemoveDEBRIS. O projecto RemoveDEBRIS dá-nos fortes pistas sobre o que pode ser alcançado com o poder da colaboração – reunindo a experiência de toda a indústria e o campo de pesquisa para alcançar algo verdadeiramente notável.”

Já Chris Burgess, engenheiro na Airbus Defence and Space, não tem dúvidas de que “o sucesso na demonstração espacial da tecnologia de arpão é um passo significativo para resolver a crescente questão dos detritos espaciais”.

Chris Skidmore, ministro de Estado das Universidades, Ciência, Pesquisa e Inovação, explicou ainda: “Os escombros espaciais podem ter sérias consequências para os nossos sistemas de comunicação se chocarem com satélites. Este projecto mostra que especialistas britânicos estão a encontrar respostas para esse problema usando um arpão, uma ferramenta que as pessoas usaram ao longo da história”.

Diário de Notícias
18 Fevereiro 2019

– Desconhecia que no novo Acordo Ortográfico – que repudio solenemente, por isso, todos os textos inseridos neste Blogue são corrigidos para o Português de Portugal e não brasuquês -, existiam também as palavras: Européia, conseqüências. Já nem conseguem disfarçar o brasuquês com que escrevem. nem se preocupam em traduzi-lo correctamente para o Português de Portugal!!!

1609: A parte perdida do Universo pode ter sido finalmente encontrada

NASA/CXC/K. Williamson, Springel et al.

Uma equipa de astrofísicos acredita ter encontrado uma nova e importante pista que pode ajudar a dar resposta a um dos maiores mistérios do Cosmos: onde se esconde cerca de um terço de todo o Universo?

A matéria que “falta” no Universo é uma massa diferente da matéria escura (outro grande puzzle científico no campo da Astronomia), composta por hidrogénio, hélio e outros elementos que surgiram logo após o Big Bang, tendo-se depois transformado em estrelas, planetas, poeira cósmica e outros objectos observáveis por telescópios.

Apesar de ser perfeitamente normal, os cientistas não conseguiram ainda encontrar um terço da matéria “normal” que deveria “morar” no Universo. Este cenário pode, contudo, estar prestes a mudar: uma equipa de cientistas afirma ter descoberto uma importante pista que nos poderá levar até lá, graças ao telescópio orbital Chandra da NASA.

“Se encontrarmos esta massa perdida, poderemos resolver um dos maiores enigmas da Astrofísica. Onde escondeu o Universo tanto da sua matéria que forma coisas como estrelas, planetas e nós?”, disse citado em comunicado Orsolya Kovacs, do centro de astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Astrophysical Journal.

Existem algumas teorias que tentam explicar a matéria perdida do Universo. A mais popular destas explicações sustenta que a massa em falta acumula-se em estruturas gigantes como fios de gás quente (com temperaturas abaixo dos 100.000 graus Kelvin) e muito quente (mais de 100.000 graus Kelvin) no espaço intergaláctico.

Apesar de os filamentos em causa serem invisíveis às lentes dos telescópios ópticos, alguns podem ser rastreados noutras faixas – e foi a partir desta premissa que os cientistas levaram a investigação a cabo.

Recorrendo ao telescópio orbital de raios-X Chandra, os astrofísicos procuraram e estudaram filamentos de gás quente encontrados num quasar, o H1821+643. Esta brilhante fonte de raios-X é alimentada por um buraco negro super-massivo de rápido crescimento, localizado a 3.500 milhões de anos luz da Terra.

Os cientistas pensaram que se o que está em falta no Universo se esconde através de filamentos intergalácticos, então alguns dos raios-X do quasar poderiam ser absorvido por esse mesmo gás quente. Simplificando: as acumulações de gás intergaláctico podem conter a tão procurada massa do Universo.

“A nossa procura é semelhante ao princípio de como conduzir uma procura eficiente por animais nas vastas planícies de África”, explicou Akos Bogdan, co-autor da investigação e astrofísico do Harvard Smithsonian Center for Astrophysics, na mesma nota. “Sabemos que os animais precisam beber e, por isso, faz sentido procurar à volta dos poços de água”.

O sinal de absorção de gás quente é muito fraco e difícil de reconhecer no espectro de um quasar, especialmente no contexto  de interferência. Cientes disto, os cientistas debruçaram a sua procura em apenas algumas partes do espectro. Graças a este novo método, escreveram os cientistas, foi possível identificar 17 possíveis filamentos de gás entre o quasar estudado e nós, e obter as respectivas distâncias.

“Estamos empolgados por termos conseguidos rastrear parte deste material perdido e, no futuro, podemos aplicar este mesmo método a outros dados do quasar para confirma que este mistério de longa data foi finalmente resolvido”, adiantou Randall Smith, outro dos cientistas envolvidos na investigação.

SA, ZAP //

Por SA
19 Fevereiro, 2019

 

1608: Astrónomos descobrem dois “Saturnos quentes” (e estão a escaldar)

ESO

Os astrónomos acabaram de encontrar um par de planetas semelhantes a Saturno que emitem muito calor. Embora ainda se aguarde a confirmação oficial, os investigadores dizem que estão virtualmente certos de que ambos estão por aí.

Os dois mundos orbitam a estrela TOI-216 na constelação de Dorado, a 580 anos-luz de distância. Isto é realmente muito longe da Terra.

“Estamos muito, muito confiantes de que este é um sistema planetário real“, disse David Kipping, professor assistente de astronomia da Universidade de Columbia e principal autor do estudo.

Os cientistas fizeram a descoberta depois de analisar dados do TESS, o telescópio espacial lançado pela NASA em Abril do ano passado.

O planeta exterior – TOI-216c – tem o tamanho de Júpiter ou Saturno, os dois maiores planetas do nosso Sistema Solar. O planeta interior – TOI-216b – é um pouco menor, “entre o tamanho de Saturno e Neptuno”, segundo Kipping.

A estrela que orbitam é semelhante ao nosso Sol, embora seja cerca de 15% mais pequena e mais fria. Embora os cientistas estejam a chamar a estes mundos de “Saturno quente”, há uma ressalva. “Quente” não significa agradável, temperado ou parecido com a Terra. O planeta interior regista mais de 315ºC e o exterior 226ºC.

Outros mundos, mais hospitaleiros, podem “esconder-se” nas proximidades. O sistema poderia ser um lugar agradável para exoluas. Isto é particularmente intrigante para Kipping. Os dois Saturnos “são exactamente o tipo de planetas” para ter satélites, garantiu.

De facto, no nosso Sistema Solar, os grandes planetas têm muitas luas. Como Saturno, com 62. Além disso, os mundos orbitam a sua estrela numa “ressonância dois-para-um”. O TOI-216b completa a rotação sobre si próprio a cada 17 dias. O TOI-216c precisa de 34, exactamente o dobro do tempo.

Essa ressonância é um indício de que o sistema é relativamente sereno, referiu Kipping, não um “com uma história violenta” – o que é um bom cenário é bom para as luas. “Se há luas em torno destas coisas, quase certamente teriam sobrevivido até hoje”.

A TESS, que vê 85% do céu, está a apontar para as estrelas mais próximas e mais brilhantes. A sonda já identificou 365 objectos de interesse. Com isso, a próxima geração de telescópios espaciais – como o James Webb, da NASA – terá alvos viáveis.

As novas missões tentarão discernir os detalhes dos mundos da TESS e medirão atmosferas e procurarão satélites – e até sinais de vida alienígena. “Estes são os planetas que vamos estudar nos próximos 100 anos”.

ZAP // Forbes

Por ZAP
19 Fevereiro, 2019

 

1607: O Planeta Marte pode estar vulcanicamente activo

Kevin Gill / Flickr

O lago líquido em Marte pode ser uma evidência de que o Planeta Vermelho passou mais tempo vulcanicamente activo do que se imaginava.

No ano passado, obtivemos grandes notícias sobre o Planeta Vermelho, onde um grande lago de água em estado líquido teria sido encontrado debaixo do gelo localizado no pólo sul marciano. Com base nesta descoberta, um novo estudo examinou como isto teria ocorrido no local, concluindo que possivelmente há um aquecimento debaixo da superfície.

Para que isso ocorresse, Marte teria tido alguma actividade vulcânica recente, sendo que essa actividade pode ainda estar activa, de acordo com a publicação do portal American Geophysical Union.

Na ocasião, o lago com água líquida foi descoberto através da utilização de radares a bordo da sonda Mars Express, apontando que o lago líquido está a 1,5 quilómetros debaixo do gelo sólido e possui uma extensão de 20 quilómetros.

Além disso, é possível que um valor elevado de sódio, magnésio e sal de cálcio esteja a ser dissolvido no lago, mantendo o seu estado líquido a baixas temperaturas.

Contudo, o novo estudo sugere que somente o sal não pode ser o único responsável por este acontecimento e que deva haver alguma fonte de aquecimento que contribui para a formação do lago, assim como na Terra, onde a água em estado líquido debaixo de camadas de gelo é consequência do aquecimento gerado a partir do magma debaixo da crosta.

Diversas observações mostraram que Marte já foi vulcanicamente activo. Os investigadores calcularam que, para o lago com as dimensões apresentadas e até hoje no local, a actividade vulcânica em Marte deva estar presente há aproximadamente 300 mil anos.

“Isto insinuaria que ainda há um magma activo no processo de formação no interior de Marte e isto não é apenas um frio ou uma espécie de lugar morto, internamente”, afirma Ali Bransom, co-autor do estudo.

Os investigadores estão a trabalhar para determinar as condições necessárias para a existência de água no Planeta Vermelho. Caso a existência de água em Marte seja confirmada, isso poderá ajudar a reduzir os dispositivos que os astronautas precisariam utilizar em missões futuras, além de alterar as nossas expectativas sobre a possibilidade de vida extraterrestre em Marte ou em qualquer outro planeta.

Bransom acredita que, caso haja vida, os organismos estariam protegidos da radiação debaixo da superfície. Refere ainda que, se o processo magmático estiver activo, haverá uma probabilidade maior de encontrar água em Marte, ao invés de vida, entretanto, não exclui nenhuma possibilidade.

ZAP // Sputnik News

Por SN
18 Fevereiro, 2019

{vasaioqrcode[