2757: T. Rex podia esmagar um carro nas suas mandíbulas (sem danificar o próprio crânio)

CIÊNCIA

David Monniaux / wikimedia
Fóssil de Tyranossaurus Rex

Investigadores descobriram que o rei dos dinossauros tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos.

Entre todos os animais, extintos ou não, não há dúvida de que o Tyrannosaurus rex tinha a mordida mais forte de sempre. O rei dos dinossauros era capaz de morder ossos sólidos, mas os paleontólogos estavam há muito desconcertados com a forma como o conseguiam fazer (sem partir o próprio crânio).

De acordo com o Business Insider, uma equipa de investigadores descobriu que este dinossauro tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos, em vez de um crânio flexível, como pássaros e répteis. Essa rigidez permitiu ao T. rex morder as suas infelizes presas com uma força superior a sete toneladas.

“As forças mais altas no T. rex que conseguimos estimar foram de 64 mil newtons, o que representa cerca de 7,1 toneladas de força”, disse Ian Cost, autor principal do estudo publicado na revista científica The Anatomical Record.

Em termos de comparação, os crocodilos de-água-salgada dos dias de hoje, que detêm o maior recorde de mastigação de qualquer animal vivo, têm uma força de 16.460 newtons, ou seja, apenas 25% da força de um T. rex.

Anteriormente, os cientistas haviam sugerido que o crânio do T. rex — com cerca de 1,8 metros de comprimento e 1,2 metros de altura — possuía articulações flexíveis, uma característica chamada cinesia craniana.

Porém, Cost afirma que esta teoria não se enquadrava com aquilo que os cientistas observavam nos predadores modernos, como os crocodilos, que têm pouca ou nenhuma cinesia craniana.

cheungchungtat / Deviant Art

Por isso, a equipa modelou como os crânios e as mandíbulas de papagaios e lagartixas funcionavam — dois animais com crânios móveis —, tendo aplicado depois esses movimentos a um crânio de T. rex. “O que descobrimos foi que o crânio do T. rex, na verdade, não reage bem ao movimento e prefere não se mover”, disse Cost.

De acordo com Casey Holliday, co-autor do estudo, há uma troca entre movimento e estabilidade quando uma criatura morde com muita força. Os pássaros e os lagartos, por exemplo, têm mais movimento mas menos estabilidade. Menos estabilidade à mordida e amplitude de movimento limitam a quantidade de força de mordida que um animal pode conseguir.

Mark Norell, curador do Museu Americano de História Natural, descreveu o T. rex como “um caçador de cabeças”, já que o predador tinha a rara capacidade de morder ossos sólidos e digeri-los.

Segundo Cost, um crânio rígido fez com que o T. rex pudesse morder ossos e, assim, ser  “capaz de produzir força suficiente para esmagar alguns carros, mas talvez não todos”.

O cientista acrescenta que aplicar 7,1 toneladas de força da mordida do T. rex “através de um dente ou dois no impacto resulta em incríveis libras por polegada quadrada (psi) de pressão que podem perfurar muitos veículos, incluindo os pneus Jeep”.

Cost afirma que os resultados do seu estudo, que indicam que o crânio do T. rex manipulava presas de forma semelhante à de uma hiena, pode lançar novas luzes sobre este debate. “As hienas são caçadoras e necrófagas. Acho que o T. rex era um caçador e um necrófago oportunista”, conclui.

ZAP //

Por ZAP
3 Outubro, 2019

 

2591: Mistério dos estranhos buracos na cabeça dos T-rex pode ter sido resolvido

CIÊNCIA

Um novo estudo sugere que os dois misteriosos buracos no topo do crânio do Tyrannosaurus rex podem ter ajudado a regular a sua temperatura.

Teorias anteriores sugeriam que estes buracos cheios de músculos, chamados de fenestra dorso-temporal, ajudavam a operar o poderoso maxilar do Tyrannosaurus rex. No entanto, segundo o Science Alert, nem todos estavam convencidos com esta explicação.

É o caso do anatomista Casey Holliday, da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, que estudou a classe de animais diapsida — crocodilos, outros repteis e aves assim agrupados por terem uma característica similar nos seus crânios — para verificar uma nova teoria.

A equipa de investigadores analisou diferentes crânios de diapsida e percebeu que as fenestras mais semelhantes com os do T. rex eram as dos crocodilos. Os cientistas decidiram então estudar um grupo de jacarés com recurso a câmaras de imagem térmica. Como estes são animais ectotérmicos, a sua temperatura corporal depende da temperatura do ambiente em que estão inseridos.

“Percebemos que quando estava mais frio e os jacarés se queriam aquecer, a imagem térmica mostrava grandes pontos quentes nesses buracos, indicando um aumento da temperatura”, explica Kent Vliet, investigador da Universidade da Florida e co-autor do estudo publicado na revista científica The Anatomical Record.

“Mais tarde, quando estava mais quente, os buracos apareciam escuros, como se tivessem sido desligados para se refrescar. Isto é consistente com evidências anteriores de que os jacarés têm um sistema circulatório de corrente cruzada ou um termostato interno por assim dizer”.

Porém, ainda não se sabe se os dinossauros em geral, e o T. rex em particular, eram ectotérmicos ou endotérmicos. Alguns cientistas arriscam a primeira opção, outros a segunda e ainda há quem pense que se trata de ambos (recurso chamado mesotermia).

A nova investigação sugere que o T. rex (e outros dinossauros) usaram algumas das tácticas termo-reguladoras dos ectotérmicos, mas o que isso realmente significa dentro do contexto mais amplo dos seus metabolismos ainda tem de ser investigado.

O que os cientistas podem dizer, com base neste estudo, é que não existem características osteológicas no crânio do tiranossauro que indiquem que as fenestras eram locais de fixação muscular.

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2019