4334: Os ancestrais do tubarão podem ter tido ossos antes da cartilagem

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(CC0/PD) PIRO4D / Pixabay

Os esqueletos não ósseos dos tubarões eram considerados o padrão antes da evolução dos esqueletos ósseos internos. Agora, uma nova descoberta sugere exactamente o contrário.

Uma equipa de cientistas descobriu um fóssil de peixe, de 410 milhões de anos, com um crânio ósseo que sugere que os esqueletos mais leves dos tubarões podem ter evoluído de ancestrais ósseos, e não o contrário.

Os tubarões têm esqueletos de cartilagem. Apesar de se saber que os esqueletos cartilaginosos evoluem antes dos esqueletos, pensava-se que os tubarões se separaram de outros animais na árvore evolutiva antes de tal ter acontecido, mantendo os esqueletos cartilaginosos enquanto outros peixes, e até os humanos, desenvolvem ossos.

Agora, uma equipa composta por cientistas do Imperial College London, do Museu de História Natural e da Mongólia descobriu um peixe fóssil com um crânio ósseo que é um primo antigo dos tubarões. A descoberta pode sugerir, segundo o Europa Press, que os ancestrais dos tubarões desenvolveram osso, perdendo-o mais tarde – em vez de terem mantido o seu estado cartilaginoso inicial durante 400 milhões de anos.

“Foi uma descoberta muito inesperada”, comentou o cientista Martin Brazeau. O artigo científico foi publicado recentemente na Nature Ecology & Evolution.

Imperial College London/Natural History Museum

O peixe, encontrado na Mongólia, é uma espécie nova, que os cientistas chamaram de Minjinia turgenensis. Pertence a um grande grupo de peixes chamados “placodermos”, dos quais evoluíram os tubarões e todos os outros “vertebrados com mandíbulas”, animais com espinha dorsal e mandíbulas móveis.

A equipa está consciente de que uma só amostra não chega para validar a teoria, mas ainda têm muito material para classificar e esperança de que, no futuro, encontrem mais peixes ósseos precoces semelhantes.

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15 Setembro, 2020

 

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4173: Tubarão considerado “perdido” pela Ciência foi redescoberto 120 anos depois

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(CC0/PD) PIRO4D / Pixabay

Uma equipa de cientistas acaba de redescobrir uma espécie de tubarão dada como perdida pela Ciência há 120 anos.

O projecto documental do norte-americano Forrest Galante, especializado na observação de animais à beira de extinção, captou imagens de um Toothless Tollo (Scylliogaleus quecketti), um tubarão da família Triakidae considerado perdido há 120 anos.

A descoberta é avançada pela revista norte-americana Newsweek, que detalha que a espécie, descrita pela primeira vez em 1902, tem entre 80 a 100 centímetros de comprimento e não é perigosa para o Homem.

Vive nas costas subtropicais da África do Sul, na parte ocidental do Oceano Índico.

Em declarações à mesma revista, Galante explicou que, durante mais de um século, os cientistas não conseguiram estudar a espécie e, por isso, não sabiam se estaria extinta.

Depois de conversar com pescadores locais que alegaram ter apanhado um espécime nas suas redes, o biólogo e a sua equipa conseguiram delimitar áreas para possíveis avistamentos, tendo depois conseguido capturar um espécime.

Fiquei chocado, absolutamente chocado“, disse Galante. “Literalmente, estava a segurar fisicamente nas minhas mãos este animal perdido, este animal que a Ciência não via há 120 anos. Fico arrepiado só de pensar nisso”.

A equipa mediu o animal, conectou-lhe um dispositivo de monitorização para rastrear os seus movimentos e devolveu-o aos oceanos.

Segundo o biólogo, o animal ainda está vivo e perfeitamente saudável.

Um documentário sobre o assunto sob o título Extinct or Alive: Land of the Lost Sharks vai estrear a 11 de Agosto nos Estados Unidos no Discovery Channel.

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16 Agosto, 2020

 

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3286: Oceanos cada vez mais ácidos podem corroer a pele e os dentes dos tubarões

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Wikimedia

As alterações climáticas estão a tornar os oceanos cada vez mais ácidos, o que pode danificar a pele dos tubarões. O aumento da acidez corrói os dentículos dos tubarões – escamas microscópicas semelhantes a dentes que cobrem a pele – o que pode prejudicar a natação.

À medida que os níveis de dióxido de carbono na atmosfera aumentam, os oceanos vão ficar mais ácidos, causando um problema maior para os tubarões no futuro.

Lutz Auerswald, do Departamento de Agricultura, Florestas e Pescas do governo sul-africano, e os seus colegas decidiram testar os efeitos de diferentes níveis de CO2 aquático nos 80 shysharks de papagaio-do-mar (Haploblepharus edwardsii), um tipo de tubarão-gato pequeno que vive em águas rasas, capturado num porto local.

Esta espécie já está bem adaptada às águas ácidas, que geralmente são ambientes arriscados para animais aquáticos, porque uma quantidade maior de CO2 pode entrar no sangue, impedindo que o oxigénio atinja os tecidos. Este tubarão contorna o problema, tornando o seu sangue mais alcalino, o que pode impedir os tubarões de terem complicações de saúde.

A equipa colocou os tubarões em tanques com um pH 8 – o actual nível global de oceanos e mares – ou um pH mais ácido 7,3 porque contem mais CO2. Após nove semanas nas condições mais ácidas, os tubarões ainda conseguiam usar as mesmas tácticas para manter o sangue mais alcalino, mas isso acontecia à custa dos dentículos. Esse nível de pH foi suficiente para dissolver parte do mineral. É isso que torna as descobertas, publicadas este mês na revista científica Scientific Reports, tão surpreendentes, segundo Auerswald.

Os dentes de tubarão são feitos do mesmo material que os seus dentículos, por isso essa corrosão também pode prejudicar a alimentação do tubarão. Como os dentículos são encontrados em todos os tubarões, também outras espécies provavelmente serão afectadas. O grande tubarão branco, por exemplo, depende dos seus dentículos até 12% da sua velocidade de natação. Se estiverem desgastados, os tubarões podem não conseguir caçar com a mesma eficácia e ficar mais susceptíveis a lesões.

Embora não esteja previsto que os oceanos caiam para pH 7,3 até o ano 2300, morar perto das costas oeste e sul da África do Sul torna o tubarão mais susceptível a águas ácidas. A mudança climática provavelmente aumentará a ressurgência, um evento natural que aproxima a água ácida da superfície do oceano onde os tubarões são encontrados.

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30 Dezembro, 2019

 

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3156: Descoberta nova espécie de tubarão pré-histórico que podia chegar aos sete metros

CIÊNCIA

(CC0/PD) PIRO4D / Pixabay

Uma nova espécie de tubarão pré-histórico foi descoberta no Kansas, nos Estados Unidos. Este predador podia crescer até quase sete metros de comprimento.

De acordo com a revista Newsweek, Kenshu Shimada, da Universidade DePaul, e Michael J. Everhart, da Universidade Fort Hays State, identificaram esta nova espécie a partir de 134 dentes, 61 vértebras, escamas e cartilagens calcificadas encontradas em rochas da Carlile Formation, nos Estados Unidos.

Os restos analisados datam do Cretáceo Superior, período entre 66 e 100 milhões de anos. Nesta altura, a América do Norte foi separada em duas partes pelo Mar interior ocidental.

Segundo a mesma publicação, esta nova espécie pertence ao género Cretodus, do qual havia quatro espécies conhecidas. O predador recentemente descoberto foi apelidado de C. houghtonorum e mais detalhes desta descoberta foram publicados, em Novembro, no Journal of Vertebrate Paleontology.

“Este novo tubarão difere de todas as outras espécies conhecidas deste género por ter uma variedade distinta de dentes com formas únicas. A nossa análise mostrou que os dentes deste tubarão são diferentes (em tamanho e em forma) de qualquer outra espécie conhecida de Cretodus e que justificam o nome da nova espécie”, explica Everhart em comunicado.

Os investigadores afirmam que o C. houghtonorum era uma espécie grande, estimando que o espécime descoberto teria quase cinco metros de comprimento. No entanto, a sua análise também mostrou que a espécie poderia crescer até quase sete metros.

Relativamente à idade, o espécime analisado pelos investigadores norte-americanos mostra que morreu com cerca de 22 anos, mas a equipa acredita que a espécie poderia viver até aos 51 anos de idade.

Os cientistas dizem ainda que os tubarões recém-nascidos desta espécie teriam cerca de um metro, um “tamanho grande” que sugere que — tal como muitas espécies de tubarões que ainda vivem hoje em dia — os embriões comeriam os seus irmãos enquanto estavam no útero. Os investigadores dizem que isto mostra que o comportamento evoluiu no final do Cretáceo Superior.

Os fósseis do C. houghtonorum foram encontrados perto das barbatanas dorsais de um Hybodontiforme e dos dentes de um Squalicorax. Ambas eram espécies de tubarão mais pequenas e, com base na condição dos restos encontrados, sugerem que a nova espécie morreu logo depois de comer o Hybodontiforme, sendo que depois apareceu o Squalicorax e comeu a carcaça do tubarão maior.

Shimada e Everhart também observaram que a nova espécie provavelmente teria vivido ao lado do Cretoxyrhina mantelli, um dos maiores tubarões do Cretáceo Superior (poderia crescer mais de sete metros de comprimento e teria sido um predador alfa).

Os cientistas acreditam que as duas espécies poderiam ter vivido juntas uma vez que utilizavam ambientes diferentes — o C. houghtonorum ficava perto da costa e o C. mantelli em águas profundas e longe da costa “possivelmente representando um caso de particionamento de recursos entre as duas espécies”, concluíram.

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8 Dezembro, 2019

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3081: Cientistas estão a testar material à prova de mordida de tubarão

CIÊNCIA

kenbondy / Flickr
Carcharodon carcharias, conhecido pelo nome comum de tubarão-branco

Depois de serem testados em laboratório, os cientistas testaram os dois novos materiais em mar aberto, com tubarões-brancos a sério. 

Ocasionalmente, banhistas ou surfistas são atacados por tubarões em algumas partes do mundo, ficando por vezes gravemente feridos. Agora, avança o IFLScience, cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, estão a testar a eficácia de um novo material que pode reduzir os ferimentos causados por mordidas de tubarão.

Os investigadores analisaram dois novos tecidos em laboratório — SharkStop e ActionTX —, que são feitos com fibra de polietileno incorporada em neopreno (um polímero sintético muito resistente), avaliando quão bem sobreviveram a perfurações e lacerações.

No laboratório, ambos foram mais resistentes a picadas simuladas do que o neopreno comum, apresentando perfurações e lacerações menores e mais superficiais do que outros materiais.

De seguida, a equipa colocou-os à prova em mar aberto, com tubarões-brancos a sério. Para isso, criaram uma mistura de gelatina e uma espuma especial para imitar a consistência da carne e do osso humano, respectivamente, e cobriram-nos com os materiais. Também colocaram sensores, o que lhes permitiu medir a força da mordida.

Para testar os materiais de neopreno, os investigadores envolveram-nos em torno de tábuas de madeira cobertas de espuma para avaliar a facilidade com que foram rasgadas ou perfuradas.

No geral, escreve o mesmo site, os materiais exigiram maior força de mordida para serem danificados e obtiveram marcas menores do que os materiais menos protectores, sugerindo que ambos poderão ser ferramentas úteis para minimizar o sangramento causado por mordidas de tubarão.

Embora sejam resultados promissores (que agora podem ser consultados na PLOS ONE), os investigadores dizem que são necessárias mais pesquisas para determinar quão bem os materiais reduzem os danos físicos nas pessoas. A equipa também observa que estes materiais podem não ser tão leves e flexíveis como os fatos de mergulho tradicionais.

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23 Novembro, 2019

 

3059: Cientistas captam imagens extremamente raras de um peixe a devorar um tubarão inteiro

CIÊNCIA

Os tubarões são dos animais mais temidos nos oceanos, mas naquela que é uma verdadeira troca de papéis, um tubarão foi devorado por completo por um peixe das profundezas do mar.

Um vídeo publicado pela US National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) mostra raras imagens daquele que é um banquete de tubarões no fundo do mar, a comerem um peixe-espada. Contudo, havia uma outra criatura a preparar uma emboscada a um destes tubarões.

A gravação mostra depois um peixe Polyprionidaeconhecido, em inglês, como “Wreckfish”, literalmente a engolir um tubarão com uma só dentada. Nos instantes a seguir, ainda é possível ver o peixe com o rabo do tubarão na ponta da sua boca.

Segundo o Science Alert, tudo isto passou-se a uma profundidade de 450 metros, a 130 quilómetros da costa da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. A NOAA acabou por encontrar-se casualmente com estas criaturas, já que a verdadeira razão da sua missão era encontrar os destroços do petroleiro SS Bloody Marsh.

O biólogo marinho Peter J. Auster, da Universidade do Connecticut, diz que as causas da morte do peixe-espada não são perceptíveis, com o norte-americano a supor que tenha sido “devido à idade, doença ou algum ferimento”.

As criaturas que se estavam a regozijar com o peixe-espada eram de duas espécies diferentes de tubarões de águas profundas. Acredita-se que uma delas se trata de uma espécie descoberta recentemente, conhecida como peixe-gato do Genie (Squalus clarkae).

Por fim, o peixe responsável pelo ataque final pode atingir até 2 metros de comprimento e prefere ambientes sombrios como grutas subaquáticas e navios naufragados. “Este evento raro e surpreendente deixa-nos com mais perguntas do que respostas, mas essa é a natureza da exploração científica”, disse Auster.

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20 Novembro, 2019

 

3006: Encontrados dentes de um megalodonte numa caverna subaquática no México

CIÊNCIA

Mary Parrish / Wikimedia

Mergulhadores encontraram dentes de uma espécie pré-histórica de tubarão numa caverna subaquática no México.

De acordo com a Newsweek, os espeleólogos Erick Sosa Rodriguez e Kay Nicte Vilchis Zapata dizem que alguns dos dentes agora encontrados podem ter pertencido ao megalodonte (Carcharocles megalodon), um dos maiores tubarões que já viveu na Terra.

Os outros dentes podem pertencer a espécimes do tubarão-mako e do tubarão-serra — animais que ainda hoje existem —, mas os investigadores querem fazer uma análise mais aprofundada para ter a certeza das espécies envolvidas nesta descoberta.

A dupla de investigadores afirma que os dentes, encontrados na rede de cavernas subaquáticas cenote Xoc, próximas da cidade de Mérida, no México, podem datar do Plioceno (entre 5,3 e 2,6 milhões de anos) e do Mioceno (entre 23 e 5,3 milhões de anos).

Os investigadores afirmam que este é o segundo cenote na região onde foram encontrados dentes de um tubarão pré-histórico. Estudá-los poderá dar mais informações sobre as espécies que viveram na região há milhões de anos, quando partes da Península de Yucatán estavam submersas.

Acredita-se que o cenote Xoc, que só foi descoberto recentemente, seja a terceira maior caverna subaquática deste município mexicano, estendendo-se por cerca de 610 metros e atingindo profundidades de cerca de 90 metros.

O megalodonte, agora extinto, podia medir até 18 metros e pesar até 37 toneladas. Os fósseis mais antigos já encontrados têm cerca de 20 milhões de anos e os mais jovens datam de há 3,6 milhões de anos, indicando que este animal manteve o seu domínio durante cerca de 13 milhões de anos.

Durante a exploração da caverna, os investigadores também encontraram restos fossilizados de manta rays e ossos humanos.

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10 Novembro, 2019

 

2296: Captadas imagens de raro tubarão de águas profundas. Espécie é anterior aos dinossauros

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas norte-americanos conseguiu captar nas águas profundas das Bahamas imagens únicas do tubarão-albafar (Hexanchus griseus), conseguindo pela primeira vez rastrear esta espécie no seu habitat natural. 

De acordo com a missão científica da OceanX, responsável pelas imagens, esta espécie não sofreu quase nenhumas alterações evolutivas durante 200 milhões de anos, ou seja, permanece quase intacta no campo da evolução desde o Jurássico.

A expedição, que comunicou a descoberta através da sua página oficial de Facebook, observou ainda que o estilo de vida esta espécie continua a ser um mistério.

Investigações anteriores rastrearam esta espécie depois de trazer os animais até à superfície. Contudo, este método pode desorientar e desintegrar os animais das suas populações, uma vez que estes preferem estar em águas escuras até 2.500 metros de profundidade. Por esse mesmo motivo, explicaram os cientistas da nova expedição, os dados recolhidos anteriormente não podem ser tomados como uma representação real dos seus movimentos habituais.

Para os biólogos marinhos, esta espécie é uma verdadeira maravilha, tal como descreve o Live Science. Ao contrário dos seus parentes mais evoluídos, que têm cinco brânquias, o tubarão-albafar tem seis, permanecendo quase intacto desde a era jurássica.

O Hexanchus griseus é um grande tubarão, podendo atingir os oito metros de comprimento. Com um corpo largo e olhos verdes luminosos, estes espécies sobrevivem ao caçar presas vivas, bem como a alimentar-se de corpos caídos no fundo do mar.

Feito “histórico”

A expedição, levada a cabo por uma equipa de cientistas da Universidade Estadual da Florida, nos Estados Unidos, fez, em Junho passado, uma viagem às Bahamas a bordo do navio de investigação científica OceanX Alucia.

O objectivo dos especialistas era claro e não tinha ainda sido alcançado por nenhuma outra investigação: rastrear um tubarão-albafar no seu habitat natural.

Depois de submergir centenas de metros da costa de Cape Eleuthera, a equipa de biólogos marinhos atraiu vários espécimes com iscas. Na primeira noite da missão que durou uma semana, os especialistas captaram imagens de uma fêmea claramente visível com as luzes do submersível. Já na quarta noite, conseguiram finalmente marcar um grande macho depois de terem disparado um dispositivo especial integrado com um GPS.

 

“É histórico por várias razões. Agora que provamos que este método pode funcionar para o tubarão-albafar, podemos desbloquear o mundo dos habitantes das águas profundas e obter informações importantes sobre os seus movimentos e comportamentos”, pode ler-se no relatório publicado pela equipa.

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9 Julho, 2019

2056: Cientistas analisaram vómito de tubarão e descobriram algo inesperado

CIÊNCIA

Kris Mikael Krister / Wikimedia

Um estudo divulgado na terça-feira revelou que o tubarão-tigre também se alimenta de pássaros terrestres, para surpresa dos cientistas.

Os tubarões são bastante eclécticos no que toca a comia. As presas vão desde peixes a invertebrados, mamíferos marinhos e até tartarugas. Mas um estudo recente, que identificou conteúdo nas barrigas de tubarões-tigre, encontrou um componente dietético que ninguém esperava: pássaros terrestres e canoros.

O Galeocerdo cuvier é um dos maiores tubarões e pode chegar a medir sete metros de comprimento e a pesar 600 quilos. Os cientistas já sabiam que estes animais comem quase tudo, mas descobriram que o tubarão-tigre não só aprecia aves marinhas, como gaivotas e pelicanos, como também pássaros terrestres, desde andorinhas a pombas.

“O tubarão-tigre vê algo comestível e devora, mas surpreendeu-me muito ver que também come passeriformes”, explicou Kevin Feldheim, biólogo do Feldheim of the Chicago Field Museum, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, recentemente publicado na Ecology.

A equipe liderada por Marcus Drymon, da Universidade Estadual do Mississipi, estudou a dieta do tubarão-tigre depois de terem capturado exemplares de até um metro de comprimento. Depois de capturados, “sugaram” todo o conteúdo do estômago antes de libertarem os animais.

No entanto, não foi uma tarefa nada fácil, devido às mandíbulas perigosas do tubarão, capazes de triturar o casco de uma tartaruga. Além disso, os restos encontrados no estômago dos animais capturados no Golfo do México estavam parcialmente digeridos,o que dificultou o objectivo dos investigadores de determinar exactamente o tipo de ave em questão.

É aqui que entra a genética. Segundo o ScienceAlert, o material recolhido foi enviado para o Laboratório Pritzker de Sistemática Molecular e Evolução, em Chicago, para análise de ADN. “Nenhum deles era uma gaivota, pelicano ou outro tipo de ave marinha. Eram todos pássaros terrestres“, afirmou Feldheim.

De acordo com o cientista, num determinado local do litoral do Havai os filhotes de albatroz aprendem a voar, e os tubarões-tigre adultos capturam os animais. “Durante as migrações, estas aves, já cansadas, caem na água durante as tempestades“, acrescentou.

Além disso, os pássaros terrestres podem ser uma presa mais atraente do que as aves marinhas, uma vez que são menos capazes de lidar com a queda na água do que as aves marinhas.

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26 Maio, 2019


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1875: O terrível tubarão-branco fica apavorado com outra criatura marinha

CIÊNCIA

George Probst / Flickr

O tubarão branco (Carcharodon carcharias) pode não ser o “rei” dos oceanos. Uma investigação, levada a cabo pelo Monterey Bay Aquarium, nos EUA, refuta a ideia que este seja o predador mais temido dos oceanos, revelando mesmo que o animal foge quando há orcas (Orcinus orca) na zona em que está a caçar.

Quando confrontados com orcas, explicou o líder da investigação, Salvador Jorgensen, “os tubarões brancos deixam imediatamente o seu território de caça favorito e não voltam durante um ano, mesmo que as orcas estejam apenas a passar por lá”-

Durante a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Scientific Reports, os cientistas documentaram quatro encontros entre estas espécies perto de Los Farallones, um grupo de ilhas na costa de São Francisco.

Os cientistas analisaram as suas interacções a partir de dados anteriores de 165 tubarões brancos recolhidos entre 2006 e 2013. Posteriormente, compilaram vários estudos sobre estes dois animais, bem como elefantes marinhos que também habitam a mesma área.

Como resultado, completou o cientista Jim Tietz, a equipa foi capaz de “mostrar conclusivamente como é que os tubarões brancos deixam a área quando  aparecem orcas”. Em todos os casos analisados, os tubarões fugiram das águas destas ilhas assim que os cetáceos chegavam e não voltavam ao local até à temporada seguinte.

A equipa descobriu ainda que os elefantes marinhos beneficiam indirectamente desta situação: como os tubarões se ausentam, é menos provável que se tornem presas.

Contudo, importa frisar, o estudo não concluiu se as orcas consideram os tubarões brancos presas, ou se apenas competem por comida. A importância do estudo, sublinhou Jorgensen, passa por demonstrar que “as cadeias alimentares nem sempre são lineares”.

“As chamadas interacções laterais entre os principais predadores são bem conhecidas em terra, mas são muito mais difíceis de documentar no oceano“, rematou.

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23 Abril, 2019

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1417: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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1300: Raro berçário de tubarões descoberto nas águas profundas da Irlanda

CIÊNCIA

Um raro viveiro de tubarões, com centenas de adoráveis tubarões-gato-de-boca-preta, foi descoberto nas frias e profundas águas da Irlanda, a 320 quilómetros a oeste da costa. Este é o maior berçário de tubarões já encontrado em território irlandês.

Holland I, o rover exploratório utilizado pelo Instituto Marítimo da Irlanda, é o grande responsável pela descoberta. O aparelho, operado remotamente, capturou o raro berçário de tubarões enquanto explorava o fundo do oceano.

As imagens capturadas revelaram milhares de cápsulas com ovos – popularmente conhecidos como “bolsas de sereia” – depositados em esqueletos de corais depositados no fundo do mar até 750 metros de profundidade. Estes corais funcionam como uma espécie de tapete protector, impedindo que os ovos sejam arrastados pelas correntes.

Centenas de tubarões-gato-de-boca-preta (Galeus melastomus) foram identificados durante a expedição em volta dos ovos e, apesar de os cientistas não saberem ao certo a que espécie pertencem os ovos, acreditam que sejam efectivamente destes tubarões.

A equipa de biólogos marinhos identificou ainda um tubarão-porco (Oxynotus paradoxus) a movimenta-se na área, uma espécie bem mais solitária e rara.

Durante o mapeamento da zona, a equipa não encontrou nenhum filhote de tubarão, mas os especialistas pretendem voltar à área durante o período de incubação para observar os espécimes juvenis, que são presas mais vulneráveis.

“Estamos maravilhados por relatar a descoberta de um raro viveiro de tubarões numa escala até agora nunca registada nas águas da Irlanda”, disse David O’Sullivan, um dos líderes do projecto durante o seminário INFOMAR Seabed Mapping, que decorreu em Kinsale, na Irlanda, no passado dia 8 de Novembro.

“A descoberta demonstra a importância de documentar habitats marinhos sensíveis e vai dar-nos uma melhor compreensão da Biologia destes belos animais e a sua função no ecossistema na área biologicamente sensível da Irlanda”, acrescentou.

O país tem seis Áreas Especiais de Conservação designadas pela União Europeia de forma a proteger habitats vulneráveis. Foi durante a exploração de uma destas áreas que o viveiro de tubarões foi encontrado.

Em declarações ao jornal britânico Guardian, O’Sullivan, descreveu a descoberta como um “momento eureka“. “Foi incrível”, declarou ainda, frisando que se sabe muito pouco sobre viveiros de tubarões a estas profundidades.

ZAP // IFLScience

Por ZAP
17 Novembro, 2018

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