2953: Administrador da NASA reitera: Plutão deve voltar a ser considerado um planeta

CIÊNCIA

SwRI / JHUAPL / NASA
Os céus azuis de Plutão

O administrador da agência espacial norte-americana (NASA), Jim Brindenstine, voltou a reiterar que Plutão, despromovido em 2006 a planeta anão pela União Astronómica Internacional (UAI), deve voltar a ser considerado um planeta.

“Considero Plutão como um planeta”, disse o responsável da NASA, no último dia do Congresso Internacional de Astronáutica, que decorreu no passado dia 25 de Outubro em Washington, nos Estados Unidos.

“Há a opinião de que para [um objecto astronómico] obter o estatuto de planeta, deve estar na órbita do Sol”, começou por dizer, citado pela revista Forbes. “Acho que é preciso definir um planeta com base no seu valor intrínseco e não em valores que mudam constantemente como acontece com a dinâmica orbital”.

Já em Agosto, Brindenstine frisou que esta é a sua opinião sobre Plutão, dando conta que não a pretende mudar. “Só para que saibam, na minha opinião, Plutão é um planeta. Podem escrever que o administrador da NASA declarou mais uma vez Plutão um planeta. Foi assim que aprendi e estou comprometido com essa ideia”, reiterou.

Plutão deixou de ser considerado planeta há 13 anos, em Agosto de 2006, quando a UAI adoptou uma nova definição de planeta. O planeta que agora é considerado anão não corresponde a todos os critérios que definem o que pode ser ou não planeta, uma vez que partilha a sua órbita com outros objectos no Cinturão de Kuiper.

Na altura, a UAI estabeleceu que um planeta deveria “limpar” a sua órbita: isto é, ser a maior força gravitacional na sua órbita. Isso ajudou a resolver o problema de outros objectos à volta do mesmo tamanho de Plutão, dos quais existem potencialmente centenas.

Tal como recorda o portal IFLScience, o debate reacendeu-se no ano de 2015, quando a sonda New Horizons mostrou que Plutão e os seus satélites eram muito mais complexos do que se pensava anteriormente, tendo até o líder da missão, Alan Stern, pedido que Plutão fosse reclassificado como um planeta.

No ano passado, cientistas também argumentaram que a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida, pedindo exactamente o mesmo.

Até agora, a União Astronómica Internacional continua a não mostrar sinais de recuo.

ZAP //

Por ZAP
3 Novembro, 2019

 

2443: UAI aprova segundo conjunto de nomes para características à superfície de Plutão

Este mapa, compilado a partir de imagens e dados recolhidos pela sonda New Horizons da NASA durante a sua passagem pelo sistema de Plutão em 2015, contém os nomes de várias características da superfície aprovados pela União Astronómica Internacional. Os nomes desta mais recente “ronda” estão a amarelo.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Ross Beyer

Várias pessoas e missões que abriram caminho à exploração histórica de Plutão e da Cintura de Kuiper – os mais distantes mundos já explorados – são homenageados no segundo conjunto de nomes oficiais de Plutão aprovados pela União Astronómica Internacional (UAI), a autoridade internacional responsável pela nomenclatura de corpos celestes e das suas características à superfície.

Os novos nomes foram propostos pela equipa da New Horizons da NASA, que realizou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas com a sonda New Horizons em 2015. Juntamente com uma pequena lista de nomes oficiais que a UAI já havia aprovado, a equipa científica da missão tem vindo a usar estes outros nomes informais para descrever as muitas regiões, cadeias de montanhas, planícies, vales e crateras descobertas durante o primeiro olhar detalhado da superfície de Plutão.

A UAI aprovou o primeiro conjunto de 14 nomes de características à superfície de Plutão em 2017, bem como um conjunto de nomes para a maior lua de Plutão, Caronte, em 2018. A equipa reuniu muitas das ideias durante uma campanha online em 2015.

Os 14 novos nomes de características de Plutão ficam aqui listadas abaixo por ordem alfabética. Os nomes homenageiam a mitologia do submundo, missões espaciais pioneiras que levaram ao sucesso da New Horizons, pioneiros históricos que cruzaram novos horizontes na exploração da Terra e cientistas e engenheiros associados com o estudo e exploração de Plutão e da Cintura de Kuiper.

  • Alcyonia Lacus, um possível lago de azoto gelado à superfície de Plutão, recebe o nome do lago “sem fundo” em Lerna, uma região da Grécia conhecida pelas suas nascentes e pelos seus pântanos; o lago alcioniano era uma das entradas para o submundo da mitologia grega;
  • Elcano Montes é uma cordilheira que homenageia Juan Sebastián Elcano (1476-1526), o explorador espanhol que em 1522 completou a primeira circum-navegarão da Terra (uma viagem iniciada em 1519 por Fernão de Magalhães);
  • Hunahpu Valles é um sistema de desfiladeiros em honra de um dos heróis gémeos da mitologia maia, que derrotou os senhores do submundo durante um jogo de bola (meso-americano);
  • A cratera Khare homenageia o cientista planetário Bishun Khare (1933-2013), especialista em química de atmosferas planetárias que fez trabalho de laboratório levando a vários artigos seminais sobre tolinas – as moléculas orgânicas que provavelmente são responsáveis pelas regiões mais escuras e avermelhadas de Plutão;
  • A cratera Kiladze homenageia Rolan Kiladze (1931-2010), o astrónomo georgiano (do Cáucaso) que fez investigações pioneiras sobre a dinâmica, astrometria e fotometria de Plutão;
  • Lowell Regio é uma grande região em honra a Percival Lowell (1855-1916), o astrónomo americano que fundou o Observatório Lowell e organizou uma busca sistemática por um planeta para lá de Neptuno;
  • Mwindo Fossae é uma rede de depressões longas e estreitas em honra de Nyanga (República Democrática do Congo/Zaire), o herói épico que viajou até ao submundo e, após regressar a casa, tornou-se um sábio e poderoso rei;
  • Piccard Mons é uma montanha e suspeito crio-vulcão que homenageia Auguste Piccard (1884-1962), inventor e físico do século XX, mais conhecido pelos seus voos pioneiros de balão até à atmosfera superior da Terra;
  • Pigafetta Montes homenageia Antonio Pigafetta (circa 1491-1531), o erudito e explorador italiano que narrou as descobertas feitas durante a primeira circum-navegarão da Terra, a bordo dos navios de Fernão de Magalhães;
  • Piri Rupes é um longo penhasco que homenageia Ahmed Muhiddin Piri (circa 1470-1553), também conhecido como Piri Reis, navegador e cartógrafo otomano famoso pelo seu mapa-múndi. Desenhou também alguns dos primeiros mapas existentes da América do Norte e Central;
  • A cratera Simonelli homenageia o astrónomo Damon Simonelli (1959-2004), cuja ampla investigação incluiu a história da formação de Plutão;
  • Wright Mons homenageia os irmãos Wright, Orville (1871-1948) e Wilbur (1867-1912), os pioneiros da aviação norte-americana que construíram e pilotaram, com sucesso, o primeiro avião do mundo;
  • Vega Terra é uma grande massa de terra em honra das missões soviéticas Vega 1 e 2, as primeiras naves espaciais a enviar balões para outro planeta (Vénus) e a fotografar o núcleo de um cometa (1P/Halley);
  • Venera Terra tem o nome das missões Venera, enviadas a Vénus pela União Soviética entre 1961 e 1984; incluíram o primeiro objecto feito pelo Homem a entrar na atmosfera de outro planeta, a fazer uma aterragem suave noutro planeta e a transmitir imagens de outra superfície planetária.

A sonda New Horizons está quase a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. Está de boa saúde e a transmitir dados registados durante o “flyby” de Ano Novo de 2019 pelo objecto 2014 MU69 da Cintura de Kuiper, de nome Ultima Thule, o objecto mais distante e primitivo já explorado.

Astronomia On-line
13 de Agosto de 2019

 

962: UAI PASSA A USAR NOVO REFERENCIAL PARA DIRECÇÕES NO ESPAÇO

Radiotelescópio em Hobart, Austrália.
Crédito: Universidade de Tecnologia de Viena

No futuro, quando as naves espaciais forem enviadas para outros planetas ou quando for estudada a rotação do planeta Terra, será usado um novo referencial. No dia 30 de Agosto, na Assembleia Geral da União Astronómica Internacional (UAI) em Viena (Áustria), foi adoptado o novo referencial celeste internacional ICRF3 (International Celestial Reference Frame), que permite especificações direccionais mais precisas no espaço. Baseia-se na medição precisa de mais de 4000 fontes de rádio extra-galácticas.

Um sistema de coordenadas para o Universo

Da mesma forma que é necessário um sistema de referência para medir picos de montanhas (medindo a longitude e latitude da Terra e a altura acima do nível do mar, por exemplo), é essencial concordar num sistema de referência confiável para especificar direcções no espaço. “Não é boa ideia usar as estrelas fixas que vemos no céu nocturno,” explica o professor Johannes Böhm do Departamento de Geodesia e Geoinformação da Universidade de Tecnologia de Viena. “Com o tempo, mudam um pouco relativamente umas às outras. Isto significa que seria necessário definir um novo sistema de referência a cada poucos anos para manter o nível de precisão exigido.”

As fontes de rádio extra-galácticas, por outro lado, são outra questão. “Hoje em dia, conhecemos centenas de milhares de objectos no espaço que emitem radiação extremamente intensa e de ondas longas,” comenta Böhm. “Estes são buracos negros supermassivos no centro de galáxias longínquas, também conhecidos como quasares, por vezes localizados a milhares de milhões de anos-luz.” Estas fontes de radiação parecem-se praticamente com pontos a partir da Terra e a sua enorme distância torna-as ideais para estabelecer um sistema de referência mundial. As mudanças relativamente pequenas entre os quasares não desempenham aqui um papel.

Comparando diferentes radiotelescópios uns contra os outros

No entanto, para alcançar o mais alto nível de precisão necessitamos algum esforço: não basta simplesmente tirar uma foto com um radiotelescópio e ler a direcção da fonte de rádio a partir dela. Em vez disso, são comparados dados de diferentes radiotelescópios. “Cada fonte de rádio fornece um sinal com um certo ruído,” explica David Mayer, assistente da equipa de Johannes Böhm. “Quando medimos este ruído em dois radiotelescópios diferentes ao mesmo tempo – idealmente separados por milhares de quilómetros – podemos determinar com muita precisão a diferença de tempo entre a chegada do sinal no primeiro e no segundo radiotelescópio. A partir daqui, podemos calcular a direcção do sinal que recebemos com uma precisão extrema.” Estes cálculos requerem computadores muito poderosos, como o VSC-3 (Vienna Scientific Cluster). Além da Universidade de Tecnologia de Viena, grupos de investigação de todo o mundo forneceram soluções para o referencial ICRF3, bem como o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e o Observatório de Paris.

Com este método, podemos estabelecer a posição das fontes de rádio no céu estrelado com uma precisão de aproximadamente 30 micro-segundos de arco. Isto corresponde aproximadamente ao diâmetro de uma bola de ténis na Lua, vista da Terra.

Na Assembleia Geral da UAI, em Viena, foi tomada a decisão de usar este altamente preciso mapa de fontes de rádio como a referência internacional.

Será usado, por exemplo, para especificar a posição de objectos astronómicos ou naves espaciais. Além disso, o sistema de referência é essencial para monitorizar o nosso próprio planeta, como na precessão do eixo de rotação da Terra ou no movimento dos pólos.

Astronomia On-line
4 de Setembro de 2018

(Foram corrigidos 15 erros ortográficos ao texto original)

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458: CARONTE RECEBE OS PRIMEIROS NOMES OFICIAIS DE CARACTERÍSTICAS À SUPERFÍCIE

Mapa de Caronte com as recém-nomeadas características. Crédito: União Astronómica Internacional

Exploradores e visionários lendários, reais e fictícios, estão entre os imortalizados pela UAI (União Astronómica Internacional) no primeiro conjunto de nomes oficiais de características à superfície da maior lua de Plutão, Caronte. Os nomes foram propostos pela equipa da New Horizons e aprovados pelo Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários.

A UAI, a autoridade internacionalmente reconhecida para dar o nome a corpos celestes e outras características superficiais, aprovou recentemente uma dúzia de designações propostas pela equipa da New Horizons da NASA, que liderou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas em 2015 com a sonda New Horizons. A equipa da New Horizons tinha vindo a usar muitos dos nomes escolhidos, informalmente, para descrever os vários vales, fendas e crateras descobertas durante o primeiro olhar de perto da superfície de Caronte.

Caronte é um dos maiores corpos da Cintura de Kuiper e é muito rico em características geológicas, bem como crateras parecidas àquelas vistas na maioria das outras luas. Estas características e algumas das crateras de Caronte receberam agora nomes oficiais da UAI.

A equipa da New Horizons foi instrumental na passagem dos novos nomes pela aprovação e incluiu o líder das missões da New Horizons, o Dr. Alan Stern, e os membros da equipa Mark Showalter – o presidente do grupo e contacto da UAI – Ross Beyer, Will Grundy, William McKinnon, Jeff Moore, Cathy Olkin, Paul Schenk e Amanda Zangari. A equipa reuniu a maioria das suas ideias durante a campanha de nomenclatura pública online “Our Pluto” em 2015.

Os nomes aprovados pela UAI abrangem a diversidade de recomendações que a equipa recebeu de todo o mundo durante a campanha “Our Pluto”. Juntamente com os esforços da equipa da New Horizons, os membros do público em todo o mundo ajudaram a dar nomes às características de Caronte, contribuindo com sugestões para os nomes das características desta lua distante.

Honrando a exploração épica de Plutão que a New Horizons alcançou, muitos dos nomes no sistema de Plutão prestam homenagem ao espírito de exploração humana, agraciando viajantes, exploradores e cientistas, viagens pioneiras e destinos misteriosos. Rita Schulz, presidente do Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários, comentou: “Estou satisfeita que as características de Caronte tenham recebido nomes com espírito internacional.”

Os nomes aprovados para características em Caronte focam-se na literatura e na mitologia da exploração. Estes são:

  • Argo Chasma tem o nome do navio utilizado por Jasão e pelos Argonautas, no épico poema Argonautica, durante a sua busca pelo Tosão de Ouro;
  • Butler Mons homenageia Octavia E. Butler, a primeira escritora de ficção científica a ganhar a bolsa MacArthur e cuja trilogia “Xenogenesis” descreve a saída da Humanidade da Terra e o seu posterior regresso;
  • Caleuche Chasma tem o nome do mitológico navio fantasma que percorre os mares em redor da pequena ilha de Chiloé, na costa do Chile; de acordo com a lenda, Caleuche explora a costa recolhendo os mortos, que passam a viver para sempre a bordo;
  • Clarke Montes homenageia Sir Arthur C. Clarke, o prolífico escritor de ficção científica e futurista cujos romances e pequenas histórias (incluindo 2001: Uma Odisseia no Espaço) são representações imaginativas da exploração espacial;
  • Dorothy Crater reconhece a protagonista da série de livros infantis escritos por L. Frank Baum, que segue as viagens de Dorothy Gale no mundo mágico de Oz;
  • Kubrick Mons homenageia o director de cinema Stanley Kubrick, cujo icónico “2001: A Space Odyssey” conta a história da evolução da humanidade desde a utilização das ferramentas até à exploração espacial e além;
  • Mandjet Chasma tem o nome de um dos barcos da mitologia egípcia que transportava o deus do Sol, Ra (Re) através do céu cada dia – tornando-se um dos primeiros exemplos mitológicos de um navio que viaja pelo espaço;
  • Nasreddin Crater tem o nome do protagonista de milhares de contos humorísticos contados em todo o Médio Oriente, Europa do Sul e partes da Ásia;
  • Nemo Crater tem o nome do capitão do Nautilus, o submarino dos livros “Vinte Mil Léguas Submarinas” (1870) e “A Ilha Misteriosa” (1874) de Júlio Verne;
  • Pirx Crater tem o nome do personagem principal da série de contos de Stanislaw Lem, que viaja entre a Terra, Lua e Marte;
  • Revati Crater tem o nome do personagem principal da narrativa épica hindu Mahabharata – amplamente considerada como a primeira da história (cerca de 400 AC) a incluir o conceito de viagem no tempo;
  • Sadko Crater reconhece o aventureiro que viajou até ao fundo do mar no épico medieval russo Bylina.

Astronomia On-line
13 de Abril de 2018

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