3489: Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Este mosaico do asteróide Bennu mostra as localizações das primeiras 12 características à superfície que receberam nomes oficiais da União Astronómica Internacional. Os nomes aceites foram propostos por membros da equipa OSIRIS-REx da NASA, que têm vindo a mapear o asteróide em detalhe ao longo do último ano. As características à superfície de Bennu têm o nome de pássaros, criaturas parecidas com pássaros e de lugares a eles associados na mitologia.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

O pedregulho mais proeminente do asteróide Bennu, um pedaço de rocha que se estende 21,7 m a partir do hemisfério sul do objecto, finalmente tem um nome. A rocha – que é tão grande que foi inicialmente detectada na Terra – tem a designação oficial Benben Saxum, em honra à colina primordial que surgiu das águas escuras de um antigo mito egípcio da criação.

Benben Saxum e outras 11 características do asteróide são as primeiras a receber nomes oficiais aprovados pela UAI (União Astronómica Internacional), a autoridade internacionalmente reconhecida para nomear corpos celestes e suas características de superfície. Os nomes aceites foram propostos por membros da equipa OSIRIS-REx da NASA, que têm vindo a mapear em detalhe o asteróide desde o ano passado. A sonda OSIRIS-REx, a primeira missão da NASA de retorno de amostras de um asteróide, está actualmente a visitar o asteróide e está programada para recolher uma amostra da superfície de Bennu este verão.

“Desde que chegou ao asteróide, a equipa da OSIRIS-REx tornou-se incrivelmente familiar com todas as características geológicas de Bennu,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. “Estas características fornecem-nos uma visão da história de Bennu e os seus novos nomes simbolizam a essência da missão – estudar o passado para descobrir as nossas origens e para compreender o nosso futuro.”

Os nomes aprovados das características à superfície de Bennu estão listadas abaixo. Os diversos tipos de terreno de Bennu – incluindo “regiones” (regiões geográficas amplas), crateras, “dorsa” (cordilheiras), “fossae” (ranhuras ou trincheiras) e “saxa” (rochas e pedregulhos) – receberão o nome de pássaros, de criaturas parecidas com pássaros e de lugares a eles associados na mitologia.

  • Tlanuwa Regio tem o nome dos pássaros gigantes que espalharam a Terra com pedaços de uma serpente que se transformou em pilares de rochas na mitologia Cherokee. Tlanuwa Regio é uma área coberta por grandes rochas no hemisfério sul de Bennu;
  • Benben Saxum tem o nome do antigo monte egípcio que surgiu das águas primordiais Nu. Na mitologia egípcia, o deus Atum estabeleceu Benben para criar o mundo após o seu voo sobre as águas na forma do pássaro Bennu. Benben Saxum é o pedregulho mais alto de Bennu;
  • Roc Saxum tem o nome de Roc, uma enorme ave de rapina da mitologia árabe do Médio Oriente. Roc Saxum é o maior pedregulho de Bennu;
  • Simurgh Saxum tem o nome do pássaro mitológico benevolente na mitologia persa. Diz-se que Simurgh possuía todo o conhecimento, e Simurgh Saxum define o meridiano principal de Bennu e é a base do sistema de coordenadas do asteróide;
  • Huginn Saxum e Muninn Saxum são rochas adjacentes com o nome de dois corvos, Huginn e Muninn, que acompanham o deus Odin da mitologia nórdica;
  • Ocypete Saxum tem o nome de uma das harpias gregas, a personificação metade donzela, metade pássaro dos ventos tempestuosos que roubavam e transportavam coisas para longe da Terra. Ocypete Saxum está localizado perto do local de origem do evento de ejecção de partículas de dia 19 de Janeiro de 2019;
  • Strix Saxum tem o nome do pássaro Strix do mau agouro da mitologia romana. Strix Saxum é uma grande rocha que flanqueia o local de recolha de amostras de “backup” da missão OSIRIS-REx;
  • Amihan Saxum tem o nome da divindade mitológica Tagalog (Filipinas), que é descrita como um pássaro e que foi a primeira criatura a habitar o Universo. Este pedregulho grande, mas plano parece estar parcialmente enterrado e está localizado em Tlanuwa Regio, que possui uma concentração invulgarmente alta de pedras grandes.;
  • Pouakai Saxum tem o nome do pássaro monstruoso que mata e come humanos na mitologia Māori (Polinésia). Pouakai Saxum é um pedregulho com 10,6 metros localizado no hemisfério sul de Bennu, ligeiramente para norte de Benben Saxum;
  • Aetos Saxum tem o nome do companheiro de infância do deus supremo Zeus, que foi transformado numa águia por Hera na mitologia grega. Aetos Saxum é um pedregulho visivelmente plano, com uma forma parecida a uma asa localizado no equador de Bennu;
  • Gargoyle Saxum tem o nome do monstro francês parecido com um dragão com asas, pescoço de pássaro e hálito de fogo. Gargoyle Saxum é um grande pedregulho perto do local de recolha de amostras de “backup” e um dos objectos mais escuros à superfície.

Astronomia On-line
10 de Março de 2020

 

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Centenas de milhares de pessoas de 112 países seleccionam nomes de exoplanetas e respectivas estrelas; Portugal escolheu “Viriato”, que orbita “Lusitânia”

CIÊNCIA

Os 112 países que participaram na campanha IAU100 NameExoWorlds.
Crédito: UAI

No dia 17 de Dezembro de 2019, numa conferência de imprensa em Paris, foram anunciados os nomes de 112 exoplanetas e das suas estrelas hospedeiras da campanha NameExoWorlds da UAI (União Astronómica Internacional). No âmbito das comemorações dos 100 anos da UAI, 112 países organizaram campanhas nacionais que estimularam a participação directa de mais de 780.000 pessoas de todo o mundo, que propuseram e seleccionaram nomes para cada exoplaneta e para a sua estrela hospedeira.

O projecto NameExoWorlds da UAI teve uma participação massiva e generalizada. O público aderiu a esta empolgante oportunidade de sugerir nomes únicos, importantes e criativos para os sistemas exoplanetários de cada dos respectivos países. Esta é apenas a segunda vez na história que uma campanha levou à nomenclatura de estrelas e exoplanetas. No total, foram recebidas mais de 360.000 propostas para nomes entre 112 países. O Comité Nacional de cada país reduziu as suas propostas a uma lista restrita de candidatos, que foram apresentados ao público para votação. Um total de 420.000 pessoas votaram nos seus candidatos favoritos. A lista completa de nomes aprovados pelo Comité Gestor da Campanha IAU100 NameExoWorlds pode ser consultada na secção de links. Este projecto terá um impacto duradouro, pois os nomes vencedores serão usados em paralelo com a nomenclatura científica existente, creditada à pessoa, grupo ou instituição que os sugeriu.

“As observações astronómicas ao longo da última geração descobriram agora mais de 4000 planetas em órbita de outras estrelas – chamados exoplanetas. O número de descoberto continua a duplicar a cada 2 anos e meio, revelando novas populações notáveis de planetas e colocando a nossa própria Terra e o Sistema Solar em perspectiva. Estatisticamente, é provável que a maioria das estrelas no céu tenha planetas em órbita – estão por toda a parte,” disse Eric Mamajek, co-presidente do Comité Gestor da Campanha NameExoWorlds. “Os astrónomos catalogam as suas novas descobertas usando designações semelhantes a números de telefone e tem havido um interesse crescente entre os astrónomos e o público em também atribuir-lhes nomes próprios, como os corpos do Sistema Solar,” continuou Mamajek.

O projecto global IAU100 NameExoWorlds foi concebido para dar a conhecer o nosso lugar no Universo e para reflectir sobre como a Terra seria potencialmente compreendida por uma civilização de outro planeta. Dado que a UAI é a autoridade responsável por atribuir designações e nomes oficiais aos corpos celestes, as celebrações da campanha IAU100 em 2019 foram usadas como uma ocasião especial para oferecer a todos os países uma oportunidade de dar nome a um sistema planetário, incluindo um exoplaneta e a sua estrela hospedeira. Eduardo Monfardini Penteado, gerente do projecto IAU100, salientou: “A campanha IAU100 NameExoWorlds proporcionou ao público a empolgante oportunidade de ajudar a dar nomes a mais de 100 novos mundos e correspondentes estrelas e a ajudar a UAI a estabelecer um tema profundo para a nomenclatura de descobertas futuras nesses sistemas.”

A estrela atribuída a cada nação é visível desse país e brilhante o suficiente para ser observada através de pequenos telescópios. Os respectivos Comités Nacionais, seguindo a metodologia e directrizes estabelecidas pelo Comité Gestor IAU100 NameExoWorlds, foram os órgãos responsáveis por estabelecer as condições para a participação do público, divulgar o projecto no país e desenvolver um sistema de votação.

Os exoplanetas recém-nomeados provavelmente são grandes gigantes de gás e todos foram descobertos através de um de dois métodos: o método de trânsito – no qual se observam planetas a passar em frente das suas estrela, bloqueando parte da luz estelar; e o método de velocidade radial – onde a medição cuidadosa do espectro estelar revela que está a oscilar para a frente e para trás sob a influência da gravidade dos seus planetas.

O sistema atribuído a Portugal é HD 45652 – uma anã laranja na direcção da constelação de Unicórnio. O seu planeta é o gigante gasoso HD 45652 b. Como resultado da votação a nível nacional, à estrela foi atribuído o nome “Lusitânia”, designação da região oeste da Península Ibérica onde o povo Lusitano viveu e que em grande parte corresponde ao Portugal dos tempos modernos. O exoplaneta recebeu o nome “Viriato”, o lendário líder dos Lusitanos, pastor e caçador que liderou a resistência contra os invasores Romanos em meados do século II a.C.

Em reconhecimento do Ano Internacional das Línguas Indígenas da ONU, os falantes de línguas indígenas foram incentivados a propor nomes dessas línguas, e algumas dúzias dos nomes seleccionados são de etimologia indígena. Na Argentina, a proposta vencedora foi submetida por um professor e líder da comunidade indígena Moqoit. Os novos nomes para o planeta HD 48265 b (Naqaya) e para a estrela HD 48265 (Nosaxa) significam irmão-família-parente (referindo-se a todos os seres humanos como irmãos) e primavera (literalmente, ano novo), respectivamente, na língua Moqoit.

“A UAI está encantada por ver o amplo interesse internacional que esta campanha NameExoWorlds gerou,” observou Debra Elmegreen. “É gratificante que tantas pessoas em todo o mundo tenham ajudado a criar um nome para um sistema planetário que seja significativo para a sua cultura e herança. Este esforço ajuda à nossa união na exploração do Universo.”

O projecto NameExoWorlds foi organizado no âmbito do 100.º aniversário da União Astronómica Internacional em 2019. Com mais de 5000 actividades em 140 países, milhões de pessoas em todo o mundo comemoram os avanços astronómicos que moldaram a ciência, a tecnologia e a cultura ao longo do século passado, bem como destacam a importância da astronomia como ferramenta para a educação, desenvolvimento e diplomacia.

“Ao longo do ano, envolvemo-nos com o público em várias actividades astronómicas para o 100.º aniversário da UAI. O Projecto Global NameExoWorlds foi a iniciativa perfeita para fechar um ano cheio de projectos que colaboram com a sociedade. Certamente terá um impacto duradouro durante anos,” conclui Ewine van Dishoeck, presidente da UAI.

Astronomia On-line
20 de Dezembro de 2019

artigos relacionados: Viriato, o herói que se tornou num planeta a orbitar a estrela Lusitânia

 

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3218: Viriato, o herói que se tornou num planeta a orbitar a estrela Lusitânia

CIÊNCIA

NASA
Ilustração do exoplaneta HD 45652 b

De figura heróica a figura dos céus, Viriato, o líder do povo lusitano na Roma Antiga, é também nome de um planeta gigante gasoso que orbita uma estrela, a Lusitânia, a 114 anos-luz da Terra, foi hoje anunciado.

Os nomes do planeta extras-solar e da sua estrela foram propostos por Portugal e aprovados pela União Astronómica Internacional (UAI), que lançou uma nova campanha para designar estes “exomundos” no ano em que comemora o seu centésimo aniversário.

Os resultados, que ditaram nomes a 112 planetas fora do Sistema Solar e às suas respectivas estrelas, foram hoje divulgados pela UAI, liderada pela astrónoma portuguesa Teresa Lago.

Os nomes aprovados pela UAI, entidade que reconhece oficialmente a atribuição de um nome a um corpo celeste como um planeta, foram propostos por 112 países, incluindo Portugal, durante campanhas nacionais que envolveram o voto do público.

Ao todo, foram escolhidos 112 nomes de uma lista inicial de 360 mil, que foi reduzida e sujeita a votação em cada país. A aprovação final coube a um comité da UAI formado por vários membros, incluindo a astrónoma portuguesa Lina Canas.

Um dos critérios era que os nomes propostos teriam de estar relacionados com objectos, pessoas ou lugares com significado cultural, histórico ou geográfico.

O planeta ‘HD 45652b’, agora designado como Viriato, que liderou o povo lusitano contra o domínio do Império Romano na Península Ibérica, foi descoberto em 2008 e é constituído maioritariamente por gás, estando localizado na constelação Monoceros (Unicórnio).

A sua estrela, a ‘HD 45652’, baptizada como Lusitânia, que era uma das três províncias romanas da Península Ibérica onde vivia o povo lusitano e que coincidia na sua maior parte com o território português actual, é uma anã laranja, que o seu planeta leva 44,1 dias a completar uma órbita.

A primeira campanha pública promovida pela UAI para nomear exoplanetas decorreu em 2015.

ZAP // Lusa

Por Lusa
17 Dezembro, 2019

 

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2953: Administrador da NASA reitera: Plutão deve voltar a ser considerado um planeta

CIÊNCIA

SwRI / JHUAPL / NASA
Os céus azuis de Plutão

O administrador da agência espacial norte-americana (NASA), Jim Brindenstine, voltou a reiterar que Plutão, despromovido em 2006 a planeta anão pela União Astronómica Internacional (UAI), deve voltar a ser considerado um planeta.

“Considero Plutão como um planeta”, disse o responsável da NASA, no último dia do Congresso Internacional de Astronáutica, que decorreu no passado dia 25 de Outubro em Washington, nos Estados Unidos.

“Há a opinião de que para [um objecto astronómico] obter o estatuto de planeta, deve estar na órbita do Sol”, começou por dizer, citado pela revista Forbes. “Acho que é preciso definir um planeta com base no seu valor intrínseco e não em valores que mudam constantemente como acontece com a dinâmica orbital”.

Já em Agosto, Brindenstine frisou que esta é a sua opinião sobre Plutão, dando conta que não a pretende mudar. “Só para que saibam, na minha opinião, Plutão é um planeta. Podem escrever que o administrador da NASA declarou mais uma vez Plutão um planeta. Foi assim que aprendi e estou comprometido com essa ideia”, reiterou.

Plutão deixou de ser considerado planeta há 13 anos, em Agosto de 2006, quando a UAI adoptou uma nova definição de planeta. O planeta que agora é considerado anão não corresponde a todos os critérios que definem o que pode ser ou não planeta, uma vez que partilha a sua órbita com outros objectos no Cinturão de Kuiper.

Na altura, a UAI estabeleceu que um planeta deveria “limpar” a sua órbita: isto é, ser a maior força gravitacional na sua órbita. Isso ajudou a resolver o problema de outros objectos à volta do mesmo tamanho de Plutão, dos quais existem potencialmente centenas.

Tal como recorda o portal IFLScience, o debate reacendeu-se no ano de 2015, quando a sonda New Horizons mostrou que Plutão e os seus satélites eram muito mais complexos do que se pensava anteriormente, tendo até o líder da missão, Alan Stern, pedido que Plutão fosse reclassificado como um planeta.

No ano passado, cientistas também argumentaram que a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida, pedindo exactamente o mesmo.

Até agora, a União Astronómica Internacional continua a não mostrar sinais de recuo.

ZAP //

Por ZAP
3 Novembro, 2019

 

2443: UAI aprova segundo conjunto de nomes para características à superfície de Plutão

Este mapa, compilado a partir de imagens e dados recolhidos pela sonda New Horizons da NASA durante a sua passagem pelo sistema de Plutão em 2015, contém os nomes de várias características da superfície aprovados pela União Astronómica Internacional. Os nomes desta mais recente “ronda” estão a amarelo.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Ross Beyer

Várias pessoas e missões que abriram caminho à exploração histórica de Plutão e da Cintura de Kuiper – os mais distantes mundos já explorados – são homenageados no segundo conjunto de nomes oficiais de Plutão aprovados pela União Astronómica Internacional (UAI), a autoridade internacional responsável pela nomenclatura de corpos celestes e das suas características à superfície.

Os novos nomes foram propostos pela equipa da New Horizons da NASA, que realizou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas com a sonda New Horizons em 2015. Juntamente com uma pequena lista de nomes oficiais que a UAI já havia aprovado, a equipa científica da missão tem vindo a usar estes outros nomes informais para descrever as muitas regiões, cadeias de montanhas, planícies, vales e crateras descobertas durante o primeiro olhar detalhado da superfície de Plutão.

A UAI aprovou o primeiro conjunto de 14 nomes de características à superfície de Plutão em 2017, bem como um conjunto de nomes para a maior lua de Plutão, Caronte, em 2018. A equipa reuniu muitas das ideias durante uma campanha online em 2015.

Os 14 novos nomes de características de Plutão ficam aqui listadas abaixo por ordem alfabética. Os nomes homenageiam a mitologia do submundo, missões espaciais pioneiras que levaram ao sucesso da New Horizons, pioneiros históricos que cruzaram novos horizontes na exploração da Terra e cientistas e engenheiros associados com o estudo e exploração de Plutão e da Cintura de Kuiper.

  • Alcyonia Lacus, um possível lago de azoto gelado à superfície de Plutão, recebe o nome do lago “sem fundo” em Lerna, uma região da Grécia conhecida pelas suas nascentes e pelos seus pântanos; o lago alcioniano era uma das entradas para o submundo da mitologia grega;
  • Elcano Montes é uma cordilheira que homenageia Juan Sebastián Elcano (1476-1526), o explorador espanhol que em 1522 completou a primeira circum-navegarão da Terra (uma viagem iniciada em 1519 por Fernão de Magalhães);
  • Hunahpu Valles é um sistema de desfiladeiros em honra de um dos heróis gémeos da mitologia maia, que derrotou os senhores do submundo durante um jogo de bola (meso-americano);
  • A cratera Khare homenageia o cientista planetário Bishun Khare (1933-2013), especialista em química de atmosferas planetárias que fez trabalho de laboratório levando a vários artigos seminais sobre tolinas – as moléculas orgânicas que provavelmente são responsáveis pelas regiões mais escuras e avermelhadas de Plutão;
  • A cratera Kiladze homenageia Rolan Kiladze (1931-2010), o astrónomo georgiano (do Cáucaso) que fez investigações pioneiras sobre a dinâmica, astrometria e fotometria de Plutão;
  • Lowell Regio é uma grande região em honra a Percival Lowell (1855-1916), o astrónomo americano que fundou o Observatório Lowell e organizou uma busca sistemática por um planeta para lá de Neptuno;
  • Mwindo Fossae é uma rede de depressões longas e estreitas em honra de Nyanga (República Democrática do Congo/Zaire), o herói épico que viajou até ao submundo e, após regressar a casa, tornou-se um sábio e poderoso rei;
  • Piccard Mons é uma montanha e suspeito crio-vulcão que homenageia Auguste Piccard (1884-1962), inventor e físico do século XX, mais conhecido pelos seus voos pioneiros de balão até à atmosfera superior da Terra;
  • Pigafetta Montes homenageia Antonio Pigafetta (circa 1491-1531), o erudito e explorador italiano que narrou as descobertas feitas durante a primeira circum-navegarão da Terra, a bordo dos navios de Fernão de Magalhães;
  • Piri Rupes é um longo penhasco que homenageia Ahmed Muhiddin Piri (circa 1470-1553), também conhecido como Piri Reis, navegador e cartógrafo otomano famoso pelo seu mapa-múndi. Desenhou também alguns dos primeiros mapas existentes da América do Norte e Central;
  • A cratera Simonelli homenageia o astrónomo Damon Simonelli (1959-2004), cuja ampla investigação incluiu a história da formação de Plutão;
  • Wright Mons homenageia os irmãos Wright, Orville (1871-1948) e Wilbur (1867-1912), os pioneiros da aviação norte-americana que construíram e pilotaram, com sucesso, o primeiro avião do mundo;
  • Vega Terra é uma grande massa de terra em honra das missões soviéticas Vega 1 e 2, as primeiras naves espaciais a enviar balões para outro planeta (Vénus) e a fotografar o núcleo de um cometa (1P/Halley);
  • Venera Terra tem o nome das missões Venera, enviadas a Vénus pela União Soviética entre 1961 e 1984; incluíram o primeiro objecto feito pelo Homem a entrar na atmosfera de outro planeta, a fazer uma aterragem suave noutro planeta e a transmitir imagens de outra superfície planetária.

A sonda New Horizons está quase a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. Está de boa saúde e a transmitir dados registados durante o “flyby” de Ano Novo de 2019 pelo objecto 2014 MU69 da Cintura de Kuiper, de nome Ultima Thule, o objecto mais distante e primitivo já explorado.

Astronomia On-line
13 de Agosto de 2019

 

962: UAI PASSA A USAR NOVO REFERENCIAL PARA DIRECÇÕES NO ESPAÇO

Radiotelescópio em Hobart, Austrália.
Crédito: Universidade de Tecnologia de Viena

No futuro, quando as naves espaciais forem enviadas para outros planetas ou quando for estudada a rotação do planeta Terra, será usado um novo referencial. No dia 30 de Agosto, na Assembleia Geral da União Astronómica Internacional (UAI) em Viena (Áustria), foi adoptado o novo referencial celeste internacional ICRF3 (International Celestial Reference Frame), que permite especificações direccionais mais precisas no espaço. Baseia-se na medição precisa de mais de 4000 fontes de rádio extra-galácticas.

Um sistema de coordenadas para o Universo

Da mesma forma que é necessário um sistema de referência para medir picos de montanhas (medindo a longitude e latitude da Terra e a altura acima do nível do mar, por exemplo), é essencial concordar num sistema de referência confiável para especificar direcções no espaço. “Não é boa ideia usar as estrelas fixas que vemos no céu nocturno,” explica o professor Johannes Böhm do Departamento de Geodesia e Geoinformação da Universidade de Tecnologia de Viena. “Com o tempo, mudam um pouco relativamente umas às outras. Isto significa que seria necessário definir um novo sistema de referência a cada poucos anos para manter o nível de precisão exigido.”

As fontes de rádio extra-galácticas, por outro lado, são outra questão. “Hoje em dia, conhecemos centenas de milhares de objectos no espaço que emitem radiação extremamente intensa e de ondas longas,” comenta Böhm. “Estes são buracos negros supermassivos no centro de galáxias longínquas, também conhecidos como quasares, por vezes localizados a milhares de milhões de anos-luz.” Estas fontes de radiação parecem-se praticamente com pontos a partir da Terra e a sua enorme distância torna-as ideais para estabelecer um sistema de referência mundial. As mudanças relativamente pequenas entre os quasares não desempenham aqui um papel.

Comparando diferentes radiotelescópios uns contra os outros

No entanto, para alcançar o mais alto nível de precisão necessitamos algum esforço: não basta simplesmente tirar uma foto com um radiotelescópio e ler a direcção da fonte de rádio a partir dela. Em vez disso, são comparados dados de diferentes radiotelescópios. “Cada fonte de rádio fornece um sinal com um certo ruído,” explica David Mayer, assistente da equipa de Johannes Böhm. “Quando medimos este ruído em dois radiotelescópios diferentes ao mesmo tempo – idealmente separados por milhares de quilómetros – podemos determinar com muita precisão a diferença de tempo entre a chegada do sinal no primeiro e no segundo radiotelescópio. A partir daqui, podemos calcular a direcção do sinal que recebemos com uma precisão extrema.” Estes cálculos requerem computadores muito poderosos, como o VSC-3 (Vienna Scientific Cluster). Além da Universidade de Tecnologia de Viena, grupos de investigação de todo o mundo forneceram soluções para o referencial ICRF3, bem como o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e o Observatório de Paris.

Com este método, podemos estabelecer a posição das fontes de rádio no céu estrelado com uma precisão de aproximadamente 30 micro-segundos de arco. Isto corresponde aproximadamente ao diâmetro de uma bola de ténis na Lua, vista da Terra.

Na Assembleia Geral da UAI, em Viena, foi tomada a decisão de usar este altamente preciso mapa de fontes de rádio como a referência internacional.

Será usado, por exemplo, para especificar a posição de objectos astronómicos ou naves espaciais. Além disso, o sistema de referência é essencial para monitorizar o nosso próprio planeta, como na precessão do eixo de rotação da Terra ou no movimento dos pólos.

Astronomia On-line
4 de Setembro de 2018

(Foram corrigidos 15 erros ortográficos ao texto original)

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458: CARONTE RECEBE OS PRIMEIROS NOMES OFICIAIS DE CARACTERÍSTICAS À SUPERFÍCIE

Mapa de Caronte com as recém-nomeadas características. Crédito: União Astronómica Internacional

Exploradores e visionários lendários, reais e fictícios, estão entre os imortalizados pela UAI (União Astronómica Internacional) no primeiro conjunto de nomes oficiais de características à superfície da maior lua de Plutão, Caronte. Os nomes foram propostos pela equipa da New Horizons e aprovados pelo Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários.

A UAI, a autoridade internacionalmente reconhecida para dar o nome a corpos celestes e outras características superficiais, aprovou recentemente uma dúzia de designações propostas pela equipa da New Horizons da NASA, que liderou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas em 2015 com a sonda New Horizons. A equipa da New Horizons tinha vindo a usar muitos dos nomes escolhidos, informalmente, para descrever os vários vales, fendas e crateras descobertas durante o primeiro olhar de perto da superfície de Caronte.

Caronte é um dos maiores corpos da Cintura de Kuiper e é muito rico em características geológicas, bem como crateras parecidas àquelas vistas na maioria das outras luas. Estas características e algumas das crateras de Caronte receberam agora nomes oficiais da UAI.

A equipa da New Horizons foi instrumental na passagem dos novos nomes pela aprovação e incluiu o líder das missões da New Horizons, o Dr. Alan Stern, e os membros da equipa Mark Showalter – o presidente do grupo e contacto da UAI – Ross Beyer, Will Grundy, William McKinnon, Jeff Moore, Cathy Olkin, Paul Schenk e Amanda Zangari. A equipa reuniu a maioria das suas ideias durante a campanha de nomenclatura pública online “Our Pluto” em 2015.

Os nomes aprovados pela UAI abrangem a diversidade de recomendações que a equipa recebeu de todo o mundo durante a campanha “Our Pluto”. Juntamente com os esforços da equipa da New Horizons, os membros do público em todo o mundo ajudaram a dar nomes às características de Caronte, contribuindo com sugestões para os nomes das características desta lua distante.

Honrando a exploração épica de Plutão que a New Horizons alcançou, muitos dos nomes no sistema de Plutão prestam homenagem ao espírito de exploração humana, agraciando viajantes, exploradores e cientistas, viagens pioneiras e destinos misteriosos. Rita Schulz, presidente do Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários, comentou: “Estou satisfeita que as características de Caronte tenham recebido nomes com espírito internacional.”

Os nomes aprovados para características em Caronte focam-se na literatura e na mitologia da exploração. Estes são:

  • Argo Chasma tem o nome do navio utilizado por Jasão e pelos Argonautas, no épico poema Argonautica, durante a sua busca pelo Tosão de Ouro;
  • Butler Mons homenageia Octavia E. Butler, a primeira escritora de ficção científica a ganhar a bolsa MacArthur e cuja trilogia “Xenogenesis” descreve a saída da Humanidade da Terra e o seu posterior regresso;
  • Caleuche Chasma tem o nome do mitológico navio fantasma que percorre os mares em redor da pequena ilha de Chiloé, na costa do Chile; de acordo com a lenda, Caleuche explora a costa recolhendo os mortos, que passam a viver para sempre a bordo;
  • Clarke Montes homenageia Sir Arthur C. Clarke, o prolífico escritor de ficção científica e futurista cujos romances e pequenas histórias (incluindo 2001: Uma Odisseia no Espaço) são representações imaginativas da exploração espacial;
  • Dorothy Crater reconhece a protagonista da série de livros infantis escritos por L. Frank Baum, que segue as viagens de Dorothy Gale no mundo mágico de Oz;
  • Kubrick Mons homenageia o director de cinema Stanley Kubrick, cujo icónico “2001: A Space Odyssey” conta a história da evolução da humanidade desde a utilização das ferramentas até à exploração espacial e além;
  • Mandjet Chasma tem o nome de um dos barcos da mitologia egípcia que transportava o deus do Sol, Ra (Re) através do céu cada dia – tornando-se um dos primeiros exemplos mitológicos de um navio que viaja pelo espaço;
  • Nasreddin Crater tem o nome do protagonista de milhares de contos humorísticos contados em todo o Médio Oriente, Europa do Sul e partes da Ásia;
  • Nemo Crater tem o nome do capitão do Nautilus, o submarino dos livros “Vinte Mil Léguas Submarinas” (1870) e “A Ilha Misteriosa” (1874) de Júlio Verne;
  • Pirx Crater tem o nome do personagem principal da série de contos de Stanislaw Lem, que viaja entre a Terra, Lua e Marte;
  • Revati Crater tem o nome do personagem principal da narrativa épica hindu Mahabharata – amplamente considerada como a primeira da história (cerca de 400 AC) a incluir o conceito de viagem no tempo;
  • Sadko Crater reconhece o aventureiro que viajou até ao fundo do mar no épico medieval russo Bylina.

Astronomia On-line
13 de Abril de 2018

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