2296: Captadas imagens de raro tubarão de águas profundas. Espécie é anterior aos dinossauros

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas norte-americanos conseguiu captar nas águas profundas das Bahamas imagens únicas do tubarão-albafar (Hexanchus griseus), conseguindo pela primeira vez rastrear esta espécie no seu habitat natural. 

De acordo com a missão científica da OceanX, responsável pelas imagens, esta espécie não sofreu quase nenhumas alterações evolutivas durante 200 milhões de anos, ou seja, permanece quase intacta no campo da evolução desde o Jurássico.

A expedição, que comunicou a descoberta através da sua página oficial de Facebook, observou ainda que o estilo de vida esta espécie continua a ser um mistério.

Investigações anteriores rastrearam esta espécie depois de trazer os animais até à superfície. Contudo, este método pode desorientar e desintegrar os animais das suas populações, uma vez que estes preferem estar em águas escuras até 2.500 metros de profundidade. Por esse mesmo motivo, explicaram os cientistas da nova expedição, os dados recolhidos anteriormente não podem ser tomados como uma representação real dos seus movimentos habituais.

Para os biólogos marinhos, esta espécie é uma verdadeira maravilha, tal como descreve o Live Science. Ao contrário dos seus parentes mais evoluídos, que têm cinco brânquias, o tubarão-albafar tem seis, permanecendo quase intacto desde a era jurássica.

O Hexanchus griseus é um grande tubarão, podendo atingir os oito metros de comprimento. Com um corpo largo e olhos verdes luminosos, estes espécies sobrevivem ao caçar presas vivas, bem como a alimentar-se de corpos caídos no fundo do mar.

Feito “histórico”

A expedição, levada a cabo por uma equipa de cientistas da Universidade Estadual da Florida, nos Estados Unidos, fez, em Junho passado, uma viagem às Bahamas a bordo do navio de investigação científica OceanX Alucia.

O objectivo dos especialistas era claro e não tinha ainda sido alcançado por nenhuma outra investigação: rastrear um tubarão-albafar no seu habitat natural.

Depois de submergir centenas de metros da costa de Cape Eleuthera, a equipa de biólogos marinhos atraiu vários espécimes com iscas. Na primeira noite da missão que durou uma semana, os especialistas captaram imagens de uma fêmea claramente visível com as luzes do submersível. Já na quarta noite, conseguiram finalmente marcar um grande macho depois de terem disparado um dispositivo especial integrado com um GPS.

 

“É histórico por várias razões. Agora que provamos que este método pode funcionar para o tubarão-albafar, podemos desbloquear o mundo dos habitantes das águas profundas e obter informações importantes sobre os seus movimentos e comportamentos”, pode ler-se no relatório publicado pela equipa.

ZAP //

Por ZAP
9 Julho, 2019

2056: Cientistas analisaram vómito de tubarão e descobriram algo inesperado

CIÊNCIA

Kris Mikael Krister / Wikimedia

Um estudo divulgado na terça-feira revelou que o tubarão-tigre também se alimenta de pássaros terrestres, para surpresa dos cientistas.

Os tubarões são bastante eclécticos no que toca a comia. As presas vão desde peixes a invertebrados, mamíferos marinhos e até tartarugas. Mas um estudo recente, que identificou conteúdo nas barrigas de tubarões-tigre, encontrou um componente dietético que ninguém esperava: pássaros terrestres e canoros.

O Galeocerdo cuvier é um dos maiores tubarões e pode chegar a medir sete metros de comprimento e a pesar 600 quilos. Os cientistas já sabiam que estes animais comem quase tudo, mas descobriram que o tubarão-tigre não só aprecia aves marinhas, como gaivotas e pelicanos, como também pássaros terrestres, desde andorinhas a pombas.

“O tubarão-tigre vê algo comestível e devora, mas surpreendeu-me muito ver que também come passeriformes”, explicou Kevin Feldheim, biólogo do Feldheim of the Chicago Field Museum, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, recentemente publicado na Ecology.

A equipe liderada por Marcus Drymon, da Universidade Estadual do Mississipi, estudou a dieta do tubarão-tigre depois de terem capturado exemplares de até um metro de comprimento. Depois de capturados, “sugaram” todo o conteúdo do estômago antes de libertarem os animais.

No entanto, não foi uma tarefa nada fácil, devido às mandíbulas perigosas do tubarão, capazes de triturar o casco de uma tartaruga. Além disso, os restos encontrados no estômago dos animais capturados no Golfo do México estavam parcialmente digeridos,o que dificultou o objectivo dos investigadores de determinar exactamente o tipo de ave em questão.

É aqui que entra a genética. Segundo o ScienceAlert, o material recolhido foi enviado para o Laboratório Pritzker de Sistemática Molecular e Evolução, em Chicago, para análise de ADN. “Nenhum deles era uma gaivota, pelicano ou outro tipo de ave marinha. Eram todos pássaros terrestres“, afirmou Feldheim.

De acordo com o cientista, num determinado local do litoral do Havai os filhotes de albatroz aprendem a voar, e os tubarões-tigre adultos capturam os animais. “Durante as migrações, estas aves, já cansadas, caem na água durante as tempestades“, acrescentou.

Além disso, os pássaros terrestres podem ser uma presa mais atraente do que as aves marinhas, uma vez que são menos capazes de lidar com a queda na água do que as aves marinhas.

ZAP //

Por ZAP
26 Maio, 2019


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1875: O terrível tubarão-branco fica apavorado com outra criatura marinha

CIÊNCIA

George Probst / Flickr

O tubarão branco (Carcharodon carcharias) pode não ser o “rei” dos oceanos. Uma investigação, levada a cabo pelo Monterey Bay Aquarium, nos EUA, refuta a ideia que este seja o predador mais temido dos oceanos, revelando mesmo que o animal foge quando há orcas (Orcinus orca) na zona em que está a caçar.

Quando confrontados com orcas, explicou o líder da investigação, Salvador Jorgensen, “os tubarões brancos deixam imediatamente o seu território de caça favorito e não voltam durante um ano, mesmo que as orcas estejam apenas a passar por lá”-

Durante a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Scientific Reports, os cientistas documentaram quatro encontros entre estas espécies perto de Los Farallones, um grupo de ilhas na costa de São Francisco.

Os cientistas analisaram as suas interacções a partir de dados anteriores de 165 tubarões brancos recolhidos entre 2006 e 2013. Posteriormente, compilaram vários estudos sobre estes dois animais, bem como elefantes marinhos que também habitam a mesma área.

Como resultado, completou o cientista Jim Tietz, a equipa foi capaz de “mostrar conclusivamente como é que os tubarões brancos deixam a área quando  aparecem orcas”. Em todos os casos analisados, os tubarões fugiram das águas destas ilhas assim que os cetáceos chegavam e não voltavam ao local até à temporada seguinte.

A equipa descobriu ainda que os elefantes marinhos beneficiam indirectamente desta situação: como os tubarões se ausentam, é menos provável que se tornem presas.

Contudo, importa frisar, o estudo não concluiu se as orcas consideram os tubarões brancos presas, ou se apenas competem por comida. A importância do estudo, sublinhou Jorgensen, passa por demonstrar que “as cadeias alimentares nem sempre são lineares”.

“As chamadas interacções laterais entre os principais predadores são bem conhecidas em terra, mas são muito mais difíceis de documentar no oceano“, rematou.

ZAP //

Por ZAP
23 Abril, 2019

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1417: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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1300: Raro berçário de tubarões descoberto nas águas profundas da Irlanda

CIÊNCIA

Um raro viveiro de tubarões, com centenas de adoráveis tubarões-gato-de-boca-preta, foi descoberto nas frias e profundas águas da Irlanda, a 320 quilómetros a oeste da costa. Este é o maior berçário de tubarões já encontrado em território irlandês.

Holland I, o rover exploratório utilizado pelo Instituto Marítimo da Irlanda, é o grande responsável pela descoberta. O aparelho, operado remotamente, capturou o raro berçário de tubarões enquanto explorava o fundo do oceano.

As imagens capturadas revelaram milhares de cápsulas com ovos – popularmente conhecidos como “bolsas de sereia” – depositados em esqueletos de corais depositados no fundo do mar até 750 metros de profundidade. Estes corais funcionam como uma espécie de tapete protector, impedindo que os ovos sejam arrastados pelas correntes.

Centenas de tubarões-gato-de-boca-preta (Galeus melastomus) foram identificados durante a expedição em volta dos ovos e, apesar de os cientistas não saberem ao certo a que espécie pertencem os ovos, acreditam que sejam efectivamente destes tubarões.

A equipa de biólogos marinhos identificou ainda um tubarão-porco (Oxynotus paradoxus) a movimenta-se na área, uma espécie bem mais solitária e rara.

Durante o mapeamento da zona, a equipa não encontrou nenhum filhote de tubarão, mas os especialistas pretendem voltar à área durante o período de incubação para observar os espécimes juvenis, que são presas mais vulneráveis.

“Estamos maravilhados por relatar a descoberta de um raro viveiro de tubarões numa escala até agora nunca registada nas águas da Irlanda”, disse David O’Sullivan, um dos líderes do projecto durante o seminário INFOMAR Seabed Mapping, que decorreu em Kinsale, na Irlanda, no passado dia 8 de Novembro.

“A descoberta demonstra a importância de documentar habitats marinhos sensíveis e vai dar-nos uma melhor compreensão da Biologia destes belos animais e a sua função no ecossistema na área biologicamente sensível da Irlanda”, acrescentou.

O país tem seis Áreas Especiais de Conservação designadas pela União Europeia de forma a proteger habitats vulneráveis. Foi durante a exploração de uma destas áreas que o viveiro de tubarões foi encontrado.

Em declarações ao jornal britânico Guardian, O’Sullivan, descreveu a descoberta como um “momento eureka“. “Foi incrível”, declarou ainda, frisando que se sabe muito pouco sobre viveiros de tubarões a estas profundidades.

ZAP // IFLScience

Por ZAP
17 Novembro, 2018

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