2229: Há 9 mil anos, Çatalhöyük já lidava com problemas urbanos do quotidiano

CIÊNCIA

Scott D. Haddow / Flickr

Há 9 mil anos atrás, Çatalhöyük era uma das maiores comunidades agrícolas do mundo e, segundo um estudo recente, já lidava com violência, problemas ambientais, doenças infecciosas, entre outros.

Uma equipa de arqueólogos a estudar as ruínas de Çatalhöyük, na Turquia, descobriram que os problemas que as sociedades de hoje lutam para controlar, já assolavam os habitantes da comunidade na altura. Excesso de população, doenças infecciosas, violência e problemas ambientais são alguns dos desafios com que a comunidade se debatia.

Um estudo publicado esta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America ilustra a realidade vivida na região há milhares de anos através da análise de restos humanos lá desenterrados.

“Çatalhöyük foi uma das primeiras comunidades proto-urbanas do mundo e os moradores experienciaram o que acontece quando se junta muitas pessoas numa pequena área por um tempo prolongado”, disse o responsável pelo estudo, Clark Spencer Larsen. Segundo o cientista, a comunidade passou de um estilo de vida nómada para um estilo mais sedentário.

Segundo o Phys, o sítio das escavações tem mais de 13 hectares e nele estão depositados vestígios de 1150 anos de ocupação continua. Os trabalhos de Larsen em Çatalhöyük começaram em 2004 e terminaram em 2017 — com o estudo a examinar 15 anos de análise aos vestígios humanos.

“Eles estavam a cultivar e a manter animais assim que criaram a comunidade, mas estavam a intensificar os seus esforços à medida que a população se expandia”, disse Larsen.

A proteína das suas dietas provinha principalmente de carne de carneiro e cabra. A sua dieta era também muito rica em grãos, o que levou os habitantes de Çatalhöyük a desenvolver cáries dentárias.

Recriação de Çatalhöyük, por Dan Lewandowski.

“Acreditamos que a degradação ambiental e as mudanças climáticas forçaram os membros da comunidade a se distanciarem do assentamento para cultivar e encontrar suprimentos como lenha”, disse Larsen. “Isso contribuiu para a morte final de Çatalhöyük“. Isto foi comprovado pelas mutações dos ossos das pernas dos habitantes com o passar dos anos, mostrando que estes eram obrigados a caminhar mais no período tardio da comunidade.

O excesso de população e a falta de higiene levou também a que os habitantes sofressem de várias infecções — um terço dos restos mortais encontrados mostravam evidências de infecções nos ossos.

“Eles viviam em condições muito lotadas, com poços de lixo e currais de animais próximos a algumas casas. Portanto, há toda uma série de problemas de saneamento que podem contribuir para a disseminação de doenças infecciosas”, explicou o cientista.

O problema de sobrelotação levou também a um aumento significativo da violência, realça o Phys, com muitos dos restos mortais a serem encontrados com fracturas saradas, provavelmente causadas por golpes na cabeça com objectos duros e redondos.

“Encontramos um aumento nas lesões cranianas, quando a população era maior e mais densa”, disse Larsen. “Pode-se argumentar que o excesso de população levou a um maior stress e a conflitos dentro da comunidade”, acrescentou.

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25 Junho, 2019

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2162: Encontrada na Turquia uma cidade submersa com 5.000 mil anos

CIÊNCIA

Benh LIEU SONG / Wikimedia

Na histórica região da Capadócia, no centro da Turquia, foi descoberta uma cidade subterrânea parcialmente submergida por baixo de água que data cerca de 5.000 anos de idade.

A descoberta teve lugar na localidade de Calis, na província de Nevsehir, habitada por 2.200 pessoas. De acordo com a imprensa local, a descoberta ocorreu depois de vários vizinhos de cerca de 15 casas relatarem ao município que água estava a escapar para as suas casas e não sabiam as razões ou a fonte do líquido.

Quando a equipa municipal procurou a causa dos infiltrações, encontrou a entrada fechada de um túnel. Ao entrar no corredor subterrâneo, os operadores perceberam que eram os restos de um antigo assentamento que ficava logo abaixo das casas que sofreram as inundações.

Os primeiros estudos revelaram que a antiga cidade tem uma extensão de aproximadamente cinco quilómetros e é composta de três níveis onde casas e locais de culto são encontrados. O local foi descoberto pela primeira vez há 25 anos, quando uma criança caiu no túnel, mas os moradores de Calis decidiram selar as suas entradas para evitar mais acidentes. A cidade caiu, assim, no esquecimento.

İleri Haber @ilerihaber

Nevşehir’in Avanos ilçesi Çalış beldesinde evleri su basınca 5 kilometrelik yeraltı şehri ortaya çıktıhttps://ilerihaber.org/icerik/evleri-su-basinca-5-kilometrelik-yeralti-sehri-ortaya-cikti-98989.html 

Mitos locais referiam-se à cidade subterrânea como Gir-Gör, que se traduz em português para “Entra e Vê”. A cidade subterrânea está localizada a cerca de 80 quilómetros das famosas cidades subterrâneas de Capadócia, Derinkuyu e Kaymaklı.

O responsável de Çalış Kazım Yılmaz disse à Agência Anadolu que a cidade subterrânea cobre cerca de 1,2 milhão de metros quadrados. “Aqueles que estiveram lá no passado disseram ter cerca de 600 metros por dois quilómetros de tamanho”, disse.

É impossível limpar os escombros e esvaziar a água através de meios do município, disse Yilmaz, acrescentando que se vão inscrever no conselho de protecção de propriedades culturais para que o local seja registado como um local histórico e pedir a ajuda do Ministério da Cultura para abrir o local ao turismo.

Agora, as autoridades locais enfatizam que é necessária investigação arqueológica para ajudar a determinar a origem e as dimensões exactas desse assentamento subterrâneo.

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12 Junho, 2019

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2110: Humanos antigos testemunharam uma erupção vulcânica na Turquia (e desenharam-na numa rocha)

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores internacionais determinou a antiguidade de pegadas pré-históricas encontradas numa camada de cinza anterior à erupção do vulcão Cakallar, localizado em Kula, na Turquia.

De acordo com o comunicado da Universidade de Curtin, na Austrália, cujos especialistas participaram no estudo, junto às “impressões de pés de Kula”, descobertas na década de 1960, foi ainda encontrada uma pintura rupestre que ilustrava a erupção.

Os estudos anteriores estimavam que as pegadas tinham cerca de 250 mil anos, o que sugeria que as testemunhas do fenómeno natural foram os neandertais da época do Plistoceno. Embora, a nova análise, que utilizou dois métodos diferentes – hélio radiogénico e a exposição ao cloro cosmogénico – mostrou que as pegadas eram muito mais jovens.

“As duas abordagens de datação independentes mostraram resultados internamente consistentes e juntos sugerem que a erupção vulcânica foi testemunhada pelo Homo sapiens durante a Idade do Bronze pré-histórica, há 4.700 anos e cerca de 245 mil anos mais tarde do que o originalmente relatado”. disse o investigador Martin Danisik.

O estudo, publicado na revista Quaternary Science Reviews, sugere que os humanos se aproximaram lentamente do vulcão com os seus cães após a primeira erupção, deixando as suas pegadas na camada húmida de cinzas. Quando a actividade vulcânica continuou, a rocha vulcânica enterrou as cinzas e preservou os trilhos.

Estudos anteriores sugeriram, de acordo com o Live Science, que estas pessoas antigas estavam a fugir da erupção. Mas, depois de examinar as distâncias entre os passos, parece que quem os deixou estava a andar a uma velocidade normal.

Além disso, os autores acreditam que os humanos observaram a erupção a uma distância segura, o que, muito provavelmente, torna o Homo sapiens os autores da pintura rupestre próxima.

Segundo Danisik, a pintura “mostra como os seres humanos há 4,7 mil anos eram capazes de retratar processos naturais como uma erupção vulcânica, na sua própria forma artística e com ferramentas e materiais limitados”.

Isto poderá fazer do Homo sapiens o primeiro vulcanólogo do mundo – ou seja, as primeira pessoas a observar e a registar erupções vulcânicas.

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4 Junho, 2019



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1886: No monte Chimaera, há chamas que ardem eternamente (e já se sabe porquê)

CIÊNCIA

Carole Raddato / WIkimedia

Diz-se que as chamas do monte Chimaera, na Turquia, ardem há milhares de anos. A lenda conta que as “chamas eternas” serviram de inspiração a Homero para que, na “Ilíada”, descrevesse a criatura que dá nome à montanha.

A criatura mitológica é descrita como um “ser de natureza humana, senão divina, com cabeça de leão, cauda de dragão e corpo de cabra, que respirava chamas ardentes e horríveis”. Ainda que hoje se saiba que o metano e o hidrogénio são responsáveis por queimar as pedras da encosta, os cientistas não sabem com precisão porque é que o fenómeno ocorre.

O enigma é que a maioria dos hidrocarbonetos – como óleo ou gás natural – tem origem biótica: as carcaças de plantas, animais e algas enterradas criam estes combustíveis fósseis. Mas outros, como o metano, são criados por processos geológicos e produtos químicos onde não intervêm restos de vida. Ou seja, têm uma origem abiótica.

O metano é formado a altas temperaturas dentro da Terra sem a presença de vida, mas o estranho é que é criado na superfície, onde o calor não é suficiente para gerá-lo sem estes restos bióticos, escreve a ABC.

Algumas teorias afirmaram que a chave estava nas rochas ultramáficas (rochas ígneas e meta-ígneas com baixíssimo índice de sílica), como o periodotito, formado pela erupção submarina do material da crosta oceânica e pelo manto superior.

No entanto, a equipa internacional no consórcio Deep Energy do programa Deep Carbon Observatory encontrou outra explicação geológica: o metano é criado principalmente a partir do hidrogénio criado pela hidratação dessas rochas, que são submetidas a um processo que baptizaram como “serpentização” ou o resultado da água que encontra o mineral de olivina que contêm.

Os investigadores chegaram a esta conclusão após mais de dez anos de trabalho. De acordo com um comunicado do programa, este hidrogénio também nutre as fontes biológicas de metano – a vida que é criada em torno das chamas. A equipa documentou um vasto ecossistema microbiano: uma biosfera profunda alimentada por hidrogénio. Muitos dos micróbios que vivem nesta parte são chamados de metanogénicos, que se “alimentam” de hidrogénio e expelem o metano.

O que veio primeiro: o metano ou os micróbios abióticos? As perguntas continuam: se o metano abiótico veio primeiro, como parece óbvio, deu origem aos primeiros micróbios da Terra? Por outro lado, se os micróbios estavam antes do metano, como e porque é que viviam em lugares quase desprovidos de sustento?

As primeiras hipóteses

Quando o projecto começou em 2009, a comunidade científica, agora composta por mais de 230 investigadores de 35 países, definiu uma meta para classificar numa década as origens de metano na Terra e tentar quantificar as reservas espalhadas pelo mundo. Mas indicam que não esperavam os resultados obtidos.

Alguns hipotetizaram que depósitos incomuns de metano, como o Monte Chimera, deveriam ter sido formados por reacções químicas que ocorrem nas rochas circundantes. Outros sugeriram que os micróbios contribuíram para a produção de metano em algumas das reservas, metabolizando o hidrogénio para criar metano num processo completamente diferente.

Depois de estudar algumas amostras com a mais recente tecnologia, os cientistas determinaram que os micróbios têm um papel muito mais importante do que se pensava anteriormente.

“Parece que os micróbios sabem como usar estes compostos abióticos como combustível, ou alimentícios. Temos provas claras e crescentes de metano abiótico na Terra. O que não é claro é quanto há. Estas investigações têm encontrado uma complexidade incrível na maneira como o metano é produzido e estas complexidades conectam a química orgânica e inorgânica na Terra de uma forma fascinante “, explica Isabelle Daniel, da Universidade Claude Bernard.

Especialistas apontam que as descobertas oferecem pistas sobre as origens da vida na Terra, uma vez que as moléculas orgânicas que se formam no processo podem ser precursoras dos componentes básicos da vida. Os microrganismos metanogénicos sempre estiveram entre os objectivos da busca por vida extraterrestre. Conhecer as condições em que se desenvolvem pode ser usado para fazer um “mapa” para estudar outros mundos.

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26 Abril, 2019

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