Astrónomos encontram agulha cósmica “enterrada” durante duas décadas; descoberta lança luz sobre o famoso anel de Einstein

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Determinados a encontrar uma agulha num “palheiro cósmico”, dois astrónomos “viajaram no tempo” através de arquivos de dados do Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, e dados antigos do Observatório de raios-X Chandra da NASA para desvendar um mistério em torno de um quasar brilhante, mas muito obscurecido, que sofre efeito de lente gravitacional.

Este objecto celeste, uma galáxia activa que emite enormes quantidades de energia devido a um buraco negro que devora material, é excitante. Encontrar um que sofre o efeito de lente gravitacional, fazendo com que pareça maior e mais brilhante, é ainda mais excitante. Embora sejam conhecidos pouco mais de 200 quasares que sofrem efeitos de lentes gravitacionais, o número de quasares obscurecidos e que sofrem efeitos de lentes gravitacionais ainda é inferior a 10. Isto porque o buraco negro activo agita gás e poeira, encobrindo o quasar e dificultando a detecção em levantamentos ópticos.

Os cientistas não somente encontraram um quasar deste tipo, como também chegaram à conclusão que o objecto é o primeiro anel de Einstein descoberto, chamado MG 1131+0456, observado em 1987 com o VLA (Very Large Array) no estado norte-americano do Novo México. Notavelmente, embora amplamente estudado, a distância ou desvio para o vermelho do quasar permanecia por descobrir.

Imagem rádio de MG 1131+0456, o primeiro anel de Einstein conhecido observado em 1987 usando o VLA (Very Large Array).
Crédito: VLA

“À medida que estudámos o objecto, ficámos surpresos por uma fonte tão famosa e brilhante nunca ter tido a sua distância medida,” disse Daniel Stern, cientista sénior do JPL da NASA e autor do estudo. “A distância é um primeiro passo necessário para todos os tipos de estudos adicionais, como por exemplo usar a lente como ferramenta para medir a história da expansão do Universo e como sonda para a matéria escura.”

Stern e o co-autor Dominic Walton, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge (Reino Unido), são os primeiros a calcular a distância do quasar, que está a 10 mil milhões de anos-luz (ou um desvio para o vermelho de z=1,849).

O resultado foi publicado na edição de 1 Junho da revista The Astrophysical Journal Letters.

“Todo este trabalho foi um pouco nostálgico para mim, fazendo com que me debruçasse nos artigos do início da minha carreira, quando ainda era estudante. O Muro de Berlim ainda estava em pé quando este anel de Einstein foi descoberto, e todos os dados apresentados no nosso artigo são do milénio passado,” disse Stern.

Metodologia

Na altura da sua investigação, os telescópios de todo o mundo estavam encerrados devido à pandemia de coronavírus (o Observatório Keck reabriu a 16 de maio); Stern e Walton aproveitaram o seu tempo em casa para continuar a fazer ciência de modo criativo, vasculhando os dados do WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA para procurar quasares muito obscurecidos e que sofriam efeitos de lentes gravitacionais. Embora a poeira oculte as galáxias mais ativas em levantamentos ópticos, essa poeira obscurante torna as fontes muito brilhantes em levantamentos infravermelhos, como os fornecidos pelo WISE.

Embora os quasares geralmente estejam muito distantes, os astrónomos podem detectá-los através de lentes gravitacionais, um fenómeno que actua como uma lupa natural. Isto ocorre quando uma galáxia mais próxima da Terra age como lente e faz o quasar por trás dela parecer mais brilhante. O campo gravitacional da galáxia mais próxima distorce o próprio espaço, dobrando e amplificando a luz do quasar de fundo. Se o alinhamento for perfeito, isto cria um círculo de luz chamado anel de Einstein, previsto por Albert Einstein em 1936. Mais tipicamente, as lentes gravitacionais produzem várias imagens do objecto de fundo em torno do objecto de primeiro plano.

Assim que Stern e Walton redescobriram MG 1131+0456 com o WISE e se aperceberam que a distância permanecia um mistério, vasculharam meticulosamente os dados antigos do Arquivo do Observatório Keck e descobriram que o Observatório observou o quasar sete vezes entre 1997 e 2007 usando o instrumento LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do telescópio Keck I, bem como com o NIRSPEC (Near-Infrared Spectrograph) e com o ESI (Echellette Spectrograph and Imager) do telescópio Keck II.

“Conseguimos extrair a distância do conjunto de dados mais antigo do Keck, obtido em Março de 1997, durante os primeiros anos do observatório,” disse Walton. “Estamos gratos pelos esforços colaborativos do Keck e da NASA, de disponibilizar publicamente mais de 25 anos de dados do Keck. O nosso artigo científico não teria sido possível sem isso.”

A equipa também analisou dados de arquivo do Observatório de raios-X Chandra da NASA obtidos no ano 2000, no primeiro ano após o lançamento da missão.

Os próximos passos

Agora com a distância conhecida de MG 1131+0456, Walton e Stern foram capazes de determinar a massa da galáxia que sofre efeito de lente gravitacional com precisão requintada e de usar os dados do Chandra para confirmar com robustez a natureza obscurecida do quasar, determinando com precisão a quantidade de gás que existe entre nós e as suas regiões centrais luminosas.

“Podemos agora descrever completamente a geometria única e fortuita deste anel de Einstein,” disse Stern. “Isto permite-nos elaborar estudos de acompanhamento, por exemplo com o Telescópio Espacial James Webb, para estudar as propriedades da matéria escura da galáxia que actua como lente.”

“O nosso próximo passo é encontrar quasares que sofrem efeito de lente gravitacional ainda mais obscurecidos do que MG 1131+0456,” disse Walton. “Encontrar estas ‘agulhas’ será ainda mais difícil, mas estão lá fora, à espera de serem descobertas. Estas jóias cósmicas podem dar-nos uma compreensão mais profunda do Universo, incluindo mais informações sobre como os buracos negros super-massivos crescem e influenciam os seus arredores,” diz Walton.

Astronomia On-line
9 de Junho de 2020

3767: Astrónomos descobrem nova classe de explosões cósmicas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os astrónomos descobriram dois objectos que, somados a um objecto estranho descoberto em 2018, constituem uma nova classe de explosões cósmicas.

O novo tipo de explosão partilha algumas características com as explosões de super-nova de estrelas massivas e com as explosões que geram GRBs (explosões de raios-gama, “gamma-ray bursts”), mas ainda com algumas diferenças distintas.

A saga começou em Junho de 2018 quando os astrónomos viram uma explosão cósmica com características e comportamento surpreendentes. O objecto, apelidado AT2018cow (“A Vaca”), atraiu a atenção de cientistas de todo o mundo e foi estudado extensivamente. Embora partilhe algumas características com as explosões de super-nova, diferia em aspectos importantes, particularmente o seu brilho inicial invulgar e na rapidez com que aumentou e diminui de brilho em apenas alguns dias.

Entretanto, duas explosões adicionais – uma em 2016 e outra em 2018 – também mostraram características invulgares e foram observadas e analisadas. As duas novas explosões têm o nome CSS161010 (abreviação de CRTS CSS161010 J045834-081803), numa galáxia situada a aproximadamente 500 milhões de anos-luz da Terra, e ZTF18abvkwla (“O Coala”), numa galáxia a cerca de 3,4 mil milhões de anos-luz de distância. Ambas foram descobertas por levantamentos automatizados do céu (CRTS – Catalina Real-time Transient Survey, ASAS-SN – All-Sky Automated Survey for Supernovae e ZTF – Zwicky Transient Facility) usando telescópios ópticos para varrer grandes áreas do céu nocturno.

Duas equipas de astrónomos acompanharam estas descobertas observando os objectos com o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation).

As duas equipas também usaram o GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope) na Índia e a equipa que estudava CSS161010 usou o Observatório de raios-X Chandra da NASA. Ambos os objectos surpreenderam os observadores.

Anna Ho, do Caltech, autora principal do estudo sobre ZTF18abvkwla, notou imediatamente que a emissão de rádio do objecto era tão brilhante quanto a de uma explosão de raios-gama. “Quando reduzi os dados, pensei que tinha cometido um erro,” disse.

Deanne Coppejans, da Northwestern University, liderou o estudo sobre CSS161010, que descobriu que o objecto havia lançado uma quantidade “inesperada” de material para o espaço interestelar a mais de metade da velocidade da luz. A sua coautora Raffaella Margutti, da mesma universidade, disse: “Demorámos quase dois anos para descobrir o que estávamos a ver, porque era tão invulgar.”

Em ambos os casos, as observações de acompanhamento indicaram que os objectos partilhavam características em comum com AT2018cow. Os cientistas concluíram que estes eventos, chamados FBOTs (Fast Blue Optical Transients), representam, juntamente com AT2018cow, um tipo de explosão estelar significativamente diferente das outras.

Os cientistas relataram as suas descobertas em artigos publicados na revista The Astrophysical Journal Letters e na revista The Astrophysical Journal.

As FBOTs provavelmente começam, dizem os astrónomos, da mesma forma que certas super-novas e GRBs – quando uma estrela muito mais massiva do que o Sol explode no final da sua vida “normal” alimentada a fusão atómica.

As diferenças aparecem após a explosão inicial.

Na super-nova “comum” deste tipo, chamada super-nova de colapso do núcleo, a explosão envia uma onda de choque para o espaço interestelar. Se, além disso, um disco giratório de material se formar brevemente em torno da estrela de neutrões ou buraco negro formados após a explosão e impulsionar jactos estreitos de material quase à velocidade da luz em direcções opostas, estes jactos podem produzir feixes estreitos de raios-gama, despoletando uma GRB.

O disco giratório, chamado disco de acreção, e os jactos que produz, são chamados de “motor” pelos astrónomos. Os astrónomos concluíram que as FBOTs também têm esse mecanismo de motor. No seu caso, ao contrário das explosões de raios-gama, está envolto por material espesso. Esse material provavelmente foi derramado pela estrela pouco antes de explodir e pode ter sido retirado de lá por uma companheira binária.

Quando o material espesso próximo da estrela é atingido pela onda de choque da explosão, faz com que o surto de luz, visível logo após a explosão que inicialmente produziu estes objectos, pareça tão invulgar. Esta explosão brilhante também é o motivo pelo qual os astrónomos chamam a estas explosões FBOTs (Fast Blue Optical Transients). Esta é uma das características que as distinguiu das super-novas mais comuns.

À medida que a onda de choque da explosão colide com o material em torno da estrela, enquanto viaja para longe, produz emissão de rádio. Esta emissão muito brilhante foi a pista importante que provou que a explosão foi desencadeada por um motor.

O invólucro de material denso “significa que a estrela progenitora é diferente daquelas que levam a explosões de raios-gama,” disse Ho. Os astrónomos realçam que, na “Vaca” e em CSS161010, o material denso incluía hidrogénio, algo nunca visto nas explosões de raios-gama.

Usando o Observatório W. M. Keck, os astrónomos descobriram que CSS 161010 e ZTF18abvkwla, tal como “A Vaca”, estão situadas em pequenas galáxias anãs. Coppejans disse que as propriedades das galáxias anãs “podem permitir alguns caminhos evolutivos muito raros das estrelas”, que levam a estas explosões distintas.

Embora um elemento comum das FBOTs seja o facto de todas as três terem um “motor central”, os astrónomos alertam que o motor também pode ser o resultado de estrelas serem destruídas por buracos negros, embora considerem as explosões do tipo super-nova o candidato mais provável.

“Mais observações das FBOTs e dos seus ambientes podem responder a esta pergunta,” disse Margutti. Para tal, os cientistas dizem que vão precisar de usar telescópios que cobrem uma ampla gama de comprimentos de onda, como fizeram com os três primeiros objectos. “Embora as FBOTs se tenham mostrado mais raras e mais difíceis de encontrar do que alguns de nós esperávamos, na banda do rádio são também muito mais luminosas do que imaginávamos, permitindo-nos obter dados compreensivos mesmo de eventos muito distantes,” disse Daniel Perley, da Universidade John Moores em Liverpool.

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
2 Junho, 2020

 

spacenews

 

3644: Obrigado

Em destaque

 

Obrigado, thank you

Hoje, estive a responder a uma série de gratificantes comentários de inúmeros leitores deste Blogue. A todos eles, os meus agradecimentos pelos comentários elogiosos e estejam à vontade para voltarem sempre que o desejem.

Today, I was responding to a series of gratifying comments from countless readers of this Blog. To all of them, my thanks for the complimentary comments and feel free to come back whenever you wish.

Refractor telescope Bresser Messier Hexafoc Ø102mm/1000mm

Telescópio Catadrióptico Skywatcher Maksutov/Cassegrain Ø127mm/1500mm

Newtonian telescope Bresser Messier NT-150S – Ø150mm/750mm Hexafoc f/5

3541: Northolt Branch Observatories

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

The NEOCP objects, C2G7M12 and TMG0021 that we observed recently have now been designated 1994 GL and 2020 GY1.

1994 GL is an Aten-type asteroid with a diameter of 39-87 metres. It was first observed at Steward Observatory, Kitt Peak-Spacewatch on the 7th April 1994. It had an observational arc of just 4 days before essentially becoming lost. It remained unobserved for 26 years. It was recovered by Pan-STARRS 2, Haleakala on April 2nd 2020.
1994 GL made a close approach on the 3rd of April, at a distance of 0.0272 au (4 million km) from Earth.

We observed it when it was visible at +18.5 mag, moving at 28″/min, through the constellation of Virgo.

1994 GL is currently visible at mag +20.2 and fading.
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20G67.html
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2020 GY1 is an Apollo-type asteroid with a diameter of 13-30 metres. It was first observed at Tokyo-Kiso on April 5th. It made a close approach on the same day, at a distance of 0.000537 au (80,000 km) from Earth.

This was the closest approach by an object of this size since 2017 QP1, 2 1/2 years ago.

We observed 2020 GY1 moving at 38″/min, moving through the constellation of Virgo.

2020 GY1 visible at mag +19.3 and fading.
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20G69.html
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Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

Os objectos NEOCP, C2G7M12 e TMG0021 que observámos recentemente foram agora designados 1994 GL e 2020 GY1.

1994 GL é um asteróide do tipo Aten com um diâmetro de 39-87 metros. Foi observado pela primeira vez no Observatório Steward, Kitt Peak-Spacewatch no dia 7 de Abril de 1994. Tinha um arco observacional de apenas 4 dias antes de se perder essencialmente. Ele permaneceu sem observar durante 26 anos. Foi recuperado pelo Pan-STARRS 2, Haleakala no dia 2 de Abril de 2020.
1994 GL fez uma aproximação estreita no dia 3 de Abril, a uma distância de 0.0272 au (4 milhões de km) da Terra.

Observamos-lo quando era visível em + 18.5 Mag, movendo-se a 28 “/ min, através da constelação de Virgo.

1994 GL está actualmente visível na Mag + 20.2 e desaparecendo.
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20G67.html
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2020 GY1 é um asteróide tipo Apollo com um diâmetro de 13-30 metros. Foi observado pela primeira vez em Tóquio-Kiso no dia 5 de Abril. Ele fez uma aproximação estreita no mesmo dia, a uma distância de 0.000537 au (80,000 km) da Terra.

Esta foi a abordagem mais próxima por um objecto deste tamanho desde 2017 QP1, há 2 anos atrás.

Observamos 2020 GY1 movendo-se a 38 “/ min, passando pela constelação de Virgo.

2020 GY1 visível na Mag + 19.3 e a desaparecer.
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20G69.html
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Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

 

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3461: Planeta com ano de 18 horas à beira da destruição

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um Júpiter quente orbitando muito perto de uma estrela.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick

Astrónomos da Universidade de Warwick observaram um exoplaneta orbitando uma estrela em pouco mais de 18 horas, o período orbital mais curto já observado para um planeta do seu tipo.

Isto significa que a duração do ano para este Júpiter quente – um gigante gasoso semelhante em tamanho e composição com Júpiter, no nosso próprio Sistema Solar – é inferior a um dia terrestre.

O achado foi divulgado num artigo científico publicado dia 20 de Fevereiro na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e os cientistas pensam que pode ajudar a descobrir se os planetas deste género estão, ou não, numa espiral destrutiva em direcção aos seus sóis.

O planeta NGTS-10b foi descoberto a cerca de 1000 anos-luz de distância da Terra, como parte do NGTS (Next-Generation Transit Survey), um levantamento exoplanetário sediado no Chile que visa descobrir planetas do tamanho de Neptuno usando o método de trânsito. Isto envolve a observação de estrelas em busca de uma queda no brilho, indicativa da passagem de um planeta à sua frente.

A qualquer momento o levantamento observa 100 graus quadrados do céu, que inclui cerca de 100.000 estrelas. Dessas 100.000 estrelas, esta chamou a atenção dos astrónomos devido aos mergulhos muito frequentes no brilho estelar provocados pela rápida órbita do planeta.

O autor principal Dr. James McCormac, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: “Estamos empolgados em anunciar a descoberta de NGTS-10b, um planeta do tamanho de Júpiter com um período extremamente curto que orbita uma estrela não muito diferente do nosso Sol. Também estamos satisfeitos com o facto do NGTS continuar a empurrar as fronteiras da ciência terrestre de trânsitos exoplanetários através da descoberta de classes raras de exoplanetas.

“Embora, em teoria, os Júpiteres quentes com períodos orbitais curtos (menos de 24 horas) sejam os mais fáceis de detectar devido ao seu grande tamanho e trânsitos frequentes, provaram ser extremamente raros. Das centenas de Júpiteres quentes actualmente conhecidos, apenas sete têm um período orbital inferior a um dia.”

NGTS-10b orbita tão depressa porque está muito próximo do seu sol – a apenas o dobro do diâmetro da estrela que, no contexto do nosso Sistema Solar, a posicionaria 27 vezes mais perto do que Mercúrio está do nosso próprio Sol. Os cientistas notaram que está perigosamente perto do ponto em que as forças de maré da estrela acabariam por destruir o planeta.

É provável que o planeta sofra bloqueio de maré, de modo que um lado está constantemente virado para a estrela e constantemente quente – os astrónomos estimam que a temperatura média seja superior a 1000º C. A estrela, propriamente dita, tem mais ou menos 70% do raio do Sol e é 1000º C mais fria que o Sol, com cerca de 4000º C. NGTS-10b também é um excelente candidato para caracterização atmosférica com o Telescópio Espacial James Webb.

Usando fotometria de trânsito, os cientistas sabem que o planeta é 20% maior do que o nosso Júpiter e tem pouco mais de duas vezes a sua massa, de acordo com medições da velocidade radial, capturadas num ponto conveniente do seu ciclo de vida para ajudar a responder perguntas sobre a evolução deste tipo de planetas.

Os planetas massivos geralmente formam-se muito longe da estrela e depois migram por meio de interacções com o disco enquanto o planeta ainda está a formar-se, ou por meio de interacções com planetas adicionais muito mais tarde na sua vida. Os astrónomos planeiam solicitar tempo de observação para obter medições de alta precisão de NGTS-10b e continuar a observá-lo na próxima década para determinar se permanecerá nesta órbita por algum tempo – ou se entrará numa espiral da morte em direcção à sua estrela.

O co-autor Dr. David Brown acrescenta: “Pensa-se que estes planetas de período extremamente curto migram dos confins dos seus sistemas solares e acabam sendo consumidos ou perturbados pela estrela. Ou temos muita sorte de os avistar neste período orbital curto, ou os processos pelos quais o planeta migra para a estrela são menos eficientes do que imaginamos; nesse caso, poderá viver nesta configuração durante muito mais tempo.”

O co-autor Dr. Daniel Bayliss disse: “Nos próximos dez anos, pode ser possível ver este planeta a espiralar. Vamos poder usar o NGTS para o monitorizar ao longo de uma década. Se pudéssemos ver que o período orbital estava a começar a diminuir e o planeta a começar a espiralar, isso dir-nos-ia muito sobre a estrutura do planeta que ainda não sabemos.”

“Tudo o que sabemos sobre a formação planetária diz-nos que os planetas e as estrelas formam-se ao mesmo tempo. O melhor modelo que temos sugere que a estrela tem cerca de 10 mil milhões de anos e assumimos que o planeta também tem. Ou estamos a vê-lo nos últimos estágios da sua vida, ou de alguma forma é capaz de viver aqui por mais tempo do que devia.”

Astronomia On-line
25 de Fevereiro de 2020

 

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2508: Asteróide Ryugu não larga poeira e os astrónomos estão intrigados

Ryugu é um asteróide, da classe Apollo, que está a ser estudado pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). Esta pousou em Setembro passado pequenos rovers na superfície desta rocha. Contra este astro foi disparada uma bala de tântalo que provocou um explosão. Daí em diante, foram já recolhidas muitas informações pertinentes.

As fotos mais recentes e detalhadas do asteróide Ryugu revelaram algo curioso: é surpreendentemente este não ter poeira.

Asteróide Ryugu é uma caixa de surpresas

A nave espacial Hayabusa 2 do Japão chegou ao asteróide em Junho de 2018, largou três veículos meses mais tarde e retirou uma amostra de material da superfície de Ryugu. Agora, as fotos de um dos rovers revelaram detalhes sobre a composição do asteróide.

Das observações anteriores, os cientistas sabiam que a composição de Ryugu era semelhante à de um grupo de meteoritos chamados condritos carbonáceos, que constituem menos de 5% de todos os meteoritos que caem na Terra.

Contudo, os cientistas ficaram surpresos com o detalhe da textura rochosa que puderam observar na superfície.

Ser capaz de ver inclusões brilhantes de cores diferentes na rocha, superfícies quebradiças e texturas lisas é incrível.

Segundo Ralf Jaumann, do Instituto de Ciências Planetárias do Centro Aeroespacial Alemão, em Berlim, que liderou o estudo.

Novas imagens revelam dados surpreendentes

As imagens mostram que existem dois tipos de rocha na superfície de Ryugu, escura e áspera ou brilhante e lisa. Além disso, estas áreas estão distribuídas em partes iguais na superfície.

Repare-se na superfície limpa, sem poeira que era o esperado, tal como existe na Lua. Imagem de asteróide Ryugu tirada pela sonda MASCOT. Crédito: aumann et al (Science (2019))

Conforme podemos ver, as fotos também mostram que a superfície de Ryugu não tem uma camada de poeira, como há na lua, por exemplo. Assim, o padrão é estranho. Isto porque o que se espera é que a poeira se acumule através de várias colisões e arranhões no espaço.

Não existir poeira é um mistério

Poderá haver algumas possíveis explicações. As partículas finas de poeira tornam-se carregadas devido à radiação solar e são removidas por forças eléctricas. Além desta explicação, conforme refere Jaumann, a libertação de gases voláteis da superfície pode ter soprado a poeira para longe. Por outro lado, se o asteróide tremer enquanto viaja pelo espaço, a poeira poderia ter gradualmente caído no interior do asteróide, o que significa que não a podemos ver.

Neste ponto, não está claro qual o mecanismo mais provável a ocorrer no asteróide.

Concluiu Jaumann.

Este asteróide pode ser a exploração mais avançada para conhecermos a realidade destes astros. Defender a Terra destas rochas exige que se conheça a sua formação e especificidades.

pplware
Imagem: Akihiro Ikeshita/JAXA
Fonte: Science

 

1538: Activista de 16 anos está a pôr líderes mundiais em xeque (e até Bono aplaude!)

– Este Blogue, dedica-se especificamente a republicar notícias sobre as áreas do Universo, da Ciência, do Ambiente, de Catástrofes naturais e tudo o que possa relacionar-se e ferir a continuidade da existência do Planeta Terra. Esta notícia é fantástica por ter a origem que tem. Obrigado, Greta Thunberg, os teus 16 anos valem mais que todos os cotas juntos do poder mundial!

Greta Thunberg tem apenas 16 anos, mas começa a afirmar-se como uma das vozes mais influentes do mundo na luta pelo ambiente. A jovem sueca participou, recentemente, no Fórum de Davos e deu uma lição aos líderes mundiais que mereceu os aplausos de Bono Vox.

Diagnosticada com Síndrome de Asperger, uma doença do espectro do autismo que afecta a capacidade de comunicação e de relacionamento, Greta Thunberg não parece encaixar neste perfil. Ela está habituada a falar sem papas na língua em grandes palcos mediáticos, em prol de políticas ambientais que ajudem a salvar o nosso planeta.

Na Suécia, tem criticado os responsáveis políticos por não respeitarem o Acordo de Paris para reduzir a emissão de gases poluentes. E já brilhou na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, na Polónia, e no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, com discursos poderosos.

Aos 16 anos, Greta Thunberg está certa de que os lideres mundiais não estão a fazer o que deviam para salvar a Terra das alterações climáticas. E foi isso que foi dizer na cara de alguns responsáveis presentes no Fórum de Davos, culpando-os por nada fazerem perante uma crise ambiental que nos pode roubar o futuro.

Diante de presidentes e executivos de grandes empresas mundiais, bem como de celebridades da música e do cinema como Will Smith e Bono Vox, a jovem sueca fez um discurso arrasador que arrancou aplausos do vocalista dos U2.

“Algumas pessoas dizem que a crise climática é algo que nós criámos, mas não é verdade, porque se todos são culpados, ninguém é culpado. E alguém é culpado. Algumas pessoas, algumas empresas, alguns decisores em particular, sabem exactamente que valores preciosos têm sacrificado para continuarem a fazer quantidades inimagináveis de dinheiro. E penso que muitos de vocês aqui, hoje, pertencem a esse grupo de pessoas”, atirou a desafiante Greta perante uma audiência de figuras poderosas.

Antes, Greta já tinha criticado o facto de muitos dos presentes na cimeira se terem deslocado para Davos em jactos privados para “discutir alterações ambientais”. Ela deixou de andar de avião e fez questão de se deslocar da Suécia até à Suíça de comboio, para proteger o ambiente.

Em Agosto de 2018, lançou um movimento de greve às aulas que começou a ser imitado em vários países do mundo por outros jovens da chamada “Geração Z”. Greta começou a faltar às aulas todas as sextas-feiras, manifestando-se, nomeadamente, junto ao Parlamento sueco, para alertar os políticos do país para o problema do clima.

Este movimento intitulado “Skolstrejk för klimatet” [“Greve da escola pelo clima” na tradução para Português] gerou uma onda de protestos por todo o mundo de estudantes que fazem greve às aulas para protestarem contra a inacção dos Governos perante o dilema das alterações climáticas.

O mundo precisa de agir “como se a casa estivesse a arder”, porque “a casa está mesmo a arder”, alerta Greta do alto dos seus sábios 16 anos.

SV, ZAP //

Por SV
30 Janeiro, 2019

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1391: Chineses vão plantar batatas na face oculta da Lua

Chang’e-4 foi lançada esta sexta feira à tarde do Centro Espacial de Xichang. O lado negro do satélite terrestre vai deixar de ser desconhecido.


Há um lado da Lua que nunca se consegue ver a partir da Terra.
© REUTERS

Eram seis e meia da tarde de sexta, 7 de Dezembro, quando Pequim confirmou a notícia. A sonda não tripulada Chang’e-4 está a caminho do espaço. Dirige-se à face oculta da Lua, o lado que os terrestres nunca conseguem ver no seu satélite e leva consigo, entre outras coisas, sementes de batata para plantar e ovos de bicho-da-seda. É mais um triunfo do expansão espacial chinesa.

Até aqui era impossível tecnologicamente chegar àquele lado do astro. Agora, se tudo correr bem, a sonda (baptizada com o nome de uma deusa chinesa que habita a lua) deverá alunar nos primeiros dias de Janeiro.

A China é então a primeira do mundo a enviar uma sonda e um veículo robotizado para o “lado negro da Lua”, onde pretende testar o crescimento de plantas e captar sinais de radiofrequência normalmente bloqueados pela atmosfera terrestre, de acordo com um artigo da revista científica Nature.

O local provável de alunagem da sonda e do veículo robotizado será a cratera Von Kármán, situada na bacia do Polo Sul-Aitken, a maior e mais antiga depressão na Lua e uma das maiores zonas de impacto do Sistema Solar.

“É uma área-chave para dar resposta a várias questões sobre a história da formação da Lua, incluindo a sua estrutura interna e a evolução da sua temperatura”, afirmou, citado pela Nature, o investigador Bo Wu, da Universidade Politécnica de Hong Kong, que descreveu a topografia e a geomorfologia da cratera.

O veículo robótico da Chang’e-4 está preparado para realizar diversas experiências no solo lunar, como avaliar com um radar a espessura das camadas subterrâneas e estudar com um espectrómetro a composição mineral à superfície.

A sonda, equipada também com vários instrumentos, irá estudar o gás interestelar e os campos magnéticos que se disseminam após a morte de uma estrela e testar se a batata e a planta herbácea arabidopsis thaliana (da família da mostarda) crescem e fazem a fotossíntese num ambiente controlado, mas condicionado à micro-gravidade da superfície lunar.

Experiências anteriores realizadas na Estação Espacial Internacional revelaram que a batata e a arabidopsis thaliana podem crescer normalmente em ambientes controlados que são sujeitos a uma gravidade inferior à da Terra, mas não a uma gravidade tão baixa como a da Lua.

Para comunicar com a sonda, o centro de controlo da missão Chang’e-4 irá usar o satélite Queqiao, lançado em maio, para intermediar as comunicações com o aparelho (a comunicação directa com a sonda não é possível no lado oculto da Lua).

Depois da “Chang’e-4 seguir-se-á a missão Chang’e-5, com lançamento previsto para 2019, e com a qual a China pretende recolher amostras do solo lunar.

A meta final da agência espacial chinesa, ainda sem data marcada, é criar uma base na Lua para exploração humana.

Diário de Notícias

DN

07 Dezembro 2018 — 20:27

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226: SpaceX lança satélite em missão secreta dos EUA

A empresa de transporte espacial norte-americana SpaceX anunciou o lançamento bem sucedido do foguete Falcon 9, que levava um satélite secreto do Governo dos EUA em órbita.

O foguete Falcon 9, que transportava um satélite secreto do Governo dos EUA, foi lançado com sucesso, esta segunda-feira, na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, informou a empresa espacial do bilionário Elon Musk.

Esta foi, segundo a euronews, uma missão espacial rodeada de grande secretismo e especulação, que teve como “cliente” o governo dos EUA, sob o nome de código “Zuma”.

Nem a empresa nem o Pentágono responderam a quaisquer questões sobre a natureza deste projecto. O grupo empresarial Northrop Grumman, responsável pelo fabrico do engenho, explicou apenas que a “carga” seria colocada em órbita terrestre baixa, sem avançar, porém, com mais detalhes.

O lançamento do satélite deveria ter ocorrido no passado mês de Novembro. No entanto, foi adiado diversas vezes por razões diferentes.

Esta é já a terceira missão secreta levada a cabo pela SpaceX, que transportou o satélite espião do National Reconnaissance Office dos Estados Unidos e o avião espacial não-habitado X-37B da Força Aérea norte-americana.

ZAP //

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