2234: Asteróide três vezes maior que campo de futebol passa perto da Terra esta semana

Estrela passará perto do planeta a 40,800 km/h.

Foto: Getty Images

Há um viajante cósmico a aproximar-se da Terra: trata-se um asteróide gigante, três vezes maior do que um campo de futebol regular e com cerca de 330 metros de largura. O asteróide irá passar na quinta-feira, dia 27 de Junho, perto da Terra, a cerca de 6,7 milhões de quilómetros. A distância parece grande, mas no espaço não é nada.

Para colocar em perspectiva, este objecto espacial, descoberto em 2008 e baptizado com o nome de s 2008 KV2, estará a localizado a 17 vezes a distância da Lua à Terra, que fica a 384,400 quilómetros.

As investigações dos cientistas que o descobriram concluíram que o 2008 KV2 irá continuar a viajar pelo espaço até 2199, algo que já faz desde 1990. Além disso, é um visitante frequente da Terra, tendo em conta que orbita o Sol. Irá passar novamente pela Terra em 2021 e duas vezes em 2022, de acordo com a NASA, que está a monitorizar o asteróide por ser uma “ameaça potencialmente perigosa”.

A verdade é que mal daremos pela passagem deste turista espacial: o asteróide irá passar a 40,800 km/h pela Terra.

cm 25/06/2019
10:55

2232: Astronautas aterram no Cazaquistão após missão na Estação Orbital Internacional

Alexander Nemenov / Pool / EPA
A astronauta norte-americana Anne McClain de regresso à Terra

Três astronautas regressaram à Terra, esta terça-feira, depois de uma missão de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

A astronauta norte-americana Anne McClain, o russo Oleg Kononenko e o canadiano David Saint-Jacques pousaram no Cazaquistão às 08h47 locais (03h47 em Lisboa).

A partida dos astronautas para a estação orbital, em Dezembro do ano passado, foi motivo de preocupação, pois acontecia depois do incidente, em meados de Outubro, que envolveu o russo Alexey Ovchinin e o norte-americano Nick Hague: cerca de dois minutos após a descolagem, a nave espacial Soyuz explodiu e foram forçados a uma aterragem de emergência.

Os dois homens sobreviveram ilesos, mas o incidente, o primeiro desta magnitude na história da Rússia pós-soviética, foi outro golpe para a indústria espacial do país.

Antes da partida para o espaço, McClain, Kononenko e Saint-Jacques estavam optimistas e o tom não mudou durante o tempo a bordo da estação orbital, um dos últimos exemplos de cooperação activa entre Moscovo e países ocidentais.

“Uma bela noite sobre África na minha última noite na ISS”, observou no Twitter Anne McClain, de 40 anos, que fez duas saídas espaciais durante esta primeira missão.

Anne McClain @AstroAnnimal

A beautiful night pass over Africa on my last night on @Space_Station

Enquanto a ISS dava a volta à Terra em cerca de 90 minutos, o seu colega David Saint-Jacques, de 49 anos, foi capaz de maravilhar-se uma última vez com a visão do Canadá antes de voltar para casa: “British Columbia e Nunavik … vou ter saudades dessas grandes paisagens canadianas!”, escreveu também na mesma rede social o astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA).

David Saint-Jacques, que também realizou a sua primeira missão, ultrapassou o tempo recorde no espaço detido por outro canadiano: 204 dias, contra 187 cumpridos pelo compatriota Robert Thirsk.

ZAP // Lusa

Por Lusa
25 Junho, 2019

2230: Telescópio Webb vai estudar Saturno e a sua lua Titã

Esta imagem mostra uma gigante tempestade saturniana observada em comprimentos de onda do infravermelho médio pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO em 2011. Os gases quentes que alimentam a tempestade fazem-na brilhar em comparação com o resto do planeta.
Crédito: L. Fletcher (Universidade de Leicester) e ESO

Se perguntar a um estranho na rua qual o seu planeta favorito, provavelmente a resposta será Saturno. Os impressionantes anéis de Saturno são uma vista memorável em qualquer telescópio amador. Mas ainda há muito a aprender sobre Saturno, especialmente sobre o clima e a química do planeta, bem como sobre a origem do seu opulento sistema de anéis. Após o seu lançamento em 2021, o Telescópio Espacial James Webb da NASA observará Saturno, os seus anéis e a sua família de luas como parte de um abrangente programa do Sistema Solar.

Este estudo será levado a cabo através de um programa de Observações de Tempo Garantido liderado por Heidi Hammel, astrónoma planetária e vice-presidente executiva da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy) em Washington, D.C., EUA. Hammel foi, em 2002, seleccionada pela NASA como cientista interdisciplinar do Webb.

“O objectivo deste programa é demonstrar as capacidades do Webb para observações do Sistema Solar, incluindo observações de objectos brilhantes, o rastreamento de objectos em movimento e a localização de alvos fracos ao lado de objectos brilhantes,” explicou Hammel. “Os dados serão disponibilizados para a comunidade do Sistema Solar o mais rápido possível para mostrar que o Webb pode fazer o que prometemos.”

O Webb vai prosseguir onde a sonda Cassini da NASA parou. A Cassini orbitou Saturno durante 13 anos, de 2004 até a missão terminar em 2017, quando mergulhou na atmosfera de Saturno. Desde então, programas como o OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy) do Telescópio Espacial Hubble e medições no solo têm sido a única maneira de monitorizar Saturno.

As estações de Saturno

Saturno está inclinado no seu eixo, tal como a Terra e, como resultado, também tem estações à medida que orbita o Sol. No entanto, como o ano de Saturno equivale a 30 anos terrestres, cada estação dura cerca de sete anos e meio. A Cassini chegou durante o verão no hemisfério sul (inverno no hemisfério norte). Mas agora é verão no hemisfério norte. Os astrónomos estão ansiosos por procurar mudanças sazonais na atmosfera de Saturno.

“Estas observações vão dar-nos um ensaio completo do sistema de Saturno para ver o que mudou, para ver como as estações evoluíram desde os últimos vislumbres da Cassini e para aproveitar capacidades do Webb que a Cassini nunca teve,” disse Leigh Fletcher, da Universidade de Leicester, Inglaterra, investigador principal do programa.

No final de 2010, uma tempestade monstruosa irrompeu no hemisfério norte de Saturno. Começou como uma mancha pequena, mas cresceu rapidamente, até que no final de Janeiro de 2011 cercava o planeta. Os astrónomos ficaram surpresos porque tais tempestades normalmente só se formam depois do solstício de verão, que ocorreu em 2017. Eles vão observar mais tempestades à medida que o hemisfério norte de Saturno passa de verão para outono ao longo da missão do Webb.

As tempestades não são os únicos fenómenos atmosféricos que Saturno e a Terra partilham. Saturno também tem auroras. Estas auroras desencadeiam mudanças químicas na atmosfera de Saturno, quebrando algumas moléculas e permitindo a formação de algumas novas. O Webb vai procurar assinaturas desta química invulgar em comprimentos de onda infravermelhos, particularmente na região polar norte.

Titã, a maior lua de Saturno

A maior lua de Saturno, Titã, também cairá sob o olhar poderoso do Webb. Titã não tem igual porque é a única lua do nosso Sistema Solar com uma atmosfera substancial. Na verdade, é maior que o planeta Mercúrio. A pressão atmosférica em Titã é cerca de 50% maior que a da Terra. Tal como na Terra, essa atmosfera é principalmente azoto, mas Titã também possui hidrocarbonetos vaporosos como o metano. Titã é também muito mais fria que a Terra, com uma temperatura de superfície que ronda os -180º C.

No interior da atmosfera de Titã, as reacções químicas estão constantemente a produzir a sua composição. As moléculas são quebradas nos seus constituintes como carbono, hidrogénio, oxigénio e azoto. Esses átomos formam novas moléculas, que se infiltram no ar e se acomodam em qualquer pólo onde seja inverno.

“A atmosfera de Titã é como um grande laboratório de química,” disse Conor Nixon, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, investigador principal do programa. Nixon e colegas vão usar os instrumentos NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) e MIRI (Mid Infrared Imager) do Webb para estudar estas moléculas em muito mais detalhe do que os instrumentos da Cassini permitiam.

Titã é também o único objecto do nosso Sistema Solar, além da Terra, com mares e lagos líquidos à sua superfície. Enquanto a Terra tem um ciclo de água no qual a água evapora, cai como chuva e flui pelos rios até ao oceano, Titã tem um ciclo similar com o metano. Em Titã, a chuva de metano escava leitos de rios através de água gelada como rocha antes de correr para os mares. A Cassini e a sua pequena sonda Huygens, da ESA, que aterrou em Titã em 2004, fizeram descobertas notáveis sobre esta lua saturniana. O Webb vai estudar os ciclos climáticos sazonais de Titã para compará-los com os modelos dos astrónomos.

“Titã tem nuvens e clima que podemos ver mudando em tempo real. A sua química é muito diferente da da Terra, mas ainda é química orgânica baseado no carbono,” disse Stefanie Milam de Goddard, co-investigadora do programa.

O tempo de vida da missão do Webb, após o lançamento, foi projectado para ser pelo menos de cinco anos e meio, mas poderá durar dez ou mais. Como resultado, pode observar o verão no hemisfério norte passando pelo equinócio de outono e para a primavera a sul. Quase que “completaria o círculo” começado quando a Cassini chegou a Saturno durante o verão no hemisfério sul.

“Nós genuinamente teremos coberto todo um ano de Saturno. Seria uma experiência bastante reveladora,” disse Fletcher.

O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório científico espacial quando for lançado em 2021. Vai resolver mistérios do nosso Sistema Solar, olhar para mundos distantes ao redor de outras estrelas e investigar as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um projecto internacional liderado pela NASA e pelos seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.

Astronomia On-line
25 de Junho de 2019

2229: Úrano tem 13 anéis (e são diferentes de tudo o resto no Sistema Solar)

NASA

Saturno pode ser o mais vistoso, mas não é o único planeta no Sistema Solar circulado por anéis. Os 13 anéis de Úrano revelaram detalhes antes desconhecidos quando apareceram numa fotografia térmica que os astrónomos tiraram do planeta gelado.

Pela primeira vez, investigadores determinaram a temperatura dos anéis e confirmaram que o anel principal – chamado anel épsilon – é como nenhum outro no Sistema Solar. Normalmente, Saturno é o único retratado com anéis, porque os que circulam Úrano, Júpiter e Neptuno só são vistos com telescópios poderosos.

Júpiter tem quatro anéis, Neptuno tem cinco e Saturno tem milhares. Quando se trata de Úrano, não sabemos muito sobre os seus anéis, uma vez que reflectem muito pouca luz nos comprimentos de onda do infravermelho óptico e próximo, normalmente usados para observações do Sistema Solar. São tão obscuros que só foram descobertos em 1977.

Por isso, foi um pouco inesperado quando os anéis apareceram em imagens térmicas que os astrónomos tiraram para explorar a estrutura de temperatura da atmosfera do planeta. “Ficamos surpreendidos ao ver claramente os anéis quando reduzimos os dados pela primeira vez”, disse o astrónomo Leigh Fletcher, da Universidade de Leicester em comunicado.

Por ser uma imagem térmica, pela primeira vez a equipa descobriu a temperatura dos anéis: 77 Kelvin, o ponto de ebulição do nitrogénio líquido na pressão atmosférica padrão, e o equivalente a -195ºC. Os resultados foram aceites na revista The Astrophysical Journal e estão disponíveis no arXiv.

Também confirmou que os anéis são estranhos, quando comparados com aqueles em redor de outros planetas. Nos anéis de Saturno, as partículas correm em toda a gama, desde pó até pedregulhos grossos. Júpiter e Neptuno têm anéis muito empoeirados, compostos principalmente de partículas finas. Já Úrano tem folhas de poeira entre os seus anéis, mas os anéis em si contêm apenas pedaços do tamanho de uma bola de golfe.

“Não vemos as coisas menores”, disse o astrónomo Edward Molter, da UC Berkeley. “Algo tem varrido as coisas menores para fora ou está tudo junto. Apenas não sabemos. Este é um passo para entender a composição deles e se todos os anéis vieram do mesmo material de origem ou são diferentes para cada anel”.

Possíveis fontes incluem ejecta de impacto das luas, como visto nos anéis de Júpiter; asteróides capturados pela gravidade do planeta, então de alguma forma pulverizados; detritos remanescentes da formação do planeta; ou detritos do impacto teorizado que literalmente derrubou o planeta de lado. A explicação mais provável é objectos que orbitam sólidos, destruídos por impactos ou forças de maré.

De acordo com dados anteriores, incluindo imagens em infravermelho próximo tiradas usando o Observatório Keck em 2004, a própria composição dos anéis ao redor de Úrano é diferente dos outros.

“O albedo é muito mais baixo: são muito escuros, como o carvão”, disse Molter. “Também são extremamente estreitos em comparação com os anéis de Saturno. O mais largo, o anel épsilon, varia de 20 a 100 quilómetros de largura, enquanto Saturno tem centenas ou dezenas de milhares de quilómetros de largura.”

Os anéis ainda são um grande mistério, mas pode ter mais pistas em breve, quando o Telescópio Espacial James Webb chegar ao céu em 2021.

ZAP //

Por ZAP
25 Junho, 2019

2224: NASA encontra nuvens de metano em Marte (e aguarda notícias de vida)

NASA / JPL-Caltech
Auto-retrato de ângulo baixo do rover Curiosity, da NASA

A sonda espacial Curiosity, da NASA, detectou elevado níveis de emissão de metano na superfície de Marte. A presença do gás, normalmente produzido por seres vivos, pode ser evidência de vida bacteriana no planeta vermelho.

A descoberta, que aconteceu durante uma medição realizada na passada quarta-feira pela sonda Curiosity: o rover detectou nuvens com elevados níveis de metano em Marte. Os dados chegaram à Terra na sexta-feira, deixando em euforia os cientistas da NASA.

A agência espacial norte-americana ainda não anunciou a descoberta, que foi divulgada este sábado pelo jornal norte-americano The New York Times.

“Perante este resultado surpreendente, reorganizámos o fim-de-semana para conduzir experiências de confirmação”, diz o cientista responsável pela missão, Ashwin Vasavada, num email dirigido à sua equipa, a que o jornal norte-americano teve acesso.

A presença no Planeta Vermelho de níveis significativos deste gás, que normalmente é produzido biologicamente, poderá ser um indício da existência de vida microbiana em Marte.

Em 2012, o Curiosity esteve à procura de metano no planeta vermelho, sem sucesso. No ano seguinte, a sonda detectou um pico repentino, de 7 partes por mil milhões, que se manteve observável durante dois meses.

A Curiosity detectou agora 21 partes por mil milhões de volume de metano — a maior quantidade alguma vez medida durante as missões de exploração que a NASA conduz desde 1972 em Marte. O rover não é, no entanto, capaz de determinar a origem do metano descoberto.

A descoberta deste nível de metano à superfície do planeta reforça a esperança de que possa ter havido algum tipo de vida em Marte – nomeadamente vida microbiana – e que os seus descendentes possam ter sobrevivido no subsolo até hoje.

Mas apesar de a maior parte do metano produzido na Terra ser de origem biológica, há também metano produzido por reacções geotérmicas, não biológicas.

É portanto possível que o metano encontrado seja de origem geológica e tenha estado retido no subsolo de Marte durante milhões de anos — escapando agora através de alguma eventual fenda.

Thomas Zurbuchen, administrador da NASA e director da missão, confirmou entretanto a notícia no seu perfil no Twitter, mas salienta que é necessário aguardar mais resultados. “Sendo esta uma descoberta excitante, não significa necessariamente que haja vida em Marte, porque o metano pode ser criado por interacções entra água e rochas”.

Thomas Zurbuchen @Dr_ThomasZ

.@MarsCuriosity rover found the largest amount of methane ever measured during the mission. Although this is an exciting discovery, it doesn’t necessarily mean life exists because methane can be created through interactions between rocks & water. Details: https://www.nasa.gov/feature/jpl/curiosity-detects-unusually-high-methane-levels 

Durante o fim-de-semana, a Curiosity recebeu novas instruções e realizou medições de follow-up, para confirmar os dados obtidos a semana passada. Os resultados devem chegar esta segunda-feira à Terra, onde a equipa de Ashwin Vasavada aguarda (com incontida  ansiedade) por um sinal de vida.

ZAP //

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24 Junho, 2019

2222: Asteróide do tamanho da Torre Eiffel vai passar pela Terra. É a segunda maior aproximação em 120 anos

(CC0/PD) 9866112 / Pixabay

Na segunda-feira, dia de S. João no Porto, um asteróide muito grande – que pode ser tão grande como a Torre Eiffel – vai passar pela Terra a mais de 45 mil quilómetros por hora.

O asteróide, conhecido como 441987 (2010 NY65), deverá medir entre 130 e 300 metros de diâmetro, de acordo com o Centro para Objectos Próximos à Terra – ou Near Earth Objects (NEOs) – da NASA.

As estimativas apontam que o objecto fará a sua maior aproximação à Terra esta segunda-feira às 16h59, passando a cerca de 2,92 milhões de quilómetros do nosso planeta – cerca de 7,5 vezes a distância da Terra à Lua.

Apesar de, em termos cósmicos, esta distância não ser muito grande, o asteróide não tem nenhuma probabilidade de atingir o nosso planeta.

Sendo que orbita o Sol, o NY65 aproxima-se da Terra uma vez por ano. De facto, a passagem esta segunda-feira será a segunda mais próxima desde, pelo menos, 1900, de acordo com as projecções dos seus movimentos passados. A única passagem mais próxima aconteceu o ano passado, quando o asteróide passou a 2,78 milhões de quilómetros do planeta.

Descoberto pela primeira vez em Julho de 2010 pelo Wide-Field Infrared Survey Explorer (WISE) da NASA, o NY65 é particularmente interessante para os astrónomos porque as suas abordagens recentes levaram-no muito próximo da Terra, havendo tendência de continuar assim durante vários anos.

Isso faz com que seja um bom candidato a estudar o chamado “efeito Yarkovsky – uma força que actua num corpo giratório no espaço – que exige que os cientistas tomem medições de radar em múltiplos encontros próximos”, segundo a NASA. Tais observações podem ajudar os investigadores a entender mais sobre o objecto e poderia fornecer uma estimativa sobre a sua massa.

Observações anteriores realizadas em 2015 usando o radar de Arecibo em Porto Rico, por exemplo, forneceram algumas informações básicas sobre o tamanho do objecto e a taxa de rotação. Também revelaram uma característica na superfície que poderia ser uma cratera.

O asteróide também é interessante para os cientistas porque é classificado como um Near Earth Object (NEO), que é considerado “potencialmente perigoso”. NEO é um termo que se refere a qualquer asteróide ou cometa cuja órbita o faça dentro de 194 milhões de quilómetros do Sol, bem como dentro de aproximadamente 48 milhões de quilómetros da Terra.

A classificação “potencialmente perigosa” refere-se a qualquer NEO que tenha uma probabilidade (tipicamente pequena) de colidir com a Terra – ou seja, a distância de aproximação mínima prevista é inferior a 7,4 milhões de quilómetros – e é potencialmente maior que 140 metros de diâmetro.

Se uma rocha espacial deste tamanho atingisse a Terra, causaria devastação em regiões localizadas no caso de impacto sobre a terra, ou um tsunami que poderia danificar seriamente as áreas baixas se atingisse o oceano. Segundo a NASA, estes impactos ocorrem aproximadamente a cada dez mil anos em média.

A colisão de um asteróide de 300 metros teria efeitos ainda mais amplos e poderia resultar em mudanças climáticas globais que poderiam durar anos. O impacto poderia produzir uma força explosiva contendo 65 mil vezes mais energia do que a bomba atómica de Hiroxima.

Felizmente, estes impactos são extremamente raros. A grande maioria dos objectos que colidem com o nosso planeta é pequena – menos de 9 metros –  e queima na atmosfera, por isso nem sequer notamos.

Actualmente, os investigadores sabem da existência de mais de 19.000 NEOs – dos quais cerca de 2.000 são considerados potencialmente perigosos – com cerca de 30 novas descobertas por semana. A NASA estima que dois terços dos NEOs com mais de 140 metros ainda precisam de ser descobertos.

ZAP //

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24 Junho, 2019

 

2219: Incrível atlas espacial mostra as órbitas de todos os objectos conhecidos do Sistema Solar

NASA

Uma cientista da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, criou um impressionante altas espacial, no qual é possível ver as órbitas dos planetas e dos milhares de asteróides conhecidos do Sistema Solar.

Para este trabalho, apelidado de “Atlas do Espaço”, Eleanor Lutz, bióloga e estudante de doutoramento da universidade norte-americana, utilizou dados disponíveis ao público de agências como a NASA e o US Geological Survey.

O mapa mostra as órbitas de mais de 18.000 asteróides, incluindo 10.000 que têm um diâmetro de mais de 10 quilómetros e aproximadamente 8.000 objectos de tamanho desconhecido. Além disso, no atlas, é também possível ver os diferentes planetas e as respectivas órbitas em torno do Sol.

“Gosto que todos estes dados sejam acessíveis, mas são muito difíceis de visualizar”, admitiu a cientista ao portal de Wired. A Astronomia “é uma ciência verdadeiramente incrível, e queria que todos o pudessem ver de uma forma lógica”.

“Existe uma barreira de conhecimento para aceder a algumas das coisas mais interessantes e surpreendentes da ciência”, acrescentou.

Ver imagem no Twitter

marqdmartianMD @mrcmrzn

Map of the solar system for all bodies more than 10km across by Eleanor Lutz

Analisar e exporto todos estes dados não foi uma tarefa fácil. Para conseguir chegar até ao atlas, Lutz teve de aprender várias e diversificadas ferramentas de programação e design gráfico. “Como não tenho formação como designer, e não sou astrónoma, aprendi muito com os tutoriais online”, confessou, citada pelo mesmo portal.

A cientistas criou também outros mapas vividos de constelações, asteróides e planetas. Nas próximas semanas, a cientista vai lançar cada um dos seus trabalhos juntamente com um tutorial para que todos possam explorar e criar trabalhos semelhantes.

ZAP //

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23 Junho, 2019

2217: ESA e NASA testam novo dispositivo para resgatar astronautas incapacitados na Lua

A Lua tornou-se num “must have” para as grandes potências mundiais. Desta forma, assistimos nos últimos anos a acções para recolher mais informações do nosso satélite natural. Além disso, as agências espaciais estão já a traçar metas para voltar a pousar no seu solo. A NASA prometeu lá voltar em breve e, com a ESA, têm protótipos de mecanismos de segurança a aplicar nas missões.

A agência espacial norte-americana e a Agência Espacial Europeia (ESA) estão no fundo do mar a preparar caminhadas no Espaço.

NASA e ESA no fundo do mar a preparar caminhada na Lua

Dadas as semelhanças naturais com a superfície da Lua, o fundo do oceano é o ambiente perfeito para simulações lunares. Assim, as agências espaciais voltam atenções para o habitat subaquático Aquarius no Oceano Atlântico para executar os seus testes.

A ESA tem um protótipo chamado de LESA (Lunar Evacuation System Assembly) que permite que um único astronauta implante a estrutura e levante a sua tripulação incapacitada numa maca móvel antes de trazê-la para um módulo pressurizado. Como resultado, todo o processo de implantação e protecção da sua tripulação na maca deve levar menos de 10 minutos.

Actuais fatos pesam 130 kgs

O equipamento EVA (actividade extra-veicular) que os astronautas usam são volumosas, pesados e não permitem uma ampla gama de movimentos.

Não há como um astronauta levar o seu companheiro de tripulação caído aos ombros, vestindo um fato EVA. O nosso objectivo é trazer todas as acções de resgate para a área de trabalho do astronauta equipado com EVA para garantir um resgate rápido e seguro.

Referiu Hervé Stevenin, chefe de operações de treino espacial e de Neutral Flutuabilidade da ESA.

O LESA pode ser transportado como um carrinho de golfe e colocado perto do astronauta caído para fornecer um mecanismo de elevação e uma maca que é fácil de manobrar. Uma vez que o socorrista usou o dispositivo para levantar o seu companheiro e anexar a maca à parte de trás, este pode activar as rodas da maca e levar o socorrido para um local seguro.

Um protótipo anterior do dispositivo foi testado pelo astronauta da ESA, Pedro Duque, e pelo astronauta da NASA, Kjell Lindgren, em 2017, durante a missão da NASA NEEMO 22.

Segundo informações, os membros da tripulação da NEEMO 23 com outros dois astronautas – a astronauta da ESA Samantha Cristoforetti e a astronauta da NASA Jessica Watkins – colocarão a próxima versão da LESA em teste na Aquarius durante nove dias a partir desta semana.

Christoforetti e a Watkins usarão luvas EVA, que são pressurizadas e limitam a destreza. Entretanto, para simular um ambiente mais realistas, os astronautas vão testar o LESA com o fato espacial EVA.

A ESA tem participado das missões NEEMO da NASA nos últimos oito anos. Com o nosso foco comum em enviar astronautas para explorar a superfície lunar em 2024, testes conjuntos através desta missão do NEEMO 23 abrem caminho para uma potencial cooperação entre a NASA e a ESA.

Referiu Stevenin.

Imagem: ESA
Fonte: ESA
pplware
22 Jun 2019

2215: Gravuras pré-históricas encontradas na cratera de impacto que poderia ter extinguido a Humanidade

CIÊNCIA

(dr) University of the Free State
As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte

Os cientistas são capazes de reconhecer a natureza especial da cratera de impacto de Vredefort, mas esta já havia sido reconhecida por antigos habitantes da região.

Várias gravuras rupestres foram misteriosamente descobertas dentro da Cratera Vredefort, na África do Sul. Esta é a maior cratera de impacto do mundo, com cerca de 186 quilómetros de largura, e foi formada por um asteróide, há cerca de dois mil milhões de anos.

De acordo com o portal sul-africano IOL, que cita a African News Agency, a equipa de cientistas considera que a cratera resultou de um impacto maior do que o do asteróide que extinguiu os dinossauros, e que, “se na altura o Homem existisse”, teria sido extinto.

Uma equipa de cientistas tem trabalhado arduamente para analisar as influências geológicas da cratera na área circundante. Agora, a equipa está convencida de que a cratera não é apenas um local de importante significado geológico e planetário, mas também para entender a primeira população de seres humanos daquela região.

As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte – todos eles animais que poderiam ser encontrados naquela área há cerca de 8.000 anos. Os cientistas estabeleceram assim que aquela arte rupestre era a marca do trabalho manual dos Khoi-San, os primeiros povos sul africanos.

Os cientistas desconfiam que estas gravuras representaram um importante papel nas cerimónias associadas à chuva.

“Como cientistas, reconhecemos a natureza especial da cratera de impacto, mas também foi reconhecida por antigos habitantes da região”, disse Matthew Huber, geógrafo da University of the Free State da África do Sul.

Desde que as marcas se tornaram uma descoberta arqueológica significativa, Huber e os seus colegas pediram ajuda a arqueólogos locais para tentar descobrir o que foi feitos nestes locais e de que forma estas espécies de rituais influenciaram as pessoas que lá viviam.

As gravuras antigas aparecem no exterior das estruturas de pedra dentro da área da cratera conhecida como The Granophyre Dykes, que se estende por seis quilómetros de comprimento e 16 metros de largura. As marcas, com cerca de 8.000 anos, aparecem um pouco desbotadas, mas, ainda assim, perceptíveis.

(dr) University of the Free State
Outra das gravuras encontradas na cratera de impacto de Vredefort

Shiona Moodley e Jens Kriek, dois arqueólogos que trabalhavam no local, adiantaram que a mitologia Khoi-San acreditava num universo de três camadas, segundo o qual o nível superior hospeda o deus e os espíritos dos mortos, o nível intermediário representa o mundo material ou físico, e o nível inferior “segura” os mortos.

Nesta mitologia, acredita-se que as cobras ocupam todos estes três reinos, e que são criaturas “de chuva”. Segundo o All That’s Interesting, as gravuras surgem numa parte da superfície que faz parte de uma espécie de albufeira, que, curiosamente, tinha uma forma muito semelhante à de uma divindade de cobra de chuva, uma figura importante na cultura Khoi-San com poderes para “invocar” a chuva.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

Novas “Terras” descobertas em torno de estrela muito pequena

Os dois planetas estão localizados na zona habitável da estrela de Teegarden.
Crédito: Universidade de Gotinga, Instituto para Astrofísica

Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Gotinga (Alemanha) com a participação de investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) descobriu, usando o espectrógrafo de alta resolução CARMENES no Observatório Calar Alto (Almería), dois novos planetas parecidos com a Terra em redor de uma das estrelas mais próximas da nossa vizinhança estelar.

A estrela de “Teegarden” está a apenas 12,5 anos-luz de distância. É uma das estrelas mais pequenas, uma anã vermelha, na direcção da constelação de Carneiro. A sua temperatura superficial é de 2700º C e tem uma massa equivalente a apenas 1/10 da do Sol. Mesmo estando tão perto, o seu ténue brilho impediu a sua descoberta até 2003.

“Nós temos vindo a observar esta estrela há três anos à procura de variações periódicas na sua velocidade,” explica Mathias Zechmeister, investigador da Universidade de Gotinga, autor principal do artigo. As observações mostraram que existem dois planetas em órbita, ambos semelhantes aos planetas do Sistema Solar interior. São apenas um pouco maiores do que a Terra e estão situados na “zona habitável” onde a água pode existir, à superfície, no estado líquido. “É possível que os dois planetas façam parte de um sistema maior,” diz Stefan Dreizler, outro investigador da Universidade de Gotinga e co-autor do artigo.

O IAC tem participado muito activamente nas campanhas fotométricas desta estrela. Têm sido realizadas com instrumentos como o Muscat2 do Telescópio Carlos Sánchez do Observatório Teide (Tenerife) e com a rede de telescópios do Observatório de Las Cumbres, entre outros. Estes estudos permitiram mostrar que os sinais dos dois planetas não podem ser devidos à actividade da estrela, embora não possamos detectar os trânsitos dos dois novos planetas,” comenta Victor Sánchez Béjar, investigador do IAC e outro autor do artigo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Para usar o método de trânsito, os planetas devem atravessar a face do disco estelar e bloquear um pouco da luz da estrela durante um curto período de tempo, o que significa que têm que estar em linha com a estrela e com os observadores. Este alinhamento fortuito ocorre apenas para uma pequena fracção dos sistemas planetários.

Curiosamente, o sistema da estrela de Teegarden está situado numa direcção especial do céu. A partir desta estrela é possível ver os planetas do nosso Sistema Solar a passar em frente do Sol e durante alguns anos a Terra será discernível como um planeta em trânsito para qualquer observador situado nos planetas de Teegarden que se preocupe em nos estudar.

A estrela de Teegarden pertence à classe mais pequena para a qual podemos medir as massas dos seus planetas com a tecnologia actual. “Esta descoberta é um grande sucesso para o projecto CARMENES, que foi projectado para procurar planetas em torno de estrelas de baixa massa,” comenta Ignasi Ribas, investigador do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e co-autor do artigo.

Desde 2006, cientistas alemães e espanhóis têm procurado planetas em volta de estrelas próximas usando o CARMENES, acoplado ao telescópio de 3,5 m do Observatório Calar Alto (Almería). Estes novos planetas são os 10.º e 11.º descobertos pelo projecto.

Astronomia On-line
21 de Junho de 2019

Cientistas descobrem história do Sol “enterrada” na crosta da Lua

A sonda SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA capturou esta imagem de uma proeminência solar no dia 2 de Outubro de 2014. A proeminência solar é o “flash” brilhante de luz para a direita do limbo do Sol. Logo abaixo pode ser vista uma explosão de material solar para o espaço.
Crédito: NASA/SDO

É graças ao Sol que estamos aqui. É também essa a razão porque não existem marcianos nem venusianos.

Quando o Sol era apenas um bebé, há 4 mil milhões de anos, passou por explosões violentas de radiação intensa, expelindo nuvens e partículas abrasadoras altamente energéticas por todo o Sistema Solar. Estas fases ajudaram a semear vida na Terra primitiva, provocando reacções químicas que mantinham o nosso planeta quente e húmido. No entanto, estas “birras solares” podem também ter impedido a vida de emergir noutros mundos, despojando-os de atmosferas e quebrando substâncias químicas nutritivas.

O quão destrutivos estes ataques primordiais foram para outros mundos dependeria da rapidez com que o Sol bebé girava sob si próprio. Quando mais rápida a sua rotação, mais depressa teria destruído as condições de habitabilidade.

No entanto, esta parte crítica da história do Sol tem atormentado os cientistas, disse Prabal Saxena, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. Saxena estuda como o clima espacial, variações na actividade solar e outras condições de radiação no espaço, interage com as superfícies dos planetas e das luas.

Agora, ele e outros cientistas estão a perceber que a Lua, que a NASA espera visitar novamente com astronautas até 2024, contém pistas para os antigos mistérios do Sol, que são cruciais para entender o desenvolvimento da vida.

“Não sabíamos como o Sol era nos primeiros mil milhões de anos, e é muito importante porque provavelmente mudou a forma como a atmosfera de Vénus evoluiu e a rapidez com que perdeu água. Também provavelmente mudou a rapidez com que Marte perdeu a sua atmosfera e mudou a química atmosférica da Terra,” acrescentou Saxena.

A ligação Sol-Lua

Saxena “tropeçou” na investigação do mistério da rotação do Sol primitivo enquanto contemplava um outro mistério aparentemente não relacionado: porque é que, tendo em conta que a Lua e a Terra são compostas basicamente das mesmas substâncias, há significativamente menos sódio e potássio no rególito lunar, ou solo da Lua, do que no solo da Terra?

Esta questão, revelada através de análises de amostras lunares trazidas pelo programa Apolo e por meteoritos lunares encontrados cá na Terra, também intriga os cientistas há décadas – e desafia a principal teoria de como a Lua se formou.

O nosso satélite natural tomou forma, diz a teoria, quando um objecto do tamanho de Marte colidiu com a Terra há cerca de 4,5 mil milhões de anos. A força desta colisão enviou materiais para órbita, onde se fundiram para formar a Lua.

“A Terra e a Lua teriam sido formadas com materiais similares, de modo que a questão é: porque é que estes elementos são praticamente inexistentes na Lua?” salientou Rosemary Killen, cientista planetária em Goddard, da NASA, que investiga o efeito do clima espacial em atmosferas planetárias e exosferas.

Os dois cientistas suspeitaram que uma grande questão informava a outra – que a história do Sol está enterrada na crosta da Lua.

O trabalho anterior de Killen lançou as bases para a investigação da equipa. Em 2012, ela ajudou a simular o efeito da actividade solar sobre a quantidade de sódio e potássio que é ou entregue à superfície da Lua ou repelida por um fluxo de partículas carregadas do Sol, conhecido como vento solar, ou por poderosas erupções conhecidas como ejeções de massa coronal.

Saxena incorporou a relação matemática entre a rotação de uma estrela e a sua actividade explosiva. Esta percepção foi derivada por cientistas que estudaram a actividade de milhares de estrelas descobertas pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA: quanto mais depressa uma estrela gira, descobriram, mais violentas são as suas ejecções. “À medida que aprendemos mais sobre outras estrelas e planetas, especialmente estrelas como o nosso Sol, começamos a ter uma visão mais abrangente de como o Sol evoluiu com o tempo,” disse Saxena.

Usando modelos computacionais sofisticados, Saxena, Killen e colegas pensam ter resolvido finalmente ambos os mistérios. As suas simulações por computador, que descreveram na edição de 3 de maio da revista The Astrophysical Journal Letters, mostram que o Sol primitivo girou mais lentamente do que 50% das estrelas bebés. De acordo com as suas estimativas, nos seus primeiros mil milhões de anos, o Sol demorava pela menos 9 a 10 dias a completar uma rotação.

Os cientistas determinaram isto simulando a evolução do nosso Sistema Solar sob uma estrela lenta e média e, em seguida, sob uma estrela de rápida rotação. E descobriram que apenas uma versão – a estrela de rotação lenta – foi capaz de expelir a quantidade certa de partículas carregadas para a superfície da Lua a fim de expulsar sódio e potássio suficientes para o espaço ao longo do tempo e assim deixar as quantidades que vemos nas rochas lunares hoje.

“O clima espacial foi provavelmente uma das principais influências da evolução de todos os planetas do Sistema Solar,” explicou Saxena, “de modo que qualquer estudo de habitabilidade planetária precisa de o ter em conta.”

Vida sob um Jovem Sol

A rotação do Sol bebé é parcialmente responsável pela vida na Terra. Mas para Vénus e Marte – ambos planetas rochosos semelhantes à Terra – pode ter sido um factor negativo (Mercúrio, o planeta rochoso mais próximo do Sol, nunca teve sequer hipóteses).

A atmosfera da Terra já foi muito diferente da de hoje, que é dominada pelo oxigénio. Quando a Terra se formou há 4,6 mil milhões de anos, uma fina camada de hidrogénio e hélio agarrava-se ao nosso planeta fundido. Mas as explosões do jovem Sol removeram essa neblina primordial em apenas 200 milhões de anos.

À medida que a crosta terrestre se solidificava, os vulcões gradualmente cuspiram uma nova atmosfera, enchendo o ar com dióxido de carbono, água e azoto. Ao longo dos mil milhões de anos seguintes, a primeira vida bacteriana consumiu o dióxido de carbono e, em troca, libertou metano e oxigénio para a atmosfera. A Terra também desenvolveu um campo magnético, que ajudou a protegê-la do Sol, permitindo que a nossa atmosfera se transformasse no ar rico em oxigénio e azoto que respiramos hoje.

“Tivemos a sorte da atmosfera da Terra ter sobrevivido a tempos terríveis,” comentou Vladimir Airapetian, heliofísico e astrobiólogo de Goddard que estuda como o clima espacial afeta a habitabilidade dos planetas terrestres. Airapetian trabalhou com Saxena e Killen no estudo do Sol primordial.

Tivesse o nosso Sol sido um objecto de rápida rotação, teriam ocorrido super-explosões 10 vezes mais fortes do que qualquer outra na história registada, pelo menos 10 vezes por dia. Mesmo o campo magnético da Terra não teria sido suficiente para a proteger. As proeminências solares teriam dizimado a atmosfera, reduzindo a tal ponto a pressão do ar que a Terra deixaria de albergar água líquida. “Poderia ter sido um ambiente muito mais duro,” observou Saxena.

Mas o Sol girou a um ritmo ideal para a Terra, que prosperou durante os primeiros estágios da nossa estrela. Vénus e Marte não tiveram tanta sorte. Vénus já foi coberto por oceanos de água e pode ter sido habitável. Mas, devido a muitos factores, incluindo a actividade solar e a falta de um campo magnético gerado internamente, Vénus perdeu o seu hidrogénio – um componente crítico da água. Como resultado, e de acordo com as estimativas, os seus oceanos evaporaram nos primeiros 600 milhões de anos da sua existência. A atmosfera do planeta tornou-se espessa com dióxido de carbono, uma molécula pesada que é mais difícil de expulsar. Estas forças levaram a um efeito de estufa que deixou Vénus com uma temperatura de 462º C, quente demais para a vida.

Marte, mais distante do Sol do que a Terra, parecia estar mais seguro das explosões estelares. No entanto, tinha menos protecção do que a Terra. Devido em parte ao fraco campo magnético do Planeta Vermelho e à baixa gravidade, o Sol primitivo gradualmente conseguiu soprar para longe o seu ar e a sua água. Há cerca de 3,7 mil milhões de anos, a atmosfera marciana havia se tornado tão fina que a água líquida evaporava imediatamente para o espaço (ainda existe água no planeta, congelada nas calotes polares e no solo).

Depois de influenciar a vida (ou a falta dela) nos planetas interiores, o Sol, cada vez mais adulto, gradualmente desacelerou o seu ritmo e ainda assim continua. Hoje, completa uma rotação sob si próprio a cada 27 dias, três vezes mais devagar do que na infância. A rotação mais lenta torna o Sol muito menos activo, embora ainda tenha ocasionalmente surtos violentos.

Explorando a Lua, testemunha da evolução do Sistema Solar

Para aprender mais sobre o início do Sol, disse Saxena, não precisamos ir além da Lua, um dos artefactos mais bem preservados do jovem Sistema Solar.

“A razão pela qual a Lua acaba sendo um calibrador realmente útil e uma janela para o passado é que o nosso satélite não tem uma atmosfera irritante nem placas tectónicas para reciclar a crosta,” comentou. “Então, como resultado, podemos dizer: ‘Se as partículas solares ou qualquer outra coisa atingir a Lua, o seu solo deverá mostrar evidências.'”

As amostras das Apolo e os meteoritos lunares são um excelente ponto de partida para estudar o início do Sistema Solar, mas são apenas pedaços pequenos de um grande e misterioso quebra-cabeças. As amostras pertencem a uma pequena região perto do equador lunar e os cientistas não podem dizer com toda a certeza de onde da Lua os meteoritos vieram, o que torna difícil colocá-los no contexto geológico.

Dado que o pólo sul abriga crateras permanentemente à sombra, onde esperamos encontrar o material mais bem preservado da Lua, incluindo água congelada, a NASA pretende enviar uma expedição humana a essa região até 2024.

Se os astronautas conseguirem recolher amostras de solo lunar da região mais a sul da Lua, elas podem fornecer evidências físicas da rotação do Sol bebé, comentou Airapetian, que suspeita que as partículas solares teriam sido desviadas pelo antigo campo magnético da Lua há 4 mil milhões de anos e depositadas nos pólos: “De modo que seria de esperar – embora nunca nos tenhamos debruçado sobre isso – que a química dessa parte da Lua, aquela exposta ao jovem Sol, seria muito mais alterada do que as regiões equatoriais. Há muita ciência a ser feita lá.”

Astronomia On-line
21 de Junho de 2019